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quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Todo o rir, todo o ler

                                                                                   

É um desmorrer
É um livro ótimo
É o ver, o crer, o saber-se, o óbvio
O simples sabor
É por assim dizer um deslindar-se extremo
Esperar e ver o que se há
É o pequeno gesto livre de sentir-se em plena emoção
É levar-se leve
É levar-se livro
Derreter sabendo-se estio
Calar-se ao pé do ouvido de seu próprio mal.

É um saber ter a marca boa dos tombos
É passar no rosto o sol de cada tempo
É ver-se tempo
É morrer-se muro, é saber futuros
É saber querer o beijo, o ensejo
É viver o verso de Pessoa no calor das mãos
É cortar amarras, é cortar o risco
É querer sofrer e rir e ter delírios
Cortar medos sem sorrisos
Ver-se sal.

Ágil, o vento sabe tudo e mudo
Só sugere a invenção do quando
E a lida dessa vida ferve todo meu ser
Todo o rir, todo o ler.




terça-feira, novembro 22, 2011

No peito e imaginação

Meu desejo é de mar, de fome de ir
Espero a avenida do mundo se abrir
E os ventos das emoções rasgarem o medo de Deus
E em filmes e revoluções fazerem vida, poesia e leis
Rasga a terra com o sol de uma mão
Faz-se palavra de riso e lida, de honra e paixão.

E o vento e a paz que vejo sorrir
É deslindar alegria no plano de ir
Andando com o sol na mão
Ventando  no som que vem
Toando um violão, plantando gente, folha e um sol cortês.

Haja terra e sonho de chão
Pra plantar palavra vida no peito e imaginação.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Afirmando nãos

Desgrace-me, cale-me
Desfeite
Intenso delírio faça-te entender
Esqueça-me mágoa
Dá-me o aceite
Rasgue-se, trate-me o ver.

Feche a porta, desligue o me deixe
Esqueça-me despeito, desejo, o que for
Me queima na água ou no azeite
Faça-me o favor!

Dá-me linha
Deixe-me ir desvoar
Quero-me simples calar
Surdamente mudo
Dá-me a trilha de descolar-me do ser
De desvoar a canção
Deixe-me afirmando nãos.

quinta-feira, junho 23, 2011

A dor se ergue e se faz nascer

Me dê uma palavra!
É assim que se sucede toda vertente de se recriar
A cada ânsia e medo a palavra se retorce e se faz olho.

As nuvens mais escuras descem a observar
O céu que escurece no medo de ser
E se isso tudo é feito de amor
O chão se ergue procê aprender.

Me dê sua palavra!
Assim a  sede de não ter sede pode piorar
A alma canta o medo de não ter água
A água morre de não lhe escutar
E as almas que são chuva esquecem de voltar
O vento se desaprende a  lhe perceber
Se isso tudo é feito de amor
A dor se ergue e se faz nascer.