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segunda-feira, junho 25, 2012

Uma forma de invenção

O sonho é uma forma de vaidade
Redesenhada nas manhãs
Escrita pela fria vã saudade, cidade, que diz bom dia
E vive um afã de ser da madrugada a semana
Calada, retorcida, feita mar
Que em ondas nos transforma, nos transtorna, nos clama
Para um remexer desse lugar
Já feito de monstruosas mil besteiras
Já repintado em quadros de emoção
O sonho é uma forma de fogueira
Incendiemos toda imensidão.

O sonho é uma forma de saudade
Que faz gelo da Antártida derreter
A luz, a alma fria, as cidades, as tardes
São desenhos de mundo acontecer
Há o urro dos medos e das coragens
Deitados nos delírios e nos afãs
De todos que desdenham das vontades
O sonho é uma forma de invenção.

quinta-feira, maio 03, 2012

Cores

Quero um amor verde
Nesse mundo azul
Uma fome sépia
Um palavrar cinzento
Um vento e nuvem cálidos e brancos
Um olhar tão pardo
Um segundo azul.

Cores e vozes me são formas válidas de invenção.

Artes são tão negras
Artes são tão sonho
Artes são tão claras
Vermelhas, ungüento
Artes são palavras
Artes são tão rosa
Artes são tão mundo
Artes são azul.

Cores são letras sem mãos embriagadas nas peles, no chão.



segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Um sonho, nada mais

Um sol, uma febre
Uma flor de céu
Uma serra ao leste
Uma forma qualquer de tornar-se mel
Uma hora de saber-se mel.

Talvez seja só uma forma de amar
Talvez seja só uma esperança, um mar.

Espelhos e laranjas
Cores verdes, sóis carmim
Desenhos em azulejos
Coisas a se construir
Formas de mundo a se rir.

Talvez só seja uma espécie de paz
Talvez só se um sol, nada mais.

Dias se erguem, formas de luz se amenizam
Janelas abrem portas
Estrelas fingem desistir
Coisas duras parecem rir.

Talvez só seja um gole de paz
Talvez só seja um sonho, nada mais.


Quase flor

 Dá-me Deus qual um encanto pra, quem sabe, eu reter este sabor
Tão sugerido, plácido e tímido
Feito de amor.

Dá-me Deus qual um espanto pra, quem sabe, eu reter este calor
Imaginado, estandarte óbvio
Do clamor de corações, asas e coisas
Amantes velhas do voar
Qual um sonho tão real
Sol na mão, pernas pro ar.

Dá-me Deus qual teus mil planos, qual teus mil dizeres
Dá-me este amor
Surrado, tímido, encantado, ávido
Pintado no asfalto de ser quase flor.


O que será que meu coração fará agora?

Um sonho, um pão
Uma doce palavra
Eu rio, desvio o som das mil palavras
Me encontro em horas no fluxo do sim
Encurto as horas abertas
Me sorrio sem sorrir.

Espelho a calma das almas
Estrago o freio dos mil automóveis de barro,
Do destino em cheio,
O que será que meu coração fará  agora?