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quinta-feira, julho 05, 2012

As Feministas

Era somente uma poesia
Sendo também somente Ela
Mudava coisas, ia à frente
E eu aqui olhando a vela da nau do mundo em mil lugares
Para além do meu país
Ela a amada, o amargo, a trave
Ia longe demais
Tão longe de mim.

Já era tão outras
Já muita gente
E eu não mais o mesmo cara
Mudava as coisas naturalmente
Voava ali e lá
Às asas que nem fui eu quem me dei
Alado amante dos movimentos febris
Do queimar já delas, sempre galantes
Corpos que faziam a alma tão feliz.

Passeando firme, cartaz à frente
O fatal agora em mim
É que naturalmente
Feministas sejam um mundo em mim.

PS: Poema inteiramente inspirado na canção "As Atrizes" de Chico Buarque .


segunda-feira, abril 09, 2012

Luciana

Uma paixão é um mar
E mar é invenção de um Deus que torna-se palavra e ardor
E em sônicas e luminares rubras rosas tensiona o ser
Constrói muralhas, obras
E ardores
Arvores
Cala-se e despreende-se
É flores.



Não sei dançar e torno o olhar no rosto
Um dedilhar de canções que sorrio
A ver-te voar sabendo-se
Pintada
Esculturada na liberdade e vida
E amo, e sonho
Espero e em versos te sonho.

De tudo em ti vejo só o incerto
Colho matrizes de inventos
E inverso ao que há de mim
Aprendo-me dotado
Da nova luz que em novo me acumula
De cores, e ardores
Aprendo a ti
Com flores.

Quase morri em mim de medo claro
Das ruas tantas que pintavas tão frias
Até não ver além deste mistério
Que em mim construo em homem mais liberto
E nas cores dos amores
Escrevo a ti Luciana.



terça-feira, março 27, 2012

Querendo te ver

Meus dedos pedem saudade
Dedilham coisas de ser
Talvez precisados mundos de pele e querer
Talvez um mundo inteiro de ler o mistério de tanto saber.

Meus rumos pedem certezas
E o tão desdizer de silêncios e encantos
Formas de dizer 
Que não domino, calado, assim restaurado por precisar ser.

E o espaço das noites, das lidas
Dos dias que a vida nos obriga a ter
Dão razão à saudade
Dão razão à cidade que preciso ser.

E ao encanto da beleza
Dedico meu ser
Enquanto escrevo minhas vidas, suores e ver
E até a poesia de tanto te querer
Enquanto construo as tardes
Olho com saudade
Querendo te ver.

domingo, março 25, 2012

Um hiperbólico dizer

Era um mundo, eram nuvens, montanhas e tudo no longínquo desenho de uma ida, uma partida. Não a primeira e talvez sequer a última, mas a ida, a partida, o todo do despedir, tudo me assusta.

A imagem na retina, o desejo de atar-me, o toque, a textura, o cheiro, a cor.  Tudo remetia-se e ti. Tudo tornava-se teu, tu, forma, cor e cheiro.

Como ver um mundo sem ti, como não desenhar as montanhas com teu corpo e curvas? O todo do ir desenha-me angústia por em tudo ver-te e a distancia impedir o toque.

A  angustia de ver-te mundo e nele não ouvir-te, sentir-te concreta. E imensa em mim saber-me entregue, perfeitamente entregue, sem duvida alguma feito parte, inserido, imerso, afogado na paixão e no amor, no querer.

Quase infante, entregue ao desespero de não saber-se mais com a segurança dos sós, perdendo o entender onde por as mãos, a frase segura, o texto firme, despedaçado no contraditório, paradoxalmente feliz na agonia de não saber-me mais meu.

Teu nome é feito alma em mim, é ocupação, é saber, é destino, desenho, sentido, voz, cor, corpo, é o carmim, é o mel, é Bethania explodindo vozes em Iansã.

Não ha duvidas, não há fugas, não há outra saída além das hipérboles do poeta.

Amo-te, Sem mais.

Amo-te e temo-te, amo-te e mais que antes desespero-me sabendo que o intenso me invade e que o futuro, este incerto futuro, não vale mais que dois vinténs, mas deixa a esperança sorrindo com o que o passado desenhou na alma.

Não sei dos futuros, mal sei dos presentes, mas sei que amo-te.

Luciana

A lida da partida, o sorriso, o sal, o sol da ida
O corpo detalhando a marca do amor
O riso
O salto no espaço
O Voo, o medo, a linha de montanhas.

Textura de sentidos disponíveis sob os dedos
O peso, a forma, o desejo, a cor de amores
O vermelho que ruge
O Rouge da cor vermelha da França.

Sentada sob o astro em São Paulo
Ao sul do veio de ouro de mil mares
De canoas e Fortalezas infindas
Pintada em nuvem
O preto na pela alva
A alma já canta.

Saudade de sorriso, de textura, de cor, de feminino
Na cor destas montanhas, nas curvas do mar
Das cores
Desejo-me mar
Me entrego, me afogo
Me sou todo dela
Luciana.