Meu frenesi é um papo
Um jogo pesado, uma hora, uma besta
Meu coração solto às feras
Controla-se fera
E derrete a cabeça.
Já não aguento quem disse toda essa porra de razão
Calo-me
Canto um fado
Arranho o ódio com a mão.
Rasgue o caderno, me dê vinho
Deixe que eu perca a cabeça
Pois meu sentido de riso
É um passo que me faz ser presa
Dê-me inferno
E em vão
Dê-me um terno.
Meu sem nome é medo
Meu sonho é passado
Meu urro é uma peça
De segundos cravados no jogo do ogro
Que morde a beleza.
Já não aguento quem disse
Toda essa estranha canção
Calças me fodem as partes
Pernas me incitam paixão
Tudo o que trago comigo
É essa maldita cabeça
E tudo que incorro em perigo
É morrer de tarde às terças.
Tudo é inferno
Tudo é terno.
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quinta-feira, maio 03, 2012
E a rua não finge me amar
Meu riso de ser confunde, confuso
A fome, o corpo de ti, mulher
Como quem me tem em disparada
Num alvo a derreter.
Como teu nome se torna de outro ser?
Não vejo-me em mim
Dói a dor do sono
Deslumbro um desmorrer.
Há tanto você que arde além de mim
E tudo é você
Desorienta
E a lua não morre no mar.
Espero aprender o corte profundo
De não viver em paz
Abrir meus milhos, meus mundos e fundos
Amar você e mais
Ver tantas flores que às coisas se façam ser
Partes de mundo em mim
E acordo e o sono me angustia o ver.
Há tanto você que o amor derrete um fim
Há fins em você
Desorienta
E a rua não finge me amar.
A fome, o corpo de ti, mulher
Como quem me tem em disparada
Num alvo a derreter.
Como teu nome se torna de outro ser?
Não vejo-me em mim
Dói a dor do sono
Deslumbro um desmorrer.
Há tanto você que arde além de mim
E tudo é você
Desorienta
E a lua não morre no mar.
Espero aprender o corte profundo
De não viver em paz
Abrir meus milhos, meus mundos e fundos
Amar você e mais
Ver tantas flores que às coisas se façam ser
Partes de mundo em mim
E acordo e o sono me angustia o ver.
Há tanto você que o amor derrete um fim
Há fins em você
Desorienta
E a rua não finge me amar.
segunda-feira, abril 30, 2012
Nisso que chamam amor
O outro é forma de evangelho
E ao mar, à morte, ao externo
Além de mim e do outro
Há a pálida margem da irracionalidade
Do peito arfante
O medo das coisas.
Não há senso, não há tempo
Há medo
E desejo
E a cor dos dedos que tornam-se letras, palavras
Mortos, os seres e as almas dos versos transmutam-se no delírio.
Não há tempo, nem urgência
Há o oco
Há o não saber
Há o querer
O devorar do corpo
No fogo
No fogo do mergulhar
Nisso que chamam amor.
E ao mar, à morte, ao externo
Além de mim e do outro
Há a pálida margem da irracionalidade
Do peito arfante
O medo das coisas.
Não há senso, não há tempo
Há medo
E desejo
E a cor dos dedos que tornam-se letras, palavras
Mortos, os seres e as almas dos versos transmutam-se no delírio.
Não há tempo, nem urgência
Há o oco
Há o não saber
Há o querer
O devorar do corpo
No fogo
No fogo do mergulhar
Nisso que chamam amor.
Querer-te
Dói
Dói como rir, como perder-me
Dói como ir
Como ver-me longe, ver-te longe
Ver-me nu em mim, na música.
Dói como matar-me, matar-te na contradição de prender-te e querer-te vôo
Dói por combate
Em mim, em fins, em sins murmurados
Em caladas manhãs
Em surrados bons dias.
Queria ser só, único
Queria ser mil, muitos
Queria e só, muito.
Saber amor é também saber sair
Saber fugir ou correr nas ruas e lumes
Saber egoísmos e saber mundos de ver-se
Hoje, atroz, a sombra do horror de mim murmura
Em mim murmura o negativo de ser.
Diferentes, díspares
E assim, querendo e não vendo e não sendo
Caminho e temo
E urro
E sinto
E vivo
E respiro
Talvez sorria
Pois é inescapável querer-te.
Dói como rir, como perder-me
Dói como ir
Como ver-me longe, ver-te longe
Ver-me nu em mim, na música.
Dói como matar-me, matar-te na contradição de prender-te e querer-te vôo
Dói por combate
Em mim, em fins, em sins murmurados
Em caladas manhãs
Em surrados bons dias.
Queria ser só, único
Queria ser mil, muitos
Queria e só, muito.
Saber amor é também saber sair
Saber fugir ou correr nas ruas e lumes
Saber egoísmos e saber mundos de ver-se
Hoje, atroz, a sombra do horror de mim murmura
Em mim murmura o negativo de ser.
Diferentes, díspares
E assim, querendo e não vendo e não sendo
Caminho e temo
E urro
E sinto
E vivo
E respiro
Talvez sorria
Pois é inescapável querer-te.
domingo, abril 29, 2012
Humanidade e paixão
O som das luzes que são daqui
A cor do mundo ao longe
O longe
A forma de ser muito, a fome de ser bem
A forma de ser bom de ouvir.
O som dos olhos feitos canção
A forma dessa bela visão
A cor dessa esperança
A cor de ver alguém
Que é canção por ser a si
Mais ninguém.
O som que vem desse jeito coração
Traduz a forma de beleza que é natureza
E é humanidade e paixão.
A cor do mundo ao longe
O longe
A forma de ser muito, a fome de ser bem
A forma de ser bom de ouvir.
O som dos olhos feitos canção
A forma dessa bela visão
A cor dessa esperança
A cor de ver alguém
Que é canção por ser a si
Mais ninguém.
O som que vem desse jeito coração
Traduz a forma de beleza que é natureza
E é humanidade e paixão.
Lu, ar, cor e noite
A poesia é uma esperança
Uma criança, a dança dos bons dias
Versos partem das luas, glórias
O amor me chora de sorrir pra noite.
Entre as cores, as ruas, as tranças
A esperança dança o tom da noite.
A poesia é uma lança
E as ruas dançam versos feitos de noites
Cores ardem, peitos afloram
E a gente gosta do sabor que arde
Nessas flores, nessas andanças
E vejo-te dança, Lu, ar, cor e noite.
Uma criança, a dança dos bons dias
Versos partem das luas, glórias
O amor me chora de sorrir pra noite.
Entre as cores, as ruas, as tranças
A esperança dança o tom da noite.
A poesia é uma lança
E as ruas dançam versos feitos de noites
Cores ardem, peitos afloram
E a gente gosta do sabor que arde
Nessas flores, nessas andanças
E vejo-te dança, Lu, ar, cor e noite.
quarta-feira, abril 25, 2012
Como voar
Surge a linha, o sol, as cores claras
A fome de um verso que seja semana
Ruas listradas
Roupa marrom
Desejo pleno de voar
Cor de bom motivo pra desejar.
Gotas de novas pedras
Água de rochas
Praias se tornam vento
Como segredos.
E toda urgência feita em som
Ganha o carmim do farfalhar
Da doce presença de teu olhar
Que emana, que anda e inventar o mar
Pelo ar, pelo olhar, pelo sonhar
Como se asas fosse, como voar.
A fome de um verso que seja semana
Ruas listradas
Roupa marrom
Desejo pleno de voar
Cor de bom motivo pra desejar.
Gotas de novas pedras
Água de rochas
Praias se tornam vento
Como segredos.
E toda urgência feita em som
Ganha o carmim do farfalhar
Da doce presença de teu olhar
Que emana, que anda e inventar o mar
Pelo ar, pelo olhar, pelo sonhar
Como se asas fosse, como voar.
terça-feira, abril 24, 2012
Muitas palavras
Como é incrível perder-se na lógica
Toda palavra amarra em si o som, o soar
De mil motivos, pareceres, óticas.
Ares de prece, sentidos de sins soltar
No mar, no lastro do mil novos eus
E eu?
Vou afagar esse cheiro de deflorar
Sorvendo o ouro de aprender um novo Deus.
Misturo forças, milagres, me faço calar
Ouço no peito um cintilar, uma sílaba
Canto-a somente por aprender a cantar
E o que ecoa teu nome atiça
Não desespero no alcance que entendo da voz
Pois num segundo o que sinto vale-se de um tom azul
Que canto-te na semente do que busco
Sou apenas o soar
Sou muitas palavras
Não as sei de outro modo.
Apenas ser amor
É como se me perdesse nas palavras
É como se fosse inferno meu olhar
Não saber como o ar produz seus ninhos
Como o vento e os destinos
Me consomem sem notar.
É como se me negasse a ver estrelas
É como se me cansasse de lutar
E ao fim não notei as ruas, os linhos
O que foi devagarinho
Divagando e deslindar.
E sem saber se o mundo é como prece
Se o rumo desvanece
Se há lumes de amor
Me tomo teu e procuro dar-te chamas
E cantando-te a flama busco apenas ser amor
É como se fosse inferno meu olhar
Não saber como o ar produz seus ninhos
Como o vento e os destinos
Me consomem sem notar.
É como se me negasse a ver estrelas
É como se me cansasse de lutar
E ao fim não notei as ruas, os linhos
O que foi devagarinho
Divagando e deslindar.
E sem saber se o mundo é como prece
Se o rumo desvanece
Se há lumes de amor
Me tomo teu e procuro dar-te chamas
E cantando-te a flama busco apenas ser amor
domingo, abril 22, 2012
Ver-te em ti a voar
Antes de ir quero voltar
Ir por ai
Ai me dar
Ir em ti, ao mar.
Vendo o anil, o sol, o ser
Aspirar o surgir, o viver
Reter em mim o explorar
Me ver, ressaber
Redescobrir ser.
Antes de ir
Quero chegar
Ver-te assim em qualquer lugar
Ver-te em ti a voar.
Ir por ai
Ai me dar
Ir em ti, ao mar.
Vendo o anil, o sol, o ser
Aspirar o surgir, o viver
Reter em mim o explorar
Me ver, ressaber
Redescobrir ser.
Antes de ir
Quero chegar
Ver-te assim em qualquer lugar
Ver-te em ti a voar.
segunda-feira, abril 09, 2012
Luciana
Uma paixão é um mar
E mar é invenção de um Deus que torna-se palavra e ardor
E em sônicas e luminares rubras rosas tensiona o ser
Constrói muralhas, obras
E ardores
Arvores
Cala-se e despreende-se
É flores.
Não sei dançar e torno o olhar no rosto
Um dedilhar de canções que sorrio
A ver-te voar sabendo-se
Pintada
Esculturada na liberdade e vida
E amo, e sonho
Espero e em versos te sonho.
De tudo em ti vejo só o incerto
Colho matrizes de inventos
E inverso ao que há de mim
Aprendo-me dotado
Da nova luz que em novo me acumula
De cores, e ardores
Aprendo a ti
Com flores.
Quase morri em mim de medo claro
Das ruas tantas que pintavas tão frias
Até não ver além deste mistério
Que em mim construo em homem mais liberto
E nas cores dos amores
Escrevo a ti Luciana.
E mar é invenção de um Deus que torna-se palavra e ardor
E em sônicas e luminares rubras rosas tensiona o ser
Constrói muralhas, obras
E ardores
Arvores
Cala-se e despreende-se
É flores.
Não sei dançar e torno o olhar no rosto
Um dedilhar de canções que sorrio
A ver-te voar sabendo-se
Pintada
Esculturada na liberdade e vida
E amo, e sonho
Espero e em versos te sonho.
De tudo em ti vejo só o incerto
Colho matrizes de inventos
E inverso ao que há de mim
Aprendo-me dotado
Da nova luz que em novo me acumula
De cores, e ardores
Aprendo a ti
Com flores.
Quase morri em mim de medo claro
Das ruas tantas que pintavas tão frias
Até não ver além deste mistério
Que em mim construo em homem mais liberto
E nas cores dos amores
Escrevo a ti Luciana.
domingo, abril 08, 2012
Vendo o outro ser imenso.
Amizade me dói um pouco peito pela necessidade. A percepção da necessidade do amigo se dá menos pelo próximo e mais pelo diverso, pelo contraponto, pela construção. De mim basto eu, de tu nada basta.
Não sei se desengano o egoismo ao amar, acho que não, autoritarizo como sempre, mas me acabo ao ver o outro indo, longe de mim e me percebo mutante para que caiba sempre mais de todos em mim, para que seja eu uma espécie de tudo.
Como um menino que se fecha e morde ao pegar seus brinquedos e recua ao ver que sem amigos a vida descolore. Como diria meu pai: "As marionetes se rebelaram?".
Em todo meu amor é isso, é assim, sou este que renega o avanço, o encontro e a descoberta e se ressabia de ser, até ver que sem rir, ir e voar nada se alcança.
E ai corujo, me esbaldo no saber o outro, mesmo um saber pequeno, mal feito, mal perguntado, mal sabido, intuído e chorado, doído.
Talvez não seja único, nem sequer o maior amador, mas amo e corujo o outro, me sinto assim como entregue na obrigação de ver naquele outro o maior, e não porque não o seja, mas porque é tão grande aquele sol que emociona por saber nele uma forma de vida inteira, que sem o elogio, o beijo, o abraço e a admiração os demais cegos que povoam a terra estariam perdidos.
Corujo o outro pois o preciso rindo, o preciso feliz e o preciso imenso. É um egoismo, é meu, é assim, não sei como não o ser.
Amo assim, ela, as irmãs, as amigas, os pequenos, o irmão, os amigos, os cães.
Amo como quem se perde no prazer de ver o outro ser imenso.
Teu rosto
É pouco
Se o amor for uma lei
É pouco se a forma que quis não tomasse o coração
De um sorrir, de um crer
De uma forma de viver
De sentir-te ar
E querer
O rosto
A voz, a forma, o ser
A pouco que te apreeendi.
Louvo como quem faz oração
Inspiro-me em forma de ser
Ando o caminho do querer
E acho que é amar
Amar é ver
Teu rosto.
Se o amor for uma lei
É pouco se a forma que quis não tomasse o coração
De um sorrir, de um crer
De uma forma de viver
De sentir-te ar
E querer
O rosto
A voz, a forma, o ser
A pouco que te apreeendi.
Louvo como quem faz oração
Inspiro-me em forma de ser
Ando o caminho do querer
E acho que é amar
Amar é ver
Teu rosto.
sábado, abril 07, 2012
Adoração
Não sei falar de amor, só faço arte
Talvez perambulando nas manhãs onde cato poesias
Faço apenas alarde
Das nuvens que vadias lambem os cães.
As luzes que atropelam as semanas
Conduzem um sentido, uma canção
E desenho nas trilhas de meus dramas, que ufanam
Uma velha mania de cantar
O solo, a voz macia desta preta
Que me acostumei a aveludar
Nas fantasias que crio na pirambeira
Do meu costumeiro sonho-canção.
Não sei fazer amor, só falo arte
Entregue a este ritmado crer
Que torna-me segredo de cidades
E parte das ruas que deduzem o amanhecer.
Avanço qual um tolo pras coragens
De tudo mudar por uma canção feita mulher
Que n'outra velha cidade
De mim fez ser esta adoração.
Talvez perambulando nas manhãs onde cato poesias
Faço apenas alarde
Das nuvens que vadias lambem os cães.
As luzes que atropelam as semanas
Conduzem um sentido, uma canção
E desenho nas trilhas de meus dramas, que ufanam
Uma velha mania de cantar
O solo, a voz macia desta preta
Que me acostumei a aveludar
Nas fantasias que crio na pirambeira
Do meu costumeiro sonho-canção.
Não sei fazer amor, só falo arte
Entregue a este ritmado crer
Que torna-me segredo de cidades
E parte das ruas que deduzem o amanhecer.
Avanço qual um tolo pras coragens
De tudo mudar por uma canção feita mulher
Que n'outra velha cidade
De mim fez ser esta adoração.
Começo
Há dor, ardor, amor
Incêndio não marca mais data
Há dores e paixões, rasgos, canções e pegadas
E ardo em teu nome
Meu nome te arde palavras.
Resgato o sobrenome dos fins das almas lavadas
Me dano nos presépios
Malho judas
E no jogo perco a alma.
Há flor, há cor, horror
Feito de sins e de presentes
De nãos e de desnomes
De ausências que se pressentem.
E enfim me vejo em peso neste sabor sem endereço
Entregue ao desafio de saber-me ser começo.
Incêndio não marca mais data
Há dores e paixões, rasgos, canções e pegadas
E ardo em teu nome
Meu nome te arde palavras.
Resgato o sobrenome dos fins das almas lavadas
Me dano nos presépios
Malho judas
E no jogo perco a alma.
Há flor, há cor, horror
Feito de sins e de presentes
De nãos e de desnomes
De ausências que se pressentem.
E enfim me vejo em peso neste sabor sem endereço
Entregue ao desafio de saber-me ser começo.
É seguir, É voar
Exagero e corro demais
Ando em círculos e sinto-me em paz
Rasgo o dedo na lata
Costuro pegadas
E me acabo de rir e chorar e sonhar.
Um afago e me sinto em paz
E me mato correndo demais
Pelas ruas e estradas
A pé nas quebradas
Sentido em mim um mudar, um danar.
E cê sabe que isso parece sofrer
E parece exagero, me lembra você
E talvez seja apenas um dia a mais
Hoje vivo ou triste ou feliz demais
E é melhor do que morto demais
Do que cego e cinza demais
E por isso me dano no amor e derreto
Me queimo no fogo do amor
Em instantes
Onde te amar é dizer
É seguir, É voar.
Ando em círculos e sinto-me em paz
Rasgo o dedo na lata
Costuro pegadas
E me acabo de rir e chorar e sonhar.
Um afago e me sinto em paz
E me mato correndo demais
Pelas ruas e estradas
A pé nas quebradas
Sentido em mim um mudar, um danar.
E cê sabe que isso parece sofrer
E parece exagero, me lembra você
E talvez seja apenas um dia a mais
Hoje vivo ou triste ou feliz demais
E é melhor do que morto demais
Do que cego e cinza demais
E por isso me dano no amor e derreto
Me queimo no fogo do amor
Em instantes
Onde te amar é dizer
É seguir, É voar.
sexta-feira, abril 06, 2012
É isso
Hoje me dano
Me dano pois em mim há os desertos dos infernos que criei
Eu só queria brincar de bola, lamber goiabas e correr sem limites
E chorei nunca ter sido aquilo que abraçaria o coração primeiro
Chorei e choro por me inventar todo dia novo e velho ainda ser infante
E ver que me queriam herói quando era escriba.
Hoje me dano porque preferi o vôo das garças, o andar ao sol e o rir abraçando cães
E querer lidar com pequenos que ouçam a voz do sorriso e brinquem com minha história
Hoje me dano por me sentir pequeno, tolo, tosco, surdo
em meio a uma música que não escolhi dançar
Pleno de saberes e vontades, de fomes e versos
Pleno do querer ver mar, andar amor na Ouvidor
Flanar alegre e sendo um riso que nunca fui
Eu, Casmurro, em um campo de Capitus
Elas ali com olhos de uma ressaca criada por mim e livres em um mundo que não vi por míope.
Hoje apanho de novo do menino mais forte porque lhe disse Heróis gregos e sua força não os conhecia
Hoje de novo abro caminho entre os fortes com os punhos que não quis usar e me perco no sabor do sangue
No gosto do Sangue que queria danar em mim
Hoje me sangro no sangue alheio
E me escondo.
Hoje olho e espero um pai que não vai chegar
Hoje olho o amor que tenho e não sei se virá
Hoje o futuro me lembra um passado
A urna do cotidiano guarda pandoras impossíveis
Hoje preciso ser fraco, calar, gritar, dançar um tango
Ouvir rumbas, rir de besta
Cantar dores antigas
Ironizar minha finitude
Morrer um pouco
Olhar meu Rio de outrora numa rua da Lapa
Hoje preciso de um sentido infinito que morra em segundos
Preciso de muito e de ti
Hoje preciso de irmãos e de ninguém
Hoje sou eu e só
E é isso.
Me dano pois em mim há os desertos dos infernos que criei
Eu só queria brincar de bola, lamber goiabas e correr sem limites
E chorei nunca ter sido aquilo que abraçaria o coração primeiro
Chorei e choro por me inventar todo dia novo e velho ainda ser infante
E ver que me queriam herói quando era escriba.
Hoje me dano porque preferi o vôo das garças, o andar ao sol e o rir abraçando cães
E querer lidar com pequenos que ouçam a voz do sorriso e brinquem com minha história
Hoje me dano por me sentir pequeno, tolo, tosco, surdo
em meio a uma música que não escolhi dançar
Pleno de saberes e vontades, de fomes e versos
Pleno do querer ver mar, andar amor na Ouvidor
Flanar alegre e sendo um riso que nunca fui
Eu, Casmurro, em um campo de Capitus
Elas ali com olhos de uma ressaca criada por mim e livres em um mundo que não vi por míope.
Hoje apanho de novo do menino mais forte porque lhe disse Heróis gregos e sua força não os conhecia
Hoje de novo abro caminho entre os fortes com os punhos que não quis usar e me perco no sabor do sangue
No gosto do Sangue que queria danar em mim
Hoje me sangro no sangue alheio
E me escondo.
Hoje olho e espero um pai que não vai chegar
Hoje olho o amor que tenho e não sei se virá
Hoje o futuro me lembra um passado
A urna do cotidiano guarda pandoras impossíveis
Hoje preciso ser fraco, calar, gritar, dançar um tango
Ouvir rumbas, rir de besta
Cantar dores antigas
Ironizar minha finitude
Morrer um pouco
Olhar meu Rio de outrora numa rua da Lapa
Hoje preciso de um sentido infinito que morra em segundos
Preciso de muito e de ti
Hoje preciso de irmãos e de ninguém
Hoje sou eu e só
E é isso.
quarta-feira, abril 04, 2012
E desfaço
Eu não sei saber dos passos
Ando e enxergo o porvir
Vejo descuidos, vejo espaços
Ando e desvio dos espasmos das gentes
E me entrego ao movimento, ao passo.
Me descubro inventado
E não sei saber de mim
Gosto dos versos, infernos, astros
Recolho gotas de orvalho
E escalo o desenho de tua pele
Torno-me macaco.
Só se não sei sorrir é que me escondo
Só se não sei fluir me furto
Calo-me sem jeito
Espero o recado
Me sangro em céus, escureço
E desfaço.
Ando e enxergo o porvir
Vejo descuidos, vejo espaços
Ando e desvio dos espasmos das gentes
E me entrego ao movimento, ao passo.
Me descubro inventado
E não sei saber de mim
Gosto dos versos, infernos, astros
Recolho gotas de orvalho
E escalo o desenho de tua pele
Torno-me macaco.
Só se não sei sorrir é que me escondo
Só se não sei fluir me furto
Calo-me sem jeito
Espero o recado
Me sangro em céus, escureço
E desfaço.
De amor até
Meus olhos são afluentes de algum mar
Quando vejo cores, dores, voz e fé
Quando entendo com o peito uma forma de voar
Quando esqueço destes solos que me traduzem os pés longe do chão.
E em riste segue assim o coração
Como quem descobre a sorte, a luz ou o fim
E andando qual desacordado na invenção
Cria-se ave danada, paixão, querubim.
A cruz, a luz, o som e o acordeon que jazem em mim
Reproduzem mouriscas formas de um Deus
E espalhado em cacos, inteiro então por fim
Claudico nas dunas e nas ruas que me fazem teu.
E nascendo como quem vai pro altar
Desdito pelas canções dos próprios pés
Crio um verso que de joelhos sobe a Penha sem as mãos
E deixa como pista um vislumbre dos rios da fé.
E meus olhos, afluentes de algum mar
Com seus deltas, suas armas e seus pés
Deita a glória do seus prantos feitos de dor e amar
De uma alegria que tem asas
E de amor até.
Quando vejo cores, dores, voz e fé
Quando entendo com o peito uma forma de voar
Quando esqueço destes solos que me traduzem os pés longe do chão.
E em riste segue assim o coração
Como quem descobre a sorte, a luz ou o fim
E andando qual desacordado na invenção
Cria-se ave danada, paixão, querubim.
A cruz, a luz, o som e o acordeon que jazem em mim
Reproduzem mouriscas formas de um Deus
E espalhado em cacos, inteiro então por fim
Claudico nas dunas e nas ruas que me fazem teu.
E nascendo como quem vai pro altar
Desdito pelas canções dos próprios pés
Crio um verso que de joelhos sobe a Penha sem as mãos
E deixa como pista um vislumbre dos rios da fé.
E meus olhos, afluentes de algum mar
Com seus deltas, suas armas e seus pés
Deita a glória do seus prantos feitos de dor e amar
De uma alegria que tem asas
E de amor até.
Canção reinventada espelho
Se rio, corto por dentro e chuto o sol nas auroras
Redigito a voz
E teu sentido que imito se parece com um riso, um que gargalha sóis
Deduzo seu sonho em passos
Tu me desdiz com Espanhas
Calo-me em confusão que vira quase Guarânia.
Eu te invento demais nas cores que me deliram os dedos da mão
Você me diz coisas que trazem em si um labirinto
Uma espécie de razão
Eu te invento estrela
Você me dedilha inteiro
E me dou conta do mundo feito um jogo de espelhos.
Se em versos curto pasquim
Você me mostra meu lado que veste Falcão
Minhas ruas são feitas de esquinas
E as tuas patinam em praias, calçadões
As ondas são nossas fronhas
Nossos laços e enredos
Os mares são nossa forma de enxergar devaneios.
As coisas são tão assim que me desarvoram espadas e um jeito de ator
Não sei entender-te em mim longe desta entranhada vontade-amor
Sinto saudade das partes
Você me ensina a distância
Os laços em mim tanto ardem que me aprendo constância.
Não sei se somos do outro assim o todo diferente de ser e amar
Não sei saber mais do outro do que o intransigente jeito de inventar
Mas sei dos caminhos de ver e do que determina o peito
No coração que é condutor do meu destino, meu veio
E em ti vê uma canção reinventada espelho.
Redigito a voz
E teu sentido que imito se parece com um riso, um que gargalha sóis
Deduzo seu sonho em passos
Tu me desdiz com Espanhas
Calo-me em confusão que vira quase Guarânia.
Eu te invento demais nas cores que me deliram os dedos da mão
Você me diz coisas que trazem em si um labirinto
Uma espécie de razão
Eu te invento estrela
Você me dedilha inteiro
E me dou conta do mundo feito um jogo de espelhos.
Se em versos curto pasquim
Você me mostra meu lado que veste Falcão
Minhas ruas são feitas de esquinas
E as tuas patinam em praias, calçadões
As ondas são nossas fronhas
Nossos laços e enredos
Os mares são nossa forma de enxergar devaneios.
As coisas são tão assim que me desarvoram espadas e um jeito de ator
Não sei entender-te em mim longe desta entranhada vontade-amor
Sinto saudade das partes
Você me ensina a distância
Os laços em mim tanto ardem que me aprendo constância.
Não sei se somos do outro assim o todo diferente de ser e amar
Não sei saber mais do outro do que o intransigente jeito de inventar
Mas sei dos caminhos de ver e do que determina o peito
No coração que é condutor do meu destino, meu veio
E em ti vê uma canção reinventada espelho.
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