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terça-feira, março 20, 2012

Festa

Ri só por poder saber rir
Só por saber olhar mar
Só por saber ver voar.

Sim, ri!
Ri como quem faz canção
E sorri por um triz
Ladeando riscos vãos
Colorindo coisas soltas, nuas
Respirei com a cabeça um sentido de invenção.




E nos riscos, nas poltronas
Nos medos e itinerários
Rascunhei uma canção de desalinho
Ao ter ver tão preciosa
Estrelada, feita arte
Arte feita em si, só arte
Arte estrela
A desnudar-se em horas
Entre dedos, sóis e arcos
Meu estado, meu caminho
Sendo em ti apenas arte!

E em mim?
Festa.

sábado, março 03, 2012

É o indizível do coração

Canções, estradas
Pedras, quadros, cines
Versos, águas
Montes, praias
Vivencias, livros
Estradas, móveis
Se espalham como invenções mortas
Espaços incrivelmente limitados pra explosão de um só olhar
Inúteis paisagens de medos e mortes
Registros ínfimos e vulneráveis.

É indizível
Não um Deus, pois tal e qual Deus é o não ter um corpo a dar-lhe forma
Mas antes de Deus cria e age com dois, com muitos
Faz em si mesmo o significado e o significante
É e deixa-se ser
É e transforma-se
É o devir e o rir
É antes de tudo dois.

É dizer, é ser humano
É nascer um novo em cada pão
E a ser assim, humano
É o indizível do coração.

sexta-feira, março 02, 2012

Sonho mundo sonhar

Lá é longe que parece já bem ali
Tão distante que o distante é quase dentro de mim
E tarde é bem cedo
Num sono, num sonho que parece quase existir
Pelas quebradas dum samba, dum baião
Que baila zabumbando sins.

Das Zabumbas, das palavras vamos ao luar
O Luar que passa a ser aqui o mesmo aquele de lá
Lá que é minha vida
Feita de um jeito, de um mundo tão feito de sol pra parar
Assim sem tino no medo do amor, do fogo, dos sertões, do pendor de amar
Flores e Serenos
Coisas que não ligo porque não sei mais recuar
Jogo e rejogo
A nítida mania de um sonho mundo sonhar.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Viver o hoje

É bom sorrir no mar deste nascer
O sol parece um mundo meio inventado
Cruzes perdem as pétalas
Vamos ver a cor dos ursos, os Rinocerontes
Os Azulejos claros.

Um brilho no olhar e o silêncio sussurra  o céu azul
Um risco e o mar se parece com estrelas
E tento não sorrir
Olho os prédios que ali parecem artes de navegador
Escuto o samba
Tento  ver o luar
Escalo ondas
Vento a deslizar
Toda essa sutileza poética que esquece de dar nomes
Dá só cores.


É bom rever-se invento qual perder um sonho ao léo
A construção do sonho abunda de medos, de cortes rasos
A rua é qual a lua sorrindo de puro apreço
Pelas pernas, pelas nuvens, pelos sóis de teus olhos raros.

Um modo de andar, uma forma qualquer de rir
O Sul a me repíntar no mar e nas estrelas
Abro um largo sorrir
Por me perder ali no centro do sonho, feito ardor
Estrela mor de deixar-se abarcar
Uma forma móvel de se encantar
Pela lucidez tão perversa, pela leveza incólume de viver o hoje.


segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Quase flor

 Dá-me Deus qual um encanto pra, quem sabe, eu reter este sabor
Tão sugerido, plácido e tímido
Feito de amor.

Dá-me Deus qual um espanto pra, quem sabe, eu reter este calor
Imaginado, estandarte óbvio
Do clamor de corações, asas e coisas
Amantes velhas do voar
Qual um sonho tão real
Sol na mão, pernas pro ar.

Dá-me Deus qual teus mil planos, qual teus mil dizeres
Dá-me este amor
Surrado, tímido, encantado, ávido
Pintado no asfalto de ser quase flor.