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sexta-feira, abril 06, 2012

É isso

Hoje me dano
Me dano pois em mim há os desertos dos infernos que criei
Eu só queria brincar de bola, lamber goiabas e correr sem limites
E chorei nunca ter sido aquilo que abraçaria o coração primeiro
Chorei e choro por me inventar todo dia novo e velho ainda ser infante
E ver que  me queriam herói quando era escriba.

Hoje me dano porque preferi o vôo das garças, o andar ao sol e o rir abraçando cães
E querer lidar com pequenos que ouçam a voz do sorriso e brinquem com minha história
Hoje me dano por me sentir pequeno, tolo, tosco, surdo
em meio a uma música que não escolhi dançar
Pleno de saberes e vontades, de fomes e versos
Pleno do querer ver mar, andar amor na Ouvidor
Flanar alegre e sendo um riso que nunca fui
Eu, Casmurro, em um campo de Capitus
Elas ali com olhos de uma ressaca criada por mim e livres em um mundo que não vi por míope.

Hoje apanho de novo do menino mais forte porque lhe disse Heróis gregos e sua força não os conhecia
Hoje de novo abro caminho entre os fortes com os punhos que não quis usar e me perco no sabor do sangue
No gosto do Sangue que queria danar em mim
Hoje me sangro no sangue alheio
E me escondo.

Hoje olho e espero um pai que não vai chegar
Hoje olho o amor que tenho e não sei se virá
Hoje o futuro me lembra um passado
A urna do cotidiano guarda pandoras impossíveis
Hoje preciso ser fraco, calar, gritar, dançar um tango
Ouvir rumbas, rir de besta
Cantar dores antigas
Ironizar minha finitude
Morrer um pouco
Olhar meu Rio de outrora numa rua da Lapa
Hoje preciso de um sentido infinito que morra em segundos
Preciso de muito e de ti
Hoje preciso de irmãos e de ninguém
Hoje sou eu e só
E é isso.

quinta-feira, março 29, 2012

No cofre de almas brilhantes

Um algoz no mar do mundo
E eu aqui indo afora.

A rir defronte o inimigo
Em um silêncio gritando
Fervido em breves espasmos
De um parco sentido.

A ir como se o longe rira
Parado, em risco, na busca
Prevendo a voz calada
Ante o silêncio que escuta.

Numa forma de ver mundo no aqui
Perco as horas.

A vir de um mundo espada
De um corte feito de murros
Colorindo o passo na água
De um simples sussurro.

A abrir o onde na própria pele
Nas horas de sermos novos
Amar é saber-me imberbe
Na flor que a alma envolve.

Nas palavras perco os mundos de mim
Acho as horas.

Nasci fruto de um Rio
Nasci flecha e arco
Crescer dói por ser bonito
Viver é ser pleno parto.

E ali tudo é perigo
Aqui melhor é todo o antes
Me lanço por ver-me rico
No cofre de almas brilhantes.