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domingo, setembro 16, 2012

O andar

Na lida a gente monta o mundo
Faz-se reluzir
Na raiva que o mundo passa somos tantos, somos lugar
As coisas que se fazem rir
São formas de se fazer mar
O tempo é uma ilusão, é jeito de se lembrar.

Há vida onde perdi
Há morte no conquistar
Das coisas que me vivi
Os abraços, as asas, são feitos do olhar
Há marcas feitas de dia
Há marcas que são luar
Os dedos que viram mãos
Os passos marcados do enfrentar.

Há asas no todo do dia
E o calendário é o voar
A farta vontade do tempo é a vez do rir
E a vez do ir
É o mar.

Há riso no que se é sozinho
Há no todo o gargalhar
E a arte é a razão precisa
De ver, de no todo gostar.

Se tu reparar, o eu é um reparar sem eus
O passo é a razão precisa do existir do andar.

terça-feira, agosto 28, 2012

Só mar

A minha cruz é meio sede
É meio céu, é meio mar
É meio mel, é cor da pele
É quase ódio de amar.

A minha cruz é meio verde
É falha, é fel, é adornar
A forma azul da bela pele
Das muitas novas vidas más.

O riso finda a mão
A mágica
É não ser céu, nem fel
Só mar.

Como um erro sincero

As formas do que sei de mim
Mostram-se milhões de grades
E entre dedos, ânsias, fazem-me novidade
Calada nos âmbitos nus das artes de um vago vento
Presa no temor da indecência do apavoramento.

As luas que trago em mim
São também insignificâncias
Como assinaturas esquecidas
Ruas sem infância
Perdidas onde não sei
Feitas com algum esmero
De uma forma venal
Como um erro sincero.

domingo, agosto 12, 2012

Meu mundo

Meu mundo é um sonho, é um tom de anil
Meu mundo é um horror, quase tudo igual
Meu mundo é um gesto que não conheci
Meu mundo é um deus, um lado escuro
Uma forma de absurdo, um verso, um dom, um fuso
Um destruidor de sonhos mau.

Meu mundo é um gasto inútil de florir
Meu mundo é um surto de prazer vestal
Meu mundo é o algoz do verbo colorir
Meu mundo é o meu lugar confuso, é o meu lugar no mundo
É minha forma de desmundo
É meu gesto absurdo
É minha gesta, é meu súbito sentido de ser
Total.

E o riso é repintado no sol das mãos
As cores da aurora resumem o inferno e o paraíso
Contidos entre os sins e os nãos
E os nãos parecem ser talvez libertação.

Meu mundo é um sonho e uma dor de rir
Meu mundo é o horror e o amor total
Meu mundo tem lugares que não conheci
Meu mundo é o complexo e o confuso, é o inteiro, é o súbito
É talvez o todo, o junto
O separado, o absurdo, o regular, o feito em fusos
O sabor de tudo
O bem e o mal.


terça-feira, agosto 07, 2012

Pra jugular da aurora

O pranto é o olhar visto do fogo
Destilado das folhas, dos muros e instantes
Feito lis, feito país
Feito medo, feito desterro.

E a espada é mãe do pranto, é filha do encantamento
E a espada sai do pranto pra se tornar fundamento
E o fundamento da palavra é uma fração de tempo
E o fundamento da espada é a razão em movimento.

O sol já nasceu pedra
Da pedra fez-se estrela
Da estrela a luz do norte nos transforma em coisa feita.

As estradas são cores
Os olhos são o rir
O vento são as folhas
As flores e horrores
A esperança é a hora em que as mãos voam da dúvida pra jugular da aurora.

Inversa paz

Raia a paz, raia o pranto
Nas mãos o gume que a terra afia
Nos olhos a estrada, a cancha
A rua, o espaço
Que se deseja de paz
Uma paz que se estenda calma
Uma paz que se desminta imensa alma.

Raia a falta, rola o pranto
Feito de fins, de tarde, ódios e vidas
Sangue que vem de longe e se esvai pelos dedos finos
Dos destinos, dos ais
No corpo franzino
Da dor que jaz nos olhos dos que vão ficando
Nos campos, pra trás
Pra trás, na roça, na cidade
Esquálida
Numa paz, inclemente, oprimida
Numa paz que se desmente inversa paz.


quarta-feira, agosto 01, 2012

Da arte

É da arte o destino, o signo, a parte do verbo cantar
Onde as mil coisas que são já passado se tornam milagres
Mistérios
Razões
É da arte o vento que nasce do peito
O lacrimejar
Este mar
O respeito que ergue-se pleno na face da gente
Quando amparado pelos pés no chão.

É da arte a palavra que se torna colibri
É da arte o sangue, o simples, o leque das coisas, das línguas
Das montanhas distantes
Das árvores mortas da imensidão
Que se fazem alegria escrita entre o rir
E o ser que das pessoas faz futuro
E amor é o fruto que a arte prega na parte coração.

Da minha arte vejo a voz como que pequena
Amparada nas palavras que a História traz nos prantos.


Com o mais firme pé

Arte é cruz e é arco
É casco amolado no chão
Não sei se é razão ou se é cuidado
Este passado reescrito pelo coração
Que pinta luzes e prantos, como pombas desenhadas à mão
Como se o minuto, o canto e o mundo
Fosse desmundo, amor, pura paixão.

Arte talvez seja isso
Esse delírio imerso na cor
Talvez seja amor
E amor qual vício que nos exige um sabor, um querer
Talvez seja vida e a ânsia
De ver o sumo do vento nascer
Como quem rompe muralhas
Como quem acorda pra sorrir, crescer.

Não tenho nos olhos rastros
Minha arte é coisa que deita-se ao chão
Como quem brinca de mundo
Recuperando do urro a cor
E se percebe matilha
Feito de ruas, de praias, de ver montanhas serem tão cinzas
Que quase verde se tornam viver.

E esta arte que faço
Como quem curte um couro de dor
E sorri, moleque avoado nas manhãs,
Um belo muito obrigado
O gosto fútil da alma pagã
E as frutas tão nuas
Desenhadas no colo da mesma mulher
Pelo sorriso e rugas
Cosntruídos com o mais firme pé.


quarta-feira, julho 25, 2012

No peito, no pé

Já não me aguento trágico
Nem procurando uma luz de manhã
Não tenho saco pra rádio
Nem pra comer sempre a mesma maçã
Não acredito em bons modos
Já não suporto sorrir pra correr
Prefiro jegue a moto
Prefiro o sol leve do amanhecer.

Talvez seja a velhice
Talvez seja uma voz,um afã
Uma palavra curtida
Um verso ator, uma palavra fatal
Só como o que for comida
Só cheiro o perfume que faz menos mal.

Não sei se o rumo dos fatos anda apressado como pintam alguns
Meu passo é sempre mais rápido tão ocupado em fugir da luz
Ando assim por ser alto ou por ser muitos moleques, ser dor
Por brincar nada afobado com desenhos que amo com louvor
E qual criança velhaco
Ando assim como a fulgir canções
O que me dói é passado
Prefiro a cor das mil novas manhãs
Pra sorrir a velha turma
Pra beijar a boca de minha mulher
Pra curtir o sol, a sós, as cores, as ruas
A sós com muitos, no peito, no pé.


Nada é simples

É tão fino
As velhas novidades do tratado reescrito, antigo
Dançam como se o mundo recomeçasse a girar
Nós do povo brasileiro não sabemos nem notar
Vivendo neste instante talvez nem saibamos pronunciar a luz azul que ele traz.

Talvez seja fútil
Nossa preocupação sobre estradas, ônibus, muros
Talvez hajam detalhes imensos a mais
Talvez nosso olhar não esteja pronto pra paz
Talvez da nossa cruz não saibamos tão mais quanto teu som, teu dom, teu olhar.

É porque a mente dessa gente inteligente
É intricada demais
É porque o som da praça nos obriga a duvidar
Talvez seja a pouca fé que o caminho nos faz levar
E se subitamente o dom da nossa gente resolva se adaptar
Eu insisto que não nos leve a mal e por favor venha nos iluminar.

É tão rico
Que o brilho nos esconde o estranho, absurdo e aflito
Jeito dessas coisas pouco se sustentar
Imerso neste já brejeiro exigente real
Que não nos cobra sucesso, apenas o fatal concreto pus do dia, nada mais
Nada é simples.

terça-feira, julho 24, 2012

A cerveja do amor

As luzes móveis partilham o sim e a cínica grade
As cores móveis sussurram um paradisíaco fim
As lajes movem-se firmes perante a sinistra saudade
Eis a cidade, o futuro, o precipício carmim.

As luzes móveis são isso e a nota singela da tarde
É que todo o hoje é um espelho deste pretérito porvir
Que sem cruzes presidimos como feras
Já sem Deus, sem desmorrer, sem calor
Como quem traduz delírios nas janelas
Como quem dá-se ao mundo sem sabor.

As luzes móveis deliram na rua, na porta da frente
À vida o grito sugere que deite-se ao fim destes discursos, destinos
E vozes que morrem-se carentes
Ante aos muros corcundas antevejo-me sim
E do lado escondido das estrelas
Entre os medos de desmorrer e o amor
Procurando um tolo alívio entre as pernas
Bebendo a cerveja do amor.






quinta-feira, julho 12, 2012

Como quem não quer nada

Escrevo meus passos com dedos e almas
Almas armadas de pedras de caminhos muitos, cruzes expostas
Pernas negras espalhadas
Canções e reparos
Abraços e violas
Cervejas e ruas noturnas.

Escrevo por não saber voar
Escrevo pela natureza de existir como quem devora
Escrevo por fim por insistir
Assim como quem não quer nada.

segunda-feira, julho 09, 2012

Dêem-nos o mundo

É tanto a palavra castrada
É tanto a fala alterada
O murro qual dito rasgado
No vento que é dentro de mim.

É tanto o muro sem viço
A pele queimada, o cisco
A vida na estante do vício
Um rei e outro rei sobre mim.

É tanto a feiúra das coisas
É tanto a doença dos frutos
É tanto o mal nas pessoas
E tudo assim ser um fim.

Mas há, há de haver, outro sino
Um rumo, um segundo preciso
Um grito alucinado e íntimo
Um ir como que já sem fim
Pois tanto se foi desse riso
Tanto se foi tão preciso
Tantos já foram precisos
A regar futuros sins.

E hoje já não se esperam furtos
Já não se esperam palavras
Já não se espera mais nada
Deem-nos o mundo enfim.

Não me sentir vivo

Não digo que sei das coisas os velhos laços
Das ruas os velhos tiques
Dos mundos velhos cansaços
Das luas novos trambiques.

Não digo que sei das moças novos apetites
Dos velhos sorrisos fúteis
Dos cães outras correntezas.

Digo nos meus olhos
Digo em sorrisos
Nasci pra ser e ver o velho som de todos os cisos
E pra perder a razão
Sou meu risco e o impossível
É não me sentir vivo.

segunda-feira, junho 25, 2012

Azul

Dê-me o sol
Corte as amarras que o traduzem como fogo
Me espelhe em água fria, dê-me luz
Cala-me azul
Como quem serve-se de céu
E toca a terra e veste-se de estrada
Torna-se o obus que destrói o vício
De morrer-se inicio sem ser mar
Que faz-se beleza, destilada em lua cheia.

Dá-me um nome sem razão
Dá-me um verbo, um chão
Uma noite mais preta
Um deslizar-se do não
Um sim feito de ação, de pessoas, de tretas
Diga-me enfim que o pão desta delicadeza é a própria vida
Me torne então vida.

Dá-me o sol
Dá-me a palavra
Não traduza o gosto
Me deixe enfim ser alma
Ser azul.

sexta-feira, junho 22, 2012

O risco da vida jogada

Há o alto risco da vida jogada
O lance esperto de ter pés no chão
É irmão! A coisa certa é o fim da picada
A Certeza é a beleza na palma da mão.

A dura lição para a juventude
É que a bela batalha é a guerra truncada
E o bom negócio de toda cidade
É a estranha saudade do sol quando a lua acaba.

É a véra a arte de ser assim meio gente
Pelas ruas e vidas da vida
Pelo mundo inteiro
Sabendo a arte do jogo e o jogo é duro
E nas nossas malasartes fazendo costuras de sermos inteiros
Catando o gogó pro pagode
A arte rueira das ratas da rua
Fazendo certezas e sonhos serem piada
Catando o som do trabalho no dedo, na meta, no canto, na lua
E fazendo besteira
Porque tudo é besteira
E vamo embora sendo assim.


Somos o risco da vida jogada.

terça-feira, junho 05, 2012

Que em mim é poesia

O meu deus mora nos seios da lua
A lua gagueja sorridentes que parecem seus
E as almas são vadias
E tudo parece estrela
É tudo rua
E tudo parece nuvem.

Estrelas envelhecem
E ternas nos fazem grandes luzes brilhantes
E a paz é a calmaria.

As ruas me trazem morenas e almas pintadas
Com perdidos cinemas e vontades ariscas
Que me livram das dúvidas e dos medos que enxertam o ódio nos olhos
E a vida se parece terna.

E encerram os montes a paisagem deslumbrante
Toda a paz torna-se dia.

Filmes me buscam calado
Leio mundos na Terra
Creio na Deusa Terra
Creio no Deus que em tudo brinca
Escrevo por ter certezas
Escrevo por ter magia
E ter medo de maus dias.

Estrelas erram
E é tão distante o meu mundo delirante
Que a paz se torna vida.

Escrevo como quem teme o fogo e no fogo nasce um dia
E escrevo por ser a primeira vez
E eterna vez mais um dia
E é assim, e é gente, é rua, é lua, é magia
E a alegria me faz verso.

Estrelas legam ao olho distante
Um estar, um ir adiante
Estrelas calam a alma
E dão bom dia.

E é de tudo o espaço, a alma, a falha, a coragem
Viver é como ir de manso fazer eterna viagem
Olhando janelas fechadas
Olhando almas ternas
E ver o mundo nas faces.

Estrelas enxertam no sonho andante a ilusão do caminhante
E a paz faz-se um dia.

As espadas calam brados
Escritos calam o amor
E a beleza sincera da História é meu calor
Vejo o mundo como a vida
E a vida é tempo, Deuses, Imperador
E a rua tão vadia
Que tem tempo, querer bem.

Minha vida é ser veio da Estrela
Que encerra na História o andante mundo velho caminhante
E que em mim é poesia.



Deixem-me ser apenas quem não sou

Olho defronte ao surdo e pré vejo cidades
Escondo nomes e sumo como quem vai só ali
Olho adiante do mundo e pós-vejo grades
Espalho a alma no corpo e traduzo a dor no sorrir.

Entre as luzes que a vida me dá em cacho
Colho passos, colho fé e vou mulher
Entre pernas, entre seios e vertigens das favelas
Que costuro no meu mundo e amor.

Meio segundo de medo e o riso me pareceu solamente
Uma tolice, um rugido, um medo, uma forma de fugir
Meio segundo e o mar me soprou a verdade e livre fui em frente
Mais um minuto e nem eu mais estava ali
Nessa fuga pelos mil medos e mil gentes
Nesse correr, nesse morrer de amor
Procurando desaparecidas almas velhas
Companheiras, primas, velhas formas de calor.

E se sou um paradeiro de ovelhas
Deixem-me ser apenas quem não sou.

segunda-feira, junho 04, 2012

Enfim


Houvesse fim
O mundo era terno
O doce e cruel som de todo fim
Seria um choro com a Elis
E o velho descaminho era vida
E vida é antes de nós, talvez futuro atroz
E vida é descaminho e pela vida
O sonho é a margem do meio
Entre o horror e o sublime
Em cheio
Em veio
Em veia
Enfim.

segunda-feira, maio 21, 2012

Amor: Palavra Rei

Ouço o som das montanhas
Grito o horror dos mil dons
Sigo meu tom na voz de outras gentes e canções
Sigo minha voz na voz dos outros
E me deito à lei
Sei forte
Sou forte
E digo o som do nome, o som da fome, o som da lei
Sigo a velha lei.



Digo o nome e sobrenome
Grito um jeito de ver a tez
Das palavras, das mulheres que surgem nas ruas e camas
E de novo assim tão verde
É o insano gosto, a grei das espadas que me obrigam
Das palavras que amei
É um som, um gosto
E não nego o que me diz este coração de amor
É agora um sentir vivo
Como quando começou
Essa vontade
Essa voraz força que me invade.

A alma vira areia
Na areia viras mar
A alma passa e se dedica a voar
E sinto paz
E sinto a paz que arde e vai
E sinto a paz de uma guerra que me sei.

E esse é o nome do amor
E esse é nome da dor
E esse é nome do mar
E esse é o nome do amar
E esse é nome
Que me dá fé para a batalha escura
A dura batalha dessa vida tanta
Dura batalha de uma vida e dança, de uma vida e canta
De uma veia.

E Ouço o som dos mil nomes
Torno-me horror e invenção
Sigo meu tom na voz dos outros
E das velhas canções
Solto meu dom na voz dos outros
E requebro o dia
Sei nobres forças, fomes
E sigo um som do nome e o nome me faz rei
Amor: Palavra Rei.