Mostrando postagens com marcador Liberdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Liberdade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, junho 13, 2012

Nada mais nos cabe

Liberdade é no lombo
Força forjada na lapela
Um passo pra trás, um grito de guerra
Um quê de perigosa loucura
Ser meio quilombo, meio transa, cultura de ser
Rosnar pro sol nascer em plena tarde.

Liberdade é humano
Fogo lançado sob a lona
Raça ruim de rir, rindo de lua tonta
E Blues na vitrola da vida
E homem é rei da sua própria poesia
E ser é talvez ser macumba high society.

Liberdade é mulambo, vodu no quengo da muvuca
Rádio Patrulha queimada
E bundas feitas todas de balançar
Sambando nuas numa rádio gagá
Vá lá que todo dia é dia de astronave.

Liberdade é humano
Humanamente a cada guerra
Sendo um luar, um sono, uma festa
Um jeito de parecer loucura
Livre o humano é quase que uma surra de ser
Racionalmente nada mais nos cabe.




sábado, maio 05, 2012

Uma escolha

Uma dia escrevi, com mãos novas, que minha causa era o Homem.

Daquele olho, o som das palmas das mãos e o brilho de um futuro, uma utopia radiante, mesmo que mais cínica, bêbada, morta-viva numa fome de futuro, é o que me dá nome.

Me imaginava guerreiro como quem sobe montanhas que desenhavam anarquismos em papéis e bandeiras. Me imaginava outro, menos vivo, mais formatado, caiado em sepulcros promovidos  a uma disciplinada guerra que nunca houve. Me imaginava mais feliz do que hoje, me imaginava o que jamais me faria feliz ao ver-me hoje.

As mãos que escreveram que minha causa era o Homem envelheceram, mudaram, voaram, caíram, subiram nas montanhas da alegria e mergulharam nos pântanos da desilusão muitas vezes. Os olhos não, eles ainda lacrimejam ao lembrarem-se do passado e ao imaginar o futuro, eles sonham, eles escrevem. 

A lua, a super lua, hoje trouxe à amiga Niara a lembrança de uma lua e de canção e desta canção cheguei a uma que me lembra daquele moleque e de outro mais antigo, que não pensava em nada, voava, era cowboy, lançava raios e queria ser o Wolverine.

Mira Ira, do Tarancón, me deu uma canção grito, um urro de sonho que permanece, um gesto, uma forma coração, um vento.

Mira Ira é daqueles exemplos, daqueles mundos que nos lembram do moleque que nunca deixei de ser, que nunca quis deixar de ser, me dá o laço que fez ser aquele menino de oito anos, o jovem de vinte e seis e esse maluco de trinta e oito, unidos no querer voar, no mudar o mundo e no ver nas coisas aquele brilho e cor que nunca se sabe, mas se sente e pressente.

Minha sorte é das boas, menos por acumular moedas e mais por acumular gentes, corações, guerras, vidas, rumos, fundos, sonhos, cervejas, vinhos, beijos, amores, camas.

Minha sorte é feita de amores e canções e algo me diz que dessa vontade de não ser só eu, de fazer mundo melhor, de dar risos, de brincar pela vida, criando meus bichos, versos, circos e sonhos. E não, não deixei de ser o egoísta mimado ou virei um anjo de candura, mas sou repleto de contradições que me derretem ao gerar um amor que nem dou conta de sentir.

Um dia escrevi que minha causa é o Homem e no anarquismo do Movimento da Incoerência mineira criei sementes e uma raiz tão forte nessa lembrança que hoje ainda ecoa a dor pelos derrotados, pelos oprimidos, amassados nessa vida, e a poesia de sua libertação. Ainda ecoa  no peito essa paixão pelo devir, pelo mundo livre de opressões, ainda ecoa o desejo de perfeição, de nunca ser o braço que oprime, e garanto que o caminho mais fácil pra mim seria exatamente o inverso.

Um dia escrevi que minha causa era o Homem, e meu pito nunca esqueceu, e o menino,o moleque que trago em meu coração também não. Do meu pai trouxe antes demais anda a imensa teimosia e o coração luso-brasileiro, o ouvido que canta e uma boa dosagem de lirismo, um pouco cínico, é claro.

Um dia a causa, o Homem, tornou-se uma escolha feita por um moleque aos oito anos de idade, ele só cresceu.

Anana ira mira ira nana tupi anana ira anana ira mira ira.


quinta-feira, abril 12, 2012

Instruções das manhãs

Quebrem os espelhos
Não se reconheçam mais
Olhem no mundo o riso da sua própria fé
Façam-se a sé de todo segundo vivo que prosperar
Que ao sol properar
Na lida do sol
Na vida do sol
Na vida ao sol
Na lida ao sol
E assaz assim dêem-se à lei do vento
Tornem-se o mar.

Vivam o olhar faminto e furioso
De todo sim
De todo povo
Como se urro
como se medo
Como se o mar fosse um lugar ao sol, colorido.

Vamos voar ao mar
Sejamos livres
Sejamos manhãs
Como as asas, como livros
Como o sal
como o mal
Como o som, como o sol
O luar.

Os sóis, as cenas, as leis
As penas, as velas, os reis
São instruções das manhãs.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

E Basta

Não se escreve ou se teme
Rasga-se
Um urro, um delírio, uma rua, um destino
Uma faixa, uma bandeira
Um murro
E mais um dia.

Uma esquina um delírio, um ódio, um desprezo
Uma passeata
E tudo na mão, no olho, no peito que se ufana de ser fogo
E na raiva da humildade humilhada
Da arrogância travestida de conselho
Da opressão travestida  de segurança
Do ardiloso travestido de apoio.

E todo dia o dia se torna mais um, mais outro, mais cor, mais dor, mais sangue
E todo chão é memória e conquista
E todo não é um sim atravessado no futuro
E todo otimismo é um medo esperançoso
E tudo acorda e rasga e vive e surge
E somos nós, apenas nós
E basta.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Uma forma de arte

Espere com uma pá a dor, os covardes
Espalhe segundos nos gramados
Compre carros com multas atrasadas
Se esparrame nas mesas já guardadas
Dos botecos das cidades pequenas
Se espelhe nos tantos problemas
Que nos constroem com o que se tem.

Esqueça a cruz e siga o ritmo das incertezas
Esqueça o som "emprego"
E deslumbre-se ao som das estrelas.

Há sempre um bom lugar
Há sempre um deserto, um mar, um sol, um campo
As luas atrizes banham o sonho
E o inferno quebra as lampadas.

Canse sorrindo à vontade
Viver é verdades
É comer vespas e artes.

Canse comendo alfaces
Sugiro vaidades
Espere um  Deus e mate-se à vontade.

Espalhe um sorriso de alma fraca
Conduza um cão cego em uma vã viagem
Esqueça o sim, o SUS
Tenha medo do mundo, da praça.

Esqueça a luz das verdades, pois todo o tempo ela se oculta, opaca
Procure em si as desgraças
E faça-te uma forma de arte.


sexta-feira, setembro 16, 2011

Afirmando nãos

Desgrace-me, cale-me
Desfeite
Intenso delírio faça-te entender
Esqueça-me mágoa
Dá-me o aceite
Rasgue-se, trate-me o ver.

Feche a porta, desligue o me deixe
Esqueça-me despeito, desejo, o que for
Me queima na água ou no azeite
Faça-me o favor!

Dá-me linha
Deixe-me ir desvoar
Quero-me simples calar
Surdamente mudo
Dá-me a trilha de descolar-me do ser
De desvoar a canção
Deixe-me afirmando nãos.

segunda-feira, junho 06, 2011

Marchas

Voar, explodir,
Torna-se muita gente esperando na estação.
Gritar, grunhir, esfregando os olhos de choro e de paixão
Transformar mundos de Marte até o seu lugar
Se transformar em imensidão.

Cantar, ouvir, beijar, amar sendo do fogo o incendiar
Correr, tossir
Doer no urro e no lacrimejar
Dar com as costelas no brucutu feliz
Ser só raiz
Radicalizar.

Coisas, mil pessoas, mundos, fundos vão marchar
Sorte dessa vida que há o ir
Contra qualquer arma e amarrar
Contra o murro a nos proibir.

Ir lá, curtir, andar feito um tonto dos mais tontos dos sem Deus
Curar e rir a dor dos elefantes sobre os sonhos seus
É um dia e uma cidade a fazer-nos ver que somos ser e multidão.

Abram suas bocas e cidades, vamos ir
Sobre toda forma de esmurrar
Sonhos que lutamos pra construir
Gritos que urramos pra gritar!

E zás! Sumir!
Voando entre unicórnios e plebeus
Moer com um rir cavalos e soldados tortos, seu rei e seu Deus
Recuperar a pele, o sonho, o alvo e o caminhar
Porque há mais o que fazer...