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terça-feira, novembro 06, 2012

O Sertão

Por ser qual mar, o sertão é como um fado
Como um fenecer de espaços
Como a sina dos mil passos
Em rasgos pintados
Em faces já distorcido
Em almas tão construído
Que faz falsidades com o descrer dos homens alvos.

Por ser qual mar e ser qual a si mesmo
O sertão se faz consorte
O sertão se faz já medo
Em almas calado
Em olhos feito espada
E na tez das almas caiadas
Faz-se ilusão do estar destituído de espelhos.

terça-feira, junho 05, 2012

Multidão

É quase lá
Uma ação, um descampado
Um motor desalmado, uma vinha, um espasmo
Um pedaço de passo
Um abraço, um gosto amigo
E é quase que o mundo e o riso
Parecem cidade e me dão sentido armado.

É quase lá
Uma sela, um jeito meu
Uma forma de garrote
Uma forma de sossego
Um passo bem dado
Um gesto, um riso, uma fala
Uma surdez embriagada
Uma multidão que passa parecendo eu mesmo.