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sábado, dezembro 08, 2012

Dos barcos de homens ateus

Se os olhos destes passos fossem mundos
Estrelas do mar
E os marcos dos olhares, das favelas
Fossem outro voar
As artes dos pedaços das estrelas
Seriam o lar dos muitos tantos mil sonhos
Dos tantos ventos sem céus
E cada parte das velas seriam mares sem deus.

Se os muitos mil milagres dos desmundos
Calassem o cruel afago da covarde vida eterna
Do medo do mar
Ruas seriam insanos risos e doces de um mel
Feito do suor que a terra dá a quem semeia seus deus
Um deus feito das velas dos barcos de homens ateus.

terça-feira, agosto 07, 2012

Pra jugular da aurora

O pranto é o olhar visto do fogo
Destilado das folhas, dos muros e instantes
Feito lis, feito país
Feito medo, feito desterro.

E a espada é mãe do pranto, é filha do encantamento
E a espada sai do pranto pra se tornar fundamento
E o fundamento da palavra é uma fração de tempo
E o fundamento da espada é a razão em movimento.

O sol já nasceu pedra
Da pedra fez-se estrela
Da estrela a luz do norte nos transforma em coisa feita.

As estradas são cores
Os olhos são o rir
O vento são as folhas
As flores e horrores
A esperança é a hora em que as mãos voam da dúvida pra jugular da aurora.

segunda-feira, abril 23, 2012

Jorge é meu par

Mundo que parte a cidade
Arde o sul
Vermelho vivo na alma, na fé
Mulheres, almas, homens, meninos, divas
Espelhos de ruas, cores
De gente pronta, salgada
Viventes na maravilha.

Mundo de espadas, de ódios, de amor
Morros, asfaltos
Berro roncador
Corrente dourada que espelha o sol
E a alma agora sagra a liberdade, a cor
E abraça a alma de Ogum.


Jorge é meu par
Nesse caminhar, a alma pro ar
Jorge é meu par
Jorge é meu par.

sexta-feira, abril 06, 2012

Taques de invento

Percorro-te convicto
Não te sei, só intuo e digo
Como és em si o vento
És também caça e sorriso,
Dá-me um sol, talvez um intento?

Olho, ardor, caminho, íntimo
Público e improviso
Calçada, canção, momento
É de mim, de todos, ritmo
Vento, invento, sol, unguento.

O que queres? O que dizes-me?
O que tendes de mim? Prossiga-me
Dá-me invento, um sol, um alento
Já que és assim tão lindo
Dê-me um sim, um não, um sítio.

Vivo em vivos benefícios
Malefícios, outros ritmos
Tambor no peito
Um tempo
Um segundo eterno, um cisco
Mundaréu de hora
Vento.

Gotas de adianto
Istmo
Mar em torno dos desígnios
Olho-te em meus momentos
Onde vejo-me meu filho
Dou-te em mim irmão e alento.

Caço como quem tem signos
Como pescador de estilos
Como inventador de tempos
Só versejo por ser íntimo
Abraça-me eterno, em tempo.

Tanta dor costurei simples nas costas dos improvisos
Tanto amor complexo e limpo
Deitei-me sob teus lindos
Jeitos de fazer-me invento.

E se afago-te e límpido peço-te o que não digo
Digo-te talvez em tempo
Horas não me são precisas
Faz-me apenas o que tento.

Reouvindo-te em tiques
Taques de invento, espírito
Dou-me assim a teu invento
Sejas-me a ti tão ínfimo
Dê-me apenas este vento.

Um Logun, Um sonho

Me gusta a lua e a distância que terra dá a barca
Sou um sonho, um sopro de cânfora
Em sinos, em farpas, em flechas dedico-me alma
Pelas coisas, pelas danças.

O som das surpresas é atroz
A dança da calma é lua, é negra
A voz da oferta é talvez nem dizer
Em mim a festa da besta é ressaber
E sou enfim um abandonado ardor
Um solitário e fértil reconstrurir
Um sabor
Um rio, um Rio que fez-me ator
Um som, um são sentido, um não.

Meu corpo me fez o norte da minha própria sorte
Minha alma dança e bamboleia
Me sangro nos dias, nas nuvens, nas músicas, nas aleias e perguntas farpadas
Sou forte
Em vão destino o tempo pra meus espaços
Despisto com sobras em letras e hóstias
Costumo até me matar
Se morro renasço na Terça pra descansar
E vou assim entre rumos, espadas e amor
E vou-me em mim descobrindo destino cantor
E canto em mim um segredo
Um Logun, Um sonho.

Um chão de fé

O não sei dizer traduz-me em fé
O não sei
É ver e deitar nas  manhãs
É não sei
É ser.

O não sei é ver
Traduz-se mel
O não sei é querer costurar chão e sol
O não sei é ter
Um chão de fé.