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quinta-feira, maio 03, 2012

Tudo é inferno Tudo é terno

Meu frenesi é um papo
Um jogo pesado, uma hora, uma besta
Meu coração solto às feras
Controla-se fera
E derrete a cabeça.

Já não aguento quem disse toda essa porra de razão
Calo-me
Canto um fado
Arranho o ódio com a mão.

Rasgue o caderno, me dê vinho
Deixe que eu perca a cabeça
Pois meu sentido de riso
É um passo que me faz ser presa
Dê-me inferno
E em vão
Dê-me um terno.

Meu sem nome é medo
Meu sonho é passado
Meu urro é uma peça
De segundos cravados no jogo do ogro
Que morde a beleza.

Já não aguento quem disse
Toda essa estranha canção
Calças me fodem as partes
Pernas me incitam paixão
Tudo o que trago comigo
É essa maldita cabeça
E tudo que incorro em perigo
É morrer de tarde às terças.

Tudo é inferno
Tudo é terno.



quinta-feira, abril 12, 2012

A ilusão suspensa das palavras

O ar corta o delírio
O vento disfarça o querer chorar
A lágrima dói com gotas de passado
Resseca o mar de meu lábio, meu pão
E arde a semente de medo no peito
Arde o notar-se só, imperfeito
Restrito nas penas, nas palmas, nas gentes que tornam-se ar
Abre-se o porão das palavras
As marcas do que vi
Saem de mim as loucuras, os risos moleques
Desespero tontos, tolices urgentes
Calos e pequenas grandes perdições
E a raça, a alegria se calam
E no grito noto-me sem esperanças
E o futuro parece apenas a falha
Delírios
Sentidos
Pequenas ilusões.

O dom de perde-me na voz
A ilusão suspensa das palavras são as palavras
E eis aqui minha loucura desabando.

segunda-feira, junho 27, 2011

E a Esfinge vai e não te come

Rola o sol e a cor dos olhos vai
Foge o sol e a noite  finge
E do medo corpo é hospedeiro, hospedeiro torto do amor
Do sabor sem paz

Não há mais o sol e todos somem
Não há mais o segredo sussurrado por ninguém
Nem há sol
E nas entrelinhas se pesca a Esfinge
E a Esfinge vai e não te come.

quinta-feira, junho 23, 2011

A dor se ergue e se faz nascer

Me dê uma palavra!
É assim que se sucede toda vertente de se recriar
A cada ânsia e medo a palavra se retorce e se faz olho.

As nuvens mais escuras descem a observar
O céu que escurece no medo de ser
E se isso tudo é feito de amor
O chão se ergue procê aprender.

Me dê sua palavra!
Assim a  sede de não ter sede pode piorar
A alma canta o medo de não ter água
A água morre de não lhe escutar
E as almas que são chuva esquecem de voltar
O vento se desaprende a  lhe perceber
Se isso tudo é feito de amor
A dor se ergue e se faz nascer.

sexta-feira, junho 10, 2011

Conquistadores

O murro é mundo é o alvo é o súbito frenético e sincero
Ato, risco, cúmulo do nú
forma rubra em topo de morro
O som cala fundo no desconforto físico
O urrro, o bumbo, a explosão sem sóis
Adjetivos comuns não funcionam sem luz
E sob a sombra nos traduzimos conquistadores.