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quinta-feira, novembro 01, 2012

Brincando de olhar

Era de fatos e vidas
Era de simples não ver
Era de ser coração
Talvez de mundos querer.

Havia invernos e astros
Haviam heróis e cidades
Haviam canções e passados
Crescer era além de vontade.

De vida o sorriso derreteu-se ácido
Virou de sonho um sentir
De quem se desejava guerreiro
A velha ardente dona do mar tornou um que ama relógios
Um doido de querer voar
Por entre linhas e códigos
Por gente boa de rir
E pela forma de fé que em fé torna-se mundo a rugir.

Nos hojes das letras e lamas diárias
O riso, a fome o pasto, o muro
A medalha é viver o lugar
Dos passos que deu no chão traz o andar
E sabendo viver alma aberta deixa-se futuro mar.

E por ai eu vou deslindar
Ser mais breve, ser menos guardar
E vou derrubar minhas cercas, infernos e ao mar
E vou deslizar por entre as pernas do mundo
Menos eu
E rumo ao mar ser moleque brincando de olhar.

domingo, outubro 28, 2012

L'amour

C'est la Femme!
O amor é uma forma de mar
Uma frase quase em sol maior
C'est la vie!
O amor é uma forma de voar
Como quase que acima do sol.

C'est le monde!
O amor é uma forma de ver
Pernambucos na Bahia, em Nós
C'est l'amour!
É quase que redizer das estrelas ruas e anzóis.

A vida eterna sendo lastro da paixão tingida
Pela cor que supera-se em cor
E desenhada nas linhas das mãos, curtida
Em si a ser inteiramente amor
Amor.

C'est le Homme!
O amor é também entender
Espalhar-se no ardor a alguém
C'est le soleil!
O amor é talvez derreter
Diluir-se a ser mais alguém.

C'est la rue!
O amor é traçar-se viver
Caminhar-se como quem se vê
C'est la mer!
O amor é um barco, é nascer
Ser da onda seu vai e vem.

É ver o incerto certo ar de ver-se vida
É viver este ser do amor
Na eternidade fugaz de ser vida
Ser, viver é também ser amor
L'amour.





sábado, outubro 27, 2012

Nunca fui de Madureira

Em minhas confissões póstumas direi: Nunca fui de Madureira. 

Não porque tenha ojeriza ao bairro que fundamenta meia existência planetária em sambas, batuques, maldições, trens lotados, ódios e fomes. Tampouco por despertencimento ao universo avesso aos mares da Mui leal. Apenas pela exatidão que é exigida daquele que vê Jesus de costas, como bem cantou o poeta.

Nunca fui de Madureira, sendo no entanto dela, como querendo-a, como querendo saber das suburbanices cotidianas aquele jeito de quem andou demais de trem e sorry ao ver-se em casa.

Madureira era, pra mim ali em Guadalupe, o cinema, a loja de roupas, o sorvete da lanchonete, o presente de natal,a mitologia de um samba com águias e reis de um braço só.

Com o tempo Madureira ficou mais perto, ficou mais dentro, ao ser parte daquilo que me fez adulto, como que passando pelo rito tardio da passagem que é o diploma. Me fiz Historiador em Madureira, me vejo Madureira sendo historiador país afora, botecos afora, longe, perto, ali, em mim.

Saber este chão é uma arte que não se pinta de malandro, não se pinta do sorriso do arquétipo mitológico que as Tvs da zona sul desenham como se nos entendessem a alma. Saber este chão é a rima que entende a distância, a diferença, o duro caminhar e o sorriso de ver aquele samba tocado, o boteco, a cerveja gelada e o riso largado, largo, aberto, vivo de quem está na casa ao saber-se norte, oeste, inteiro numa distância de trilhos e morros, de suburbanas avenidas e almas.

Saber este chão é saber o antes de haver Avenidas com nome de bispos que não conseguimos esquecer ao dizer: "é na Suburbana!". Saber este chão é estranhar modernidades velhas e asfixiantes, travestidas de alegorias e adereços que perderiam o carnaval pela falta de harmonia e enredo.

Saber este chão é também saber que fora do tom nem o batuque da alma segura o canto.

Nunca fui de Madureira, ou do Valqueire, ou de Guadalupe, sempre fui Madureira, apesar dos pesares, aqui, ao longe, distante do mar, com Cristo de costa, nas costas da alma da águia, que sobrevoa rindo um Rio de Janeiro que arrasta erres.

sábado, outubro 06, 2012

Somos o sumo

Essa calma que é a luz do sol é um deleite da noite
Qual um sarro
É um muro, uma razão, um pranto, uma forma de ato
Um sussurro
É um gesto que se constrói do não soberbo, do velho hiato que há no mundo
Entre o galante e livre dedilhar da vida e a dor do medo de si, funesta.

Essa arma é a grande paixão que nossos corações transformam em flor
Esse sonho é apenas um Rio que se faz toda a Terra
Esse riso é a força enorme da destreza nas canções
Que se apresentam quando o furor se pinta, se transforma em eras.

E esse espaço que se faz cansaço é vida, é a alegria de ser a festa
E tudo então é mais que o cotidiano, é mais que a noite se tornando dia
É como a  vida, ela assim, no simples e calmo sentido de ser calo
Já no mundo se fazendo o santo gosto dos retratos
Somos o sumo.

terça-feira, setembro 18, 2012

Um samba qualquer da Portela

A maior parte da cidade nasceu em mim distante
Límpida, pintada na retina
Ali, a Candelária ao som, ao sol das seis
Manhãs a fio
De uniforme imberbe
De cansaço laboral.

A cidade em mim nasceu em Minas
Nasceu ao frio
Nasceu na lama das encostas do uai vespertino
Nasceu no anseio de um riso aberto
De uma rusga
De um porto.

Foi Rio e Rio veio
Fui Rio e Rio vim assim
Assado na distância
Cozido na vontade
Criado num subúrbio infindo a ser assim
Sertão
Ser tão Rio que caudalosamente girava
E inflamava a gíria
O olho azedo a quem morde
À fala mansa dos punhos de renda
À impureza atávica do excesso de educação.

Recados dei, Rios vi, norteei
No norte do meu senso gritei Madureiras
Sacolejei alvos e Brasis, Avenidas largas, surdas, sujas
Duras e limpidamente cruas
Carioquei
E rindo assim do meu jeito
Meio raiva, meio rude, meio abraço, meio irmão, meio ódio
Inteiro Rio
Caminhei assobiando
Um samba qualquer da Portela.

domingo, setembro 16, 2012

Marginalidade

Meu sonho grita na marginalidade
Meu sonho é crente que tem a razão
(Às vezes não)
Meu sonho bebe o cerne da arte
E a cerveja que chega a pedir permissão
Meu sonho muda o rumo da urbe
Nessa coisa vontade que desce gelada
Meu sonho morre no tom da saudade
E na pele que arde se rói de firmeza caiada.

Às vezes a forma da gente é um sonho que vence
Nessas pelejas que a vida na lida faz parecer jeito
E forma de ser toda briga que beira o luto
E no fundo é verdade naquilo que faz da gente brasileiro
E traz na voz embargada o som de ser assim botequim
Malucada
Samba cruelmente construto do riso, da gaita
Que ri da velha e suada rua, do beco
Das rusgas, das rubras velhas brincadeiras
Na porrada
Na besteira
Somos todos esse jardim
Onde o sonho grita as marginalidades.


O andar

Na lida a gente monta o mundo
Faz-se reluzir
Na raiva que o mundo passa somos tantos, somos lugar
As coisas que se fazem rir
São formas de se fazer mar
O tempo é uma ilusão, é jeito de se lembrar.

Há vida onde perdi
Há morte no conquistar
Das coisas que me vivi
Os abraços, as asas, são feitos do olhar
Há marcas feitas de dia
Há marcas que são luar
Os dedos que viram mãos
Os passos marcados do enfrentar.

Há asas no todo do dia
E o calendário é o voar
A farta vontade do tempo é a vez do rir
E a vez do ir
É o mar.

Há riso no que se é sozinho
Há no todo o gargalhar
E a arte é a razão precisa
De ver, de no todo gostar.

Se tu reparar, o eu é um reparar sem eus
O passo é a razão precisa do existir do andar.

terça-feira, julho 24, 2012

A cerveja do amor

As luzes móveis partilham o sim e a cínica grade
As cores móveis sussurram um paradisíaco fim
As lajes movem-se firmes perante a sinistra saudade
Eis a cidade, o futuro, o precipício carmim.

As luzes móveis são isso e a nota singela da tarde
É que todo o hoje é um espelho deste pretérito porvir
Que sem cruzes presidimos como feras
Já sem Deus, sem desmorrer, sem calor
Como quem traduz delírios nas janelas
Como quem dá-se ao mundo sem sabor.

As luzes móveis deliram na rua, na porta da frente
À vida o grito sugere que deite-se ao fim destes discursos, destinos
E vozes que morrem-se carentes
Ante aos muros corcundas antevejo-me sim
E do lado escondido das estrelas
Entre os medos de desmorrer e o amor
Procurando um tolo alívio entre as pernas
Bebendo a cerveja do amor.






segunda-feira, junho 25, 2012

A cor dos meus aceites

Azul é a fome, é o deleite
É o tom do jeito de ser mar
O tom da forma de ser pele
A cor da fome de voar.

Azul, é a doce fome, o azeite
correr ao véu que faz o mar se parecer com outra pele
A onda, o dócil velejar.

Azul é livremente ave, ar
Azul é mel, é céu, é mar.

Azul é a cor dos meus aceites.

Azul

Dê-me o sol
Corte as amarras que o traduzem como fogo
Me espelhe em água fria, dê-me luz
Cala-me azul
Como quem serve-se de céu
E toca a terra e veste-se de estrada
Torna-se o obus que destrói o vício
De morrer-se inicio sem ser mar
Que faz-se beleza, destilada em lua cheia.

Dá-me um nome sem razão
Dá-me um verbo, um chão
Uma noite mais preta
Um deslizar-se do não
Um sim feito de ação, de pessoas, de tretas
Diga-me enfim que o pão desta delicadeza é a própria vida
Me torne então vida.

Dá-me o sol
Dá-me a palavra
Não traduza o gosto
Me deixe enfim ser alma
Ser azul.

quinta-feira, junho 21, 2012

Signos da Cidade

Se a cidade fosse um hoje
Um presente, uma armadilha
Uma pista sem ser berço ou legado
Só desatino
O que faríamos ao esmo do destino?

Se a cidade fosse um ontem
Uma idade do ouro, uma fábula
Uma delírio amargurado
Ou um doce e bobo delírio
O que faríamos mesmo do Destino?

Se a cidade fosse um mundo de futuros
Um amálgama de páginas de planos, projetos, desejos
Profecias e algarítimos
O que faríamos do espelho que sorrimos?

A cidade é o adiante
É além da marca rara
É relógio e é flagrante
É legado, plano, destino
E somos assim porque somos seu signo.

sexta-feira, junho 15, 2012

O cerne do não

Minha coragem é meu medo, meu mundo distante, minha sanha, meu asco
Meu sonho é um tempo, um instante, uma forma, um vaso
A partir destas eras meu nome é uma mesa
E meu sorriso é um cisne
Pinte a imagem na ação de um sentido covarde
Faça o que quiser com os cães
Amo o segredo, o perigo
Deixo as razões pelas cercas
Amo em completo sentido
E em fomes que me apresentam ao inferno
E ao som dos invernos.

Aspas são olhos vermelhos e comidas jogadas por sobre as cestas
São cortinas que rodam, que viram saias e pálidas negras
Que desfilam bobices
E reboleiam canções
Enquanto os homens nos parques
Desfilam comiserações
Guarde seu jeito bendito
Deixe no meio das festas
Vou partir num sentido que me derrube cercas
Deixo o cerne do não
Neste inferno.


O som das peles, das camas
Das longas distâncias pro centro da festa
É o grito de peles bascas, negras e senzalas que dirigem carretas
E tudo é o sol que insiste a transformar-se em canção
É a ilusão destes parques
Faixas que pedem salvação
Somos todos amigos
Até que um punhal apareça
Não economizo sorrisos
Só os guardo pra quem peça meu inverso, meu não, meu inferno
Meus mil versos, meu dom, meus desertos.

quinta-feira, junho 07, 2012

Atlântico, tropical

Costumava andar em montanhas minhas. Adoro-as. 

Sou montanha e mata, atlântica of course.

Sou assim como quem não decide, nem se voluntaria como amazônico, mas desliza atlântico como que se a tropicalidade rosnasse.

Nasci e cresci como quem trabalha entre montanhas, como quem é espremidos por pedras e florestas na direção de um mar que lembra deserto.  O deserto,a  areia, o sal das águas que devoram almas e vontades,o mar que me expande em alma e som, tudo isso me alimenta de lindezas, mas é na montanha que encontro o surdo eco das fomes e vontades.

As montanhas me fazem cidade, me desenham nas ruas e estradas, me colorem com a mistura de terra com fundações de civilização, portos e castelos.

As montanhas me desenham a pele, o hábito, a jugular da corte a ser mordida em uma voadora ação suburbana, o ônibus, a igreja, a linha do olhar, a direção, o norte, a zona norte.

Nasci montanha, floresta, atlântico, tropical, nasci ruelas, desenho irregular de casas e gentes, gente preta, branca, amarela, pobre, de bicicleta em pernas, pão e carne, cerveja gelada e erres a mais.

Nasci numa terra onde a casa é dura, onde a Madureira madura nos transversaliza em Portelas e Impérios, onde o rosto contempla o longe, e ao longe se faz sorriso e dor, e corte e faca e vela.

Nasci montanha, morro, verde, ar, cachorro, pé no chão, bola e pipa. Nasci sem voar, sem saber soltar-me pipa, mas correndo, sempre correndo, pé no chão, cachorro na mão, vadia vida, vazia alma, leve, pesada, arrogante, brigona, minha.

Se o mar avisava o grande, amontanha me avisava o longe, a linha, o norte.

Apaixonei-me por montanhas desde sempre, pelo Dois Irmãos, pela Pedra da Gávea, Serra de Madureira, Serra dos Órgãos, Itatiaia. O Mar olhando ao longe, e elas, enormes, magnânimas, olhando de dentro.

Daqui do Oeste ,montanhas fazem sentido, mar expande o olho, florestas nos fazem sorriso.

Nasci montanha, coleciono montanhas e florestas. 

Atlântico, tropical.




segunda-feira, junho 04, 2012

Longo Hoje

Não é sobre meu mundo,
É sobre as instâncias todas que nos condizem homem
Homens são senhores
Homens são figas, calos, cores
Não é sobre o mundo
É sobre as surpresas algozes que permeiam os nomes
É sobre todas essas mulheres
Essas casas
Essas castas
Essas coisas que me fazem ser instante
Em sins, em jograis, em folhas, em árias, em paz.

Não é sobre o mundo
Nem é sobre as gentes, os homens e seus nomes
É sobre um sentido, a fome de sentir e de ter fome.

Espelho estradas e passos, calmas, incêndios drogados
Vejo velas, vejo janelas, morros, aspas
Mil favelas
E nasço de novo integrado
O mundo me move.

Não é sobre o mundo
Nem é sobre as vozes e os "porquês"
Nem sobre onças, nem sobre o "onde'
É sobre esse espaço, esse estrado
Esses corpos que mostro
É sobre o vislumbre
O próximo
O longínquo
O "quem".

Escavo ruas e largos
Bondes, ternos listrados
E na velha vil janela dos meus olhos me calo
Me torno sussurro.

Não é sobre o mundo
É sobre riso
E o ver as ruas, as vidas, os cansaços
É sobre o amor, sobre você
Cidade, trem, ônibus, sol raiado.

Me deixo ser levado, conduzido, migrado pelas telhas, pelas frestas, pelos segundos sagrados
Deste longo hoje.





Protetores Labiais

Astronaves, parques, flor de lis, bandeiras e signos
Segundos anteriores aos mares e ao desterro
Desenhados em desespero ambíguo
Em esperança, em vícios
Em corpos banhados em sorriso fútil.

Carpas, flores, índios, gringos que riem e fingem
Olhos rudes, sorrisos vãos, corcovados, espelhos
Reluzente desprezo
Feito em contas, gritos e alma toda imensa.


Faces, contra-faces, ascos, risos, gingas, grilos
Espadas, tambores, assaltos, morros, ventos
São estradas na areias de um marítimo deserto
E no sorriso há a paz arrogante de todos os povos
Que se fincam nessa carioca amarga felicidade suprema
Acidez combina com meus protetores labiais.


segunda-feira, maio 21, 2012

A coragem de só dizer sim.

Sigo um sentido, um verso, um desígnio feito de coração
Canto o amor dos ódios, dos signos, dos deuses, orixás, irmãos
Dedico meu amor ao sentido que desce do próprio som
Da palavra que diz como é bom.

Caminho a passos largos, decidido
Como quem tem na mão, como quem tem calor
Como quem tem um visionário jeito de sentir dor
Rasgo o significado da nudez e do sabor
Amo assim sem nenhuma razão
É o que sou.

Crio um mundo, uma canção
Na madrugada do céu
Abro o desejo que vaza dos ônibus e retiram véus
Olhando o Cristo deitado num Rio que é só meu
Penso na mão que me toca
Que me tira do breu.

Meu amor pela turba é o desejo de ver
A rua, o centro do planeta no meu bem querer
Sinto o desejo de Espanha de ver o mundo descer
Pela beira do viver.

Calo um jeito de me mentir, de mentir a mim
Calo o medo de ir, morrer, perder o jeito de rir do fim
Caço a palavra saudade e a ajeito assim
Pra ter coragem de só dizer sim.


segunda-feira, abril 23, 2012

Jorge é meu par

Mundo que parte a cidade
Arde o sul
Vermelho vivo na alma, na fé
Mulheres, almas, homens, meninos, divas
Espelhos de ruas, cores
De gente pronta, salgada
Viventes na maravilha.

Mundo de espadas, de ódios, de amor
Morros, asfaltos
Berro roncador
Corrente dourada que espelha o sol
E a alma agora sagra a liberdade, a cor
E abraça a alma de Ogum.


Jorge é meu par
Nesse caminhar, a alma pro ar
Jorge é meu par
Jorge é meu par.

domingo, abril 15, 2012

Um cintilar de meninas

Sentido ser
E respirar
Sentido vida
Coisa de ter de ir, voltar
Rumar cidades
É boa a cor
É bom o amor
É boa a vida
É bom o chão
Boa razão
Luas me invadem.

Rio em pleno cio
Espero o sol das meninas
Esqueço o mar e as sinas.


A lua há
A lua é o sol de outras maneiras
A Rua há 
Vestida ou nua
Externa fera
Gotas de esmaltear, de cores, de firmezas
De sibilar
De resumir
Gemidos, pernas.

Rio nos tempos, rio
Desejo um mar destas sinas
Um cintilar de meninas.



sexta-feira, abril 06, 2012

É isso

Hoje me dano
Me dano pois em mim há os desertos dos infernos que criei
Eu só queria brincar de bola, lamber goiabas e correr sem limites
E chorei nunca ter sido aquilo que abraçaria o coração primeiro
Chorei e choro por me inventar todo dia novo e velho ainda ser infante
E ver que  me queriam herói quando era escriba.

Hoje me dano porque preferi o vôo das garças, o andar ao sol e o rir abraçando cães
E querer lidar com pequenos que ouçam a voz do sorriso e brinquem com minha história
Hoje me dano por me sentir pequeno, tolo, tosco, surdo
em meio a uma música que não escolhi dançar
Pleno de saberes e vontades, de fomes e versos
Pleno do querer ver mar, andar amor na Ouvidor
Flanar alegre e sendo um riso que nunca fui
Eu, Casmurro, em um campo de Capitus
Elas ali com olhos de uma ressaca criada por mim e livres em um mundo que não vi por míope.

Hoje apanho de novo do menino mais forte porque lhe disse Heróis gregos e sua força não os conhecia
Hoje de novo abro caminho entre os fortes com os punhos que não quis usar e me perco no sabor do sangue
No gosto do Sangue que queria danar em mim
Hoje me sangro no sangue alheio
E me escondo.

Hoje olho e espero um pai que não vai chegar
Hoje olho o amor que tenho e não sei se virá
Hoje o futuro me lembra um passado
A urna do cotidiano guarda pandoras impossíveis
Hoje preciso ser fraco, calar, gritar, dançar um tango
Ouvir rumbas, rir de besta
Cantar dores antigas
Ironizar minha finitude
Morrer um pouco
Olhar meu Rio de outrora numa rua da Lapa
Hoje preciso de um sentido infinito que morra em segundos
Preciso de muito e de ti
Hoje preciso de irmãos e de ninguém
Hoje sou eu e só
E é isso.

sexta-feira, março 30, 2012

Quem vai saber voar nos sambas?

É  tudo um fogo, uma forma de voar
Espelhe a mim
Faça-me sim
Espalho o mar na sucursal da fé
Na lua.

É tudo o fogo dos jardins
É tudo um fim
É tudo sim
Espere o mar reajustar o sal das ruas.


Custa muito a me rir
As asas e o avião caem no espaço do meu ir
Costuro sambas todo em mim
No soul canção que emite minha invenção.

Costuro a forma de ver a Glória voar
É tudo afim ao meu jardim
É tão querer que há nos sambas
É tão querer que faz-se samba
E quem vai saber voar nos sambas?