Mostrando postagens com marcador solidão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador solidão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, abril 12, 2012

Nada mais hoje me atina

Os  meus sonhos são refeitos
Conduzidos de coisas, teias
Estrelado em espelhos que vêem
Conduzidos por artistas
Pintados entre  mãos pretas
E ruas que são a vista das insanidades cheias.

E à terra, às feras
A alma infante ganha a grande ordem, o levante
Do altar de mais um dia.

E meu sonho, meus espaços
Dão-se ao céu
Dão-se á terra
Fazem a si mesmos terra
Espalham-se grãos sobre as linhas
Destas ruas, destas feiras
E na brasa das agruras aprendem a ser só mais nuvem.

E à terra as levas de imigrantes
Trazem tanto, trazem antes
Novo ar
Luas, bastilhas.

Ritmo, fome, sistemas
Tretas, estrelas, espadas
Luz azul ao sul dos cinemas
Que escapam  ao ouvir
O rugir de historietas  como se feitas por mil poetas
Desenhados por pena fria.

E às feras as festas parecem antes de conduzirem o adiante
Uma paz, uma premissa.

E  de mim o sonho-fogo consome o dia, a magia
Feito em mim eternamente uma labareda, uma sina
Sina de ser gente em frente à escolha sombria
De fingir-em falsa estrela.

E em terras velhas
Meu passo adiante hoje pode ser gigante
Faço-me paz
Com a dor sofrida.

Súbito, de tempo me faço
Súbita história das falas
Tornando-se degrau, ancinho
Foice, enxada, rapinagem
Luzes, energia, mulatas
Carros, pás, filmes
E velas sobre lagoas encantadas.

E á terra as velas dão-se radiantes
Dão as cruzes, os infantes
Guerras, paz
Flor de bom dia.

Rara a alma dá-se estrada
E parte em si por calor
Por amor à donzela que morreu em pleno ardor
E se hoje a Baia de uma Guanabara me vem
É porque nela sou perfeito.

Minha terra erra
E calo o infante de minha forma delirante
Nada mais hoje me atina.


A alegria de estar vivo

Já não sei ser muitos
Privo a mim mesmo de mil signos
Não sei ser do vento o tempo
Sou apenas meu desígnio
Surjo, invento, apenas tempo.

É de mim que já preciso
Eu apenas, assim deliro
Morro e sangro vendo vícios
E observando destinos
Tamborilo meus inventos
E construo beletrismos.


Hoje rezo por meu inicio
Pelo sorriso, pelo abraço que atento me torna mais intimo
Já que tudo é tão vivo
E tudo é tão isso
Que o vento e meu intento costuram o chão onde piso.

Morro um pouco e caminho
Vivo enquanto dor que trago e rio
Pois o intento do meu tempo é conduzir-me principio
E qual príncipe do meu reino
Deste mundo que invento
Nestas letras onde trilho o caminho de meu tempo
 Me calo, ínfimo, salvo na alma do meu irmão vento
E agradeço em sorriso
A alegria de estar vivo.

A ilusão suspensa das palavras

O ar corta o delírio
O vento disfarça o querer chorar
A lágrima dói com gotas de passado
Resseca o mar de meu lábio, meu pão
E arde a semente de medo no peito
Arde o notar-se só, imperfeito
Restrito nas penas, nas palmas, nas gentes que tornam-se ar
Abre-se o porão das palavras
As marcas do que vi
Saem de mim as loucuras, os risos moleques
Desespero tontos, tolices urgentes
Calos e pequenas grandes perdições
E a raça, a alegria se calam
E no grito noto-me sem esperanças
E o futuro parece apenas a falha
Delírios
Sentidos
Pequenas ilusões.

O dom de perde-me na voz
A ilusão suspensa das palavras são as palavras
E eis aqui minha loucura desabando.