Se meu canto te é lúgubre ou tangencia a razão
Como um ódio com espadas
Como animais em explosão
E meu riso, meu jeito te desorienta a canção
Se meu grito não te alenta
Te apavora
E se o pão que invento e devoro não te alimenta a paixão
Da-se um jeito,
Dê o fora!
Me deixem na irrazão do meu riso.
Não canto porque quero ir pelo mundo sob um sol que me derrete o ir
Me transforma em um agridoce feitor da raiva que vem
Como quem enfrenta um vulcão
Me largue a vagar, me largue a voar
Meu mundo aguenta, garanto,
Até a própria implosão.
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terça-feira, junho 26, 2012
Saudades de Carnaval
É um jeito de mar, de amar, de angu
De ver mundo e rua virado
De calçar a sandália da treta, a meia e a chuteira do jogo pegado
É correr como trem sem parar na estação
Reduzindo o transtorno a um fado
Tocado na paixão do juízo final
Com a faca nos dentes quebrados.
Não basta prece
Beber quermesses
Não é pro bem, não é pro mal
É pela gana de não ser Zé
De ir além do carnaval.
Me desculpe meu nego, mas minha cabeça não tá ai pra enfeitar diabo
minha alma, meu nome, minha voz e meu sal não dão conta mais de ser escravo
Não sou riso de medo empinando canção
Nem rebolação sem pecado
Não sou sua mão no panfleto ao sinal
Nem o professor engomado.
Não me dê prece
Foda-se a quermesse
Quero ser trem, quero o tribal
Decente é o drama dos sons Tom Zé sem flores ou saudades de Carnaval.
quinta-feira, maio 03, 2012
Mais vivo
Explodo
sou uma explosão
Sou morto por mim mesmo e renasço sol
Renasço pleno de equívocos, besteiras, imaturidades e mortes sanguinolentas Renasço perdendo a vontade de ir, acordando cedo pra chorar
Reclamando da comida
Mordendo a mão de raiva.
Renasço destruindo telefones
Renasço sorrindo pra estranhos
Apaixonando-me por morros
Montanhas e muros pintados.
Acordo em manhãs inauditas
Reparo no alheio, reparo na violência da sutileza
Acordo como quem perde braços e pernas
Acordo e simplesmente noto-me
Noto-me e dói
E passo a seguir adiante, mais velho, mais negro, mais ogro
Mais vivo.
sou uma explosão
Sou morto por mim mesmo e renasço sol
Renasço pleno de equívocos, besteiras, imaturidades e mortes sanguinolentas Renasço perdendo a vontade de ir, acordando cedo pra chorar
Reclamando da comida
Mordendo a mão de raiva.
Renasço destruindo telefones
Renasço sorrindo pra estranhos
Apaixonando-me por morros
Montanhas e muros pintados.
Acordo em manhãs inauditas
Reparo no alheio, reparo na violência da sutileza
Acordo como quem perde braços e pernas
Acordo e simplesmente noto-me
Noto-me e dói
E passo a seguir adiante, mais velho, mais negro, mais ogro
Mais vivo.
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