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quarta-feira, julho 25, 2012

Um coração pulsante chamado revolução

Meu coração é planetário
Antes de ser, sou moleque
Talvez nota de violão olhando o sol lá fora
Talvez a raiva ininterrupta de meu som ter deixado mundos pelos gramados
Talvez.

O doce de meu doce não é tolo e nem admira o sonho
Ao sonho o que é de sonho
Ao moleque o que é de troça, o que é de riso, o que é de choro
Ao moleque o ver a rua, o sol e brindar a sorte com a imortalidade
Ao homem aquele dom de ir, aquele dom de não cair e de ver
Talvez com sorte
Um coração pulsante chamado revolução.

Como se fossem Deus

Nem venho ou vou para dar assistências
Pra relogiar existências
Pra causar um frege convicto
Nem há o que clamar
Pois venho sem horas, sem passos, sem ganho
Nem venho, nem volto cantando
Costumo bancar o bandido.

Prevejo o cínico erro de cálculo
A morte dos medos, das luas
E o justo e convicto enredo do ranger das ruas
Nem temo ser simples alvo, pasmo, pasto
Pois sou dos que fogem dos quartos
E vestem-se como se fossem Deus.

segunda-feira, julho 02, 2012

Nascer

Canções e poesias dobram esquinas
E argumentam
E lamentam
E iberizam
Mouriscam
Ciscam nas gavetas do peito.

Bom é o som da forma de viver
O riso é um grito, um ritmo
Que nasce em pleno ver
Frase a frase os automóveis desenhando contornos irrespiráveis
Escrevem o horror
A cor da hora
O nascer.





terça-feira, junho 26, 2012

Poesia se faz mesmo é com as horas

As vestes da poesia são as mesas das ruas mal faladas
As vestes da poesia são as almas
As almas que fogem das televisões
A poesia é como o rádio
É como o cantor falso que lhe pede a mão
Poesia é calar
Poesia se faz mesmo é com o passo.

O verso é como o pé
A alma é o palco
Poesia se faz mesmo é com o passo
O pé é quem faz mover a roda
Poesia se faz mesmo é com as horas.

terça-feira, junho 05, 2012

Cristos sem espinhos

Cancioneiros e sorrisos
Leis que vagam pelos ninhos
Que deitam nos trilhos dos sorrisos
E deixam o morrer ser desígnio
A dor do desejo, o horror do mundo pobre
E o grito que nos faz mundo
O horror de ser desejo
De ser eixo, ser menino
De ser um corpo aceso entre destinos.

Cancioneiros e limites
Esperados pelo siso
Pelo juízo da corte, do corte, do quadrante
Entre a honra atolada em letras e palavrórios assassinados
E a morte acompanha o segredo das bastilhas
Esqueçam companheiros: Não existem camaradas na porta do destino.

Cancioneiros sangram cortes
E somos tão semelhantes
Calados e tão fervidos nas porradas tão diárias
E aqui temos o bom dia
E a velha melodia
A covardia dos atentos sonhos das seguranças
A morte das esperanças
E aqui estamos
Na lavra da morte e da lida
Estamos aqui tão mortos
Tão cravados de sentidos
E tão mortos feito Cristos sem espinhos.

Todos meu

Minha lua passa nua
Minha rua tem sorrisos
Meu mundo mora longe, é meu vício
Meu lar tem janela com grades
E meu sonho é com ruas onde moram rosas vivas
Minha lida é o uivo pras luas
Meus olhos rasgam as grades
Sou um mundo, sou só eu
Sou mil mundos todos meu.

terça-feira, maio 15, 2012

Azul e verde

O som do azul é quase verde
A voz , o mel, o céu e o mar
Traduzem-se como que pele
A voz do sonho é quase olhar.

O som do sul é quase verde
O mel do céu é o olho ao mar
Homens ao mar da própria pele
Invento, sorte e richas.

O som do sul é azul e  verde.


segunda-feira, abril 23, 2012

Jorge é meu par

Mundo que parte a cidade
Arde o sul
Vermelho vivo na alma, na fé
Mulheres, almas, homens, meninos, divas
Espelhos de ruas, cores
De gente pronta, salgada
Viventes na maravilha.

Mundo de espadas, de ódios, de amor
Morros, asfaltos
Berro roncador
Corrente dourada que espelha o sol
E a alma agora sagra a liberdade, a cor
E abraça a alma de Ogum.


Jorge é meu par
Nesse caminhar, a alma pro ar
Jorge é meu par
Jorge é meu par.

sexta-feira, abril 20, 2012

O saber do sol ateu

O urro das palavras
O murro nas portas
Astronaves, cores, celeumas
Ruas, jardins
Cortinas levantadas, rimas
Mulheres nuas, rosas
O mundo é simplesmente um fim em si.

A rua treme de poesia
E dói na pele o breu
Nuvens e estiletes contribuem pro fim
Desses versos claudicantes
Que se lançam ao mar
Enquanto teço novas asas
E respiro o novo, um Deus.

Vendo a lua
Espero a saudade
E corto a perna confusa
Dedico minha vida à missões audazes
A delírios vivos
E ao saber do sol ateu.

sexta-feira, abril 06, 2012

Sem sentido

Rua rara, redesenho, luz de invenção
É improviso de deserto
Grau de inverso que me desespera o verso
E acorda o medo, o incerto
E na paz redança um som de hidrantes.

Rua rara, luz de lua, reinvenção
É delírio do diverso, um ermo externo, uma espada, vã, calada
E na luz das coisas nuas das revistas
Ganha armas, ganha asas
E assim sinistra
Se desbasta do meu ver
Da poesia.

E da arte vai, o sol, a paz, o jeito que ficou
Após o dizer ser dor e voz
E cor
E assim amor
Tudo é risco.

Rua rara, aprendiz da nova canção
Sendo a isca da esperança e de um éden que se desenha à risca
Como um pires sob a xícara do domínio
Sustentando o desabafo, o kitsch destino que se fez o lamentar da rês
Ao se imolar.

Rua mundo feita fundo de um meu som solar
Canta o sal desse andar pelos mil mundos
Faz de mim um ecoar dos mais profundos
Mil lugares, ruas, luas, moças nuas
Faz de mim um samba astral, uma só pele, uma bravura, uma amargura
E enfim me dê lugar a ver-me aqui
A ser só mar.

Nua a cara, a trilha, a vida, a fina aula de sofrer
Dá-me à lua uma costura, um fim
E eu lá a cantar, ver TV
Sem sentido.

segunda-feira, março 19, 2012

Nada além de fim

Às vezes saber é uma forma de murro
Cores, panelas, cortinas, fé
Transmutam-se em fim
Calam-se em casa
Surdas me fazem ver
Como as cores desbotam no mundo a ver
O sol sorrindo um fim
As ruas cantando sonhos, um outro mundo
Um ser
Que arde a ver nas luas outros sins
Nas ruas um que de indiferença.

Milagres, sistemas, hordas, pinturas e muros
Não me importam mais
O simples, o concreto, a rua, o murro
É o que me tira a paz
São tantas as cores e as formas de se morrer
E só o mais simples fim, o cruel cotidiano
Me dói
Me cala o ser.

Hoje não sei ver nada além de fim
Hoje não sei ver as diferenças.

quinta-feira, junho 23, 2011

Voam, banais

Salta a lua cheia
Peito é igual
Sutis linhas finas, rimas, descanso, olhar
Escrevendo sinas
E o gosto de voar
Deduzindo ferros, flores, cantos, altar.

As ruas repetem o bom da fé ao lembrar as vezes que riam ao andar
As palavras giram ao serem mais
Sintonizam vidas
Morros cantam jograis
E a calada vida suprime o mal
Para que possam ir e respirar
Além da própria vida
Voam, banais.