Deuses desviam-me os passos
Encontro afagos por entre as sarjetas
Casas com mil ombros largos
Janelas sem portas
Mesas sem saletas
E tudo o quanto eu disse
Perde-se entre o barro do chão
Quebrado em mil estilhaços
Exposto em febre aos ladrões
Que hoje carrego comigo
Como quem cobre a cabeça e os descobre amigos
Parceiros contra as cercas
E entre os versos o vão é meu gesto.
Há rir, há olhos, espelhos
Dispostos passados expostos na mesa
Há ir, há matos, há morros
Há tanto espaços calados entre cercas
E tudo o quanto eu disse
Desenha-se nova canção
Corre entre meus dedos parcos
Espelhos, vértices, pães
Com o que alimento mendigos
Com o que desenho cabeças
E expondo-me ao perigo
Desejo que me ergas entre versos e o chão
Entre invernos.
Há mil desejos e plantas
Espantos e feras, escadas e estrelas
Há rusgas, lastros, compassos
Vidraças quebradas
Mulatas, muletas
E tudo quanto eu disse
Não é apenas canção
Há meus espasmos, meus passos
Minha vontade entre ladrões
Que hoje trago comigo
Como quem burla das cercas
As expansões e os perigos
E em vão dão-se qual presas
Deste imenso cordão
Deste inverso cordão.
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terça-feira, julho 24, 2012
sábado, janeiro 07, 2012
Ilusão que oculta horrores
No mundo, rumos, ais, distúrbios
Em férteis sóis, amplexos
Asso ritmado o comum
Como um súbito som de murro
E urro o surdo sinal do ritmo
No vil vislumbre do cínico som do "só?"
No risco imenso , comum
Do crime infecto, qual pús
Ser a ponta da ilusão que oculta horrores.
Em férteis sóis, amplexos
Asso ritmado o comum
Como um súbito som de murro
E urro o surdo sinal do ritmo
No vil vislumbre do cínico som do "só?"
No risco imenso , comum
Do crime infecto, qual pús
Ser a ponta da ilusão que oculta horrores.
segunda-feira, novembro 14, 2011
Tornar-me comida
Espero, aguardo, armo alguma vã coragemDe um sentido simples e pobre de consciência
Porque meu medo chama o amor
E amor é súbita inverdade.
Rasgo o som com uma voz roufenha
E sugiro enfim uma canção quieta
Pra deglutir as verbenas
E o sentido de haver quintais.
Se há sentidos entre as coisas boas que vivem
Nas esperanças e azaleias presentes em passados
Nem sei se foram meus ou foram morte
Enquanto me espalho nos dias
Sendo apenas mais vida
Catando o ser e o sentido triste
De tornar-me comida.
sábado, junho 06, 2009
O novo ver
Se eu soubesse ler perceberia o óbvio

Ao sabor de rostos enevoados, noto dores de novo amor
Se fosse pra ver milhares de venenos
E romper o medo de ser tão pequeno
Já seria ritmo surdo que me é minúscula flor
Dê-me algum Valqueire
Um universo antigo
Quero só notar o gosto do estribilho
Rimar beijo, amor, mamilo
Ouvir Caetano e Gal.
Se eu soubesse rir me tornaria sonho
Se olhasse seu rosto aprenderia o tempo
Seria o tempo
Morrerei soturno, calado e obscuro
De um jeito banal sem aventuras e inventos
Nasceremos muitos enquanto nos tocamos as mãos!
Seremos palavras ou só desafios?
Seremos normais olhando loucos frívolos?
Cala-me com teu umbigo em furor normal!
Guarde bem cada bom sussurro
Guarde o vento em um novo canto
Há mais vida na beira do inferno que no blasé colorido morrer.
Note meu desespero absurdo
Nos invente velhos em um canto
Que traduza o inesperado inferno
Que é sorrir lindo assim
É encantador o novo ver.
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