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sábado, novembro 24, 2012

Poesia

Poesia é um pouco indecência
É talvez a inconsciência que o mundo tem razão
É como uma sombra, uma prece que inverte o dom do ar
De ser do dia o que tange a incandescência
E que pormenoriza a fome de voar.

Sabe-se que um verso é uma espécie de cais
Que nos traz a dor da compaixão
E o ódio que em fé se faz vítima e vinga o medo da razão.

Qual razão que concebe incertezas e transcende impaciências
Poesia transmuta-se em olhar
E qual um urro despede-se
De um peito que derrete quando deita-se no mar.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Um amor estranho e livre

Muitas cores
A arte de uma cidade que se enfeia a seu pobre e gigante abraça o universo
Embevecendo com curvas pétreas os olhos estrangeiros
Atormentando de amor a quem migra diariamente da cansada periferia a seu centro
Valoroso, histórico e cruel centro.

Muitas cores nesta luta entre o amor pela beleza de suas ruelas
De seus centros, natureza e entorno
De sua gente agressiva e mal educada
De seu povo entregue a si mesmo com a coragem dos que sabem-se
E as guerras cotidianas que os olhos brilhantemente pintam em quadros
De uma extrema e cruel beleza.

Muitas cores nesta cidade mãe madrasta
Amante pérfida e calorosa
Poetisa cruel das durezas de uma realidade concreta e dúbia
Cidade matricida
Cidade mãe
Amante
Cidade.

Das cores muitas, das sutilezas, das guerras e agressividades
Dos centros velhos
Dos subúrbios riso solto e chinelo de dedo
A cerveja gelada dá ao pulo do malandro
O alvo jeito gato de sair das pedras
E alcançar a vida
Rindo
Como se tudo isso
A dureza bela e cruel de suas esquinas
Fossem assim como são
Um amor estranho e livre

terça-feira, agosto 07, 2012

Inversa paz

Raia a paz, raia o pranto
Nas mãos o gume que a terra afia
Nos olhos a estrada, a cancha
A rua, o espaço
Que se deseja de paz
Uma paz que se estenda calma
Uma paz que se desminta imensa alma.

Raia a falta, rola o pranto
Feito de fins, de tarde, ódios e vidas
Sangue que vem de longe e se esvai pelos dedos finos
Dos destinos, dos ais
No corpo franzino
Da dor que jaz nos olhos dos que vão ficando
Nos campos, pra trás
Pra trás, na roça, na cidade
Esquálida
Numa paz, inclemente, oprimida
Numa paz que se desmente inversa paz.


quarta-feira, julho 25, 2012

No peito, no pé

Já não me aguento trágico
Nem procurando uma luz de manhã
Não tenho saco pra rádio
Nem pra comer sempre a mesma maçã
Não acredito em bons modos
Já não suporto sorrir pra correr
Prefiro jegue a moto
Prefiro o sol leve do amanhecer.

Talvez seja a velhice
Talvez seja uma voz,um afã
Uma palavra curtida
Um verso ator, uma palavra fatal
Só como o que for comida
Só cheiro o perfume que faz menos mal.

Não sei se o rumo dos fatos anda apressado como pintam alguns
Meu passo é sempre mais rápido tão ocupado em fugir da luz
Ando assim por ser alto ou por ser muitos moleques, ser dor
Por brincar nada afobado com desenhos que amo com louvor
E qual criança velhaco
Ando assim como a fulgir canções
O que me dói é passado
Prefiro a cor das mil novas manhãs
Pra sorrir a velha turma
Pra beijar a boca de minha mulher
Pra curtir o sol, a sós, as cores, as ruas
A sós com muitos, no peito, no pé.


Como se fossem Deus

Nem venho ou vou para dar assistências
Pra relogiar existências
Pra causar um frege convicto
Nem há o que clamar
Pois venho sem horas, sem passos, sem ganho
Nem venho, nem volto cantando
Costumo bancar o bandido.

Prevejo o cínico erro de cálculo
A morte dos medos, das luas
E o justo e convicto enredo do ranger das ruas
Nem temo ser simples alvo, pasmo, pasto
Pois sou dos que fogem dos quartos
E vestem-se como se fossem Deus.

terça-feira, julho 24, 2012

A cerveja do amor

As luzes móveis partilham o sim e a cínica grade
As cores móveis sussurram um paradisíaco fim
As lajes movem-se firmes perante a sinistra saudade
Eis a cidade, o futuro, o precipício carmim.

As luzes móveis são isso e a nota singela da tarde
É que todo o hoje é um espelho deste pretérito porvir
Que sem cruzes presidimos como feras
Já sem Deus, sem desmorrer, sem calor
Como quem traduz delírios nas janelas
Como quem dá-se ao mundo sem sabor.

As luzes móveis deliram na rua, na porta da frente
À vida o grito sugere que deite-se ao fim destes discursos, destinos
E vozes que morrem-se carentes
Ante aos muros corcundas antevejo-me sim
E do lado escondido das estrelas
Entre os medos de desmorrer e o amor
Procurando um tolo alívio entre as pernas
Bebendo a cerveja do amor.






Deste inverso cordão

Deuses desviam-me os passos
Encontro afagos por entre as sarjetas
Casas com mil ombros largos
Janelas sem portas
Mesas sem saletas
E tudo o quanto eu disse
Perde-se entre o barro do chão
Quebrado em mil estilhaços
Exposto em febre aos ladrões
Que hoje carrego comigo
Como quem cobre a cabeça e os descobre amigos
Parceiros contra as cercas
E entre os versos o vão é meu gesto.




Há rir, há olhos, espelhos
Dispostos passados expostos na mesa
Há ir, há matos, há morros
Há tanto espaços calados entre cercas
E tudo o quanto eu disse
Desenha-se nova canção
Corre entre meus dedos parcos
Espelhos, vértices, pães
Com o que alimento mendigos
Com o que desenho cabeças
E expondo-me ao perigo
Desejo que me ergas entre versos e o chão
Entre invernos.


Há mil desejos e plantas
Espantos e feras, escadas e estrelas
Há rusgas, lastros, compassos
Vidraças quebradas
Mulatas, muletas
E tudo quanto eu disse
Não é apenas canção
Há meus espasmos, meus passos
Minha vontade entre ladrões
Que hoje trago comigo
Como quem burla das cercas
As expansões e os perigos 
E em vão dão-se qual presas
Deste imenso cordão
Deste inverso cordão.





segunda-feira, julho 02, 2012

Nascer

Canções e poesias dobram esquinas
E argumentam
E lamentam
E iberizam
Mouriscam
Ciscam nas gavetas do peito.

Bom é o som da forma de viver
O riso é um grito, um ritmo
Que nasce em pleno ver
Frase a frase os automóveis desenhando contornos irrespiráveis
Escrevem o horror
A cor da hora
O nascer.





quinta-feira, junho 21, 2012

Signos da Cidade

Se a cidade fosse um hoje
Um presente, uma armadilha
Uma pista sem ser berço ou legado
Só desatino
O que faríamos ao esmo do destino?

Se a cidade fosse um ontem
Uma idade do ouro, uma fábula
Uma delírio amargurado
Ou um doce e bobo delírio
O que faríamos mesmo do Destino?

Se a cidade fosse um mundo de futuros
Um amálgama de páginas de planos, projetos, desejos
Profecias e algarítimos
O que faríamos do espelho que sorrimos?

A cidade é o adiante
É além da marca rara
É relógio e é flagrante
É legado, plano, destino
E somos assim porque somos seu signo.

sexta-feira, junho 15, 2012

Tão frio

Uma rua é mais que rua
Mais que pedras e hidrantes
Mais que mundos, mais que ninhos
Caiam almas e aflitos destinos desencolhidos
Das lamas das zonas nortes e oestes dos meus gritos
E mundo é mais que mundo
Mais que desenhos líricos
Mais que armas, mais que vícios
Tudo assim é quase um eco
Um sentido.

As vontades, as estradas
Todo o antes, todo dia já são vozes que se ardem no segredo do instante
Onde o tapa na cara da tolerância se anuncia
Nos meninos, nos pequenos que morrem agonizantes
No instante que a amarra é feito redonda letra
Feito espada cara, roupa nova na gaveta
Cuja honra do segredo não existe
É desatino
Toda alma é um processo, uma cátedra destruída
Tudo assim desinocente, tanto rua quanto palha
Quanto extremo desejo de cair feito destino
As distâncias sendo medos, sendo inícios.

E tudo é tempo, é mundo, é surpresa e luz fria
E talvez a ironia do mundo seja apenas o dia a dia
A alma que nos fornece o medo da segurança
A voz que nos segura com a cátedra do ritmo
São distantes oposições, desatinos
Não se beijam no desejo dos mil hinos
E é tudo assim tão claro
É tudo assim tão Rio
As ladeiras, os degredos, as nações que tramam tranças
Todo samba é um tormento, todo samba é magia
É tudo tão semelhante
E tão frio.

O cerne do não

Minha coragem é meu medo, meu mundo distante, minha sanha, meu asco
Meu sonho é um tempo, um instante, uma forma, um vaso
A partir destas eras meu nome é uma mesa
E meu sorriso é um cisne
Pinte a imagem na ação de um sentido covarde
Faça o que quiser com os cães
Amo o segredo, o perigo
Deixo as razões pelas cercas
Amo em completo sentido
E em fomes que me apresentam ao inferno
E ao som dos invernos.

Aspas são olhos vermelhos e comidas jogadas por sobre as cestas
São cortinas que rodam, que viram saias e pálidas negras
Que desfilam bobices
E reboleiam canções
Enquanto os homens nos parques
Desfilam comiserações
Guarde seu jeito bendito
Deixe no meio das festas
Vou partir num sentido que me derrube cercas
Deixo o cerne do não
Neste inferno.


O som das peles, das camas
Das longas distâncias pro centro da festa
É o grito de peles bascas, negras e senzalas que dirigem carretas
E tudo é o sol que insiste a transformar-se em canção
É a ilusão destes parques
Faixas que pedem salvação
Somos todos amigos
Até que um punhal apareça
Não economizo sorrisos
Só os guardo pra quem peça meu inverso, meu não, meu inferno
Meus mil versos, meu dom, meus desertos.

domingo, junho 10, 2012

Vidas feitas de espelho

Ver o mar do céu
Ver o mar do nariz
Escutar o som de saber ser feliz
Rasgos, tretas, incendiárias canções pagãs
Cada treta me espanta pela imensidão.

Ver é ter um dom
Ser é dar-se pro dom
Ser é respeitar o entorno do dom
O certo, o perto, o verme, a estrela e o luar
São verdades, razões feitas de enxergar.

E o risco é imenso, é adiante, é incerto, é grilo, é treta, é fé
Risco é linha
E linha é pé pela noite.

Ter é ser, comer, respirar, ser feliz
Ver é mergulhar, é saber ser raiz
Se esteio é a paz, a faca da força vã
A força viva do fogo é só coração.

Ver é ser e ter a dor de ser canção
Ver é ser de pobre vida, paixão
Andar pelos caminhos desta espada é mais que prosseguir
É notar, é saber, sorver, luzir.

E o frio é deslize do mundo na pele que arrepia de ser imensidão
Vida é este andar
Vida é ter esta fome.

Tanta cor no  planeta, tanto ardor e frio
Tanta forma de gente ser meu pavio
E a pele das tretas reflete-se no sabor
Destas letras que espantam de tanto amor.

E ao Rio caminho, me torno inventário de vidas, de versos, canções
Assim vivo de vidas feitas de espelho.

terça-feira, junho 05, 2012

Que em mim é poesia

O meu deus mora nos seios da lua
A lua gagueja sorridentes que parecem seus
E as almas são vadias
E tudo parece estrela
É tudo rua
E tudo parece nuvem.

Estrelas envelhecem
E ternas nos fazem grandes luzes brilhantes
E a paz é a calmaria.

As ruas me trazem morenas e almas pintadas
Com perdidos cinemas e vontades ariscas
Que me livram das dúvidas e dos medos que enxertam o ódio nos olhos
E a vida se parece terna.

E encerram os montes a paisagem deslumbrante
Toda a paz torna-se dia.

Filmes me buscam calado
Leio mundos na Terra
Creio na Deusa Terra
Creio no Deus que em tudo brinca
Escrevo por ter certezas
Escrevo por ter magia
E ter medo de maus dias.

Estrelas erram
E é tão distante o meu mundo delirante
Que a paz se torna vida.

Escrevo como quem teme o fogo e no fogo nasce um dia
E escrevo por ser a primeira vez
E eterna vez mais um dia
E é assim, e é gente, é rua, é lua, é magia
E a alegria me faz verso.

Estrelas legam ao olho distante
Um estar, um ir adiante
Estrelas calam a alma
E dão bom dia.

E é de tudo o espaço, a alma, a falha, a coragem
Viver é como ir de manso fazer eterna viagem
Olhando janelas fechadas
Olhando almas ternas
E ver o mundo nas faces.

Estrelas enxertam no sonho andante a ilusão do caminhante
E a paz faz-se um dia.

As espadas calam brados
Escritos calam o amor
E a beleza sincera da História é meu calor
Vejo o mundo como a vida
E a vida é tempo, Deuses, Imperador
E a rua tão vadia
Que tem tempo, querer bem.

Minha vida é ser veio da Estrela
Que encerra na História o andante mundo velho caminhante
E que em mim é poesia.



Multidão

É quase lá
Uma ação, um descampado
Um motor desalmado, uma vinha, um espasmo
Um pedaço de passo
Um abraço, um gosto amigo
E é quase que o mundo e o riso
Parecem cidade e me dão sentido armado.

É quase lá
Uma sela, um jeito meu
Uma forma de garrote
Uma forma de sossego
Um passo bem dado
Um gesto, um riso, uma fala
Uma surdez embriagada
Uma multidão que passa parecendo eu mesmo.

Resser

Rua de ver
Aspas da minha esperança
Cruz de meu peito que alcança a forma de ser
Cristo sem cruz pelas matas
Formas de ver
Alma de ir entre florestas e calçadas que são meu ser.

Escrever chão
Deslindar som
Cidade ser de meu olho que espalha a festa e vê o saber
E no amor de toda cabeça
Alma no peito que faz amor
Entre o ver som
Entre o ser chão
E vou ver estrela na palma da selva
Da mão da luz que é relva
Que é querer.

Dedilhar bom
Retocar som
E se resser.

segunda-feira, junho 04, 2012

Longo Hoje

Não é sobre meu mundo,
É sobre as instâncias todas que nos condizem homem
Homens são senhores
Homens são figas, calos, cores
Não é sobre o mundo
É sobre as surpresas algozes que permeiam os nomes
É sobre todas essas mulheres
Essas casas
Essas castas
Essas coisas que me fazem ser instante
Em sins, em jograis, em folhas, em árias, em paz.

Não é sobre o mundo
Nem é sobre as gentes, os homens e seus nomes
É sobre um sentido, a fome de sentir e de ter fome.

Espelho estradas e passos, calmas, incêndios drogados
Vejo velas, vejo janelas, morros, aspas
Mil favelas
E nasço de novo integrado
O mundo me move.

Não é sobre o mundo
Nem é sobre as vozes e os "porquês"
Nem sobre onças, nem sobre o "onde'
É sobre esse espaço, esse estrado
Esses corpos que mostro
É sobre o vislumbre
O próximo
O longínquo
O "quem".

Escavo ruas e largos
Bondes, ternos listrados
E na velha vil janela dos meus olhos me calo
Me torno sussurro.

Não é sobre o mundo
É sobre riso
E o ver as ruas, as vidas, os cansaços
É sobre o amor, sobre você
Cidade, trem, ônibus, sol raiado.

Me deixo ser levado, conduzido, migrado pelas telhas, pelas frestas, pelos segundos sagrados
Deste longo hoje.





quinta-feira, maio 03, 2012

De cruz

É uma cidade
O amor me é cruz
Cruz desenhada no corpo da mulher
Praia de águas e sóis cristalinos
Deserto de água doce
Copo de água salgada
Cidade farol de vida.

Cores pintadas na mão do vendedor
Água gelada, seios no elevador
Corpo de meninas, saias, perninhas
Olhares de rapina
Nomes e fomes de toda cor
Coração batendo de cruz.

segunda-feira, abril 23, 2012

Jorge é meu par

Mundo que parte a cidade
Arde o sul
Vermelho vivo na alma, na fé
Mulheres, almas, homens, meninos, divas
Espelhos de ruas, cores
De gente pronta, salgada
Viventes na maravilha.

Mundo de espadas, de ódios, de amor
Morros, asfaltos
Berro roncador
Corrente dourada que espelha o sol
E a alma agora sagra a liberdade, a cor
E abraça a alma de Ogum.


Jorge é meu par
Nesse caminhar, a alma pro ar
Jorge é meu par
Jorge é meu par.

quinta-feira, abril 12, 2012

Nada mais hoje me atina

Os  meus sonhos são refeitos
Conduzidos de coisas, teias
Estrelado em espelhos que vêem
Conduzidos por artistas
Pintados entre  mãos pretas
E ruas que são a vista das insanidades cheias.

E à terra, às feras
A alma infante ganha a grande ordem, o levante
Do altar de mais um dia.

E meu sonho, meus espaços
Dão-se ao céu
Dão-se á terra
Fazem a si mesmos terra
Espalham-se grãos sobre as linhas
Destas ruas, destas feiras
E na brasa das agruras aprendem a ser só mais nuvem.

E à terra as levas de imigrantes
Trazem tanto, trazem antes
Novo ar
Luas, bastilhas.

Ritmo, fome, sistemas
Tretas, estrelas, espadas
Luz azul ao sul dos cinemas
Que escapam  ao ouvir
O rugir de historietas  como se feitas por mil poetas
Desenhados por pena fria.

E às feras as festas parecem antes de conduzirem o adiante
Uma paz, uma premissa.

E  de mim o sonho-fogo consome o dia, a magia
Feito em mim eternamente uma labareda, uma sina
Sina de ser gente em frente à escolha sombria
De fingir-em falsa estrela.

E em terras velhas
Meu passo adiante hoje pode ser gigante
Faço-me paz
Com a dor sofrida.

Súbito, de tempo me faço
Súbita história das falas
Tornando-se degrau, ancinho
Foice, enxada, rapinagem
Luzes, energia, mulatas
Carros, pás, filmes
E velas sobre lagoas encantadas.

E á terra as velas dão-se radiantes
Dão as cruzes, os infantes
Guerras, paz
Flor de bom dia.

Rara a alma dá-se estrada
E parte em si por calor
Por amor à donzela que morreu em pleno ardor
E se hoje a Baia de uma Guanabara me vem
É porque nela sou perfeito.

Minha terra erra
E calo o infante de minha forma delirante
Nada mais hoje me atina.


sábado, fevereiro 11, 2012

Há só você

Côrtes, milagres, formas e margens
Vales, pedais e freios
Lençóis e artes, facas e faces
Garfos, a voz, recheios
Morrem temores de ver céus infernos
Calos crescentes, dores, sementes que movem decididamente
Terras e gestas, almas funestas
Para um destino ausente.

E há os que temem de Deus dores, ferros!
Tudo o que se tem é morrer
Tudo o que há é viver
Há só você.