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segunda-feira, abril 30, 2012

Ama-se a Mulher

Amar e mulher são sinônimos, não para todos, óbvio, mas amar e mulher misturam-se. Amar e mulher não limitam-se, amplificam.

Ama-se uma só mulher ou focar-se isoladamente em dado momento num só ser mulher? Não sei, mas inclino-me a vincular o amor à Mulher, todas, como o que existe. Aquela una, aquela uma, aquele pedaço de mulher, e pedaço de mal caminho, é apenas a referência imediata do amor ao mar Mulher, ao mundo Mulher que se estende infinitamente em nossos olhos, corpos e mentes.

Ama-se a Mulher! Amar é Mulher! Amar só existe pela existência da Mulher!

Daquela que mói almas, ou da que morde, ou da que devora corações no café da manhã, da que sensibiliza estátuas, da que vira verso, da bailarina de conto, da mulher dos gatos, da menina que desmancha-te em sorrisos, das borboletas, das ogras, das brincantes.

Amar é um verbo transitivo direto: Ama-se a Mulher.

Ama-se e é Mulher, pois sem isso o verso quebra as patas, o cheiro de inverno que invade as manhãs e sorri corações e deslinda-se, torna-se menor.

Ama-se a mulher que vai, a que te desama, a que amarás, a que amou-te, a que te ama, a que te espera para amar-te, a que te despreza. Ama-se e vive-se.

Pois a vida, ela mesmo, é fêmea, e das boas.







quinta-feira, março 29, 2012

Negra e mulher, da vida

Nasci de uma lida, de um sol, de uma forma de vida
De um corte, de uma fúria, de um alerta
Feito de gente com fé, com um ler, um amar
Que transformava rosas em setas.

Nasci de uma ira, de um só, de uma linha de risco
De uma fome que avança, lenta
De um correr, de um rir, de a um mundo nadar
De uma cisma, de uma explosão intensa.

E vendo sóis deliro
Me invento na graça, na gana que me sustenta
Vendo o rir das mil vidas que me andam o olhar
Sou de um chão toda a terra, o que venta.

E vendo a luz das manhãs
As ruas, as farpas
Sonho um redemoinho nas gentes
Mouro no nome e na alma
Torno-me negra e mulher, da vida.