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quinta-feira, julho 12, 2012

Como quem não quer nada

Escrevo meus passos com dedos e almas
Almas armadas de pedras de caminhos muitos, cruzes expostas
Pernas negras espalhadas
Canções e reparos
Abraços e violas
Cervejas e ruas noturnas.

Escrevo por não saber voar
Escrevo pela natureza de existir como quem devora
Escrevo por fim por insistir
Assim como quem não quer nada.

segunda-feira, junho 04, 2012

Enfim


Houvesse fim
O mundo era terno
O doce e cruel som de todo fim
Seria um choro com a Elis
E o velho descaminho era vida
E vida é antes de nós, talvez futuro atroz
E vida é descaminho e pela vida
O sonho é a margem do meio
Entre o horror e o sublime
Em cheio
Em veio
Em veia
Enfim.

sexta-feira, abril 13, 2012

Tranças de tempo

Sou de dias e de esperanças
Fecho as tranças da canção dos dias pelas artes
Pelas modas
Que me desmontam sendo inteira parte
Destas formas de lua
Destas tantas mil novas tranças que nascem das noites.

sexta-feira, março 30, 2012

Quântico

Falo da estrada e rio em frente ao mar
Sei lá o signo perfeito da glória
Não sei calar a palavra, nem sei calar
Qualquer desígnio de alma
Talvez seja a inóspita forma de espécie ou obra de destoar
Sei lá se falo por mais do que eu
Rasgo as páginas do meu próprio andar
Talvez seja um pouco árido esse meu eu.

Sinto as dores dos mundos, dos rumos, do ar
Respiro o seio, o ar das mil vidas
Canto na mente, no peito, no andar
Não sei se sou pessoa ou se tenho vida
Tudo o que espero é um dia um jeito de sol
Rasgado em mundos que tornem-me mar
Sou pranto
Mouro nos dentes, negro no voar
Amo e me devoro
Me intensifico
Sou quântico.

sábado, março 03, 2012

É o indizível do coração

Canções, estradas
Pedras, quadros, cines
Versos, águas
Montes, praias
Vivencias, livros
Estradas, móveis
Se espalham como invenções mortas
Espaços incrivelmente limitados pra explosão de um só olhar
Inúteis paisagens de medos e mortes
Registros ínfimos e vulneráveis.

É indizível
Não um Deus, pois tal e qual Deus é o não ter um corpo a dar-lhe forma
Mas antes de Deus cria e age com dois, com muitos
Faz em si mesmo o significado e o significante
É e deixa-se ser
É e transforma-se
É o devir e o rir
É antes de tudo dois.

É dizer, é ser humano
É nascer um novo em cada pão
E a ser assim, humano
É o indizível do coração.