O pranto é o olhar visto do fogo
Destilado das folhas, dos muros e instantes
Feito lis, feito país
Feito medo, feito desterro.
E a espada é mãe do pranto, é filha do encantamento
E a espada sai do pranto pra se tornar fundamento
E o fundamento da palavra é uma fração de tempo
E o fundamento da espada é a razão em movimento.
O sol já nasceu pedra
Da pedra fez-se estrela
Da estrela a luz do norte nos transforma em coisa feita.
As estradas são cores
Os olhos são o rir
O vento são as folhas
As flores e horrores
A esperança é a hora em que as mãos voam da dúvida pra jugular da aurora.
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terça-feira, agosto 07, 2012
Inversa paz
Raia a paz, raia o pranto
Nas mãos o gume que a terra afia
Nos olhos a estrada, a cancha
A rua, o espaço
Que se deseja de paz
Uma paz que se estenda calma
Uma paz que se desminta imensa alma.
Raia a falta, rola o pranto
Feito de fins, de tarde, ódios e vidas
Sangue que vem de longe e se esvai pelos dedos finos
Dos destinos, dos ais
No corpo franzino
Da dor que jaz nos olhos dos que vão ficando
Nos campos, pra trás
Pra trás, na roça, na cidade
Esquálida
Numa paz, inclemente, oprimida
Numa paz que se desmente inversa paz.
Nas mãos o gume que a terra afia
Nos olhos a estrada, a cancha
A rua, o espaço
Que se deseja de paz
Uma paz que se estenda calma
Uma paz que se desminta imensa alma.
Raia a falta, rola o pranto
Feito de fins, de tarde, ódios e vidas
Sangue que vem de longe e se esvai pelos dedos finos
Dos destinos, dos ais
No corpo franzino
Da dor que jaz nos olhos dos que vão ficando
Nos campos, pra trás
Pra trás, na roça, na cidade
Esquálida
Numa paz, inclemente, oprimida
Numa paz que se desmente inversa paz.
segunda-feira, julho 09, 2012
Dêem-nos o mundo
É tanto a palavra castrada
É tanto a fala alterada
O murro qual dito rasgado
No vento que é dentro de mim.
É tanto o muro sem viço
A pele queimada, o cisco
A vida na estante do vício
Um rei e outro rei sobre mim.
É tanto a feiúra das coisas
É tanto a doença dos frutos
É tanto o mal nas pessoas
E tudo assim ser um fim.
Mas há, há de haver, outro sino
Um rumo, um segundo preciso
Um grito alucinado e íntimo
Um ir como que já sem fim
Pois tanto se foi desse riso
Tanto se foi tão preciso
Tantos já foram precisos
A regar futuros sins.
E hoje já não se esperam furtos
Já não se esperam palavras
Já não se espera mais nada
Deem-nos o mundo enfim.
É tanto a fala alterada
O murro qual dito rasgado
No vento que é dentro de mim.
É tanto o muro sem viço
A pele queimada, o cisco
A vida na estante do vício
Um rei e outro rei sobre mim.
É tanto a feiúra das coisas
É tanto a doença dos frutos
É tanto o mal nas pessoas
E tudo assim ser um fim.
Mas há, há de haver, outro sino
Um rumo, um segundo preciso
Um grito alucinado e íntimo
Um ir como que já sem fim
Pois tanto se foi desse riso
Tanto se foi tão preciso
Tantos já foram precisos
A regar futuros sins.
E hoje já não se esperam furtos
Já não se esperam palavras
Já não se espera mais nada
Deem-nos o mundo enfim.
Militante
Arme dos olhos o mundo
Arme de mar os dedos
Arme o olhar de medo
E as pernas de coragem
Arme o segredo de surdos sentidos
De ruas
Arme os ares de nossas artes.
E quando as trevas nos tocarem o dia
Quando a esperança cega
Nos der coragem
Percamos a bondade
Toda a sanidade pode nos parar.
E é tudo eternidade
É tudo uma vontade
A ação que arde
O vento a destoar o som que nos mata a mente
Que nos cala o fruto
Que nos perde o sêmen de toda eternidade
E o alarde de nossos sonhos
É somente o segredo que chama-se novidade.
Arme de mar os dedos
Arme o olhar de medo
E as pernas de coragem
Arme o segredo de surdos sentidos
De ruas
Arme os ares de nossas artes.
E quando as trevas nos tocarem o dia
Quando a esperança cega
Nos der coragem
Percamos a bondade
Toda a sanidade pode nos parar.
E é tudo eternidade
É tudo uma vontade
A ação que arde
O vento a destoar o som que nos mata a mente
Que nos cala o fruto
Que nos perde o sêmen de toda eternidade
E o alarde de nossos sonhos
É somente o segredo que chama-se novidade.
Dando pau no pau dos reis
É uma fome, um navegar das noites
Uma arte de sair da cama
Uma nódoa de mundo na lama
Um lirismo de povo.
É um riso criado nas noites
Um cinismo já bom de uma cama
Uma aspa desnuda na chama
Uma forma de horrores.
E na ânsia de destoar do riscado
A esperança dá golpe de luz nos espelhos
E na ânsia de destronar o espaço
A esperança vem mais uma vez.
É uma forma de mar, uma fome
Um diário riscado de lama
Uma faca que corta o drama
De velhos bons atores.
É uma ladeira de ar, um açoite
Pés a pé sobre calçadas cruas
Ruas nuas, vadias, noturnas
Somos nós cá de novo.
E é da lama que vem o mar dos descalços
Nós a sós solamente sujos de medo
Nesta gana de destoar dos mil brados
Dando pau no pau dos reis.
Uma arte de sair da cama
Uma nódoa de mundo na lama
Um lirismo de povo.
É um riso criado nas noites
Um cinismo já bom de uma cama
Uma aspa desnuda na chama
Uma forma de horrores.
E na ânsia de destoar do riscado
A esperança dá golpe de luz nos espelhos
E na ânsia de destronar o espaço
A esperança vem mais uma vez.
É uma forma de mar, uma fome
Um diário riscado de lama
Uma faca que corta o drama
De velhos bons atores.
É uma ladeira de ar, um açoite
Pés a pé sobre calçadas cruas
Ruas nuas, vadias, noturnas
Somos nós cá de novo.
E é da lama que vem o mar dos descalços
Nós a sós solamente sujos de medo
Nesta gana de destoar dos mil brados
Dando pau no pau dos reis.
Não me sentir vivo
Não digo que sei das coisas os velhos laços
Das ruas os velhos tiques
Dos mundos velhos cansaços
Das luas novos trambiques.
Não digo que sei das moças novos apetites
Dos velhos sorrisos fúteis
Dos cães outras correntezas.
Digo nos meus olhos
Digo em sorrisos
Nasci pra ser e ver o velho som de todos os cisos
E pra perder a razão
Sou meu risco e o impossível
É não me sentir vivo.
Das ruas os velhos tiques
Dos mundos velhos cansaços
Das luas novos trambiques.
Não digo que sei das moças novos apetites
Dos velhos sorrisos fúteis
Dos cães outras correntezas.
Digo nos meus olhos
Digo em sorrisos
Nasci pra ser e ver o velho som de todos os cisos
E pra perder a razão
Sou meu risco e o impossível
É não me sentir vivo.
Somos todos noite
Ergue o dia um sol e clama uma nova chama
Ergue o sol o dia
E nas artes as pernas, as cores
São todas novas
Porque finas as artes.
Na esperança que ruma mansa
Vemos distâncias
Somos todos noite.
Ergue o sol o dia
E nas artes as pernas, as cores
São todas novas
Porque finas as artes.
Na esperança que ruma mansa
Vemos distâncias
Somos todos noite.
quinta-feira, julho 05, 2012
Sangue de reis
É uma forma de mar ser tão noite
Ser tão lua em forma de drama
Em espaços e ruas e camas
Somos tudo de povo.
É uma forma de gênero humano
Um cantar de solares mil dramas
Um pintar enxurradas de lama
Um caminhar sendo novo.
É uma forma de voar ser a noite
Destilada na alma do fogo
Sendo a dança suicida das cores
Somos nós os ardores.
E se em frente ao máximo humano de nascer dominado por magos
De apanhar como uma face do gado
Explodirmos em tambores?
A esperança não é esperar o passado
Não é costurar medos entre os dedos
A esperança não é bailar com cagaços
É lambuzar-se com sangue de reis.
Ser tão lua em forma de drama
Em espaços e ruas e camas
Somos tudo de povo.
É uma forma de gênero humano
Um cantar de solares mil dramas
Um pintar enxurradas de lama
Um caminhar sendo novo.
É uma forma de voar ser a noite
Destilada na alma do fogo
Sendo a dança suicida das cores
Somos nós os ardores.
E se em frente ao máximo humano de nascer dominado por magos
De apanhar como uma face do gado
Explodirmos em tambores?
A esperança não é esperar o passado
Não é costurar medos entre os dedos
A esperança não é bailar com cagaços
É lambuzar-se com sangue de reis.
Apenas um menino
Eu Rio e só sei das nuvens certezas loucas
Das cores detalhes, filmes
Das gentes muitas pessoas.
Eu Rio e nem sei se há tantos bons mil mundos
Se vencem todos os príncipes as batalhas das coisas boas.
Não optei o óbvio
Não aprendi ser fino
Não sei da lei ou rei o melhor dos motivos
Nasci assim no chão de meus próprios desatinos
E assim sou menino
Apenas um menino.
Das cores detalhes, filmes
Das gentes muitas pessoas.
Eu Rio e nem sei se há tantos bons mil mundos
Se vencem todos os príncipes as batalhas das coisas boas.
Não optei o óbvio
Não aprendi ser fino
Não sei da lei ou rei o melhor dos motivos
Nasci assim no chão de meus próprios desatinos
E assim sou menino
Apenas um menino.
terça-feira, junho 26, 2012
Implosão
Se meu canto te é lúgubre ou tangencia a razão
Como um ódio com espadas
Como animais em explosão
E meu riso, meu jeito te desorienta a canção
Se meu grito não te alenta
Te apavora
E se o pão que invento e devoro não te alimenta a paixão
Da-se um jeito,
Dê o fora!
Me deixem na irrazão do meu riso.
Não canto porque quero ir pelo mundo sob um sol que me derrete o ir
Me transforma em um agridoce feitor da raiva que vem
Como quem enfrenta um vulcão
Me largue a vagar, me largue a voar
Meu mundo aguenta, garanto,
Até a própria implosão.
Como um ódio com espadas
Como animais em explosão
E meu riso, meu jeito te desorienta a canção
Se meu grito não te alenta
Te apavora
E se o pão que invento e devoro não te alimenta a paixão
Da-se um jeito,
Dê o fora!
Me deixem na irrazão do meu riso.
Não canto porque quero ir pelo mundo sob um sol que me derrete o ir
Me transforma em um agridoce feitor da raiva que vem
Como quem enfrenta um vulcão
Me largue a vagar, me largue a voar
Meu mundo aguenta, garanto,
Até a própria implosão.
Saudades de Carnaval
É um jeito de mar, de amar, de angu
De ver mundo e rua virado
De calçar a sandália da treta, a meia e a chuteira do jogo pegado
É correr como trem sem parar na estação
Reduzindo o transtorno a um fado
Tocado na paixão do juízo final
Com a faca nos dentes quebrados.
Não basta prece
Beber quermesses
Não é pro bem, não é pro mal
É pela gana de não ser Zé
De ir além do carnaval.
Me desculpe meu nego, mas minha cabeça não tá ai pra enfeitar diabo
minha alma, meu nome, minha voz e meu sal não dão conta mais de ser escravo
Não sou riso de medo empinando canção
Nem rebolação sem pecado
Não sou sua mão no panfleto ao sinal
Nem o professor engomado.
Não me dê prece
Foda-se a quermesse
Quero ser trem, quero o tribal
Decente é o drama dos sons Tom Zé sem flores ou saudades de Carnaval.
terça-feira, junho 05, 2012
Deixem-me ser apenas quem não sou
Olho defronte ao surdo e pré vejo cidades
Escondo nomes e sumo como quem vai só ali
Olho adiante do mundo e pós-vejo grades
Espalho a alma no corpo e traduzo a dor no sorrir.
Entre as luzes que a vida me dá em cacho
Colho passos, colho fé e vou mulher
Entre pernas, entre seios e vertigens das favelas
Que costuro no meu mundo e amor.
Meio segundo de medo e o riso me pareceu solamente
Uma tolice, um rugido, um medo, uma forma de fugir
Meio segundo e o mar me soprou a verdade e livre fui em frente
Mais um minuto e nem eu mais estava ali
Nessa fuga pelos mil medos e mil gentes
Nesse correr, nesse morrer de amor
Procurando desaparecidas almas velhas
Companheiras, primas, velhas formas de calor.
E se sou um paradeiro de ovelhas
Deixem-me ser apenas quem não sou.
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