Uma rua é mais que rua
Mais que pedras e hidrantes
Mais que mundos, mais que ninhos
Caiam almas e aflitos destinos desencolhidos
Das lamas das zonas nortes e oestes dos meus gritos
E mundo é mais que mundo
Mais que desenhos líricos
Mais que armas, mais que vícios
Tudo assim é quase um eco
Um sentido.
As vontades, as estradas
Todo o antes, todo dia já são vozes que se ardem no segredo do instante
Onde o tapa na cara da tolerância se anuncia
Nos meninos, nos pequenos que morrem agonizantes
No instante que a amarra é feito redonda letra
Feito espada cara, roupa nova na gaveta
Cuja honra do segredo não existe
É desatino
Toda alma é um processo, uma cátedra destruída
Tudo assim desinocente, tanto rua quanto palha
Quanto extremo desejo de cair feito destino
As distâncias sendo medos, sendo inícios.
E tudo é tempo, é mundo, é surpresa e luz fria
E talvez a ironia do mundo seja apenas o dia a dia
A alma que nos fornece o medo da segurança
A voz que nos segura com a cátedra do ritmo
São distantes oposições, desatinos
Não se beijam no desejo dos mil hinos
E é tudo assim tão claro
É tudo assim tão Rio
As ladeiras, os degredos, as nações que tramam tranças
Todo samba é um tormento, todo samba é magia
É tudo tão semelhante
E tão frio.
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sexta-feira, junho 15, 2012
O cerne do não
Minha coragem é meu medo, meu mundo distante, minha sanha, meu asco
Meu sonho é um tempo, um instante, uma forma, um vaso
A partir destas eras meu nome é uma mesa
E meu sorriso é um cisne
Pinte a imagem na ação de um sentido covarde
Faça o que quiser com os cães
Amo o segredo, o perigo
Deixo as razões pelas cercas
Amo em completo sentido
E em fomes que me apresentam ao inferno
E ao som dos invernos.
Aspas são olhos vermelhos e comidas jogadas por sobre as cestas
São cortinas que rodam, que viram saias e pálidas negras
Que desfilam bobices
E reboleiam canções
Enquanto os homens nos parques
Desfilam comiserações
Guarde seu jeito bendito
Deixe no meio das festas
Vou partir num sentido que me derrube cercas
Deixo o cerne do não
Neste inferno.
O som das peles, das camas
Das longas distâncias pro centro da festa
É o grito de peles bascas, negras e senzalas que dirigem carretas
E tudo é o sol que insiste a transformar-se em canção
É a ilusão destes parques
Faixas que pedem salvação
Somos todos amigos
Até que um punhal apareça
Não economizo sorrisos
Só os guardo pra quem peça meu inverso, meu não, meu inferno
Meus mil versos, meu dom, meus desertos.
Meu sonho é um tempo, um instante, uma forma, um vaso
A partir destas eras meu nome é uma mesa
E meu sorriso é um cisne
Pinte a imagem na ação de um sentido covarde
Faça o que quiser com os cães
Amo o segredo, o perigo
Deixo as razões pelas cercas
Amo em completo sentido
E em fomes que me apresentam ao inferno
E ao som dos invernos.
Aspas são olhos vermelhos e comidas jogadas por sobre as cestas
São cortinas que rodam, que viram saias e pálidas negras
Que desfilam bobices
E reboleiam canções
Enquanto os homens nos parques
Desfilam comiserações
Guarde seu jeito bendito
Deixe no meio das festas
Vou partir num sentido que me derrube cercas
Deixo o cerne do não
Neste inferno.
O som das peles, das camas
Das longas distâncias pro centro da festa
É o grito de peles bascas, negras e senzalas que dirigem carretas
E tudo é o sol que insiste a transformar-se em canção
É a ilusão destes parques
Faixas que pedem salvação
Somos todos amigos
Até que um punhal apareça
Não economizo sorrisos
Só os guardo pra quem peça meu inverso, meu não, meu inferno
Meus mil versos, meu dom, meus desertos.
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