Poesia é um pouco indecência
É talvez a inconsciência que o mundo tem razão
É como uma sombra, uma prece que inverte o dom do ar
De ser do dia o que tange a incandescência
E que pormenoriza a fome de voar.
Sabe-se que um verso é uma espécie de cais
Que nos traz a dor da compaixão
E o ódio que em fé se faz vítima e vinga o medo da razão.
Qual razão que concebe incertezas e transcende impaciências
Poesia transmuta-se em olhar
E qual um urro despede-se
De um peito que derrete quando deita-se no mar.
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sábado, novembro 24, 2012
domingo, setembro 16, 2012
Marginalidade
Meu sonho grita na marginalidade
Meu sonho é crente que tem a razão
(Às vezes não)
Meu sonho bebe o cerne da arte
E a cerveja que chega a pedir permissão
Meu sonho muda o rumo da urbe
Nessa coisa vontade que desce gelada
Meu sonho morre no tom da saudade
E na pele que arde se rói de firmeza caiada.
Às vezes a forma da gente é um sonho que vence
Nessas pelejas que a vida na lida faz parecer jeito
E forma de ser toda briga que beira o luto
E no fundo é verdade naquilo que faz da gente brasileiro
E traz na voz embargada o som de ser assim botequim
Malucada
Samba cruelmente construto do riso, da gaita
Que ri da velha e suada rua, do beco
Das rusgas, das rubras velhas brincadeiras
Na porrada
Na besteira
Somos todos esse jardim
Onde o sonho grita as marginalidades.
Meu sonho é crente que tem a razão
(Às vezes não)
Meu sonho bebe o cerne da arte
E a cerveja que chega a pedir permissão
Meu sonho muda o rumo da urbe
Nessa coisa vontade que desce gelada
Meu sonho morre no tom da saudade
E na pele que arde se rói de firmeza caiada.
Às vezes a forma da gente é um sonho que vence
Nessas pelejas que a vida na lida faz parecer jeito
E forma de ser toda briga que beira o luto
E no fundo é verdade naquilo que faz da gente brasileiro
E traz na voz embargada o som de ser assim botequim
Malucada
Samba cruelmente construto do riso, da gaita
Que ri da velha e suada rua, do beco
Das rusgas, das rubras velhas brincadeiras
Na porrada
Na besteira
Somos todos esse jardim
Onde o sonho grita as marginalidades.
quarta-feira, agosto 01, 2012
Da arte
É da arte o destino, o signo, a parte do verbo cantar
Onde as mil coisas que são já passado se tornam milagres
Mistérios
Razões
É da arte o vento que nasce do peito
O lacrimejar
Este mar
O respeito que ergue-se pleno na face da gente
Quando amparado pelos pés no chão.
É da arte a palavra que se torna colibri
É da arte o sangue, o simples, o leque das coisas, das línguas
Das montanhas distantes
Das árvores mortas da imensidão
Que se fazem alegria escrita entre o rir
E o ser que das pessoas faz futuro
E amor é o fruto que a arte prega na parte coração.
Da minha arte vejo a voz como que pequena
Amparada nas palavras que a História traz nos prantos.
Onde as mil coisas que são já passado se tornam milagres
Mistérios
Razões
É da arte o vento que nasce do peito
O lacrimejar
Este mar
O respeito que ergue-se pleno na face da gente
Quando amparado pelos pés no chão.
É da arte a palavra que se torna colibri
É da arte o sangue, o simples, o leque das coisas, das línguas
Das montanhas distantes
Das árvores mortas da imensidão
Que se fazem alegria escrita entre o rir
E o ser que das pessoas faz futuro
E amor é o fruto que a arte prega na parte coração.
Da minha arte vejo a voz como que pequena
Amparada nas palavras que a História traz nos prantos.
terça-feira, junho 26, 2012
Poesia se faz mesmo é com as horas
As vestes da poesia são as mesas das ruas mal faladas
As vestes da poesia são as almas
As almas que fogem das televisões
A poesia é como o rádio
É como o cantor falso que lhe pede a mão
Poesia é calar
Poesia se faz mesmo é com o passo.
O verso é como o pé
A alma é o palco
Poesia se faz mesmo é com o passo
O pé é quem faz mover a roda
Poesia se faz mesmo é com as horas.
As vestes da poesia são as almas
As almas que fogem das televisões
A poesia é como o rádio
É como o cantor falso que lhe pede a mão
Poesia é calar
Poesia se faz mesmo é com o passo.
O verso é como o pé
A alma é o palco
Poesia se faz mesmo é com o passo
O pé é quem faz mover a roda
Poesia se faz mesmo é com as horas.
quinta-feira, maio 03, 2012
Cores
Quero um amor verde
Nesse mundo azul
Uma fome sépia
Um palavrar cinzento
Um vento e nuvem cálidos e brancos
Um olhar tão pardo
Um segundo azul.
Cores e vozes me são formas válidas de invenção.
Artes são tão negras
Artes são tão sonho
Artes são tão claras
Vermelhas, ungüento
Artes são palavras
Artes são tão rosa
Artes são tão mundo
Artes são azul.
Cores são letras sem mãos embriagadas nas peles, no chão.
Nesse mundo azul
Uma fome sépia
Um palavrar cinzento
Um vento e nuvem cálidos e brancos
Um olhar tão pardo
Um segundo azul.
Cores e vozes me são formas válidas de invenção.
Artes são tão negras
Artes são tão sonho
Artes são tão claras
Vermelhas, ungüento
Artes são palavras
Artes são tão rosa
Artes são tão mundo
Artes são azul.
Cores são letras sem mãos embriagadas nas peles, no chão.
segunda-feira, abril 30, 2012
Arte-Perdição
Não quero uma poesia que me acalme, não quero
Não quero uma poesia
Quero invariavelmente ser incendiado dos ódios e amores que compõe minhas veias
Quero a agonia de pular do ônibus em movimento, de ter medo de altura no alto do pico do papagaio
Quero o inferno da dúvida, quero a coragem da certeza.
Não quero saber da arte oposta ao mijo na rua
Não quero a arte de gola rolê e nem o assobio envergonhado da arte que não desnuda
Não quero o cinema moço janota das esquinas do Leblon
Eu quero um filme subúrbio, uma poesia puteiro de Madureira
Um samba canção feito nas coixas da mulata.
Não quero as palmas engravatadas, caladas
Quero a baioneta calada da ironia, o sangue nos olhos do poeta
O ator enlouquecido que se acha Napoleão
Não quero nada disso
Eu quero é que se foda
Eu quero a arte mordida na orelha
Uma arte trepada nas escadas, comida, encoxada
Amada pelo instinto nu e criminoso da liberdade.
Eu quero uma arte infinita, como a perdição.
Não quero uma poesia
Quero invariavelmente ser incendiado dos ódios e amores que compõe minhas veias
Quero a agonia de pular do ônibus em movimento, de ter medo de altura no alto do pico do papagaio
Quero o inferno da dúvida, quero a coragem da certeza.
Não quero saber da arte oposta ao mijo na rua
Não quero a arte de gola rolê e nem o assobio envergonhado da arte que não desnuda
Não quero o cinema moço janota das esquinas do Leblon
Eu quero um filme subúrbio, uma poesia puteiro de Madureira
Um samba canção feito nas coixas da mulata.
Não quero as palmas engravatadas, caladas
Quero a baioneta calada da ironia, o sangue nos olhos do poeta
O ator enlouquecido que se acha Napoleão
Não quero nada disso
Eu quero é que se foda
Eu quero a arte mordida na orelha
Uma arte trepada nas escadas, comida, encoxada
Amada pelo instinto nu e criminoso da liberdade.
Eu quero uma arte infinita, como a perdição.
sábado, abril 14, 2012
Entre as aspas dos dedos da mão
Arte: Ardor dos Deuses
Causas, planos, plâncton
Palavras em série
Ar e mar cinzentos
Filmes de manteiga
Filmes de muralha
Arte: Paz dos tempos
Fome dos infernos
Arte é a dor da invenção
É paixão de ser invenção.
Paginas são tinta
Tintas são palavras
Palavras são versos
Versos são inventos
Cores são penugem
Cores são muralhas
Cores são infernos
Cores são tormentos
Arte: Ardor da invenção
Cadafalso da própria paixão.
Cobre furta ouro
Ouro monta em prata
Prata é cor de negros
Índio é cor dos tempos
Ventos são delírio
Sangue, esmeralda
Américas e ventos
Navegar nos tempos
Cores que deliram canção
Entre as aspas dos dedos da mão.
Causas, planos, plâncton
Palavras em série
Ar e mar cinzentos
Filmes de manteiga
Filmes de muralha
Arte: Paz dos tempos
Fome dos infernos
Arte é a dor da invenção
É paixão de ser invenção.
Paginas são tinta
Tintas são palavras
Palavras são versos
Versos são inventos
Cores são penugem
Cores são muralhas
Cores são infernos
Cores são tormentos
Arte: Ardor da invenção
Cadafalso da própria paixão.
Cobre furta ouro
Ouro monta em prata
Prata é cor de negros
Índio é cor dos tempos
Ventos são delírio
Sangue, esmeralda
Américas e ventos
Navegar nos tempos
Cores que deliram canção
Entre as aspas dos dedos da mão.
sábado, abril 07, 2012
Adoração
Não sei falar de amor, só faço arte
Talvez perambulando nas manhãs onde cato poesias
Faço apenas alarde
Das nuvens que vadias lambem os cães.
As luzes que atropelam as semanas
Conduzem um sentido, uma canção
E desenho nas trilhas de meus dramas, que ufanam
Uma velha mania de cantar
O solo, a voz macia desta preta
Que me acostumei a aveludar
Nas fantasias que crio na pirambeira
Do meu costumeiro sonho-canção.
Não sei fazer amor, só falo arte
Entregue a este ritmado crer
Que torna-me segredo de cidades
E parte das ruas que deduzem o amanhecer.
Avanço qual um tolo pras coragens
De tudo mudar por uma canção feita mulher
Que n'outra velha cidade
De mim fez ser esta adoração.
Talvez perambulando nas manhãs onde cato poesias
Faço apenas alarde
Das nuvens que vadias lambem os cães.
As luzes que atropelam as semanas
Conduzem um sentido, uma canção
E desenho nas trilhas de meus dramas, que ufanam
Uma velha mania de cantar
O solo, a voz macia desta preta
Que me acostumei a aveludar
Nas fantasias que crio na pirambeira
Do meu costumeiro sonho-canção.
Não sei fazer amor, só falo arte
Entregue a este ritmado crer
Que torna-me segredo de cidades
E parte das ruas que deduzem o amanhecer.
Avanço qual um tolo pras coragens
De tudo mudar por uma canção feita mulher
Que n'outra velha cidade
De mim fez ser esta adoração.
segunda-feira, março 05, 2012
Villa
E era assim,era findo
E foi invento e mar
Estrela, resto de vinho
Escombro, roça, luar
Espalhando coisas, linhas
Rumos de ser e de dar
Escadas, luzes, favelas, peças, incertas formas de amar.
E foi, e foi, foi rugindo
E veio em erro e mal
E voltou luz alva, sonho
Rugido de carnaval
E caos se foi, veio lindo
E morto foi, vivo está
E assim quase qual era
Quase uma Hera
Quase um lugar
Estranho gesto simples de voar
Voar
Voar.
PS: pequena homenagem a Villa lobos a partir de exercício inspirado da melodia do Trenzinho Caipíra e na poesia de Ferreira Gullar.
E foi invento e mar
Estrela, resto de vinho
Escombro, roça, luar
Espalhando coisas, linhas
Rumos de ser e de dar
Escadas, luzes, favelas, peças, incertas formas de amar.
E foi, e foi, foi rugindo
E veio em erro e mal
E voltou luz alva, sonho
Rugido de carnaval
E caos se foi, veio lindo
E morto foi, vivo está
E assim quase qual era
Quase uma Hera
Quase um lugar
Estranho gesto simples de voar
Voar
Voar.
PS: pequena homenagem a Villa lobos a partir de exercício inspirado da melodia do Trenzinho Caipíra e na poesia de Ferreira Gullar.
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Dom entrelaçado ao amor
Espadas, claves, luas cheias
Esteiras sóis, manhãs inteiras
O mar é o lar dos sonhos para mim
Esperei ver por entre estrelas o lumiar do ganha pão
A cor da vida, a alma cheia
A paz dos homens, o som são.
Vi rebrilhar a faca das vitórias, a dor
Vi-me luar, num solitário mar de ardor.
E dos mil homens, das mil fêmeas
O que me fiz, o que me sou?
Ao sol o céu parece um lindo fim
Entrelaçado às bandeiras que foram jogadas ao chão
Se já morri a luz que enfeita é outra estrela ou ilusão?
Vi-me sem mar
Calado entre seixos e o horror
De me secar na ausência da arte
Só dor.
E vai que a vida, assim certeira
A rir-me deu-me o bom sabor
De ser-me assim qual fogo a me queimar
E assim sorriso de brejeira arte com asas e paixão
A áspera voz perde a estribeira e dá-se inteira em coração
A um ofertar de leveza, de arte
De ardor
Deixe-me olhar-te dom entrelaçado ao amor.
Esteiras sóis, manhãs inteiras
O mar é o lar dos sonhos para mim
Esperei ver por entre estrelas o lumiar do ganha pão
A cor da vida, a alma cheia
A paz dos homens, o som são.
Vi rebrilhar a faca das vitórias, a dor
Vi-me luar, num solitário mar de ardor.
E dos mil homens, das mil fêmeas
O que me fiz, o que me sou?
Ao sol o céu parece um lindo fim
Entrelaçado às bandeiras que foram jogadas ao chão
Se já morri a luz que enfeita é outra estrela ou ilusão?
Vi-me sem mar
Calado entre seixos e o horror
De me secar na ausência da arte
Só dor.
E vai que a vida, assim certeira
A rir-me deu-me o bom sabor
De ser-me assim qual fogo a me queimar
E assim sorriso de brejeira arte com asas e paixão
A áspera voz perde a estribeira e dá-se inteira em coração
A um ofertar de leveza, de arte
De ardor
Deixe-me olhar-te dom entrelaçado ao amor.
segunda-feira, novembro 14, 2011
Uma forma de arte
Espere com uma pá a dor, os covardes
Espalhe segundos nos gramados
Compre carros com multas atrasadas
Se esparrame nas mesas já guardadas
Dos botecos das cidades pequenas
Se espelhe nos tantos problemas
Que nos constroem com o que se tem.
Esqueça a cruz e siga o ritmo das incertezas
Esqueça o som "emprego"
E deslumbre-se ao som das estrelas.
Há sempre um bom lugar
Há sempre um deserto, um mar, um sol, um campo
As luas atrizes banham o sonho
E o inferno quebra as lampadas.
Canse sorrindo à vontade
Viver é verdades
É comer vespas e artes.
Canse comendo alfaces
Sugiro vaidades
Espere um Deus e mate-se à vontade.
Espalhe um sorriso de alma fraca
Conduza um cão cego em uma vã viagem
Esqueça o sim, o SUS
Tenha medo do mundo, da praça.
Esqueça a luz das verdades, pois todo o tempo ela se oculta, opaca
Procure em si as desgraças
E faça-te uma forma de arte.
Espalhe segundos nos gramados
Compre carros com multas atrasadas
Se esparrame nas mesas já guardadas
Dos botecos das cidades pequenas
Se espelhe nos tantos problemas
Que nos constroem com o que se tem.
Esqueça a cruz e siga o ritmo das incertezas
Esqueça o som "emprego"
E deslumbre-se ao som das estrelas.
Há sempre um bom lugar
Há sempre um deserto, um mar, um sol, um campo
As luas atrizes banham o sonho
E o inferno quebra as lampadas.
Canse sorrindo à vontade
Viver é verdades
É comer vespas e artes.
Canse comendo alfaces
Sugiro vaidades
Espere um Deus e mate-se à vontade.
Espalhe um sorriso de alma fraca
Conduza um cão cego em uma vã viagem
Esqueça o sim, o SUS
Tenha medo do mundo, da praça.
Esqueça a luz das verdades, pois todo o tempo ela se oculta, opaca
Procure em si as desgraças
E faça-te uma forma de arte.
Glória
Me dê Tucídides, nega!
Se sacoleje no mar
Esconda velhos segredos, me deixe apenas flanar!
O rumo é um surdo marcando o jogo
Estrelas cansam seja o que for
Se há um risco ele é doloso
E a calma é o erro do autor
Me deixe quieto na cama
Olhe ao redor faça o favor,
E conte uma História nova.
Suspire aos sóis, desescandalize,
Inspire uma revolta , despiste
Há horas em que manter a calma é prévia de tomar porrada.
Mê dê Rodrigues, nega!
Suspire o enfermo pesar!
Cantarole um degredo,
Me dê um verso de cantar!
Se há futuro, ele é doloso
Esperas cansam, correr dá calor
E todo risco é de bom gosto e acalma o sentido da dor.
Me espere e evite dramas
Olhe ao redor faça o favor
E veja se chegamos à Glória.
Se sacoleje no mar
Esconda velhos segredos, me deixe apenas flanar!
O rumo é um surdo marcando o jogo
Estrelas cansam seja o que for
Se há um risco ele é doloso
E a calma é o erro do autor
Me deixe quieto na cama
Olhe ao redor faça o favor,
E conte uma História nova.
Suspire aos sóis, desescandalize,
Inspire uma revolta , despiste
Há horas em que manter a calma é prévia de tomar porrada.
Mê dê Rodrigues, nega!
Suspire o enfermo pesar!
Cantarole um degredo,
Me dê um verso de cantar!
Se há futuro, ele é doloso
Esperas cansam, correr dá calor
E todo risco é de bom gosto e acalma o sentido da dor.
Me espere e evite dramas
Olhe ao redor faça o favor
E veja se chegamos à Glória.
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Na Transversal do Tempo - Acho que o amor é a ausência de engarrafamento
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quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Arte: Além do Artista, Além da propriedade
Se a arte é além do artista, o liberta de sua existência, o liberta de suas idiossincrasias, ela mesma em si traz o sentido de transformação que faz do artista vítima de sua própria criação. A coerência entre arte e ente, entre criador e obra, é um desejo que pode não corresponder à existência real do artista e pode também não influenciar no poder transformador da arte. Esta coerência seria um modo do artista sobreviver ao impulso e influência revolucionários da arte em si, porém não é uma condição sinequanon para a criação, nem tampouco para a existência do artista.
A criação é em si abstrata. Ela traduz o real de forma ideal, mesmo autodenominando-se realista ou concreta, como objetivo de criativamente levar um novo ponto de vista a respeito do concreto a quem a lê, vê ou ouve. Ao mesmo tempo, a arte é em si transformadora porque busca recriar o real de forma ideal, como exposto acima, e mais além redescobrir no real, pontos invisíveis.
A própria idéia da arte é transformar o real fora do real. Este impulso transformador faz da arte um meio de influência revolucionária constante. O que não torna em si o Artista como um revolucionário. O que leva à arte ser de certa forma o fim do artista no sentido de causar um impulso de transformação que pode engolir o criador que não for coerente com sua obra. Assim a exigência de coerência entre criação e criador não é em si uma exigência que influencia a qualidade da arte em si, mas sim uma exigência da sobrevivência do artista à sua arte ou um meio de utilização da arte como instrumento de transformação, seja ela pessoal ou social. Esta é uma das formas em que a arte indo além do artista pode ser trabalhada ou entendida. Porém não é a única.
A arte é além do artista também, pois ela é em si um produto social por excelência, ela não existe fora do compartilhamento com a sociedade. Sem ser compartilhada a arte é nula, é ausente, é inexistente. A arte precisa da sociedade, como esta precisa da arte para vislumbrar um real além do real. Cada pintura, música ou poema retrata a realidade de forma que a sociedade pode se enxergar com outras cores e formas. Por isso muitas vezes a arte vai além do escapismo clássico e torna-se um importante meio de mobilização, denúncia, conscientização e sensibilização da população para temas importantes, causas, mobilizações, entre outros elementos, digamos, políticos da vida social.
O entendimento da Arte como algo inerentemente coletivo, mesmo sendo criação individual, pode permitir um sem número de utilizações da mesma, de compreensões da mesma, mas antes de mais nada permite que entendamos a obra como um meio de avançar em relação à criação como uma propriedade. Se a arte é além do artista como ela pode ser propriedade dele? Se ela não é propriedade de quem cria como pode ser de alguém? Assim além de ser um meio de transformação social e pessoal, a arte também é um questionamento clássico da propriedade em si. Porque a propriedade é restritiva, ela reduz o objeto à funcionalidade atribuída por seu dono. E como algo que em si mesma traz o germe da transformação, é além do que a criou, avança além da sociedade em que nasce pode ser no fim das contas restrito a um limite imposto?
É por isso que a arte é também um questionamento a qualquer restrição, inclusive a de propriedade. Sendo assim uma revolução em si, um processo de transformação completa da realidade em algo inusitado, a arte supera a origem e avança, indo além inclusive de conceitos que a aprisionam.
Por isso é arte.
Gilson Moura Henrique Junior - Novembro de 2006FONTE: REVOLUTAS
SITE: http://www.revolutas.org
PUBLICAÇÃO: 26/11/2006
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