quarta-feira, junho 11, 2003

Fonte: Novae

São Lourenço mobilizada contra a Nestlé


Por Chico Villela

(São Lourenço, MG, ameaçada pelo "lucro"? A mídia de massa "comprometida" com campanhas milionárias que oferecem "prêmios"? Migalhas para a sociedade civil? A voz da imprensa livre traduzida pela Web é mais que necessária para respondermos essas questões. O Centro da Terra continua preferindo as "pílulas vermelhas". Dissemine agora, nada pode calar a livre expressão.)


São Lourenço - MG (www.saolourenco-online.com.br)

Janeiro 2003, Suíça - A ATTAC, organização da sociedade civil que pleiteia a taxação de operações financeiras para aplicação na redução das desigualdades sociais no mundo, lidera manifestação contra a Nestlé, multinacional com sede na Suíça, contra a privatização de uma fonte na cidade de Bevaix. As leis suíças deram razão aos manifestantes: a água é considerada bem comum, inalienável e não comercializável. A água é patrimônio da humanidade, lá na Suíça.

Maio 2003, Brasil - O Movimento de Cidadania pelas Águas, organização espontânea da sociedade civil da cidade sul-mineira de São Lourenço, que pleiteia, entre outras coisas, o controle público sobre os seus recursos hídricos minerais, lidera manifestação contra a Empresa de Águas de São Lourenço, pertencente à multinacional suíça Nestlé, pelo fim da superexploração das águas minerais que garantem o turismo e a economia da cidade.

Em um poema, o falecido poeta turco Nazim Hikmet afirma que os subterrâneos dos bancos suíços não estocam dinheiro: acumulam sangue de povos, combatentes e heróis que se opuseram e se opõem a tiranias diversas, cujos titulares os assassinaram e assassinam para, na maioria dos casos, vender com mais sossego o seu país e correr para depositar seus lucros nos bancos suíços, de preferência. Sem citar os dinheiros lavados que viajam todo dia para o paraíso suíço.

Na Suíça, a água é bem comum. Em São Lourenço, cidade da ex-colônia Brasil, situada na ex-província de Minas, fornecedora do ouro que, junto com a prata andina, constituiu uma das bases da Revolução Industrial européia, a água é da multinacional Nestlé. O ouro acabou, mas as minas continuam generosas. A julgar pela voracidade da Nestlé, em breve terão o destino do ouro: a extinção.

Mas a Nestlé já extinguiu coisas mais importantes. Fazem parte dos clássicos da pediatria os esforços da empresa em apresentar seu leite de vaca em pó como alternativa melhorada para o leite materno. Ao introduzir o seu leite Ninho na África, por exemplo, as imagens que o recomendavam eram de moças vestidas como enfermeiras, e o leite era associado à idéia de medicamento, com largas vantagens sobre o leite materno. O consumo desse produto, diluído em razão do alto custo, nem sempre manipulado com higiene e água pura, transformou-se num vetor para a morte de bebês, privados da imunização que o então desvalorizado leite da mãe proporciona.

"Estratégia publicitária", afirmavam "profissionais". Ativistas suíços entenderam diferente e publicaram o texto "A Nestlé mata bebês" (The baby killer, de Mike Muller). Em reação, a empresa os processou, mas o resultado foi um julgamento dos procedimentos da Nestlé. Especialistas e cientistas em todo o mundo, em vigorosas manifestações, revitalizaram a campanha do aleitamento materno, hoje recomendação universal encampada por agências de saúde como a OMS, da ONU.

Lula tem tanta vontade de que o Fome Zero dê certo que aceitou milhões de latas de leite em pó da Nestlé, levantadas em milionária campanha de marketing com Faustões & Gugus no apoio. Mas o governo esqueceu-se de (ou ainda não percebeu) que a revitalização da economia que elimina a fome passa pela valorização dos pequenos produtores, inclusive os de leite, que as multinacionais como a Nestlé adquirem cada vez mais a preços cada vez menores, como acontece há tempos no Sul de Minas e como está ocorrendo agora em Goiás, por exemplo. Isso quando não abandonam empreendimentos "pouco rentáveis" e deixam os prejuízos sociais para governos municipais que facilitaram sua vida, como o testemunha o fechamento da unidade fabril de Três Corações.

Metas mundiais

A atuação da Nestlé em São Lourenço faz tudo isso parecer brinquedo de criança. Em 1992, a Nestlé adquiriu o controle mundial da Perrier Vittel, até então dona do Parque das Águas e concessionária da exploração das suas águas minerais. Essa compra inscreveu-se na estratégia da empresa de tornar-se a maior engarrafadora de água de beber em todo o mundo, meta já atingida hoje, com 73 marcas em muitos países. No Brasil, a ofensiva está em andamento: a Nestlé disputa o segundo lugar com a Superágua, concessionária em Lambari, Caxambu, Cambuquira e Araxá. A aquisição da Perrier deu à Nestlé a propriedade do Parque das Águas e o direito de exploração das águas minerais existentes, resguardados os direitos da população e dos turistas de beneficiarem-se com as virtudes medicinais seculares dessas águas.

A partir daí, a empresa entendeu que a estratégia mundial relativa à água de beber deveria aplicar-se, no caso de São Lourenço, sobrepondo-se a conquista das suas metas no Brasil (investimentos de 50 milhões de dólares, construção de 7 novas fábricas, ênfase total no novo segmento de "águas adicionadas de sais") aos interesses da população da cidade. Os recursos oferecidos pelo Parque das Águas eram modestos: pequenas vazões, unidade industrial restrita, limitações de ordem legal à expansão das captações.

Mistérios das águas

Aqüífero significa depósito subterrâneo de água, às vezes acumulada durante muito tempo, caso do Aqüífero Guarani, o maior do mundo, formado há cerca de 220/140 milhões de anos, que jaz sob doze estados brasileiros além de partes de Uruguai, Paraguai e Argentina, e que aloja água suficiente para abastecer todo o Brasil por 2 mil anos sem renovação. Há aqüíferos fósseis e renováveis. Os fósseis são fechados como os de petróleo: tira-se a água e nada mais resta. Os renováveis são dinâmicos: sai água, e entra água de chuva, filtrada lentamente pelo solo e as rochas. A existência de vários tipos de águas em espaços restritos como o do Parque das Águas pressupõe um sistema delicadíssimo de composições rochosas e aqüíferos dentro de nichos poliminerais diversos. A água flui, em fios suficientes para o consumo, e se renova por processos ainda não bem decifrados pela ciência. Foi neste cenário cercado de imponderabilidades que a Nestlé plantou sua política predatória.

Luz sobre a Nestlé

O Movimento de Cidadania pelas Águas identificou uma série exemplar de procedimentos ilegais da Nestlé, alguns dos quais já são objeto de ação civil pública proposta pelo curador de Meio Ambiente e promotor de São Lourenço, dr. Pedro Paulo Aina, que enxerga danos ao ambiente e ao patrimônio turístico. Geólogos da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, consultores e especialistas auxiliaram a construir um painel estarrecedor de irregularidades, desrespeito aos cidadãos e violações flagrantes de dispositivos legais. Entre as principais acusações já consolidadas contra a Nestlé, anotam-se:


A fonte Oriente, que não existe mais

1) Destruição da Fonte Oriente A Nestlé demoliu a Fonte Oriente, a mais antiga da história da cidade, erguida em 1892, para ampliar a unidade fabril alojada no interior do Parque. Talvez para compensar, uma das três águas comercializadas e exportadas chama-se Oriente.

2) Secamento de fonte A fonte da água magnesiana, a mais procurada e consumida, secou há três anos, depois de mais de cem anos de regularidade. Seu fim coincide com a superexploração do Poço Primavera, de onde a Nestlé obtém a matéria-prima da água Pure Life, carro-chefe internacional da conquista do primeiro lugar mundial entre os fabricantes de "águas com sais adicionados". Técnicos da Nestlé afirmaram em audiência pública que "não há no momento tecnologia para recuperá-la". Para secá-la, parece que houve. A da Fonte Vichy, só ocorrente, no planeta, no Parque e na cidade francesa de Vichy, vai pelo mesmo caminho: é a próxima a secar, a julgar pela drástica redução do seu volume de afloramento.

3)Expansão da fábrica A unidade fabril foi expandida em 300%, e a obra foi feita sem a passagem completa pelos procedimentos administrativos públicos e sem licenciamento ambiental. Isso permitiu à Nestlé, por exemplo, cortar árvores antigas do Parque, sem qualquer consulta aos órgãos ambientais responsáveis. O memorial descritivo da obra previa a construção de fossa séptica, cujo conteúdo seria dispersado num ambiente de formação de águas potáveis.

4)Redução da área de lazer A expansão da fábrica eliminou tradicionais áreas de lazer do Parque: os campos de bocha, o campo de futebol, o parque infantil, até agora não repostos.

5)Construção de muralha Uma muralha de mais de quatro metros de altura foi construída, também sem licenciamento, em volta da nova fábrica, com estacas de concreto que avançam até 7 metros no solo. A obra compromete os lençóis freáticos superficiais que desempenham papel vital na caminhada das águas até os aqüíferos mais profundos.

6)Perfuração de poço Um poço de grande vazão, de 158 metros, foi perfurado, sem autorização do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão do Ministério das Minas e Emergia (MME), e deixado mais de um ano jorrando sem uso. A água, absolutamente especial, foi considerada "a mais mineralizada até agora descoberta no país", mas seu altíssimo teor de ferro tornava-a imprópria para embalagem e consumo. A eliminação do excesso de ferro não encontra abrigo na legislação brasileira.


A Pure Life, da Nestlé

7) Desmineralização de água Essa água mineral com elevado teor de ferro passou a ser usada, ilegalmente, pela Nestlé, após a retirada de todos os elementos e compostos minerais, para a produção da água Pure Life, que é do gênero "água comum adicionada de sais". As leis brasileiras proíbem o uso de águas minerais para a fabricação desse gênero de água. Em geral, águas como a Pure Life são produzidas com a chamada água de torneira, ou mesmo a água retirada de rios, que, depois de "purificada", recebe alguns sais fabricados industrialmente. O procedimento da empresa, além de desrespeitar leis, incorre em crime ambiental por destruir, sem amparo legal, água mineral que ela mesma reconhece como "altamente mineralizada". A empresa não explicou até agora o destino que dá aos minerais e substâncias retirados.

8) Fechamento do balneário O balneário alojado no Parque tem sido fechado em razão de falta de água e de médicos que orientem os usuários.

9) Redução da pressão das fontes As fontes do Parque vêm apresentando redução de pressão e de volume de saída da água.

10) Alteração do sabor As águas têm sido consideradas diferentes das antigas, por usuários que há tempos delas fazem uso. Têm sido constatadas notáveis alterações na salinidade e no sabor, o que sugere alterações na composição química. Os depoimentos citam insistentemente "perda de sabor" e "pouca diferença entre as águas".

11)Afundamentos do solo Em alguns pontos do Parque têm sido registrados afundamentos do solo.

12) Trincas em construções Colunas e algumas paredes de fontes e construções têm apresentado trincas.

Os itens de 9 a 12 acham-se, conforme as análises técnicas indicam, unidos por um fator comum: a redução da capacidade dos aqüíferos. À medida que grandes volumes de água são retirados de um ecossistema desconhecido e delicado como o do subsolo do Parque, a ocorrência desses fenômenos parece indicar fatos como a redução dos elementos de sustentação do solo e a incapacidade de recomposição da composição química usual da águas.

O futuro das águas

São Lourenço é o quarto menor município do país. Com apenas 51 km2, não possui zona rural. Sua economia está, desde as origens, associada e intimamente vinculada às águas medicinais do Parque. Dores, reumatismos, hipertensão, arteriosclerose, distúrbios de estômago e intestinos e outros males têm encontrado cura com o uso de suas águas e de banhos de lama, duchas e saunas. Suas águas gasosas, magnesianas (?), alcalinas, sulfurosas, ferruginosas e outras são características de raras regiões anteriormente vulcânicas, caso também de Poços de Caldas. Seu clima é ideal para curas de males associados ao sistema respiratório. Em resumo: cidade e águas são um conjunto solidário, um não existe sem o outro.

A Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA) instituiu em 1982 um rol anual, a Lista Suja de empresas que concorrem para a degradação ambiental. No ano passado, entre seis premiados na Lista Suja, a Nestlé ficou em honroso quinto lugar. Para a AMDA, a Nestlé mereceu a distinção, além das razões apontadas, por "enriquecimento ilícito, violação do subsolo, atropelamento da nossa cultura, desobediência às leis ambientais, desprezo por nossa história, ameaça à ordem econômica de toda uma cidade".

Adelino Gregório Souza, quando era chefe do Setor de Águas Subterrâneas do DNPM/MME, recomendou a interdição da exploração e do engarrafamento de águas pela Nestlé até que se verificasse a situação legal do cipoal de contravenções em que a empresa vinha e vem incorrendo. Uma semana depois de assinar seu laudo, foi exonerado sem explicações. Hoje, é chefe da Secretaria de Recursos Hídricos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em longo telefonema ao jornalista Hélio José Marques, nascido na cidade, declarou: "As águas de vocês aí, em São Lourenço, não devem durar muito. Talvez cinco ou seis anos mais".

O prefeito da cidade, apelidado Nega Véia, contrariou decisão de associação dos municípios do Circuito da Águas, da qual São Lourenço faz parte, e foi o primeiro de uma estância a autorizar a produção da água Pure Life. Também tem autorizado a expansão da fábrica às custas do Parque e da sobrevivência das águas. Parte do Legislativo o apóia.

Esgotadas as águas, a Nestlé vai abandonar a cidade então sem futuro e procurar outros lugares para fabricar lucros. À sua espera, com certeza, estará outra cidade a ser infelicitada. E outro prefeito com o mesmo perfil.

Chico Villela é escritor e editor. A reportagem foi publicada originalmente no jornal "O Sul de Minas" e também no site Emcrise, parceiro da Novae
Fonte: Pitacos, Achados & Perdidos

Algumas coisas interessantes aconteceram, mas faltou tempo para escrever.
Agora, as reuniões da Câmara têm sido um espetáculo a mais. Vereadores da situação com um discurso de oposição para deixar Heloísa Helena corada! As eleições se aproximam e agora é hora de decidir de que lado do muro ficar, apesar de alguns já estarem tão acostumado com o pico do muro, que vai ser difícil tirar eles de lá.



Que mais????



Ah, sim... A TV suiça esteve em São Lourenço fazendo um documentário sobre a exploração das águas pela Nestlé. Acompanhei algumas entrevistas e, sinceramente, não gostaria de estar na pele dos diretores brasileiros da empresa. A impressão que vai chegar na terra natal da Nestlé não é das melhores.

Fotos pra vocês terem uma idéia do que tá rolando em Sâo Lourenço:


Não vamos trocar o ouro líquido pelo show do
milhão



Nair Ribas D'Ávila*



A audiência pública realizada ontem (30/04) na cidade de Sao Lourenço
-MG, contra a exploraçao indevida das Águas Minerais da Cidade
pela multinacional Nestlé foi um show de moralidade da política
e do Poder Judiciário nacional.



Quem esteve presente naquela de dois anos atrás, sob o governo anterior,
e ficou enojado diante da conivência dos órgaos públicos
e fiscalizadores com os atos da Nestle, saíu desta de alma nova e cheios
de esperança.



Parece que a era da subserviência estrangeira acabou: não trocamos
mais ouro por espelhinhos e quinquilharias; não vamos trocar o ouro líquido
pelo show do milhão.



Conforme colocado na audiência, o Governo Lula prioriza a água
e, especialmente, a mineral, por ser um recurso nobre, que poucos países
possuem e que pretende ser alvo do governo para situar o Brasil no mercado internacional,
segundo palavras do representante do Departamento Nacional de Produçao
Mineral, sr. Joao Cesar....



A Empresa de Águas-Nestlé (que está sendo investigada por
irregularidades na exploração da Água Nestlé Pure
Life- água sintética) fabrica, a partir de uma água mineral,
curativa (rica em ferro e lítio), para a qual não tem autorizaçao
nem do Ministerio de Minas e Energia, tampouco do Ministerio da Saude, foi dura
e severamente atacada pelos políticos, órgãos fiscalizadores
e cidadãos presentes no auditório lotado da Câmara Municipal.

O processo judicial incrimina a ré Nestle por ilegalidade na exploração
do poço Primavera, por irracionalidade, ou seja, desmineralizar uma água
mineral curativa para fabricar uma água sintética, o que também
contraria legislação nacional; e por crime ambiental, uma vez
que atuam em área considerada santuário ecológico (devido
às condições especiais geológicas que a natureza
ali propiciou, sem estudo de impacto ambiental, obrigatório pela legislaçao
brasileira.

Nas conclusões dos trabalhos dessa audiência, os políticos
presentes assumiram formalmente o compromisso de:



1. solicitar a paralisaçao da exploração desse poço
que é a provável causa do desaparecimento da fonte de água
magnesiana do Parque das Águas, do fechamento constante da água
Vichy e do desaparecimento do sabor e diminuiçao da vazão das
demais fontes;



2. solicitar à Corregedoria de Justiça o pronto julgamento do
Recurso denominado Agravo de Instrumento que se encontra parado há mais
de um ano na mesa de algum Desembargador de Belo Horizonte;



3. revisar o Código de Águas Minerais e legislaçao especidfica
para as Estâncias Hidrominerais.



Representantes do Departamento Nacional de Produçao Mineral de Brasilia
já estão atuando dentro do parque e prometeram que, em 30 dias,
darão uma resposta concreta à população.



* Fundadora do Movimento Cidadania pelas Águas

Fonte: Cidadania Pela Águas
Galera,um mês vivendo em São Lourenço,casaalugada e enfrentando a batalha.Já tô íntimo do babado.

quinta-feira, junho 05, 2003


E-mail por mim recebido via Cidadania pelas águas e enviado aos seguintes deputados:
dep.bassuma@camara.gov.br ; dep.beneditodelira@camara.gov.br ; dep.benjaminmaranhao@camara.gov.br ; dep.bernardoariston@camara.gov.br ; dep.betoalbuquerque@camara.gov.br ; dep.bismarckmaia@camara.gov.br ; dep.bisporodrigues@camara.gov.br ; dep.bispowanderval@camara.gov.br ; dep.bonifaciodeandrada@camara.gov.br ; dep.boscocosta@camara.gov.br ; dep.cabojulio@camara.gov.br ; dep.carlitomerss@camara.gov.br ; dep.carlosabicalil@camara.gov.br ; dep.carlosalbertolereia@camara.gov.br ; dep.carlosdunga@camara.gov.br ; dep.carloseduardocadoca@camara.gov.br ; dep.carlosmelles@camara.gov.br ; dep.carlosmota@camara.gov.br ; dep.carlosnader@camara.gov.br ; dep.carlossampaio@camara.gov.br ; dep.carlossantana@camara.gov.br ; dep.carlossouza@camara.gov.br ; dep.carloswillian@camara.gov.br ; dep.celcitapinheiro@camara.gov.br ; dep.celsorussomanno@camara.gov.br ; dep.cesarbandeira@camara.gov.br ; dep.cesarmedeiros@camara.gov.br ; dep.cezarschirmer@camara.gov.br ; dep.cezarsilvestri@camara.gov.br ; dep.chicoalencar@camara.gov.br ; dep.chicodaprincesa@camara.gov.br ; dep.cironogueira@camara.gov.br ; dep.claudiocajado@camara.gov.br ; dep.claudiomagrao@camara.gov.br ; dep.cleonanciofonseca@camara.gov.br ; dep.cleubercarneiro@camara.gov.br ; dep.clovisfecury@camara.gov.br ; dep.colbertmartins@camara.gov.br ; dep.colombo@camara.gov.br ; dep.confuciomoura@camara.gov.br ; dep.coraucisobrinho@camara.gov.br ; dep.coriolanosales@camara.gov.br ; dep.coronelalves@camara.gov.br ; dep.costaferreira@camara.gov.br ; dep.custodiomattos@camara.gov.br ; dep.danielalmeida@camara.gov.br ; dep.darcicoelho@camara.gov.br ; dep.darcisioperondi@camara.gov.br ; dep.davialcolumbre@camara.gov.br ; dep.deley@camara.gov.br ; dep.delfimnetto@camara.gov.br ; dep.devanirribeiro@camara.gov.br ; dep.dilceusperafico@camara.gov.br ; dep.dimasramalho@camara.gov.br ; dep.dr.beneditodias@camara.gov.br ; dep.dr.evilasio@camara.gov.br ; dep.dr.franciscogoncalves@camara.gov.br ; dep.dr.heleno@camara.gov.br ; dep.dr.helio@camara.gov.br ; dep.dr.pinotti@camara.gov.br ; dep.dr.ribamaralves@camara.gov.br ; dep.dr.rodolfopereira@camara.gov.br ; dep.dr.rosinha@camara.gov.br ; dep.dra.clair@camara.gov.br



Exmos. Sr. Deputados; Exmas. Sras. Deputadas:



Para seu conhecimento e possível colaboração.

Informo que a questão acha-se em julgamento.
O promotor público e curador do Meio Ambiente de São Lourenço,
dr. Pedro Paulo Barreiros Aina, instruiu ação civil pública.
A Nestlé argüiu, e seus argumentos foram desmontados pelo dr. Aina.
O sr. juiz da Comarca deu despacho favorável à Promotoria.
A partir daí, o processo engastalhou num tribunal em Belo Horizonte.
Ocorre que, a ser considerada a opinião do técnico do DNPM,
citado ao final deste texto, a cidade não tem mais muito tempo
para preservar suas águas e garantir seu futuro, que delas depende.

Ontem o site www.rpnvale.com.br noticiou que cidadãos de São Lourenço,
organizados no autônomo Movimento de Cidadania pelas Águas,
estão denunciando pressões da Nestlé sobre o ministro sr. Graziano.
A Nestlé vem colaborando com milhões para o Programa Fome Zero.
Segundo a denúncia dos cidadãos, quer algo em troca: o silêncio do governo.
O site informa também que o Movimento de Cidadania de São Lourenço
irá manifestar-se durante o próximo Fórum das Águas de Poços de Caldas,
no qual estarão presentes o exmo. sr. presidente da República e ministros.

Esses fatos, absolutamente graves, exigem posição dos nossos representantes.
Pelo respeito que tenho pela sua atuação, dirijo-lhe esta mensagem.

Francisco Villela
RG 3685019 SSP/SP

sexta-feira, maio 23, 2003

Fonte:


OGlobo

Renato Mauricio Prado



Patéticos palhaços



Sentaram-se à mesa com a arrogância e a empáfia do jogador de pôquer que tem nas mãos um “royal straight flush”. A banca pagou pra ver e o que surgiu foi um “real (e) estrito blefe”. Era uma pantomina. Mais uma dos cartolas do nosso futebol, que não perdem oportunidade para demonstrar o horror que têm a duas palavras: responsabilidade e punição. Delas fogem como o diabo da cruz.

Tudo o que querem é continuar a dirigir os seus clubes, federações e confederações de maneira irresponsável e impune — como fazem há décadas.

Todos estão ricos enquanto os seus clubes estão falidos. Agora, não se conformam com a nova realidade e insistem em lutar contra a vontade da grande maioria — expressa nas novas leis. Transformaram-se em personagens patéticos.

Patéticos palhaços.


***


Toda esta polêmica sobre a responsabilizaçâo dos dirigentes por brigas de torcedores num raio de cinco quilômetros do estádio é cortina de fumaça.

Tal responsabilização não existe e o que os cartolas querem mesmo é continuar a não divulgar público e renda dos jogos (por que será, hein?); a não publicar balanços e nem prestar contas de transações e movimentações de dinheiro, para o exterior, inclusive.

Lutam para seguir manipulando tudo a seu bel-prazer: arbitragens, tribunais, regulamentos etc. E o torcedor que se dane.

Pois, desta vez, danaram-se eles. Por que agora qualquer um que se sentir prejudicado poderá buscar seus direitos na Justiça.

A tragicomédia de anteontem serviu para deixar isso bem claro. Minha caixa postal amanheceu entupida de gente se dizendo disposta (e organizada!) a processar clubes, TVs, CBF, o diabo. E a argumentação era simples: baseava-se no cristalino fato de que já tinham pagado pelo espetáculo (que podia ser cancelado), através do “pay-per-view”.


***


A greve poderia ter ajudado o Governo a fazer, de uma tacada, a limpa de que o futebol brasileiro tanto necessita. Dirigente que desrespeitar a lei pode (e deve!) ser deposto e impedido de atuar no esporte nos próximos 10 anos. Confesso: eu já estava quase torcendo pela paralisação...


***


E o Ornitorrinco, que anuncia que por causa do Estatuto do Torcedor o preço dos ingressos subirá “seis vezes”? Olho na Federação do Rio, ministro! Na primeira irregularidade (oportunidade não faltará!), ajude a libertar o futebol deste fóssil vivo!


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Não interessa de quem foi a idéia: os oito clubes que a assumiram (Atlético-MG, Atlético-PR, Cruzeiro, Fluminense, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco) caíram no ridículo, juntamente com a CBF. E o Flamengo, que assinou e, no dia seguinte, voltou atrás, também pagou o maior mico! Super-Helinho e David Fischel se igualaram aos euricos e aos caixas d’água...


***


Eu queria estar escrevendo hoje somente sobre o golaço (autêntica obra prima!) que Diego fez, por cobertura, no jogo pela Libertadores, no México! E também sobre o gol feito que Fábio Baiano perdeu, na Copa do Brasil, no Recife — justamente por querer exibir a categoria que, ao contrário do craque do Santos, ele não tem. Queria...


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Ainda o jogo do Flamengo com o Sport. Tomara que o gol desperdiçado por Fábio Baiano (que ainda atrapalhou o Edílson em outra jogada!) não faça falta no Maracanã, onde o time costuma passar sufoco.

Ainda assim, a vitória por 1 a 0 (com um belo gol, que o tira-teima provou ser LEGAL) foi ótimo resultado e mais uma prova de que Nelsinho está mudando a cara da equipe. Pra melhor!


***


Em época de modernização, nada como se espelhar nos esportes que estão tecnologicamente mais avançados. Exemplo: o vôlei já usa a súmula eletrônica, que poderá ser acessada durante os jogos da seleção brasileira, na Liga Mundial, a partir de amanhã, em São Paulo. O acesso à súmula se faz pelo site da CBV em www.cbv.com.br.


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Mais vôlei. Será lançado, na próxima segunda, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, “Sacando para a vitória”, o livro de Ari Gomes — um dos maiores fotógrafos de esportes do país em todos os tempos.

Trabalhando para a CBV, Ari acompanha o vôlei, na praia e na quadra, desde 1991. Os textos que acompanham as mais de 300 fotos e contam a vitoriosa história do esporte no Brasil são de Ester Lima e o prefácio deste colunista, admirador e amigo da dupla de brilhantes jornalistas, com quem tive a honra de trabalhar no GLOBO, no JB e na Placar.


***


Flávio Fernandes, o tenis-ta Totó, ataca no basquete.

“Nenê Hilário, que está jogando na NBA, constituiu advogado e ganhou na Justiça o direito de, na proxima temporada, ser chamado somente de Nenê, como era no basquete daqui.

“Mas justamente agora que ele está mais hilário que nunca naquela propaganda de prevenção contra a AIDS? Nenê, além de craque, é mesmo Hilário em todos os sentidos...”


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Você gosta de F-1 e de automobilismo em geral? Então anote aí a dica do meu amigo Nelson Ricciardi, um craque no assunto e na Internet: www.crash.net.


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Pipocou, ex-deputado? Ah, não estou lhe reconhecendo! Proíbe o Vasco de jogar amanhã, proíbe... Como dizia Clint Eastwood, na pele de Dirty Harry, em “Sudden Impact” (aqui chamado de “Impacto Fulmimante”): “Go ahead, make my day!”

terça-feira, maio 13, 2003

Fonte: Pitacos, Achados e Perdidos

Já dizia o Chico: chame o ladrão!





Tenho acompanhado bem pouco os noticiários, porque minha pequena São Lourenço tem me dado aborrecimentos suficientes, portanto, guardo minha escassa paciência para esta cidade onde decidi morar há 10 anos. Mas não pude deixar de fixar minha atenção, numa rápida passagem em frente à tv, nas palavras de um cidadão que todos nós conhecemos, o ex-Governador Garotinho, que assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.



Com a graça dos deuses, eu escapei da minha terra natal na entre-safra entre Leonel Brizola e Garotinho... São aquelas coisas que quem é carioca gostaria de esquecer... Mas ainda dá pra lembrar que em Minas tem Newton Cardoso e em São Paulo tem Paulo Maluf. Vejam vocês! Tem gente em situação bem pior que a nossa, sejamos solidários!



Mas, voltando à matéria de tv, fiquei totalmente catatônica ao ouvir uma suposta explicação do Garotinho ¿ suposta porque ele tentou explicar muito tempo sem se fazer entender ¿ definindo os culpados pelo estado de violência generalizada no Rio de Janeiro. Depois de muito enrolar, o Secretário de Segurança Pública quase me convenceu de que, ao contrário do que eu imaginava, a culpa da violência nem é da omissão do governo, nem da falta de estrutura da polícia, muito menos do traficante ou dos viciados que consomem drogas e alimentam o governo paralelo do crime. A culpa é dos pais dos doidões.



Olha, tudo bem, eu sou jornalista, não sou louca de colocar palavras e conclusões na boca dos outros e não vou, mesmo em um blog como este, que está longe de ser um veículo de imprensa, afirmar que o Garotinho falou isto ou quis dizer isto. Mas que ele tentou, tentou. Não sou uma pessoa com dificuldade de entender as coisas, aliás, pego tudo no ar e rapidamente. E me vi parada, apatetada em frente à tv, repetindo ¿agora eu descobri: a culpa é do pai do doidão...este irresponsável!¿



Estou levando o papo na brincadeira, mas a coisa é séria de verdade. Se um Secretário de Segurança Pública não consegue se articular direito, a ponto de transmitir este tipo de mensagem, sendo esta ou não a sua intenção, tem algo muito errado acontecendo no Rio de Janeiro. Principalmente, levando-se em conta que articular todas as polícias e criar alternativas para proporcionar maior segurança à população é tarefa anos luz mais complexa.



O que está errado com a estrutura de segurança do Rio é o mesmo que está errado na segurança de São Lourenço. A diferença é basicamente: tamanho da área para se ¿trabalhar¿ e tempo de atuação da multimilionária holding do crime. O começo, se não me falha a memória, é o tal paternalismo, o assistencialismo... Isto misturado com aquela coisa de passar a mão na cabeça do moleque que cometeu um pequeno delito como se aquilo fosse traquinagem normal ou político ir tirar marmanjo da cadeia por favor eleitoreiro (alguém tá reconhecendo uma situação semelhante em São Lourenço?). Depois, começa a impunidade, o descaso, os cidadãos ao invés de ocuparem seus espaços nas ruas, se sentem abandonados pelo Estado e se trancam em casa, e a rua vira território de bandido.



O fim da história a maioria conhece, mas é que eu, como carioca, conheci o comecinho da história e resolvi contar. O bairro onde passei a maior parte da infância e adolescência, o Grajaú, era um tradicional bairro de militar (eu fui vizinha de um Ministro do Exército!!!!), calmo, tranqüilo, onde a coisa mais agitada que acontecia era noiva toda enfeitada pagando mico em chá de panela, andando pelas ruas, com as amigas rindo em volta. Hoje, a pracinha principal tem uma cabine da PM, com duas entradas com estacionamento para viaturas, o chafariz foi concretado e duvido que alguma criança tenha o prazer de brincar de bolinho de areia ali, como eu cansei de fazer. Olhando para este palco de horror que se transformou a praça está Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a na torre da igreja matriz, que parece não ter conseguido perpetuar a sua proteção a um dos bairros mais belos da cidade do Rio de Janeiro.



Mas, a culpa deve ser mesmo do pai do doidão. A responsabilidade foi para a outra ponta da ¿linha de produção¿. O problema, provavelmente, foi do pai, que transmitiu uma carga genética ao filho que fez com que ele se tornasse um desocupado que resolveu usar drogas. Com isto, ele começou a comprar um fuminho bom com um amigo, avião, que por sua vez enriquecia o traficante fornecedor. O policial, mal preparado e mal pago, sem conseguir ir contra, acabava juntando-se a eles, criando a rede de corrupção, que acabava também envolvendo grandes autoridades, políticos renomados e empresários multimilionários. Mas pensar neste povo é bobagem, todos eles são inofensivos. O grande vilão, o bandidão, o culpado é o pai do doidão. Tsk...tsk...tsk...



Com este tipo de linha de raciocínio e numa cidade como o Rio de Janeiro, que está chegando num ponto que talvez só mesmo ¿puxando a descarga¿, ao ouvir o Garotinho nesta entrevista, não pude deixar de me lembrar que numa época em que quem arrombava portas era o DOPS e o DOI-CODI, e para fazer coisa bem pior do que roubar, melhor mesmo era seguir a recomendação do Chico em sua música: ¿Chame o ladrão! Chame o ladrão!¿ Pelo amor de Deus, gente, chama o pai do doidão!!!! Ele dá pra gente encarar...Já o resto...

Fonte: Pitacos, Achados e Perdidos



Matéria Base da Publicada no Jornal Correio do Papagaio (35 3332-1008)

Audiência Pública reflete os resultados da luta em defesa das águas



Claudia Mello Gonçalves

No dia 30 de abril, aconteceu, na Câmara Municipal de São Lourenço, a
Audiência Pública para discutir a questão da privatização da água, uma
iniciativa dos Deputados Estaduais Rogério Correia (PT) e Laudelino Augusto
(PT) na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.



O Legislativo Estadual esteve representado através da Deputada Maria José
Haussein (PT), presidente da Comissão de Meio Ambiente e do Deputado Ronaldo
João da Silva (PDT), além dos dois Deputados proponentes da Audiência.
Também esteve presente o Deputado Federal Odair Cunha (PT), que vem apoiando
o movimento em defesa das águas do sul de Minas.




A discussão, que envolveu todas as questões ligadas à água e sua exploração,
teve como foco central o caso de São Lourenço, onde a comunidade demonstra
insatisfação em relação ao que vem sendo feito pela empresa Nestlé,
proprietária do parque e da Empresa de Águas São Lourenço. Estavam presentes
diversos representantes da empresa, dentre eles o Gerente Industrial da
Empresa de Águas São Lourenço, Marcelo Marques.



Segundo o Deputado Federal Odair Cunha, a questão da água mineral é uma
questão mundial e, hoje, o DNPM ¿ Departamento Nacional de Produção Mineral
já possui estudos que indicam que há super-exploração em São Lourenço.
Odair, que já levantou a discussão na Câmara Federal, repetiu durante a
audiência o seu apelo: ¿Eu tenho certeza que a Nestlé, que é uma grande
empresa, que já é nossa parceira na superação da fome e da miséria neste
país, também será parceira dos homens e mulheres de bem, que querem não só o
pão para todos, mas também querem a água para todos. Eu tenho certeza que a
Nestlé vai ouvir o nosso clamor e nós faremos com que a lei se cumpra. Pois
mesmo se não ouvirem, a lei será cumprida¿.



João Bosco Senra, representante do Ministério do Meio Ambiente, declarou em
nome da Ministra Marina Silva, o total apoio na busca de soluções para o
caso e afirmou que no Conselho Nacional de Recursos Hídricos um grupo de
trabalho voltado para a questão das águas minerais já foi reativado, quatro
reuniões já foram feitas este ano e existe um firme propósito de se incluir
a água mineral na legislação dos recursos hídricos, já que, atualmente, ela
é de inteira competência do Ministério das Minas e Energias, estando sob
fiscalização do DNPM.



O Promotor e Curador do Meio Ambiente de São Lourenço, Pedro Paulo Aina, fez
uma síntese de todo o processo que envolve o inquérito e a ação civil
pública, de sua autoria, trazendo ao público presente algumas conclusões
consideradas oficiais pelo Ministério Público: há ilegalidade na exploração
na água; há super-exploração do aqüífero, causando danos; há ilegalidade no
processo de desmineralização da água do Poço Primavera e está configurado o
uso irracional de um recurso natural.



Pedro Paulo Aina está aguardando que a perícia, exigida na ação, seja feita
e como todos os prazos oficiais já foram vencidos, o juiz Oílson dos Santos
já emitiu uma intimação para que o perito, o professor Aldo Rebouças, inicie
os seus trabalhos.



Quem acompanhou a primeira Audiência Pública, pôde perceber a diferença de
postura do representante do DNPM. Assumindo a função a partir de fevereiro
deste ano, João César de Freitas Pinheiro, deixou claro que a partir de
agora a questão da exploração das águas em São Lourenço e demais municípios
será vista com cautela, com o suporte técnico necessário, mas também através
da integração com as comunidades locais, que serão ouvidas e terão
participação ativa nas decisões tomadas. ¿Não queremos beneficiar este ou
aquele grupo empresarial, queremos reverter a riqueza destes recursos
naturais em benefício do país. Este é o novo DNPM: que quer unir pesquisas e
estudos, dados técnicos, mas também quer ouvir todas as informações reunidas
pelas comunidades envolvidas diretamente nestas questões¿, afirmou João
César.



Outra importante participação nesta Audiência foi do representante do
Ministério Público Federal, Afrânio Nardi, que fez a seguinte declaração em
relação ao processo de autorização da exploração do Poço Primavera:
¿apuramos que existem alguns aspectos extremamente nebulosos no que diz
respeito ao licenciamento ambiental deste empreendimento¿. Nardi continua
seus questionamentos em seguida: por que este empreendimento não foi
submetido ao procedimento de licenciamento prévio? Por que não foi feito um
estudo de impacto ambiental?



O representante do Ministério Público afirmou: ¿É preciso salientar que o
estudo de impacto ambiental não é somente um procedimento técnico, ele é um
importante instrumento de política ambiental, que tem ênfase na participação
da sociedade no processo de licenciamento. Ele é uma manifestação do
princípio democrático no âmbito da adoção das políticas ambientais. E o
Ministério Público está reunindo um conjunto de elementos que mostra, cada
vez mais, que a população não teve a possibilidade de participar
adequadamente da decisão sobre a implantação desta atividade aqui em São
Lourenço¿.



Nardi declarou que através de estudos e pesquisas constatou-se que o que
ocorre em São Lourenço também vem ocorrendo em diversas cidades de todo
mundo, através dos empreendimentos da multinacional Nestlé, o que deixa bem
claro a forma como a empresa direciona a sua atuação no setor de exploração
de águas.



Cássio Mendes, vereador do PT em São Lourenço, e conselheiro do COPAM -
Conselho de Política Ambiental de Minas Gerais, envolvido com a questão em
todo o Circuito das Águas, fez um discurso emocionado, apresentando um
histórico da formação da cidade de São Lourenço, que foi criada e
desenvolvida através da valorização de suas águas minerais e seu poder
curativo. Neste processo de crescimento do município, estava presente, a
princípio, uma Empresa de Águas integrada à comunidade, que respeitava os
limites de vazão de cada fonte, postura que mudou radicalmente com a
aquisição da empresa pela Nestlé. Indignado, Cássio Mendes também ressaltou
a ação do poder financeiro da multinacional sobre qualquer visão que
respeite a preservação de um recurso natural de tamanha importância, como é
o caso da água mineral, e sobre os anseios da comunidade local.



Responsável pelo desenvolvimento de uma série de projetos ligados à
preservação ambiental, o professor Franklin Frederick informou o apoio que o
movimento de defesa das águas minerais do sul de Minas vem recebendo de
diversas instituições internacionais e declarou: ¿assim como eu queria
agradecer ao presidente Bush por ele ter feito o mundo inteiro lutar pela
paz, eu gostaria de agradecer à Nestlé por ela ter feito o mundo inteiro
lutar pela água¿.



O desfecho da Audiência Pública trouxe a teoria à prática, com o apontamento
de propostas concretas a serem realizadas a partir de agora. O representante
do DNPM anunciou que técnicos já estão fazendo vistorias no Parque das Águas
de São Lourenço e que terão um prazo de 30 dias para apresentar um
relatório, que será encaminhado pela Diretoria do órgão em Minas Gerais ao
DNPM em Brasília. João César também afirmou que, após todas as informações
que teve acesso através da audiência, fará ¿formal e juridicamente¿
exigências à empresa, além de rever todas as autorizações e licenciamentos
já liberados em gestões anteriores.



João Bosco Senra levará ao Ministério do Meio Ambiente a sugestão de que
sejam realizadas reuniões em São Lourenço, no mês de julho, com os membros
das Câmaras Técnicas e a participação da comunidade. Já o Deputado Federal
Odair Cunha pediu ao representante do DNPM que, após a apresentação do
relatório técnico, representantes deste órgão venham a São Lourenço expor
suas conclusões e afirmou que pelo princípio da prevenção, emitirá o
requerimento para que haja a paralisação da extração de águas do Poço
Primavera, até que relatórios conclusivos sejam apresentados.



O que aconteceu com o agravo enviado pelo juiz Oílson dos Santos, há mais de
um ano? Esta foi a pergunta do vereador Cássio Mendes e a sua proposta foi
no sentido encaminhar à Corregedoria este questionamento, verificar porque
nada foi feito durante todo este tempo. Já o Deputado Laudelino Augusto
propôs a criação de uma Frente Parlamentar para discutir a questão, com a
participação do Ministério Público e da comunidade.



O representante da COMIG, Marcelo Arruda, anunciou que a Licitação para a
privatização das águas minerais de Araxá, Caxambu, Lambari e Cambuquira,
realizada em 2001 não foi adiada, ela foi cancelada. E que em reunião com
representantes da Secretaria e Desenvolvimento Econômico, na COMIG, ficou
definido que a discussão estará aberta à comunidade para qualquer decisão
futura em relação às águas.



Os representantes da Nestlé presentes à Audiência não conseguiram responder
de forma satisfatória às perguntas feitas, ao invés disto, preferiram falar
de suas atividades de incentivo à Universidade de Viçosa, seus investimentos
no programa São Lourenço 100% Qualidade de Vida e afirmar, apesar de todas
as provas mostrarem o contrário, que o relacionamento da empresa costuma ser
muito bom com as comunidades onde são implantadas suas fábricas. O discurso
dos representantes da Nestlé também repetiu o que já foi dito em diversas
outras situações: eles não estão fazendo nada de errado, a empresa está
dentro da lei. Mas desta vez ficou mais difícil convencer o público
presente, pois as provas ficam cada vez mais evidentes contra a empresa.



Pelas declarações feitas tanto por representantes do Legislativo, quanto do
DNPM e Ministério do Meio Ambiente, a discussão sairá de São Lourenço e
passará por Belo Horizonte e Brasília, através de órgãos fiscalizadores,
Judiciário, Legislativo e Executivo.



No encerramento da reunião, o Deputado Rogério Correia fez uma avaliação da
Audiência Pública e declarou quais são as suas perspectivas a partir deste
momento: ¿Eu acho que a consciência pública, atualmente, é muito maior, não
fosse isto, nós não teríamos conseguido barrar junto com o Ministério
Público e a mobilização da população do Circuito das Águas o processo de
licitação nas outras cidades. Isto foi uma vitória importante, às vezes a
gente não assinala as vitórias, os avanços...e são avanços importantes.
Hoje, a Nestlé não vai conseguir continuar fazendo a super-exploração das
águas, como faz aqui. Ela vai ter que, se não dar um fim completo, ao menos
minimizar e muito os danos que vem causando à cidade. Acho que isto ficou
muito claro. Tanto os representantes do Ministério de Minas e Energia,
através do DNPM, como do Ministério do Meio Ambiente, presentes hoje na
reunião, deixaram muito clara esta sinalização. Então, nós agradecemos muito
à Nestlé por estar ajudando no programa Fome Zero, mas isto não significa
que ela pode continuar fazendo algo ilícito na cidade. Isto o PT tem muita
consciência e o Governo Lula també
Aliás povo eu sou agora um São Lourenense honorário, mais detalhes quando eu tiver tempo ou saco. Aliás vou publicar as mais novas sobre as Águas de SL.
Galera,

Recebi esse convite de um grande amigo de São Lourenço e gostaria de convidar vocês pra essa aventura.

"Olá pessoal!

Esse final de semana dia 16,17 e 18 de maio estaremos indo para a "Pedra da
Mina", o ponto mais alto da Serra da Mantiqueira 2.797m, o 4° mais alto do
Brasil, ganhando das Agulhas Negras após nova aferição, feita em 2001.
Os interessados nessa aventura de 3 dias entre em contato conosco, ainda temos 3
vagas.
Maiores informações: (35) 3332-8118
Valor: R$ 80,00 p/ pessoa.

Abraços!

Neto"

domingo, abril 20, 2003

Cara, eu publiquei essa carta no Observatório da imprensa em 17/07/2002. Nada. Espero que dessa vez role algo:

MÍDIA OMISSA
Nestlé, exploração predatória

Estou acompanhando há algum tempo, devido a ter relações pessoais com o grupo Cidadania pelas Águas de São Lourenço, a luta desta cidade contra a exploração predatória da multinacional Nestlé – proprietária do grupo Perrier e também da Companhia de Águas Minerais São Lourenço – das fontes de água mineral de São Lourenço. Percebo que o que não falta é denúncia da destruição do patrimônio histórico do Parque das Águas da cidade, exploração destrutiva das fontes, com desmineralização progressiva das águas e contínuo dano ao meio ambiente local em relação a esta exploração.

A omissão da mídia no episódio, em nível local e nacional, merece análise, dado que a empresa promove a ação idêntica em outras localidades no mundo, como na Itália, nos EUA e na Suíça, onde a exploração extinguiu em alguns anos a água mineral.

Precisamos de idéias para o rompimento desta barreira de silêncio.

Gilson Moura Henrique Junior
Cara, eu nunca fui muito mesmo de escrever opiniões e tais neste Blog, gosot mais de colocar notícias achadas aqui e alí, resultados de pesquisas e coisas afins. Só que o lance da Nestlé X SL me colocou que este Blog pode ser um artefato de condução de uma política clara de repúdio às atitudes da Nestlé.Pena que a grande imprensa não fale nada. Na medida do possível porei aqui todas as notícias achadas sobre o fato, espero que algum dia a grande imprensa veja realmente isso e não se toque apenas quando o desatre for inevitável.
Gente, como é que a agência Brasileira de Notícias coloca isso no site dela e nenhum dis grandes jornais fala nada sobre o problema das águas em São Lourenço? Tô pasmo.
Fonte: ABN
02/03/03:

Encontro Nacional da Imprensa promovido pela Fenai/Faibra movimentou São Lourenço (MG)

Jornalistas brasileiros e estrangeiros debateram temas ligados às águas, soberania brasileira, desenvolvimento do turismo e imprensa no século 21 e lançam o documento "Carta de São Lourenço".

BRASÍLIA (ABN) - O 6º Ciclo de Conferências da Imprensa Brasileira e o 12º Encontro Nacional de Associações de Imprensa realizado nos dias 29 a 30 março em São Lourenço (MG) movimentou a tradicional estância turística hidromineral do sul de Minas com presenças a interação física e virtual de jornalistas de todas as unidades da federação e delegações estrangeiras dos quatro continentes. De acordo com o jornalista J.H. de Oliveira Júnior, Diretor Superintendente e de Redação da Agência Brasileira de Notícias e presidente da entidade promotora do congresso, a Federação Nacional da Imprensa / Federação das Associações de Imprensa do Brasil (Fenai/Faibra), o encontro foi coroado de sucesso e uma oportunidade para que jornalistas de todos os cantos do planeta pudessem debater temas de suma importância para comunicadores no atual contexto mundial e de apresentarem propostas visando um mundo melhor.

Oliveira Júnior disse que o encontro, que este ano teve como tema central "Águas, Soberania Brasileira, Desenvolvimento Turístico e o Papel da Imprensa no Século XXI", apresentou temas palpitantes seguidos de calorosos debates, já que os conferencistas representavam toda gama de ideologia e pensamento.

Discriminação governamental - Walter Estevan Junior, presidente da Associação Brasileira de Revistas e Jornais (ABRARJ), defendeu maior participação da imprensa interiorana no bolo publicitário nacional, ressaltando que a grande imprensa, por si mesma, não é suficiente para atingir a todos os segmentos sociais, mas isto não é percebido pelo governo e sofre vista grossa das agências publicitárias de grande porte, cujos interesses são alheios aos das comunidades regionais.

Correspondentes estrangeiros - A mexicana Verônica Goyzueta, presidente da Associação dos Correspondentes Estrangeiros de São Paulo, correspondente do jornal Tiempos Del Mundo (EUA) e do jornal espanhol ABC, revelou que há hoje no Brasil 231 correspondentes estrangeiros, quase todos baseados no Rio de Janeiro e em São Paulo, e poucos em Brasília, o que decorre de uma visão estereotipada ainda existente no exterior sobre os assuntos brasileiros que merecem destaque internacional, visão esta que os correspondentes esperam corrigir com a produção de "fatos novos" decorrentes da eleição de Lula.

Imprensa Evangélica - O jornalista Natal Furucho, diretor da Folha Universal e revista Ester da Universal Produções, publicações ligadas a Rede Record de Televisão, e controlada pelo Sistema IURD de Comunicação da Igreja Universal do Reino de Deus, discorreu sobre o crescimento da mídia evangélica no Brasil, a partir de 1970, revelando que, graças a esse fenômeno, hoje há 124 mil templos evangélicos, 50 milhões de fiéis, dos quais cinco milhões pertencentes à Igreja Universal do Reino de Deus, que controla 40 órgãos de comunicação, sendo que a "Folha Universal", semanário, tem tiragem de 1,5 milhão de exemplares, distribuídos a 560 municípios. Já a revista Ester, que concorre no segmento das revistas femininas como Cláudia e Marie Claire, conta com uma tiragem média de 180 mil exemplares.

Manipulação da informação - Heitor Reis, engenheiro e articulista da ABN Agência Brasileira de Notícias criticou a plutocracia, domínio dos donos do capital, que, a seu ver, reina no mundo e manipula a informação, em detrimento da verdadeira democracia, esta compreendida na liberdade de expressão, livre acesso à informação e circulação de idéias e distribuição igualitária de oportunidades a todos os povos da terra.

Valores éticos - Nelson Barreto, da Agência Boa Imprensa, denunciou a distorção dos valores éticos e morais da sociedade, patrocinada pelas emissoras de televisão, produções cinematográficas e reclames publicitários com graves reflexos na formação da criança brasileira e na estabilidade das instituições, entre as quais a família, a seu ver a principal vítima da permissividade das mídias de entretenimento e de consumo.

Barreto não defendeu a censura prévia, mas entende que há necessidade de criação de mecanismos por parte da sociedade para coibir os abusos nas programações das emissoras e de outras mídias.

Marketing na imprensa - O escritor e conferencista César Romão discorreu sobre o papel do marketing na imprensa brasileira, ressaltando a importância do efeito sinérgico da ação da mídia em sintonia com as aspirações da sociedade. Apresentou exemplos de medidas práticas para que se incrementem o turismo nacional.

Memória da Imprensa - Jourdan Amora, diretor-presidente da Tribuna de Niterói e do Jornal de Icaraí, e Diretor do Centro de Pesquisa e Preservação da Memória da Imprensa Brasileira (Museu da Imprensa) defendeu a preservação da memória da imprensa brasileira e a valorização da imprensa regional e alternativa.

Questões legais - O advogado e articulista Sérgio Redó, do Jornal de Bairros Associados, de São Paulo, destacou as principais exigências do novo Código Civil para a constituição de empresas jornalísticas.

Jornalismo científico - O jornalista Orlando Rodrigues Ferreira, presidente da Associação Campineira de Imprensa e articulista especializado em jornalismo científico, lamentou a forma fútil com que os grandes órgãos de imprensa, principalmente as emissoras de televisão, abordam problemas científicos em seu noticiário, procurando omitir a realidade de certos fatos para a obtenção de audiência.

Cobertura política - O jornalista Lima Rodrigues, da Rádio Nacional e Agência Brasil Radiobrás, discorreu sobre a sua experiência na cobertura política em Brasília, salientando o dilema vivido pelos jornalistas, espremidos entre o dever de informar a sociedade e as pressões sofridas em decorrência da proximidade com os poderosos do processo de decisão política.

Colunismo Social - Fernando Soares, colunista do Diário do Povo de Campo Grande e presidente da Associação da Imprensa do Mato Grosso do Sul, e Vera Martins, editora do Correio Paulista, presidente de honra da Federação Brasileira dos Colunistas Sociais e Assessora de Imprensa da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, denunciaram a proliferação de colunistas sociais sem qualificação profissional, observando que até donas de butiques, cabelereiros, modistas e outros profissionais, de ramos completamente alheios à comunicação social, ocupam espaços estratégicos da mídia. Destacando que as redações é que formam, produzem e aprimoram bons jornalistas, os dois profissionais não cobram a necessidade do diploma superior de jornalista mas recomendaram cursos superiores nas áreas de Letras, História ou Filosofia.

Questões éticas e reforma política - O senador Juvêncio da Fonseca (PMDB-MS), presidente da Comissão de Ética do Senado Federal ao discorrer sobre o tema "A ética na política e no Parlamento Brasileiro", disse que a grande necessidade ética do Brasil é a democratização ao acesso dos brasileiros à riqueza - a distribuição de renda e que o grande desafio do Congresso é legitimar os princípios da ética na política defendidos pelo PT e que levaram à eleição do presidente Lula.

Segundo Juvêncio da Fonseca, o apoio da imprensa é imprescindível para que se consiga a reformulação da conduta do país, mas nem sempre esse apoio é dado aos congressistas, pois jornalistas tentam pautar o Congresso, que, por sua vez, procura impor os princípios éticos constantes da bandeira do novo governo.

O senador admitiu, durante debate com os jornalistas, que há contradições gritantes no atual Governo em relação ao aspecto ético, quando, por exemplo, um banqueiro (Henrique Meirelles) é colocado à frente do Banco Central; quando o País continua a política do governo anterior de criar superávites primários para atender o FMI; quando ainda o Brasil paga 110 bilhões de dólares por ano de serviço da dívida, e quando o presidente do PT, José Genoino, prega a quebra de direitos adquiridos dos servidores públicos na reforma previdenciária.

Água, saúde e turismo - O médico e sanitarista Márcio Bomtempo denunciou a ameaça de perda da identidade turística de São Lourenço em decorrência da exploração abusiva das águas minerais por grupos multinacionais. Aproveitou para destacar os benefícios terapêuticas da utilização adequada de águas minerais no tratamento de doenças e enfermidades.

Água e Soberania - Feichas Martins, jornalista e cientista político, articulista e colunista da Agência Brasileira de Notícias (ABN) defendeu o planejamento político-estratégico para gerenciamento dos recursos hídricos no Brasil, um país que dispõe de 17% do total de água doce do planeta, salientando a importância da água como bem natural escasso e vital, bem como o crescimento da demanda do precioso líquido para agricultura, utilização industrial e consumo humano.

Martins procurou mostrar que a água doce representa apenas 3% do total de água existente no planeta e que a sua escassez torna-se motivo potencial de conflitos entre os países para a conquista dos mananciais desse bem cada vez mais estratégico.

O cientista político afirmou que no Brasil 80% dos mananciais estão localizados na região norte, onde há pequena população, e os 20% restantes nas regiões mais populosas, o que configura o dilema de termos muita água, onde há pouca gente e muita gente, onde há pouca água.

Martins procurou mostrar que a água doce representa apenas 3% do total de água existente no planeta e que a sua escassez torna-se motivo potencial de conflitos entre os países para a conquista dos mananciais desse bem cada vez mais estratégico.

O cientista político afirmou que no Brasil 80% dos mananciais estão localizados na região norte, onde há pequena população, e os 20% restantes nas regiões mais populosas, o que configura o dilema de termos muita água onde há pouca gente e muita gente onde há pouca água.

Águas e cidadania - Roberto Perez, jornalista e professor de Educação Ambiental, diretor da Associação de Imprensa Valeroipretana e vice-presidente da ONG Clube dos Amigos da Terra de Tom Jobim, do Rio de Janeiro, pediu o apoio da imprensa para a luta travada pela ONG Movimento de Cidadania pelas Águas em defesa da estância hidromineral de São Lourenço, segundo ele alvo de ação predatória da empresa multinacional Nestlé.

Segundo Perez, a Nestlé retira um milhão de litros de água mineral por dia do poço "Primavera", irregularmente construído 500 metros distante da (conforme militantes locais da ONG) fonte do mesmo nome, mas só vende 60 mil litros/dia, exportando o resto para estocagem.

As denúncias de Perez se estendem aos processos de tratamento da água pela Nestlé, que retira do líquido os sais minerais e adiciona sais e carbonatos, reconstituindo a água com gaseificação artificial.

Como a água mineral é classificada como "minério", pelo Departamento Nacional de Pesquisas Minerais, a ONG "Movimento de Cidadania pelas Águas" abriu guerra contra a Nestlé, alegando que a exploração ameaça diversas fontes de água mineral e coloca em risco o futuro de São Lourenço como estância hidromineral e centro turístico.

A ONG "Movimento de Cidadania pelas Águas" quer que o governo considere a água de São Lourenço como "especial"; paralise a exploração que considera ilegal do "Poço Primavera", por situar-se este em área de proteção ambiental, e permita a recuperação das fontes, que estão ameaçadas de esgotamento.

CARTA DE SÃO LOURENÇO

Os participantes do 6º Ciclo de Conferências da Imprensa Brasileira, por ocasião do 12º ENAI - Encontro Nacional de Associações de Imprensa, promovido pela Fenai/Faibra - Federação Nacional da Imprensa / Federação das Associações de Imprensa do Brasil, expuseram e debateram, no período de 28 a 31 de março, em São Lourenço (MG), os problemas da atualidade e a contribuição da mídia para a solução dos mesmos, destacando sua preocupação especial com a atuação dos órgãos de comunicação das capitais e do interior diante das situações política, econômica, social e ambiental internas, impactadas pela persistência do conflito no Golfo Pérsico entre a coalizão liderada pelos Estados Unidos e o Iraque, com potenciais ingredientes de uma Terceira Guerra Mundial.

A força das palavras, faladas ou escritas, e das imagens formam e informam multidões em todos os países, nessa civilização global, gerando respostas imediatas ou tardias, mas nunca a indiferença dos povos sobre a realidade interna e externa que os cerca. É assim que cada jornalista, repórter, colunista, fotógrafo, cinegrafista, redator, aluno ou professor, seja qual for a qualificação, a especialidade ou a função comunicadora, no mais longínquo país do planeta, constrói e destrói impérios, gera mitos, forma, aprimora ou deforma cidadãos.

Na eterna guerra entre a ética e o lucro, a qual se desenvolve em todo o planeta, há uma batalha especial sendo travada em São Lourenço, cuja pujança turística atual surgiu e se consolidou em torno de mananciais de água mineral com propriedades especiais e do parque que as abriga.

A Cia. de Águas de São Lourenço, controlada pelo Grupo Nestlé, está sendo processada pelo Ministério Público de MG, por explorar de maneira ilegal, imoral, irracional e irresponsável, o patrimônio hidromineral e medicinal das águas que foi a causa do desenvolvimento daquela estância, reconhecida internacionalmente pela qualidade e variedade de suas fontes. (Processo 637.01.0101.255-6, 2ª Vara Judicial da Comarca de São Lourenço, MG)

Tal procedimento implica extinção destes recursos em curto prazo e a decorrente decadência da atividade turística predominante para a sobrevivência daquela sociedade.

Assim, estamos engajados na mobilização da sociedade civil e dos políticos honestos que estão ao lado do povo e contra a privatização do estado pelas grandes empresas, no sentido de defender aquela estância hidromineral da voracidade insaciável da Nestlé pelo lucro, à despeito do prejuízo que provoca ao meio ambiente, ao turismo e às gerações futuras.

Considerando-se que água é um bem escasso e vital para a Humanidade e que constitui fator de poder econômico para todas as nações, o gerenciamento dos recursos hídricos do Brasil, que detém 17% do total de água doce do Planeta - apenas 3% de todas as águas - requer um panejamento político-estratégico, com a mobilização do Estado, Iniciativa Privada e Terceiro Setor, tomando-se por farol o desenvolvimento auto-sustentável.

A Soberania do Brasil não pode ser relativa, tem que ser considerada como Objetivo Nacional Permanente, em razão de que todos os bens materiais e imateriais, que constituem o Patrimônio Nacional, são inalienáveis, cabendo a todos os brasileiros a responsabilidade de responder, com todas as armas disponíveis, a qualquer tentativa de agressão interna ou externa contra a sua integridade.

A imprensa tem a responsabilidade de conscientizar todos os brasileiros sobre a necessidade básica de preservação das riquezas nacionais contra potenciais ameaças internacionais, e ao mesmo tempo exercer vigilância e denunciar todas as afrontas e investidas contra o Meio-Ambiente.

O dever dos meios de comunicação, impressos e eletrônicos, é propugnar pelo desenvolvimento integral da sociedade, pela defesa das liberdades individuais e coletivas, pela democracia , paz social, integridade do patrimônio nacional, soberania brasileira e justiça social, esta compreendida como a distribuição equitativa de oportunidades a todos os brasileiros, sem nenhum tipo de restrição ou discriminação, conforme os ditames constitucionais.

Cumpre à Imprensa, de modo específico, preservar os valores éticos e morais que permeiam a cultura e a civilização nacionais, consolidados por meio das nossas instituições e consentâneos com o Humanismo, o Teísmo, o Cristianismo e o Liberalismo.

A crença nesses valores e a sua difusão permitem impulsionar o progresso ordenado do Brasil, a nossa inserção competitiva no mercado internacional e a consolidação da posição destacada do Brasil no concerto das nações defensoras da cooperação e do esforço coletivo para a construção de um mundo melhor, sem conflitos e barbáries como as que se verificam no Oriente Médio, por iniciativa tresloucada de elites megalomaníacas da potência hegemônica e de suas aliadas.

Recompor o tecido da Organização das Nações Unidas, em nova ordem onde impera o unilateralismo, não será tarefa fácil para as nações que buscam o desenvolvimento e a liberdade, quando o multilateralismo, expressão diplomática do mundo globalizado, é pisoteado pelos mais fortes.

A Imprensa no mundo inteiro deve manter-se vigilante e denunciar todas as formas de violência e tentativas de intimidação perpetradas pelos inimigos das sociedades livres, sob pena de pagar, como vem pagando em muitos países, conforme relatórios da Sociedade Interamericana de Imprensa, o elevado preço da omissão, que permite o recrudescimento da censura e dos atentados à vida dos jornalistas e proprietários de jornais.

Nesta bela São Lourenço, inspirados pela visão de um dos mais belo parque municipal do Brasil, os participantes do 6º Ciclo de Conferências da Imprensa Brasileira, por ocasião do 12º Encontro Nacional de Associações de Imprensa (ENAI), delegados de Associações de Imprensa e representantes de entidades representativas da sociedade, após intensos debates sobre temas da atualidade das mídias brasileira e estrangeira, conclamam todos os formadores de opinião do Brasil a combaterem os males que assolam a sociedade moderna, entre os quais todas as formas de corrupção e violência contra o Homem, os Animais e a Natureza.

Serviço:

Mais informações e fotos em www.fenai-faibra.org.br

quarta-feira, abril 16, 2003

O Caso terra

O Terra foi nessa semana de uma incompetência seminal. Um problema interno mal divulgado foi tratado apenas como um problema de servidor, ou seja, a culpa é do fornecedor, mais nenhum esclarecimento. Enquanto isso milhares de pessoas, entre elas este que vos escreve, ficaram sem acesso a seus e-mails e com problemas de conexão.Mais nada foi dito, mais nada foi consertado, nada. Nenhum resquício de respeito ao cliente, apenas o velho burocratismo simpático dos grandes provedores.


Do KibeLoco Também.
FRASE DO DIA 2

"Amnésia é o cara não lembrar o que é o clitóris, depois de ter estado várias vezes com a resposta na ponta da língua!"

É do Kibe Loco Também.
Fantástico: Kibe Loco

Como bom tricolor.
Fonte: JB

Armando nogueira



A química do Fla-Flu





Meu personagem da semana não é um jogador; meu personagem é um jogo. Mais que um jogo, é uma entidade do futebol - uma entidade chamada Fla-Flu, essa bela sigla com timbre de verso que os tempos já converteram em lenda. Domingo, foi tarde de Fla-Flu, no Maracanã. E, pra que se cumpra, mais uma vez, a tradição de alternância no altar do triunfo, agora, foi a vez do Flamengo. Vi a partida e posso dizer a quem não viu que a vitória do Flamengo foi realmente arrasadora. Tão arrasadora quanto a do Fluminense, em jogo recente. Sempre foi assim e sempre assim será. Uma lá, outra cá. Porque o Fla-Flu não é uma simples partida entre duas equipes, entre dois clubes, entre duas torcidas. O Fla-Flu tem camisa própria. Tem desígnios que são só seus. O Fla-Flu tem torcida própria. Tanto é verdade que, outro dia, conheci uma moça, numa roda em que se falava de futebol. Perguntei-lhe, amavelmente: por qual time você torce? E a moça me respondeu, candidamente: Eu torço pelo Fla-Flu.
Só uma coisa explica esta moça: é a encantadora química do Fla-Flu.

terça-feira, abril 15, 2003

Interessante a questão da Guerra e da ausência da mídia exercendo seu papel.
Grande parte da mídia na questão da guerra oscilou entre o apoio envegonhado, o repeteco de notícias de outros veículos com uma pretensa imparcialidade, mas que não lamçava luzes sobre nada e o ódio babante dos contra a guerra. Sem contar, claro, com os olavos de Carvalho e suas teorias da conspiração onde tudo é invenção de comunistas e falar contra o grande império é fazer parte desta conspiração ou ser imbecil.Informação decente, com bases, dados, nada.

Ainda sobre o papel da imprensa volto ao caso Nestlé X São Lourenço. Nada publicado em lugar nenhum, salvo aqui e ali, como Tribuna da imprensa, JB Ecológico e coisas soltas na net, como o blog da Cora.

Na boa, isso o Olavo não denuncia como conspiração direitista ou comunista, permence o silêncio antes as grandes corporações. Vergonha geral. A omissão da mídia em um caso onde quem se ferra não é só a cidade de São Lourenço ou o meio ambiente, é um fator econômico sendo destruído, uma fonte de ganhos para o país em um cenário onde a água ganha status de comodities ( É assim que se escreve?) importante, está em proceso de escassez mundial.

Cadê?Cadê o jornalismo independente? A Isto é se diz independente, cadê? Cadê O Globo, JB. Folha? Onde estão os jornalistas ditos independentes? A Cora disse que ia levar ao jornal, mas publicarão?

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, nunca vou ter, mas com certeza tenho e terei vergonha de ter uma imprensa tão subserviente a interesses comerciais, não comunista ou comunistóide, granóide, como mesmo o Sr. Olavo é, assim como os Márcios Moreira Alves da vida, tudo farinha do mesmo saco, subservientes ao poder editorial, calados quando o caso não é uma possível forma de alcançarem as jóias da mídia, a aparição de seus nomes num cartaz. Paranóia anticomunista em um tempo onde ser de direita é feio, dá ibope, defender questões de importância pro país nem pensar.
FontE: Mau Humor

Fonte: No Mínimo

Johnny volta à guerra



Arthur Dapieve


15.Abr.2003 | Tenho um amigo que passou anos a fio numa cruzada solitária, xerocando sua cópia de “Johnny vai à guerra” e distribuindo entre alunos e amigos que não mais podiam encontrar à venda a velha edição da Civilização Brasileira. Agora, ele não está mais sozinho. A editora Relume Dumará acaba de republicar o romance do americano Dalton Trumbo, na mesma excelente tradução que Elza Viany fez em 1967. Ao menos duas gerações só puderam conhecê-lo indiretamente: ou pelo filme homônimo que o próprio Trumbo dirigiu em 1971 – e que por muitos anos teve a exibição proibida no Brasil pelo regime militar – ou pela música da banda de thrash metal Mettalica nele baseada, “One”, de 1988 – e cujo clip original foi banido da MTV americana por conter cenas do filme.

O que faz de “Johnny vai à guerra” uma obra capaz de gerar reações tão extremadas de amor, como a sua divulgação quase como um evangelho e o hino roqueiro, e de ódio, como os dois episódios supracitados de censura? É a contundência de sua denúncia da imbecilidade dos conflitos humanos em nome de ideais indefinidos, de palavras bonitas como “democracia” e “liberdade” que não fazem mais sentido para os jovens que apodrecem embaixo da terra. Seu protagonista, John Bonham, 20 anos, está pior do que morto: apodrece em cima da cama de um hospital de campanha americano na França, ao final da Primeira Guerra Mundial. Perdeu os braços, as pernas, a boca, o nariz, os olhos e as orelhas. Não enxerga, não fala, não ouve, não pode se mexer. Logo, não pode nem se matar. Tudo o que conserva é o tato nas partes do corpo que lhe restam e o pensamento.

A capacidade de pensar acaba se tornando uma espécie de maldição para o soldado entrevado. É só o que pode fazer. Nos momentos em que está acordado, e não dormindo, desmaiado de pavor ou em delírio, momentos que, aliás, não consegue precisar de fato se está acordado ou sonhando, Johnny vai avaliando a extensão dos seus ferimentos, calculando como poderá fazer para se comunicar ou para se matar, lamentando não poder suspender a respiração, fazendo profissão de fé de que aquela ratazana de trincheira que lhe está roendo o corpo não passa de um pesadelo e de que aquele enfermeira que cuida da sua higiene e prazerosamente toca o seu corpo, sim, é de carne e osso.

Sem recorrer a vírgulas, Trumbo conta essa parábola de incrível privação sensorial e existencial na terceira pessoa, confundindo-se com a primeira pessoa do personagem apenas nas comoventes horas em que este pensa, meio num monólogo sobre as memórias da vidinha boa e besta no Colorado e na Califórnia, meio num fluxo de consciência sobre a impotência de sua condição. Sem poder ver, o pedaço de carne pensante enxerga mais longe do que os patriotas vivos. Sem poder falar, discursa com mais coerência do que os políticos falastrões. O que ele pensa-diz tem seu prazo de validade renovado por mais uma guerra idiota como esta que acabamos (acabamos?) de assistir entre EUA/Grã-Bretanha e Iraque. Posta no papel pela primeira vez em 1938, um ano antes do início oficial da Segunda Guerra Mundial, a verve pacifista de Trumbo antevê para além desse conflito a ameaça de novas matanças perpetradas em nome da democracia e da liberdade.

“Vejamos a decência”, pensa-diz Johnny com suas ataduras. “Todo mundo disse que a América fazia uma luta pelo triunfo da decência. Mas a idéia de decência de quem? e decência para quem? Explique-se e diga-nos o que é decência. Diga-nos o quanto melhor se sente um homem decente morto do que um indecente vivo. Faça uma comparação use fatos como casas e mesas. Faça isso com palavras que possamos entender. E não nos venha falar em honra. A honra de um chinês ou de um inglês ou de um negro africano ou a de um americano ou de um mexicano? Por favor todos vocês sujeitos que querem que a gente lute pela preservação de nossa honra digam-nos que diabo de coisa é a honra. É a honra americana para o mundo todo por que lutamos? Talvez o mundo não goste disso. Talvez os nativos das ilhas do Sul prefiram a honra deles.”

Troque “nativos das ilhas do Sul” por “árabes em particular e muçulmanos em geral” e, vualá, eis algumas palavras que deveriam ser emendadas à Constituição dos EUA.

Contudo, é interessante como a introdução que Trumbo escreveu em 1959 (com um adendo em 1970) serve para desmistificar certos aspectos de “Johnny vai à guerra” e dar um contexto a seu teor pacifista. O escritor nega que o livro tenha sido banido pelo Exército e conta como, conforme a escala da Segunda Guerra Mundial aumentava e os exemplares da primeira edição sumiam das livrarias, o acesso a ele tornou-se “uma questão de liberdades cívicas para a extrema-direita norte-americana”, isolacionista e/ou pró-nazista. “Se, no entanto, tivesse sido banido e a mim fosse dado saber, duvido que houvesse protestado com muita força”, afirma. “Há ocasiões em que talvez seja necessário que certos direitos individuais cedam aos interesses da comunidade em geral. Sei que se trata de um pensamento perigoso e eu não gostaria de levá-lo ao extremo, mas a Segunda Guerra Mundial não foi uma guerra romântica.”

Trumbo estava longe de ser um falcão, lógico. Era sensato. Trabalhou basicamente como roteirista, embora tenha escrito seis romances, “Johnny vai à guerra” incluído. Em Hollywood, ganhou um Oscar por “Arenas sangrentas” (1956). Na ocasião, porém, não pôde recebê-lo porque assinou o trabalho com o pseudônimo de Robert Rich – porque, como tantos outros artistas de esquerda ou mesmo de centro, estava na lista negra do macartismo. Só pôs a mão na estatueta em 1974, dois anos antes de morrer, aos 70. Entre outros, assinou ainda os roteiros para “Exodus”, “Spartacus” e “Papillon”, num total de 61 textos. Trabalhou como ator em três filmes. Como diretor, tem a seu crédito apenas “Johnny vai à guerra”, mas que crédito, que crédito... Um belo e terrível testemunho do século no qual – até o fechamento desta edição – mais se matou e se morreu em guerras.


dapieve@nominimo.ibest.com.br
Fonte: No Mínimo

A polêmica dos pontos corridos



Leo Jaime


14.Abr.2003 | O campeonato brasileiro começou e os pontos já estão correndo. Campeonato longo esse. Essa é a principal justificativa para que a fórmula dos pontos corridos seja a escolhida por grande parte da mídia e até dos clubes envolvidos no evento. Diferente de um torneio em que um time que está vivendo um bom momento supera um outro de melhor retrospecto, o campeonato por pontos corridos quer premiar o melhor elenco, a melhor trajetória, sem o improviso do destino a mudar coroas de lugar. Sem surpresas e sem injustiças. Aí é que reside o problema. Como diz um amigo: futebol é sobretudo injustiça.

O futebol é interessante em muitos aspectos, evidente, mas nada é mais charmoso do que a possibilidade do pequeno bater no grande, do baixinho superar o gigante, do pobre vencer o rico. No futebol isso acontece o tempo todo e torna a coisa mais apaixonante e democrática. Concordo com os que advogam o campeonato por pontos corridos, ou melhor, com os que defendem um campeonato longo sem os mata-matas típicos de um torneio. Campeonato é uma coisa e torneio é outra. Copa do Mundo é torneio. Um mês. Quem estiver bem naquele mês leva. Campeonatos precisam de tempo, de idas e vindas, de elenco mais que time, de regularidade e tudo o mais. Porém, há que se dar ouvidos também aos que são contra e, entre eles, vários jogadores. Mas quais seriam os possíveis problemas do campeonato que agora se inicia, depois de tanta luta por esse formato?

Vamos supor que na vigésima-quinta rodada um dos times tenha conseguido 20 vitórias e cinco empates e tenha, portanto, 65 pontos. Pode acontecer. E o segundo lugar tenha, digamos, 44 pontos conseguidos em 12 vitórias e 8 empates. Também bastante razoável. Como é que ficariam as bilheterias dos times que estivessem abaixo do terceiro colocado? Natural que o time que estivesse disparado na frente enchesse os estádios, mas, e os outros? Claro que no modelo antigo a maioria dos times ficava de férias antes do fim do ano, fora da etapa decisiva reservada aos 8 finalistas. E isso era problema. O fato de que esses mesmos times possam estar jogando para cumprir tabela desde agosto é mais problemático. E pode acontecer.

Outra questão perigosa para os times de grande torcida é o fato de que quando eles viajam para jogar com times de menor expressão os estádios são lotados, no percurso inverso o estádio fica às moscas. Pois se o time grande já está embananado no meio do campeonato pode correr o risco de não ter bilheterias em casa e ter que jogar no prejuízo até o fim do ano, já que as bilheterias fora de casa são do time local. Quem tem elenco caro, uma necessidade numa competição deste estilo, deve estar bastante preocupado. Alguns resultados desastrosos em início de temporada podem afundar o clube. O que também obriga os times a encararem cada partida como uma decisão desde a primeira rodada, mesmo que a torcida não veja as coisas dessa forma.

Qual seria, então, a forma ideal? Falta a grande decisão? Pode acontecer o que houve na Fórmula 1 o ano passado, quando o campeonato estava decidido 6 rodadas antes? Sim, pode. E se a Fórmula 1 mudou para evitar isso, os opositores ao modelo de pontos corridos merecem ser ouvidos. A Fórmula 1 está muito mais interessante na temporada 2003. É uma experiência, esse formato de campeonato, aqui no Brasil embora seja uma realidade em países europeus. No entanto é bom lembrar que Barcelona e Inter de Milão vendem seus carnês com os ingressos para todos os jogos antes do campeonato começar. A grana de televisão é outra, a dos patrocínios também e, ainda assim, os clubes dão seus mergulhos no vermelho. É um risco. Agravado pelo fato de que, no Brasil, a cada ano, a cada temporada, é uma nova regra, um novo modelo, uma nova competição. Futebol, além de injustiça, é sobretudo tradição!

Antes que me acusem de estar em cima do muro, quero dizer que sou a favor do atual campeonato. Mas já proponho uma outra fórmula para o ano que vem, se esta não colar. Pontos corridos em dois turnos, um de ida e outro de volta, repetindo as mesmas partidas. O vencedor do primeiro turno joga com o vencedor do segundo. Caso haja um time que tenha conseguido mais pontos do que os vencedores dos turnos, ao longo do campeonato, ele participa da decisão que, no caso, seria disputada entre 3 times. Simples e efetivo. Um detalhe: o vencedor do primeiro turno entra com 5 pontos de bônus no segundo. Emoção garantida em todas as rodadas e a grande decisão, que é o evento dramático que nossas torcidas desejam e glorificam. Ou várias decisões. Mas vou torcer para que o campeonato de 2003 faça jus ao excelente momento por que passa o nosso futebol e seja inesquecível. Assim como suas regras.


leojaime@rio.com.br
2 de abril de 2003

Greenpeace denuncia presença de transgênicos em produto da Nestlé


Idec
Ativistas do Greenpeace foram nesta terça-feira (1) à sede da Nestlé, em São Paulo, comunicar o resultado de um novo teste que encontrou 60% de soja transgênica da Monsanto na ração para cachorros ALPO, da Purina. Esta é a maior quantidade de transgênicos já encontrada em um produto à venda no mercado brasileiro. O teste foi realizado pelo laboratório Genescan, em Itú (SP).

O Greenpeace já testou seis produtos da Nestlé e, em todos eles, o resultado foi positivo. O resultado do último teste foi comunicado à empresa no dia 21 de março (5), mas a Nestlé ainda não se comprometeu com o recolhimento do produto. O laudo do laboratório foi encaminhado à ANVISA - Agência Nacional da Vigilância Sanitária, às Agências da Vigilância Sanitária Estaduais e ao Ministério Público Federal, junto com uma carta que requer o imediato recolhimento deste produto das prateleiras dos supermercados, uma vez que sua comercialização está em desacordo com a legislação vigente.

Nota
A Nestlé Brasil divulgou nota nesta terça-feira (1), onde diz cumprir as determinações legais na produção de produtos alimentícios e que continua a realizar controle permanente dos seus produtos, inclusive os destinados a animais domésticos, através de análises periódicas. Na nota a Nestlé também diz que somente utiliza as matérias-primas, soja e derivados de soja, de procedência nacional e de origem comprovada.

Ambiente Brasil


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Consciência.Net

Amda lança 21ª Lista Suja em 2002


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A Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) lançou no último dia 3 de junho a 21ª Lista Suja, com os seis fatos que mais contribuíram para a degradação ambiental em Minas Gerais e no país.
A primeira Lista Suja foi lançada pela entidade em 1982, com base na Lista Negra de empresas que era lançada pelo jornalista Ralph Nader, nos EUA. Até 1999, a Lista Suja dos degradadores divulgava nomes de empresas e órgãos públicos. A partir daquele ano, a Amda passou a divulgar os fatos mais relevantes e o nome dos responsáveis pelos mesmos.

Este ano, o processo de composição da Lista iniciou-se com a divulgação via Portal da Amda (http://www.amda.org.br/) e do jornal Ambiente Hoje, publicado pela entidade, solicitando sugestões à sociedade para compor a pré-lista. A Amda recebeu aproximadamente 50 sugestões que, após uma triagem, foram reduzidas para 16 fatos de degradação.

A pré-lista foi disponibilizada, também via internet, para associados e Organizações Não-Governamentais (ONGs) ambientalistas, que deram nota de 0 a 5, de acordo com o grau de degradação. As notas foram então ponderadas (peso 1 para associados e 2 para ONGs) e a Lista Suja foi composta pelos seis fatos que receberam o maior número de votos.

O lançamento este ano aconteceu na Praça da Savassi, em Belo Horizonte, quando ambientalistas pintaram um grande painel com a composição da Lista. Bonecos perna-de-pau também animaram o evento, enquanto a superintendente executiva da Amda, Maria Dalce Ricas, concedia entrevista coletiva à imprensa.

A tradicional Lista Suja é divulgada anualmente, durante as comemorações da Semana Mundial do Meio Ambiente, primeira semana de junho.

Conheça a Lista Suja 2002:

1. Sonegação de informações à sociedade/agressão a parques estaduais/contratações ilegais/sabotagem à polícia florestal - autor: José Luciano Pereira, diretor geral do IEF

O Sr. José Luciano Pereira, a quem pejorativamente chamamos de Diretor Proprietário do IEF, só fornece informações que são garantidas pela Constituição à sociedade, através de mandato de segurança. Além disso, desde que ganhou o órgão de presente do governador, conforme anunciou em seu discurso de posse, decidiu que o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) não existe (os dois fatos são coerentes: refletem o horror à sociedade) e assim, ignora completamente o colegiado que tem a responsabilidade de definir a política ambiental em Minas.

Sua atitude em relação aos parques já é bastante conhecida: retirou toda a estrutura (que já era pouca) dos parques Serra das Araras e Veredas do Acari, abandonou todos os parques do Jaíba, com destaque para o Lagoa do Cajueiro, invadido por pessoas ligadas a movimentos "sem terra", que estão derrubando a Mata Seca e espalhando lixo em todas as direções, ao longo da rodovia que liga o município de Jaíba a Matias Cardoso.

A contratação de pessoas de forma ilegal, por si, não é um problema ambiental, mas reflete diretamente no meio ambiente, pois os cargos estão sendo preenchidos por pessoas sem qualificação técnica para exercer funções de competência do órgão.

Além de cortar o convênio com a Polícia Militar, esse senhor sabota suas atividades. As casas do Parque do Rio Doce, destinadas à moradia de membros da corporação e localizadas em locais estratégicos – pois o parque é alvo constante de caçadores – estão fechadas e expostas à depredação pública. Essa é a situação de todos os parques, que sempre dependeram da ação da Polícia Florestal.

2. Ruptura de barragem de contenção de rejeitos – Mineração Rio Verde

Fato de conhecimento público, a barragem rompeu-se em função do descaso da empresa com aspectos técnicos de construção e manutenção. A ruptura da barragem, além de mortes humanas e provavelmente de centenas de animais, causou danos ambientais irreversíveis.

3. Desmantelamento do Codema/cumplicidade com a especulação imobiliária – Prefeitura Municipal de Brumadinho

A prefeitura substituiu conselheiros do Codema, que representavam a sociedade civil e câmara de vereadores, é omissa em relação à conservação de estradas que geram erosão e é cúmplice da especulação imobiliária clandestina que assola a região.

Todo o território de Brumadinho está inserido na Área de Proteção Ambiental da Região Sul (APA-Sul0 e no Parque Estadual da Serra do Rola Moça). O município está entre os cinco do colar metropolitano de Belo Horizonte no que se refere à presença de cobertura vegetal nativa. Devido a isto, às cachoeiras e cursos d’água ainda em bom estado de conservação e à beleza cênica da Serra da Moeda, é alvo de uma especulação imobiliária desenfreada, que está destruindo valiosos remanescentes de Mata Atläntica e causando diversos outros tipos de problemas ambientais e sociais na região.

4. Derramamento de óleo no litoral – Petrobrás

O acidente ocorrido na Baía da Guanabara, e todos os outros que o precederam, não foi suficiente para que a Petrobrás tomasse as providências necessárias para impedir outros. Continua sendo rotina o derramamento de óleo no litoral brasileiro, seja por navios da empresa, seja por dutos, como aconteceu em maio último em Angra dos Reis (RJ). Por entender que o ecossistema litorâneo é um patrimônio ambiental de todos os brasileiros, a Petrobrás foi incluída na Lista Suja da Amda.

5. Desobediência às leis ambientais/degradação ambiental no circuito das águas – Nestlê

Conforme denúncia enviada por diversas ONGs do Circuito das Águas, a Nestlê, em meados dos anos 90, comprou o Parque das Águas de São Lourenço, adquirindo o direito de explorar e engarrafar as águas. A partir daí, foi responsável por diversas agressões ambientais na região, a seguir listadas:

- Ampliação da fábrica em 300%, cortando árvores dentro do parque, sem licenciamento ambiental.

- Construção de uma "muralha" para proteger a fábrica, cravando estacas de concreto a 7 metros de profundidade sobre a área mais sensível do parque, também sem licenciamento. Para isso, demoliu a Fonte Oriente, a primeira a ser construída em São Lourenço. No dia 10 de agosto de 2002 a cidade comemoraria os 110 anos de sua inauguração.

- Perfuração de poço tubular sem autorização do DNPM e descoberta de uma água mineral espetacular, provavelmente a mais mineralizada do país! A empresa está desmineralizando a água, o que está causando grande revolta na comunidade. Além disso, num ato de desrespeito e agressão social/cultural/ético, substituiu a marca Minalba por Nestlé Pure Life.

As ONGs, com base em documentos técnicos, acusam a Nestlê por:
1 - esgotamento da fonte magnesiana, uma das mais procuradas pelos visitantes;
2 - trincas na fonte ferruginosa;
3 - rachaduras no solo;
4 - alteração no sabor das outras fontes;
5 - perda de gás natural das outras fontes;
6 - enriquecimento ilícito;
7 - violação de nosso subsolo;
8 - atropelamento de nossa cultura;
9 - desprezo por nossa história;
10 - ameaça à ordem econômica de toda uma cidade.

6. Lagoa de rejeitos com graves danos ambientais - Mineração Morro Velho

Denúncia recebida do gabinete do deputado Édson Rezende (PT/MG), em função dos danos infringidos aos trabalhadores nas minas, que foram contaminados por silicone, mas, principalmente, pela criação de um lago de rejeitos, onde antes era um vale com mais de 100 metros de profundidade.

A área onde está o lago de rejeitos é de propriedade dos moradores que compraram a área da mineradora. A denúncia relata que ao redor do lago, árvores perecem em função das substâncias tóxicas (provavelmente cancerígenas) jogadas no mesmo. Existem suspeitas de contaminação por arsênio.

A Amda apurou junto à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) que a empresa assinou termo de compromisso com o Ministério Público de Nova Lima, comprometendo-se a investigar o assunto e tomar outras medidas para solucionar/mitigar os danos.



Assessoria de Imprensa da Amda
06/05/2002


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Fonte: Consciência.Net
Fonte-STF

Processo HC 82424



09/04/2003 - 19:58 -

Julgamento sobre racismo no STF é marcado por debates




Um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes suspendeu hoje (9/4), outra vez, o julgamento do pedido de Habeas Corpus (HC 82424), de Siegfried Ellwanger. Ele foi condenado no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul por ter editado e distribuído obras de conteúdo anti-semita de sua autoria e de terceiros, representativas de discriminação contra judeus. A proclamação parcial está em dois votos a um, pelo indeferimento do pedido da defesa de Ellwanger.

O julgamento do Habeas Corpus foi suspenso em Plenário, em dezembro do ano passado, por um pedido de vista do ministro Maurício Corrêa, que divergiu do voto do relator, ministro Moreira Alves. No seu voto, o ministro Moreira Alves chegou à conclusão de que os judeus não podem ser considerados uma raça, ao citar extensa literatura sobre o tema “racismo”. Assim, o ministro concedeu a ordem, entendendo que o crime de racismo não alcança toda e qualquer forma de preconceito ou discriminação, devendo merecer interpretação estrita.

O ministro declarou extinta a punibilidade de Ellwanger, pois já teria ocorrido a prescrição do crime. Ainda de acordo com o ministro, o crime não pode ser qualificado como delito de racismo.

Hoje, o ministro Maurício Corrêa defendeu uma interpretação “teleológica e sistêmica” da Constituição Federal. Disse que a genética baniu de vez o conceito tradicional de raça e que a divisão dos seres humanos em raças decorre de um processo político-social originado da intolerância dos homens, citando como exemplos o escravismo e o holocausto.

De acordo com Maurício Corrêa, Ellwanger, com as publicações, procura negar a existência do holocausto, imputando aos judeus todas as responsabilidades pelas tragédias registradas na Segunda Guerra. Assim, conclui o ministro, as condutas do acusado caracterizam prática de racismo.

“Seja porquê o conceito de raça não pode resumir-se à semelhança de características físicas, devendo ser adotada em suas mais diversas formas, seja porquê - como é notório - a doutrina nazista defendida e incentivada pelas publicações, não só reputa aos judeus uma raça, como baseia todo o seu segregacionismo nessa convicção”, afirmou.

O ministro citou a Declaração Universal dos Direitos Humanos que qualifica como discriminação racial qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferências baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica. Também condena a incitação às práticas discriminatórias que “se inspirem em idéias e teorias baseadas na superioridade de uma raça ou de um grupo de pessoas de uma certa cor ou de uma certa origem étnica que pretendem justificar ou encorajar qualquer forma de ódio e discriminação raciais”.

Maurício Corrêa sustentou que a subscrição do Brasil a diversos tratados internacionais sobre a garantia dos direitos humanos inspirou a Constituição Federal de 1988 que cuida do tema no artigo 4º, inciso VIII, ao definir como um dos princípios da política brasileira o repúdio ao racismo e ao terrorismo.

O texto constitucional, segundo o ministro, justifica a necessidade de coibir de forma veemente atos dessa natureza, “mesmo porque as teorias anti-semitas propagadas nos livros editados pelo acusado disseminam idéias que, se executadas, constituirão risco para a pacífica convivência dos judeus no país”.

Apesar do pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, o ministro Celso de Mello preferiu antecipar o voto, que foi extenso e no mesmo sentido das razões defendidas pelo ministro Maurício Corrêa. Ao iniciar sua exposição, o ministro Celso classificou de “grave” a questão que o tribunal foi chamado a apreciar, tendo em vista marcos históricos que demonstram “a preocupante atualidade do tema”. Ele recordou que há exatos 70 anos, o Partido Nacional Socialista ascendeu ao poder na Alemanha, com a queda da República de Weimar, instituindo um regime “de opressão e desrespeito ao gênero humano.”

“Só existe uma raça, a espécie humana”, afirmou Celso de Mello, enfatizando que nem os judeus, nem os índios ou negros podem ser considerados raças. Acrescentou, ainda, que o anti-semitismo é um tipo de racismo paradoxal, porque baseado em diferenças imaginárias. Para os nazistas, continuou o ministro, não bastava que eles se convertessem ao cristianismo para deixarem de ser judeus, pois seria uma característica indelével. Essa depreciação forneceu argumentos para os atos cometidos durante o regime nazista alemão contra o povo judeu.

No final de seu voto, Celso de Mello afirmou que não poderia aceitar a tese do impetrante, porque isso significaria “tornar perigosamente menos intensa a proteção que o ordenamento jurídico nacional e internacional dispensa aos grupos minoritários, especialmente aqueles que se expõem a uma situação de maior vulnerabilidade”.

"Aquele que ofende a dignidade de qualquer ser humano, especialmente quando movido por razões de cunho racista, ofende a dignidade de todos e de cada um” concluiu Celso de Mello. Ele julgou correta a condenação de Siegfried Ellwanger, nos termos da decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

É foda. Ninguém nunca tá satisfeito.
É não tem jeito. VOu ter que aturar. A Template do meu Blog voltou ao passado na edição, mas continua a mesma na real, portanto, fuck eles.
Caralho, eu mudei umas doze vezes a porra da Template desta merda de Blog e ela não muda caralho.

segunda-feira, abril 14, 2003

blogger.com
Cara, peguei a dica no Blog do Hiro o Terceira Base.

Qual seu nome Terrorista da Al Qaeda?. É o Afghan
Terrorist Name Generator. Perfieto. Meu nome é Misukin Osama Offen.
Cara, Blog Vicia mesmo. E o pior faz com que minha cabeça crie teorias de conspiração enlouquecidas ( Como se todas não fossem).

Já perceberam que os blogs mais famosos tem sempre foto de gatos? Nada contra os gatos, mas esse excesso de publicidade on line me parece uma conspiração felina ( tipo o filme sonâmbulos, saca?) em prol da dominação da espécie humana.

Nunca vi um blog com um Rottweiller assassino estampado. Nem com um poodle gay rosa qualquer, sei lá!

Os cães estão sendo substituidos!

O Hugo (Meu Rottweiller que acha que é poodle) já disse que vai partir, vai rumo ao mundo canino em busca de uma vida melhor, pois os humanos se entregaram às artes do mal. Bem, mal na opinião de um cão.A Hanna diz que fica (Vira lata safada), não tem medo de nada e sabe negociar com os felinos, ou seja, é agente dupla (Bem que eu desconfiava da agilidade excessiva).

Gatos tomarão nosso mundo e em pouco tempo seremos meros brinquedos entre suas patas.

Cuidem-se! Eu já tô aprendendo a miar.

Será que a Nestlé produz tequila? Boicote de água mineral e chocolate tudo bem, gosto de ambos, mas não tanto quanto de lasanha, por exemplo. Boicotar perfume tudo bem, quase não uso. Uso o velho e bom rexona e olhe lá. E cerveja? E Video Game de tiro?

Cara, isso me apavora!! Boicotar é algo por uma boa causa faz até crescer asinhas, mas em caso de álcool meu lado demônio faz até reféns.

Imagina a sede bárbara das sextas feiras impedida de ser saciada em nome da causa?

Prefiro explodir a Nestlé Diaba!!!!!

Vou ser um terrorista ecológico!!!

A desgraçada tá matando uma cidade e ainda cria uma crise na minha cachola com relação ao boicote de produtos seus que podem ter entre eles uma velha e boa latinha de Heineken (É assim que se escreve?).

Vou explodir a desgraçada. Quem vem comigo?
Cara, vou dar uma relaxada depois dos resultados e postar neste fim de noite uma porrada de besterias minhas e roubadas.Aminhã ou em edição extraordinária, em caso de novos fatos eu posto algo sobre a Nestlé diabona.