terça-feira, setembro 16, 2008
Bebendo gás na televisão
Sai do centro do não
Sem sorriso
Chia baba
Voz de má danação
Rima sonho
E presente
Come feto do chão
Ri teu riso já tão lenda
Corta ramo de não
Rima corte
Com veneno
Quem sou eu tão sem pão?
É teu riso que eu coro com meu sangue em tuas mãos?
O que quero?
Tome
Escreve o que li
No meu olho tão sem nós
Eu já me nasci
Cochabamba aqui no bom loop rock n' roll
Povo meu é de ser mil anos madrugador
Com foice no ar
E fogo no mar
Queimando Ipanemas
Bebendo gás na televisão.
quinta-feira, setembro 11, 2008
É golpe
É golpe
SÃO PAULO - O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas às que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales.
Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são a cópia de locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende.
Outra semelhança: Allende elegeu-se presidente, em 1970, com pouco mais de um terço dos votos (36%). Mas, três anos depois, sua Unidade Popular saltou para 44%, em pleito legislativo, o que destruiu qualquer expectativa da direita de vencê-lo política ou eleitoralmente.
Foi na marra mesmo, o que deu origem a um dos mais brutais regimes políticos de uma América Latina habituada à brutalidade.
Evo Morales também se elegeu com menos votos do que obteve agora no chamado referendo revogatório, o que demonstra um grau de aprovação popular até surpreendente para as dificuldades que o governo enfrentou desde o primeiro dia, em parte por seus erros e em parte pelo cerco dos adversários.
A luta dos Departamentos pela autonomia, eixo da crise, é também legítima e precede Evo Morales.
Mas passou a ser apenas um biombo para encobrir as verdadeiras intenções, cristalinamente reveladas a Flávia Marreiro, desta Folha, por Jorge Chávez, líder "cívico" de Tarija, um dos Departamentos rebelados contra o governo central: "Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz".
Cena mais explícita de hidrofobia e racismo, impossível. Nem o governo nem a oposição no Brasil têm direito ao silêncio, escondendo-se um na não-ingerência em assuntos internos e outra em preconceitos similares.
São Paulo, quarta-feira, 10 de setembro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opinia
E quem quer ler ou ouvir isso?
Eles morrem
Trilha do redançar
Nos trabaio de inventar interior
Pela rua do pedaço registrado com louvor
Pelo mais sério homem de identidade
Roupas novas, quase um frade com olhar criminador
Criou um verso de pensador de verdades
Fez mudança nas cidades onde nasceu mais dotô.
E não tem bunda onde o terno é engravatado
Vira nádega no ato
Portaria do sinhô
E vai sem bunda com a nádega de lado
Nos busão mais lotado onde não entra sinhô.
E como tudo é perfeito e trabalhado
Dormir lá no condado era coisa dinterior
E produtivo era o verbo inventado
Pra tirar do catre o gajo que acaso não acostumou.
Lá não tem bunda
Virou nádega no ato
Quando dotô abre os braços reclamando com louvor
Destas coisas de que pobre faz errado
Gnorante nos trabaio de inventar interior.
Diálogo
Mostra agora entardecer
Dá verdade
Canta até o meu morrer
Mostra cega qual segredo da definição
Do que me faz véio de bomcoração
Qual a dor que dei pra fazer canção.
Não sonhe a lua
Cate do amor
Faca no sonho
Mão no chão e só.
Cante mundo
Mundo e luz é tudo ocê
Arraste o sonho
Pega a lanhada do ser
No teu peito
Há bem mais que um coração
Olhe o mundo véi
Olhe o mundo bão
Dói mundo correr
Dói também correr não.
Luz não é rua
Luz é luz e só
Doi luz não ser
Dói luz ser só.
Vai me ajuda!
Luz de deus que cai aqui
Rói as unha da onça que me faz vir
Já morrendo
Pelas pancadas da mundação
Porque dói viver?
Porque dói o chão?
Porque dói doer
Também porque não?
Cala-te nua
Chegue de ser cor
Nem sei saber
Existir em cor.
Aí meus cano!!!
Nem luz sou nem sou viver!!!
Sou teu sonho
Determinado em correr
Inventado
Pra fugir da dureza do chão
Chão é tudo ocê
Vida é tua mão
Livro não vai ser
uma nova ilusão.
Me larga à rua
Seje teu amor
Sai pro teu mundo, tua cor.
Apaixonadamente em cor
Dá no ego um espanto
Alguma Lenda
Se eu soubesse ler futuro a futuro
Morria mundos sem tanta fé
Comia do mar das mil barcaças
Algas de desmorrer.
Até reaver sorriso intenso em mim
Entre dedos ter mais incertezas
E vê-la voar pelo mar.
Rompi dois mil medos por entre subúrbios
Conquistei outros mais
Raspei meus dois sonhos, meus olhos difusos
Já desisti da paz.
Dê-me as coisas
As cores
E o não crer!!
Saia do vento enfim
Me esqueça em prantos
Me deixe renascer
Ou faça você o favor de vir a mim
Deixe ser você alguma lenda.
Sou cidade
Não diga mais toda a solidão
Sem mais
A meu respeito o dom de não ter paz
Faz-se maior
Dá-se ao menor sinal
Com um toque de fé.
E entre trilhas de jeito intenso de voar
Sinto o soar
De um peito de sol
Um jeito ao sol
Um riso ao sol
E só.
Por ter espelhos a me observar
Me faço livre
Para notar, lua e voz
Resquícios de mar
Sentidos de sol
E meu sol é bem maior que o sol.
É a vida plena
A lida plena
Dos homens, corpos, canções
Das fadas, corpos, canções.
É a linha em cena
A voz da arena
Arena, rua, invasão
Canção de lutas e tons.
Como sou feito de invencível paz
Sou sem paz
Sou sem mais
Sem mais.
Freiras de Filmes Antigos
Te reparo na sala direita
Escrevendo trilhas de bodes e gueixas
Rasgo o véu ilusório da vida
E crio feridas fechadas, de mesa.
Rediscuto o princípio sem fio
Que une a urgência com um esgar de dor
E irônico falo de sementes
Históricas, perenes, chamadas de amor.
Nego nomes que em placas de Ruas
Parecem à espera de alguma cabeça
Que repense o signo das luas
Das lutas que enfeiam sua história nua.
Rasgo páginas de teu novo livro
Distante da história do teu hoje amigo
Que de ciúmes mata-se por besteira
Ao Estilo das Freiras
De filmes antigos.
Entre pernas e sexos
Cala-me com um beijo bom
Faz travessura
Não dê razão às minhas frescuras
Cala-me o tom.
Rindo menino a fazer
Luas escuras
Pipa na mão
Linha em dupla
Sorriso em Rio.
Vejo na nota de ontem um semidesejo
De revoar
Pelos ares dos mais simples novos começos
Indo tocar
Rima solta de corda com pactos, beijos
Semi loucura
Total delícia.
Trago acordes de violão
Entre meus versos.
Fala
Entalha tua canção
Noutras mil luas
Nota a paixão
Vide a loucura
Leia Virgílio.
Rindo me infindo faço-me ser
Buquê de luas
Escuras a ver
Ruas maduras, moças, delírios.
E eu já mais preto em instantes de mim tão distante
Calo-me ar
Cheiro o senso das rosas, faladas por Dantes de Mangueira
E respeito demais, caço o ar como dantes
Menos Casmurro
Mais livres trópicos.
Trago artes de imensidão
Entre pernas e sexos.
Um dom
Estranho é notar além do azeite
O Sabor desfeito em graus de não saber
À espera do beijo de deleite
Que nasce do sofrer.
Olha a hora
Alguém quer que você deite
E veja o olhar que respeita o senso do amor
Seremos nós prisioneiros do que prende
Em nós nosso sabor?
Nem se a vinha
Desse-me um vinho de mar
Me aprisionaria ao luar
Tendo tantos mundos
Pra ver linhas de inumerável ser
Tendo a ti no coração
Danço a cor de outras canções.
Nas asas cansadas dos desejos
Revejo delírios perfeitos feitos de amor
Te sinto na falta do que vejo
Em torno da cor.
Mas há um novo ar pelo meu peito
Saudade, ciúme, despeito, orgulho e um calor
Quer faz-me indiana guerrilheiro, mezzo explorador.
Dá-me a linha
Que prendo-me ao mar
Solto-me a navegar
Pelos tantos mundos
Tendo a trilha, inevitável do ser
Trago-te em meu coração
Tendo ao corpo um vento,um dom.
O Tempo só me diz seu sim
O Tempo só me diz seu sim
Nem existia meu olhar
O tom da tarde recuperava horizontes
E nos desafios de se amar
Existia o velho lar
E o que sou.
A tarde representa ventos
E coro ao notar-me amor
A lua coexiste com o tempo
Para que refaça os passos
Onde repousa a dor.
Corre o tempo do meu ar
Respiro fogo no recital da minha cor
Enquanto construo outro olhar
E o mundo vira um lugar onde estou.
Não sei mais porque compreendo
Virei metal sobre velha flor?
Espero as asas verem ventos
E tal qual velas navegarem cor.
Tristeza nua se foi ou vai
Eu vivo dias sepulcrais
Aguardo noites
Criando rimas sem sinais
Olho o cenho da História
Lhe tenho amor.
E meu amor é sobre o tempo
Um poema claro feito de ardor
Existe mundos tão pequenos
Que exigem atos feitos de louvor.
E pelas luas vejo tempo e mar
Meu vermelho enfuna a vela do Instante
De meu ator de ações brutais
Recosntruído pleno nas asas do que.
O mais puro e sereno
Grito lutado tecido em sabor
Pelos passos que não lamento
Criados em povos, corações e ardor.
Relançam sobre mim o tempo
E o tempo só me diz seu sim.
Com o que sou hoje
Com o que sou hoje
Sorrio no mar distante de você
Construo novas cores do sul dos velhos Barcos
Navegando pelas ruas do meu apreço
Confundo velhas novas com ironias e descalabros.
Me calo a sonhar com um eterno céu azul
Não choro
Pois há no ar
Mais belezas entre o lembrar e o rir
Entre o ficar e o ir
Nem tudo se prende ao Equador
Existem cores feitas de luar
Eternidades feitas de além mar
E sempre tem um boteco à espera
Feito de amigos grandes
E novos hojes.
Perdi meu cigarro na festa que teu ser
Me ensinou com olhos novos, feitos de amigos alvos
Escrevo sem velas nas páginas do meu desejo
No som das velhas músicas escritas por tempos e espaços.
Meu tom de olhar varia do velho bom azul
Meu som de lembrar esquece a dureza de sofrer e morrir
Indo aqui e ali
Relendo o livro que me fará doutor
De mil histórias que já quis contar
Revendo cores do mesmo meu lugar
Tecendo saudades expressas
Onde turbinamos ontens
Feitos de anjos e sereias
Construídas de rir
De ficar e de ir
A vida é longe se não se olhar
Pras pedras nuas onde vou andar.
De saudar o ontem
Com o que sou hoje.
Madrugadas
Perambulado pelos simples olhos
Chega a doer
quinta-feira, julho 31, 2008
Quilombolas, questão fundiária e racismo midiático

Recentemente diversas matérias na mídia empresarial (Mais precisamente em O Globo e Rede Globo) denominaram as lutas dos remanescentes de quilombos ao acesso à terra como ações de desordem, desestabilizadoras do dito Estado de Direito. E esta ênfase tanto se dá na luta dos remanescentes de quilombos rurais quanto na de quilombos urbanos.
A Rede Globo, em pelo menos dois exemplos, pode ser a referência principal desta retomada dos ataques aos Quilombos pela imprensa. Em uma matéria veiculada em maio de 2007, a emissora ataca de forma veemente ao reconhecimento da comunidade quilombola de São Francisco do Paraguaçu, localizada no município de Cachoeira, Bahia, noticiando em manchete "Suspeitas de fraude em área que vai ser reconhecida como quilombola". Em diversos momentos a matéria, em um enorme esforço para criminalizar o movimento, "entrevista" "quilombolas" acusando-os de retirada ilegal de madeira, etc. É um grande esforço. Mas, não se vê esforço semelhante na denúncia à grilagem na mesma área, por exemplo.
Já em seu Programa RJTV (conforme pode ser verificado no Dossiê da Imprensa Anti-quilombola do Observatório Quilombola, www.koinonia.org.br), o ataque é contra o Quilombo do Sacopã, localizado em área Nobre da zona Sul do Rio de Janeiro. Neste caso as acusações vão desde fraude, até dano ambiental e especulação Imobiliária.
O interessante destes ataques é não só a repetição de uma atitude constante na imprensa brasileira desde antes da abolição, mas também a recusa ao reconhecimento das áreas como comprovadamente povoada de remanescentes, ignorando a constatação técnica de antropólogos de universidades públicas (como a UFF) e a competência técnica da Fundação Palmares.
Ou seja, é urgente para a mídia empresarial barrar qualquer tentativa de democratização do acesso à terra e à moradia. Qualquer possibilidade de democratização é vista como um ataque aos pilares da sociedade, em especial à propriedade privada, sagrada sob a ótica da ofensiva midiática.
Durante todo o século XIX eram constantes os ataques aos Quilombolas e seus apoiadores, e mais ainda, aos escravos livres, pós-1888, com relação ao acesso à propriedade e quaisquer defesa do acesso dos negros à terra era vista como uma busca de tornar o país vítima da barbárie. Eram constantes os pedidos de prisão aos apoiadores dos negros fugidos via jornais. Mesmo os quilombos mais pacíficos, de cunho abolicionista, porém sem o caráter de resistência ao sistema e posicionamento beligerante, como o Quilombo do Leblon, conhecido também como Quilombo do Seixas, era alvo de ataques constantes pela mídia. E este quilombo era praticamente um dos quilombos oficiais do Império, apoiado pela própria princesa Isabel e sendo parte de uma rede de quilombos ditos urbanos e baseados em propriedades privadas de apoiadores do Abolicionismo.
Hoje a mídia repete este comportamento, buscando não só criminalizar os movimentos que buscam a reparação da barbárie que foi a escravidão, como todo movimento que conteste a atual estrutura de acesso à terra e a propriedade. Mas em especial os movimentos de remanescentes de quilombos sofrem ataques de enorme perversidade. Dado que se contesta a existência de quilombos que atestem o direito à terra pelos remanescentes, porém não contestam o direito à mesma terra pelos atuais senhores. Não se contesta a exclusão de negros e indígenas pela lei de Terras de 1850 do acesso à terra, sendo esta distribuída aos amigos do imperador e aos brancos que conseguissem ocupá-la com benfeitorias. Não se contesta a riqueza gerada pelo trabalho escravo que praticamente financiou o nascimento do capitalismo, a revolução industrial. A escravidão gerou toda a riqueza que permitiu o nascimento do capitalismo, mas mesmo uma reforma que permita o acesso de alguns dos descendentes destes escravos é condenada de forma veemente pela voz principal da classe dominante, a mídia.
Assim, a mídia toma a frente para a manutenção de um estado de coisas onde o negro, o pobre, o oprimido, não sejam apenas afastados de seus direitos e do acesso aos meios para sua sobrevivência, mas também sofram as conseqüências pelo ato de franca "insubordinação" retornando a serem criminosos por serem só isso: Vítimas da opressão.
Novos Palmares
Resistência e a velha História do Brasil
É clássica a interpretação da historiografia tradicional do povo Brasileiro como um povo pacífico e a citação do Quilombo dos Palmares como único momento de resistência à escravidão, além dos movimentos abolicionistas. Pelo menos no que se ensina no ensino médio, o normal são poucas referências a algo além da Inconfidência Mineira como exemplos de revolta no Brasil.
Alguns livros didáticos até citam a Conjuração Baiana, poucos citam a Revolta dos Malês. A maioria fica na inconfidência mineira, como resistência à opressão e no Quilombo dos Palmares, como resistência à escravidão. Inclusive, a redação destes livros de certa forma hierarquiza estas lutas, colocando o ensaio geral de conspiração de elite que foi a Inconfidência como mais importante que o maior Quilombo de que se tem notícia nas Américas e , com certeza, a mais duradoura experiência de resistência ocorrida no País como menos importante.
Qualquer referência às 2.228 comunidades quilombolas espalhadas por todas as regiões do país conforme levantamento do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (Ciga) da Universidade de Brasília (UnB) e aos quilombos que lhes deu origem é uma utopia, dado que resistência no Brasil não existe. Só se for à famigerada coroa Portuguesa e por um clube conspirador da elite de Vila Rica.
A Revolta dos Malês, a maior revolta Negra do Brasil e a primeira de caráter classista no Brasil, composta por negros livres e escravos e apoiada pela base da população baiana do Período (1835), é quase sempre solenemente ignorada, a Cabanagem idem.
Todas estas revoltas possuem algo em comum, foram feitas majoritariamente por negros, índios e quilombolas.
Inúmeros quilombos se espalharam pelo Brasil, a maioria deles de resistência, com a busca de construção de um sistema próprio, autônomo, de organização, que era nitidamente de rompimento com o sistema da Colônia. Revoltas escravas ocorriam a todo o momento no Brasil. Só na Bahia foram mais de 50 revoltas escravas de 1798 até 1835, sendo a mais importante a Revolta dos Malês. O Recôncavo Bahiano era um imenso barril de pólvora e por diversas vezes o Governo da Bahia à época tinha de pedir reforços e auxílio à Corte para controlá-las.
Porém, como o aluno de ensino básico e ensino médio tem acesso a isso? Onde?
Simplesmente não têm. E quando têm, as referências são tímidas, como desimportantes, dado o imenso esforço de manter a idéia de uma população servil, pacífica, principalmente os negros e índios.
Este fato demonstra mais do que uma busca de manutenção de um quadro onde a população se veja como impotente ante a constante opressão de que é vítima. Demonstra também que o esforço vai além, no sentido de demonstrar que a população é pacífica, mas em especial os mais oprimidos, os negros e índios, e que estes mais ainda, nunca se rebelaram contra a situação a que foram submetidos.
Para que referir-se ao pânico da elite baiana em 1835 com relação à possibilidade de um novo Haiti no Brasil e ao movimento que aumentou em muito este pânico e exigiu um controle no envio de escravos com origem na Nigéria e Benin ao Brasil? Nunca. Para que dar idéias a um povo acostumado à chibata?
É preciso que a população tenha consciência da Revolta da Chibata, da Revolta dos Malês, dos inúmeros Quilombos que resistiram à opressão e buscaram liberdade e autonomia e para isso é preciso lutar pela construção de um ensino que respeite a História deste povo, principalmente o exemplo dos que resistiram mesmo sendo os mais oprimidos de todos. É preciso que lutemos para que todos os Palmares sejam conhecidos, para, quem sabe, criarmos Novos Palmares.
sábado, abril 26, 2008
Militância
Ao ver Hécules 56 , não soboreio a derrota. Saboreio o tempo.
Vislumbro a lágrima do vento
E quem sabe um futuro derrotado, ou a dúvida de mim, de todo um mundo?
Quem sabe a luta em si, Quem sabe o tortoirs da derrrota em nós?
Nós, danados. Nós danantes.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Um coração
Amor chuta o balde do mar
Dose de flor e dor
Arrasta ao tempo pro ar
Cores de morte e flor
Respiram tudo transformar.
Realeza é o pé que esmaga o dedo de Deus
E faz carne no feijão
Boniteza é a sé
Do desejo de mundoi mudar
Na cor
Do sorriso do irmão.
Lua de cheia dor
Chicote assobia no ar
Noite de flor e amor
Risonha preta faz luar
Corpo de dor e amor
A dor faz o corpo voar
Jorra a flor do amor
No sexo do sorriso mar.
Ressurgir é fé
No pé do imenso amor meu
Pela humana razão
E ressabiar é pé
Da fé que imensa faz eu
Faz de mim um coração.
Resistir é fé de flor
Amor que cura e faz mar
Renasce ré cor de dor
É lua de imenso voar.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Sendo Deus
De um luar que não criei nas linhas
Que escrevi sem olhar direito
Sem ler nem de ninguém
Foi só Deus.
Esperança me baila plena vista
Rouba tristeza ao ver lua bem quista
Rezar contra o mal
Que despe o corpo negro do rei
Que foi Deus.
Nada demais impulsiona a lida
A dor do corpo
Constrói a vida
A raça de quem vê o sol se pondo
Indo além
Sendo Deus.
E haverá
Todo um Deus
No amor de Iemajá
Que é meu mar
Que é ser
Homem cor
De luar.
E haverá
Todos Deus
Homens sonhos de mar.
Baila brilhante centelha tão querida
Gente perambulando em infindas
Forças de romper cercas
Grilhões feitos de notas de cem
Sendo Deus.
Ferva gritante coragem mais que linda
Nos cânticos crioulos de Olinda
Nos Hip Hops que Acary fez
E mantém
Sendo Deus.
Pois haverá
Sempre Deus
No louvor do amar
Que jaz no ar
De quem vê
Sol se pôr em luar.
quarta-feira, janeiro 09, 2008
Beleza Rara
Não veja meu riso
Sonhe sua mulher
Reze por seus filhos.
Boa noite
Hoje
Sorri sangue em trilhos
Consegui sem fé
Tecer mil motivos.
Boa tarde
Hoje
Cansei mais minha vida
Não rimei remar com curar feridas.
Aprendi dos galhos
Rumos retorcidos
Compreendi das flores
Temas massacrantes
Castrei a inverdade
Das verdades da vida
Ruborizei com histórias
De irmãos feridos.
Não se lembre hoje
Vá viver seus bingos
Parabéns sem atraso
Por sua morte em vida.
Não se esqueça hoje
Do riso dos amigos
Cuide das omissões
Que te fazem vivo.
Não me vês, sou sombra
Não me tens, sem brilho
Sou história tanta de mortos e gritos
De dores de dia a dia distorcido
Tortuosas mãos sangrantes em perigo
Homens e mulheres
Crianças sem viço.
Não, não tenho planos
Não não fdou mais gritos
Sem bandeiras velhas
Utopias tantas
Faço o ódio vivo ser hoje o dia
Em que o urro grasse
Pelas avenidas.
E já sou o pavor das armas
O pavor no rosto
Sem água com gás
Sem nem mais palavra
E te assuto sem calmas
Gentilezas tantas
Não não sou demais,
Nem beleza rara.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Íntimo
É inverno
É sério
É tosco
Clown de oco pardal
Sem mim
Rolam multidões afins
Estouram nuvens
E rins.
Tudo sem mim
É cerne
É clero
Colorem urbes de curumim
Resmungo versos senis
Vago alhures sem mim.
E sigo meu caminho na entrelinha do verso muito veloz
Consumo Vodka em vós
E cisco meu caminho na entrelinha
Do meu subúrbio perfeito
Entre A Vila Valqueire do Espelho e a Copa
Que roubo em meus Lins.
Tudo sem fim
É o eterno sem nexo
Rosto do filho não meu de mim
Meu filho é gozo de mim
Meu íntimo é todo sem mim.
sábado, dezembro 15, 2007
Repente
Desejo faz prisão
Corrente intrancedente
De fogo de imensidão
Ou rima de mau pobre
Reinventado no chão.
Sem telha e sem piso
O choro é irrazão
Na faca há o nobre
Há o padre, há o irmão
Da peleja do demo
Rasga vento a canção.
E espelha o olho novo
O velho a desgarrar
No inferno não dito
De um dia a raiar.
E o que é o sol raiar
Nestas noites sem paixão
Se podemos namorar
Ou morrer pelo portão?
Porque se eu assim grito
Sem desejo nem fervor
Só a rima parca e nobre
De um dedo sem valor
Eu grito já cindido
Pelo pó da revelação
De um mundo dividido
Onde Deus já virou cão.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Toque seco de fervor
Sol de hora faz morrer
Sonho, pipa
Lua nunca vai viver
Em rol terno
De palárvore de privação
Corsturada em véu
De imensidão
Desde menino assusto
Com as multidão.
E rói a chuva
Luz de sol e flor
Rói dor de parto
E desamor.
Faz mil anos
Que o Deus dos outros foi
Em poemas
Resgatar talvez nem eu
E quem sabe?
Construir uma nova irrazão
Que torne mais céu
Teu olhar de cão
Tua dor de ver
Terra sem ter mão.
Sem realejo
Sem razão ou pão
Só terra vermelha, sol e chão.
Vi mil anjo
Coisas que nem sei mais crer
Entre os ternos
De mãe preta a desmorrer
E em ciência
Dei comida de libação
E vienhei meus pés
Dei terra à mão
Casei com o luar
E chorei paixão.
Sou só da lua
Tenro caçador
Perco minhálma em amor.
Alvos tantos
De vermelhidão
Sorri
Tanta nova terra e gente a mais sorrir
É sonmhaço
Feito por comunardo irmão
E eu mais véi
Que toda invenção
Quase que chorei
Vi -me Deus na mão.
E faço a lua
Violo amor
Em toque seco de fervor.
quinta-feira, outubro 04, 2007
90 Anos
Ateada do rouco do mundo
Nas ruas os sóis parecem invernos
Costuram palavras, verdades, inteiras
Vantagens da sorte
Feito morte sem razão
Invadindo a página da luz.
O corpo é hoje, é só
É tudo em sol que seduz.
A cruz é quem morre
No seio da farta palavra
Que rompe máquinas e veias
Vermelhas de outro sussuro
O grito em massa
É a asa da luz.
E tudo é bruma vermelha
A barba, o torso do pútrido
Rompendo desenhos de sorte
Feitos por outras mãos
Que não araram a palavra que é luz
E nasce o sol do sonho só
Da alma que rompe a lágrima, corrente,
Expurga o pús.
domingo, agosto 12, 2007
Defunto em parca lage
Alma sem tempo de comer mau seu pão
Resto de vida estancando sonho isento
Parando rima de rap
É camburão!
Viela sem corte
Tapa no resto
No plexo
Na orelha, na bunda
Ladeira inclemente
Samango invade com toca
É bandidagem!!
Tudo é pútrido,seco
Morto e invertido
Favela
O estado tem um nome e dá porrada com magrela
Todos são escravos na senzala sem canção
Todo morro é um espaço de destruir ilusão
Só o silêncio é quem fala
E a bala faz zaralho
O melhor velho amigo
É o cagaço que dá na alma.
Cai ciniscmo
É viver sem grades
Ou ser lindo defunto em parca lage.
terça-feira, julho 31, 2007
Nas curvas do PAN as vaias marcam mais que o sangue dos morros
Pipocam aqui e acolá análises sobre o "legado" do PAN e sobre a importância de sua realização para a auto-estima da cidade dita "Maravilhosa". Todas muito boas, muito equilibradas, muito esportivas. Algumas inclusive indicam que os equipamentos esportivos (Estádios, Arenas, o tal "legado") já serão privatizadas pois o município não tem como administrá-los.
Um dos aspectos negativos do PAN foi o local reservado para a prática do Basebol e do Softbol, criticado por muitos, pois não tinha estrutura olímpica. Mas muito mais criticado foi o comportamento da torcida, que de forma "deseducada", vaiou os atletas.O gasto absurdo de dinheiro também é citado, mas por poucos e ainda passa ao largo do que é pesadamente mau avaliado: As vaias.
Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem!
Apenas não consigo esquecer que há menos de um mês atrás a operação que invadiu e ocupou o Alemão causou em um dia 19 mortos (a maioria negros, todos pobres) , e gerou denúncias da população que vão desde furtos praticados pelos policias, até execuções sumárias, algumas efetuadas com facas.
Este fato, por si só, já me deixa estupefacto diante do cinismo e da aceitação das pessoas que em silêncio, acreditam ser mais importante um evento que traz "mídia" e uma "boa imagem" para a cidade, do que a investigação do assassinato com execução de 19 pessoas em uma quarta-feira do mês de junho.
Além disso estas pessoas não se questionam como um evento que custou 3 bilhões aos cofres públicos agora tem seus modernos estádios e Arenas vendidos, provavelmente a preço de Banana. Muito pelo contrário, aplaudem. Como aplaudiam o Rambo Tupiniquim, o inspetor Trovão (Trovão e seu charuto), após desfilar arrogantemente por sobre corpos deitados na favela invadida.
Rotularam os moradores e os cadáveres de bandidos. E definiram que defender uma polícia que não seja ou aja como um exército de ocupação, um exército que trata Brasileiros pobres como inimigos é defender bandido. Enquanto isso preocupam-se com as vaias aos atletas estrangeiros, com o Cansei, com o Basta e outros movimentos exclamativos.
E permanecem preocupados coma manutenção da segurança da minoria que conta nos dedos os mortos em sinal de trânsito pro assalto, mas é imbecil demais para contar com mãos e mãos os mortos na batalha diária, na execução diária de pessoas pobres nas favelas.
Para a minoria? Segurança. Para a população pobre? Bala e opressão.
Para o PAN muita bala, ocupação, mortes e o fortalecimento do estado paralelo, agora sob administração policial, através das milícias.
Tudo isso para que só as vaias os preocupassem.
domingo, julho 15, 2007
Contra os que gemem
Batuque de mão
Macumba criada
Corte no Alemão
Foco na cena do fogo quente
Favela
Cachorro
Obscena
Mirando defunto à vera.
É na marca do medo
É na faca do medo
Que a Dona branca se torna sangue
Que o cachorro bonitinho
Come Almas "daninhas"
O preto é corpo
É certeza que foi
Certeza do marco da arma, do mandante
Encastelado no medo que encerra
A vida, a alma no fundo dos olhos
Já assassinos
Vendo TV.
Corpo preto é certeza não irmão
É tão longe de mim
Feito de branca e funesta
Razão de correr na praia
Longe dos manos
Tão sem manos
Lave las manos
Arregaça
A arma, a mão, o cão
Todo cão
Fardado sem falhas.
Tá na mira e o mundo é quem dá o tiro
A tia é quem aperta o gatilho
E todos defendem.
É a macumba do medo
O batuque do medo
Que estilhaça o que resta exângue
Jorrando horas a fio
Aqueles jão estão na mira
E é morto, é preto, é corpo
E já foi
Não têm sol e nem barco, nem praia, nem estante
Não velejam longe das misérias
E não vão entristecer meus brancos olhos
Que vivem da lama da TV.
E é no tiro que não perco meu irmão
Minha justiça é pra mim
Pros outros é outra conversa
Minha justiça está hoje à caça
Dos Hermanos, todos manos, tão sem planos
Sem ver luz em casa
Me aperta o coração
Sem razão, medo vão
E agora minhas mãos é que apertam o gatilho
No quengo, na nuca, faca e tiro
Contra os que gemem.
Sexo é revolução com sacanagem
Perde-se tempo no papo que perde a mão
Nem adiantam malas, vozes de congresso
Amor demais é amor revolução.
Afagos de gente
Ardem de medo
Nas manhas da alcova
Além dos olhos verdes existe sexo
Existe sexo entre os suricates.
Vida segue em veios, em veias, favelas
Sem polícia, sem juiz
Comigo, contigo, com ela
Vida se ergue na profunda invasão
De um Pênis, Língua, dedos
Armas de tesão.
Vagalhões de sede
Rompem com o medo, o seco da ausência da tesuda
Razão que ergue o sexo, que faz do sexo
Ser mais que amor que arde.
Corre corpo do jeito da linha que vem dela
E ela é a lis que rompe com toda cela
Amor que arde em homem, mulher, cavalo e cão
É que nem Carcará rude que aboia no sertão.
Todo sexo é a irrazão do corpo unido
E vai além do pão do padre oprimido.
Sexo é livre razão que hoje arde
Livre em corpo, união d'alma sem grades.
Sexo é revolução
Com sacanagem.
sexta-feira, junho 22, 2007
Lamarca
Nasceu ruminando mar
Construiu coisa à toa
Brigou até se matar.
Deu com a corte na teia
Na rua, na trela
Que deu para o mar.
Deu para a corte a vela
Acanhada e cega do ir e mudar
Apagada e cega de nunca ir lá.
E em nós
Fez nascer a rua, a veia
O sangue, o ar.
Em nós
Fez nascer a lua
A bandeira, o altar.
Pela pólvora, pela batalha
Homem nobre morre em voar
Nesta pólvora das luas e marcas
Somos livres para brigar.
Vence quem vence o lutar
Vence quem lutar a voar
Em cor de sonho e cheio
De ir e vir, de mudar.
Vence quem muda o luar
Vence quem rói o sonhar
Em cor de mundo inteiro
Somos tão tu
Quase um mar.
O direito de recriar Deus e o mundo
A lumina da invenção
Faz-se rir
O intenso burbulhar da ação.
No andar
Pernas são canções
E mãos são a invenção
O criar
Do mundo benigno.
E no ar, o voar
Do ser, do mundo
Vermelho sol de ir lá
Refazendo de novo o tudo.
E no estar, no gritar
Há ser, há mundos
Gentes a recobrar
O direito de recriar Deus e o mundo.
As lutas de homens sem cordas
Cavalo já chia
Rua seduziu o sol também
Tendo a lua na magia
E deus se fez perigo sob as roupas entravadas dos lordes
Enquanto o movimento de todo ser
Rompe as cordas deste mal.
Tendo do fogo
Os olhos que nascem nas mãos
Entre calos e tormentos que recuperam o ver
E doem como o sonho e o sal
Entre as mágoas e os momentos que não servem
E alimentam o voar.
E entre os sentimentos de todo ser
Nasce o alegrar
O rir, o mar
No cerne obtido pelas rubras
Bandeiras que socorrem
As lutas de homens sem cordas.
Pela vil e democrática luz
No cangote do fim
Eu me tiro de letra na rua calada
Roubo sóis de jardins.
É que o mundo sozinho não repara em nada
E eu gosto de atuar
Pela esquerda
Entre o Beque e o muro
Driblando o luar.
E se o remo cair entre o Rio e as alas
Das Bahianas de mim
Resoluto em me rumo nadando de braçadas
Pelos botecos de ir
E salgando o lirismo
Ponho a roupa rasgada de herói de quadrinhar
E rebolo um batuque de exu
Só pra relaxar.
E se o mundo sozinho seduzir minha palavra
Eu me escangalho de ir
Rio no andar torto da mulher amada
Secando o sol de luzir
Pela água do rumo da esquerda velada
Que que já quero mudar
Pela vil e democrática luz
Do ser vivo e andar.
Autoretrato
Sou o mesmo que o resto
De todo dia que fui em mim
Um alto grau de Saci
Um sacerdote sem sins.
Enquanto um fim
Sou parte dos versos
Que obscrevo escuro em mim
Jogando letras prali
Cercando cercas de mim
Sacando dos delírios linhas feitas de um sorrisso atroz
Buscando deuses em nós
Sacando dos destinos das magias
O amor todo perfeito
Pelo amor do humano arco
Desejo intenso de risos
E sins.
Enquanto mim
Envelheço velho
Sendo minha alma inteira em mim
Nâo pago contas sem fim
Nâo perco almas de mim.
quinta-feira, maio 10, 2007
Real
Faca de osso na boca da ilusão
Show de retornos e dores inestimáveis
Suja resmungada irritação
De lama e rua indecorosa em nada, sem cor
Retorcida imagem de vida inumana então
Dejeto de corpo em vida
Já sem razão.
Parca rapinagem entregue à mãe do doido
Palhaça imagem de vil escravidão
Adjetivada ruindade sem decoro
Assalto à banco difere de revisão
Do cálculo imposto pelo meu estado do céu
Que inibe a visão dos sem cor, dos sem mãe no mel.
Casto ato de mãe na zona
De roubo da carga do estado
Faca nos cornos da puta loura
Que mata-se em cigarro
Dá-se asism o dia todo na rua
Na casa do alto funcionário
Na lama do barraco infestado
No ato do real imposto.
Pele de osso sem alma sem inferno ou céi
Cadáver de cor debulhando seu sangue no mel.
Autobiografia
Sou o mesmo que o resto
De todo dia que fui em mim
Um alto grau de Saci
Um sacerdote sem sins.
Enquanto um fim
Sou parte dos versos
Que obscrevo escuro em mim
Jogando letras prali
Cercando cercas de mim
Sacando dos delírios linhas feitas de um sorrisso atroz
Buscando deuses em nós
Sacando dos destinos da magias
O amor todo perfeito
Pelo amor do humano arco
Desejo
Intenso de risos
E sins.
Enquanto mim
Envelheço velho
Sendo minha alma inteira em mim
Não pago contas sem fim
Não perco almas de mim.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Arte: Além do Artista, Além da propriedade
Se a arte é além do artista, o liberta de sua existência, o liberta de suas idiossincrasias, ela mesma em si traz o sentido de transformação que faz do artista vítima de sua própria criação. A coerência entre arte e ente, entre criador e obra, é um desejo que pode não corresponder à existência real do artista e pode também não influenciar no poder transformador da arte. Esta coerência seria um modo do artista sobreviver ao impulso e influência revolucionários da arte em si, porém não é uma condição sinequanon para a criação, nem tampouco para a existência do artista.
FONTE: REVOLUTAS
SITE: http://www.revolutas.org
PUBLICAÇÃO: 26/11/2006
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Tu
Interno, difuso
Delírio fogo que ter da mulher
O sal que me enche a boca amarga
Que derrete meu ver
No mar de cores tão róseas
De alma arder
Vejo-te toda em mim
Me sonho moldando
Moldando-me no ser.
Nos montes tão teus
Deito minha boca em sins
Sugo a então ver
A luz das lendas
Soltas no teu lindo olhar.
No alto dos montes de tua carne que sugo
Planícies, pele, sais
Deleito-me em urros, sorrisos, mundos
Sou presa, sou em paz.
Deleito-me nas noites
Em que bordas meu corpo em ti
Grito um além de mim
Sou menino tonto, Homem a teu tão ser.
A sóis perceber na noite em que sou fim
A ver-te nascer em explosão intensa
Sol de meu sonho, boca e mar.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Artur
Mas podias avisar
Que o samba que tocas na rua
Ia desandar
Porque nem eu mesmo sei cantar
No susto que a esperança por vezes me dá.
E o que posso dizer sobre você
Se nem mesmo hoje sei não ter você?
Quer saber?
Gargalhar é reviver!
Vou rememorar meu Rio
Metralhar o ar com Deus.
Nem mesmo o frio daqui
É tão longe do meu olhar
Nem mesmo o reabrir do meu peito
Neste chorar
Me faz desperceber que sonho é ser
E ser sonho é meio ser você
Quer saber?
Todo sonho é você.
Vá, mas volte já!
Hein, fio?
No revolucionar o Deus.
Um dia tonto
Sábia a fonte do mal-me-quer
Rabisca no mar um tom de palha
Reescreve bem viver.
Lábios se escondem na falta
Do ser, do ver
Astros comem a liz
De um dia tonto
Nem mesmo o sol mais sei.
Haverá nascer
Neste dia infeliz?
Haverá rever a existência?
Balas cortam veias no ar.
Nem mesmo lua vejo
No hábito difuso
De não descansar em paz
Reestrelo meus sonhos com o ar confuso
Das canções de beira cais.
Sem nem perceber
Me rasgo inteiro enfim
Pra poder morrer
Tendo existência.
Aves cruzam meu bom mar.
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Um dia normal (para Samantha Taquetti Mansur)
Que teus seios trançam
Em mim e no mar
Recolhem arbustos azuis
Entre vozes e danças
Que escrevo no meio das tantas festas
Onde mais ninguém percebe as tretas,
Estrelas e bestas.
E eu, vago
No transe enfermo dos poetas
Que dançam em sinas
Me acabo no afã das mães de filho temporão
Enquanto me largo ao fundo dos anos
Por ver nas manhãs
Teu rosto que constrói do céu
A beleza vã.
Meus versos calam-se em forças
Que o olho humano não pode notar
Estrelas me dão mil velas
Pra barcos que navegam nas mentes
Destes, que em versos, amam amar
E ao mar lançam-se na glória de não voltar.
Eu hoje despenteio o brilho dos versos
Por sóis mais claros
Me solto feliz nos atos bons de sorrir
E saio das dores
Vago no inverso
De teu som, teu sal
Acordo e vejo de Deus
Um pássaro, um dia normal.
Em prece
Muitas desta luas que encerram-se nas botas
Serão vis ares sem trovas.
Feitas de milhares de pessoas
E de cores sem pluma
Virão vozes de ruas.
E em riste
A natureza toda
Como se azul
Será peste.
E de tudo a pessoa
Nascerá feito a tua
Enormidade
Em prece.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Ugarte
Enquanto Monarco da Portela acordava Madureira
Com um samba no rosto.
Ugarte morreu enquanto dois jovens de 17 anos
Mal davam falta do universo entre um beijo e outro
No amor furioso da cama latina.
Ugarte morreu
Enquanto Severino pegava tickets refeição
E ao entregá-los à Secretária
Comentava sobre a dificuldade de comprar presentes de Natal.
Ugarte morreu enquanto dezenas de estudantes
Reuniam-se para lutar contra o aumento da passagem
Em algum lugar de São Paulo.
Ugarte morreu no mesmo dia
Em que milhares de crianças nasciam e enchiam de esperança
A esquerda, a direita
O mundo.
Ugarte morreu enquanto o poeta via um rosto amado
E saboreava versos ainda não criados.
Ugarte morreu depois de Violeta Parra
E Victor Jara.
Ninguém cata o sonho de Ugarte.
Ugarte morreu em vão
Nós não.
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Apenas Encantamento
Rasgo inventos de mar
Rua Alice faz de mim um além mar
Na pinta do léo e do rei
Que natureza sugou
Fomento o nivel do ar.
Pra minha crença no teu céu
Nascer como um rompimento da amarga e cinza
Cor de manhã inteira no fim dos ritmos
Que bancavam a magia destas noites que ensinam pompoar
Pelas nuas coisas tantas que vão lembrar
Nas retinas as meninas, as margarinas.
E como a sorte que em teu corpo encerra
Arde a fome da intensa vontade mais férrea e cívica
No intento do tempo
Que derreta a calma e a mão e encena a vantagem do vento
E no chão
Faça a dor do intenso retempo
Ser a lâmina do cerne do sonho todo
De estar em teu corpo são.
Entre as dores de calor, há a de sangue soar
Respire o invento do tempo de remoçar
Veja as praia sem breu
Nomei as ondas da cor
Do inverno invernar.
E me beije com tuas línguas, mãos e sinas
Que desrespeitam a má vã e fria
Invenção de alvo risco que mata em nome de magia
E faça a verdade do corpo ser sol.
Canto de doce e de cor
Rastrei o inverso de amar
E veja o fino verso meu de recobrar
Anuência do gosto de Deus
Pra essas coisas de flor resistir ao verbo amar.
Venha à guerra do meus hinos
Me espera
Pega a rédea do meus crimes
Entre em cheio na funesta arte que impera desígnios
Nos peixes, nas aves, nos desmacarados versos que invento
Que anuncio e venero
Artes de ludibriar freios
Papos de aranha cheios
De um beijo que intenso
Rasga boca e faz o verso
Ser apenas encantamento.
Águas escorrendo
Pousam nos ombros dos parcos genocidas
Repetem murros e muros sem nada mais
Revezam a louça, a mão e a cantiga
No esconder da rotina de nenhum ré maior
Repaatriando o sentido amargo de prantos
Que matam rumos que negam luar
No ar
Destas mil balas que asfaltam cânticos.
Boa a bola que lançam sem nem pensar
Artista em jeito de parca medida
Vaga na mente um perpétudo alinhavar
Do chute que soa como liberdade viva.
Tudo merece até mesmo um mundo melhor
Porém o mundo nos dá seus blindados tantos
Tudo somente é assim mesmo um ato
A rolar
Como se a água escorresse de encantos.

