quarta-feira, setembro 24, 2008

Crueldade com animais em momento Double pack


Automartírio e sacanagemcom zebras nostálgicas

http://www.oesquema.com.br/mauhumor/

Eu grito isso


Melhor quadro que já vi

Só um artista

Já não sei se tenho medo do meio
Ou se pergunto a turistas
Como se faz pra vespeiro
Nascer psicanalista.

Se rimo ave com centeio
Viro gastronomicista
Arrumo cargo de recheio
Viro prefeito alquimista
Procuro bens em cinzeiros
Amores em naturistas
Pelados tem o respeito
Dos que a nudez bela avista.

Cato verdades em mateiros
E violeiros altruístas
Em cínicos não macumbeiros
Praticantes falo linguistas
Eu gosto mesmo é de cheiro
De rua à noite na pista
De cerveja com canteiros
De ruas sem sinalistas.

Talvez eu rime por medo
De morrer em dia à vista
De não saber mais do certo
Ou de ser um canalha sem listras
Ema zebra, um matreiro
Enrolador de premissas
Talvez eu seja mais meio
Talvez seja só um artista.

Suburbano


Chamam-me apenas Barrabás

Filho de Fabiano

Preto no dente e no nome

Vivendo sem interlocutor.

E rasgo com as tetas de cabras sem baio

Rádios livres e urubus sem dono

A linha fina

Do que me é tedioso.

Vi palavras de meninos

Transformarem-se em pessoas

Danos vários em pergaminhos

Construírem novas noites

E velhos comovidos sem fé

Perguntando o improviso vão

Do que muda

A cada estação.

Filhos brancos d’alma vaga

Comem ossos pela pele

Rompem lágrimas de Sarahs

De Josefas e de Kellys

Brancos têm dentes navalha

Coloridos da solidariedade que convém

Para se mudar ninguém.

E pelas praias dos Rios

Que de segunda à sexta são lírios

Tudo é tão bom

Enquanto ao vivo somente o medo vê

Nosso sorriso sem dó.

Calam-me apenas Ladravaz

Irmão de três ciganos

Cínico em pêlo nos lombos

Falados pelos homens-dor.

Por amor mata-se mais que pelo azul

Das águas de nosso rancor.

Dançam penumbras no ar

Morre Deus sem que ele possa atirar

No Salloon magro das tardes

Feitas dos que eu desisto

A morrer sem dobrar a língua por vocês.

Rasgo muitos elogios

E anoto novas dores

Gritarias falam comigo mais que vozes de doutores

E me canso de ter fé

Pois prefiro o improviso vão

Das mudas

Das pedras no chão.

Já não me clamam, nunca mais

Reviro-me suburbano com medo do tempo de antes

E rindo do interlocutor.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Transforma a si

Transforma a si

Seu nome

Talvez Amor

De Guiomar pai distante

Vivo quase antepassado

Como se de Solange alvo

De atenção requisitante.

Relapso

Alvo tétrico

De si mesmo quase horror

Fingidor de alvos brados

Inundado de hiatos

Nada sutil Mestre de Obras.

Paellas servem ao Amor

Cheio de si mesmo em palavra

Este amor que é de Nádia

Requisitado me pedaços

Pelas dores de alva.

Facas morrem sob o teto

Nasce até sol deste Amor

E o que é seu sonho em rostos?

Se a dor do morto é o sol

Do tolo acreditante?

Se morre

Não é Amor

Como já disse Olava

Ele em tudo é sublime

Mesmo radical e filmado

Por um Buñuel de metraca.

Mas grita

Solto de dor

Solto sem freios, feito o avanço de si, em dor

Ele feito quase cobra

Transforma a si

E vira a morte das obras.

terça-feira, setembro 16, 2008

A Verdadeira História do Brasil


http://www2.uol.com.br/angeli/chargeangeli/i/chargeangeli334.gif

clique na imagem para ampliar

Acabou-se Fausto!

Acabou-se Fausto!
Durante diários
Percebíamos o quinto porre
Enquanto danava a culpa por não sermos heróis.

Acabou-se o Fausto!!
Na prévia do sempre
Ali adiante
Avant garde do tempo
Na Frente do velho
Da quinta garrafa dos infernos dos outros.

Acabou-se!
Fausto
E nós?

Um brinde a isso

Em Botafogo Janeiros
Parecem.

Em Laranjeiras
Perfeitos
Parecem.

Na antiga 17
Bolches e eu nunca andamos juntos
E nos amávamos.

Enquanto isso o gás explode
29 Renasce
E o patinete é o melhor transporte.

Um brinde a isso!

Bebendo gás na televisão

Sai do canto onde iludes
Sai do centro do não
Sem sorriso
Chia baba
Voz de má danação
Rima sonho
E presente
Come feto do chão
Ri teu riso já tão lenda
Corta ramo de não
Rima corte
Com veneno
Quem sou eu tão sem pão?
É teu riso que eu coro com meu sangue em tuas mãos?
O que quero?

Tome
Escreve o que li
No meu olho tão sem nós
Eu já me nasci
Cochabamba aqui no bom loop rock n' roll
Povo meu é de ser mil anos madrugador
Com foice no ar
E fogo no mar
Queimando Ipanemas
Bebendo gás na televisão.

quinta-feira, setembro 11, 2008

É golpe

CLÓVIS ROSSI

É golpe

SÃO PAULO - O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas às que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales.

Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são a cópia de locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende.

Outra semelhança: Allende elegeu-se presidente, em 1970, com pouco mais de um terço dos votos (36%). Mas, três anos depois, sua Unidade Popular saltou para 44%, em pleito legislativo, o que destruiu qualquer expectativa da direita de vencê-lo política ou eleitoralmente.

Foi na marra mesmo, o que deu origem a um dos mais brutais regimes políticos de uma América Latina habituada à brutalidade.

Evo Morales também se elegeu com menos votos do que obteve agora no chamado referendo revogatório, o que demonstra um grau de aprovação popular até surpreendente para as dificuldades que o governo enfrentou desde o primeiro dia, em parte por seus erros e em parte pelo cerco dos adversários.
A luta dos Departamentos pela autonomia, eixo da crise, é também legítima e precede Evo Morales.

Mas passou a ser apenas um biombo para encobrir as verdadeiras intenções, cristalinamente reveladas a Flávia Marreiro, desta Folha, por Jorge Chávez, líder "cívico" de Tarija, um dos Departamentos rebelados contra o governo central: "Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz".

Cena mais explícita de hidrofobia e racismo, impossível. Nem o governo nem a oposição no Brasil têm direito ao silêncio, escondendo-se um na não-ingerência em assuntos internos e outra em preconceitos similares.

São Paulo, quarta-feira, 10 de setembro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1009200803.htm

Cureldade com Animais








Clique na Imagem para ampliar

Intervenção Urbana


E quem quer ler ou ouvir isso?


Se choro finjo em luas
Quase sem linho
Ninho de estrelas
Sem mais mormaço
Sem ruas feias.
Se calo
Finjo estrada
Mas sou olhar.
Se nasço escorro sangue
Grito besteiras
Viro inimigo
Já não abraço amor nas telhas
Se sofro finjo matas
Mas sou voar.
Sendo este quase menino
Rompendo muros de lama
Espero em frente ao novo cinema antigo.
Perdendo tempo e abrigo
Esperando mitos e sambas
Respeito o mundo murmurando morticínios
Se sofro finjo-me sorrindo.
Se brado mundos,planos
Escrevo a teia dos meus delírios
Sou mais que um passo
Menos que estrela
Escrevo como a falta me faz o mar.
Já não respeito ou finjo
Só olho o breu da semana
Rejeito o véu da solidão em um sorriso
Queor palavras e tiros
Mundos mudando de amas
E tenho aqui um sentimento tão ambíguo
E quem quer ler ou ouvir isso?

Eles morrem


O importante é que eles morrem
Rindo, lindos
E interessante é o que nos seca
A velha chaga.
Em plenas eras, novidades e murais
Escrever a vida pelas falsas linhas
É Deus
E talvez seja povo
E talvez seja novo
Mas nunca viu ninguém.
Aspas enterram discussões sempre banais
O mundo precipita
Isto é fato
Fato meu
Eu quem constrói o novo
Eu que devoro o fogo
Que nunca haverá.
O necessário é o que nos corta
Lebres, vacas
E como corta o que não vemos
O Tempo, o vento.
Pelas mil regras
Estudadas por mortais
Deuses maquinistas fazem fogo em pleno breu.
E se eu não quiser fogo?
E se eu cagar pro novo?
Farei falta pra alguém?
Rolam conversas pelos bares virtuais
Morrem maquinistas velhos Deuses deste Breu.
E o que é mesmo sorte?
Deuses cortando mortes?
Cornos matando alguém?

Trilha do redançar


Luz de delfins pelas ruas
Acorda noite, morre de mim dor
Faz-me nascer
Faz-me rei Sol
Boa nova de boi voador.
Estrela que canta sorrindo
Quem sabe sou meio feito de mar?
Rio daqui pronto pra ver
Brilho velho de estradar.
Riscos de cor mais madura
Em cansaço brotam
Gosto de amor
Quero ali ver
Quem sabe sou
Flor de cio, de rua, de sonho e pó.
Gosto de ver-me de noite
Saudade mata
Morro a renascer
E quem já sou?
Filho do sol
Pela trilha do redançar.

Nos trabaio de inventar interior

Rasgando forró de sangue
Pela rua do pedaço registrado com louvor
Pelo mais sério homem de identidade
Roupas novas, quase um frade com olhar criminador
Criou um verso de pensador de verdades
Fez mudança nas cidades onde nasceu mais dotô.

E não tem bunda onde o terno é engravatado
Vira nádega no ato
Portaria do sinhô
E vai sem bunda com a nádega de lado
Nos busão mais lotado onde não entra sinhô.

E como tudo é perfeito e trabalhado
Dormir lá no condado era coisa dinterior
E produtivo era o verbo inventado
Pra tirar do catre o gajo que acaso não acostumou.

Lá não tem bunda
Virou nádega no ato
Quando dotô abre os braços reclamando com louvor
Destas coisas de que pobre faz errado
Gnorante nos trabaio de inventar interior.

Diálogo

Luz divina
Mostra agora entardecer
Dá verdade
Canta até o meu morrer
Mostra cega qual segredo da definição
Do que me faz véio de bomcoração
Qual a dor que dei pra fazer canção.

Não sonhe a lua
Cate do amor
Faca no sonho
Mão no chão e só.

Cante mundo
Mundo e luz é tudo ocê
Arraste o sonho
Pega a lanhada do ser
No teu peito
Há bem mais que um coração
Olhe o mundo véi
Olhe o mundo bão
Dói mundo correr
Dói também correr não.

Luz não é rua
Luz é luz e só
Doi luz não ser
Dói luz ser só.

Vai me ajuda!
Luz de deus que cai aqui
Rói as unha da onça que me faz vir
Já morrendo
Pelas pancadas da mundação
Porque dói viver?
Porque dói o chão?
Porque dói doer
Também porque não?

Cala-te nua
Chegue de ser cor
Nem sei saber
Existir em cor.

Aí meus cano!!!
Nem luz sou nem sou viver!!!
Sou teu sonho
Determinado em correr
Inventado
Pra fugir da dureza do chão
Chão é tudo ocê
Vida é tua mão
Livro não vai ser
uma nova ilusão.

Me larga à rua
Seje teu amor
Sai pro teu mundo, tua cor.

Apaixonadamente em cor



Dá no ego um espanto
Que não se apresenta a quem já é dotô
Pois é mais ríspido que linguado tímido
Feito de cor.
Dá no cérebro um encanto
Que não se apoquenta quem já é dotô
É quase esquálido, tímido afago
Quase horror.
Nossa cabeça mei oca
rima verso e faz luar
Como se o mundo fosse igual
Jeito bom de se pescar.
Dá na vida um encanto
Que não se apresenta a quem já é dotô
Um desesperado rasgo magro e ávido
Doído e inválido
Feito sem amor
Um rasgo mágico um chorado passo
Colocado e apaixonadamente em cor.

Alguma Lenda


Se eu soubesse ler futuro a futuro

Morria mundos sem tanta fé

Comia do mar das mil barcaças

Algas de desmorrer.

Até reaver sorriso intenso em mim

Entre dedos ter mais incertezas

E vê-la voar pelo mar.

Rompi dois mil medos por entre subúrbios

Conquistei outros mais

Raspei meus dois sonhos, meus olhos difusos

Já desisti da paz.

Dê-me as coisas

As cores

E o não crer!!

Saia do vento enfim

Me esqueça em prantos

Me deixe renascer

Ou faça você o favor de vir a mim

Deixe ser você alguma lenda.

Sou cidade


Rever-me em mel
Alcançar-te em luz
Sem Paris na praça que compús
Bonsucessos que tive em ver
Velha má voz de acordeon
Sem mais versos, só uma canção
Inventada só pra te ver.
Nem és mulher ou amor
És só mar
Irresistível jeito de calar
A mais pura vontade
De já romper-me ante o céu
Onde, vago cometa ao léo,
Me transformo em cidade.
E a velha nau do meu lar
É uma canção
Feita pobre na invenção
Da mentira que é ser você
Por nada ser assim pouco e bom
Como tua pele e teu tom
Tão bonito de tão viver.
Calo-me em fé
Vejo a luz do luar
Me refaço imaginar
Versos feitos de grades
Rompidas ante o soar
De um céu raspingando mar
Transformado em saudade.

Não diga mais toda a solidão
Só sou forte por ser canção
Só sou vivo por já mar ser
E aqui na terra sem gelo ou som
Me oriento pelo antigo tom
Das mil vidas que posso ver.
Pela mulher que me foi tão luar
Grito a História do ar
Eu marejo verdades
Sonho com o som de outro véu
Vago na cidade ao léo
Sou cidade.

Sem mais


A meu respeito o dom de não ter paz

Faz-se maior

Dá-se ao menor sinal

Com um toque de fé.

E entre trilhas de jeito intenso de voar

Sinto o soar

De um peito de sol

Um jeito ao sol

Um riso ao sol

E só.

Por ter espelhos a me observar

Me faço livre

Para notar, lua e voz

Resquícios de mar

Sentidos de sol

E meu sol é bem maior que o sol.

É a vida plena

A lida plena

Dos homens, corpos, canções

Das fadas, corpos, canções.

É a linha em cena

A voz da arena

Arena, rua, invasão

Canção de lutas e tons.

Como sou feito de invencível paz

Sou sem paz

Sou sem mais

Sem mais.

Freiras de Filmes Antigos


Te reparo na sala direita

Escrevendo trilhas de bodes e gueixas

Rasgo o véu ilusório da vida

E crio feridas fechadas, de mesa.

Rediscuto o princípio sem fio

Que une a urgência com um esgar de dor

E irônico falo de sementes

Históricas, perenes, chamadas de amor.

Nego nomes que em placas de Ruas

Parecem à espera de alguma cabeça

Que repense o signo das luas

Das lutas que enfeiam sua história nua.


Rasgo páginas de teu novo livro

Distante da história do teu hoje amigo

Que de ciúmes mata-se por besteira

Ao Estilo das Freiras

De filmes antigos.

Entre pernas e sexos


Cala-me com um beijo bom

Faz travessura

Não dê razão às minhas frescuras

Cala-me o tom.

Rindo menino a fazer

Luas escuras

Pipa na mão

Linha em dupla

Sorriso em Rio.

Vejo na nota de ontem um semidesejo

De revoar

Pelos ares dos mais simples novos começos

Indo tocar

Rima solta de corda com pactos, beijos

Semi loucura

Total delícia.

Trago acordes de violão

Entre meus versos.

Fala

Entalha tua canção

Noutras mil luas

Nota a paixão

Vide a loucura

Leia Virgílio.

Rindo me infindo faço-me ser

Buquê de luas

Escuras a ver

Ruas maduras, moças, delírios.

E eu já mais preto em instantes de mim tão distante

Calo-me ar

Cheiro o senso das rosas, faladas por Dantes de Mangueira

E respeito demais, caço o ar como dantes

Menos Casmurro

Mais livres trópicos.

Trago artes de imensidão

Entre pernas e sexos.

Um dom


Estranho é notar além do azeite

O Sabor desfeito em graus de não saber

À espera do beijo de deleite

Que nasce do sofrer.

Olha a hora

Alguém quer que você deite

E veja o olhar que respeita o senso do amor

Seremos nós prisioneiros do que prende

Em nós nosso sabor?

Nem se a vinha

Desse-me um vinho de mar

Me aprisionaria ao luar

Tendo tantos mundos

Pra ver linhas de inumerável ser

Tendo a ti no coração

Danço a cor de outras canções.

Nas asas cansadas dos desejos

Revejo delírios perfeitos feitos de amor

Te sinto na falta do que vejo

Em torno da cor.

Mas há um novo ar pelo meu peito

Saudade, ciúme, despeito, orgulho e um calor

Quer faz-me indiana guerrilheiro, mezzo explorador.

Dá-me a linha

Que prendo-me ao mar

Solto-me a navegar

Pelos tantos mundos

Tendo a trilha, inevitável do ser

Trago-te em meu coração

Tendo ao corpo um vento,um dom.

O Tempo só me diz seu sim

O Tempo só me diz seu sim

Nem existia meu olhar
O tom da tarde recuperava horizontes
E nos desafios de se amar
Existia o velho lar
E o que sou.

A tarde representa ventos
E coro ao notar-me amor
A lua coexiste com o tempo
Para que refaça os passos
Onde repousa a dor.

Corre o tempo do meu ar
Respiro fogo no recital da minha cor
Enquanto construo outro olhar
E o mundo vira um lugar onde estou.

Não sei mais porque compreendo
Virei metal sobre velha flor?
Espero as asas verem ventos
E tal qual velas navegarem cor.

Tristeza nua se foi ou vai
Eu vivo dias sepulcrais
Aguardo noites
Criando rimas sem sinais
Olho o cenho da História
Lhe tenho amor.

E meu amor é sobre o tempo
Um poema claro feito de ardor
Existe mundos tão pequenos
Que exigem atos feitos de louvor.

E pelas luas vejo tempo e mar
Meu vermelho enfuna a vela do Instante
De meu ator de ações brutais
Recosntruído pleno nas asas do que.

O mais puro e sereno
Grito lutado tecido em sabor
Pelos passos que não lamento
Criados em povos, corações e ardor.

A história do que é e o vento
Relançam sobre mim o tempo
E o tempo só me diz seu sim.

Com o que sou hoje

Com o que sou hoje

Sorrio no mar distante de você
Construo novas cores do sul dos velhos Barcos
Navegando pelas ruas do meu apreço
Confundo velhas novas com ironias e descalabros.

Me calo a sonhar com um eterno céu azul
Não choro
Pois há no ar
Mais belezas entre o lembrar e o rir
Entre o ficar e o ir
Nem tudo se prende ao Equador
Existem cores feitas de luar
Eternidades feitas de além mar
E sempre tem um boteco à espera
Feito de amigos grandes
E novos hojes.


Perdi meu cigarro na festa que teu ser
Me ensinou com olhos novos, feitos de amigos alvos
Escrevo sem velas nas páginas do meu desejo
No som das velhas músicas escritas por tempos e espaços.

Meu tom de olhar varia do velho bom azul
Meu som de lembrar esquece a dureza de sofrer e morrir
Indo aqui e ali
Relendo o livro que me fará doutor
De mil histórias que já quis contar
Revendo cores do mesmo meu lugar
Tecendo saudades expressas
Onde turbinamos ontens
Feitos de anjos e sereias
Construídas de rir
De ficar e de ir
A vida é longe se não se olhar
Pras pedras nuas onde vou andar.

Minha vida permanece com pressa
De saudar o ontem
Com o que sou hoje.

Madrugadas


Perambulado pelos simples olhos
Das coisas que moram nas patas cansadas
Recrio espirros de ácido com flor
Pintada multicor no rosto, na amurada
Dos mares cínicos que vi, menino
Sorrindo, franzino
Catando palavra
No recriando mundos entre espantos
Viagens, prantos, banzos
Batucadas.
E pela hora
Calo espasmos de talvez um pranto
Pois minha hora não demora
Ou fica esperando.
A esta hora mundo meu me chama tanto e tanto
Regando modas de desertos, matas e mil sonhos
Enquanto a sede desta vida me faz reviver
Reparo as asas de andorinha
Misturada com morcego de noite vadia
E conto estórias pra poder viver.
Se falo alto, falo sempre certo
Ou finjo-me esperto aguardando porrada
Por ato falho de criança engano
Ou adulto bambo de alta madrugada.
Assim com os meus que me aturam tanto
Rasgo esperantos com doses de aniz
De um colorido humor de recanto
Noturno, mundano, feito de país.
É que agora, só meus olhos me cansam já tanto
E logo agora só preciso de um riso franco
É que é hora de saber partir sem pedir pranto
E veja ocê
Que madrugada me faz reviver
A vida bela que por todo dia
Sem cinzento vil regalo de dolorida trilha
Nem sofro,
Sambo pra saber crescer.

Chega a doer


Saí bom dia pela aí
No Ar
Sem um programa me mandando sofrer
Repirei noite de mandar regular
Beatos dados a tentarem sofrer.
E todo o cansaço
Que sinto em saber
Me diz por aí
Que é por aí o saber.
E retumbando um batuque de bar
Lembrei do rosto que parece você
E todo dia me ensinou a ganhar
Detalhes tantos de poder aprender
E um único fato
Me faz entender
Que tudo eu sou, na hora do vôo
Tão solo que chega a doer.

quinta-feira, julho 31, 2008

Quilombolas, questão fundiária e racismo midiático



Recentemente diversas matérias na mídia empresarial (Mais precisamente em O Globo e Rede Globo) denominaram as lutas dos remanescentes de quilombos ao acesso à terra como ações de desordem, desestabilizadoras do dito Estado de Direito. E esta ênfase tanto se dá na luta dos remanescentes de quilombos rurais quanto na de quilombos urbanos.

A Rede Globo, em pelo menos dois exemplos, pode ser a referência principal desta retomada dos ataques aos Quilombos pela imprensa. Em uma matéria veiculada em maio de 2007, a emissora ataca de forma veemente ao reconhecimento da comunidade quilombola de São Francisco do Paraguaçu, localizada no município de Cachoeira, Bahia, noticiando em manchete "Suspeitas de fraude em área que vai ser reconhecida como quilombola". Em diversos momentos a matéria, em um enorme esforço para criminalizar o movimento, "entrevista" "quilombolas" acusando-os de retirada ilegal de madeira, etc. É um grande esforço. Mas, não se vê esforço semelhante na denúncia à grilagem na mesma área, por exemplo.

Já em seu Programa RJTV (conforme pode ser verificado no Dossiê da Imprensa Anti-quilombola do Observatório Quilombola, www.koinonia.org.br), o ataque é contra o Quilombo do Sacopã, localizado em área Nobre da zona Sul do Rio de Janeiro. Neste caso as acusações vão desde fraude, até dano ambiental e especulação Imobiliária.

O interessante destes ataques é não só a repetição de uma atitude constante na imprensa brasileira desde antes da abolição, mas também a recusa ao reconhecimento das áreas como comprovadamente povoada de remanescentes, ignorando a constatação técnica de antropólogos de universidades públicas (como a UFF) e a competência técnica da Fundação Palmares.

Ou seja, é urgente para a mídia empresarial barrar qualquer tentativa de democratização do acesso à terra e à moradia. Qualquer possibilidade de democratização é vista como um ataque aos pilares da sociedade, em especial à propriedade privada, sagrada sob a ótica da ofensiva midiática.

Durante todo o século XIX eram constantes os ataques aos Quilombolas e seus apoiadores, e mais ainda, aos escravos livres, pós-1888, com relação ao acesso à propriedade e quaisquer defesa do acesso dos negros à terra era vista como uma busca de tornar o país vítima da barbárie. Eram constantes os pedidos de prisão aos apoiadores dos negros fugidos via jornais. Mesmo os quilombos mais pacíficos, de cunho abolicionista, porém sem o caráter de resistência ao sistema e posicionamento beligerante, como o Quilombo do Leblon, conhecido também como Quilombo do Seixas, era alvo de ataques constantes pela mídia. E este quilombo era praticamente um dos quilombos oficiais do Império, apoiado pela própria princesa Isabel e sendo parte de uma rede de quilombos ditos urbanos e baseados em propriedades privadas de apoiadores do Abolicionismo.

Hoje a mídia repete este comportamento, buscando não só criminalizar os movimentos que buscam a reparação da barbárie que foi a escravidão, como todo movimento que conteste a atual estrutura de acesso à terra e a propriedade. Mas em especial os movimentos de remanescentes de quilombos sofrem ataques de enorme perversidade. Dado que se contesta a existência de quilombos que atestem o direito à terra pelos remanescentes, porém não contestam o direito à mesma terra pelos atuais senhores. Não se contesta a exclusão de negros e indígenas pela lei de Terras de 1850 do acesso à terra, sendo esta distribuída aos amigos do imperador e aos brancos que conseguissem ocupá-la com benfeitorias. Não se contesta a riqueza gerada pelo trabalho escravo que praticamente financiou o nascimento do capitalismo, a revolução industrial. A escravidão gerou toda a riqueza que permitiu o nascimento do capitalismo, mas mesmo uma reforma que permita o acesso de alguns dos descendentes destes escravos é condenada de forma veemente pela voz principal da classe dominante, a mídia.

Assim, a mídia toma a frente para a manutenção de um estado de coisas onde o negro, o pobre, o oprimido, não sejam apenas afastados de seus direitos e do acesso aos meios para sua sobrevivência, mas também sofram as conseqüências pelo ato de franca "insubordinação" retornando a serem criminosos por serem só isso: Vítimas da opressão.

Novos Palmares


Resistência e a velha História do Brasil




É clássica a interpretação da historiografia tradicional do povo Brasileiro como um povo pacífico e a citação do Quilombo dos Palmares como único momento de resistência à escravidão, além dos movimentos abolicionistas. Pelo menos no que se ensina no ensino médio, o normal são poucas referências a algo além da Inconfidência Mineira como exemplos de revolta no Brasil.


Alguns livros didáticos até citam a Conjuração Baiana, poucos citam a Revolta dos Malês. A maioria fica na inconfidência mineira, como resistência à opressão e no Quilombo dos Palmares, como resistência à escravidão. Inclusive, a redação destes livros de certa forma hierarquiza estas lutas, colocando o ensaio geral de conspiração de elite que foi a Inconfidência como mais importante que o maior Quilombo de que se tem notícia nas Américas e , com certeza, a mais duradoura experiência de resistência ocorrida no País como menos importante.

Qualquer referência às 2.228 comunidades quilombolas espalhadas por todas as regiões do país conforme levantamento do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (Ciga) da Universidade de Brasília (UnB) e aos quilombos que lhes deu origem é uma utopia, dado que resistência no Brasil não existe. Só se for à famigerada coroa Portuguesa e por um clube conspirador da elite de Vila Rica.

A Revolta dos Malês, a maior revolta Negra do Brasil e a primeira de caráter classista no Brasil, composta por negros livres e escravos e apoiada pela base da população baiana do Período (1835), é quase sempre solenemente ignorada, a Cabanagem idem.

Todas estas revoltas possuem algo em comum, foram feitas majoritariamente por negros, índios e quilombolas.

Inúmeros quilombos se espalharam pelo Brasil, a maioria deles de resistência, com a busca de construção de um sistema próprio, autônomo, de organização, que era nitidamente de rompimento com o sistema da Colônia. Revoltas escravas ocorriam a todo o momento no Brasil. Só na Bahia foram mais de 50 revoltas escravas de 1798 até 1835, sendo a mais importante a Revolta dos Malês. O Recôncavo Bahiano era um imenso barril de pólvora e por diversas vezes o Governo da Bahia à época tinha de pedir reforços e auxílio à Corte para controlá-las.

Porém, como o aluno de ensino básico e ensino médio tem acesso a isso? Onde?

Simplesmente não têm. E quando têm, as referências são tímidas, como desimportantes, dado o imenso esforço de manter a idéia de uma população servil, pacífica, principalmente os negros e índios.

Este fato demonstra mais do que uma busca de manutenção de um quadro onde a população se veja como impotente ante a constante opressão de que é vítima. Demonstra também que o esforço vai além, no sentido de demonstrar que a população é pacífica, mas em especial os mais oprimidos, os negros e índios, e que estes mais ainda, nunca se rebelaram contra a situação a que foram submetidos.

Para que referir-se ao pânico da elite baiana em 1835 com relação à possibilidade de um novo Haiti no Brasil e ao movimento que aumentou em muito este pânico e exigiu um controle no envio de escravos com origem na Nigéria e Benin ao Brasil? Nunca. Para que dar idéias a um povo acostumado à chibata?

É preciso que a população tenha consciência da Revolta da Chibata, da Revolta dos Malês, dos inúmeros Quilombos que resistiram à opressão e buscaram liberdade e autonomia e para isso é preciso lutar pela construção de um ensino que respeite a História deste povo, principalmente o exemplo dos que resistiram mesmo sendo os mais oprimidos de todos. É preciso que lutemos para que todos os Palmares sejam conhecidos, para, quem sabe, criarmos Novos Palmares.

sábado, abril 26, 2008

Militância

Jamais sonhei sem jantar. Costumo comer ao meio dia um inferno por vez, paulatinamente como quem saboreia.
Ao ver Hécules 56 , não soboreio a derrota. Saboreio o tempo.
Vislumbro a lágrima do vento
E quem sabe um futuro derrotado, ou a dúvida de mim, de todo um mundo?


Quem sabe a luta em si, Quem sabe o tortoirs da derrrota em nós?


Nós, danados. Nós danantes.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Um coração

Dose de cor e dor
Amor chuta o balde do mar
Dose de flor e dor
Arrasta ao tempo pro ar
Cores de morte e flor
Respiram tudo transformar.

Realeza é o pé que esmaga o dedo de Deus
E faz carne no feijão
Boniteza é a sé
Do desejo de mundoi mudar
Na cor
Do sorriso do irmão.

Lua de cheia dor
Chicote assobia no ar
Noite de flor e amor
Risonha preta faz luar
Corpo de dor e amor
A dor faz o corpo voar
Jorra a flor do amor
No sexo do sorriso mar.

Ressurgir é fé
No pé do imenso amor meu
Pela humana razão
E ressabiar é pé
Da fé que imensa faz eu
Faz de mim um coração.

Resistir é fé de flor
Amor que cura e faz mar
Renasce ré cor de dor
É lua de imenso voar.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Sendo Deus

Estrela do mar dança nas trilhas
De um luar que não criei nas linhas
Que escrevi sem olhar direito
Sem ler nem de ninguém
Foi só Deus.

Esperança me baila plena vista
Rouba tristeza ao ver lua bem quista
Rezar contra o mal
Que despe o corpo negro do rei
Que foi Deus.

Nada demais impulsiona a lida
A dor do corpo
Constrói a vida
A raça de quem vê o sol se pondo
Indo além
Sendo Deus.

E haverá
Todo um Deus
No amor de Iemajá
Que é meu mar
Que é ser
Homem cor
De luar.

E haverá
Todos Deus
Homens sonhos de mar.

Baila brilhante centelha tão querida
Gente perambulando em infindas
Forças de romper cercas
Grilhões feitos de notas de cem
Sendo Deus.

Ferva gritante coragem mais que linda
Nos cânticos crioulos de Olinda
Nos Hip Hops que Acary fez
E mantém
Sendo Deus.

Pois haverá
Sempre Deus
No louvor do amar
Que jaz no ar
De quem vê
Sol se pôr em luar.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Beleza Rara

Bom dia por hoje
Não veja meu riso
Sonhe sua mulher
Reze por seus filhos.

Boa noite
Hoje
Sorri sangue em trilhos
Consegui sem fé
Tecer mil motivos.

Boa tarde
Hoje
Cansei mais minha vida
Não rimei remar com curar feridas.

Aprendi dos galhos
Rumos retorcidos
Compreendi das flores
Temas massacrantes
Castrei a inverdade
Das verdades da vida
Ruborizei com histórias
De irmãos feridos.

Não se lembre hoje
Vá viver seus bingos
Parabéns sem atraso
Por sua morte em vida.

Não se esqueça hoje
Do riso dos amigos
Cuide das omissões
Que te fazem vivo.

Não me vês, sou sombra
Não me tens, sem brilho
Sou história tanta de mortos e gritos
De dores de dia a dia distorcido
Tortuosas mãos sangrantes em perigo
Homens e mulheres
Crianças sem viço.

Não, não tenho planos
Não não fdou mais gritos
Sem bandeiras velhas
Utopias tantas
Faço o ódio vivo ser hoje o dia
Em que o urro grasse
Pelas avenidas.

E já sou o pavor das armas
O pavor no rosto
Sem água com gás
Sem nem mais palavra
E te assuto sem calmas
Gentilezas tantas
Não não sou demais,
Nem beleza rara.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Íntimo

Tudo de mim
É inverno
É sério
É tosco
Clown de oco pardal
Sem mim
Rolam multidões afins
Estouram nuvens
E rins.

Tudo sem mim
É cerne
É clero
Colorem urbes de curumim
Resmungo versos senis
Vago alhures sem mim.

E sigo meu caminho na entrelinha do verso muito veloz
Consumo Vodka em vós
E cisco meu caminho na entrelinha
Do meu subúrbio perfeito
Entre A Vila Valqueire do Espelho e a Copa
Que roubo em meus Lins.

Tudo sem fim
É o eterno sem nexo
Rosto do filho não meu de mim
Meu filho é gozo de mim
Meu íntimo é todo sem mim.

sábado, dezembro 15, 2007

Repente

Na teia do riso
Desejo faz prisão
Corrente intrancedente
De fogo de imensidão
Ou rima de mau pobre
Reinventado no chão.

Sem telha e sem piso
O choro é irrazão
Na faca há o nobre
Há o padre, há o irmão
Da peleja do demo
Rasga vento a canção.

E espelha o olho novo
O velho a desgarrar
No inferno não dito
De um dia a raiar.

E o que é o sol raiar
Nestas noites sem paixão
Se podemos namorar
Ou morrer pelo portão?

Porque se eu assim grito
Sem desejo nem fervor
Só a rima parca e nobre
De um dedo sem valor
Eu grito já cindido
Pelo pó da revelação
De um mundo dividido
Onde Deus já virou cão.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Toque seco de fervor

Chuva fina
Sol de hora faz morrer
Sonho, pipa
Lua nunca vai viver
Em rol terno
De palárvore de privação
Corsturada em véu
De imensidão
Desde menino assusto
Com as multidão.


E rói a chuva
Luz de sol e flor
Rói dor de parto
E desamor.

Faz mil anos
Que o Deus dos outros foi
Em poemas
Resgatar talvez nem eu
E quem sabe?
Construir uma nova irrazão
Que torne mais céu
Teu olhar de cão
Tua dor de ver
Terra sem ter mão.

Sem realejo
Sem razão ou pão
Só terra vermelha, sol e chão.

Vi mil anjo
Coisas que nem sei mais crer
Entre os ternos
De mãe preta a desmorrer
E em ciência
Dei comida de libação
E vienhei meus pés
Dei terra à mão
Casei com o luar
E chorei paixão.

Sou só da lua
Tenro caçador
Perco minhálma em amor.

Alvos tantos
De vermelhidão
Sorri
Tanta nova terra e gente a mais sorrir
É sonmhaço
Feito por comunardo irmão
E eu mais véi
Que toda invenção
Quase que chorei
Vi -me Deus na mão.

E faço a lua
Violo amor
Em toque seco de fervor.

quinta-feira, outubro 04, 2007

90 Anos

Nos dedos a bruma vermelha
Ateada do rouco do mundo
Nas ruas os sóis parecem invernos
Costuram palavras, verdades, inteiras
Vantagens da sorte
Feito morte sem razão
Invadindo a página da luz.

O corpo é hoje, é só
É tudo em sol que seduz.

A cruz é quem morre
No seio da farta palavra
Que rompe máquinas e veias
Vermelhas de outro sussuro
O grito em massa
É a asa da luz.

E tudo é bruma vermelha
A barba, o torso do pútrido
Rompendo desenhos de sorte
Feitos por outras mãos
Que não araram a palavra que é luz
E nasce o sol do sonho só
Da alma que rompe a lágrima, corrente,
Expurga o pús.

domingo, agosto 12, 2007

Defunto em parca lage

Rosto sedento de alma, som e livro
Alma sem tempo de comer mau seu pão
Resto de vida estancando sonho isento
Parando rima de rap
É camburão!


Viela sem corte
Tapa no resto
No plexo
Na orelha, na bunda
Ladeira inclemente
Samango invade com toca
É bandidagem!!

Tudo é pútrido,seco
Morto e invertido
Favela
O estado tem um nome e dá porrada com magrela
Todos são escravos na senzala sem canção
Todo morro é um espaço de destruir ilusão
Só o silêncio é quem fala
E a bala faz zaralho
O melhor velho amigo
É o cagaço que dá na alma.

Cai ciniscmo
É viver sem grades
Ou ser lindo defunto em parca lage.

terça-feira, julho 31, 2007

Nas curvas do PAN as vaias marcam mais que o sangue dos morros

E termina o PAN, o maravilhoso e milhardário Panamericano 2007, o Pan do Brasil.

Pipocam aqui e acolá análises sobre o "legado" do PAN e sobre a importância de sua realização para a auto-estima da cidade dita "Maravilhosa". Todas muito boas, muito equilibradas, muito esportivas. Algumas inclusive indicam que os equipamentos esportivos (Estádios, Arenas, o tal "legado") já serão privatizadas pois o município não tem como administrá-los.

Um dos aspectos negativos do PAN foi o local reservado para a prática do Basebol e do Softbol, criticado por muitos, pois não tinha estrutura olímpica. Mas muito mais criticado foi o comportamento da torcida, que de forma "deseducada", vaiou os atletas.O gasto absurdo de dinheiro também é citado, mas por poucos e ainda passa ao largo do que é pesadamente mau avaliado: As vaias.

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem!

Apenas não consigo esquecer que há menos de um mês atrás a operação que invadiu e ocupou o Alemão causou em um dia 19 mortos (a maioria negros, todos pobres) , e gerou denúncias da população que vão desde furtos praticados pelos policias, até execuções sumárias, algumas efetuadas com facas.

Este fato, por si só, já me deixa estupefacto diante do cinismo e da aceitação das pessoas que em silêncio, acreditam ser mais importante um evento que traz "mídia" e uma "boa imagem" para a cidade, do que a investigação do assassinato com execução de 19 pessoas em uma quarta-feira do mês de junho.

Além disso estas pessoas não se questionam como um evento que custou 3 bilhões aos cofres públicos agora tem seus modernos estádios e Arenas vendidos, provavelmente a preço de Banana. Muito pelo contrário, aplaudem. Como aplaudiam o Rambo Tupiniquim, o inspetor Trovão (Trovão e seu charuto), após desfilar arrogantemente por sobre corpos deitados na favela invadida.

Rotularam os moradores e os cadáveres de bandidos. E definiram que defender uma polícia que não seja ou aja como um exército de ocupação, um exército que trata Brasileiros pobres como inimigos é defender bandido. Enquanto isso preocupam-se com as vaias aos atletas estrangeiros, com o Cansei, com o Basta e outros movimentos exclamativos.

E permanecem preocupados coma manutenção da segurança da minoria que conta nos dedos os mortos em sinal de trânsito pro assalto, mas é imbecil demais para contar com mãos e mãos os mortos na batalha diária, na execução diária de pessoas pobres nas favelas.

Para a minoria? Segurança. Para a população pobre? Bala e opressão.

Para o PAN muita bala, ocupação, mortes e o fortalecimento do estado paralelo, agora sob administração policial, através das milícias.

Tudo isso para que só as vaias os preocupassem.

domingo, julho 15, 2007

Contra os que gemem

Chora choro sangue
Batuque de mão
Macumba criada
Corte no Alemão
Foco na cena do fogo quente
Favela
Cachorro
Obscena
Mirando defunto à vera.


É na marca do medo
É na faca do medo
Que a Dona branca se torna sangue
Que o cachorro bonitinho
Come Almas "daninhas"
O preto é corpo
É certeza que foi
Certeza do marco da arma, do mandante
Encastelado no medo que encerra
A vida, a alma no fundo dos olhos
Já assassinos
Vendo TV.

Corpo preto é certeza não irmão
É tão longe de mim
Feito de branca e funesta
Razão de correr na praia
Longe dos manos
Tão sem manos
Lave las manos
Arregaça
A arma, a mão, o cão
Todo cão
Fardado sem falhas.

Tá na mira e o mundo é quem dá o tiro
A tia é quem aperta o gatilho
E todos defendem.


É a macumba do medo
O batuque do medo
Que estilhaça o que resta exângue
Jorrando horas a fio
Aqueles jão estão na mira
E é morto, é preto, é corpo
E já foi
Não têm sol e nem barco, nem praia, nem estante
Não velejam longe das misérias
E não vão entristecer meus brancos olhos
Que vivem da lama da TV.

E é no tiro que não perco meu irmão
Minha justiça é pra mim
Pros outros é outra conversa
Minha justiça está hoje à caça
Dos Hermanos, todos manos, tão sem planos
Sem ver luz em casa
Me aperta o coração
Sem razão, medo vão
E agora minhas mãos é que apertam o gatilho
No quengo, na nuca, faca e tiro
Contra os que gemem.

Sexo é revolução com sacanagem

Rasga-se o tempo entre as pernas, entre os risos
Perde-se tempo no papo que perde a mão
Nem adiantam malas, vozes de congresso
Amor demais é amor revolução.

Afagos de gente
Ardem de medo
Nas manhas da alcova
Além dos olhos verdes existe sexo
Existe sexo entre os suricates.

Vida segue em veios, em veias, favelas
Sem polícia, sem juiz
Comigo, contigo, com ela
Vida se ergue na profunda invasão
De um Pênis, Língua, dedos
Armas de tesão.

Vagalhões de sede
Rompem com o medo, o seco da ausência da tesuda
Razão que ergue o sexo, que faz do sexo
Ser mais que amor que arde.

Corre corpo do jeito da linha que vem dela
E ela é a lis que rompe com toda cela
Amor que arde em homem, mulher, cavalo e cão
É que nem Carcará rude que aboia no sertão.

Todo sexo é a irrazão do corpo unido
E vai além do pão do padre oprimido.

Sexo é livre razão que hoje arde
Livre em corpo, união d'alma sem grades.

Sexo é revolução
Com sacanagem.

sexta-feira, junho 22, 2007

Lamarca

Capitão fez lua boa
Nasceu ruminando mar
Construiu coisa à toa
Brigou até se matar.

Deu com a corte na teia
Na rua, na trela
Que deu para o mar.

Deu para a corte a vela
Acanhada e cega do ir e mudar
Apagada e cega de nunca ir lá.

E em nós
Fez nascer a rua, a veia
O sangue, o ar.

Em nós
Fez nascer a lua
A bandeira, o altar.

Pela pólvora, pela batalha
Homem nobre morre em voar
Nesta pólvora das luas e marcas
Somos livres para brigar.

Vence quem vence o lutar
Vence quem lutar a voar
Em cor de sonho e cheio
De ir e vir, de mudar.

Vence quem muda o luar
Vence quem rói o sonhar
Em cor de mundo inteiro
Somos tão tu
Quase um mar.

O direito de recriar Deus e o mundo

Ao mar desce sobre o som
A lumina da invenção
Faz-se rir
O intenso burbulhar da ação.

No andar
Pernas são canções
E mãos são a invenção
O criar
Do mundo benigno.

E no ar, o voar
Do ser, do mundo
Vermelho sol de ir lá
Refazendo de novo o tudo.

E no estar, no gritar
Há ser, há mundos
Gentes a recobrar
O direito de recriar Deus e o mundo.

As lutas de homens sem cordas

Na palavra dada
Cavalo já chia
Rua seduziu o sol também
Tendo a lua na magia
E deus se fez perigo sob as roupas entravadas dos lordes
Enquanto o movimento de todo ser
Rompe as cordas deste mal.

Tendo do fogo
Os olhos que nascem nas mãos
Entre calos e tormentos que recuperam o ver
E doem como o sonho e o sal
Entre as mágoas e os momentos que não servem
E alimentam o voar.

E entre os sentimentos de todo ser
Nasce o alegrar
O rir, o mar
No cerne obtido pelas rubras
Bandeiras que socorrem
As lutas de homens sem cordas.

Pela vil e democrática luz

Entre o riso de rir e a lua postada
No cangote do fim
Eu me tiro de letra na rua calada
Roubo sóis de jardins.

É que o mundo sozinho não repara em nada
E eu gosto de atuar
Pela esquerda
Entre o Beque e o muro
Driblando o luar.

E se o remo cair entre o Rio e as alas
Das Bahianas de mim
Resoluto em me rumo nadando de braçadas
Pelos botecos de ir
E salgando o lirismo
Ponho a roupa rasgada de herói de quadrinhar
E rebolo um batuque de exu
Só pra relaxar.


E se o mundo sozinho seduzir minha palavra
Eu me escangalho de ir
Rio no andar torto da mulher amada
Secando o sol de luzir
Pela água do rumo da esquerda velada
Que que já quero mudar
Pela vil e democrática luz
Do ser vivo e andar.

Autoretrato

Enquanto assim
Sou o mesmo que o resto
De todo dia que fui em mim
Um alto grau de Saci
Um sacerdote sem sins.

Enquanto um fim
Sou parte dos versos
Que obscrevo escuro em mim
Jogando letras prali
Cercando cercas de mim
Sacando dos delírios linhas feitas de um sorrisso atroz
Buscando deuses em nós
Sacando dos destinos das magias
O amor todo perfeito
Pelo amor do humano arco
Desejo intenso de risos
E sins.

Enquanto mim
Envelheço velho
Sendo minha alma inteira em mim
Nâo pago contas sem fim
Nâo perco almas de mim.

quinta-feira, maio 10, 2007

Real

Lustre de almas penduradas nas ruas
Faca de osso na boca da ilusão
Show de retornos e dores inestimáveis
Suja resmungada irritação
De lama e rua indecorosa em nada, sem cor
Retorcida imagem de vida inumana então
Dejeto de corpo em vida
Já sem razão.


Parca rapinagem entregue à mãe do doido
Palhaça imagem de vil escravidão
Adjetivada ruindade sem decoro
Assalto à banco difere de revisão
Do cálculo imposto pelo meu estado do céu
Que inibe a visão dos sem cor, dos sem mãe no mel.

Casto ato de mãe na zona
De roubo da carga do estado
Faca nos cornos da puta loura
Que mata-se em cigarro
Dá-se asism o dia todo na rua
Na casa do alto funcionário
Na lama do barraco infestado
No ato do real imposto.

Pele de osso sem alma sem inferno ou céi
Cadáver de cor debulhando seu sangue no mel.

Autobiografia

Enquanto assim
Sou o mesmo que o resto
De todo dia que fui em mim
Um alto grau de Saci
Um sacerdote sem sins.

Enquanto um fim
Sou parte dos versos
Que obscrevo escuro em mim
Jogando letras prali
Cercando cercas de mim
Sacando dos delírios linhas feitas de um sorrisso atroz
Buscando deuses em nós
Sacando dos destinos da magias
O amor todo perfeito
Pelo amor do humano arco
Desejo
Intenso de risos
E sins.

Enquanto mim
Envelheço velho
Sendo minha alma inteira em mim
Não pago contas sem fim
Não perco almas de mim.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Arte: Além do Artista, Além da propriedade


Se a arte é além do artista, o liberta de sua existência, o liberta de suas idiossincrasias, ela mesma em si traz o sentido de transformação que faz do artista vítima de sua própria criação. A coerência entre arte e ente, entre criador e obra, é um desejo que pode não corresponder à existência real do artista e pode também não influenciar no poder transformador da arte. Esta coerência seria um modo do artista sobreviver ao impulso e influência revolucionários da arte em si, porém não é uma condição sinequanon para a criação, nem tampouco para a existência do artista.
A criação é em si abstrata. Ela traduz o real de forma ideal, mesmo autodenominando-se realista ou concreta, como objetivo de criativamente levar um novo ponto de vista a respeito do concreto a quem a lê, vê ou ouve. Ao mesmo tempo, a arte é em si transformadora porque busca recriar o real de forma ideal, como exposto acima, e mais além redescobrir no real, pontos invisíveis.
A própria idéia da arte é transformar o real fora do real. Este impulso transformador faz da arte um meio de influência revolucionária constante. O que não torna em si o Artista como um revolucionário. O que leva à arte ser de certa forma o fim do artista no sentido de causar um impulso de transformação que pode engolir o criador que não for coerente com sua obra. Assim a exigência de coerência entre criação e criador não é em si uma exigência que influencia a qualidade da arte em si, mas sim uma exigência da sobrevivência do artista à sua arte ou um meio de utilização da arte como instrumento de transformação, seja ela pessoal ou social. Esta é uma das formas em que a arte indo além do artista pode ser trabalhada ou entendida. Porém não é a única.
A arte é além do artista também, pois ela é em si um produto social por excelência, ela não existe fora do compartilhamento com a sociedade. Sem ser compartilhada a arte é nula, é ausente, é inexistente. A arte precisa da sociedade, como esta precisa da arte para vislumbrar um real além do real. Cada pintura, música ou poema retrata a realidade de forma que a sociedade pode se enxergar com outras cores e formas. Por isso muitas vezes a arte vai além do escapismo clássico e torna-se um importante meio de mobilização, denúncia, conscientização e sensibilização da população para temas importantes, causas, mobilizações, entre outros elementos, digamos, políticos da vida social.
O entendimento da Arte como algo inerentemente coletivo, mesmo sendo criação individual, pode permitir um sem número de utilizações da mesma, de compreensões da mesma, mas antes de mais nada permite que entendamos a obra como um meio de avançar em relação à criação como uma propriedade. Se a arte é além do artista como ela pode ser propriedade dele? Se ela não é propriedade de quem cria como pode ser de alguém? Assim além de ser um meio de transformação social e pessoal, a arte também é um questionamento clássico da propriedade em si. Porque a propriedade é restritiva, ela reduz o objeto à funcionalidade atribuída por seu dono. E como algo que em si mesma traz o germe da transformação, é além do que a criou, avança além da sociedade em que nasce pode ser no fim das contas restrito a um limite imposto?
É por isso que a arte é também um questionamento a qualquer restrição, inclusive a de propriedade. Sendo assim uma revolução em si, um processo de transformação completa da realidade em algo inusitado, a arte supera a origem e avança, indo além inclusive de conceitos que a aprisionam.
Por isso é arte.
Gilson Moura Henrique Junior - Novembro de 2006

FONTE: REVOLUTAS
SITE: http://www.revolutas.org
PUBLICAÇÃO: 26/11/2006