quinta-feira, outubro 23, 2008

Porto universal

Sol nesta manhã
E som de rua,e mais
É sol de vento
Então qual fantasia
Surge em explosão de muitos desejos
Cálido no tom de neo-maravilha.

Em meio à confusão deste velho Rio
Jazem Sampas de manhã
Rumos pelo aterro
Tatos de canção
Tatis e Nás de poesia
Costuram razões além Melodia.

E meu coração de cor de terreiro vai
Restaurando sons de ouvido inteiro
Pulo na invenção
Corro na alegria
Calo-me na voz
Rio quase inteiro.

Pois sou amanhã
Pois sou irreal
Sou um mundo inteiro, até permito
Ser transnacional
Vagando entre dons
Vagando no sal
Sendo-me sorriso, invento, cheiros
Sendo universal.

E como não ser dom
Nem ser poesia?
Se o sol então arde qual celeiro
que serve a visão de grande maravilha
Ter um coração vivo em meu peito

E toda manhã
Acordo entre o sal
Raiva que faz livres sons ausentes
Que sonham novo sal
E sendo amanhã
Sendo irreal
Vago em las cajes deste alegre
Porto universal.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Um carinho nosso pelo criador

No tento das palavras grandes
Resmungo perversidades construidas por doutor
Reparo séro nas veredas
Nas verdades que velhos feitos de artes
Escreveram por louvor
E passo o pé na presteza da cidade
Pra evitar as grades
Para evitar rancor.

E jogo assim meio arrastado
Tumultua o relvado
Faz corar o trombador
Porque perfeito tudo nem é bom estado
Mas nem tão esculhabado pro craque poder se impor.

Valha-me chuva de me prender engarrafado
Rumores de tranca-rua dizem sol de levantar!
Valha-me ruas de prender-me encafifado
Música que cala rua não se pode amarrar.

Olha Maria
Se Deus fosse duas vinhas
Não haveria drogaria vendendo Anador
Só tinha a gente mantendo em nossa prece
Um sorriso bonitinho feito de um carinho nosso pelo criador.

Às tardes

Colho dos céus
Novenas azuis
Larguem fogo sobre o obus
Mil cidades me fazem ver
Raias de mar
Reflexos do sol
Em meus olhos em rouxinóis
De meu lírico novo ver.

Faço-me fé
colho a dor do luar
Planto ao nascer do mar
Novo sol de verdades.

Sinto a saudade do mel
E surpreso um novo céu
Faz-me tarde.

Pelas manhãs brindo sóis com a luz
De um riso que só seduz
Quando simples se faz nascer.

E eu guri ao som
De Oswaldo Cruz
Sambo rezas, Candeias azuis
De Cartolas de meu viver.

E assim minha fé, vê um novo luar
Saudade vira sonhar
Mundo colore tardes.
E quem sou eu sob o céu
Desta estrela em novo mel
Da cidade?

Cidade sal, luz do meu saber
Só você pra me fazer ver
Estrela flor em velha manhã!
Quem sabe a fé
Faz-me novo luar?
e eu que não sei esperar
Vôo às tardes.

Inventado azul

Eu rio ao largo dos espaço
Faço brados
Simulacros
Costumo ter sonho e flor.

Vago no som primeiro ato
Castro Vargas inexatos
Leio pobre ficção.

Assim me rumo ao sumo
Sou segundo
Totalmente
Repleto de mar
Ausência de ar
Costume de ir lá
Ao menos pra colher luzes colantes.

Ali parece agora tão distante
Será que sorrir é só demonstrar estrela de mar?

Queria ser somente um instante
Pelo sul
Rompendo mil milagres
Ouvindo apaarentes novas harpas
E naves
Como o azul
Das prestezas correntes
Assim como o sabre
Corta a alma da gente
Inventado azul.

Gabeira e Paes, pra não me deixar em paz!

O grande fenômeno das eleições municipais do Rio de Janeiro em seu segundo turno é a “esquerdização” do PSDB sob o manto do super verde boy marino – Teddy Gabeira.

No outro canto do Ringue Eduardo Bem Vestido Paes, o Terror do Trator anti-favela.

E a população entre milhões de justificativas de como o PSDB virou de esquerda contra a Máfia do PSDB. Não que exista uma diferença tão enorme no modo elitista de governar de ambos, apesar de métodos diferentes de atingir a mesma opressão velha de guerra em relação à grande massa.

A Candidatura Gabeira tem o agravante de tornar simpático o discurso do PSDB, e pior, sua modernização é o sotaque carioca dado ao Governo Serra/Andrea Matarazzo em São Paulo. O Paes, ruinzinho que só, mas adorado pelas donas de casa à procura de bom partido pras moças casadoiras, é só um coadjuvante perigosíssimo dessa comédia de erros que é a ausência da esquerda no Rio de Janeiro.

Gabeira consegue se mostrar algo que não é, apropriando-se de uma mistura de discurso de esquerda com fundamentos econômicos by George Soros e isso porque o discurso ético da Esquerda petista hoje repetido também pela esquerda do PSOL banaliza a política a um debate entre quem rouba e quem não rouba. Daí não se questiona a ética na aliança de um sujeito honesto com o Zito, por exemplo, e Marcelo Alencar. Fica-se preso na lógica do embate entre o Paes, dito defensor das milícias e do caveirão, mas como o Gabeira parece de esquerda e até o momento é honesto, não se discute sua aliança com Marcelo Alencar “Bônus Bang-Bang pra polícia” e Zito “Matador de Caxias”. E ainda acham que somos ingênuos e que devemos derrubar a direita nos aliando ao Periquito das Gerais.


Se confunde postura externa com postura política, não se vê os imensos recuos, ditos necessários para ser eleito, do Nobre homem verde de Ipanema na questão da liberação das drogas e contra a homofobia, e não se discute o que é “choque de capitalismo”, tudo pela falsa dicotomia do Miliciano versus o homem bom. Nem se percebe que o discurso é o discurso Cesar Maia com estilo, cor, cheiro e elegância.E novo dono, com a possibilidade de sustentação ao PSDB nacionalmente.

Nesta balada ficamos auqi observando o novo round do personalismo grassando, só que pela direita, enquanto o rio ta quase Tietê, mas lá ao menos teve o grupo Rumo.

Crueldade com animais





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Rês

Rês
Sê somente encalço
Peque na festa divina
Vai!

Vê na alma o sal dos passos
Vê a sebe
A flor retinta.

Vê somente sem olhos
Silenciado em temor
Vida
Vida é sina de mil olhos
Sons de almas
Cruz
Esquinas.

Rês
Sê somente o sino
Das maligrejas das linhas
Reescritas nas palmas de Lourdes e suas filhas!!

Vê todo o mal nas enganas
Das Bestas de tua torpeza
Não ligue à palavra a calma
Não ligue pra palavrezas.

O medo é o todo do ser
É alma e espaço
No delírio sem pernas das novenas
Na lentidão que inferna as mil lendas
Dos bons homens que caem em pranto, em falso.

Nada seu cria ondas
Cria fatos
Todo seu é o maior pesadelo
Todo sonho é um pouco desespero
Esperança é um irônico sorriso
Dói da fé o impacto sem frio
Do delírio atirado em pleno peito.

E a astronave das linhas, o incerto
Sâo cordéis não culpados, mas com peso
Remoídos irrimados de desejo
Pelos sins e pelos nãos de cada deserto
Costurados das penas de mil cérberos
Como se fosse nova a mão do medo
Refletida tolamente pelo espelho
Irrigado de sinais não divinos
Feitos só pelo olho nunca vítreo
Destas rimas mais vãs
Cheias de sebo.

E o que é que me faz virar canção?
Já que sou todo ator em velhas lendas
Serei nós pelas veredas pequenas?
Ou serei um soturno amor bretão?

Vago nalmas de luz em escuridão tão trançada que causa milproblemas
Como se toda hora fosse a pena
De um juiz que parece Macalé
Um Arrigo de sons batendo pé
Pra surfar no swing da natureza.

Rês me dê o seu nome e suas certezas
que lhe devolverei com chifres e mar!

Se sou sorriso não te rio bonito
Mas compartilho do desespero inato
Se sou sorriso
Talvez seja mato, ou vire mato, ou mate mato.

Rês
Fuja!
Seu sorriso pode me anoitecer!

Todos os versos são banais

Algas de novo mar
Sofrem jasmins
No decorrer do lírio
Flores aparentam cores e algum cheiro.

Reescrevem-se penas, alces, risos
Como se por risco
Voassem flutuando em parafuso.


E no entreguismo dos nossos filhos
Somos felizes
No oportunismo bom se nós eleitos
Corrigirmos os erros
Que esta gente iletrada e inútil faz e encena.

No sem nexo
Non sense tão previsto
Que verso em sais correntes e delírios
Só vislumbro a razão dos desertos.

E a cor do mar
É tão distante
Como se os ossos fossem livres
Para espetar sua palavra na parede das igrejas.

Mas não ligue
Todos os versos são banais.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Lógica banal

Ressalve as alegorias
Faça-se Angú
Dê caldo das mulheres do Leblon
Ou vá morrer
Porque rios são marcas de suor
Luas nuas se perdem pela paz
Fazem cruzes em Copa no Natal.

Repare nas Marés do Norte azul
Às margens dos universitários sais
E vá crescer
Como se risos fossem doce e só
Como se todo ônibus em geral
Corresse riscos de voar pra Dubai.

Me largue a paciência
Faça luz
Dispare armas químicas no mar
Me salva a calma do urutau
E vou aí
Perder rio de cor sem matagal
Sem nascer nova linha paris
Por entre carros e lógica banal.

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quinta-feira, outubro 09, 2008

A cem

Yo quiero Anas
Rasgam duas mil filipetas
Nesta semana
Bebo almas com o capeta
Requiro danças pelas sementes
Vago nas calmas sem dor
Reviro a mente
Procuro um véu sem labor
E costurando a cor
Do aniz com um cowboy.


Soy
Apenas a ver astronautas desertos
Só quero mesmo nascer.

Reviro nos jardins um morumbi de incertezas repletas
De uma saudade tão transversa
Refiro-me às tardes sem celeuma ou sentido
Sem hombridade
Costuro-me ator nas mil ruinas de uma história
De Terezas Santas
Do Rio amor.

E és mais teu ser todo meu eu
O que é amor, ou Deus, ou teus
Dois mil tesões?
Costuro bem
A flor do amor
E ando
A cem.

Futuro amor

Já gritei em esperanto
Que era pra nascer meio cão meio ator
De Hitcock baseado em ritmos
De chula flor.

Já rimei com hipocampos
Runs de alvorecer, frutas, aves, condor
Brinquei com signos afetados
Íntimos
Tolos em cor.

E escrevi coisa rota
Porque querer mesmo só rimar
Por querer do radical ter o tom
Pra me firmar
Com um beque meio manco
Querendo aparecer pro Técnico Tricolor
Me calo baixo
Vago inexato
Só pra rimar pato
Com futuro amor.

Só la mente

Para frasear romântico lírico
Tom Zé, balanço, canoa
Rês, lua, canapé, alvo, gentio
Palavra nua tecida em corpo de Dora.

Perfilando letras, sinônimos, símbolos
Leves destinos, catres, Loas
Ruas tecendo litorais
Repentes negros, fazendo flor.

Palavra ruma em caso de outro inverso
Universo parece Buriti
É cidade e árvore
Sem nexo
Não responde e nem encurta razão melhor.


Se és calango
Ou truta
Nasce veio
Na versola da sílaba de sal
Rima compras com muitas vezes mês
Rimam-se dor e verde afã
Pelas mil quebradas de rubra paixão em liz
Passeatas, mulheres, negros, véus
Transportemos vilões de multiversos
Construamos do verde o sangue, o bom.

Não se apegue à canção, ao som ao verso
Sugue o tom da palavra por aí
No sentido da catédra do inverso
Há a guerra da plebe e da maçã
Pelas inversões do som
Pelas cidades, bocas, e tons
Pelas almas livres e presas no chão
Pelas cadeias e fábricas e muitas invasões.

Se refletes o sol e as bóias
Se reduzes o som às flautas
Se requeres milhões de calmas
Sou apenas o que lhe falta
Sou só la mente.

Realiza o nada

Raia luar
Vaga lume de parca praia
Sol de arraia
Rasga gume de alma clara.

Vaga voar
Lua,onda, palavra rara
Soa sobre Sabres, almas
Rima ritmo
Cor de calma
Calma morre
Estravaza.


Veja-me mar
Vaga lume
Vaga palavra
Nada acalma
Luta ruindo de alma em alma.

Veja-ma ar
Pedra
Punho
Bandeira
Faixas
Explodem asas
Voam povos,
Utopias e espadas.

Vejam já
Novo homem, novas palavras
rima morta, som soa
Rasga
Realiza o nada.

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Em cada idade, em cada letra

Ponha fogo em tudo
Me crie apenas das cinzas
Parado sou mudo
Acorrentado sou sina.

Ponha algo nulo
Anule o avanço das linhas
Eu busco a carta do mundo
Pintada nas esquinas.

Mova o ás, o rumo
Jogue o lábio pra cima
Sopre o verso no prumo de nossas incertezas.

Pois o que canto é moldado
Das loucuras das idades
Das belezes de cada letra
Nas cidades
Na lua acesa.

E é o hoje o rumo
Hoje é o sumo
No cais tão consistente
Dos mares deoutros lusíadas
Minh'alma voa afora
Redunda do sorriso
Do amor que é verso em festa
Em cada idade, em cada letra.

É ver

Luzem miragens
Somos miragens
Arte é miragem podre.

Luzem milagres
Somos iguais
Solenes
Iguais rancores.

Faz-se ciência em Deus
Faz-se inferno
Cansa a clemência o ato das feras
De discutir semente.

Faz-se pior morrer
E o que quero
É olhar
Me enternecer
É chorar
Me entristecer
Ser vão
Só ser.

O que há me faz crescer
Toda morte é meu nascer
É chão
É ver.

Rio asfaltos

Rio asfaltos
Nos Estácios do ser
Rio braços de anjos
Resquícios tão humanos
Do meu olhar.

Pra ver firme a manhã
Recompondo seu axé
Seu ato
De mostrar-me o viver
Como um dia novo a meu lado.

Mas há verdades inscritas no querer
Rio falso
Te amo.

Como criar contas pro colar crescer?
Há em mim o mar que importa mais que viver?
Há verdades
Sonhos anotados sem ler
Rio asfaltos e planos.

Como ser moleque nas nuvens, no sal
Se há explosões novas de manhã em qualquer jornal?
Há saudades
E o que invneto a nascer
Rio Falso
Te amo.

terça-feira, setembro 30, 2008

E flor

Noite de qualquer besteira
Sol se seduz com a invenção
Da lua ao mar perdendo um meu sorrir.

Tempo que passa pelas festas
Da ilusão da criação
Responda o extremo da certeza
Ou ignore-me a intenção.

Posso me ausentar
Pelas inúmeras glórias da dor?
Poismeu olhar
Só pede a ausente
Falta-me flor.

Não olhe ao léo na aparência
De lá achar-me como alguém
Voando ao mar
Herói do amor sem fim
Pois sou repleto das ausências do existir em coração
Volúvel na inteira presença
Do sempre buscar uma paixão.

Nota-me ar
Esqueça-me história
Sou dor
Nota-me mar
Enquanto parto docas
E flor.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Risco

Rasgos no vento parecem ilhas de loucura
E ritmo
O sopro flui como fel
No imaginar dos desertos meus
E dor é quase assim como desejos
Só surgem precisos.

Nada ou ninguém controla a maldade da dúvida
E os gritos
São apenas você se tornando pedaços
Seus
E o que é de ti
Sem teu controle?

Não é simples? Preciso?

Morrem quem dependem de fé
Toda fé é loucura
E risco.

Crueldade com animais em momento Double pack


Automartírio e sacanagemcom zebras nostálgicas

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Eu grito isso


Melhor quadro que já vi

Só um artista

Já não sei se tenho medo do meio
Ou se pergunto a turistas
Como se faz pra vespeiro
Nascer psicanalista.

Se rimo ave com centeio
Viro gastronomicista
Arrumo cargo de recheio
Viro prefeito alquimista
Procuro bens em cinzeiros
Amores em naturistas
Pelados tem o respeito
Dos que a nudez bela avista.

Cato verdades em mateiros
E violeiros altruístas
Em cínicos não macumbeiros
Praticantes falo linguistas
Eu gosto mesmo é de cheiro
De rua à noite na pista
De cerveja com canteiros
De ruas sem sinalistas.

Talvez eu rime por medo
De morrer em dia à vista
De não saber mais do certo
Ou de ser um canalha sem listras
Ema zebra, um matreiro
Enrolador de premissas
Talvez eu seja mais meio
Talvez seja só um artista.

Suburbano


Chamam-me apenas Barrabás

Filho de Fabiano

Preto no dente e no nome

Vivendo sem interlocutor.

E rasgo com as tetas de cabras sem baio

Rádios livres e urubus sem dono

A linha fina

Do que me é tedioso.

Vi palavras de meninos

Transformarem-se em pessoas

Danos vários em pergaminhos

Construírem novas noites

E velhos comovidos sem fé

Perguntando o improviso vão

Do que muda

A cada estação.

Filhos brancos d’alma vaga

Comem ossos pela pele

Rompem lágrimas de Sarahs

De Josefas e de Kellys

Brancos têm dentes navalha

Coloridos da solidariedade que convém

Para se mudar ninguém.

E pelas praias dos Rios

Que de segunda à sexta são lírios

Tudo é tão bom

Enquanto ao vivo somente o medo vê

Nosso sorriso sem dó.

Calam-me apenas Ladravaz

Irmão de três ciganos

Cínico em pêlo nos lombos

Falados pelos homens-dor.

Por amor mata-se mais que pelo azul

Das águas de nosso rancor.

Dançam penumbras no ar

Morre Deus sem que ele possa atirar

No Salloon magro das tardes

Feitas dos que eu desisto

A morrer sem dobrar a língua por vocês.

Rasgo muitos elogios

E anoto novas dores

Gritarias falam comigo mais que vozes de doutores

E me canso de ter fé

Pois prefiro o improviso vão

Das mudas

Das pedras no chão.

Já não me clamam, nunca mais

Reviro-me suburbano com medo do tempo de antes

E rindo do interlocutor.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Transforma a si

Transforma a si

Seu nome

Talvez Amor

De Guiomar pai distante

Vivo quase antepassado

Como se de Solange alvo

De atenção requisitante.

Relapso

Alvo tétrico

De si mesmo quase horror

Fingidor de alvos brados

Inundado de hiatos

Nada sutil Mestre de Obras.

Paellas servem ao Amor

Cheio de si mesmo em palavra

Este amor que é de Nádia

Requisitado me pedaços

Pelas dores de alva.

Facas morrem sob o teto

Nasce até sol deste Amor

E o que é seu sonho em rostos?

Se a dor do morto é o sol

Do tolo acreditante?

Se morre

Não é Amor

Como já disse Olava

Ele em tudo é sublime

Mesmo radical e filmado

Por um Buñuel de metraca.

Mas grita

Solto de dor

Solto sem freios, feito o avanço de si, em dor

Ele feito quase cobra

Transforma a si

E vira a morte das obras.

terça-feira, setembro 16, 2008

A Verdadeira História do Brasil


http://www2.uol.com.br/angeli/chargeangeli/i/chargeangeli334.gif

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Acabou-se Fausto!

Acabou-se Fausto!
Durante diários
Percebíamos o quinto porre
Enquanto danava a culpa por não sermos heróis.

Acabou-se o Fausto!!
Na prévia do sempre
Ali adiante
Avant garde do tempo
Na Frente do velho
Da quinta garrafa dos infernos dos outros.

Acabou-se!
Fausto
E nós?

Um brinde a isso

Em Botafogo Janeiros
Parecem.

Em Laranjeiras
Perfeitos
Parecem.

Na antiga 17
Bolches e eu nunca andamos juntos
E nos amávamos.

Enquanto isso o gás explode
29 Renasce
E o patinete é o melhor transporte.

Um brinde a isso!

Bebendo gás na televisão

Sai do canto onde iludes
Sai do centro do não
Sem sorriso
Chia baba
Voz de má danação
Rima sonho
E presente
Come feto do chão
Ri teu riso já tão lenda
Corta ramo de não
Rima corte
Com veneno
Quem sou eu tão sem pão?
É teu riso que eu coro com meu sangue em tuas mãos?
O que quero?

Tome
Escreve o que li
No meu olho tão sem nós
Eu já me nasci
Cochabamba aqui no bom loop rock n' roll
Povo meu é de ser mil anos madrugador
Com foice no ar
E fogo no mar
Queimando Ipanemas
Bebendo gás na televisão.

quinta-feira, setembro 11, 2008

É golpe

CLÓVIS ROSSI

É golpe

SÃO PAULO - O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas às que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales.

Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são a cópia de locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende.

Outra semelhança: Allende elegeu-se presidente, em 1970, com pouco mais de um terço dos votos (36%). Mas, três anos depois, sua Unidade Popular saltou para 44%, em pleito legislativo, o que destruiu qualquer expectativa da direita de vencê-lo política ou eleitoralmente.

Foi na marra mesmo, o que deu origem a um dos mais brutais regimes políticos de uma América Latina habituada à brutalidade.

Evo Morales também se elegeu com menos votos do que obteve agora no chamado referendo revogatório, o que demonstra um grau de aprovação popular até surpreendente para as dificuldades que o governo enfrentou desde o primeiro dia, em parte por seus erros e em parte pelo cerco dos adversários.
A luta dos Departamentos pela autonomia, eixo da crise, é também legítima e precede Evo Morales.

Mas passou a ser apenas um biombo para encobrir as verdadeiras intenções, cristalinamente reveladas a Flávia Marreiro, desta Folha, por Jorge Chávez, líder "cívico" de Tarija, um dos Departamentos rebelados contra o governo central: "Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz".

Cena mais explícita de hidrofobia e racismo, impossível. Nem o governo nem a oposição no Brasil têm direito ao silêncio, escondendo-se um na não-ingerência em assuntos internos e outra em preconceitos similares.

São Paulo, quarta-feira, 10 de setembro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1009200803.htm

Cureldade com Animais








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Intervenção Urbana


E quem quer ler ou ouvir isso?


Se choro finjo em luas
Quase sem linho
Ninho de estrelas
Sem mais mormaço
Sem ruas feias.
Se calo
Finjo estrada
Mas sou olhar.
Se nasço escorro sangue
Grito besteiras
Viro inimigo
Já não abraço amor nas telhas
Se sofro finjo matas
Mas sou voar.
Sendo este quase menino
Rompendo muros de lama
Espero em frente ao novo cinema antigo.
Perdendo tempo e abrigo
Esperando mitos e sambas
Respeito o mundo murmurando morticínios
Se sofro finjo-me sorrindo.
Se brado mundos,planos
Escrevo a teia dos meus delírios
Sou mais que um passo
Menos que estrela
Escrevo como a falta me faz o mar.
Já não respeito ou finjo
Só olho o breu da semana
Rejeito o véu da solidão em um sorriso
Queor palavras e tiros
Mundos mudando de amas
E tenho aqui um sentimento tão ambíguo
E quem quer ler ou ouvir isso?

Eles morrem


O importante é que eles morrem
Rindo, lindos
E interessante é o que nos seca
A velha chaga.
Em plenas eras, novidades e murais
Escrever a vida pelas falsas linhas
É Deus
E talvez seja povo
E talvez seja novo
Mas nunca viu ninguém.
Aspas enterram discussões sempre banais
O mundo precipita
Isto é fato
Fato meu
Eu quem constrói o novo
Eu que devoro o fogo
Que nunca haverá.
O necessário é o que nos corta
Lebres, vacas
E como corta o que não vemos
O Tempo, o vento.
Pelas mil regras
Estudadas por mortais
Deuses maquinistas fazem fogo em pleno breu.
E se eu não quiser fogo?
E se eu cagar pro novo?
Farei falta pra alguém?
Rolam conversas pelos bares virtuais
Morrem maquinistas velhos Deuses deste Breu.
E o que é mesmo sorte?
Deuses cortando mortes?
Cornos matando alguém?

Trilha do redançar


Luz de delfins pelas ruas
Acorda noite, morre de mim dor
Faz-me nascer
Faz-me rei Sol
Boa nova de boi voador.
Estrela que canta sorrindo
Quem sabe sou meio feito de mar?
Rio daqui pronto pra ver
Brilho velho de estradar.
Riscos de cor mais madura
Em cansaço brotam
Gosto de amor
Quero ali ver
Quem sabe sou
Flor de cio, de rua, de sonho e pó.
Gosto de ver-me de noite
Saudade mata
Morro a renascer
E quem já sou?
Filho do sol
Pela trilha do redançar.

Nos trabaio de inventar interior

Rasgando forró de sangue
Pela rua do pedaço registrado com louvor
Pelo mais sério homem de identidade
Roupas novas, quase um frade com olhar criminador
Criou um verso de pensador de verdades
Fez mudança nas cidades onde nasceu mais dotô.

E não tem bunda onde o terno é engravatado
Vira nádega no ato
Portaria do sinhô
E vai sem bunda com a nádega de lado
Nos busão mais lotado onde não entra sinhô.

E como tudo é perfeito e trabalhado
Dormir lá no condado era coisa dinterior
E produtivo era o verbo inventado
Pra tirar do catre o gajo que acaso não acostumou.

Lá não tem bunda
Virou nádega no ato
Quando dotô abre os braços reclamando com louvor
Destas coisas de que pobre faz errado
Gnorante nos trabaio de inventar interior.

Diálogo

Luz divina
Mostra agora entardecer
Dá verdade
Canta até o meu morrer
Mostra cega qual segredo da definição
Do que me faz véio de bomcoração
Qual a dor que dei pra fazer canção.

Não sonhe a lua
Cate do amor
Faca no sonho
Mão no chão e só.

Cante mundo
Mundo e luz é tudo ocê
Arraste o sonho
Pega a lanhada do ser
No teu peito
Há bem mais que um coração
Olhe o mundo véi
Olhe o mundo bão
Dói mundo correr
Dói também correr não.

Luz não é rua
Luz é luz e só
Doi luz não ser
Dói luz ser só.

Vai me ajuda!
Luz de deus que cai aqui
Rói as unha da onça que me faz vir
Já morrendo
Pelas pancadas da mundação
Porque dói viver?
Porque dói o chão?
Porque dói doer
Também porque não?

Cala-te nua
Chegue de ser cor
Nem sei saber
Existir em cor.

Aí meus cano!!!
Nem luz sou nem sou viver!!!
Sou teu sonho
Determinado em correr
Inventado
Pra fugir da dureza do chão
Chão é tudo ocê
Vida é tua mão
Livro não vai ser
uma nova ilusão.

Me larga à rua
Seje teu amor
Sai pro teu mundo, tua cor.

Apaixonadamente em cor



Dá no ego um espanto
Que não se apresenta a quem já é dotô
Pois é mais ríspido que linguado tímido
Feito de cor.
Dá no cérebro um encanto
Que não se apoquenta quem já é dotô
É quase esquálido, tímido afago
Quase horror.
Nossa cabeça mei oca
rima verso e faz luar
Como se o mundo fosse igual
Jeito bom de se pescar.
Dá na vida um encanto
Que não se apresenta a quem já é dotô
Um desesperado rasgo magro e ávido
Doído e inválido
Feito sem amor
Um rasgo mágico um chorado passo
Colocado e apaixonadamente em cor.

Alguma Lenda


Se eu soubesse ler futuro a futuro

Morria mundos sem tanta fé

Comia do mar das mil barcaças

Algas de desmorrer.

Até reaver sorriso intenso em mim

Entre dedos ter mais incertezas

E vê-la voar pelo mar.

Rompi dois mil medos por entre subúrbios

Conquistei outros mais

Raspei meus dois sonhos, meus olhos difusos

Já desisti da paz.

Dê-me as coisas

As cores

E o não crer!!

Saia do vento enfim

Me esqueça em prantos

Me deixe renascer

Ou faça você o favor de vir a mim

Deixe ser você alguma lenda.

Sou cidade


Rever-me em mel
Alcançar-te em luz
Sem Paris na praça que compús
Bonsucessos que tive em ver
Velha má voz de acordeon
Sem mais versos, só uma canção
Inventada só pra te ver.
Nem és mulher ou amor
És só mar
Irresistível jeito de calar
A mais pura vontade
De já romper-me ante o céu
Onde, vago cometa ao léo,
Me transformo em cidade.
E a velha nau do meu lar
É uma canção
Feita pobre na invenção
Da mentira que é ser você
Por nada ser assim pouco e bom
Como tua pele e teu tom
Tão bonito de tão viver.
Calo-me em fé
Vejo a luz do luar
Me refaço imaginar
Versos feitos de grades
Rompidas ante o soar
De um céu raspingando mar
Transformado em saudade.

Não diga mais toda a solidão
Só sou forte por ser canção
Só sou vivo por já mar ser
E aqui na terra sem gelo ou som
Me oriento pelo antigo tom
Das mil vidas que posso ver.
Pela mulher que me foi tão luar
Grito a História do ar
Eu marejo verdades
Sonho com o som de outro véu
Vago na cidade ao léo
Sou cidade.

Sem mais


A meu respeito o dom de não ter paz

Faz-se maior

Dá-se ao menor sinal

Com um toque de fé.

E entre trilhas de jeito intenso de voar

Sinto o soar

De um peito de sol

Um jeito ao sol

Um riso ao sol

E só.

Por ter espelhos a me observar

Me faço livre

Para notar, lua e voz

Resquícios de mar

Sentidos de sol

E meu sol é bem maior que o sol.

É a vida plena

A lida plena

Dos homens, corpos, canções

Das fadas, corpos, canções.

É a linha em cena

A voz da arena

Arena, rua, invasão

Canção de lutas e tons.

Como sou feito de invencível paz

Sou sem paz

Sou sem mais

Sem mais.

Freiras de Filmes Antigos


Te reparo na sala direita

Escrevendo trilhas de bodes e gueixas

Rasgo o véu ilusório da vida

E crio feridas fechadas, de mesa.

Rediscuto o princípio sem fio

Que une a urgência com um esgar de dor

E irônico falo de sementes

Históricas, perenes, chamadas de amor.

Nego nomes que em placas de Ruas

Parecem à espera de alguma cabeça

Que repense o signo das luas

Das lutas que enfeiam sua história nua.


Rasgo páginas de teu novo livro

Distante da história do teu hoje amigo

Que de ciúmes mata-se por besteira

Ao Estilo das Freiras

De filmes antigos.

Entre pernas e sexos


Cala-me com um beijo bom

Faz travessura

Não dê razão às minhas frescuras

Cala-me o tom.

Rindo menino a fazer

Luas escuras

Pipa na mão

Linha em dupla

Sorriso em Rio.

Vejo na nota de ontem um semidesejo

De revoar

Pelos ares dos mais simples novos começos

Indo tocar

Rima solta de corda com pactos, beijos

Semi loucura

Total delícia.

Trago acordes de violão

Entre meus versos.

Fala

Entalha tua canção

Noutras mil luas

Nota a paixão

Vide a loucura

Leia Virgílio.

Rindo me infindo faço-me ser

Buquê de luas

Escuras a ver

Ruas maduras, moças, delírios.

E eu já mais preto em instantes de mim tão distante

Calo-me ar

Cheiro o senso das rosas, faladas por Dantes de Mangueira

E respeito demais, caço o ar como dantes

Menos Casmurro

Mais livres trópicos.

Trago artes de imensidão

Entre pernas e sexos.

Um dom


Estranho é notar além do azeite

O Sabor desfeito em graus de não saber

À espera do beijo de deleite

Que nasce do sofrer.

Olha a hora

Alguém quer que você deite

E veja o olhar que respeita o senso do amor

Seremos nós prisioneiros do que prende

Em nós nosso sabor?

Nem se a vinha

Desse-me um vinho de mar

Me aprisionaria ao luar

Tendo tantos mundos

Pra ver linhas de inumerável ser

Tendo a ti no coração

Danço a cor de outras canções.

Nas asas cansadas dos desejos

Revejo delírios perfeitos feitos de amor

Te sinto na falta do que vejo

Em torno da cor.

Mas há um novo ar pelo meu peito

Saudade, ciúme, despeito, orgulho e um calor

Quer faz-me indiana guerrilheiro, mezzo explorador.

Dá-me a linha

Que prendo-me ao mar

Solto-me a navegar

Pelos tantos mundos

Tendo a trilha, inevitável do ser

Trago-te em meu coração

Tendo ao corpo um vento,um dom.

O Tempo só me diz seu sim

O Tempo só me diz seu sim

Nem existia meu olhar
O tom da tarde recuperava horizontes
E nos desafios de se amar
Existia o velho lar
E o que sou.

A tarde representa ventos
E coro ao notar-me amor
A lua coexiste com o tempo
Para que refaça os passos
Onde repousa a dor.

Corre o tempo do meu ar
Respiro fogo no recital da minha cor
Enquanto construo outro olhar
E o mundo vira um lugar onde estou.

Não sei mais porque compreendo
Virei metal sobre velha flor?
Espero as asas verem ventos
E tal qual velas navegarem cor.

Tristeza nua se foi ou vai
Eu vivo dias sepulcrais
Aguardo noites
Criando rimas sem sinais
Olho o cenho da História
Lhe tenho amor.

E meu amor é sobre o tempo
Um poema claro feito de ardor
Existe mundos tão pequenos
Que exigem atos feitos de louvor.

E pelas luas vejo tempo e mar
Meu vermelho enfuna a vela do Instante
De meu ator de ações brutais
Recosntruído pleno nas asas do que.

O mais puro e sereno
Grito lutado tecido em sabor
Pelos passos que não lamento
Criados em povos, corações e ardor.

A história do que é e o vento
Relançam sobre mim o tempo
E o tempo só me diz seu sim.

Com o que sou hoje

Com o que sou hoje

Sorrio no mar distante de você
Construo novas cores do sul dos velhos Barcos
Navegando pelas ruas do meu apreço
Confundo velhas novas com ironias e descalabros.

Me calo a sonhar com um eterno céu azul
Não choro
Pois há no ar
Mais belezas entre o lembrar e o rir
Entre o ficar e o ir
Nem tudo se prende ao Equador
Existem cores feitas de luar
Eternidades feitas de além mar
E sempre tem um boteco à espera
Feito de amigos grandes
E novos hojes.


Perdi meu cigarro na festa que teu ser
Me ensinou com olhos novos, feitos de amigos alvos
Escrevo sem velas nas páginas do meu desejo
No som das velhas músicas escritas por tempos e espaços.

Meu tom de olhar varia do velho bom azul
Meu som de lembrar esquece a dureza de sofrer e morrir
Indo aqui e ali
Relendo o livro que me fará doutor
De mil histórias que já quis contar
Revendo cores do mesmo meu lugar
Tecendo saudades expressas
Onde turbinamos ontens
Feitos de anjos e sereias
Construídas de rir
De ficar e de ir
A vida é longe se não se olhar
Pras pedras nuas onde vou andar.

Minha vida permanece com pressa
De saudar o ontem
Com o que sou hoje.

Madrugadas


Perambulado pelos simples olhos
Das coisas que moram nas patas cansadas
Recrio espirros de ácido com flor
Pintada multicor no rosto, na amurada
Dos mares cínicos que vi, menino
Sorrindo, franzino
Catando palavra
No recriando mundos entre espantos
Viagens, prantos, banzos
Batucadas.
E pela hora
Calo espasmos de talvez um pranto
Pois minha hora não demora
Ou fica esperando.
A esta hora mundo meu me chama tanto e tanto
Regando modas de desertos, matas e mil sonhos
Enquanto a sede desta vida me faz reviver
Reparo as asas de andorinha
Misturada com morcego de noite vadia
E conto estórias pra poder viver.
Se falo alto, falo sempre certo
Ou finjo-me esperto aguardando porrada
Por ato falho de criança engano
Ou adulto bambo de alta madrugada.
Assim com os meus que me aturam tanto
Rasgo esperantos com doses de aniz
De um colorido humor de recanto
Noturno, mundano, feito de país.
É que agora, só meus olhos me cansam já tanto
E logo agora só preciso de um riso franco
É que é hora de saber partir sem pedir pranto
E veja ocê
Que madrugada me faz reviver
A vida bela que por todo dia
Sem cinzento vil regalo de dolorida trilha
Nem sofro,
Sambo pra saber crescer.

Chega a doer


Saí bom dia pela aí
No Ar
Sem um programa me mandando sofrer
Repirei noite de mandar regular
Beatos dados a tentarem sofrer.
E todo o cansaço
Que sinto em saber
Me diz por aí
Que é por aí o saber.
E retumbando um batuque de bar
Lembrei do rosto que parece você
E todo dia me ensinou a ganhar
Detalhes tantos de poder aprender
E um único fato
Me faz entender
Que tudo eu sou, na hora do vôo
Tão solo que chega a doer.

quinta-feira, julho 31, 2008

Quilombolas, questão fundiária e racismo midiático



Recentemente diversas matérias na mídia empresarial (Mais precisamente em O Globo e Rede Globo) denominaram as lutas dos remanescentes de quilombos ao acesso à terra como ações de desordem, desestabilizadoras do dito Estado de Direito. E esta ênfase tanto se dá na luta dos remanescentes de quilombos rurais quanto na de quilombos urbanos.

A Rede Globo, em pelo menos dois exemplos, pode ser a referência principal desta retomada dos ataques aos Quilombos pela imprensa. Em uma matéria veiculada em maio de 2007, a emissora ataca de forma veemente ao reconhecimento da comunidade quilombola de São Francisco do Paraguaçu, localizada no município de Cachoeira, Bahia, noticiando em manchete "Suspeitas de fraude em área que vai ser reconhecida como quilombola". Em diversos momentos a matéria, em um enorme esforço para criminalizar o movimento, "entrevista" "quilombolas" acusando-os de retirada ilegal de madeira, etc. É um grande esforço. Mas, não se vê esforço semelhante na denúncia à grilagem na mesma área, por exemplo.

Já em seu Programa RJTV (conforme pode ser verificado no Dossiê da Imprensa Anti-quilombola do Observatório Quilombola, www.koinonia.org.br), o ataque é contra o Quilombo do Sacopã, localizado em área Nobre da zona Sul do Rio de Janeiro. Neste caso as acusações vão desde fraude, até dano ambiental e especulação Imobiliária.

O interessante destes ataques é não só a repetição de uma atitude constante na imprensa brasileira desde antes da abolição, mas também a recusa ao reconhecimento das áreas como comprovadamente povoada de remanescentes, ignorando a constatação técnica de antropólogos de universidades públicas (como a UFF) e a competência técnica da Fundação Palmares.

Ou seja, é urgente para a mídia empresarial barrar qualquer tentativa de democratização do acesso à terra e à moradia. Qualquer possibilidade de democratização é vista como um ataque aos pilares da sociedade, em especial à propriedade privada, sagrada sob a ótica da ofensiva midiática.

Durante todo o século XIX eram constantes os ataques aos Quilombolas e seus apoiadores, e mais ainda, aos escravos livres, pós-1888, com relação ao acesso à propriedade e quaisquer defesa do acesso dos negros à terra era vista como uma busca de tornar o país vítima da barbárie. Eram constantes os pedidos de prisão aos apoiadores dos negros fugidos via jornais. Mesmo os quilombos mais pacíficos, de cunho abolicionista, porém sem o caráter de resistência ao sistema e posicionamento beligerante, como o Quilombo do Leblon, conhecido também como Quilombo do Seixas, era alvo de ataques constantes pela mídia. E este quilombo era praticamente um dos quilombos oficiais do Império, apoiado pela própria princesa Isabel e sendo parte de uma rede de quilombos ditos urbanos e baseados em propriedades privadas de apoiadores do Abolicionismo.

Hoje a mídia repete este comportamento, buscando não só criminalizar os movimentos que buscam a reparação da barbárie que foi a escravidão, como todo movimento que conteste a atual estrutura de acesso à terra e a propriedade. Mas em especial os movimentos de remanescentes de quilombos sofrem ataques de enorme perversidade. Dado que se contesta a existência de quilombos que atestem o direito à terra pelos remanescentes, porém não contestam o direito à mesma terra pelos atuais senhores. Não se contesta a exclusão de negros e indígenas pela lei de Terras de 1850 do acesso à terra, sendo esta distribuída aos amigos do imperador e aos brancos que conseguissem ocupá-la com benfeitorias. Não se contesta a riqueza gerada pelo trabalho escravo que praticamente financiou o nascimento do capitalismo, a revolução industrial. A escravidão gerou toda a riqueza que permitiu o nascimento do capitalismo, mas mesmo uma reforma que permita o acesso de alguns dos descendentes destes escravos é condenada de forma veemente pela voz principal da classe dominante, a mídia.

Assim, a mídia toma a frente para a manutenção de um estado de coisas onde o negro, o pobre, o oprimido, não sejam apenas afastados de seus direitos e do acesso aos meios para sua sobrevivência, mas também sofram as conseqüências pelo ato de franca "insubordinação" retornando a serem criminosos por serem só isso: Vítimas da opressão.

Novos Palmares


Resistência e a velha História do Brasil




É clássica a interpretação da historiografia tradicional do povo Brasileiro como um povo pacífico e a citação do Quilombo dos Palmares como único momento de resistência à escravidão, além dos movimentos abolicionistas. Pelo menos no que se ensina no ensino médio, o normal são poucas referências a algo além da Inconfidência Mineira como exemplos de revolta no Brasil.


Alguns livros didáticos até citam a Conjuração Baiana, poucos citam a Revolta dos Malês. A maioria fica na inconfidência mineira, como resistência à opressão e no Quilombo dos Palmares, como resistência à escravidão. Inclusive, a redação destes livros de certa forma hierarquiza estas lutas, colocando o ensaio geral de conspiração de elite que foi a Inconfidência como mais importante que o maior Quilombo de que se tem notícia nas Américas e , com certeza, a mais duradoura experiência de resistência ocorrida no País como menos importante.

Qualquer referência às 2.228 comunidades quilombolas espalhadas por todas as regiões do país conforme levantamento do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (Ciga) da Universidade de Brasília (UnB) e aos quilombos que lhes deu origem é uma utopia, dado que resistência no Brasil não existe. Só se for à famigerada coroa Portuguesa e por um clube conspirador da elite de Vila Rica.

A Revolta dos Malês, a maior revolta Negra do Brasil e a primeira de caráter classista no Brasil, composta por negros livres e escravos e apoiada pela base da população baiana do Período (1835), é quase sempre solenemente ignorada, a Cabanagem idem.

Todas estas revoltas possuem algo em comum, foram feitas majoritariamente por negros, índios e quilombolas.

Inúmeros quilombos se espalharam pelo Brasil, a maioria deles de resistência, com a busca de construção de um sistema próprio, autônomo, de organização, que era nitidamente de rompimento com o sistema da Colônia. Revoltas escravas ocorriam a todo o momento no Brasil. Só na Bahia foram mais de 50 revoltas escravas de 1798 até 1835, sendo a mais importante a Revolta dos Malês. O Recôncavo Bahiano era um imenso barril de pólvora e por diversas vezes o Governo da Bahia à época tinha de pedir reforços e auxílio à Corte para controlá-las.

Porém, como o aluno de ensino básico e ensino médio tem acesso a isso? Onde?

Simplesmente não têm. E quando têm, as referências são tímidas, como desimportantes, dado o imenso esforço de manter a idéia de uma população servil, pacífica, principalmente os negros e índios.

Este fato demonstra mais do que uma busca de manutenção de um quadro onde a população se veja como impotente ante a constante opressão de que é vítima. Demonstra também que o esforço vai além, no sentido de demonstrar que a população é pacífica, mas em especial os mais oprimidos, os negros e índios, e que estes mais ainda, nunca se rebelaram contra a situação a que foram submetidos.

Para que referir-se ao pânico da elite baiana em 1835 com relação à possibilidade de um novo Haiti no Brasil e ao movimento que aumentou em muito este pânico e exigiu um controle no envio de escravos com origem na Nigéria e Benin ao Brasil? Nunca. Para que dar idéias a um povo acostumado à chibata?

É preciso que a população tenha consciência da Revolta da Chibata, da Revolta dos Malês, dos inúmeros Quilombos que resistiram à opressão e buscaram liberdade e autonomia e para isso é preciso lutar pela construção de um ensino que respeite a História deste povo, principalmente o exemplo dos que resistiram mesmo sendo os mais oprimidos de todos. É preciso que lutemos para que todos os Palmares sejam conhecidos, para, quem sabe, criarmos Novos Palmares.