quinta-feira, janeiro 15, 2009

Nos olhos do Deus Jeová

Rasga o menino com o tiro armado no peito!
Sabe o sonho preciso perfeito?
Caiu doente do peito, minha flor!
Peito qual blusa todinho furado
Ardendo de chumbo chumbado
Cheinho de pólvora solta no ar.

Sente este cheiro perene que entranha?
Dá quase prazer a quem lida, a quem lida com o segurar
Este trinta e oito lindinho
Cromado, ói meu deus do céu, coisa linda!!
Só mesmo o amor de Deus para te criar.

E o desejo ensina o tanto que a própria lida
Tão firme já é
Calando a brava inocência, o olho no olho, o querer lutar
Com o corte ardido da chama solta na boca sem fé
Trançada nos olhos do Deus Jeová que te quer.

Qual quem invade

No regalo do "sim, senhor!" sou mudo
Calo-me por vinténs ou sonhos, mundos
O que rasga de mim a invenção
É a árida destreza da solidão ao comprazer-se de mim
Preso na esfera da palavra escrita
Que descreve um fim que é uma dança
Qual perdida criança.

E ao escrever sobre um fim perene
Calo a boca que se arroga competente a ler o que enfim surge
E mal se distingue da esfinge que arde
E é a palavra que parte do que é arte
Rumo ao sol da visão de quem comove
Qual quem invade.



terça-feira, janeiro 13, 2009

Deslinguagem

Poetas Bah!!

Regras novas? E eu lá sou catedrático de bola e caneleira? jogo nas onze descarço no asfarto e dou bola pro invento. Sem essa de descaramento de me tirar o trema, có pobrema do trema?

Sem vergonhagem. A regraria dessenvorta das perdida virge das academia, traz de cunho e de prosa a imensidão do desalento. Pra que meu verso tem intento? Pra que tem troça e voz? Sabe lá?

Não meu.

Regraria é ditado frouxo de bocó de pontodombi. Tudo é calejado nas horas das coisas e eu, sigo. Nas desvantage de inverno calado ou de verão em sol de concha. Talvez desmanche, talvez vento.

E enquanto o tempo apersegue as trilha, eu reviro a letra da pedra e pedra não tem dotô.

Pedra tem ponto? Nem.

Pedra tem tempo.

E virga? Cas virga das casa eu faço pausa ou mudo senso? Sensopauso.

E nas trema das arma, o braço dicurso de nós , muda o sibilo? Muda, e nóis gosta do sibilio.

Gosta da cambaxirra na língua assinando som.E não tem, não tem placa de ponto de cambaxirra.

Tem história inescrita de dotô das acardermia.

Tempo tem pra discutir o que não falo.

e a lingua vai pronde?

Com nóis.

Crueldade com Animais

http://www.malvados.com.br/


http://colunas.globoesporte.com/files/157/2009/01/sejanaterrasejanomar0057.gif

Légua de revoltar

Remontem o dom de osso
Rasguem venenos de mim
Quero inventar uma prece
E resmungar no jardim.

Quero expansão de dança
Rimar minh'alma com cor
Que me tecer em breves definições de amor.

Deixem-me em calma no fogo
Dêem-me a linha do som
Que costurar meus sonhos
E me reinventar explosão
Pela razão da descida
Pelo amor do luar
Tragam-me o simples vinho
Dêem-me a liberdade do mar
Ou a dor de ir voar perigos de nomear amor
Rasgando o sol de vento e inventar
Ser flor
Ser gato e légua de revoltar.

Nesta canção

Me invente além do mar
Explica o som que há
Se o mundo é quase aquém do que se tem de dom
De ar
E as vidas são penumbras que assistem o rumo e erram
Recriando a estreita fita do sussurro e da alta hora.

Assim o que te sinto recua e faz-se rir
E a nuvem da brancura chove logo ali
E a rua se esbalda e se tece ao som da alma
Resmungando com um sininho o sol de se voar.

Sem léguas a limitar o tom da calma dos mil morros lá de trás
Dos campos que crescem e montam quermesses
E no meio do astral vejo pombos no jornal
Enquanto vaga o riso
Te guardo enquanto te amo nesta canção.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Nós

Um simples sopro define amor
Aguardadas como mundos
Como oceanos
Nos traímos sendo
E nos vemos flor.

Amando o inverso da liberdade, indo como sopro
Saqueando conversas mentais aguadas
Trazendo um sonho de toque e espera
Somos
Quem sabe
Nós.

Especifique sua crítica.

Especifique sua crítica
Não se deixe levar
Especifique sua ida
Pelo som de Guevara.

A rapaziada sobe em morros, entre vistas
Pelas cores negras dos ombros lacerados
Pelas luas novas cortadas nos olhos
Pelos Mangues e refrescos vendidos em isopor.

A Rapaziada se despe de escravidão entre tons de cor
Entre cores de macumba, cio e nuvem
E fomentando vidas
Correspondem à arma letal
Àquela velha arma letal que sacode o esqueleto
E explode
Pra sempre
Como suspeita é
Toda arma.

Especifique sua crítica
Sopre
Especifique sua vinda
Morda.

A vida não é pública, segura ou toma remédios
A cor da pela define, especifica
Faz bomba
Faz amor
E tambor
E é sol
Enquanto isso
Enquanto há além de si mesmo a polícia
A rua
A ruela
A vinda
A ida e a velha eterna luta
Das mãos em construírem mundos.

Especifique sua crítica.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Não tolero outras dores

Em bruto e surdo, grito único
O germe dos desertos
Cala críticos a golpes de pús
Das asas nuas, das mãos sujas
O resto é o mundo e seu olho cínico
Criando o lodo do corpo tolo e só
Feito iminigo comum
Com a trajetória dos nus
Corpos magros de filmes consoladores.

O rumo surdo do crespúsculo traz asas de deserto
Hélices rindo como se alguns
Fossem carne, hienas soltas pelo segundo anterior ao ciclo
De horror mútuo
E gente tola e só
Pensa em analisar o comum, jogo de somas sem pús
Ignorando corpos jogados no chão sem cores.

E existe uma nação
Existe gente torpe
Existe míssel e eu minto
Não tolero outras dores.


Indo pra Central

Páginas de ouro em folhas de sombra
Misturam o lugar
Com sonhos de mil paixões e bandeiras rubras
E luz que concede o verde à terra
Me faz ser ninguém
E me estende a beleza
A cruz das certezas.

Me traio sonhando rosto de lua
Da minha menina que voa trazendo ao amor todo seu afã
E em vida me faço mundos tocando sonhos de manhã
Reparando no céu que molha meu pão.

O que brilha nas casas ora a oração do meu velho pai
Nem sei se nasci janela
E à velha canção que rubra meu peito eu repito um som sem par
A velha razão histórica de não parar.

E eu que amo estreito em brechas de universo
Te crio aos lábios
Um verso inexato misturando comunismo ao rir
Pintando minhas cores feitas de versos
Pensando no astral
De ler jornais estridentes indo pra Central.

Latuff

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Só de manhã

Deus demais fui eu em várias coisas
Estrelas cabem no chapéu dos mestres
Reis nascem do vento das pessoas
E as pessoas nem mesmo os merecem.

Rãs desenham voos de esperança
E a esperança cala e se cansa
e não se estranha este som azul metálico
Este brado de Ossanha
Sobre as Tamancas
Sobre as Tamancas
Reclamando aos céus das poucas manhãs.

E eu que não te vejo reviro o peso
Voo leve ao cerne do que desejo
Vejo o que tenho em mãos
E o que o sonho expõe
Desejo teu beijo e que eu reverso em sãos sons
Faço Deuses verem suas coisas
E te amo só de manhã.

A chama do nome é tudo estrela

Te vejo em cheio sonho e mágica
Pele traçada de risadas
Rajada lua em véu e graça
Espada de Miguel sem mágoas
E eu que assanho vozes e ócios
Regresso ao meio de minhalma
Alheio ao batalhão de ossos
Me torno íntimo de Deus.

Alinhado ao sol de Vega
Espero o som que bruxo me alcança
Rasgando mil milhões de bons planetas.


Te vejo Barcelona em corpo
E eu que vejo tudo assim
Beijando grama, o Barça e o Bobo
Tudo que sou além de mim
Jamais nasci de ver New York
Ou fui além de Bariri
Jamais nasci de ver Velha York
Mas rolei de música sorrir.

Respirando sons estetas
Gargalho mucho loco o bom das armas
Que são almas e dons de mau poeta.

Estrelas morrem entre leguas
Caladas sob ordem urbana
E eu que vi narciso punk
Perdi meus parcos sobrenomes
Vivendo onipretensiosamente
Neologizando versos dândis
Revendo medos e presentes
Rezando para um Deus você.

Calo-me sobre a estrela
De um David Golias que a todos mata
Eu sou todos palestino sem estrela.

E eu te amando amor de espanha
Querendo renascer na luz
Da Andaluzia eterna e livre
Eu todo Porto Veracruz
Tricolorindo o sonho, a vista
Ouvindo Luiz Gonzaga em Blues
Tricolorindo Praia e pista
Amando o Blues de renascer.


Politicando estetas
Reversando socialismo pelas plagas
Da Grécia retomada
E Vamos nesta!!

E tudo meu é teu de entrega
Enquanto isso meu normal
É jogar tinta nas paredes
Pintando com sangue e sal
Resistência 
Passionaria à vista
No passarán quem for do mal
Te amo em breves velhas vistas
Enquanto isso Rio e Eu.

Tudo em torno das sarjetas
Revela um novo homem em chama e asas
E a chama do nome é tudo estrela.



Violencia e ordem

Tradicionalmente no Brasil quando se fala em violência há uma grita geral em torno da necessidade de mais polícia e mais ordem. Recentemente diversos prefeitos foram eleitos nas principais cidades do País pregando choques de ordem. E o que se vê nestes choques?

 

Geralmente uma repetição da caça ao pobre, da caça ao trabalhador, expulsão de mendigos das ruas, de camelôs das praças e ruas, de pobres de áreas onde moram,etc. Pouco ou nada se vê da expulsão de ocupação de gente rica de terrenos do estado ou em situação irregular. No Bairro do Recreio no Rio de Janeiro, o Prefeito mandou destruir uma área onde um terreno da prefeitura era ocupado inclusive por apartamentos com cobertura e piscina. Parabéns, mas alguém disse que esse não é o único? Que diversas áreas tem apartamentos de celebridades, piscinas, entre outras, coisas, sendo toleradas e ignoradas, enquanto nas favelas, nas áreas pobres o trator deita e rola?

 

Outra questão é a violência sempre sendo chamada assim quando ocorre um roubo de carro, uma morte trágica nas áreas ricas ou uma morte festejada pela TV como a da Menina Isabele ou da  jovem Eloah, nunca se lê da escalada da violência quando quem morre é um menino como o Renan ou do Menino Matheus, que ia comprar pão em um dia sem aula na Favela da Maré. Não se fala destes casos que não são exceção, são regra, são normais. Mas se fala dos assaltos a carro na Tijuca com gravidade, com escândalo. As mortes constantes a repressão à população pobre, que vive como se dentro de uma ditadura alternada entre tráfico e polícia, não se fala. Pede-se a ordem para que a mocinha possa caminhar em Ipanema, mas impede-se o Moleque de comprar pão na maré.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Feliz ano novo é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno

Enquanto os dias percorrem por aí em meio às imensas maldades israelitas cotidianas, morrem menininhos ameaçadores e suas moedas de um real, baleado em frente à casa onde morava uma mãe chorosa tola, por morar mau, perto demais dos guardas treinadores de tiros.

Enquanto o relógio marca o tempo percorre paixões futebolísticas travestidas de razão, e o mundo percorre ameaças de morte, ameaças de vida, contagens, paixões mau resolvidas e arrogância pueril.

E a festa continua ciclo a ciclo, como se o percorrer do tempo necessitasse de marcos para ser real. como se o percorrer da história pedisse permissão em determinadas datas à passagem da Esperança.

Mas não pede

Por isso:

Feliz 2009

Quão morrer

Passa na palavra
A agrura de ser verbo, sol e sonho em flor
Redescobrindo o ler
De explodir som em cor.

Mundos se deparam
Com Reis que cornetam do barraco o amor
Do Pelé com quem sorriu
E gritou chamando gol
Aqueles que fazem versos costurando de Deus
Novo mundo como um sonho seu.

Canções de vozes calmas
Radicalizam muros, escadas e ardor
Fazem tudo até saber
Que tudo é tão exterior
Quão morrer.

A mulher de nossas vidas

Em plena hora de se jogar bola
Faz-se um estranho movimento
Parece que rua se agita a tempo
De impedir contratempos
A bola ao entrar muda as horas
E os cães, as moças saem corridas
Procurando barrar o lance, a bola
Que ia parar na forquilha.

Mas bola é de sorrir
Dar de ombros assim mesmo
Transformando monstros em magras vítimas do próprio azar
Detonando os percalços
Costurando as armadilhas
Faz brilhar sóis em noites
Faz até virar magia
Passes feitos por quem mau
Se acostumou à lida
De afagar a Bola que é
A mulher de nossas vidas.

Entre os nós dos dedos

Misturo mágoas
Alvas asas, armas, fadas, sons espessos
E faço voz
Transmito nós, entre os nós dos dedos.

Tamborilando magia
Escrevo em pedras com giz
Algo a mais, recriado no suor
No sonhar
Ser feliz.

Tamborilando as trilhas
Das pernas que me fazem rir
Calo em paz
Pelas ruas do lugar que me ensina a dormir.

Não bastam só coleiras para transformar em cão
Um sentido de música, uma visão
Feita homem no toque dos dedos
No couro estendido
Entre as pernas, nos tambores muitos dos corações e risos
Renovando cada hora como se o céu
Fosse impávido menino
A escrever letras feitas do giz do teu sorriso.

Esqueço as mágoas
Calo as asas
Olho a estrela do meus medos
E faço voz
Me torno nós
Entre os nós dos dedos.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

EXTERMÍNIO ONTEM, HOJE...E AMANHÃ? 60 ANOS DA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

EXTERMÍNIO ONTEM, HOJE...E AMANHÃ? 60 ANOS DA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: ELES NÃO CUMPRIRAM!

Os sucessivos governos já deixaram claro o seu compromisso com a manutenção de uma política de extermínio que nos remete aos velhos tempos da ditadura. Outrora o extermínio de todos que se contrapusessem ao regime, hoje a criminalização da pobreza e daqueles que lutam.

O atual governo do estado do Rio de Janeiro é responsável por um aumento vertiginoso do número de “autos de resistência” – civis mortos pela policia. Em 2007 foram computados 1330 registros. Nos primeiros três meses de 2008, foram registrados 358, o que representa um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2007. Dados do encerramento do primeiro semestre desse ano apontam 849 mortes.

O custo humano dessa política de governo não se justifica! Hoje temos a polícia que mais mata e mais morre no mundo, num quadro trágico que já alcançou índices recordes, jamais vistos anteriormente.

Por isso nos lutamos no dia 10/12: para lembrar que 60 anos da declaração de direitos humanos já se passaram e os mesmos que a assinaram promovem uma política de extermínio que tem como conseqüência as chacinas do Alemão, de Acari, Borel, Caju, Coréia, Lins, Baixada, Candelária, Vigário Geral, o extermínio de 3 jovens na Providência. Além das que atingiram nosso estado, também recordaremos 12 anos do massacre em eldorado dos Carajás, a morte de Keno – militante do MST – pela Syngenta, os 111 presos exterminados no Carandiru e tantos tristes episódios que, além dos diários, memoram as trágicas conseqüências dessa política.

Acusamos os governos de genocídio, racismo, tortura e fascismo e exigimos: parem de matar os nossos jovens! Queremos justiça e uma profunda mudança na atual política de segurança pública! Chega de Milícia! Abertura dos arquivos da ditadura já: nossa memória é nossa história!

CABRAL, CHEGA DE EXTERMÍNIO!

ATO NO DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS 10/12 - 9h NO PALÁCIO DA JUSTIÇA (Rua Dom Manuel, 29, Centro) SEGUINDO PARA A ALERJ (Rua 1 de Março S/N) E PARA PRAÇA MAHATAMA GANDHI, AONDE OCORRERÁ UMA VIGÍLIA


Leia mais em : http://pmsrj.blogspot.com/

Debate - CRISE DO CAPITALISMO - Desafios aos movimentos sociais

11/12 - 5ª feira

PLENÁRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS / RJ

Convida para o debate 
CRISE DO CAPITALISMO
Desafios aos movimentos sociais

Com

VIRGÍNIA FONTES
Professora de História.

JOÃO ALFREDO
Professor. Ativista ecossocialista. 
Vereador PSOL/CE

11/12 - 5ª feira
17h30min, no Sindipetro/RJ
(Av. Passos, 34) 

Palavra salva

No chão lambuzado a palavra que define a coisa
É lama ou sangue
E toda segura presença é o que denota a fita
Que mostra a verdade pro verbo
E dele monta a escrita
É morte ou mar de chover.

E tudo o que define gente pode meter rente na gente
A faca ou abala que moça nunca foi ou jamais é perdida
A frase que define e dança ou sorri a moça da esquina
Pode matar ou sorrir.

Palavra desespera homem só
Ou reescreve a vida no trecho da vida que sua seu sal
Palavra salva alma, homem, pó.

No nome se diz se é filho, se é corpo e dor ou se vira canção
Sem aspas a palavra é dor ou sol
Se rasga o sorriso do tempo o verbo é cor
Talvez seja canção
Palavra salva arma, nome, sol.




Como um modo de querer

Se fosse você eu me queria logo
Fosse pra perder eu perderia o ócio
Atuaria ardor
Só pra perceber os ancestrais do vento
Levando você, sua cabeça e tempo
Deixando um sorriso entre os corpos, o prazer e a dor
Com calor as vezes
Vez por outra frio
Sentindo na boca o gosto do brio
Refrescando o delírio de torcer na geral.


Fosse pra fugir eu fugiria sonho
Comendo o gosto de perder meu tempo
Talvez só lendo
Algo sobre o muro, um lugar futuro
Feito de um medo, um saber, um beijo
Dado às presas entre a Lapa e um Samba canção
E eu quero quero mágoa, amor, desvario
Entretendo o medo de morrer no frio
Vou esfregando o sorriso com água e sal.

Passa o tempo e eu tendo futuro
E o que quero é presente, se tanto
Pela lida do que somo o zero é todo o ser que aprendi a ler.

Vasa o vento e eu te amo, juro!
Refrigero minha boca e espero
Pelo invento que desejo e quero
Por ver assim tudo enfim
Como um modo de querer.





Madureira


Se fosse do mar
Minha pele era espelho do sol
Um sorriso que vem lá do sul
Uma maneira de reinventar.

Se fosse só mar
Não teria o suor já sem luz
Esta cor de Trem pra Santa Cruz
Essa vontade de bebemorar.

Não é só mar
É um trecho comprido que flui
Na Avenida que Brasil conduz
Caminhões, chuva a engarrafar.

Já amo o mar
Mesmo vendo manhã em azuis
Sóis que o trampo cega nas zonas suis
Esperando o escurecer pra sonhar
Ao me notar em terreiro, em samba jesus
Salvação alheia à velha cruz
Podendo em um canto cantar
Madureira.

terça-feira, novembro 25, 2008

Latuff


MANIFESTANTES OCUPAM HOTEL SEDE DE SEMINÁRIO PARA EMPRESÁRIOS SOBRE PRÉ-SAL



24.11.2008


Por Agência Petroleira de Notícias (*). Fotos: Angelo Cuissi/Fazendo Media

Depois da última terça (18/11), os empresários estrangeiros e nacionais que estão de olho no pré-sal brasileiro ganharam uma grande preocupação. Por volta das 13 horas deste dia, os integrantes do comitê Rio do Fórum contra a Privatização do Petróleo e Gás ocuparam por alguns minutos o saguão do Guanabara Palace. No luxuoso hotel da Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio, acontecia o Seminário “Pré-Sal – desafios e oportunidades” , em que a inscrição custava a bagatela de R$ 1.970,00, valor que define o público alvo do evento.



Nem o reforço da Polícia Militar foi capaz de segurar o ânimo dos manifestantes que avançaram para dentro do hotel com gritos pela re-estatização da Petrobrás e cobrando a não realização da 10ª rodada de leilões das áreas promissoras de petróleo e gás, marcada para 18 de dezembro. Depois de cerca de dez minutos lá dentro e algumas palavras de ordem, a coordenação orientou a saída pacífica e continuação da manifestação do lado de fora do Guanabara Palace.

“Os mesmos que já roubaram nosso ouro no passado, agora querem levar nosso petróleo. Não vamos deixar isso acontecer. Esses empresários que hoje se reúnem para negociar o nosso pré-sal podem ter certeza que estão tratando de uma moeda podre, pois ninguém vai levar o nosso petróleo e gás” – conclamou Emanuel Cancella, coordenador geral do Sindipetro-RJ e integrante do Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás.

Um grupo de teatro popular apresentou um esquete sobre o processo de privatização desde o governo Fernando Henrique. Foto: Angelo Cuissi/Fazendo MediaUm grupo de teatro popular apresentou um esquete sobre o processo de privatização desde o governo Fernando Henrique. Foto: Angelo Cuissi/Fazendo Media

Além do Sindipetro-RJ, estavam presentes o Sindipetro-RS, a Frente Nacional dos Petroleiros, a CUT, a Conlutas, a Intersindical, o MST, o MTD, a FIST, dentre outras importantes organizações sociais. A concentração começou por volta das 11 horas, na Candelária, com um grande balão de gás, carro de som e faixas com a chamada da campanha “O Petróleo tem que ser nosso”! O diretor do Sindipetro Hélio Cunha coordenou esse momento inicial, chamando a população a participar dessa luta e do abaixo-assinado que pede o fim dos leilões e que a Petrobrás seja 100% estatal. Cunha ainda chamou a atenção das pessoas que passavam, alertando para o fato de que a privatização do petróleo pode aumentar o preço da gasolina, do gás de cozinha e até das passagens de ônibus.

Diversos grupos participaram da manifestação próxima ao Hotel Guanabara. Foto: Angelo Cuissi/Fazendo MediaDiversos grupos participaram da manifestação próxima ao Hotel Guanabara. Foto: Angelo Cuissi/Fazendo Media

“É errado vender o nosso petróleo. A luta que vocês estão fazendo aqui é justa, mas o povo ainda não acredita que pode vencer. Mas não podemos desistir. Temos que lutar como essa turma está fazendo aqui” – comentou Jorge Luis, 40 anos, morador de Duque de Caxias, que vende água e refrigerante pelo centro da cidade.

Os coordenadores do Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás prometem que até 18 de dezembro vai ter muito movimento no Brasil inteiro para impedir a realização de mais essa rodada de leilões. Essa terça já sinaliza o que vem por aí.

(*) Fonte: www.apn.org.br

E falo sério!

Pau na palavra
Pé bem no chão
Rabisco rua
Faço ilusão, faço loucura
Faço invenção.

Pinto a preta na luz azul da rua nua
Finjo ilusão
Nego frescura
Rimo com Rio
Rimo com lua
Rimo com chão
Toda incerteza do medo safado do espelho
Do se notar inversão da palavra no ato desejo
De se gostar
Quebrando atabaques no ritmo cheio
Feito de luas, qual ser delícia
Que agarra o sol e a invenção
De ser criança.

Pau no verso da ilusão
Cria-se nua a rua então
Palavra pura
Rima com chão
E desliza mão, pele, ocê
Canta-se nua qualquer canção
Bate-se rua
Tambor, Okê!
Tudo insinua mesmo invenção!

E como se fora antes misturam-se instantes
Ruas e mar
tornam-se muitos milhares de tão inconstantes
Gentes que há nas palavras e costas de pretos instigantes
Mundos e fundos
Sonhos e óbvios tons da palavra Revolução
E falo sério!

Sorrindo Caymmis

Estrelas sempre rasgam dentes no mar
Saboreando velhos sons no astral do sorrir
Nas boas de brilhar colorindo o ar
Quebrando regras com planetas em torno do seu
Enorme “Eu” inverso aos meus trilhões
De novos jornais
Noticiando peles feitas de mim
Recosturadas do impossível jeito normal.

Estrelas pegam preta pele de mim
Por causa boa de tentar viajar
Sem ter de pegar nas espadas
Sem ouvir espadas
Sorrindo Caymmis enfim.

sábado, novembro 22, 2008

Pele preta

Nem li sob os ombros do preto outro ver
Notei cordas e botões
Retirados à base de foice e festa
Dançada na linha de caboclo bão.

Rasta pé de sonho são
Nas eras
De reinventar um som à vera
Faz-me água em preta pele deslizando beleza
Faz-me água em preta pele desejando sumos e ceias.

Sorri
Fiz-me ombro do preto
Fiz-me ler
No sumo feito de chão
Razão e cantiga de pele preta
Suada e sorrida
Desejosa então.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Crueldade com Animais Triple Pack





http://www.oesquema.com.br/mauhumor/


http://www.malvados.com.br

Sou de um Rio fácil de ler

Beduínos, Índios, Condes
Negros, Turcos, onzes driblando o juiz
São todos Franciscos de Assis pintados em bancos de pinho
Em mesas com linho onde não bebi a furtacor dose de aniz
Nunca doce onde paro
Onde mau reparo o som do sorrir
Calo a certeza do ouvir
Pelos sentidos urbanos de saber dos anos pelo som do sim
Solto a voz no cais de mim.

E entre dentes assovio a lua
Notando teu rosto ao mar
Que imagino entre gestos, nuvens e paz.

Portos de assis ao longe
São mares de monges e peças de marfim
Rasgos n'alma dão em mim
Ao ver a lua incerta trançando sinceras Cinelandias em fins
De uma tarde onde colori
A Deus mãe das vidas criadas nas tintas do que não mais vi
Eu pintor do invisível fim
A escrever ventos, naus, Inhaúma fatal
Gamboa a Gandhi ver
Sou de um Rio fácil de ler.

Mundo plural

Eu louvo a cidade recriando artes soltas
Os Rios transformam ostras em soltas verdades
Criando vaidades tolas.

Um lírio de sonhos ressalta um tolo sim
Tecido nos risos amargos de um fim
Que trança o tamanho folgado da voz
Nas urnas e cajes que somos nós
Que somos sós.

Me transe vaidades
Nas ruas, nas asas soltas
Vermelhas miragens todas nas cansadas margens
Me transe cidade em gotas.

Se asas de homens seduzem mundo em sins
Dedicados em nuvens de cores e jasmins
Os muros caídos nos deixam sem voz
E murros apressados nos formam nós
Nunca mais sós.

Revirando artes
Nos versos de paralelepípedo
Somos rito, somos mundo plural.

terça-feira, novembro 18, 2008

Tambor acertado pelo cão do intento

Luas vermelhas, ruas acesas e nítidos dons de fel
Rompem a fé na fortaleza dos íntimos de Deus
E negros comem a pele da palma das mãos
Enquanto deliram breus de archotes tendo ao chão
Sangue e mel.

Florestas pretas por natureza
Lambem as costas, os pés
De gente rebentada, presa, amarga como eu
Que costuro das políticas o vil sentimento de poder ser três
Sem esperança além do velho cão inglês
Batendo na espoleta X de Malcom sem Hair
Espalhando a pólvora que fiz do sonho da Mulher
Rindo do tolo ódio de pura emoção
Algum pálido amor
Enquanto nos damos a arder de sol e pavor.

E às velas em algum mar de linhas feitas de luar
Contorcemos um mundo infeliz
Embaralhando cada lugar com a mente tendendo a ser a liz
De toda nova invenção
Revolucionando o ser
Sendo ação.

Das luas vermelhas tão pequeninas
Trago arte e imaginação
Das trilhas das negras retintas almas trago o som
E o bater dos inúmeros mil lamentos
Sampleados com bongô
Ouça o tom do Tambor acertado pelo cão do intento!

quinta-feira, novembro 06, 2008

Desesperos concretos

Mudei as notas das beldades entre dores e risos
Rasguei meu sexo tântrico bem na mesa do Engenho de Dentro
Rebolei sintaxes no exato sentido do nome próprio dos meus planos
E soletrei o medo ainda que busca reparo para o que eu sonho
Por causa da mágoa que assola os meus bons dias enquanto eu perco mais um ano
E parei embaixo dos arcos da Lapa com ecos de Elis Regina
Por muito mais que um sorriso
Por muito mais que amor.

Escrevi versos de anjos
Fiz pela música do sonho de amor eterno
Desenhei magias por fazer planos com você pelos mundos destruídos
dos céticos
Te peço em casamento nos sonhos coloridos
Que me iludem decerto.


Meu nome não tem memória pros sites Brasileiros
e eu nem ligo, pois não tenho importância
A hora das derrotas viáveis e indiscutíveis me pegam no meio tempo
entre a loira e a morena, a cicuta e a cerveja e outras dúvidas sem sentido
Nas páginas dos jornais inebriantes resmungo milagres e fatos nocivos
Por música, por maldade, por domínio, por delírio
Passo horas recriando vícios
Viajo na idéia do reconhecimento no mesmo momento que caio no riso
E por isso eu não morri
Por isso me destruo de amor.



Derreti ouros e planos
Rasguei a blusa rompendo com mil decretos
Exagero a bagunça dos meus anos
Regular minha loucura eu decerto não quero
Fico de saco cheio de planos infalíveis
Enquanto rascunho meus métodos.

Se meço meu sorriso notando o que virá
Resmungo rotas de sobreaviso
E vago na história de renunciar à toda lógica de raciocínio
Por causa do sentido do meu amor a olhar a performance do desabrigo
E me permito ver as novas fontes daqui vivendo e cantando
Tentando ao longe qual louco te perseguir
Enquanto me mando pelos caminhos, pelos trilhos
Do que sinto ser amor.

E reduzindo desenganos
Costuro a lógica no peito totalmente aberto
Crio poesias e faço planos por você
Pelo mundo e pelos anjos despertos
Não minto ao dizer que te amo
Entre risos
E desesperos concretos.

Porque te amo ainda

Sete léguas marinhas fazem de mim
O que percorri e as luzes velhas do que senti
Construções já perdidas, ruínas de Paris
São o que previ nas runas das velhas quando sorri.

Criei palavras boas de se falar
Rastros, alvos, dores, mortos, planisférios
E nenhum lugar
Fiz um exército bom para se lutar
Enfrentei gregos, Macedônios, Hebreus,Ibéricos
E tentei voar
Pra ver as léguas mil marinhas
Me deixarem te amar
Porque te amo ainda.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Sambas banais

Rebuscada costa
Mares de Espanha
Jardins de Oxalá
Danúbios constroem luz
Voam sons de cinzas.

Entre rubras vozes de vis Américas
Bolivianos trens
Traduzem belezas
Renegam certezas
E como se anjos de muros
E tranças
Viramos neblina
E criamos sons de ação
Como viração
De festas de fins de anos
Tão sonhos
Que tecem manhãs
Como quem faz ouro de mel em beijos e tons.

A poeira me envolve as horas
E sonho o tanto de ver o mar
O mar me é só janela
Que é mera vocação nua de ser um Rio
Tâo rio que é mar
E inunda-me de uma memória que é qual voar.

E viajo nos seios, nos ritmos discretos
Terras e fados
A pedra dos arcos marca o sol a luzir
Pessoas e flores, água corrente
Lapas astrais
Regando Venezas tolas com sambas banais.

Bons dias tão banais

Ruas soltas
Feitas sem sol
De mar
Que a chuva leve
Traz lindo pra lavar
Males de cortinas
Fechadas sem sonhar
Pra não dar na vista
Esquecendo a fé
Que um riso alegre
De prazer pode ensinar
Poesias parcas
Pretas de sal
Que se tecem em flores
E desenhma sinais
Feitos de arruaça
Alegria, vitrais
Desenhos de cores
Bons dias
Tão banais.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Crueldade com animais




http://www.oesquema.com.br/mauhumor/





http://malvados.com.br/

No inexato do sonho

Inexato
Este seu pleno ser
Como um passo insano
Um treco, um desengano
Como inalar
Ares, vidas que as manhãs
Nos apresentam no café
Ao largo
Deste nome de mulher
Que inspira versos mau rimados.

Se há verdade
Nem precisa dizer
Tudo é de fato
Insano.


Estrelas emanam tanto de você
Com o tempo parte da minha alma
Nem quer mais ver.

Se há saudade
Não consigo entender
Salga as tardes
O sonho.

Sai do sol a prece
Que o Canto Geral
Escreve como se sobrenatural
Cada arte
Cada modo de ver
No inexato do sonho.

Feito de luz solar

Suo nos olhos
Sorrio e enfim
Faço milagres e estandartes
Arco com o dom da Arte
Se a fome é a parte humana de Deus
Sou enfim algo bem mutante
Vôo nas cinzas dos sons do antes
Como quem devora a aura
Das cores, das páginas
Escritas na sombra da lei.

E então sou o ar
Pra simples sorrir
E desandar.

Calmo como antes
Morto
Sem vida
Bebendo hidrantes
Sem calma nas amarras
Das horas da tarde onde sou subúrbio de mim.

Fale-me de elefantes
Curta o ninho dos não falantes
Cante algo daquela Clara
Que soa qual musa, qual anjo solene sem Deus
E se eu não voar
Não note
Sou feito de luz solar.

sexta-feira, outubro 31, 2008

É somente refrão

Zombeteiros nas dunas vermelhas
Folhas de ação
Gotas d'água esquecidas nos ontens
É somente refrão.

Lambe esguelhos de cores e veias
Fases de som
Rasgos d'alma que come horizontes
É somente refrão.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Histórias

Dez irmãos e uma cafeteira elétrica
João de Monte Vento sabia tudo sobre conversê.

O Alcorão
E uma vasilha com Ananás
Perdidamente Walter queria conhecer.

Três cães atacam gente lá no Paraíso
E fogem indo atrás do metrô
Que jaz além do parecer.

Tudo retalho e História
No compromisso desta vida
Trazida, cerzida
Partida pra onde olhar.

Velhos e anões distantes
Reduzem a lógica a quadrantes
Feitos de nuvem
Feitos de zonas
Onde a ordem come vidro
Em auto-falantes.

Dez irmãos e uma arma na cabeça
Preto como o inferno e só café pra beber
Dez irmãos e muito sonho que foi atrás
Perdendo tempo, adiando o vento de morrer
Dez irmãos
E eu querendo viver com um livro
Tecendo coisas, lendo famílias
Buscando um Deus que se fizesse saber
E João larga a mola
E explosões pintam as cinzas
As lidas, as linhas, as vinhas.

Rimas silenciam o antes
Calam-se em respeito
Por um instante
Enquanto livros vêm à tona
Criando ondas novas
Criando errantes.

Até felicidade

Em rimas de fada
Berimbaus exatos
Não compreendem o porque?
Não se perguntam porque?

E exalam batida, ferida
Rastapé aberto, pontapé exato.

E guardam macumba retinta
Sentida caída para qualquer lado
Escorando arte, artelho
Martelo perfeito
Morcego espalhado
Dado por raiva, amor ou medo
Pra saber-se inteiro
Quase um macaco.

Na linha da alma
Porrada no prato
Batuque não tem porque
Berimbau grita porque?

Na faca do dedo, no dedo
Brilha o amor perfeito
Só pra dar sabor
Nas ruas de Barcelonuevo
Rios de Janeiro tecem inté ardor
Criando meninos pentelhos, tecendo pentelhos
Fingindo ser arte
Pintando pintura de dedo
Só metendo o dedo pra cansar a tarde.

E enquanto cai a tarde
Berimbais invadem
Enquanto cai a maré
Rola só ir a pé pro medo
Não se pintar de vaidade
E deixar-se só no medo
De ter até felicidade.

A graça dos sem sorte

Sol feito fé
CaDê os galhos
Que resolvo enquanto o desprezo
Me come o pé, o orgulho e os passos
Que dou pra voar nos vespeiros?

Dou murros
E Raps folgados
Pra quem não quiser ter meu peso
Em cores de retinto brado
Eu finjo até torcer pros Cruzeiros
Se sou burro
Sou burro ensinado
E dou coice pra ter meu sossego.

Há noites de bandeiras largas
Meu sangue é a tinta asfáltica
Sou rua, sou calçada e morte
Esperança é artigo nobre.

Sou torres e torres
Vislumbro a graça dos sem sorte.

Som do trabalho

Dê-me o sal do sonho
E a nova flor
Que crio com meu ato de trabalho
E o sorriso que inventa o sol
Que rebrilha no alto som dos lábios
Enquanto a vida flui pelas verdades de meus calos
Como um mundo
Que sacra o homem que pela enxada
Faz novos risos em frutas e serras.

Todo o norte de nossas emoções
É feita desta luz, inté de dor
Que constrói o inventar na mente do direito à terra
E faz do fogo de cada olhar o alimento das certezas, das razões
Como a paixão nos torna mais vivos ao semear a terra.

E somos atos
Somos o retrato de toda a energia
Da linda festa em torno do rosto do inverno se tornando dia
E asism nos ombros de cada homem existe o livre viver
Nos espaços
Que flui já santo
Pelo riso nascer do som do trabalho.

terça-feira, outubro 28, 2008

Fazendo sonho virar real

Tantos
Tanta força bruta
Nem dói,Nem machuca
Sonhos aprendizes
Comem asfalto e mar.


Cantos
Feitos de chibatas
Braços, corpos, mata
Enterro e navalha
Tapas nos rostos
Nenhum olhar.

E o que há além do mudar?
Enxame de homens
Medicinal
O burbulhar
De sangue no ar
Em ruas, mantos
Palácios e mais.

E na risca da avenida
Ilham ilhas de milagres
Ruas tantas, perdem tantas
Novas louças
Novos lares.

Pranto morre seco
É riso
Talvez um motivo
Tenha existido
Pra superar.

Gosto
De aço e navalha
Hoje é escada
Brincadeira
Água
Irrigando o rosto
Para lavar.

E o lavar
Hoje é superar
Em bala, sangue medicinal
A remover ruas de lugar
Fazendo sonho virar real.

Enquanto sou hoje

Pedras pequeninas rolam enquanto sonho você
E noto matizes feitos de nuvens e velhos raios
Rebuscando o que escrevinham
Velhas cozinhando procê
Notar maravilhas no céu
Compõe mil fados.

Pra gente cantar comendo cuscuz da Zona Sul
Respirar o ar que sai das pedreiras
Onde nunca cresci
Eu que nunca nasci
Voando em paz no ventilador
Trançando cores para seu olhar
Revendo as horas
Para não chorar
Brincando de orientes nas trevas
Que embarcam no horizonte
Da nova noite.

Componho milagres para tentar jamais ser seu
E amo o ponto de cruz do pano de mesa errado
Posto à luz da lua como se todo meu apreço
Fosse uma imagem crua no cinema do Paço.

Se eu fosse luar construiria duendes, flores, cruz
Se eu fosse do mar
Voava em Jardineiras
Punha Deus pra sorrir
Talvez fosse aí
Levando na bolsa o Redentor
Talvez um joelho com guaraná
Sinto saudade de só te olhar
E perceber as novelas
Que são ter horizontes
Enquanto sou hoje.

Estradas tão lindas

Coisas feitas de linhas
Lajes, rubis
Estrelas sem fim
Cores de almas belas
Fomes de luzir.

Sâo palavras de mundo
Feitas de ir
Caminhar, corrir
Cozinhar gamelas
Beber e rir.

Pelas asas de qualquer lugar
Feitas de estradas, avestruzes, cores novas
E silêncios
Vôos de Sabiá
A gente acha nuvens feitas
Em estrelas do mar
Parcas cargas, vozes, lendas
E um enxergar
De tantas coisas, tantas linhas
Vidas a habitar
Vidas a nos levar
À estradas tão lindas.

De Sin City eu já tô cansando

Jaspions, Jiraias
Que venham me salvar
Como um antigo filme de robótica!

X-mans, Desenhos do Pica Pau
Tragam-me o vício de criança
De bola na búlica.

Gritos de Hulk não me façam pular
Por todo o mundo
Num sempre escapar
Romântico!

Quero uma hora pra poder jogar
Olhar
Todos os pontos do placar eletrônico.

Sombra que ri
Venha à força apresentar
O mau do peito dos homens
Sem místicas
Lobos, Arlequins
Façam fila para mostrar
Todo o poder pop de cada sílaba!

Murdock mostre o poder de ser sempre maior
Sem medo ao som
Da queda de um Rei sem Cânticos
Dai-me o direito de só meninar
Pois de Sin City eu já tô cansando.

Com o sol já poente

Sentido or not sentido?
Lábio vago inexato
Ruma rompendo com o tom
Sense ou non sense?
Prego, prato, astro
Impávida palavra, corpo tom.

Sentado em meu ambíguo, grito, mimo
Alvo dado como espanto
Que prega o luar na testa, no mar
E rima a irritar
Somente dou o tesouro dos quadrantes
Cada palavra tem o oposto instante.

Como Azul
Pintado como arte
Ante o vermelho carente
Solto em estandartes
Sangue mesmo da gente
Repetindo som quase
Que ditatorialmente.

Na arte em meu poder
Fazemos o óbvio, o toque nosso
E só construir parábolas ao mar
Como não rimar?
Se o som já nos obriga um instante
Um verbo, um verso
Um rimar
Já controverso
Que azul
Se transforma na parte
Ou no útero ausente
Substitui-se
É tarde
Com o sol já poente.

Poesia

Parole
Parolar
In Verbus
Verbo há
Retoando o tom que vem
Mudando o som
Falando: trem!!
Sendo nuvens, luas, velas
Arrumados bois
Familias
Rumos, brumas, roupa nova.

Na lírica sozinha
Resiste o ir, o vir
Retoa a cor da bola
À Bola? Populi
No trem do desconvexo
Flor relaxa
Solta a rima
E trai no movimento
O drible do lábio no ar.

E parole no mar
Palavra faz gritar silêncios imortais
E em vídeo, em prece
Acordes, quermesses
Vagam nomes, abismos, ais
Ruas tocam sons legais
E na trilha da letra viva
A alma só costura emoção.