sexta-feira, junho 12, 2009

Um nome, um motivo


Se for a cor do amor que fere
Me espere na janela pra eu te dar um luar
Que nos dê um confere
Nas maneiras mais corretas de derreter
Corações e flores, peles
E ao desejo nos dê lume
À vontade nos dê ser
Por enquanto nos espere
Para que a breve lua nova nos permita voar.


Se a dor do amor que repete
A estrela nova e bela que não é luar
No entanto me espere
Para que sejamos da janela um novo ser
E nos façamos mais pele
Para construir um rumo, uma vontade, um nascer
De um sonho, uma cor que eternize o com gosto desta língua
Do sal que sai do teu corpo,teu mundo, tua bela estrela
Tua cela que afivela o alazão do sonho primitivo
Repete em meu sorriso um nome, um motivo.



Um vinho


Queria um riso que compensasse a cor do céu!
Queria um aviso pra tudo ver em dores e amores!
Queria um vinho.

Sabendo bem das ruas, dos museus e dos trens
Ter fé é ir mais longe
Talvez ser dor
Queria um vinho!

Sempre procurei por uma mulher entre estrelas e luares
Sempre busquei saber dos ventos as eternidades
Sempre procurei você.

Todo mundo sabe
Escadas constroem minutos
E alcançam o céu.

Queria escrever que tudo está certo
Sabendo que todos têm mundos
E tudo parece o brilho do sol
Queria escrever que as manhãs e tardes estendem sua beleza
à todos e todas
Queria um vinho.

Todos os dias se tornam um vinho.

Não faz mal


Se você for delírio
Te recrio em brinco solto no riso
Se amar você for parte de um sensível resigno
De puro antigo conjuro
Talvez eu vá crer.

Se tudo for o afã de amar, beber champagne
Haverá espaço pro normal?
Talvez morramos em trovas
Em mil luzes de novas
Sejamos então a prova
Do amor eterno, astral
Que venha bem, este bem
Ou não faz mal!

E se este sorriso for vício?
Que o escuro que me faz início
Renasça em você
E se meu passo ambíguo e meu ritmo
For duro em corpo e em mundo
Como vamos fazer?

Ao mar seremos bons?
Em medo teremos bons e rápidos reflexos?
Ante o mal saberemos das provas?
Superaremos drogas?
Romperemos com horas no amor que dá-se em sal?
Não sei, meu bem!
Não faz mal!





Renascer


Rememore a parte
De sermos eternas notas
De sabermos horas
De vivermos formas de ar.

Rememore a nova mulher que desperta
Nas asas que falam
Nas salas, nas malas
Nas valas
Onde se cala o mundo, o sussurro
O soturno rastro da calma, da malta que se desfaz no sofá.

E se calamos tudo, no sussurro mais soturno
Que há de se fazer?

Cale-me e se case
Beije-me na porta e no jornal
Escreva a nota que normal nos transmute em roça
E me faça agora um chá.

Sonhe-me na porta
Me transforme em formas de asas
Em falas de nuvens e almas
E em um sussurro que nos faça mundo
Ame-me na calma que arde e faz
De tudo um mundo intenso e tão puro
Que nos faz renascer.

Quero Saudade


A dor de sentir mel nas duras estrelas
Causa-me sol e deduz cidades
Tudo é lua e calor
A noite me invade
Tudo é você
Que surge e é arte.

Tantos os planos, tantos os tempos
E tudo é o veio de amor da cidade
Como você sabe meu nome?
Tudo assim é parte de um sonho
Ou talvez destino, talvez pedaço
De um novo mundo que achamos no espaço
Tanta é a lua e ela me invade
Sonho você
E sinto a verdade.

A cor de todo o céu é nova estrela
Que como um sol me faz ver a arte
De uma luz que tola me invade
Recrio você
Penso nas verdades
De ser humano, de ver-me tempo
Espelho dos medos e dores que ardem
Sonho amor e cito seu nome
Queria sim parecer seu sonho
Enquanto deslindo um jeito cansado
Criado no ponto do amor que refaço
Enquanto a lua é noite de arte
Eu sou você
E quero saudade.



terça-feira, junho 09, 2009

Versos de encantar

Se eu fosse de saber
Saberia ver
Rosto de luz entre os sins
Pelo motivo de ver todo um querer
Entre dedos e jasmins.

Sussurro inventos de Rio
Corpos sampam-se em Brasis
E carece de dizer
Que parece haver um sentimento febril
E meu rosto quer deslindar
O rosto de outro lugar
Só por desejar querer
Querer merecer mais um sorriso, um brilho
Misturam-se as cores do mar
Rimam um verbo de amar
Sei que parece pouco
Ou é um sentido louco de seduzir vento com o olhar.

Se eu fosse de multidão
Seria canção reinaugurada com fé
Pra escrever um denguinho
Um verso, um ninho
Reinventar a TV
Haja desejo de ir
Haja motivo pra rir
Enquanto um samba canção
Parece banal e não sussurra invenção
E nem remete à ilusão de paixão banal
Requentando corações
E há tanto pra pintar
Com versos de enamorar
Tantos presentes e soltos
Beijos lançados com gosto de tempo
Versos de encantar.

Teci-me camisa

Vai ver é hora de olhar longarinas
E tudo me aperceber
Rotineiramente
Diuturnamente
Saber
E entregar-me
Aos métodos e maneiras
Aos desleixos e longevas vozes.

Vai ver que morrer é diário
E o enquanto se ouve
É um sussuro
Um milagre momentâneo, comum
Talvez o comum seja o milagre.

Tanto se quer e quis
Que o sorriso guardado em meus olhos
Se reconstrói em outros
Danado que é
Fica entre mentes e corre o céu
E as luzes roxas de uma noite qualquer
Não escondem a tarde que banha o sobrado
E me dá o frio.

Além do tempo
Tudo se é
Tudo é ver
E perceber a língua
O suave tom de idas e vindas
De partidas que marcam nomes
E o som dos medos
Cala-se
Pois a aventura sempre recomeça
E sempre termina
O importante
Sempre
Foi o caminho.

Hoje teci-me camisa
E amo o novo.




Mar

Mar
Poeta algum consegue redimir
Este desejo de mar
De ser e ver-se liz.
A paz
O ritmo, o lírico do mar
A rima, o som
O estar entre os dedos
E escrever
Faz talvez a linha
Que do mar se torna o sentido, o sul
De escrever-se mar.

Olhar só a mim




Quero deslindar belos destinos
Ruas, ruínas, dons
Transitar ares e renascidos
Gestos que dão canção.

Quero salvar uns jegues e uns sinos
Sabendo o quanto é bão
E no espaço de meu cinza desígnio reparo no tom
E o som me faz um desencanado carinho
E eu lhe gosto
É bom.

Desamargo o nú desalinho
De fazer gota e mar
E gero um destino amordaçado entre toda a dor
Que me cria músicas e versos
eu sou Salvador
De meu Rio que é olhar e linho
E eu vejo o Cristo
O Redentor.

Se eu sou uma invenção
A amada é céu
Se toda a palavra me faz novo
Algo me faz ser fel
Pois o status do meu mau
Corrompe o próprio eu
E na nudez espero ser mais que a dança
Talvez ser um seu.

Se meu ar se faz turma de mundo e sal
Eu redigo amores e sou ventre
E me deixo a ver
Medos e corrompidas lembranças
Prefiro até morrer
Mas enquanto espero
Deus me faz ver
Suaves tons de sussurros.

Dá em mim o desígnio de outro amor
Rasgo palavras velhas e navego
Sabendo que mesmo assim
Reparo em nuas verdades de cana e giz
E prefiro a coragem de olhar só a mim.

Me deixe em paz


Pedras soltas caem
Esteiras de papel entre pedaços de horizonte
Cores novas entre risos
Espelhos coloridos
Peças de motor pintam o verde
Da grama de uma cidade solta
De meu medo de pianos caírem em mim.

Pedras soltas me calam em segundos e celulares rimam
Fantasmas de passados próximos montam ruas e detalhes
Que me oferecem leis
E a física se torna quanta
E tudo são crianças e anéis
Talvez haja algo mais
Mas enquanto isso tento o melhor
Olhando pelas janelas mais azuis.

Mas me deixe em paz
Para que rolem vozes
Esperas mortas
E almas brancas de cetim
E verdades catem suas mensagens em sussurros e jasmins.

Mas me deixe em paz
Enquanto encontro Lilith e desejo a voz da morte em meu lugar
E enquanto um sonho dorme
O rock é pedra e me remove em sons
E sais.

domingo, junho 07, 2009

Sóis lilases


Se soubesse ler uma cor
Escreveria versos sobre um amor
E veria Deus em torno de mim
Enquanto sorveria o sal
Da pele, do sol
E afinal teceria luz e som.

Se eu soubesse ler razões
Cairia surdo olhando os olhos
De quem construiu em mim o amor e o fim
Sussurro canções de paz
Reparo no sol lilás
De uma velha canção de sol.


Enquanto reduzo-me à dor
Escrevo sem cor
Te vejo sendo dor.

Se olho em volta e noto uma flor
Faço-a dor
Escrevo-a dor.

E calo-me meio à luz
Catando ventos entre os olhos e a fé
Se fosse o sol ruim
Que escolha eu teria?
Sorrio e me deito
Mau
Sofrendo sem sol ou sal
Reparando em sóis lilases.

Vendo seu rosto em vão.


Seu corpo ri
Sua  voz é meu Rio
Sons de meus medos contam histórias de fugir
Espero ventos mais fortes
Construo novos sons
E reparo na estrada larga
Que beira o Rio onde estendo as mãos
E onde meus olhos vêem luz
Palavras na escuridão.


Tantos caminhos estreitam minha paz
Queridos sons me recordam da voz de meu pai
Escrevo ódios remotos e tendo a reler leis
Brigo entre dores mortas
Me noto nu
Entre o sol que se vai
Olhos negros me vêem construindo nova paz .

Seus olhos me trazem luzes
E reparo em  uma sombra azul
Que parece um céu em tardes
Onde a luz supõe sorrir
E a voz da explosão
Que é o carinho de rir
Vendo seu rosto em vão.


sábado, junho 06, 2009

Ser natural


Se eu fosse o medo dessa ilusão que me aquece
Existiria o desejo que me é só
Um alimento, um sol, um sal
Que me embriaga de sentido
De uma fé que segue
Uma inutil e vil razão
Que é sorrir pela graça
De um riso, de um nome
Que me explica o ser feliz.


Se fosse sina
A linha eterna desas horas
Seria a moda
De ser tudo tão banal
Mas qual um grito rouco
Uma bonita invenção de ser visto
Como um verso, uma canção
E tudo que é isso, uma agonia
De ver no dia uma magia
E na mulher um som, um sim.

Se fosse palavra
Ela seria estrela e fado
Sorriso
Nua voz
Se fosse lua era o mar
E arde uma solta vil espécie
Solta a franga, anjo e mais
E tudo assim se faz maravilha
E na graça do sorriso
Faz-se intensamente giz.


E hoje em sina, em estrela, eternidade e aurora
Faço a luz ser toda nova
Grito um verso casual
E crio uma tradição que me faz nova luz
Sonho um nome
Uma cruz
E procuro ser natural. 

Minha flor



Repetindo assim um velho rumo louco
Escutando pedaços
Andando pelos espaços
Catando ventos de fé.

Olhando por cima dos ombros
Lendo jornais andantes
Vendo  curvas e rios
Tecendo um rir
Sabendo o rumo cego e vão.

Tanto há de mim no amor
Tanto há de sim no horror.

Separado de meus medos
Rio acima em ventos tantos
Frios fazem rir um jeito, um elo.

Ruas de infância adulta
Escrevinhadas em prantos
Detidas em detalhes que sonho em fé
Vendo o destino ser vão.

Tanto há de sim no amor
Tanto há, enfim, de dor.

Antigas palavras doces
Costuradas com cimento
Detidas por medo e vento
Fazem nua toda esta prece.

Vidros quebrados nas casas
Ruas, carros, excrementos
Milhões de solidões abanam
Uma cidade e seu verso.

A calma da luz me enche
É em vão.

Ruas são meu dom de amor
Cores são meu som, minha flor.



Beatles

Acontece
Por inúmeras falhas e cores
De um mundo não caber em si
De o real ser apenas uma inútil dor que acaba por reduzir a pó
O que faz justo o dia.

Acontece por amar ou por um trabalho jocoso
De transformar em fatos o que pode ser sonho
Ah! A tal razão!
Esta coveira de percepções e perfeições!

Acontece!

Ao redor existe um tanto de tudo
Que faz com que sons e mundos se completem
Algo que explique esta explosão
É cúmplice do assassinato do exposto
Do natural enquanto vento
Com trilha sonora.

Nossos olhos são máquinas fotográficas.

Ah! e o som dos novos vôos?
Se conduzissem a tudo assim
Assoviando?

Tava na cara que sobraria pra meus olhos
Ou os seus
Perceberem irregularidades
E rugas
Talvez sorrisos
Manchados assim na calma ausente em nós
Por ruas e manhãs.
Nossos olhos são máquinas fotográficas.

Querendo acordar Deus

Se essa euforia fosse o dom de usar palavras na lapela
Talvez o necessário suburbano fosse criado em toda a terra
No Mar teríamos o símbolo da Portela
E Deus vestiria camisa amarela
E recriando as belas novas luas vivas já em cada olhar
Daria o dom da festa
A quem livre pudesse sambar.

Deus nasceu do Samba pra multidões arrastar
Foi atraiçoado por quem detesta Orixá
E há quem diga
Que Deus até já foi valente
Pescador de sereias além-mar
Por todo o mar ele sorria
E a lua fria
Dava estrelas
A quem o pudesse encantar.

Isso foi antes do Breu
Hoje vivo a vida querendo acordar Deus.

Febre

Quebrados degrais
Luzes de novo
Um azul
Um novo feitio de notar o Rio
Reduz a urros os musicais
Sentidos sutis da febre.
Queima-me o riso e me dói o jardim
Enquanto escrevo o reluzir
Pisco detalhes feios 
Especulando o astral
Em torno de amar e rir.

Vá embora, mal!
Hoje sou Jesus
Caminho  para ti
Me torno um gibi
Escrevo quadros canibais
Especulo o fim da febre.

Quase que gripes se tornam mortais
Espelhos quebram-se sem vir
Notar a rua velha pintada como mural
Bonecos andam a sorrir.

Corte o gosto de sal
Eu quero a luz azul
Quero mudar o vinho
Quebrar o destino
Sagrar turbantes em animais
Sentir-me novo em febre.

Seca a voz se dói entre um mentiroso novo sim
Tudo muda em novo e veloz som
Sou apenas um sentir.

Quebre-me em paz
Dê o bom Jesus
Quero ser assim
Rei de David
Aguardando o ronco anormal
Do estômago em meio a febre.

O novo ver

Se eu  soubesse ler perceberia o óbvio
Ao sabor de rostos enevoados, noto dores de novo amor
Se fosse pra ver milhares de venenos
E romper o medo de ser tão pequeno
Já seria ritmo surdo que me é minúscula flor
Dê-me algum Valqueire
Um universo antigo
Quero só notar o gosto do estribilho
Rimar beijo, amor, mamilo
Ouvir Caetano e Gal.

Se eu soubesse rir me tornaria sonho
Se olhasse seu rosto aprenderia o tempo
Seria o tempo
Morrerei soturno, calado e obscuro
De um jeito banal sem aventuras e inventos
Nasceremos muitos enquanto nos tocamos as mãos!
Seremos palavras ou só desafios?
Seremos normais olhando loucos frívolos?
Cala-me com teu umbigo em furor normal!

Guarde bem cada bom sussurro
Guarde o vento  em um novo canto
Há mais vida na beira do inferno que no blasé colorido morrer.

Note meu desespero absurdo
Nos invente velhos em um canto
Que traduza o inesperado inferno
Que é sorrir lindo assim
É encantador o novo ver.


quinta-feira, junho 04, 2009

Crueldade com animais Double Pack

http://verbeat.org/blogs/manualdominotauro/

Futebol

Gritava gol aqui pelas listradas
Camisas que ardem
Queimam pavilhões
Seja em si a insígnia
A pura paixão
Que conduz os meus dias, os mil dias, os sem dias.

Veja o quanto é graça
Tudo insano e calmo
Remota viragem
Redundando em arte
Intelecto-peão
Qual nova magia, nova invenção
No estupor do lance
No mágico lençol que inventa o vento e sem nexo
Responde e marca
É melodia?

Quase uma miragem
Diária miragem
Única das artes que é reinvenção
Gols de sol e  palha
Gols de fidalguia
Gols de gol, de guerra e paz
De delícia e relida invertida magia
Quase uma vontade
Quase um estranho, um signo insano
Uma voz trovão
Ardendo nas vistas, peitos e esperanças
Dançando a dança, a voz
De Deus
Será poesia?

Era drible e banzo no zagueirão dormente
Latente e potente muro em ação
E qual a recondução de Nero
Alexandre dono de mundos
Retumbava a entrada dura
E o grito calado
Fim do sonho elétrico e da fantasia
O Samba era noturno
Era triste e vão
Nada mais havia
O rumo era o da saída
E a dor invadia, assim se ia sem Deus
Sem Deus
Sonoro Deus
O que havia era calmo
Será magia?






O som que acalma o mar

Dê-me o alarme gris
Grite sobremaneira que o aval do giz
Pinta a beleza
Deus reduz o que diz
E tudo vira inferno
Dá-me a cal que me induz
Palavra beira.

Tudo me é palavra
Descrita agora à vera
Solidez calada
Letra por letra
Belas
Todas são palavra
Palavra é espasmo, é som
É ai.


Rapidez é d'água
A letra que abunda
Signifcante 
Espasma
Reluz estrelas nuas
A Rapidez é d'água
A letra cara
O som que vai.

Deduzo o som e vem
A toada reconduzida
Grito o sim e enfim
Espelha  água a paz, a proa
Leio o meu sim
E sou palavra reescrita
Leio o som e enfim
Eu sou palavra.

Dá-me só palavra
Domino o mundo agora
Enquanto a calma
É letra morta, é guerra,é hora
Dê-me tua palavra
Em letras claras, em sons e sais.

Me cale palavra
Enquanto tudo me amarga
Rasgue as calmas
Respeite o som do nada e agora
Me faça palavra
Note o som que acalma o mar.



O amor me acalma

Rasga-me em cinza nudez que em mim sussura coisas
Cala-me em mãos no papel de Buñuel
Me burle as ostras
Respeite meu tom, meu som de mulher entre lençóis
Se me disse um sim
Não me venha jamais me dizer nó
Sorridente eu beijo os Brasis que corrompem euforias
Nudez me acalma.


Quero ser o nú novo céu!
Que o nú que oponha-se à cor!
Quero o sabor sem mais mel de perceber-me sol
E numa invenção pelas armas que abalam o meu não
Quero só a mulher que corrompa em mim qualquer vã paz
Se nadar demais todo o mar é de mim quase que um outro
A água me acalma.

Suburbano? além do meu trem só meu nome, sopro  que vem
Entre águas claras, fumaças e dores de jardim
E entre meus sins,  gritos de giz feitos gemidos de amar
Qual perfuratriz que solene abre brechas no ouvir
Para o canto atriz desta vil nova moda de euforia
Nada me acalma.

Respeite meu bem
Tudo vem qual um louco inglório breu
Pintando assassinas amargas vontades e razões
Qual a melodia que parte meus vícios em paixões
Em mil partes de prantos e sentidos
Num limite tentador
E neste esperanto eu rimo certezas com perenes calmas aladas.

Só assim é o fim desta luz
Eu que me alimento demais
Destas mil palavras e aspas que sussurram ouvir baiões e Bach
Enquanto me insano tornando-me extremo reluzir
Qual espelho em cantos que me lembram fé em Deus e Oxum
Nesta sina de asas pinto sins de fidalguia
O amor me acalma.








Que me faz quermesse

Pernambuco deu-nos tantas coisas
Em Maracaibo não se gaste em preces
Feche entre as pernas as pessoas
Caiba na palma da mão que te merece.

Esqueça os senões
É só nós dois
Que somos Tantas
Que somos Tantras
Que somos Antas
E o mundo é só um saco
Um braço, um espasmo, uma semana
Toda se emana, a mesma semana
Pelo avesso o inferno é bom de manhã!

Me esqueço neste avesso
Mental enfermo
Espero o moderno céu onde se pode erro
Quero o aterro no instante vermelho da manhã
Quero me derreter em corpos e sons sãos
Quero nem saber de outra coisa
Só Maracaibo no Baile de Teerã.

Só quero a loira
Se é Maracaibo que me faz quermesse.

quarta-feira, junho 03, 2009

Corta o sol em três.

Dá-me o gosto mel
E deixe meu olhar ser lei
Apenas por esta palavra
Que mede o dia e eu sei
Que talvez meça até a alma.

Espero na indiferença
Um cínico louvor que nos faça reis
Enquanto espero uma semente tão grandiloquente
Quanto um sol burguês.

Contando o que vem sobrando
Nas gotas de sangue
Que permeiam meu azul
Que me faz ver tudo lindo
Enquanto aterriso em cascalho e couro cru.

Contando nesta indiferença
Espelhos de cores velhas
Neste Sol Burguês
Reparo em um vento novo
Que espalha a raiva
Corta o sol em três.

Qual o gosto do sorrir?

Se fosse a ilusão das palavras
A dor que corrói as amarras
Do medo e nos faz já desgraça
Talvez fosse um mundo feliz.

Se fosse a paixão em desabrigo
O ódio de inveja e delírio
Se fosse apenas mil rugidos
Talvez ruas fossem o rir.

E enquanto se contam as folhas
As ruas, as calmas, o mar
O medo é a única escolha
O ódio é o seguir.

Mas talvez meu mar seja um riso
Até o retumbar de mil gritos
De gol nas peladas de meninos
Talvez haja uma festa enfim
E tudo seja uma bravata
Um engano, uma má palavra
E esta ausência que amarga
Seja o limpar do meu ir.

Mas hoje o que há é desgosto
É dor embalada no mar
E tudo é um cinza sem gosto
Qual o gosto do sorrir?

Enquanto te vejo em chão

Se meu riso fosse um pedaço do espaço
Daria-te minha estrela
Mas todo universo me cala os passos
E ouço o som do perdão. 

Tão estranha a história
Tão estranhos os lábios.

Se meu riso fosse um pedaço dos astros
Haveria  um espaço
E meu sonho detento
Correria o mundo a ver o sentido de ser
Suplantar todo o chão.

Se meu riso fosse um pedaço dos cascos
Haveria razão.

E verias o vento
Calado ocultar o saber
Pra surpreender
Capoeira colar pé na face do cão
Que humilha o moço no chão
Que é o capeta!

E de rir
Dá-me o pé entre giro de fé, camará!

Não se engane!
Surto em passos de primeira ação e sina
Rimo espada e imensidão
Calo papel e tenho rima na língua do versejar
Na palavra condoída
No grito que  arremedo, acorrenta cego à mau explodida
Bomba agora já doída
Lágrima não escondida
Despercebida força amiga
Que passeia em rubra sina.

Não se engane!
Me apalavro
Sou retalho  de meu chão
E redundo sendo mundo
Redondo de inanição
De fé e da algo fundo
Que é meio coração
E é meio outro mundo
De justa e boa paixão
Disfarçado de feito fuso de amor e de canção
Não se engane! Eu verso turvo
Enquanto nem sou canção
Enquanto me faço chão
Enquanto te vejo em chão.


Um novo barro

Se a falta desta luz me dói e faz do sol a noite
Que seja ao barro o colorido e enorme sonho que faz-se só trabalho
E neste embalo seja o grito um furor que cobre o espaço
Enquanto procuro uma certeza
Que não me cale o ritmo simples da rua aberta.

E meus calados movimentos rápidos reforçam-se em dor
Esta agonia então me toma como que à terra
E me conduz no medo tão selvagem que redunda em corações
Enquanto eu rio
Sonho com ventos e peço a Deus a luz da bela.


Se me farto deste mundo  qual o retrato da pele nas ruazinhas?
Se a vida é festa como o sol transforma o mundo em chão e reduz tudo ao dia?
Se o que avisto é a ilusão da pele enquanto sussurra imensidões
Seremos infindos como se a dor que amarro construisse  do trabalho
Um novo barro.

domingo, maio 31, 2009

Eu quero rimas

Ruas me espantam
Luzes me sustentam
Fomes me repelem pelo ar
Enquanto o amor se faz canção
E olho o mar
Calado, distante, impassível
Vejo aves, sons
Para o sol nascer nas colinas.

Não me pare agora
Sou tantos
Quero ir enquanto há tempo
Pelas luzes de outro bairro
Quero na verdade uma só palavra.

É só
Eu quero rimas.

Querendo ler o viver

Acordei pra ver o sol curtindo o ócio
Deduzi sem ler a história dos nossos lumes de amor
Sai pra correr  pra sempre contra o tempo
Sem querer mais ver sucessos, contratempos
Eu só quero ir voando sem ter direção
Repetindo versos, lendo mil artigos
Aprendendo a ler estrelas nos sorrisos
Rasgos de improvisos retumbando o metal.
Se eu fosse sorrir eu voaria em pombos
Se fosse meu gosto eu ficaria um tempo ouvindo o vento
Ouviria um pouco de velhos sussurros
Quereria tempo pra notar desejos
Pronto pra aprender amores que escorrem nas mãos
E a caçar palavras
Quero desatinos
Pra poder tecer respostas sem ofícios
Recriando artifícios pra fugir do banal.

Se há tempo me deixe confuso
Não há tempo pra viver esperando
Nova vida recriada do zero
Se for pra ver, quero inventar o ver.

Se há tempo me largue nos muros
Pelo invento de ser tanto e tantos
Minha vida é um som perpétuo
E por aí vou assim
Querendo ler o viver.




Voar nas auroras

Minha ilusão dá margem à palavras
Reduz o ser triste a ritmos e cargas
Espere a hora de sermos ruins
E abra a porta que esperta
Cala a boca e me deixa ir.

Agora
Indo pra casa me sinto cheio
Remoço ao andar entre espamos de ruas e medos
Vejo o luar
E permito-me voar nas auroras.


Havendo Deus

Havendo Deus 
Surgem em pássaros palavras
Havendo Deus luzes parecem soar
Não tendo deus
Gostas de dor?
São sininhos
Doem olhos de passarinhos
Surgem medos de voar.

Havendo Deus cores tentam ser presentes
Fomes têm um pão decente
Poetas não são um horror
Não tendo Deus Riobaldo até se engana
E o medos viram dramas
Ilusões viram amor.

Malvadezas sazonais

Dê-me a água cálida dos fins
Morra de improviso
E me permita o ócio perfeito
Pelos mesmos velhos motivos
Pelo extremo risco de ser apenas um nú repúdio
Ao que reduzido à superfície parece crime
Pela justa relação entre o perfeito, o banal e o feio
Calculada em cheio por minhas pálpebras serenas.

Dê-me a calma de olhar o bom designio
Enquanto eu ouço um ritmo metafísico
E evito me isolar nos desertos
Por motivos inúteis, arrogantes
Enquanto rosno entre risos
Por um ódio que é de graça
A quem me ofende no sistema
Enquanto curto malvadezas sazonais.

Pelo aprendizado de ser tempo


Se há canção
Espere o dom da não palavra
Se é a fé
Aguarde ser só existência
E entre sins escreva a letra que calada
Cobre de esperança o silêncio.


Fosse ação
A vida intera já parada
Pulsaria gotas insanas de inferno
Fosse um riso
Talvez o amor fosse amarra
E a corte da felicidade não fosse invento.



E assim como que invertida
Pasmada
Na antevisão deste presente
Move-se em vão a vida inteira remoçada
Pelo aprendizado de ser tempo.

Outro som irracional


Repare no extremo
E assim, me pergunte a razão
Para o mar ser tanto 
Ao passo que seu surgir
Tem um que de Rei
Sugando a força do canal
Não pergunte nada a ninguém
E espere o mau tom de um velho madrigal.

Não me fale do velho problema seu
Enquanto rosna inconsequente um ódio despejado
Sem esteio
Sem a fome de violar mil leis
Mas eu gosto quando me falam de destinos
E da cor do luar
Espelhado em destroços sós
Remoçados em túneis de metrô, escritos em pedras de amolar.

E é isso, é o fim
Só queria cantar
Um destino, uma terra
Um desmontado depois
Para ver o quão cinza é o acordar.

Repare no extremo assim
E mergulhe a canção até o verso se afogar
E reluzir
Refletindo além do espelho a fome, o sonho, o sal
Escrito no mar por outro alguém
Me espere por outro som
Irracional.






Ao menos ir


Se houve fim
Sussurrem pretéritos
Gastem o vento e digam sim.

Noto um rumo no fim
Calculo inútil raiz.

Enquanto há fim
Deduzam corretos
Espelhos retos que causem sins.

Noto um rumo nos sins
Enquanto pego o ritmo pelas linhas que deduzem-nos sós
(Talvez por sermos só nós)
Enquanto reduzindo minha sina
Espero um trem perfeito
Tomo um gole de cerveja e no peito
Calculo estragos do fim.

Enquanto há sim
Espelhe o provérbio
Me dé ao certo um som, um fim
Me deixe ir por aí
Me deixe ao menos ir.

Renasce coração

A luz do sol desliza
Sorrisos dizem sim
A rua é tão aflita conduzindo sons e fins
Calaram-se as mil palavras
Reduziram-se ilusões
Enquanto tecia a fé dentro de espasmos de razão
Caindo assim em mim, em casa
Sussurrando canção
Esperando uma rima que nascesse sem paixão.

Reluz o vidro cinza
É lindo o prédio, o chão
Espero na esquina talvez me assoberbar
Desejando mil semanas
Zepellins, Caixas, revoluções
Enquanto ando e canto um medo de não ter razão.

Enquanto o sonho adia o drama
Repare nas gentes, nos dons
Tecendo museus, luzes, mar
Enquanto tornam-se coração.

Eu sei, é assim a hora
É assim a rua, o chão
É dura a voz que acorda em desarrumação
Por isso guardo o choro agora
Reparo na expansão
De um sorriso findo que renasce coração.

sábado, maio 23, 2009

De mulher


Rasgue-me em vinhos
Em tintos toques de desejo
Pegue a mão 
Dê-me afagos e em beijos
Ponha a si  inteira em sabor. 

Note-me em ruas e cores e atos
Respire seu corpo no espaço
Me dê esta ânsia de iluminar.

Pelo seu jeito, sua cor, sua dança
Me importa saber o sabor desta índia, esta luz, esta vida de imenso mar
Enquanto o sol vem luzindo
Me dê este teu cerne do céu 
Sob as lindas forma de desejo que pintam na pele e no cais.

Desenhe a cor e a luz destas ruas infindas
Note o que é a cor que sussurra existência
Distante, o universo é este balcão de bar
E todos hoje somos a porta que clama  o toque,a fé
De ser teu desejo assim
De mulher.




O mundo é meu ser

Rabicós, Delfins, viscondes
Imperadores, anjos fazendo florir
Ruas novas
Velhos capins
Praças do tamanho certinho
Redondas 
Nos trilhos
Aprendi ali
A escrever sonhos e sacis.

Pelas cortes do meu raro duro imaginário jeito de fugir
Inventava obras de Dalí
Rasgando rios suburbanos
Jedis bons lutando e meus oilhos ali
Costurando espaços de patins.

Coisas de luzir distantes
Flores operantes
Como não nascer
Vendo a cor brotar do ver?
E curtindo a vista incerta, a razão desperta, a paixão de ser
Coisa boa o céu e a mulher.

Esperanto em vão se digna
A escrever batinas em jeito de crer
Será bom o Bom Deus?
Vejo a rua, o madrigal
O curto e banal bonde a desdecer
Santo, o mundo é meu ser.




Perdemos cores


Esquinas escutam o delírio de viver
E o giz me torna útil na espécie de lua que é o quadro
Enquanto procuro curvas negras pra beber
O suco de destino que habita nuas formas de espaço.

Escrevo o mar sob a  forma de um verso cru
E formo um luar pras belezas me tornarem a rir
Vejo um preto perfil
Recuo meu olhar  
Mudo de cor
Espero a fome reformar meu ar
Rabisco luas para encantar
Caço panteras nas florestas
Como somos enquanto homens se não atores?

Não note os subúrbios debaixo destes meus nobres segundos mudos
Enquanto calo algum subterfúgio para ter um beijo
Combino em sussurros desejos e sonhos alvos.

Repare na luz que amplia o medo da zona sul
Espelha o mar pelas beiras do desejo de rir
Me faça colidir
Preteje meu sonho redentor
Calcule a fome de me desnudar
Repinte e borde para nos mostrar
Como é que sendo poeta
Retrucamos sobrenomes
Perdemos cores.






terça-feira, maio 19, 2009

A prisão de minha vontade


Sabendo falar podemos ver o fim
Até verDeus.

Pedindo bonito podemos ser lindos
Até ateus.

Mas olhe, não sei sequer ruminar
Talvez seja até coisa de amarrar
Um crime, um erro, um vil pecado
Um jeito assim tão pensado
Cala mais até mil desculpas pra salvar amor
Mas não cala fel.

Pedindo se busca até ter favor
Mas nunca eu
Eu calo a razão e choro saudade
Me prendo na rede da iniquidade
Olho pra janela nua da maldade
Construo a prisão de minha vontade.

segunda-feira, maio 18, 2009

Amor sem dores


Ruas nuas me espalham sem saber
Agosto tira mundos
Enquanto o espaço cumpre mudos vestígios
E me faz ver
A correria tola de nós
Que como ratos
Procuramos ouro e contas na lua azul
Perdemos os pais e partimos sem besteiras
A contar e a sorrir
Fingindo ter daqui uma vista qualquer do redentor
As luas cruas de Paris, sem mar
Chove lá fora
Já vou trabalhar
E vou me esquecendo da festa
Que foi meu horizonte
Acordei hoje.

Meu Rio tem seus rumos e perdi meu berço
Calando entre risos um resmungo baixo
Fui filho de destinos colados ao jeito
De perceber murmúrios de Deus nos faróis baixos.

Procuro dos mundos uma detalhe que entre azuis
Me possam pintar um luar com estrelas
Um som de reluzir
Um sorriso sem fim
Uma vista qualquer do redentor
Um jeito único de redundar
Eu quero as ruas e um balcão de bar
Um papo cheio de misérias
Sorrisos entre homens
Amor sem dores.

Olhando grades


A dor de deixar
A arte de ter fim
Ri de meu deus
Existo no indício do que pode vir
Morro sem reis.

E enquanto me deixo sonho em voar
Respondo a meus medos
Sonho com um mar
E busco a dor de perder os passos
E cheio de embaraços
Vou atrás do trabalho burro
De colher amor
De sorver fel
Redundo na muda dose de rancor
Xingo a Deus.

Se calo a razão
Calo por partes
Ouço sons de rua
Sinto saudades
Torço qual uma mula em meio às tardes
E perco esperanças olhando grades.

domingo, maio 17, 2009

Não vou morrer

Fomes e artes
Luas e bagres
Peças de mil motores
Muros e grades
Peças de arte
Ruas e mil rotores.

Se eu soubesse dizer o que quero
A grandiloquência de minha semente sugeriria a gente.

E eu amo morrer plebeu
E o inferno
É que eu não quero morrer
Quero apenas perceber senões a ser.

Gotas de classe
Fomes de classe
Formas de paz
Louvores
Umbilicais
Os meses são mais
Os meses são maios atores.

Repita o seu desdizer
Meu inferno
É a semente da impotência a reduzir-me à mente
E a mente é meu derreter, meu deserto
Que construo sem querer
Para destruir meu ser
Não vou morrer.

Quero ser terra

Do mar recebo em versos corpos negros
Pisos de sangue que tomam casas
Asas de papel e de luar.

Do invento percebo espadas e gerânios
Percebo sorrisos e elefantes
Crio céus e infernos de rir.

Cale-te se não me notas mundo
Rasa é a cegueira sem invenção!
Tudo é um versinho de outrora
Reduzido a um simples rancor
Permita-me voar desempregado
Quero ver o fogo renascer.

Dê-me meu ser de amor
Dê-me meu rir de louvor
Dê-me meu Deus de amor
Dê-me a terra!

Quero  o gol de placa dos planetas
Quero o sol queimando mil vespeiros
Quero reluzir-me invenção!

Grita!
Que eu canto aqui uma modinha
Tamborilando versos mudos
Regredindo sem infância atroz.

Não me cale te negando mundos
Se há a luz, é feita desta dor
Dados jogam Deuses pelas forcas
Enquanto comemos nosso pão
Nada de paraísos e hóstias
Quero ver terra de sangue correr!

Sou apenas louvor
Amor de rir
Amor
quero partir, amor!
quero viver, louvor!
Quero ser terra.


Nos ensinando a cantar

Dá de mim o tempo!
Note almas novas pelos campos!
Eu que vivo o inferno da voz
Calo-me pra sonhar.

Peço espaços múltiplos pras palavras alcançarem o vento!
Será mesmo impossível notar
Que letras têm seus tons
Presas no tecer ruas, luas, velas
Barcos que navegam ventos.

Como assim nunca pôdes olhar? 
Barcos são só canções
A nos pertencer vagos e tão fugidios
O silêncio é uma linda voz
Nos ensinando a cantar.

Silêncio confuso

Ria do sabor, do sagrado
Corra o espaço
Vire festa
Resmungue acordada do calor
Há espadas e há canções entre as rugas e entre os nós.


Venha viver
Venha rápido
Enquanto o sol cumpre promessas
E o Rio se espalha no olhar. 

Se você notar vai ver
Um espelho de puro amor
É tão simples de perceber como é ruim rimar sol com flor
E meu riso se diluiu
E notou outra rua,outro túnel
Enquanto eu ia nascer
Soberano no amor que procuro.

Ria!
Vem amor, venha rápido!
Que meu mundo é um frágil
Recuo do espaço pra voar
Enquanto rola a canção meu sorriso desenha o pó
Na esguelha de um sonho brincado
Respingando de mil fontes
De águas pintadas de você.

Como pude não perceber?
Rua cheia me faz chorar!
Muros secos me fazem ter medo meu de nunca brincar!
Acordei pra poder viver
E respiro o luar obtuso
É tão simples saber viver
E viver é um silêncio confuso.







segunda-feira, maio 04, 2009

Em vão vou crer


Gotas de arte, formas de arte
Mortes de arte
Ardores
Pintam luares
Fogem dos mares
Compram jornais e amores.

Respire a calma dos seus que eu espero
Dê-me a ciência do mundo alerta que construímos ausentes
Grite um som que morreu
Dê seu berro
Enquanto os seios oscilam alertas
Nesta nudez que mente.

É fogo depender de deus
Por isso berro
Querendo só perceber
Quanto de mundo é viver
Em vão vou crer.

Me cause amores



Espero perder meus sonhos de nascer
Em torno de aviões e itinerários
Rebuscando uma palavra pra entender
Amores e cidades que jazem sob meus lábios.


Repare no mar que não costura meu sonho zona sul
Repare o lugar onde Madureira me aprende a sorrir
Me faça colibri
Eu quero o rumo de ser sem senhor
Repare o lume de Lumiar
A cor das horas diante do mar
Me deixe correr na floresta
Me separe destes homens
Me mate as dores.

Espero aprender a rimar amor sem medo
Enquanto acuso flores de matarem cactos
Se a cor de meus olhos derretem sem dizer
Costumo preencher horrores sabendo o espaço
que cobre meu mar antes de saber-me lua azul
E onde está o bairro de Madureira
Pra eu saber fugir
E perceber assim
Um resmungo sonolento de amor
Um gesto brusco que me faça voar
Mundos e formas de luzir luar.

Me pinte outra cor na floresta
Cale a boca destes homens
Me cause amores.

Buscando sabores.


Me suponho sussurros na reinvenção das noites
Enquanto o que me consome
São ruas e vozes loucas
Toda a nudez que afaga as cores.

Me escondo em meus mundos
Perdido em paixões musicadas sem nomes
E reparo no sabor da fé que me escapa
Que me arrasa dominadora
Enquanto meus hidrantes respingam o olhar
Pintados nas alcovas de meus delírios banais.

E por isso procuro alvos nestas gentes
Pintadas de celofane
E crio monstros sem nome
Redigito o medo, a fome.

Espero dedos cruzados
Espero hordas de fados
Velhas guerras, velhas terras
Enquanto olho da janela um mundo devastado
Me mato por controle.

Se singro o sol dos mundos
Peço a amigos uma dica de TV
Faço hora esperando ao telefone
Leio livros usados, vejo quadros na tela dos meus ócios
Espero um som sem remorsos
Não espero ninguém.

Leia o medo nos astros
A morte dando de lado pelas eternas promessas
Na janela o mundo encerra o expediente extenuado
Morro sem controle.

Me calo olhando o fundo
De uma cena da TV
Perco a alegria dos descalços
Perco o amor
Perco o querer
Quero ir além
Voar em redes, laços.

Me dê conta dos recados
Me mostre o Rio escaldado
Entre as pernas das donzelas
Reina ela, a lua, a cela
Onde durmo calado
Buscando sabores.