segunda-feira, julho 06, 2009

No tempo onde o subúrbio era cinza


Ontem eu fui de corpo
Sai fingido de cansaço
Mas era riso.

Sai assim pensando mundo
Mundo era ilha
E aprendi caminho novo
O sonho ensinava novas gentes
E sussurrava acordar cedo com mar perto.

E fui de corpo com pés e mãos
Sabendo o grito e o toque
Sai aprendendo café,manhã, beijo e sorriso
Aprendi desejos.

Ontem eu fui filho
Sai aprendendo esposo
E conheci sorrisos novos
Indo pra ilha em sonho colorido
Pensando no tempo onde o subúrbio era cinza.

De bom era um sonho


Como se eu respirasse inventos
Tive pedaços de mestres entre dedos
Por vezes em torno de madeiras de lei.

Era um sono de sol e cães
As letras e verdades passeantes
E o céu deslumbrado com o cinza do cimento e a goiabeira murcha.

Como se eu respirasse, o grito ecoava
Era mãe e pão
Talvez café
E uma pintura nova ria olhos.

Era cão em meus dedos
Mostrando amor de lingua
E meu falar era aus de muito
Tudo era eu
E éramos mundinhos
De bom era um sonho.



Queria ser vôo


Lendo pessoas eu me sinto querendo ter cidades
Vejo mundos pelaí, não os namoro
Casei e durmo com as mesmas ruas, preciso de transversais.

Preciso de estrelas em paredes
Paralelepípedos novos
Inventos de verde e cheiro de céu
Quero namorar caminhos
Traçar lembranças
Falar disparidades.

Queria ser vôo.


Minha paixão de Saravá


Me dê mar
Se eu falar poesia pelo celular
Cale-me em exercicios imoderados
Dê-me a cidade
Me dispa à noite de luar.

Se for voar me dê guarida para eu não chorar
Dê-me conselhos sempre aos pontapés
Dê-me teu beijo de ferver olhar
E em tempo redija filmes e História
Resgate pedaços da memória
Que nos engana aos borbotões.

Se dia
Me dê palavras que contenham ira
Marrom-Glacê me dê com gasolina
Como um ensaiar de explosões
De trilhos e gabinetes de fardões contentes
Espelhos vivos, Fósseis renitentes
Zumbis de fossas abissais
Que cismam em dar bananas frias, rangos de alvará
Calas-bocas para a torcida
Num Samba-rock bem sem sal.

Mas vá lá
Se for Maria de Bailes floridos
Me espere espelho em beijos sortidos
Me ame assim como a voar
Porque eu vou pra lá
Resplandecer entre cidades de mar
Cantando à Dona Liberdade
Minha paixão de Saravá.






sábado, julho 04, 2009

Gozo aberto das almas irmãs


Meta-te em mim
Boca e escolha
Dê-me teus passos dados
Dê-me a veste nua de ser só a si,pessoa
Seja pessoa em mim
Boca que despe
Dá-me o som do bom sabor das coisas
Diga que ama,diga-me cama
Em sóis seja semana
Seja uma forma qualquer de amanhã
Dê-me o corpo,a prece, o sarro
O descalabro das manhãs
Joelhos feito prece em sanha
Saiba o gosto meu,me saiba em manha.

Quero-te do jeito negro dos negros
Quero-te inferno e céu de desejos
Risco o riso, a cor , a estrela da manhã
Quero me ter teu resplendor de ganas
De talvez morrer sendo-te o gozo aberto das almas irmãs.

Em meu sentido


Sou barco
Porto é mão que atormenta
Porto é não
Me acorrenta
O canto, o espasmo,o som
O mar, meu não.

Será sol redivivo o Deus dos meus instintos?

Sou Marco
Prego o chão de presenças
Rego invenção de sentidos
Sou o ontem, a espada
O dorso da mão
O som
A chaga.

Será medo o riso, calado e expressivo?

Sou astro
Morro em dia de sentenças
Calo-me invenção depalavras
Calo-me em vã impaciência
E vago, astro em sol morrendo
O som, o tempo.

Serás tudo em meu lírico querer,em meu sentido?

Paz armada de meus pais


Rua de extermínios,sorrisos, álibis,pedras
Faixas e destinos
Corredoria de vultos
E entre gritos cinzas e vermelhões de palavras
Um mundo se faz terror
E o dia é mais que dia
É tudo tão depois
Tudo que se faz palavra
É de asa e faz-se marca
Discurso vezes é fé.

Ruas de Sentidos, distantes sinais e pernas
Cálidos meninos comendo flor de malícia
Ruas de destinos enquanto comem rumos
Esperados dons de amor
E medo se faz sina
O medo é tão depois
Mão e olho e dom na arma
A alma se agarra e mata
Alma vezes é fé.

Rasgue-me triste entre delírios e tretas
Ridicularize a palha da dor, da mão
Cale-me em fogo
Remarque o medo das ventas
Recale o cínico ar de reprovação
Marque-me novo e sinta-me mil planetas
Enquanto vago o sim na mesa de bilhar.

Delírios de lida, corpos comendo as horas
Leitura perdida entre balas de mil noites
Rimas defendidas em pernas dúbias
Palavreadas sobre o breu
Que tecia maravilhas nos olhares que sorri
Tudo é som e som sou hoje
E é verbo
Sou em horas
As facas e a fé
Arde amor, ruas vadias
Vermelhos gritos de mundo
Medo vezes é fé.

Rio dessas grandezes
Olho pessoas
Sou tantos, sou quem foi
Gargalho de miudezas
Olho escolhas
Leio voz de jornal
Grito belezas acesas e vago em nuas
Formas do anormal
Calo-me e sou estrela e ela é cidade
Rio de mim, do Mal
Rio que é cidade apaixonada
Paz armada de meus pais.









Dê pra mim


Dá-me Ali
Colorido sorrir
De Dalí faça-te rir de rir.

Diante de sins e vergonhas baladas
Caras de múmia
Eletrolas peladas, turbinas, cunhas
Desmentidos de urros e sons de maculelê
Azul de meninos em águas de barro
E flor
Somos ver
Tudo a gente vai ser
Tudo a ver
Tudo a ouvir e ser.

Dá-te aqui um sorriso Dalí
Diga aí qual a cor de Paty.

Rebola jasmin entre ruas e luas
De outro amanhã, pelejas de cornos
Festas de entranhas
Arrombas de portas com PM
Fazer?
Só ir ver se não for de morrer
Só ir lá
Ir pra ver o que for de nascer
Pra sonhar.

Dê-me assim luz de azul anil
Faça anil, progresseie os sacis.

Ordene assim um negão pra juiz
Crie assim um progresso que se quis
Dê bandeira de rima de tosco viver
Grave um rir, uma flor de arrumar luar
De Dali pinte uma flor de vermelho ver
E Daqui faça lua de Vermelho mar.

Dê pra mim
Uma cor
Dê pra mim.


Musa


Teu riso me faz mar
Dá-me tua boca!
Destile tua magia entre as soltas palavras que o sol
Colore na mente ao tocar
Um corpo, ao outro,ao mar
Às dunas.

A pele sabe o amor sem entrelinhas
Escreve em sóis e chuvas
Versos e liras
Que tocam-se a nascer espasmo solto
Luz no olhar
A sorver, A criar
A ser musa.



sexta-feira, julho 03, 2009

Riso nobre, peito de flor


Sonho beijo lua nua
Rimo sem verso
O ponto desabou
Nasço você em meu quintal,viu?
Toda rosa parece amor.

Pesco peixe de magia
Puxo num golpe a linha do amor
E olhe quem vem
Olhe quem já toma a golpes o dom de amar.

Riso de risco, menino
A fala doce é parte de luar
Tudo é aqui
Tudo é ver
Riso nobre, peito de flor.





Uma luz dourada de fé


Guenta teu riso de prece
E veja-me rio, caçador e pesca
Rebento da lua da parte da floresta
Que faz água nua virar coragem
E do sol canção
Dá-me mar
E veja-me ser o mar
E deixe-me crer.

Deixe-me crer no esteio
Do som de ser rio
Me veja espelho
No dom de ser peixe e ser o seio
Do dom de amar
E ser mar
Ser mar e você.


Ser mar
Entrado nas terras de Iemanjá
Filho da lua e do Curupira
Pai de esperança, filho azul
De uma luz dourada de fé.



Só pra te amar


Um som de sabor sorriu pra mim
E fez-se festejo de criançar
Rabisquei um jeito de ser o mar
Pra você saber o mistério que o riso faz com meu olhar.

Um riso de amor fez-me luzir
E nasci desejo de carinhar
Desci pelo Rio do teu olhar
E pude nascer como peixe de rio
Me fisguei luar.

Minha prece é a beleza
Meu amor é um som.

No invento da gente nasci sorrir
Entreguei festejos, luzes e mar
Acordei pra vida de encantar
Sabendo dizer o nome de teu riso
Só pra te amar.

quinta-feira, julho 02, 2009

Sinto-me Deus



Soubesse morrer entre as pernas da loucura
No risco
Talvez fosse um nascer de pequenos estilhaços de Deus
Se soubesse sorrir costurava inventos com contas de vidro.

Todos os dias a margem da palavra é o vento
E rio ao notar-me inventor de novos compromissos
Nem sei se é divino este ir em torno dos céus que aprendo a saber.

Todo o cansaço se abre para passar meu peito
E eu rio com a graça dos sentidos
E vago na a pele da rainha dos meus sonhos, de meu Deus
Sinto-me Deus.

Aprendendo a ser imortal


Meu segundos param de sorrir
Tempo imenso, tempo desigual
Curvatura de espaço a ir
Sabendo do destino e do futuro
Do imenso lago escuro
Deste vento em que mergulho
Aprendendo a ser imortal.

Escolhi o pedaço de uma canção
Que devolve a luz da rua a um sentido, a um sorriso
A calma que não achava descubro na ausência de nãos
E a pedra do destino se redescobre.

Pára o mundo, ouçam o que eu ouvir
Sejam rubros, fogo radical
Sem espaço, só espaço pra ti
Adoto o desesperado curso, da língua em boca, do discurso
Troco o tempo por absurdos
Roço invento em canto escuro
Aprendendo a ser imortal.

quarta-feira, julho 01, 2009

Saber você entre a arte


O sabedor dos céus revela estrelas
Entre as cores de novas cidades
Tudo é tão lua
As noites me invadem
Tudo é você
Tudo é arte
Anos e planos,dores,inventos
Risos e espelhos de amor e cidade.

Tudo é você
E o sabor é todo teu nome
Tudo é um sim, sorriso e encontro
E costuro ventos de meninos
Peles e um sarro
O gosto do ônibus, da noite
Do espaço entre a lua e a verdade
Gosto de saber você entre a arte.

Para Amor festejar


Do amor pesquei novo lugar
Refiz paredes, formas-mar
Criei cetins de ouro
Ao Cais fiz barcos de estrelas do mar.

Do amor nasceu a rosa que não fiz
E que me toma, e que me acorda
E que me doma o nascer
Para poder saber a rosa de todo querer
Querendo a luz de um luar para fazer tudo rosa
Para Amor festejar.



Serás tu?


Em tons de dons de desalinho
Nos espaços dados tantos
Fazes-me intensa revolução
Enquanto me desfaz qual caminhante
Em um dado sonho insano
Fazes-me líquefeito som.

E em pleno artifício seu
O domínio é ágil e frágil
Um espanto,um canto
Que faz-me desejo em sol e luar
Em terra e mar
Rapidamente servo, acompanhante
Dominado em paradoxo dominante.

E em sério e estupendo abolir dos vãos mistérios
Vago nú em sóis profundos
Em mundos obtusos
E calo a sonhar, a tudo desejar, em chamas,em mar.

Serás tu a estrela da arte
Que de tão aparente
É obscura paisagem
Incendiado presente
Símbolo de verdades
Deusa-mor dos viventes?

Serás tu
A canção que me abre um mistério perene
A poesia sem classe
A arte indecente
O mote do azul
A invenção do detalhe?

segunda-feira, junho 29, 2009

O sono que anima quem vai se apaixonar


Quando eu fui à areia
Vi-me mortal
Sorri pedras finas
Luzi um som banal
Brinquei com pequenas conchas do mar
Sonhei guerra e ferro de panela moldar.

Água deu-me a vista de um sonho, uma fé
E me fez alegre, ver peixe, ver luar
Assim fiz arruaça
Cantei em paz
Vi na moça as flores, os versos e meus ais.

A lua se foi no dia
E fui olhar
O sono que anima
Quem vai se apaixonar.

Amor justifica qualquer bobagem


Ajusta a justa do plano
Fale a linguagem da galera
Calma demais é falta de pressa
Dormir é rematada loucura
Esquece o plano, vamo só de fissura, ok?
A palidez talvez seja vontade!

Esquece a droga do plano
Regras e réguas não me tomam
Calculo rubis com feijões e com contas
Eu quero mesmo é bonomia
Feita por Deus acompanhado da filha de alguém.
Citar nomes agora é uma bobagem!

Rabisque o riso no pano
Me dá um teu beijo de lua
Cansei das muitas burrices nuas
Caladas e escondidas do bar.
Garçom, suspenda outro amor,
Já tenho cá!
E amor justifica qualquer bobagem.

Espero-te em flores


Acordo cedo e rumo a um sorriso bobo de cores e nomes
Crio aventuras, roupas, imagens, flores
Dedilho versos e mundos enquanto meu rosto sonha e se comove
Sentindo o soar da pele, da alma
Na passagem pelas horas
Que separam-me do instante
E faz meu olhar notar estrelas, flores
Ruas de sal.

Acordo em meio ao mundo
Reduzindo medos
Sonhando o telefone
E desejos viram fome
Arco íris ganha um nome.

Estradas correm no espaço
Delírios trazem-me passos
E na poesia, irmã eterna
Encontro versos espalhados
Clamando por flores.

E na nudez do mundo
Colho odores, luzes de laquê
Faço ondas, desenho gigantes
E espero sentado, pelo fato
Que me constrói estóico
Dedilho um mote de ócio
Desenho outro alguém.

E rabiscando estrelados corredores pintados
Pela rósea lua terna
Vejo nela a brega eterna luz de estrelas e fados
Ouço Hardcore.

Acordo em pleno rumo
E sou sorriso, por simplesmente ser de uma alegria feita de passos
E um sabor de ver você
Me faz além
Talvez até calado.


Revejo um rosto, um estado de alma, um sonho cansado
Uma estrela, um dom, a velha poesia dos atos
Espero-te em flores.

domingo, junho 28, 2009

O sabor d'ocê


Só queria ver o invento do ócio
Resonhar o amor enquanto ainda sócio
De não temer a dor.
Quero já saber o bom sabor do vento
Respirar e crer
Ter fé nos santos ungüentos
Da aventura de rir trocando os pés pelas mãos.

Venha e me navegue
Faça-me teu Nilo
Retome meu ser das mãos do desatino
Leve-me pelo teu cio
Faça-me teu sal.


Só queria ter da tarde um riso franco
Amigos e o fogo de lembrar do vento
Respirar tempos
Ter do hoje a soma do imenso murro
Do sabor de ver um céu em todo o beijo
Da força de ver e ser o toque das mãos
Foi a lua rara, a presa, o início
Um explendor de ser imenso em bom ofício
Ser poema em desalinho, verso, alma, imortal.

Sei que o tempo vezes mata tudo
Sei do inferno de esperanças e prantos
Mas da vida o fogo que no dá elo
É renascer, é sorrir e aprender.

Saiba o invento detes anjos rubros
Saiba o invento de nossos novos cantos
Quero a vida sugada dos versos
E pelo amor digo sim
Digo o sabor d'ocê.


O andar de crianças de seis anos


Quando acordamos e precisamos o vento
Damos conta de explosões minúsculas na alma
Como reações em cadeia de sorrisos e ardores
E o sabor do riso agrada o invento
Que Deus chama de amor.

Quando perdemos o universo
Acordamos sem noites ou sóis
E precisamos de olhos em chamas
Para reacender uma esperança vã
De caminharmos novamente
Como se reapredendo o andar de crianças de seis anos.

Parte Mar e parte nome


O que terá o mar, além do sal?
O que é o mar, a esfinge?
Se a palavra mar fosse um espelho
Haveria nela a cor do amor, a nudez do mal?

E o que será em nós o mar?
Onde habitará sua esfinge?
Será ele um sedutor matreiro
E seremos nós o sabor do amor, nús, vestindo sal?

Seja um verso sem poeta
Um riso
Parte Mar e parte nome.

sábado, junho 27, 2009

Relógio embalsamado


Gaste-se não,meu bem
Gaste-me não,meu bem
Repita a velha ordem desancada das amarras!

Gaste-me não, meu bem
Rasgue-se não,meu bem
Apenas dê a corda no relógio embalsamado.

Hoje eu vi Dorina
Rebolando atrás dos guardas!
E assisti muitas luas imitando-a
A gata.

Louco de rir e viver


Não vou discutir o quanto há de ódio
Pra se perceber o lado ilusório de qualquer amor
Eu só quero ver uma natural momento de rever um ver qualquer
Um contratempo
Dedilhe um sorriso e me parta um destino ou cor
Hora de ir em frente
Hora de mil ritmos
Renascer é ver estrelas nos umbigos
Vou brigar com meus amigos sob a luz do astral.

Sou de prescrever remédio em meio a um ônibus
De curtir o gosto de ressaca no tempo do Barlavento
Hoje eu sussurro um hai kai escuso
Retenho um desejo natural por beijos
E rasgo mil dores e amores com varas de condão
Eu não sou aquele velho artifício
Nem vou renascer vagaba entre vícios
Quero ser apenas grito sonoro, tribal.

Note bem o quanto sou de mundo
Nada espero em meu esperanto
Quero a trilha sonora dos ventos
Eu sou fazer, sou assistir e ser.

Hoje é um dia meu de luto
Luto é festa em canto e santos
Mil hemanos vendo um velho velho
Eu sou assim,meio assim
Louco de rir e viver.



terça-feira, junho 23, 2009

Pra eu o ensinar

Eu nunca fui nú como nesses dias
Fugitivo da vida que nasci e quis
Como a tripudiar dos mundos que me faço
Querendo ser mais rei dos reis do meu país
E aquele que me ensinaria a lição da hora
Comia e corria para ser feliz.

E eu ia à toa
Santos tempos e aís
Tanta verdade
Era a tolice minha que hoje me invade
Sabendo lá com meus botões que falta um pai.

A loucura de todo dia é que o mundo é velho
Por isso mesmo intensa a lição se faz
E o mundo se arredonda como uma familia
Que cresce é sozinha, mas que falta faz
No verso que empobrece sem um seu de medo
Do verso de um velho que chamava pai.

E eu ria à toa
Hoje rio mais
Sei que há saudade
Mas aprendi uma rua que corre às tardes
No dedo que aprendeu porque ser pai.

Talvez por saber tantas velhices escondidas
No riso, na vitrola, na lábia no bar
Eu sabia que Deus comprava pão na esquina
Sabia brincadeira, porrada, amar
E me deixando rir da rua, do meu mundo
Brincando de aprender
Saber de adulto em mar.

E eu ria à toa, ia navegar
Mas nessa verdade
Aprendia discursos de outra saudade
Do mestre eu ia ver a morte vir chegar.

E como uma maldição ele me fez poeta
E orgulhoso deste jeito com seu verso
Me infernou o mundo com o adverso
E eu o fiz poema por amá-lo em paz.

E cadê a proa?
Onde está o mar?
Só tem a saudade
E espelhando o mundo vejo a meninagem
Um anjo já nasceu pra eu o ensinar.

Controle

Se eu fosse correr mundo por todas as dores dos Reis debutantes
Talvez eu fosse fogo de pegar em chamas à tarde, nas folhas
Se eu fosse ser um mundo
Eu teria pudores de morrer sem nome
E enquanto eu rebusco a fera, a palavra
A alma sedutora
Que me faz novo atlante
E veria no mar um algo de outra coisa
Um Deus, um sal.

Se eu fosse correr mundos
Saberia gentes, atenderia o telefone
E choraria uma morte, um nome
Seria eu o telefone?


Enquanto a febre dos matos,
A enciclopédia dos autos me ferem a dor da perna
Vejo a velha dor interna repercutir em laudos
Realizar meus horrores.

E sábio um velho mundo
Ensina novos modos de porque
Guia-me em trilhas de cansaço
E enquanto aguardo
Olho o mato
E noto anjos tortos
Tatuo detalhes do óbito
Na alma de ninguém.


Respiro cores de atos
Converso com renegados
E entre as pernas sinto a febre deduzir meu cansaço
Me falta controle.

Reparo deuses mudos
E se respiro meu ler de toda a vida ganho um espaço
Vejo uma cor que não sei ver
Aprendo um deus
Que só é meu aos sábados.

E enquantro sonho acordado
Deduzo que sou passado
E as velhas ruas sérias safam criações de mil atos
Eu perco o controle.

Um detalhe feliz em meio à dor demais

Se eu fosse soar as dores mil
Que trago escondido
Talvez ruísse a palidez de tantos.

Se fosse apenas ser abismo
Cálido sentido
Talvez a multidão soasse verso.

Mas o mundo é ínfimo diante disso que nos deprime
E novos heróis caem tão nús, parcos, solenes
Parecidos mesmo
Com italianos filmes de velho cinema.

E o risco sábio do abismo
Aquele que inventou sentidos em mil nomes que trago perto
E que me fez um filho arrogante e poderoso com anjos feitos de tanta luz
Que me trouxeram à cena
Um detalhe feliz em meio à dor demais.

Um corte de lucidez

De salamaleques nego vai citar um Deus
E eu que tô cagando, aguardo
Respiro sementes de viver
E Deus talvez me xingue amargas
Dores de milhões de ventas
E eu que desespero em ódio e silêncio aguardo a vez
De mandar tudo pros cinquenta nove cús de gente que odeio por vocês.


Sabe lá o que são anos?
Eu choro meu sangue e respiro um tom de azul
Não me faço coitadinho
Só quero um sentido raro, em paz, em couro cru.

Como sentido não se inventa
Eu reentendo Deus
De volta à parca sensatez
Reinventando um tom de gozo
Uma palavra simples, básica
Um corte de lucidez.

Eu faço um cântico

Rápida e tola a palavra se faz soar
Simples terminada em algo sem lógica
Calada, é farpa de até matar
Simples, tão linda que parece rosa.


Soa solene, tem padre inté pra rezar
E eu lá olhando o som que doeu
E meu sonho parece até respirar
Mas a palavra é simples, é dela, é meu.


Palavra doida de soar de nego negar
Soa matando no peito a sílaba
E eu que construo sementes de palavrar
Faço o que soa virar verso e lágrima.

Sôo inferno em Céus de delírios de voz
Mas quero um mundo inteiro de ar, de pranto
Sôo somente porque não me faço calar
Morte é a palavra
E eu faço um cântico.

A imprecisão de meu próprio alarde

Repirar nem dói tanto assim
Talvez nascer
Considere digno um dia sem mim
Talvez morrer
Calado me torno simples voar
Espero incertezas pra perdoar
Nem sei relembrar o som da minha voz
Aguardo lembranças em meio aos bemóis
De um som que me fez criança.


Reparo na ânsia de todo mundo amar
E ver você
Chorar derrubado, querendo matar
Talvez teu Deus.

E eu que inventei de nunca chorar
Não por querer mas por precisar
Reparo na dúvida que tenho e trago
Do mundo ser tão raro.

Vivo em paz
Talvez na secura que nada provou, além de meu tom de ternura pra pouco amor
E muito fel.

Calado eu olho a dor da tarde
Espero incertezas que me devastem
A rua me avisa que o que arde
É a imprecisão de meu próprio alarde.

Vou fazer bobagem.

Formas diferentes de sabor

Morrer sem Deus é uma forma de amarra
Morrer com Deus é um tempo pra pensar
Viver em Deus é uma forma de domínio
É um laço pequenino com uma forma de amar.

Viver sem Deus é esperar uma semana
É viver talvez sem dramas
É ser filme de horror.

Viver e Deus são extremos de esperanças
E talvez eu queira formas diferentes de sabor.

Eu quero viver

Resta-me saber ter uma dia de corno
Resta-me beber gotas de algum ódio, um pingo de amor
E depois saber sorver um bom veneno
Gelado ou construído em contra-tempos
Quero correr riscos naturais de qualquer tom ou cor.

Não sejam solenes, sejam só amigos
Desesperem altos grandes risos
Permitam desígnios de humor banal.


Me deixem dormir sem precisar de sonhos
Me acordem à noite para um bom momento
Vida é ungüento.

Eu nunca sussuro meus horrores noturnos
Grito meus desejos e ódios a todos os ventos
Me deixem ser intenso no temor, no ódio, na paixão
Pois eu sem amarras quero ver meus vícios detonarem todo o indício
De uma linha de parricídio escrita em sal.

Não se esquentem com gritos e urros
Não esperem tons mezzo romanticos
Quero vida onde não há tédio
Eu sei viver, mas aprendi a morrer.

Não me deixem parecer confuso
Se desespero gritem em esperanto
Tenham vida mesmo em cemitérios
Eu sou assim
Grito assim
Foda-se
Eu quero viver.

Serás tu Deus?

A esta hora
Eu acreditava em Deus
Respirava um sonho meu
Navegava sendo seu
Seria eu Deus?

Entre as mesas
Lia Goethe em Judeu
Mentirava um tom tão teu
Respirava o meu mel
Seria eu Deus?

O Nome de ninguém repetia minh'alma
Talvez fosse morte o que embalava
O Gênio e o louco de dente quebrado
Aprendendo os dias
E você parou.

A calma de fé até hoje me salva
Talvez fosse o dia que agora ensinava
Cadê o teu urro, teu medo inquebrável?
Eu vivo os dias
E você parou!

Deixe a mesa!
Sei que um dia serei eu.
Hoje eu não chorei no breu
Aprendi que nada é fel
Serás tu Deus?

Um novo anil

Meu mundo é sol
Um acanhado feicho de flores e risos
Que cala o mar
E dá-me a luz de dias tão distantes, feito um antes
Todo um antes.

E todo meu Deus
É replicado e respingado de cores novas
Pintado em seus inúmeros lugares e sons distantes
Pelos homens, pelas musas, por Orfeu!

E enquanto vejo auroras finjo que não sei
Mundos aprendidos, sóis,bemóis
Não sei
Só noto o indicio de que eu vou nascer
Em dós e sons de trilha
Perdas, ervas daninhas
A sós o som ensina
Deuses e luas finas.

Hoje eu vivo anil
Crio ruas e um Brasil
Ouço os sóis, ouço anzóis
Percebo um novo anil.

Só a morte é bendita!

Reparou no amor perdendo sentidos líricos?
Notou um relume ausente nos olhos do síndico?
A cruz de todo dia é um prenúncio da vida.

Leu sobre David e pedras e golpes fatais
Derrubando nações, matando gigantes, criando casos?
Aprendeste a língua chineza da Dinamarca?
Concordou com piranhas que matavam suas crianças?

É estranha toda a cor de algo bom
Colorindo desastres
É simplesmente infernal o gosto sujo
Das muitas verdades que dizem ser Deus.

Repare netas arestas que constroem os ambientes
Tome gosto pela loucura inexata, inconsequente
E descubra a luta burra de todo humano contra unversos sem mestres.

Goste ou não, as florestas que se incendeiam por vingança
São simplesmente um urro interno, uma esperança
Todo dia o mundo apresenta uma vida eterna.

Pode parecer só fel a impressão de versos e linhas
Enquanto achamos linda a flor morta na estante
Mas é um aviso do mundo que apresenta vidas eternas.

Deus é um mau ator escrevendo roteiros banais
Enquanto somos cadáveres
Animadinhos por um sopro antigo
Sofrendo por medo do amanhã
Só a morte é bendita!

Inverso

Dê-me um tom L'amour de dias
Cale-me em contraindícios
Regue-me não flor
Me dispa precipícios.

Olha em torno: O inverno é o clima propício
Para Deuses malignos
Eu só quero agora vida fictícia
E delírios prenhes de lombras
Ressacas, nuvens tonantes sem fé
Eu desejo o mar da morte com peitos
Eróticas receitas
Ilusões rarefeitas
Perfeitas.

Dê-me um jornal sem linhas
Cala-me
Me contradigo
Não me oponho à dor, ao horror, ao homicídio
Falando sério? nem mesmo ao suicídio
Mas só quero ver discos.

Não, não bata a porta!
Não acorde a vizinha!
Hoje é meu dia de sombras
Respire o mais rápido que puder
Pois eu quero o olhar feliz, esfuziante.

Meu universo é renascer
Talvez eu tenha de morrer pra ver.

domingo, junho 21, 2009

Espere mais


Sagre o nome!
Eu não sei bem rezar bonito
Calo e sonho
Respirando Deuses e jasmins.

Acorde o sol e todas as luas!
Me deixe a sós com meu Deus!
Vá voar!

Talvez a voz do meu Deus seja meu pai.

Sagre o nome enquanto eu rio do infinito
Sagre a razão íntima de existir
Enquanto a sós eu vejo a lua e sei
Que há mais.

Entre dentes rezando o desejo de ter olhos
Rio longamente e sei que vou morrer
Espero a razão
E sei em vão que nasci pra ver além
Do mar, do sol que não vem só.

Sagre o nome
E repare nas estrelas dos olhos
Note a rua criar raízes e ser infinita
Tudo é como um sol
Estrelado em nome do que sei
Deus é mais.

Espere mais.




Olhando teu sorrir


Deixo-me a pé nos sonhos
Crio saudades
É bom
Deduzo palavras do ninho de um pássaro azul
Que faço vivos, intensos, sons
Calo-me
Espalho-me
Quero ser bom.

Todo o dia a manhã
Faz calar algum som.

Sussuro canções bonitas
Lamentos, batuques de cor
Revejo o som que acalma uma vontade de ser furor
Rimo palavras justas entre risos
E em lágrimas sou só rancor
Cresço, e durmo digno
Com rubor.

Daqui de cima é bom voar!
Astronautas de sóis acham bom.

Repare nas estrelas feitas à mão
Pelas crianças do céu
Repare entre dentes um vento
Um sonho, um véu
E escreva palavras sem nomes
Para que tudo seja meu
Gosto de ser senhor de algum Deus.

Bom de rua é de manhã
Bom de sol é ver-se azul.

Tantas estrelas dormem de dia
Enquanto os cães parecem saber de ver
Pássaros, ruas, delícias
Mulheres de comer
Festas de fim de dia parecem tão belas
Que eu quero viver
Talvez eu morra sem morrer.

Rasgue a noite, dê-me um tom
Ensine-me violão.

Parecido com o vento, o tempo sorri tranquilo
Enquanto o mundo deduz o fim
E resistindo ao medo acordo o intento de dizer sim
E reparo na palavra sagrada, que li algum dia
Escrita no verso em latim
Que esqueci olhando teu sorrir.



Um peito a sós


Trilhos, trens, Bondinhos, pontes
Invenção de nomes, de homens, de ver, de rir
Ao longe lembro de comer caqui.

Ri nas dúvidas, menino
Hoje saudosismo a me repetir
Quase um pai que morre aqui e ali.

Nunca doce, nunca amaro
Seguidor de raros garimpos de ir
Sabe lá agora onde rir?
Enquanto me estendo dos prantos aos risos francos
Sem sequer sentir
Suburbano me vejo sorrir.

Podem escolhas criarem asas de condão e espadas de som?
Pode a razão me ensinar a ver ilusão?

Paulatinas vias, fontes, repare nos bondes
Como é bom viver sabendo de cor o morrer!

Rasgue a tinta nua que liberta
Coma a fruta esperta
Note um som de ser
Entre as aspas do a pé.

Rio de amanhã supimpa, de manhãs enigma
Rio de meu Deus
Note o mar que nunca morreu!

Trilhos de jardim, banais homens rindo do astral
Curtindo o som do ver
Todo dia eu posso morrer!

Gotas de mundo escorrem no rosto enquanto assevero a saudade do sol
Risos de mundo percorrem um peito a sós.

Todo o amor é de minúcias


Tantos muros entre nosssos dedos
Dedilhados muros e janelas
Nestas aspas, nestes jardins
Tantos novos sons e sins
Festas hoje são instâncias
Desesperos em carmim.

Estranho o vento em torno do luar!

Gritos roucos, amores, suores
Pelejas e vaidades
Nossa alma, repreendida
Regulada
Registrada
Os atos
Acorrentados.


Parca grade entre o normal
Nos separa, nos faz do banal
Uma nova história, um sal
Que sobre a noite fria
Reproduz a fantasia e escreve um dom, um tom
Um madrigal.

Esperanças recolhem-se ao mar!

Percebemos luas velhas pelas janelas
E nas trilhas das pedras
Recuperamos armas velhas
Palavras cegas
E todo o amor é de minúcias.

Pessoas morrem por nascerem sem mar!

Pedaços de vento
Cais e mar
Uma irrazão, o céu, o sal,
Cores que criam a espera, o estar repetindo a seu peito
Um lamento não desfeito que só um bem pode curar.

Todo o amor é de minúcias de luar.

Cale a boca e me deixe!


Cale a boca e reduza-se à palavra!
Cale a boca e me deduza as almas!
Cale a boca e entre os dedos tenha a calma
De ver-me infinito tango ou outra arte.

Pela boca do desejo eu vejo o mal
E respirando melhor
Vejo banal tudo ao redor
Banal.

No instante fatal poderemos correr?
Há sentido neste momento seco ou todos nós vivemos com medo?
Será espanto o que corta-me as asas?
Será novo este torneio de amoras?
Será ridicula a saia de minha filha?
Seremos velhos ancestrais de alma vazia?

Cale a boca e me deixe!

Um novo tempo


Hoje já morri quase menino
Renasci quase que indigno
Revi olhos e ventos
E construí meus sentidos.

Tocando destinos
Acreditei nos vícios
E morri em contratempos
Quis explicar o invisível
Mas como ensinar ventos?

E assim em cenho e ritmo
Acreditei no meu íntimo
Mas o invento é um sorriso
Que some entre os momentos.

E o lamento que hoje vivo
O sorriso que inicio
É do tempo, um só elemento
Gasto ele com meus livros
Sugiro um reinvento.

Grato pelos sonhos líquidos
Lavo os olhos e preciso
Sigo o legitimo intento
De sobreviver a isso
Pelos tempos, pelos ventos.

E rezo agora ao espírito de uma explosão
De um cio
E respiro o vento, o tempo
Ser sagrado é ser sentido
Ante o tempo, ante o invento.

Noto o sol e renascido
Uso o que aprendi convicto
Vendo pedras e elementos
Bichos, nuvens e outros signos
Deste Deus eterno tempo.

Na partida do que sigo
Eu que não sei ler fingindo
Canto um desses sons que tenho
Do silêncio aprendido
Rezo a Deus haver mais tempo.

E percebendo o riso
Do que importa, do que é nítido
Já percebo o movimento dos circulos do destino
E acordo enquanto há tempo
Para versejar benditos
Novos anjos de improviso
Que comovem meus momentos
Enquanto desejo ser lírico
Pra pintar um novo tempo.

segunda-feira, junho 15, 2009

Negros em roupas de cor



Ruas novas me trazem sons de prece
E há mais
Conduzem negros em roupas de cor
E musicas de um Deus que cresce
Em igrejas novas
Entre a suburbana e a abolição
E todos nós morremos
Como se houvesse mais
Entre litros e litros de duzentas novas bebidas sem sabor
Assim como quem constrói a paz
E há mais.

Esperemos que algum dia a vontade de ir mais longe que nosso umbigo
Seduza muros e cadelas feias
Que rompem com seus pais
Há mais
E todos construimos a paz dos normais.

Quero ir ao longe demais
Quero mais
E sabendo que tudo de nós é assim como um desejo de ser rua.

Sem meio tom permita-me ser breve
Sempre há mais
Entre toques de sons e vontades e dons
Entre coros de negros e mulheres
Reduzem o tom
À dizeres feitos de prece
E eu só queria o som de saber prece
E sei que há mais que isso
Há litros de bebida doce e gosto de vento
Entre irmãos
Gosto de semen entre os sãos
Sabor de vento em corpos que ardem
De uma febre composta de litros de desejo de morte
Retalhada em carros e cegos
Pedindo paz.




A sorte deste mundo é nua


Repare se as nuvens novas trazem trigo
Entre olhos e pedaços de desejo acorrentado
Entre vontades de ferro
E ajude a seu irmão a cortar lenha
Neste mundo sem sorrir
Como se o nú fosse um som.

Traga a dor de Deus a nós!

Deixe-me entre meu amor
E a voz que vem da dor
Para que eu saiba seduzir detalhes esperados e fontes de força
E construir pontes que liguem versos
Para aprender vontades de irmãos
E luas novas que façam bem.

Enquanto a luz queima é bom!

Rasgos de mim são flores
Flores são de mim a cor.

Acredite em um Deus florido entre escadas
Ruas novas
Sóis que movem universos
Entre a luz que queima o dom em cor
E a força que nos torna nús
A sorte deste mundo é nua.


Som semente


Sabores e lojas
Nuvens, mañanas
Estrelas de barro, sóis
Perdem-se nos azuis que conduzem cinzas
Pintados na longa vontade da espera
Enquanto se vêem as tantas surpresas
Verdades, besteiras.

Em parcos embrulhos rosas escondem-se beijos e sinas
E o sonho desenha sóis que trago à mão
Na ânsia de ver o mundo em cantos
Pintado com afã dos deuses que deduzem céus a cada manhã.

E em casa procuro os prantos que vão clementes me fazer andar
Aprendo com a cor da terra
E à terra me ponho nú como se somente terra fosse o que há
Nas sombras desta memória de elucidar.

Assim me protejo no súbito objeto
Enquanto desabo no tom tão exato
Que faz um mundo rir
Enquanto das cores traço projetos que não fazem mal
Esperando o som semente me fazer igual.



Olhando seus olhos nús


Tanto me inspira o céu
Que sussuro ventos nas páginas
E choro lágrimas de amor
Semeio dores
E verdades de mel
Construo olhares que sonham um mundo
Onde existe muito mais do que aqui.

Todos os anos nasci por metades
Que construiram estrelas e milharais
Assim como se em doses certeiras
Nasciam flores
E anjos de capim
Perdiam-se em minhas mãos.

Tudo era todo lugar
E as coisas foram se tornando sóis
Dores me deduziram céu
Sabendo que o amor vem do azul
E há calma demais
Ao se olhar o espelho de manhã.

E por ser todo lugar um pedaço do sonho comum
As coisas eram tantas que faziam o sul
Parecer uma nova mania
Algo a se escolher entre prateleiras
E vontades de amar
Olhando seus olhos nús.

sábado, junho 13, 2009

Pra chover amor


Dá-me um verso em esperanto
Para eu desaparecer entre galhos e o andor
De um santo tímido, agasalhado e cínico
Rústico em flor.

Dá-me uma espera, um sonho, um canto
Para eu cantar você entre versos de ardor
Meio espalhado em braços dados trágicos
Com pudor.

E assim com a vitamina pronta
Um filme novo pra olhar
Todo amor é tão banal
Que fica espetacular.

Dá-me um inferno, um céu, um anjo
Um capeta de ser estiloso amor
Estranho, lírico, apaixonado, cínico
Feito e encomendado pra chover amor.


Feliz de amor é paz


Dá-me em um querer
A luz de ver paixão
Arde e dá-me um ver
Que me arrebata a alma e faz ser prece
O azul do luar
Dado em rasgada e eterna lira de invenção
E ao rir do ar
Dei-te um beija-flor
Abrir o peito em fervor
E nasci angelical!
O que que há?
É bom ser feliz
Feliz de amor é paz.


sexta-feira, junho 12, 2009

Valentines Day


Meu amor!
Supere a arte e me dê razão
Por favor
Escreva um recado que torne tudo bom e à mão
Porque, meu amor, a lei
É agora um substituto a nossos nomes
E tudo já fugiu de vez
Da calma que pedimos ao nascer.

Meu Amor!
Cale-me se o risco da morte aparecer nas janelas
Meu amor!
Supere o riso e me faça apenas um carinho que aplaque a dor
Eu aprendi a rir em torno de facas e versos dolorosos
A cidade gritando
E hoje ouvi o lindo sorriso de um aprendizado me fazer ver que tudo dói
Mesmo assim
Trazendo luzes de manhã
E delírios.

Meu amor!
Me dê a luz
Enquanto estou só.

Meu amor
Sabemos mesmo que tudo pode morrer nas ruas
E mesmo assim
Tentando conduzir verdades na ponta da língua
Perdemos vento pra navegar em mundos cheios de recifes
E onde ir?
Se o amor que preferimos exige planos
E só sabemos cortar cercas?

Se somos homens e mulheres onde estão as peças que faltam?
Se meu amor for nosso
Como distribui-lo e manter este sorriso
Enquanto as chamas já chegam na calçada?