sábado, junho 25, 2011

De ninguém, nem nossos

Como uma cena de velho cinema, um deslumbre semi fatal, ela desanda a lembrar-me cama.
Como se agora perdêssemos horas a buscar-nos não discutir sobre ventos e inventos, dramas.
Seremos pena, um sol, cinema teatral?
Um casal entre cinco mil, únicos, desiguais?

E se somente for tempo presente e o presente nos for desigual?
Teremos tempo pra do instante fazermos drama?
Assim se aguenta o medo tão quente de vermos-nos sendo fim
E no seguinte instante chama.
E somos o que inventa do nosso cinema um ser assim
Um destronador da paz
Um espelho do eu, um desanuviar do sim.

Já não vejo o medo da rua, da curva e nem há uma razão
Há só o caminhar nas camas
É a velha cena,  o beijo, o tema, somos assim
A sempre sermos de ninguém, nem nossos a ver-nos sempre por bem
Sem fim..

sexta-feira, junho 24, 2011

Navegar sem fim

Ocorrem céus em nuvens suspeitas
Luas desmascaram ais
Corre o azul entre dedos e aspas, luzes apáticas douram o fim do sol.

Ruas se vão entre novas metas
Cidade intensa em mar
A revolver invenções ascetas, vozes complexas,
Tempo que volta atrás.

Livros e ares de ver
Dão-me um fim feliz criando um mar e um sol pra dizer-te um rir.
Vidas e olhos de querer dão-me um simples sim
Flores que do ar do amor, trazem-me o giz.

Quase qual corte entre o inútil, o vil e  o banal
Nasce uma sorte virada em música, formada música do som do não ouvir.

Tom sobre tom idéias e estrelas vivenciam certas
O alvorecer de mil incertezas, toda incerteza que faz brilhar um sol.

E em cinzas o alvorecer
Cria um novo ir
Velhas canções adotam meu ser em sins
Que findam e dizem-se mais
Querem-te mesmo assim:
Vamos ao mar, amor, navegar sem fim.

quinta-feira, junho 23, 2011

Seremos nós o que nos faz tão bem?

Luz do sol, jardins, flor no meio do mar
Raio de lua pra beijo meu molhar
Cor dos olhos, ais, sopro que faz bem
Casas velhas, ruas novas, novo olhar
E o que vem é um simples sim
Trazendo luar pra nós
E em dúvida acho melhor voar
Pra viver  tentar ser feliz
Gozando um sussurro algoz
Sendo presa, caçado no mar do De repente.

Sou eu ou será você capaz de juntar os nós
Que trazem verdade ao nunca mais?
Sonhos nús, novo mar, eternos édens?
Seremos nós o que nos faz tão bem?

A dor se ergue e se faz nascer

Me dê uma palavra!
É assim que se sucede toda vertente de se recriar
A cada ânsia e medo a palavra se retorce e se faz olho.

As nuvens mais escuras descem a observar
O céu que escurece no medo de ser
E se isso tudo é feito de amor
O chão se ergue procê aprender.

Me dê sua palavra!
Assim a  sede de não ter sede pode piorar
A alma canta o medo de não ter água
A água morre de não lhe escutar
E as almas que são chuva esquecem de voltar
O vento se desaprende a  lhe perceber
Se isso tudo é feito de amor
A dor se ergue e se faz nascer.

A sina faz-se alma

A canção que me encerra
Parece voz selada em destinos vis
Repara um segredo exato e trilha caminhos que pintam o que o peito meu
Cria entre tardes novas e o riso que vem ver
A vertigem da palavra que transita em sons e casas.

Sinos calibram tropeiros
As mulas rodam sem notar o seu lugar
Montanhas caem dos dedos
Imagens são futuros qual pintados em maquinários lisos
E segredos caem dos cachos, a alma respira livre um velho bom saber
E o terreno da palavra, arado reage e dá florada.

Todo amor é dor e velha hora
Tempos são estudos da alma no grande caminhar que parte peitos e lidas
Vestígios de perfeitos sonhos trilham velhos caminhos
E se vão embora
E somos tantos assim no simples dom de voltar
Calamos os outros que fomos longe em um tempo
que dá-se ao mar.

Nas voltas somos novos
E eternos na lembrança de quem se quis ser ao olhar
Das lindas formas de loucura que repintam nosso desejo
As estrelas negam dor e o sonho é um segredo de amedrontar
E é neste tipo de estrada
Que a sina faz-se alma.

Voam, banais

Salta a lua cheia
Peito é igual
Sutis linhas finas, rimas, descanso, olhar
Escrevendo sinas
E o gosto de voar
Deduzindo ferros, flores, cantos, altar.

As ruas repetem o bom da fé ao lembrar as vezes que riam ao andar
As palavras giram ao serem mais
Sintonizam vidas
Morros cantam jograis
E a calada vida suprime o mal
Para que possam ir e respirar
Além da própria vida
Voam, banais.

Ruge uma paixão

Flores, almas, cães e nuvens nuas  fazem o sol perder-se em festa
A fala dos homens suprime o medo e a alma rasga-se em festa
Vejo álibis, segredos, sonhos e mil corações que em cheio largam-se
Sobre outros corações
O estalo do galho aponta um livre e sutil engano.

As Marias, Luzias, viram-se nas mil frestas de janelas nuas
Das manhãs perdidas entre cães e outras vozes dobradas por medos vagos
E no coração o recheio de segredos e dores alimenta-se
Meios, formas, cores e um toque terminal.

Cores novas, mini hidrantes, medos mil, medos recentes
Amores de cor que em instantes suprimem novidades
Ausente, recomeço a reduzir canções a epidemias de vontades e cansaços
Vibro inteiro sob a lua que a covardia não me deu
A coragem ruge uma paixão.


quarta-feira, junho 22, 2011

O que fazer, meu bem?

A luz e o som do olhar,voz e cor do ser, são as ondas, nomes e asas pra voar.
Passa o tempo, vai como ondas zen.
O que existe fora o ato de amar?

E já vem o sonho que quis, brilhando no olhar, no mar
No voar  pra além do sol poente
Enxergando o ser e pescando o que se quer
Sendo o triz do amor que se faz presente.

E Deus, se ele existir, pode ter criado a nós
Por uma verdade boa de cantar!
Será azul?
Será paz?
As cores nos seguem vivas e fortes!
O que fazer, meu bem?

sábado, junho 11, 2011

Manifesto Hard Roots chinelão

 Respeito praca essa parada de macrobiótica, cuidados, bioenergia, tarot, reiki, Matemática, astrofísica e outras magias, mas sou estilo hard roots escarpado, não como nada que faça bem pra saúde que não seja alface, tomate, vire sopa com muita pimenta e possa ser frito como tira gosto, troco tudo por um bom boteco até cair de bebado com muito papo de futebol e acho o máximo a ausência de etiqueta e leveza, adoro humor negro, especialmente o que traumatiza e piadas sujas e pesadas como um elefante em banho de lama..

Entonces não me convidem pra parada que aconteça de manhã, que eu tenha de respirar e que tenha como item indispensável, calma, paz e tranquilidade.

ProcÊs terem uma idéia hoje foi a primeira vez que acordei seis da manhã e que vi a alvorada sem que fosse puto porque um vizinho ligou o som cedo ou porque eu tinha que ir pro aeroporto ou rodoviária pegar um onibus ou  fazer uma prova e que ia dormir até fazer bico mais tarde.Normalmente vou dormir seis da manhã, seja vindo do bar ou do computador.

Meu dia não contempla a idéia de relaxamento .. a não ser vendo jogo de futebol onde exercito palavrões por vezes vindos de onde nenhum homem jamais esteve. Meu sonho de consumo é ser o Aldir Blanc, o Moacyr Luz, uma espécie de Jaguar com mulher e conta bancária estável.

Meu sonho pra humanidade é que ela cresça, que desencarete e que pare de encher o saco com mimimi de moral,cívica, fé, Deus, papai noel, rosa, conversa de onibus, elogios públicos, abraços pró-forma, hipocrisia meia boca, cabelos feitos em cabeleireiro, sorrisos insinceros, torcida pra seleção Brasileira "com muito orgulho e com muito amor" e piadas de salão defasadas ou humor abaixo da linha da cintura.Aliás Noel e Rosa juntos é bacana, separados são um saco.

Meus ídolos no humor não eram aceitos na social e envergonhavam pais de família em festa. Minha lógica funcional é que se os anos 1950 acabaram e seria melhor que eles nem tivessem nascido, salvo uma referencia respeitosa a 1951, 1952 e 1958 e isso por causa do Fluminense e do futebol. 

Se minha piada lhe ofendeu ou você não entendeu a piada ou não era uma piada.

Não sou insensível... nem fresco.  Não escondo  mal meu narcisismo, nem tento esconder, minha vaidade não está aqui a passeio e é alimentada com boas doses de falsa modéstia.

Minha ideia de perfeição passa por cafuné, conversa, cerveja, sexo e futebol, não necessariamente nessa ordem. A única coisa mais importante do que meu bem estar é se as pessoas chegaram pro churrasco e se a passeata não apanhou.

Só não comprei uma boneca inflável porque ela de alguma forma lembraria minha mãe e não por complexo de édipo. A existência de um ser humano do sexo feminino a meu lado tem a mistura exata de encheção de saco com prazer que apimenta a existência. Em alguns casos a receita leva doses de pensão, no meu sempre evitei: ordens médicas..

Machismo e  homofobia são coisas sérias, por isso não faço piada com eles nem os levo pra passear, deixando os meus mais ou menos do tamanho do meu senso de ridículo e de meu civismo, com menos de dez centímetros.

Uma parte de mim é todo mundo, a outra procura se controlar pra não cometer genocídio.Adoro gente, de preferência em silencio. Criança é legal, mas é uma espécie de bicho de estimação que prefiro com mais de 9 anos.

Toda forma de amor vale à pena, mas algumas delas evito enquanto mantenho a sobriedade.

Não sei se tenho razão, mas procuro manter o estilo.

Se a culpa não foi minha não testemunharei diante de nenhum juiz.

E se Deus vier que venha armado.


sexta-feira, junho 10, 2011

Conquistadores

O murro é mundo é o alvo é o súbito frenético e sincero
Ato, risco, cúmulo do nú
forma rubra em topo de morro
O som cala fundo no desconforto físico
O urrro, o bumbo, a explosão sem sóis
Adjetivos comuns não funcionam sem luz
E sob a sombra nos traduzimos conquistadores.

quarta-feira, junho 08, 2011

Ser Muitos

Se manda em mim sou eu
Se não sou eu, quem é você?
Me diz, porque é mais que entender
É muito mais que supor
É resistir, é ser matilha
É outro pensar.

Ser muitos é parte dos homens
Ser muitos é ir e cantar
É ser, é tentar o que é
É reformular o que foi
É ser inteiro e mais um, é só ser.

segunda-feira, junho 06, 2011

Marchas

Voar, explodir,
Torna-se muita gente esperando na estação.
Gritar, grunhir, esfregando os olhos de choro e de paixão
Transformar mundos de Marte até o seu lugar
Se transformar em imensidão.

Cantar, ouvir, beijar, amar sendo do fogo o incendiar
Correr, tossir
Doer no urro e no lacrimejar
Dar com as costelas no brucutu feliz
Ser só raiz
Radicalizar.

Coisas, mil pessoas, mundos, fundos vão marchar
Sorte dessa vida que há o ir
Contra qualquer arma e amarrar
Contra o murro a nos proibir.

Ir lá, curtir, andar feito um tonto dos mais tontos dos sem Deus
Curar e rir a dor dos elefantes sobre os sonhos seus
É um dia e uma cidade a fazer-nos ver que somos ser e multidão.

Abram suas bocas e cidades, vamos ir
Sobre toda forma de esmurrar
Sonhos que lutamos pra construir
Gritos que urramos pra gritar!

E zás! Sumir!
Voando entre unicórnios e plebeus
Moer com um rir cavalos e soldados tortos, seu rei e seu Deus
Recuperar a pele, o sonho, o alvo e o caminhar
Porque há mais o que fazer...

terça-feira, maio 31, 2011

Na Sala Escura

Luz, contra luz, cenários, ervas, ansiedade, ação!
Cinema cruz ou mil janelas que me fazem paixão?
E todo amor que houver, planetas, parecem só vazão a uma forma de irrazão
Que surrealiza poetas.


Voadoras, amores, velas, mares, cruzes, quintais
Grandes Gandhis ou um minueto
Castratis, Zumbis, Gerais
Fazem novo luar nos olhos de meninos pretos.

Toca na rua velha trombeta, chama revolução
Velha na sala escura, planeta planeja reinvenção?
As ruas são urros analfabetos feitas de gritos e canções
Quase cena de ação
Quase um Ken Loach possesso.

Tão velha quão a primavera, reza lenda de condão
E na janela a velha fera nasce menino em vão
E qual poeta que inverna
Rasga num riso a sutil emoção
De filmar-se  ao lado da bela.

"Abre teu coração ou eu arrombo a janela".

domingo, maio 08, 2011

Uma nossa capital

Sinos e olhos
Luzes cruas nas águas da fonte
Ruas, muros, hidrantes
Uma cidade normal.

Luas  e óbvios mil motivos pra medos brincantes,
Amores diletantes de uma cidade normal.

Cores e vôos das palavras no ar
Tudo de novo sendo última vez
Como se fogos celebrassem chegada de anjos
Gritos de velhos cantos
Sinfonia gutural.

E entre os passos somos apenas um parco instante
Então sejamos horizontes
Avancemos pro espaço guardado
Pelas nossas manhãs
E nestes olhos que a cidade repreende
Façamos lentamente uma nossa capital.

sexta-feira, abril 22, 2011

Na lucidez dos sem Deus

Ardem estandartes ao pé de uma terna loucura
E os gritos sobem além decibéis entre falsos espasmos de Deus
É difícil sorrir tendo entre os dedos medos de viver.

E em cada palso em falso desliza o tempo em vícios
Que não importam a ninguém nem ao menos a bispos de um deus
Que nos nega o viver
E tudo o que sei só me importa saber
Cale-se sob as vaidades de teu deus suarento
Repito que todo o mar caberia na lucidez  dos sem Deus.

domingo, abril 17, 2011

Rumo livre ao mar

É dos meus olhos o sentido das ruas caladas, as estradas são aspas de poemas geniais
Tenho nos olhos um desejo de mundo e relvado
Ando às vezes calado traduzindo o ar
E se meus olhos se transformam em fontes abundantes
É a cor dos instantes sugerindo hortelã.


 E se meu riso se desfaz ou refez alguns campos como se fossem vocês
É dos olhos o desenho que colore as gentes
Como água corrente rumo livre ao mar.

Retentando várias veiz

Um delírio, um sinal, uma noite
Uma forma sutil de ser muitos
Uma hora estranha, uns atores
Somos circo e povo.


É a destreza de panos e pratos, de palhaços e rodas de fogo
De romper com a morte, com dores
Musicando ardores
Na esperança de dobrar o sagrado dando a ele o tom de picadeiro
A esperança é dobrar o sagrado retentando várias veiz.

Um sentido, um sim

As ruas não calam amarras
As cores das rosas exalam o som das estranhas palavras que gritam solenes pra mim
Os homens de escuro status, as moças de lume vulgar
Os gestos que afastam amigos
As noites que dopam sentidos
São grilos, são ódios, são fins.

E amores que fogem à escolhas
E dores que vêm pelo ar
São farpas que adormecem as gotas
Dos dias, dos meses de mim.

E ainda permeia o perigo nas noites, nas casas, nos trincos
Nos medos, nos olhos, nos vincos
Dos ternos dos homens chinfrim
Mas hoje não há outra alma, não há outra face, outra calma
Há só um sentido, um sim
Porque não me dou mais escolhas, nem quero mais cartas
Prefiro o sabor destes frutos feitos dos dias sem fim.

Noite enluarada.

É apenas hoje: noite que se entrega nas trezentas faces que damos à ela!
É apenas hoje: noite de sorrisos, mantenha a fé, não drible os sentidos!
É noite de espadas, de pernas compridas, de abraços dados, olhares e riscos.
É noite de homens, mulheres e filhos, não se dê ao luxo,
Não se dê ao lixo.


Não é apenas hoje, não é apenas risco
É uma verdade, é manter-se vivo
Entre as luas, cenas, faces, vozes, tipos
E entre enroscos salve seu pescoço.

Nas barbaridades, paus, lampadas, gritos
Cartas, cartomantes, tarots entumecidos
Profecias gritam, pastores agitam
Nas estrelas as noites vazias gritam ais.

É hora das espadas, das cores, do ouro, de nossa honrada noite enluarada.

Grande sertão.

Se for na lua é só sorrir que vira cena
Sentido cego, uma vontade de voar
Um desterrar de desejos, um bom gracejo, um desimenso destino de revoar.

Se for pra ser é só soar que nem estrela
É só nascer com repinique pela mão
Se for doença de sorte é só ter norte
E norte é o refletir dos pés no chão.

É só voar e ser estrada que afora o mundo agora
Só o sentir é seu lugar.


Pedro primeiro, seu Jair, Irmão de sonho
Hércules sendo um jeito livre de invenção
E pela vida revivendo brincadeiras
Repintando coisa estrela nas ruas do coração
Me desrevejo o rever seguindo sonhos
Enquanto planto guerra contra bandidos
Saber sentidos, perder razão
A vida é a lida de equilibrar-se nela.

E esta flor é lidar pelas afora do agora
Patativando o coração
E pelo amor do meu amar é toda hora um dia afora
Talvez sendo grande sertão.

sexta-feira, abril 08, 2011

Eu zabumbo, e você?

Sou zeros e sonhos invisíveis
Pelas ruas de cidades construo um país de erros e veros ventos
Nas estantes empilhos livros modernos e seus infernos sem Deus
Construo um velho terno pra me tornar um ateu.

Invernos, infernos, são rimas pra meus ouvidos
Morrem crianças dormindo no peito do país
E os adultos Sinceros
Cantam sua fé, seu adeus
Meu trololó é eterno, assim como as falhas de Deus.

A zabumba urra e delira, os filhos dos homens morrem em cruzes eternas
A libertação usa calças e burcas nas palavras
Os loucos devorma o ódio e saem às ruas
Determinados, determinantes na crucificação dos díspares
em meu sertão e africanismo eu zabumbo
E danço na frenética cidadania das urbes afora
Não rimo como dantes, não sou arte
Sou urro
Me isolo no libertário grito desmontador de medos
E na espada de quem me ensina a caminahr pego o arco de meu pai
E zabumbo na alegria poética de um deus menino
Um deus ateu, um deus meu, um deus vivo, um deus que não pede corpos como fé.

Eu zabumbo, e você?

quinta-feira, março 03, 2011

Um real o pão

Eu quero a morte num Dior curtinho
Um chanel me perfumando a vida..

Oh! que linda a luz doi Catete, enviesada numa París mítica!
E eu senão de cidade entupida, outro amor, outro fel, outra vida
Sonho acordado entre lama e buzina.


Estrelas em riste, bilhões, precipícios..
Calculo o mel do intenso na descida de ruas vivas!
To lá no Valqueire
Imerso em memórias genocidas
Me dê pão! Quanto tá a criolina?
Cerveja incenso, livros, nova vida
E me arrependo de amar velhos dias.

O mundo é já, e eu me faço menino
Escolho um sentido, discuto luz fria
Grito um sentido feito palavrão
Reduzo-me à mão
Sou até canção
Um real o pão
Uma rua, uma lida
Calculo o veio do fel da ferida
E sorrio em meio à espeasnça que é vida
Sorrio, espelho da esperança vivida.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

No intervalo de um jogo de azar

Vá, me dê sossego, me deixer ermitar.
Amigo, dê abrigo!
Vá me dê semanas e me faça sonhar o risco, amigo!
E se eu tiver medo me dê ilusão! e se eu tiver medo me dê uma canção!
E se eu tiver medo a vaca está lascada!
A vaca pode ter ido ao brejo se aliviar!


Nas pessoas eu arrisco problemas, de certo modo até matar,
No espaço deste grilo eu faço piadas enquanto posso gargalhar.



Desespere a lama, requebre o lugar
Só rindo do amigo!
Desagrade a rampa que o Planalto achar
Só rindo do grito!
E se tiver medo faça do medo um cão
E do cão um nego que te faça ser apressada
E na pressa possa te causar furor.

Desespere minha mão de poemas
Pra levar corpos pro jantar
Espalho os ossos que tirei do armário acho que ao longe eu vejo um cão ladrar
Demoro um ano inteiro no intervalo de um jogo de azar.

Morri de desdém

Reparei nos móveis do apartamento, senti nuvens, janelas e ventos
Espelhei-me estorvo, fugi fantasia
Comi astronaves, vesti-me de dias
Sorri de desdém.

É árvore e moto na curva da vida
Construção pesada de noites e dias
Aprendi remotos controles e intentos
Fui ali no bosque, acordei meu relento
O lago despenca no corredor e no alto da mesa
A grande fome da vida passou
Morri de desdém.


Minutos antes fui de mim.

Novo risco

Astronaves calam cítaras
Televisões fazem rindo o desespero já desperto ser coberto
E no ínfimo, no pálido sentido de ser Deus, se cala o eterno ressucitar!
E na dúvida o sentido aberto de falar, se faz um parco guincho.

Das palavras se fazem firmes veias de convicção
E na Televisão o ritmo interno maltratado, internamente inferno
Nas flutuantes formas aladas do eterno  som do nada, a paz do nada
Seja a visão referendada na visita da palavra marcada, criada, infinita
E retomada se faz telever toda inteira.


Se houver a paz, a velha paz que ouvi nascer do amor,
O que fará ver a dor maior? A Flor ou o azul que foi tão bonito?

Arma dispara a me conduzir televisão!
Serei vivo pela sombra do que pedem nas lutas fratricidas?
Posso risco das palavras e sorrisos ser um vídeo e um disparo de destino onde Deus é meu duvidar a ver-me poesia?

Alma mundi me aparece sendo orixá!
Será mundo na palavra ou todo-mundo? Será voz ou um olhar, o sonho, o cru, o frio, a rua?
Será pele, a cor, o animal que fez  súbita loucura?
Ou serão apenas o reler-se e ver-se, só,inteira?

Nua, a calda fria da rotina dedilha-me o ser,
Na rua a costura de mim, me faz, luar, outro ser, novo risco.

Sendo inferno

Na rua estendo o espaços
Me olho no asfalto da minha cabeça e nem reparo nos calos,nas unhas compridas, nos dentes, nas presas
Com tanto disse-me-disse não desespero-me em nãos
Olho as nuvens e os carros
Não mais desprezo canções
Enquanto rio com rios espinafrados nas sarjetas
às vezes procuro um amigo um vão de qualquer ponta acesa
E no inverno sou vão
Sou inferno.


Já visto corpos vermelhos, idéias mutantes,
Libertárias mesas que se consomem em arcos de histórias e estrelas
Sóis, palavras acesas..
E meus olhos sonham com risos
Estupendas razões
Enquanto me torno um milagre me desespero em paixões
E quase inteiro me irrito com medíocres miudezas
Talvez seja este o perigo tão vão destas bandeiras tão espessas que no inverno se vão
Sendo inferno.

domingo, fevereiro 13, 2011

Pintado com traços ateus

Não tenho palavras pautadas nos muros, não escrevo com olhos confusos
Enxergo confusões e deliro e faço deslindar o tempo
Por medos e obscuros risos
Não sou nem poeta nem cristo nem vejo espelhos quebrados no pasto
Vou ali rebuscar minha rua enquanto dá tempo pra beber à lua

E se invento o mesmo dos tempos, dos astros
Esqueço meus olhos no quarto enquanto combato com Deus.

Não invejo o medo das mil consequencias, nem perco minhas inconsciencias
Espero talvez que o que digo me deixe então ladrar pro vento
Enquanto as almas andando me deixam ouvir contrabando
Sem ter de me notar bandido.

E em tempo me vejo deitado no quarto uivando pra uma velha lua
Criada em seguros segredos numa nova rua
Que há tempos é feita de velhos diabos, criados com leite de um pato pintado com traços ateus.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Tão cães, tão artistas...

Das horas sou frias estradas maravilhosas
Espero o tempo, o vento, o desejo das ondas do mar
Espalho-me em outras almas, sou vinhas
E me acabo em sambas que perdem-se em entrelinhas que não têm.

Explicito o encanto das liras, que se transformam em montanhas
E esculhambam as mil vidas que me vêm
São atores, são fitas, estranhas formas de sonho
Que a ilusão determina serem santas, cinesantas...

Das horas são trilhas as mil formas de ilusão repentina
Que se acabam antes em um sambinha de esquina, às duas, às luas
Deitadas nuas se amando em mar
E se desando em asas tão finas
Derreto em ícaros, hidrantes que são tão cães, tão artistas...

Tecido de vida

São as janelas que são estrelas, aspas, pessoas
Plurais e vozes, estilos, luas, letras
Algo em si mudou
As ruas falam, vadias...

O Vento esquenta a alma espalha, o mundo voa
A lente deixa de ser fria
Espalho espadas, crianças, móveis, casas controles
As ruas nadam vazias...


Torno-me o sabor das luzes que as tardes ensinam
Aprendo o novo dos dias
Calo-me em louvor às luzes, às tardes, aos fios
que me teceram vida..

terça-feira, setembro 14, 2010

Escrita

Na cruz, na luz, o som se espreme
Em inferno e céu, em terra e mar
Signo ficando,ator, na pele
Na pedra,pote, véu,olhar
Antes de mim,de ti, d'África
Dizendo Mel, dizendo Mal.

Na flor, na dor, na mão, no leme
Se veste o verbo de outro olhar
Papiro e mão, Papel e pele
Traço a signo ficar
De mim,de ti,em mãos dest'África
Já sendo Céu, Versejo, Sal.

quarta-feira, abril 21, 2010

Esse teatro que abole o céu


Se meu corpo é de Homem
Sou forma de sonho, de fundo de Rio
Da pele o suor
Resquícios de alma e humanidade
Delírio, saudade, desejo voraz
Em caminhos e grutas, em campos, em sonhos
Com bandeiras e foices, gritos guturais.

Meu nome é Homem! Sou muitos, sou mais
Meu nome é Homem! Sou todos,Global.

Nas mãos a história dos mundos,dos trilhos
Guerras e sorrisos que matam milhões
Pedras que aportuguesam a matercidade
E tantas cidades de um só Capital
Reis que nos querem andrajos, lamentos
Heróis que respiram gotas de sal
E meu nome semDeus é ser animal
Nas praças,nas ruas
Um grito primal.

Nos olhos além da boa vontade é da alma a verdade
Da coragem o sinal
Das foices os corpo sem guerra mexendo
Em nome do tempo, do Trabalho, do sal
Que hoje é alimento da guerra dos sonhos
Contra os feitores de valor de papel
E o paraíso é esse teatro que abole o céu.

sábado, janeiro 16, 2010

Vencer as lutas


Entre as aspas da cor
O vento me toma por seu viajar
E cálido avisa as coisas do ouvir
Assim como os pés conquistam os medos
E trilham as linhas do que não se foi.

Vivo enquanto se há
Me encontro moço, humano, legal
Marido, menino, irmão, sonho, espaço
Entre essas gerais
Que rasgam meus olhos e ensinam o que é ser paradeiro
Pés nas terras e partes de tantas mil vidas
Caminhando em cor e sal de um chão que nomeia um Brasil.

E às horas dou um tempo e me destampo e ver direito
E o que há de ser feito, me basta
Pois é das ruas, das horas, de umas glórias, de vitórias
Que meu dia faz-se mar
E em cada muro é mensagem, é vontade, é saudade
Dessa gente que significa chão.

E somos mais que outros mundos
Somos samba, somos sanha, somos a venta que se expande
Somos canção
Somos metal, somos precisos,rasgos, almas improvisos
Esperança com a mão na massa, a massa na mão.

E as luzes dos nomes nos tornam a raça
Que faz do contratempo o limiar do mais perfeito
Somos desejo
Só massa.

Não temos vossos nomes empoleirados nas manchetes!
Serão cegos ou vítimas do medo de sermos nós?
A glória dos suores que marcam nossas vestes
É o milagre impreciso que pinta novos sóis
Somos dessa esperança nunca antes concedida
Esperança Sangue, velha rota desta vida
Com a vida entre os dentes dignos dessas andanças
Vamos todos Às batalhas!
Novo mundo, nova dança!

Se Deus soubesse nascer
Talvez fosse ver um mundo acabar
SeDeus soubesse viver
Talvez fosse ser qualquer um
Pra lá de ter, temer ou querer outra ilusão
Além de ser só vida
E vida é um libertar que nasce das mãos calejadas
E soltas na alegria de vencer as lutas.