sábado, fevereiro 28, 2009
Som de fazer-se louco
Minha outra calma
Relaxada na certa
Dos desejos altiplanos de cores fáceis
E milongar de estrelas.
Eu escrevo para vos pertencer
Como sem alma, como sem náusea e sem estrutura.
Eu escrevo por uma questão de conta
Reescrevendo o rir e o debulhar de mágoas
Que luto para não ter
Enquanto espero o Flu ganhar babas.
Eu escrevo por motivos suspeitos
Porque ouço da história uma memória que é o suposto
Algo qual cultura
E escrevo por arte e coisas vãs sem mulheres nuas
Ou Luas que fazem mundos.
Escrevo como quem ouve raízes e rasga nuvens de chá
Percebo o inverso no fazer nada
No som do que se faz perfeito
É sujeito de memória sem lugar
Qual música que alcança o rosto da rua
Na dúvida do o medo
Ao ser coisa alguma
Como um som de fazer-se louco.
Novo Parto
Sendo passos
Que se espantam ao reverem santos que nunca mais nos matam
Neste Maio onde a vida se faz mais repleta das palavras e atos
Que construo ao ser vocês de braços dados colorindo mais primaveras.
E tão forte que somos fazemos canções sobre esta dor
Que já sorri mudando-se fartamente em flores e janelas
Tocando fogo nos olhos de Marte que é a ira das multidões
Ao verem-se livres, como crianças, do medo morto que sempre as encerra.
E agora vamos ter cada pedaço de nossas próprias vidas
Sejamos festas
Sejamos brilho irreverente do velho som dos dias
E nesta linda emoção sejamos o inverso dos mortos sem Outubro
Pois somos sempre eternamente o amor em trabalho do Novo Parto.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Sem mais
Que longe afastam outros olhos
Sorrio sem ver o sol rir
E vago sem ver a paz
Te sonho pra ver tua paz.
Calo-me por ver sem luz
Seu corpo afastado do meu corpo
Deixo-me te ver nos escuros fins
Da dor de não ver-te mais
Na cor do morrer sem paz.
E invento seres sem rancor
Que não sou, nunca sou.
E invento aviões no corredor
Pra onde não vou, nunca vou.
Aprendi a morrer sem dor
Vivendo no alto do pensamento
Fugindo dos reis do mundo
A rir.
Mas hoje não sou a paz
Me torno tão só
Sem mais.
Ensinando-me a ser amor
Dentes correm cores de mulher
Meses fogem tolos em virtudes de segredos
Sentindo sentidos, medos que socorrem-se na fé.
E asas flutuam em erros vãos.
Sonho em não morrer de amor
Sonho em ser além do amor.
Versos, mundos, ruas
Luas, cães, palavras, homens, sonhos
Tanto flutua em mim na fé.
Não percebo infernos corrigidos, padres
Mortos, índios
Nada seca-se mulher.
Rasgos azuis costuram pães.
Sonho e perseguir-me em cor
Sonho em crescer livre em cor.
Pedras e pessoas pintam vermelhos em cores mortas
Amarelos tecem preces.
Automóveis ventam a cidade
Quero todos pelo espaço, mortos sem ferir a prece
Do tempo vagando em olhos, prédios, árvores
Praias, ruas, luas, casas
Asas feitas do universo.
Fases da lua ventam.
Quero o tempo ensinando-me amor
Ensinando-me a ser amor.
Entre as horas
Tanta aurora
Entre o sonho que procuram fulgir entre glórias.
E o fim de todo bom sentido
Vasculha sons inexatos
Musicar tantos destinos
É notar gostas de espaço.
Assim como se mundo muda
Sendo esperar tanto
Qual flor que percebe vento
Sorvendo o gosto do espanto.
Entre os olhos que acumulam sorrir
Nasce a aurora
Entre olhos que salgam mundos sem rir
Nascem Glórias.
E assim como se fossem raras
As luas de tantos anos
Um gesto se faz tão palavra
Como se o som fosse encanto.
Assim como se definido o suor como um pranto
Da pela ao ter seu riso
Transformado em canto.
Tudo há de fazer mundo surgir
Entre as horas.
Eu que calo a olhar
Deixe-me um mundo olhar.
Cale-se ante a luz!
Deixe meu verbo imperar.
Quebre o vento, traga paz!
Me cobre o abandonar
Dos invernos, das palavras, dos iventos sobre os pesos
Que meus ombros não desmarcam
Eu inútil, vil,
À tona
Com transformações de calma
Em sons em pura ilusão.
Cale-me no sonho meu
Deixe-me ajoelhar.
Deixe-me seguir um falso céu
Deixe-me dependurar
Um segundo alheio ao léo
Feito nuvem de não voar
Entre os versos sem paixão
Entre as fardas sem galão
Dado morto qual um não nucna dito ppelso elfos
Pelos npbres e tristonhos
Verbos mortos do meu sonho
Versos mortos que me acanho a distribuir em engano
Eu que sou silencio então.
Negue afeto ao medo meu
Enquanto eu bebo o mar
A atoleimar o céu
Querendo mundo voar.
Negue invento ao medo meu
Enquanto me faço olhar tantos tempos, tantos corpos, tantos planos
Tantas facas, tantos gomos
Tantas almas semmeus tantos
Jeitos de falar um sonho
Eu que calo a olhar.
Sou crer
Doem as fases
Rompem milagres as flores.
E eu corto a paz
Sacudo o cais
Me noto rimar de horrores.
Subo até perceber o que espero
Rasgo influencias
Sugo a fera que descobri semente
E me permito doer
Como um melro
Gritando em frente ao mundo que apenas
É um inferno astral decente.
E se me dói tanto ser
Hoje inferno
Já me guardo a tolher
Meu medo de não morrer
Sou não
Sou ser.
Se me guardo a morrer
Calo o ato de saber
Sou vão
Sou crer.
E amo
Há tanto pra se ver!
Rasque o fato nos planos que ontem encontramos,
Vamos voar!
Tendo o dia e manhãs enconstados em nosso pé
No barro.
Queria ler o véu de perceber sol em pele e espaço
E a verdade que é tudo perceber.
Sabe o ato dos anjos?
Me pergunto onde saberei você.
Sabe o ato calmo de saber doer?
Ouço as tardes
Vago só a reler
Livros calmos
E insanos.
Hpoje nasci prece e revi meu pai
Dói saber viver, mas aprender é o sol que nos cabe
Tanto é tudo saber
Calo o espaço e amo.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
E hoje?
Há reis que não sacam espadas e calam as melodias
E gente que voltou atrás cala os passos.
Na lei que amarra homens
No Deus que amarra os sonhos
Meu Deus desmascara as preces
Gargalhando passos de tons morenos sem percalços.
Enquanto há paz há bons dias?
E enquanto os soldados passam
Meu passos já são pavios
Em versos que quase tiros
E o gargalo da invenção vaga em frente ao rugir dos Rios.
E enquanto se morre gente
Enquanto esquentam as caldeiras
Sentamos nos meios fios
E tentamos ser um milhão
Mas somos só a gente
Só a gente.
E hoje, há paz e bons dias?
Oração
Seja o milho
E ao ser tronco de ver e gente
Faça-te milho.
Ao ver o ter, E ao nascer e ser
Que seja alada
A vida inteira onde o sonho houver
Que seja amada.
Se eu for surgir que tenha em ti o tom da bela vida
Se eu for sorrir que seja a ti o dom da harmonia
Se o sol brilhar
Que haja mar e ar
Que haja mata
Se eu for surgir do vento inteiro
Em ventre inteiro o haja.
Se eu for o pão me faça o não pro rosto da magia
Se eu for o chão me faça o são sabor da melodia
Se há o mar que haja o ar
E vá voar nas asas
Seja canção, seja invenção a ver-te alma clara.
Se a luz dos olhos alumiar a invenção do dia
Que a luz dos sóis seja o olhar à linda melodia
Se o amor voar
Seja o voar ao mar das luas claras
Se o sol for ser
Seja o ser em sóis e madrugadas.
Se o dom do riso esmorecer que seja a tua vida
O dom do trigo ao lhe trazer o amor dos velhos dias
E ao brilhar o riso, o mar, o ar
Que a lua haja
Pois lua é ser sol a crescer em ventre de amada.
Vens?
Dou-te trilha de cinema.
Escolha o Drama
Hoje o Thriller não compensa.
Não pense em Ana
Sugiro Marlene
No filme do Grande Ator
Lembre-se do ventre da dança de Poirot
Cite alguma dor
Me veja atroz
Em cores.
Espero nascer em um roteiro completo
E pra sempre adormecer.
Reduzo o meu sentir a uma cena indigente
Indiscreta
De um Filme de boca aberta
Espero minha vaidade ser sem medo
No enredo inclemente de minha vontade
E sonho com o amor que dure horas
Sem a pergunta sobre o sabor.
Se eu fosse Deus faria céus
E sem amor veria o véu
Da doce flor nascer além
Mas sou o amor que tens
Vens?
Trago o calafrio
Nas aspas onde esquinas
Significam ascos
E arrasam neblinas.
Errei de por meus olhos
Nas coxas sem meninas
Enquanto os maços óbvios
Fumados iam e riam
Enquanto o sonho ninho causava a cabeça perdida
Nos olhos a cerca fechada
O medo e a alma viva.
Fechados no sexo que hoje tolo apenas anseia
O retumbar sem palavras do beijo que nunca chega.
E eu me cego no meio dos mil trabalhos de circo, de Prometeu sem cinema
Um mau Hérculos que tolo
À duras penas conseguiu o emprego do palhaço.
Vago em mudos regimes de esquadros sem maçons encarquilhados em seu medo
Nas intensas mil verdades que em desejo morrem
Sem ter pena dos falsos oprimidos
Calo versos por nenhum bom motivo
Sou seu risco agudo de desprezo.
E na cidade circunscrita a meu verso
Rasgo o corpo na hora do desejo
Vago em asco pelas mesas onde vejo
O mau nome do vagabundo inferno.
A loucura do mundo é o despautério
É ausência do corte do vermelho tecido do real e do invento
E não ver-lhes o total e exuberante ritmo
Não compreender a totalidade do signo
Em um único e sofrido solfejo.
E minha arte é um ritmo
Um tédio
Uma norma que calo oprimido
Na visão de um real metido a ser dono do que se vê por inteiro
E me faço signifcado incerto
Mostro olhos
Quando sou só um beijo
E no sexo que é meu corpo inteiro
Rasgo o palmo do amor decidido
E sem sofrer transito inatingível
Pelas costas da mão de quem desejo.
E enquanto o mar me é feição
Me transformo no agouro da arena
O terror da breguice enquanto pena
Pra quem vê no clássico a perfeição.
E me faço de apenas exaltação de um samba de breque
Na certeza de bem longe de qualquer Santa Tereza
Ver o tom do olhar de quem não quer
Ver o tempo dançar qual boa mulher
Construindo um real de safadeza.
E eu decido que o tempo é um longo sobreviver dominuto que há
Se transformando em um mau sentido
Se descobrindo seco e inexato
Se descobrindo transformar-se em vento
E remoinho de sonhos capados.
Se vou morrer
Trago o calafrio do olhar de quem sofrer.
Espero beijo
Removo luar do rimar e vou
Esperar corar a batata frita
E enquanto doura a palavra ilusória
Calo o amor de outrora
Pra calar o mau rimar.
E quero beijo
Procuro beijo
Me sinto beijo.
Recupero o olhar e falo bom dia
Se meu dente é mau sonho com a flor
Retirando o luar de Aparecida
E Requebrando arcos de trovador.
E calo a hora
Meço o mês que agora
Faz-me inteiro rimar
por algum beijo
Todo teu beijo
Espero beijo.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
O centro sensível do ar
Dê de mim tua voz nua
Cate do sim mau dito a rua, a lua
Fale enfim o mau sinal das cruas
Inverdades tolas, todas
Cale-me em cordas gordas.
Ame-me
Minta-me
Tenha-me em voz enfim
Grite comigo um sentido além do meu fim
Rasgue o que age inexato e incerto na solidão
De não saber o que ver entre os dedos da mão.
Dê de mim tua voz lua
Arraste em mim o centro sensível do ar.
No meu inverso de mar
Livre de cor e amor,
Fale da fêmea do mar!
Desenhe Íris para que eu possa orar
No delírio sonho meu
Livro de medo a dor
Pronto para dor tomar.
Criando raízes ginseng
Entre as telhas e cortinas velhas
Tecidas no mel das velhas cegas da Paraíba
Pelas ruas das resinas onde a lua nos tecia como ar
Esperando o arroz solto a entoar
O desejo entre as pernas pelas meninas.
E no espanto da alma das cadavéricas linhas
Remoendo o vento
Age o inverso cantado à mão
O desejo abjeto do medo do não
Enquanto o olho nota o vento do vento
Desenhando o beijo velho cortando ao corpo
O tecido sol.
Livre de flor e horror
Cala-me fêmea no ar
Desejo vinho entre folhas de voar
Quero vestes de um Deus
Livros nas mãos entre a cor
Que já me falta pintar.
E o sonho respinga as tintas
Entre dentes e manias comendo a voz macia
Tentando no mau sentido resmungar más melodias
Enquanto assa tempos ao sol.
Cisco de cor e sabor.
Mitos de amor e dor tecem-se entre revoar
De versos lidos pelos homens sem lugar
Respira a marca de Deus
Feita no rosto do ator
Que ia Deus inventar.
E me teça no que sinto
Me veja no que dizes
Esqueça qualquer prece que mereça ter desígnios
E seja
E tente
E trace o que me amargue ante o fim adverso
O final dos segredos
Novos nomes de medo
Segredos controversos
E no fim do que peço
Me verás por inteiro
Entre os sonhos e o que penso
Decidindo sem lamento
Repintar o tricolor alvo ar de meus desejos.
Ciscos de cores e amor tecem a fêmea além mar
Espero rindo o bem dito som do ar
Resmungo falas de Deus
Costuro flores sem flor
No meu inverso de mar.
Amor de mundo e chão.
Palavra rara ao mundo cai
Cálice em paz
Desdiz a sorrateira teia
Travo no amar raiz de lua cheia.
Teço medo de ir
Cortejo o universo
Vejo estrela de ir
Vago o que prateia.
Faça-me palavra
Respingue a cor da hora
Vaze-me dom facas
Me dispa sem demora
Seja-me palavra
Seja silêncio em cor de ais.
Veja-me palavra
Porque adentro agora o mundo palavra
E meu silêncio adorna a mudez das almas
E eu sou alma em mudo ai.
Fecho o cerco que ri
Calado a cor dos versos
Pretejo o meu ir
Faço leiteiras.
Pálido em calmas
Respingo o verso nova
Estrela sem arma
Calo-me em lua nova
Vago nas espadas de mortos ases sem dedais.
Pinto-me estrada
E vago em ruas muitas
Cerco-me de asas
E nu me torno agora
Aurora de aspas
Palavra rara ao mundo cai.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Levante!! - Um instrumento para a Luta
Um instrumento para a luta!
O revolucionário Karl Marx disse que a libertação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores. Ou seja, a conquista de uma sociedade sem exploração e opressão não pode ser feita por uma minoria que atue “em nome” da maioria. Muitas pessoas afirmam que isso é impossível. Afinal, a maioria da população não quer saber de política. Como poderiam transformar a sociedade? Esta é uma questão muito importante. Tem que ser respondida. E a resposta está no próprio Marx. Ele disse também que as idéias dominantes nas sociedades capitalistas são as idéias da classe dominante.A minoria capitalista só consegue dominar a maioria porque tenta controlar as idéias e os valores da sociedade. Para essa tarefa a burguesia controla os jornais e revistas, as emissoras de rádio e TV, as editoras, o sistema educacional. A cada momento somos bombardeados com as idéias e opiniões dos poderosos. Tentam controlar e decidir o que podemos escutar ou saber. E sempre passam a sua versão dos fatos.
Assim, a grande mídia tenta fazer crer que o governo israelense luta pela paz e os palestinos são terroristas. As notícias dos jornais e telejornais nunca são imparciais. Sempre defendem o ponto de vista da classe dominante.
Por isso, a disputa de idéias é tão necessária se quisermos mudar a sociedade. Uma disputa ligada às lutas, que tente dar a nossa visão, a visão dos trabalhadores, sobre política, economia, cultura. Que mostre as mentiras espalhadas pela mídia. Que conte a história de lutas dos explorados e oprimidos, que os poderosos tentam esconder a qualquer custo.
E, principalmente, que seja um instrumento para ajudar a formar uma consciência socialista. Este é o papel que queremos assumir.
Um jornal que seja uma ferramenta para a libertação popular. Uma ferramenta mais do que nunca necessária, pois estamos vivendo uma das piores crises do sistema capitalista. Uma crise que, como sempre, significará sacrifícios e desemprego para a classe trabalhadora. Mas que por isso mesmo exigirá muitas lutas para enfrentar os ataques dos capitalistas. O papel de um jornal para divulgar essas lutas, para ajudar a ligar as lutas e a extrair as suas lições, é fundamental.
Mas as crises também são momentos em que a natureza e as contradições do capitalismo ficam mais claras. Oferecem oportunidades para que milhões de pessoas possam se libertar das ilusões, das idéias e dos valores dominantes.
Isso, porém, não ocorrerá espontaneamente. Precisaremos de instrumentos que possibilitem essa tomada de consciência. Mais uma vez, um jornal socialista, ao lado de outras publicações, tem uma importância decisiva. Levante! quer ajudar a realizar essa tarefa. Não pretendemos ser donos da verdade. Queremos somar nossos esforços aos de outros jornais e instrumentos da esquerda socialista na luta anticapitalista.
E temos a consciência de que um instrumento desse tipo só pode ser um instrumento coletivo. Que conte com centenas e milhares de jornalistas populares e divulgadores do jornal. De pessoas que opinem e contribuam para que o jornal possa ser um ponto de encontro e organização para todos os que não aceitam essa realidade de pobreza, crise, miséria, guerras, opressão, destruição ambiental e de injustiças.
Contamos com você!
Deus novo
Deus novo
Matou rainha rei
Deus novo
Reinventou o morrir.
Cria-se ato de invenção
Por termos de veste morrer
Saber da cor do entender
Um tanto rimar e ler
Deus novo.O sonho de saber-se tez de rir.
Tanto errei por mundo Rei
Que fiz canção
Reinventada ilusão onde a fé tecia rimas
E a luz de cada esquina curtia novo coração
Na vã tez de nascer imperial
Rimando carnaval com povo em tanto festejo revolução.
E já tão longe
Pela terra de sal
A índia criava o luminar das danças
Num canto de sentir-se gutural
Fazendo magia no Reino das que brincam
Na vila rica de virar samba canção
Criando verso de terra e noite
Assim nascendo esperança
Tornando-se tamborim.
Tocando o espaço em som e ato
Fazendo do breu
A luminária do recriar Prometeu
De cor de pastora e tom desvirginal
Que samba até o sol raiar
Redescobrindo o fogo de recriar amor.
E tudo é amor
Nestes dias onde a glória
É ver o sal desta pele tão sofrida ir embora.
Enquanto os donos da dança vêem brilhar
Sonhos, alegorias
Tanta alma é criança
É lua viva
Na luz do amor feito imagem
Onde os olhos têm prazer
Ao ver a margem
De espanto já morrer.
E tudo o que é luz é toque do rum
Tambor que dança na pele de quem sorri
É quem sorri
E tudo o que é cruz morre sem luz
Criando o sonho de saber-se tez de rir.Quem bebe o sol da flor
Na dor de ver bom dia
Se soubesse lua girar
Respondia inventar melodias.
Sei diversos tons meninos que cegos mordem-se rindo
A gritar
Um delírio tão errante
Impotência humilhante de ser senhor.
A cor de meu Deus faz da raiz esplendor
Só cegos podem não perceber o sabor
De ser assim bom dia.
Do mar fui ser príncipe de rio e cor
Dancei luar, acordei
Trancei Guiné com Rimbaud.
Fui lá ser mar
E bebi veio de Yao
Só pode notar
Quem bebe o sol da flor.
O Horror de mim
Ouço loucos
Entre estranhas luas turvas
Vasculho luvas nuas que não mais são tesouros
Ao aquecer velhos nãos
De suas mãos já sem paz.
Furto soltos segundos de má hora
Pergunto se outrora foi demais
Ter-te em corpos de cuspir adoração
Calado sem jasmins.
Grito rouco
Entrevado nas perguntas
E memórias obscuras de La paz
Falo pouco por cravar corações
Nos assassinos punhais.
Sou tão poucos
Que permito até agora
Desdizer-me um fim
Sou apenas o horror de mim.quinta-feira, janeiro 29, 2009
Pequeno surto a um
O todo da razão perpassa pela leitura, formando junções significantes de informação através da combinação não aleatória de signos fonético-gráficos.
E todos somos parte informal da destruição do senso pela lógica.
Letra a letra.
Mas não leve nada a sério.
PS: Seção fixa intinerante.
Se Os Tubarões Fossem Homens
Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.
Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.
Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.
Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.
Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.
Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.
As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.
Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos, da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.
Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .
Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.
Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.
Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.
Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.
Falando sério
Rolar ser do mel
O imortal sonho nú
É querer ser céu
Ser além de ser luz
Faça leis do desejo pronto de irrazão
Rime sonho com noite, sol com visão.
Recriar o pão sabendo como é bom
Ser além do ser, reinventar-se dom
Pois seremos as veias sangue de verbo amar
Como estrelas são bichos de céu e mar.
Se hoje me sagro irmão das sementes
Me vejo fluir como a fé
De ser tantos enormes desejos infantes,
Escrever-se ser
Rezando por feliz
Tom de realumbrar tudo o que se diz
Verbo sendo enorme nota de revolução
Som de boca criando evolução.
Coração de tremores e vida canção
É talvez o luar batendo no chão
Germinando a graça de tudo reluzir
Por força de amar, de ver-se ir.
Voando nos planos de matas e inventos
Sabendo-se marca da fé
A Levantar garra contra as fomes.
Veja a noite clemente fazer do anil
Um escuro latente de brilhos mil
Seja e esteja na formação e nascer da dor
E respire no ato o criar do amor.
E enquanto os mortos teclam mil dormentes
Portões que os separam do axé
Somos espelho da vida
Falando sério.
Te sonho breu
Sou apenas sonho meu
Horas antes fui do céu
Recriando gosto teu.
Sou hoje breu.
Calam setas
Noite feita, feito eu
Suburbano que teceu
Véu de anjo sob o céu.
Sou hoje Breu.
Me calo no seio das luzes cortadas
Me torno hidrante buscando palavra
Querendo ser antes verso impagável
Rindo do limite sinistro da dor.
Querendo do antes um verso, uma praga
Estrela brilhante que nua voava
Cerveja no corpo tecido de fauno
Queria o sinistro apelo do amor.
Te sonho breu.
Cruéis conselhos de quem viu a morte
Sabe lá se a voz ouvida
É canção, ou alma reproduzida
Pela ação do virtual vilão?
Me dê a mão!
Cante alguma canção!
Peça atenção!
Discurse em meio tom!
Chore não
Tudo é só exaltação!
Me dê a mão!
Cante apenas alva lira,
Seja tão fina quanto as ladys de Brasília.
Veja bem, tudo é somente ninguém!
Tudo a cem
Nos atropelando,bem.
E eu só vejo o osso
Do sonho vivo em nosos entorno
E por isso a irrazão vai se tecer em notas vis e fortes
Cruéis conselhos de quem viu a morte.
Quero ser semente de tua própria alma
Sou de espelho dágua
Faço-me somente
Luz inteligente de alta madrugada.
Se eu pedir corte rente para reproduzir
Corta ma non mata!
Brilhe inteligente alta madrugada.
Eu quis-me ir
Eu fiz-me rir
Eu disse
Quero ser semente de tua própria alma.
Realismo sangue bão
Crescer nos extremos laicos do meu ser
Sentir explosões e cacoetes
Ciúmes de me morder.
Para confiar no meu aceite
Dos termos decentes plenos do amor
Acordo tatuado no inclemente
Sentido de cor
Que a vida
Teima em me ensinar
Teima em me mascarar
Com a ilusão dos mundos
Sempre a vida
Me fazendo reviver
Calado em meio à canção
Nú em forma de invenção.
Espero comer rituais perfeitos
Cantando solene melodias de ardor
Criadas por poetas bem feitos de corpo e sabor.
Talvez vá voar entre teus peitos
Nadar por estreitos alheios à própria dor
Lutando hercúleo pelo jeito buscando calor
Com a vida derrentendo em meu olhar
Recriando um sonhar romântico de um mundo
Onde a vida
Faz parte de você
E faça da ilusão
Realismo sangue bão.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Mude meu nome
E se estou certo na veia, toco pau e facão
Mas teu gosto me traz horas
Tempo/espaço mutante em forma de luz.
Grito porras obtusas
Quero fome de loucuras.
Pois tu tens minha luz inteira nas ruas
Tens o sabor dos mels, sem frescuras
Sou meigo qual o King Kong
Carinho é o meu nome.
Note o dia onde meu instante reclama menos do sal do que do hidrante
Quero teu sonho e roupa, quero o bem
Mas eu luto por segundos, neném!
E por aí te espero na esquina
Sou teu macho
És minha menina.
Vamo além, pois a vida inteira é loucura!
Além, pois sonhar com mundo é frescura
Eu quero você sem celofane
Mudo mundos, quintais e nomes.
Quero além, pois a vida inteira é frescura
Vou além de outro universo na busca
Do beijo de tua boca com a fome
Sou teu macho
Mude meu nome.
domingo, janeiro 25, 2009
Conforme a crítica e seus anais
Calo-me comovido
Ouvindo no piano Fluminense feito arte qual sorriso desfeito
Por Alice vã tupiniquim sem espelhos lisos
Quebrados pelo aparato de um Botocudo.
Se sussurro ligo o início virgem das meretrizes
E resmungo meios tons quase perfeitos
Feitos por bocejos enquanto perco o viço lendo vãos poemas.
Se me calo grito outro riso
Sugando ar em meio aos sentidos depilados pela areia de desertos
Do corpo da velha cartomante entre destroços
De egos inflados mortos pela agrura de um poema
Mau escrito conforme a crítica e seus anais.
sábado, janeiro 24, 2009
A revolução de 1979 no Irã
Há trinta anos, acontecia a revolução iraniana. Foi um golpe para o imperialismo dos Estados Unidos e mostrou o poder dos trabalhadores do Oriente Médio – Simon Basketter.
O governo dos Estados Unidos odeia o Irã. É que o povo iraniano derrubou um ditador violento em 1979. E ao fazer isso também impôs uma derrota ao imperialismo americano no Oriente Médio.
Até a revolução de 79, o Irã – ao lado da Arábia Saudita e Israel – foi central para a manutenção de política dos Estados Unidos na região de assegurar a estabilidade e a segurança do fornecimento de petróleo para os países ocidentais.
O soberano do Irã, o xá, foi um ditador colocado no poder em 1953, depois de um golpe organizado pela pelos serviços de espionagem americano e inglês.
O golpe de 1953 derrubou o primeiro ministro iraniano Mohammad Mossadeg.
Os líderes britânicos e dos Estados Unidos ficaram furiosos com Mossadeq porque ele estatizou o setor de petróleo que era administrado por capitalistas ingleses.
A partir do início dos anos 1970, o Irã tornou-se sede das atividades da CIA no Oriente Médio, com 24 mil “conselheiros militares”. Também se tornou o maior importador de armas do mundo naquela década.
Os ingleses apoiaram o xá incondicionalmente até sua queda.
Os documentos recentemente lançados mostram que o embaixador britânico do Irã informou em 1978: “o país e do governo continuam sob total controle do xá. As forças de segurança permanecem eficazes e, acredito, leais ao xá”.
“Não prevejo nenhuma preocupação séria no futuro próximo. Haverá altos e baixos, mas em curto prazo penso que o xá não deverá fazer qualquer alteração radical em sua política e será capaz de continuar governando sem qualquer oposição verdadeiramente perigosa.”
O embaixador não podia estar mais errado.
O xá tinha promovido um duro programa de desenvolvimento capitalista (inclusive de tecnologia nuclear) que deixou de fora parte importante dos setores religiosos tradicionais e milhões de pessoas pobres que haviam deixado a zona rural para buscar sustento nos bairros pobres das cidades.
A pior pobreza convivia com grande prosperidade. Divergências políticas foram cruelmente esmagadas e as minorias nacionais sofreram a terrível opressão.
Esmagados
O xá também esmagou toda a oposição da classe trabalhadora e a esquerda – encarcerando e torturando mais de 20 mil presos políticos.
O governo do xá parecia invencível. O serviço secreto, conhecido como Savak, estava em todo lugar. Sindicatos somente podiam funcionar com autorização dele.
Mas em 1975 uma queda nos preços do petróleo – principal fonte de renda do Irã – levou a uma séria crise econômica. A situação provocou grandes protestos que logo levariam à derrubada do xá.
Enquanto o clero muçulmano havia conquistado apoio entre os pobres, a esquerda concentrou-se em uma luta de guerrilhas contra o regime.
Em junho de 1977, aconteceram os primeiros protestos contra o xá, em 14 anos. Eles envolveram milhares de moradores de bairro pobres de Teerã, capital do país.
Cortes salariais também provocaram greves que chegaram ao ponto máximo em julho, quando os funcionários da General Motors incendiaram sua fábrica em protesto.
Os protestos de trabalhadores e da população pobre forçaram o xá a permitir algumas atividades de oposição. Ele esperava que isto servisse como um válvula de escape que retirasse força do movimento e esvaziasse sua força aos poucos.
Em vez disso, outros setores da sociedade também se sentiram estimulados a protestar abertamente contra o regime. Os intelectuais, quem tinham silenciado antes, juntaram-se aos protestos, como fez o clero e os seus aliados – os comerciantes tradicionais, lojistas e pequenos empresários.
Como acontece em toda grande revolução espontânea, muitos setores diferentes da população se envolveram.
Leituras públicas de poesia atraíram dezenas de milhares para as ruas. Entre outubro de 1977 e setembro de 1978, as manifestações contra o xá passaram de semanais a diárias. Os protestos levaram a uma grande manifestação, com aproximadamente dois milhões de pessoas, no dia 7 de setembro de 1978.
O xá impôs a lei marcial e as suas tropas massacraram mais de 2 mil manifestantes. Em resposta 30 mil petroleiros decretaram greve. Em apoio, os mineiros de carvão também paralisaram as atividades.
Os ferroviários recusaram-se a transportar a polícia ou o exército. Os estivadores só descarregavam comida e material médico ou papel para fazer campanha contra o regime. As unidades do exército começaram a rebelar-se.
O movimento cresceu e tornou-se uma insurreição. Muitos administradores de fábricas simplesmente fugiram. Onde isso aconteceu, os comitês de greve, eleitos pelos trabalhadores, assumiram a administração das fábricas. A classe trabalhadora, embora fosse minoria na sociedade, conseguiu se fortalecer tanto que se tornou uma força decisiva na luta contra o regime.
Em junho de 1978 o xá ainda dizia: “Ninguém pode me derrubar. Tenho o apoio de 700 mil soldados, da maior parte do povo e de todos os trabalhadores.”
Alguns meses depois – no dia 16 de Janeiro de 1979 – o xá foi obrigado a abandonar o país.
As milícias armadas derrotaram as últimas das tropas do xá. As prisões foram abertas e as rádios anunciaram a vitória da revolução. Comitês de greve – conhecido como “shoras” – foram formados novamente nas fábricas.
As aldeias de camponês estabeleceram o seu próprio “shoras” e começaram a confiscar as terras dos grandes proprietários.
As “shoras” representaram o começo de um tipo de organização que poderia vir a ser um poder sob controle dos trabalhadores.
Manifestações
Os camponeses exigiram a reforma agrária, as mulheres lutaram por sua libertação, e as minorias nacionais exigiram o direito à autodeterminação.
A revolução foi um golpe enorme para o imperialismo no Oriente Médio. Transformou-se numa festa de alegria com muita gente festejando pelas ruas.
Um político conhecido foi nomeado primeiro-ministro, mas as manifestações de massa exigiram a sua renúncia.
Em 1º de fevereiro, o Aiatolá Khomeini voltou do exílio e se declarou chefe de Estado.
Desde o início dos anos 1960, Khomeini tornara-se o líder religioso mais importante na campanha contra o xá.
Mas o movimento não estava sob controle do clero. Houve uma intensa batalha para decidir o curso da revolução e o tipo da sociedade que substituiria a ditadura do xá.
Os defensores do capitalismo nacional procuraram restaurar a ordem. A classe média alta, “liberal”, uniu-se aos líderes religiosos ligados aos pequenos capitalistas e comerciantes para lutar contra a esquerda.
Khomeini se colocou contra o poder crescente das “shoras”. Ele sabia que representavam uma ameaça ao poder do clero e recusou-se a reconhecê-las.
O novo governo provisório declarou que a intervenção de trabalhadores em assuntos de governo era uma atitude “contrária à fé islâmica”.
O aiatolá fez tudo para restabelecer o controle capitalista. Mas, não foi uma batalha fácil.
Como um funcionário de Shell disse na época: “O que os funcionários conseguiram fazendo parte dessa religião? Continuam a ser explorados do mesmo jeito”.
“Aquele gerente sangrento que sugava nosso sangue tornou-se, de repente, um bom muçulmano e tenta nos dividir usando nossa religião. A unidade em torno da ‘shora’ é o único modo de vencermos.”
A força do movimento operário foi mostrada na manifestação de Primeiro de Maio em Teerã, em 1979. Desempregados e mulheres com suas crianças fizeram uma marcha de 1.5 milhão.
As frases nas faixas da manifestação diziam: “Educação para as crianças e não ao trabalho infantil. Estatização de todas as indústrias, salário igual para homens e mulheres. Viva os verdadeiras sindicatos e ‘shoras’. Morte ao imperialismo”.
O clero tentou impedir. Grupos foram organizados para atacar a esquerda e pressionar as mulheres que se recusaram a usar o véu.
Ofensiva
Ao mesmo tempo, uma ofensiva militar foi lançada contra curdos e outras minorias nacionais que tinham ganhado um pouco de autonomia durante a revolução.
Mas o clero só pode ganhar o controle do movimento mudando de tática. Os setores de pequenos empresários e comerciantes, junto com o clero que apoiava o Aiatolá Khomeini, queriam manter sua independência dos Estados Unidos, mas também queriam liquidar a esquerda.
Eles temiam também a reação das massas – que ainda esperavam fazer avançar a revolução.
Khomeini ordenou uma ocupação da embaixada dos Estados Unidos, e rompeu com aliados considerados “moderados”.
Khomeini e seus aliados diziam que a unidade nacional era necessária para derrotar os Estados Unidos. Qualquer voz discordante estaria fazendo o jogo dos inimigos da revolução. A esquerda não soube como responder.
A maior parte da esquerda acreditou que o Irã não estava pronto para o socialismo e precisava de uma revolução capitalista antes da revolução socialista. Passou a defender que os trabalhadores e a população pobre fizessem alianças com capitalistas “progressistas”. Desse modo, se renderam aos argumentos da unidade nacional.
Os setores que se concentraram na luta de guerrilhas ficaram isolados do povo. Não conseguiram adotar nenhuma estratégia para superar esta situação.
O preço pago pelos trabalhadores foi enorme. O novo regime reprimiu cada uma de suas organizações.
Com a invasão do Iraque ao Irã e o início da Guerra dos Oito Anos entre os dois países, o governo islâmico esmagou toda a oposição, consolidando totalmente o seu poder.
Esta situação não era inevitável. Durante muitos meses o futuro da revolução esteve por um fio.
O fracasso da esquerda em se organizar de forma independente entre os trabalhadores e a população pobre para lutar pelo socialismo permitiu que Khomeini consolidasse seu poder.
Mas a revolução iraniana 1979 causou impacto ao redor de todo mundo.
Socialist Worker - 24 January 2009 | issue 2135
FONTE: Socialist Worker
SITE: http://www.socialistworker.co.uk/
PUBLICAÇÃO: 23/01/2009
Fruta Estranha
As árvores no sul dão um fruto estranho
Têm sangue nas folhas e sangue nas raízes
Corpos negros nadando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.
Corpos negros balançando à brisa sulista
Frutas estranhas pendem dos choupos
Cenas pastorais do sul galante
Olhos inchados, bocas retorcidas
Doce e fresco aroma de magnólias
E súbito o cheiro de carne queimada
Aí está um fruto para os corvos bicarem
Para a chuva encharcar, para o vento açoitar
Para apodrecer ao sol, para uma árvore deixar cair
Aí está uma estranha e amarga colheita.
FONTE: REVOLUTAS
SITE: http://www.revolutas.net
PUBLICAÇÃO: 09/01/2009
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Com sangue nas mãos
Calei-me por respeito
Ri com Deus
Desenhei mórbidas mãos tecendo magias de ponta cabeça
Usando como linha parco coração.
Faz nascer rancor na voz
A guerra
Faz doer o tom da voz
As celas
Quando no tom da pele a tinta se aproxima da preta
Quando o que vemos de pele é a nascida para ser preta.
Se eu ri
Rosto era desespero
Dor de ver
Parca e tola invenção
Fazer-nos matilha sem sangue nas veias
Sejamos matilhas com sangue nas mãos.
Nos ais
Sabe dizer o triz da ação certeira?
Demo ri em dois sins
Mentindo ao tom dos velhos
Chicos são assim, liz
Flor de ameia.
E o que é palavra
Se da água salta e aflora
O limite d'alma?
Silêncio nos devora
Esquecendo calma de som intenso
Som de ai.
Registro de alma
Palavra morre e a autora
Brilha sendo calma
Sendo silêncio que entorna
O dom da palavra
Se faz milagre de sem paz.
Lua, Adeus!
Eu vi um fim
Entre correntezas cumpridas
Me esqueci sim
Comendo a luz das pessoas
Calo a mim e enfim
Costumo ser milagre e proa
Mato-me a rir
Sendo palavra.
Guarda-te palavra
E vem silêncio toda em torno
Da beleza calma do que se diz sem horas
No olhar que em graça
Se faz silêncio todo em paz.
Delicie-se alma
Devore o dom da lua
Sendo água clara, sem se dizer outrora
Além da palavra
Já ocultada em nós
Nos ais.
A vida inteira a se voar
O rumo meu é de partir
Mas cala-me o som das asas
Cantando versos de ficar.
O tempo me conduz o rir
Entre dedos de tocar a corda da imensidão
De tanta gente a se amar
Enquanto flutua a paixão
Das rosas, dos ventos, do mar
Nos dedos que eu decidi
Serem meus pés a lumiar
As palavras que escrevi
E são parte do aço do meu olhar.
Me calo porque amo o dia
E a noite que é meu voar
Levando o amar pelo tempo da vez
A rir o tempo que é meu lugar.
Enquanto isso acordo o brilho
Na noite de me aprontar
Sendo multidão e lida
Regida pelo libertar.
E quem me impedirá morreu!
Sou um sonho novo meu
Criado na paixão que vinga
A vida inteira a se voar.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Enquanto amo o vento
Grito entre luzes de Almodovar
Entre dentes de um sonho eu ri
Eu, nú, colori jornais
Me deixei voar na paz
Do tom das manhãs sem som.
Entre meus jardins de amor
Sonhei milagres de Ruas e noites
Entre meu sorriso mudo eu li versos de Drummond
E em paz vaguei desejando mais.
Costurei paixões com sons.
Esqueça o tom de todo amor!
Dê-me a toda a multidão
E a pinte de vermelho ardor
Enquanto amo o vento.
Talvez um baile de improviso
Somos sem hinos!
Todos em trapos de lua cheia!
Viramos medo e mágoa ao ver passar
O tempo mau e feito de muitas veias
Tempo sem viço
E eu que rasgo sóis entre as cheias
Da velha praia rasa onde o nadar
É até divertido
Pelo sabor das entranhas
De tanto mundo até ontem colorido.
E pelas ruas e saias
Pelos peões mau vestidos
Correm também as mil verdades sem domingo
E revoluções sem sentido.
Me deixe entre lírios que Oxum chega!
Seja carinho que vai nos bares e na beleza
Escreva versos maias e me dê mar!
Me dê levantes, turras, me dê sentido
Estou nos braços da rua cheia
Preciso de rubras bandeiras a olhar.
Sob as sombras se espalham
Mundos inteiros vestidos
De cores feitas de um vermelho vivo
E gritos feitos com mágoa, alegrias, tons de riso
Constroem a canção de rompimento e desatino
Talvez um baile de improviso.
Mantra
E montagens de remédios e milagres
Flores feitas de papel.
Luzes se consomem entre rios de naufrágios
Cores costuradas em vasos
Que surgem qual como prece
Redizendo sim aos Dons
Refazendo luz ao som.
Oxum, me dê luz nas trevas!
Imagens de homens me desenham inexato
Correndo em jardins soltos entrte livros e saudades
Costurando vôos sem céu.
Rasgos de realidades sugam meus tormentos
Doem entre luzes soltas
Inventando tons de neve.
Tanto brilha em busca da cor
Tanto se faz doce em cor.
Oxum, me dê luz nas trevas!
Entre tons exatos e sorrisos e milagres
Buscamos restos de astros
Qual poemas sobre neve
Servindo de pano de fundo para sonhos
Para desejos e asas
Como se fosse leve
Este remoer de amor
Este debater calor.
Oxum, me dê luz nas trevas!
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Pro mundo do amor navegar
Cego olhando pro chão
Sou quase flor, quase flor
Nos olhos do Deus Jeová
Qual quem invade
terça-feira, janeiro 13, 2009
Deslinguagem
Regras novas? E eu lá sou catedrático de bola e caneleira? jogo nas onze descarço no asfarto e dou bola pro invento. Sem essa de descaramento de me tirar o trema, có pobrema do trema?
Sem vergonhagem. A regraria dessenvorta das perdida virge das academia, traz de cunho e de prosa a imensidão do desalento. Pra que meu verso tem intento? Pra que tem troça e voz? Sabe lá?
Não meu.
Regraria é ditado frouxo de bocó de pontodombi. Tudo é calejado nas horas das coisas e eu, sigo. Nas desvantage de inverno calado ou de verão em sol de concha. Talvez desmanche, talvez vento.
E enquanto o tempo apersegue as trilha, eu reviro a letra da pedra e pedra não tem dotô.
Pedra tem ponto? Nem.
Pedra tem tempo.
E virga? Cas virga das casa eu faço pausa ou mudo senso? Sensopauso.
E nas trema das arma, o braço dicurso de nós , muda o sibilo? Muda, e nóis gosta do sibilio.
Gosta da cambaxirra na língua assinando som.E não tem, não tem placa de ponto de cambaxirra.
Tem história inescrita de dotô das acardermia.
Tempo tem pra discutir o que não falo.
e a lingua vai pronde?
Com nóis.
Crueldade com Animais
Légua de revoltar
Rasguem venenos de mim
Quero inventar uma prece
E resmungar no jardim.
Quero expansão de dança
Rimar minh'alma com cor
Que me tecer em breves definições de amor.
Deixem-me em calma no fogo
Dêem-me a linha do som
Que costurar meus sonhos
E me reinventar explosão
Pela razão da descida
Pelo amor do luar
Tragam-me o simples vinho
Dêem-me a liberdade do mar
Ou a dor de ir voar perigos de nomear amor
Rasgando o sol de vento e inventar
Ser flor
Ser gato e légua de revoltar.
Nesta canção
Explica o som que há
Se o mundo é quase aquém do que se tem de dom
De ar
E as vidas são penumbras que assistem o rumo e erram
Recriando a estreita fita do sussurro e da alta hora.
Assim o que te sinto recua e faz-se rir
E a nuvem da brancura chove logo ali
E a rua se esbalda e se tece ao som da alma
Resmungando com um sininho o sol de se voar.
Sem léguas a limitar o tom da calma dos mil morros lá de trás
Dos campos que crescem e montam quermesses
E no meio do astral vejo pombos no jornal
Enquanto vaga o riso
Te guardo enquanto te amo nesta canção.



