O que sou era
Pois sou apenas uma presença alheia
Nada original
Sou apenas das canções que misteriosamente pleiteiam teu sorriso.
Sou apenas o que observa a forma desigual que tu falas dos verões
Sou apenas o não presente que enxerga com coração uma casa a passear
Sou teu som de ir e vir pelos bairros, pelo mundo estrelista tão azul que tens sob os pés
Estou para ver, ser, ter, querer...
sábado, dezembro 29, 2012
sábado, dezembro 08, 2012
Dos barcos de homens ateus
Se os olhos destes passos fossem mundos
Estrelas do mar
E os marcos dos olhares, das favelas
Fossem outro voar
As artes dos pedaços das estrelas
Seriam o lar dos muitos tantos mil sonhos
Dos tantos ventos sem céus
E cada parte das velas seriam mares sem deus.
Se os muitos mil milagres dos desmundos
Calassem o cruel afago da covarde vida eterna
Do medo do mar
Ruas seriam insanos risos e doces de um mel
Feito do suor que a terra dá a quem semeia seus deus
Um deus feito das velas dos barcos de homens ateus.
Estrelas do mar
E os marcos dos olhares, das favelas
Fossem outro voar
As artes dos pedaços das estrelas
Seriam o lar dos muitos tantos mil sonhos
Dos tantos ventos sem céus
E cada parte das velas seriam mares sem deus.
Se os muitos mil milagres dos desmundos
Calassem o cruel afago da covarde vida eterna
Do medo do mar
Ruas seriam insanos risos e doces de um mel
Feito do suor que a terra dá a quem semeia seus deus
Um deus feito das velas dos barcos de homens ateus.
sábado, novembro 24, 2012
Poesia
Poesia é um pouco indecência
É talvez a inconsciência que o mundo tem razão
É como uma sombra, uma prece que inverte o dom do ar
De ser do dia o que tange a incandescência
E que pormenoriza a fome de voar.
Sabe-se que um verso é uma espécie de cais
Que nos traz a dor da compaixão
E o ódio que em fé se faz vítima e vinga o medo da razão.
Qual razão que concebe incertezas e transcende impaciências
Poesia transmuta-se em olhar
E qual um urro despede-se
De um peito que derrete quando deita-se no mar.
É talvez a inconsciência que o mundo tem razão
É como uma sombra, uma prece que inverte o dom do ar
De ser do dia o que tange a incandescência
E que pormenoriza a fome de voar.
Sabe-se que um verso é uma espécie de cais
Que nos traz a dor da compaixão
E o ódio que em fé se faz vítima e vinga o medo da razão.
Qual razão que concebe incertezas e transcende impaciências
Poesia transmuta-se em olhar
E qual um urro despede-se
De um peito que derrete quando deita-se no mar.
terça-feira, novembro 06, 2012
O Sertão
Por ser qual mar, o sertão é como um fado
Como um fenecer de espaços
Como a sina dos mil passos
Em rasgos pintados
Em faces já distorcido
Em almas tão construído
Que faz falsidades com o descrer dos homens alvos.
Por ser qual mar e ser qual a si mesmo
O sertão se faz consorte
O sertão se faz já medo
Em almas calado
Em olhos feito espada
E na tez das almas caiadas
Faz-se ilusão do estar destituído de espelhos.
Como um fenecer de espaços
Como a sina dos mil passos
Em rasgos pintados
Em faces já distorcido
Em almas tão construído
Que faz falsidades com o descrer dos homens alvos.
Por ser qual mar e ser qual a si mesmo
O sertão se faz consorte
O sertão se faz já medo
Em almas calado
Em olhos feito espada
E na tez das almas caiadas
Faz-se ilusão do estar destituído de espelhos.
quinta-feira, novembro 01, 2012
Em um ritmo que se busca ser sorrir
As formas que a vida tece tramas
As linhas, os amigos, as canções
São formas de voar qual pelicano
E olhar as distâncias com o peito
Deduzindo todo o mar que encontrar
Nas montanhas, nas canções, no dedilhar das violas coloridas
Nas palavras
Nas cigarras
Nas parábolas, corações que se tornam pessoas
Qual estradas
Qual baias.
Formas de saudade são palavras
Formas de viver são luas alvas
Tantas cores derretem-se no peito e qual fogo retribuem-se primaveras
Inventando crianças e códigos
Livros velhos, mundos novos
E no olho a pele preta faz-se verso e estribilho de um verso dito História.
Qual a alma, o coração torna-se assim estrela e em vento faz-se estrada
Em um ritmo que se busca ser sorrir.
As linhas, os amigos, as canções
São formas de voar qual pelicano
E olhar as distâncias com o peito
Deduzindo todo o mar que encontrar
Nas montanhas, nas canções, no dedilhar das violas coloridas
Nas palavras
Nas cigarras
Nas parábolas, corações que se tornam pessoas
Qual estradas
Qual baias.
Formas de saudade são palavras
Formas de viver são luas alvas
Tantas cores derretem-se no peito e qual fogo retribuem-se primaveras
Inventando crianças e códigos
Livros velhos, mundos novos
E no olho a pele preta faz-se verso e estribilho de um verso dito História.
Qual a alma, o coração torna-se assim estrela e em vento faz-se estrada
Em um ritmo que se busca ser sorrir.
Brincando de olhar
Era de fatos e vidas
Era de simples não ver
Era de ser coração
Talvez de mundos querer.
Havia invernos e astros
Haviam heróis e cidades
Haviam canções e passados
Crescer era além de vontade.
De vida o sorriso derreteu-se ácido
Virou de sonho um sentir
De quem se desejava guerreiro
A velha ardente dona do mar tornou um que ama relógios
Um doido de querer voar
Por entre linhas e códigos
Por gente boa de rir
E pela forma de fé que em fé torna-se mundo a rugir.
Nos hojes das letras e lamas diárias
O riso, a fome o pasto, o muro
A medalha é viver o lugar
Dos passos que deu no chão traz o andar
E sabendo viver alma aberta deixa-se futuro mar.
E por ai eu vou deslindar
Ser mais breve, ser menos guardar
E vou derrubar minhas cercas, infernos e ao mar
E vou deslizar por entre as pernas do mundo
Menos eu
E rumo ao mar ser moleque brincando de olhar.
Era de simples não ver
Era de ser coração
Talvez de mundos querer.
Havia invernos e astros
Haviam heróis e cidades
Haviam canções e passados
Crescer era além de vontade.
De vida o sorriso derreteu-se ácido
Virou de sonho um sentir
De quem se desejava guerreiro
A velha ardente dona do mar tornou um que ama relógios
Um doido de querer voar
Por entre linhas e códigos
Por gente boa de rir
E pela forma de fé que em fé torna-se mundo a rugir.
Nos hojes das letras e lamas diárias
O riso, a fome o pasto, o muro
A medalha é viver o lugar
Dos passos que deu no chão traz o andar
E sabendo viver alma aberta deixa-se futuro mar.
E por ai eu vou deslindar
Ser mais breve, ser menos guardar
E vou derrubar minhas cercas, infernos e ao mar
E vou deslizar por entre as pernas do mundo
Menos eu
E rumo ao mar ser moleque brincando de olhar.
domingo, outubro 28, 2012
L'amour
C'est la Femme!
O amor é uma forma de mar
Uma frase quase em sol maior
C'est la vie!
O amor é uma forma de voar
Como quase que acima do sol.
C'est le monde!
O amor é uma forma de ver
Pernambucos na Bahia, em Nós
C'est l'amour!
É quase que redizer das estrelas ruas e anzóis.
A vida eterna sendo lastro da paixão tingida
Pela cor que supera-se em cor
E desenhada nas linhas das mãos, curtida
Em si a ser inteiramente amor
Amor.
C'est le Homme!
O amor é também entender
Espalhar-se no ardor a alguém
C'est le soleil!
O amor é talvez derreter
Diluir-se a ser mais alguém.
C'est la rue!
O amor é traçar-se viver
Caminhar-se como quem se vê
C'est la mer!
O amor é um barco, é nascer
Ser da onda seu vai e vem.
É ver o incerto certo ar de ver-se vida
É viver este ser do amor
Na eternidade fugaz de ser vida
Ser, viver é também ser amor
L'amour.
O amor é uma forma de mar
Uma frase quase em sol maior
C'est la vie!
O amor é uma forma de voar
Como quase que acima do sol.
C'est le monde!
O amor é uma forma de ver
Pernambucos na Bahia, em Nós
C'est l'amour!
É quase que redizer das estrelas ruas e anzóis.
A vida eterna sendo lastro da paixão tingida
Pela cor que supera-se em cor
E desenhada nas linhas das mãos, curtida
Em si a ser inteiramente amor
Amor.
C'est le Homme!
O amor é também entender
Espalhar-se no ardor a alguém
C'est le soleil!
O amor é talvez derreter
Diluir-se a ser mais alguém.
C'est la rue!
O amor é traçar-se viver
Caminhar-se como quem se vê
C'est la mer!
O amor é um barco, é nascer
Ser da onda seu vai e vem.
É ver o incerto certo ar de ver-se vida
É viver este ser do amor
Na eternidade fugaz de ser vida
Ser, viver é também ser amor
L'amour.
sábado, outubro 27, 2012
Nunca fui de Madureira
Em minhas confissões póstumas direi: Nunca fui de Madureira.
Não porque tenha ojeriza ao bairro que fundamenta meia existência planetária em sambas, batuques, maldições, trens lotados, ódios e fomes. Tampouco por despertencimento ao universo avesso aos mares da Mui leal. Apenas pela exatidão que é exigida daquele que vê Jesus de costas, como bem cantou o poeta.
Nunca fui de Madureira, sendo no entanto dela, como querendo-a, como querendo saber das suburbanices cotidianas aquele jeito de quem andou demais de trem e sorry ao ver-se em casa.
Madureira era, pra mim ali em Guadalupe, o cinema, a loja de roupas, o sorvete da lanchonete, o presente de natal,a mitologia de um samba com águias e reis de um braço só.
Com o tempo Madureira ficou mais perto, ficou mais dentro, ao ser parte daquilo que me fez adulto, como que passando pelo rito tardio da passagem que é o diploma. Me fiz Historiador em Madureira, me vejo Madureira sendo historiador país afora, botecos afora, longe, perto, ali, em mim.
Saber este chão é uma arte que não se pinta de malandro, não se pinta do sorriso do arquétipo mitológico que as Tvs da zona sul desenham como se nos entendessem a alma. Saber este chão é a rima que entende a distância, a diferença, o duro caminhar e o sorriso de ver aquele samba tocado, o boteco, a cerveja gelada e o riso largado, largo, aberto, vivo de quem está na casa ao saber-se norte, oeste, inteiro numa distância de trilhos e morros, de suburbanas avenidas e almas.
Saber este chão é saber o antes de haver Avenidas com nome de bispos que não conseguimos esquecer ao dizer: "é na Suburbana!". Saber este chão é estranhar modernidades velhas e asfixiantes, travestidas de alegorias e adereços que perderiam o carnaval pela falta de harmonia e enredo.
Saber este chão é também saber que fora do tom nem o batuque da alma segura o canto.
Nunca fui de Madureira, ou do Valqueire, ou de Guadalupe, sempre fui Madureira, apesar dos pesares, aqui, ao longe, distante do mar, com Cristo de costa, nas costas da alma da águia, que sobrevoa rindo um Rio de Janeiro que arrasta erres.
sábado, outubro 06, 2012
Somos o sumo
Essa calma que é a luz do sol é um deleite da noite
Qual um sarro
É um muro, uma razão, um pranto, uma forma de ato
Um sussurro
É um gesto que se constrói do não soberbo, do velho hiato que há no mundo
Entre o galante e livre dedilhar da vida e a dor do medo de si, funesta.
Essa arma é a grande paixão que nossos corações transformam em flor
Esse sonho é apenas um Rio que se faz toda a Terra
Esse riso é a força enorme da destreza nas canções
Que se apresentam quando o furor se pinta, se transforma em eras.
E esse espaço que se faz cansaço é vida, é a alegria de ser a festa
E tudo então é mais que o cotidiano, é mais que a noite se tornando dia
É como a vida, ela assim, no simples e calmo sentido de ser calo
Já no mundo se fazendo o santo gosto dos retratos
Somos o sumo.
Qual um sarro
É um muro, uma razão, um pranto, uma forma de ato
Um sussurro
É um gesto que se constrói do não soberbo, do velho hiato que há no mundo
Entre o galante e livre dedilhar da vida e a dor do medo de si, funesta.
Essa arma é a grande paixão que nossos corações transformam em flor
Esse sonho é apenas um Rio que se faz toda a Terra
Esse riso é a força enorme da destreza nas canções
Que se apresentam quando o furor se pinta, se transforma em eras.
E esse espaço que se faz cansaço é vida, é a alegria de ser a festa
E tudo então é mais que o cotidiano, é mais que a noite se tornando dia
É como a vida, ela assim, no simples e calmo sentido de ser calo
Já no mundo se fazendo o santo gosto dos retratos
Somos o sumo.
Pela paz do teu saber
Foi de um gesto
De um som já palavra
Que nasce assim como um ser o nome que ouvi e em mim vem
Como um jeito intenso de paz
Foi de uma forma verbo
De uma coisa que calcula o vento e vem
Como quem me voa na paz
Que se transforma em risos e ais.
Versos são fomes
São saudade
São talvez derreter
Queria estradas, portos, cais
São toda cor, são fogo e flor
São monstros, cobras, são viver
Quase como quem vem
Estrelando o mar
Comendo trens.
Foi de um vento já parábola
Que meu colo se fez
Como quem te gesta feito paz
E vê-te ao longe sendo a brisa que em tempestade se fez
E assim se vira tão bem
Enquanto me faço mar, me faço trens.
Vozes são mundos, são a arte de apenas se ser
Como se de cores, gestos, ais
A forma amor é quase dor, que já vira prazer
Como o poeta livre me fez
Ouvir em seu cantar
Em seu viver.
Foi deste jeito que sou arte só pra poder te dizer
que amo-te no meu livre ver
Criado pela paz do teu saber.
De um som já palavra
Que nasce assim como um ser o nome que ouvi e em mim vem
Como um jeito intenso de paz
Foi de uma forma verbo
De uma coisa que calcula o vento e vem
Como quem me voa na paz
Que se transforma em risos e ais.
Versos são fomes
São saudade
São talvez derreter
Queria estradas, portos, cais
São toda cor, são fogo e flor
São monstros, cobras, são viver
Quase como quem vem
Estrelando o mar
Comendo trens.
Foi de um vento já parábola
Que meu colo se fez
Como quem te gesta feito paz
E vê-te ao longe sendo a brisa que em tempestade se fez
E assim se vira tão bem
Enquanto me faço mar, me faço trens.
Vozes são mundos, são a arte de apenas se ser
Como se de cores, gestos, ais
A forma amor é quase dor, que já vira prazer
Como o poeta livre me fez
Ouvir em seu cantar
Em seu viver.
Foi deste jeito que sou arte só pra poder te dizer
que amo-te no meu livre ver
Criado pela paz do teu saber.
segunda-feira, outubro 01, 2012
O mar que deságua no mar
Meu riso de ver é o sumo do mundo
Minha forma tosca de ver-me é a gota das águas das palavras
Toda palavra é um ler
Palavra é cores
E coisas se fazem ser
No verbo que há em mim
E sou eu como homem o homem que me lês.
Há partes do ser que não se aguentam em mim
Há partes de ler que são poemas.
Meu olho de ser é próprio do mundo
É próprio de rir paz
É o seio, o gosto, o sal, o sumo
Da forma que me jaz
Por entre as cores
E as formas finas do ser
Palavra que há em mim se deleita em fome
Uma fome de ver
As partes do ser que não se aguentam em sins
Tuas formas de ver as letras atentas do mar que deságua no mar.
Minha forma tosca de ver-me é a gota das águas das palavras
Toda palavra é um ler
Palavra é cores
E coisas se fazem ser
No verbo que há em mim
E sou eu como homem o homem que me lês.
Há partes do ser que não se aguentam em mim
Há partes de ler que são poemas.
Meu olho de ser é próprio do mundo
É próprio de rir paz
É o seio, o gosto, o sal, o sumo
Da forma que me jaz
Por entre as cores
E as formas finas do ser
Palavra que há em mim se deleita em fome
Uma fome de ver
As partes do ser que não se aguentam em sins
Tuas formas de ver as letras atentas do mar que deságua no mar.
terça-feira, setembro 18, 2012
Um samba qualquer da Portela
A maior parte da cidade nasceu em mim distante
Límpida, pintada na retina
Ali, a Candelária ao som, ao sol das seis
Manhãs a fio
De uniforme imberbe
De cansaço laboral.
A cidade em mim nasceu em Minas
Nasceu ao frio
Nasceu na lama das encostas do uai vespertino
Nasceu no anseio de um riso aberto
De uma rusga
De um porto.
Foi Rio e Rio veio
Fui Rio e Rio vim assim
Assado na distância
Cozido na vontade
Criado num subúrbio infindo a ser assim
Sertão
Ser tão Rio que caudalosamente girava
E inflamava a gíria
O olho azedo a quem morde
À fala mansa dos punhos de renda
À impureza atávica do excesso de educação.
Recados dei, Rios vi, norteei
No norte do meu senso gritei Madureiras
Sacolejei alvos e Brasis, Avenidas largas, surdas, sujas
Duras e limpidamente cruas
Carioquei
E rindo assim do meu jeito
Meio raiva, meio rude, meio abraço, meio irmão, meio ódio
Inteiro Rio
Caminhei assobiando
Um samba qualquer da Portela.
Límpida, pintada na retina
Ali, a Candelária ao som, ao sol das seis
Manhãs a fio
De uniforme imberbe
De cansaço laboral.
A cidade em mim nasceu em Minas
Nasceu ao frio
Nasceu na lama das encostas do uai vespertino
Nasceu no anseio de um riso aberto
De uma rusga
De um porto.
Foi Rio e Rio veio
Fui Rio e Rio vim assim
Assado na distância
Cozido na vontade
Criado num subúrbio infindo a ser assim
Sertão
Ser tão Rio que caudalosamente girava
E inflamava a gíria
O olho azedo a quem morde
À fala mansa dos punhos de renda
À impureza atávica do excesso de educação.
Recados dei, Rios vi, norteei
No norte do meu senso gritei Madureiras
Sacolejei alvos e Brasis, Avenidas largas, surdas, sujas
Duras e limpidamente cruas
Carioquei
E rindo assim do meu jeito
Meio raiva, meio rude, meio abraço, meio irmão, meio ódio
Inteiro Rio
Caminhei assobiando
Um samba qualquer da Portela.
domingo, setembro 16, 2012
Marginalidade
Meu sonho grita na marginalidade
Meu sonho é crente que tem a razão
(Às vezes não)
Meu sonho bebe o cerne da arte
E a cerveja que chega a pedir permissão
Meu sonho muda o rumo da urbe
Nessa coisa vontade que desce gelada
Meu sonho morre no tom da saudade
E na pele que arde se rói de firmeza caiada.
Às vezes a forma da gente é um sonho que vence
Nessas pelejas que a vida na lida faz parecer jeito
E forma de ser toda briga que beira o luto
E no fundo é verdade naquilo que faz da gente brasileiro
E traz na voz embargada o som de ser assim botequim
Malucada
Samba cruelmente construto do riso, da gaita
Que ri da velha e suada rua, do beco
Das rusgas, das rubras velhas brincadeiras
Na porrada
Na besteira
Somos todos esse jardim
Onde o sonho grita as marginalidades.
Meu sonho é crente que tem a razão
(Às vezes não)
Meu sonho bebe o cerne da arte
E a cerveja que chega a pedir permissão
Meu sonho muda o rumo da urbe
Nessa coisa vontade que desce gelada
Meu sonho morre no tom da saudade
E na pele que arde se rói de firmeza caiada.
Às vezes a forma da gente é um sonho que vence
Nessas pelejas que a vida na lida faz parecer jeito
E forma de ser toda briga que beira o luto
E no fundo é verdade naquilo que faz da gente brasileiro
E traz na voz embargada o som de ser assim botequim
Malucada
Samba cruelmente construto do riso, da gaita
Que ri da velha e suada rua, do beco
Das rusgas, das rubras velhas brincadeiras
Na porrada
Na besteira
Somos todos esse jardim
Onde o sonho grita as marginalidades.
O andar
Na lida a gente monta o mundo
Faz-se reluzir
Na raiva que o mundo passa somos tantos, somos lugar
As coisas que se fazem rir
São formas de se fazer mar
O tempo é uma ilusão, é jeito de se lembrar.
Há vida onde perdi
Há morte no conquistar
Das coisas que me vivi
Os abraços, as asas, são feitos do olhar
Há marcas feitas de dia
Há marcas que são luar
Os dedos que viram mãos
Os passos marcados do enfrentar.
Há asas no todo do dia
E o calendário é o voar
A farta vontade do tempo é a vez do rir
E a vez do ir
É o mar.
Há riso no que se é sozinho
Há no todo o gargalhar
E a arte é a razão precisa
De ver, de no todo gostar.
Se tu reparar, o eu é um reparar sem eus
O passo é a razão precisa do existir do andar.
Faz-se reluzir
Na raiva que o mundo passa somos tantos, somos lugar
As coisas que se fazem rir
São formas de se fazer mar
O tempo é uma ilusão, é jeito de se lembrar.
Há vida onde perdi
Há morte no conquistar
Das coisas que me vivi
Os abraços, as asas, são feitos do olhar
Há marcas feitas de dia
Há marcas que são luar
Os dedos que viram mãos
Os passos marcados do enfrentar.
Há asas no todo do dia
E o calendário é o voar
A farta vontade do tempo é a vez do rir
E a vez do ir
É o mar.
Há riso no que se é sozinho
Há no todo o gargalhar
E a arte é a razão precisa
De ver, de no todo gostar.
Se tu reparar, o eu é um reparar sem eus
O passo é a razão precisa do existir do andar.
terça-feira, agosto 28, 2012
Só mar
A minha cruz é meio sede
É meio céu, é meio mar
É meio mel, é cor da pele
É quase ódio de amar.
A minha cruz é meio verde
É falha, é fel, é adornar
A forma azul da bela pele
Das muitas novas vidas más.
O riso finda a mão
A mágica
É não ser céu, nem fel
Só mar.
É meio céu, é meio mar
É meio mel, é cor da pele
É quase ódio de amar.
A minha cruz é meio verde
É falha, é fel, é adornar
A forma azul da bela pele
Das muitas novas vidas más.
O riso finda a mão
A mágica
É não ser céu, nem fel
Só mar.
Como um erro sincero
As formas do que sei de mim
Mostram-se milhões de grades
E entre dedos, ânsias, fazem-me novidade
Calada nos âmbitos nus das artes de um vago vento
Presa no temor da indecência do apavoramento.
As luas que trago em mim
São também insignificâncias
Como assinaturas esquecidas
Ruas sem infância
Perdidas onde não sei
Feitas com algum esmero
De uma forma venal
Como um erro sincero.
Mostram-se milhões de grades
E entre dedos, ânsias, fazem-me novidade
Calada nos âmbitos nus das artes de um vago vento
Presa no temor da indecência do apavoramento.
As luas que trago em mim
São também insignificâncias
Como assinaturas esquecidas
Ruas sem infância
Perdidas onde não sei
Feitas com algum esmero
De uma forma venal
Como um erro sincero.
quinta-feira, agosto 23, 2012
100 anos
Escreveria como se houvesse um fundo de imensidão nas artes da cidade
As ruas e moralidades
Adultérios e incestos costuravam uma teia de humanidade que descia o pano da altivez dos santos
Nus, os homens e mulheres eram puros
Vestidos, eram como o desfile da putrefação da dita civilização.
A paixão animalizadora e reveladora era um urro, um grito de gol
Um prazer inenarrável cuja vileza tornava o ato canalha
Uma espécie de passe, de senha para o triunfo
A trajetória vencedora do mais reles ser:
O dito Homem.
Das profundas verdades realizadas na contradição do conservar
A fé na trajetória decadente do humano me fez pena
Me fez peça
Me fez gol
Com três cores
E mil faces em cem anos.
As ruas e moralidades
Adultérios e incestos costuravam uma teia de humanidade que descia o pano da altivez dos santos
Nus, os homens e mulheres eram puros
Vestidos, eram como o desfile da putrefação da dita civilização.
A paixão animalizadora e reveladora era um urro, um grito de gol
Um prazer inenarrável cuja vileza tornava o ato canalha
Uma espécie de passe, de senha para o triunfo
A trajetória vencedora do mais reles ser:
O dito Homem.
Das profundas verdades realizadas na contradição do conservar
A fé na trajetória decadente do humano me fez pena
Me fez peça
Me fez gol
Com três cores
E mil faces em cem anos.
Um amor estranho e livre
Muitas cores
A arte de uma cidade que se enfeia a seu pobre e gigante abraça o universo
Embevecendo com curvas pétreas os olhos estrangeiros
Atormentando de amor a quem migra diariamente da cansada periferia a seu centro
Valoroso, histórico e cruel centro.
Muitas cores nesta luta entre o amor pela beleza de suas ruelas
De seus centros, natureza e entorno
De sua gente agressiva e mal educada
De seu povo entregue a si mesmo com a coragem dos que sabem-se
E as guerras cotidianas que os olhos brilhantemente pintam em quadros
De uma extrema e cruel beleza.
Muitas cores nesta cidade mãe madrasta
Amante pérfida e calorosa
Poetisa cruel das durezas de uma realidade concreta e dúbia
Cidade matricida
Cidade mãe
Amante
Cidade.
Das cores muitas, das sutilezas, das guerras e agressividades
Dos centros velhos
Dos subúrbios riso solto e chinelo de dedo
A cerveja gelada dá ao pulo do malandro
O alvo jeito gato de sair das pedras
E alcançar a vida
Rindo
Como se tudo isso
A dureza bela e cruel de suas esquinas
Fossem assim como são
Um amor estranho e livre
A arte de uma cidade que se enfeia a seu pobre e gigante abraça o universo
Embevecendo com curvas pétreas os olhos estrangeiros
Atormentando de amor a quem migra diariamente da cansada periferia a seu centro
Valoroso, histórico e cruel centro.
Muitas cores nesta luta entre o amor pela beleza de suas ruelas
De seus centros, natureza e entorno
De sua gente agressiva e mal educada
De seu povo entregue a si mesmo com a coragem dos que sabem-se
E as guerras cotidianas que os olhos brilhantemente pintam em quadros
De uma extrema e cruel beleza.
Muitas cores nesta cidade mãe madrasta
Amante pérfida e calorosa
Poetisa cruel das durezas de uma realidade concreta e dúbia
Cidade matricida
Cidade mãe
Amante
Cidade.
Das cores muitas, das sutilezas, das guerras e agressividades
Dos centros velhos
Dos subúrbios riso solto e chinelo de dedo
A cerveja gelada dá ao pulo do malandro
O alvo jeito gato de sair das pedras
E alcançar a vida
Rindo
Como se tudo isso
A dureza bela e cruel de suas esquinas
Fossem assim como são
Um amor estranho e livre
terça-feira, agosto 21, 2012
Caravelas no além-mar
Uma rua, a matriz das luas únicas
Uma rosa, uma fé, uma ternura
Feita lago e lua
Feito túnica de uma breve vontade de ser sol
Nesta vida que se é revolução seja em armas, em vícios ou em ímpetos
Faz-te tu um desejo, um ar, um símbolo
Uma forma de amor tão libertário que meus olhos de doce poeta ácido
Tornam-se jardim de afeição.
Uma luz,uma lógica, uma pressa
E o amor fez-se simples e exato
Um destino, um segredo, um passo, um marco
Uma forma sagrada de amor
Feita do sangue de um Deus Condor que sobrevoa a tudo tão andino
Combatendo operações homônimas do opressor
Já sem medo de Deus ou do Diabo
Do Dragão que a maldade premiou
Uma luz que se forma operária
Um amor que se liberta em amor.
E escrevo como quem constrói um ninho
E reza luas que se formam novos sóis
Faço um Deus das palavras e esquinas
E faço linhas do amor que esconde o sol.
E dos nossos passados toda a prece se transforma num riso atrevido
Nosso peito é qual um som sorriso
Feito de caravelas no além-mar.
Uma rosa, uma fé, uma ternura
Feita lago e lua
Feito túnica de uma breve vontade de ser sol
Nesta vida que se é revolução seja em armas, em vícios ou em ímpetos
Faz-te tu um desejo, um ar, um símbolo
Uma forma de amor tão libertário que meus olhos de doce poeta ácido
Tornam-se jardim de afeição.
Uma luz,uma lógica, uma pressa
E o amor fez-se simples e exato
Um destino, um segredo, um passo, um marco
Uma forma sagrada de amor
Feita do sangue de um Deus Condor que sobrevoa a tudo tão andino
Combatendo operações homônimas do opressor
Já sem medo de Deus ou do Diabo
Uma luz que se forma operária
Um amor que se liberta em amor.
E escrevo como quem constrói um ninho
E reza luas que se formam novos sóis
Faço um Deus das palavras e esquinas
E faço linhas do amor que esconde o sol.
E dos nossos passados toda a prece se transforma num riso atrevido
Nosso peito é qual um som sorriso
Feito de caravelas no além-mar.
A chave, o trono, a fé
Nas mil luas e céus, há horizontes
Nos mil rios e marcas, há mais vida
Nestas léguas de asas e esquinas
Há palavras, há versos, hierofantes
E no mel do meu ácido instante só meus olhos esperam teu sorriso.
E na nua certeza que me visto, há a incerta vontade que sustenta
Tanto a flor quanto o fogo que acena
Pra curtida insensatez do assalto
Ao extremo velho reino do desabrigo
Que minha esperança destruiu e fê-lo pó
E nele fez uma rua com margaridas e nesta trilha amou a luz do sol.
Há no ar a certeza e a coragem
Há no pé a vontade, o sal, o fel
Há no mar o impeto dos mil gigantes
Há no ser a calma de matar véus
E nos passos que espalham-se instantes
Há no amar a criação do céu
Se vou ver nos teus olhos cintilantes foices e martelos, utopias e mel
Me deixe olhar como quem te faz migrante
E em meu peito dá-te a chave, o trono, a fé.
Nos mil rios e marcas, há mais vida
Nestas léguas de asas e esquinas
Há palavras, há versos, hierofantes
E no mel do meu ácido instante só meus olhos esperam teu sorriso.
E na nua certeza que me visto, há a incerta vontade que sustenta
Tanto a flor quanto o fogo que acena
Pra curtida insensatez do assalto
Ao extremo velho reino do desabrigo
Que minha esperança destruiu e fê-lo pó
E nele fez uma rua com margaridas e nesta trilha amou a luz do sol.
Há no ar a certeza e a coragem
Há no pé a vontade, o sal, o fel
Há no mar o impeto dos mil gigantes
Há no ser a calma de matar véus
E nos passos que espalham-se instantes
Há no amar a criação do céu
Se vou ver nos teus olhos cintilantes foices e martelos, utopias e mel
Me deixe olhar como quem te faz migrante
E em meu peito dá-te a chave, o trono, a fé.
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