terça-feira, janeiro 17, 2006

Entranhada de Deus ( Monet Decor)




Balaços nas milartes
Casas, Comidas
Reluzes soltos de calor
De ver
Inevitáveis risos de meu ver
Palavra solta natural das lidas.

Nos lumes soltos das partes fins
Sóis finalizam
Coisas de rumos e de reviver
Palavra fé rima com o entender
Coisas que são a sé da própria vida.

Muda de mundos
Ares
Outras plagas
É o resquício imenso desta asa
Que flutua acima do que vi
E reflete em mim
Doses de parte
Imensa no mundo
Alma arde
Entranhada de Deus
De ti e de mim.

Ressaber

Potes de artes
Caem das grades
Derretem grades, cores
Pintam luares, sonhos, milhares
Aves e mares, flores.

Tintas de Kahlo
Neruda armado de desejos e odores
Tinturas ares
Novos olhares
Novos lugares
Dores.

Ser de sentindo ser
Morrer cego
Na inconsciência do onipresente mundo do ser não gente
Renascido em Deus
Deus incerto
Sonho ser, talvez doer
Parto interno de saber
Canção
Você.

Poema feito para novos amigos, (Alê Freitas e Nana principalmente, mas Virgílio e Tati tb)

Luas e Festas

Entre aspas mudo
Palavra ouro de mina
Engraçado o escuro
Das noites internas e infindas.

Entre aspas rumo
Esquina solta das tintas
Volto novo mundo
E pinto almas frescas.

Entre os planos desgarrados
Que abandono nas cidades
Ralo peitos entre as letras
E as farpas da gentileza.

E rumo solto tudo
Vasculho noites, mundos
No rasgo do presente
Sorriso do saber bom dia
Sabedoria nova
É deitar-se liso
Nas almas loucas e libertas
Navegar luas e festas.

Tambor peito tocar



Viola doido
Perguntice de outrora
Viola nova faz pinheiro balançar
Renova jeito de espaço e esperança
Não se espera com alarde
Barulho faz sol dançar.

Viola pare novo dia, novo canto
Em todo canto que o choro dominar
Choro perfeito tem viola, flauta e dança
Bicho mesmo, não se engane
Seduz-se com violar.

Menino vivo
Cai, dói, sorriso
Por isso digo que nasci pra combinar
A alegria com meus bons dias
Na arvre viva sentar e revelar
O incerto destas horas, me anima, me devora
Por isso vou agora
Tambor peito tocar.

É lua escura, preto ninja
Vagabunda, argola
Cavaco, silvas
Entre lizes e o mar
Meninas rimas
Pernambuco
Ave estrela
Rua nua paradiso
Cinema, breja
Casar
Viver benditos
Casas novas, campos extras
Luas novas
Algo rima entre rios e olhar
Mistura fina
De histórias, causos, contos
Versos tantos que tristeza
Se esconde pra não gostar.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Amores

Poetizar-me em artes muitas
Nascer em coro de loucos
Navegalizando o termo
E turma indo de ir
amando ou não o sonho não meu
E sentindo-me, antes de mais nada.

Paixão é um exercício meu de buscAmar
Quase um vício
Nisso descubro gentes e almas
Por vezes almas que expandem seus corações para além
Das garras de meu ciúme
E isso dói
Simplesmente por almas serem livres
E nem sempre ter eu aprendido a liberdade de doer-me
Sendo também livre a ver amores amando amores não meus.

Amar não é resultado de fórmula química ou exercício de ego
Nada sabe bem o amor
Sente-se, aprende-se e esquece-se
Pois rosto de amor muda
Sabor não.

Sabor de amor é sabor novo de coisa explosiva
E amor ama
Simples assim
Ama com corpos e almas, beijos e foices.

Amo assim mesmo
Tendo perto, tendo longe
Tendo mulher, tendo irmã
Porque amar é um sentindo solto
E eu assim despido do uniforme de guerreiro
Deito na água e deixo
Meu coração
Levar-me.

Sem ser rei
Reino no meu peito deixando-o trapacear minha calma
Ouço meu amor
Mulher que amo
Cíume sinto
Deixo sentir
Deixo ir
Deixo-me ir nas bandeiras do sorriso
E percebo que o amor que sinto é baile
De um rosto só
Mas este rosto sorrindo
Brilha-me
E não é preciso eu apenas ser o brilho deste rosto
Amores vão, por aí
Deixando amores no peito.

Deixado pra voltar

Remar pelo ar
Resistir a não ver
Retumbar peito e ar, ser lugar
Recolher lenha
Fogo lento
Café a reluzir, inventar
Prestar atenção nas coisas, no véio, na lua
Renascer manhã para mergulhar.

Tampar no voar
Beber mar, ser luar
Recolher sol de qualquer monte
Ruminar
Poemeus de verso e mulher
Tumbar tum de peito e voar
Soltar pipa no noturno lago
Sem ver o galho
Rir de véio a causo contar.

Jogar
Rejogar
Corpo meu
Sol no ar
Vir voltar
Decifrando o jeito do tempo
Cantar e calabocar
Pra deixar o vento iluminar
Cada água que o sonho vê
Respirar o monte do coração lá
Deixado pra voltar.

Campo Redondo



Solo luar
Palavra solta inventada de sol
Redonda lua
E redondo o lugar
Montanha, Rio, moleque
Cor de pó
Pescando coisas de chover
Volver.

Volver a mar
Rio de luxo descambando o sinal
Das cores soltas de cada grão de céu
E grão de céu a repintar o olhar
Palavra doida
Repente violar
A recompor-se
Amar a ser
Sol ser.

Tarolear
Pensando em menina a compor lugar
Nadando soltta nas linhagens do céu
No véu das noivas próprias do lugar
Cachoeirar a irmandade do véu
Vagabundando projetos de soltar
As gargalhadas de cavalo e mel
E brejas soltas na noite
A bailar
Violas novas de nascer
Sol ser.

Autobiografia momentânea - Impublicável


Sujeito grande, sujeito em transe, sujeito em trajetos extemporêneos
Sujeito a truvas e chovoadas, ladeiras e coisas soltas
Apaixonado no momento, pelo momento, pelo desejo, pelo queijo de Minas
Pelos campos, redondos ou não
Pelas luas que vi ontem
Pelas mulheres que amo e amarei
Pela mulher que amo e já não sei
Revoltado contra sistemas, se temas ou se emendas
Cansado do que não for soneto
E aluado na causa distinta de olhar o céu e ver estrelas.

Perguntas e respostas não tenho
Tenho a trilha da frente de mim
A descobrir temeroso o oco do mundo
E o silêncio enevoado dos rios.

Beijos a quem aqui veio em paz
Tchaus a quem veio em bad vibrations.

Meu dia agora começou ontem
E ouvi Alceu nas madrugas.

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Buñuel a abrilhantar poesia média de caboco sonhador.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Menina Tempo

Valha-me breja
Lua acesa
Ritmado céu
Saber mulher é ter beleza, loucura e Deus
Fogo manso
Nas verve do torso, da mão
Inventada em pranto e breu
Jogo e dança que acerte-nos no mel.


Despir-se em veios
E clareiras de mundos ao léo
Sacar do ar as mantiqueiras
Lumes de outro eu
Que cultiva a delícia
E diz ser também outro ser ou rei
Mas que finge apenas leque
Finge lei.

Despir-se dela e ao menos rir
Fingir que vai largar
Sentir os outros
Flor de liz
Rementir o pirar
Ou será que é a penas assim ser também mão
E vulcão?
Ou amar é não saber-se então?

Fazer-se ela
Rir e rir
Nascer acordar
Saber ilusão
Saber ir mesmo que for pra matar
Ego e orgulho
Ser simples, efeito, feliz
Felizmente assim ou não
Dane-se toda regra e excessão.

Nas almas, nas esquinas
Nada é mesmo tão dor
Nem mesmo o sonho e a menina
Nem mesmo o amor
Por isso aqui reincidente no vento
De querer saber sabor
Deste outro novo ar
Menina tempo.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

O simples som do voar

Engraçado dia onde penso em algumas gentes
Que são assim o simples
Vindo a apertar
O peito de uma saudade conseqüente
De um jeito seu tão bonito de contemplar
As coisas lindas que são pequenas tralhas
Sorriso vem
Abraço vem
E algo mais
Como uma dança de flores soltas
E na pia a cervejinha a descer e iluminar.

Engraçado é o que se sente neste peito
Cheio do jeito de quem tem tudo pra olhar
E que não vê
Como olha bem esta minha gente
Que vê e é firme
O simples som do voar..

Urro

Só quero rir na hora do muro
Só quero ir pro momento onde tudo
Se dana pra vida
Que neguinho me impõe sem olhar.

Eu quero sentir e chorar numa boa
Amar, danar-me por esta pessoa
Que me tocar a corda
Que tenho no coração.

Eu tô cansado de verso de eras
De canção suja manchando a tela
Eu quero ligar o foda-se pra quem não tem canção.

Dá-me o vento, a dor, o amor
Me mantenha longe então
Desta gente que não ri
Enquanto se esconde do sol
Não sou ator
Quero mudar mundos, quero gana de viver
Não quero morrer em fins.

Quero morrer no caminho da forca
Premiado pela dor que voa
Pelo bom notar das coisas
Que se fazem mundão
Porque ser é fogo e amor
É explodir canção
Comer mundos e sins
Ser um ato de tornar-se cor
Retumbar o mundo
Bater, rebater
Em quem não quer ser feliz.

A intricada trajetória do incerto

Busquei escrever poemas pra sentir o soco no peito
O soco duro de um sentimento guardado
E escrevi como fábrica, como dedos e máquina
Os perdi
Os encontrei
Nas encruzilhadas de caminhos
Que encontram-se por aí
Sós
Perdidos ou não.

A cada encruzilhada pergunto-me o sonho
E ele retribui dando a súbita integridade do olhar
Tanta coisa brilha que é impossível a paixão não domar-nos
Mesmo as paisagens mentirosas
Nos trazendo certo som que não contribui com a rima.

O amor
Este súbito penetra do poema
Quase combustível de vida e alma
Põe-se a testar o limite da fé
Não o culpo
A poesia em mim ventada
Ensina-me nos genes
Que a arte de amar
É o sacerdócio do explodir
E esticar a linha do mundo em nosso peito
Até seu rompimento.

Por isso quando amo
Deixo-me
Sou outro que não eu
E meus versos acompanham a solidão e o desejo
A carência que nubla os olhos
E arde nos dedos e peitos.

Assim, amada
Cada verso meu
É apenas o significado do egoísta sentimento de querê-la
Numa santificada história
De cerco e dúvida
Onde meus dedos
São artíficies do encanto
E algozes da calmaria
Ao entregarem-me a ti
Sem protocolos invisíveis
Métricas ou rimas rebuscadas
Apenas esta explosão
Que vê em ti o grande amor
Aquele mesmo que sorri entre navalhas
E faz da vida a intricada trajetória do incerto.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Desejo

Não sei se agora a noite é nua
Ou é só o medo
Eu dando de lambuja um sorriso vão
A rua continua toda escura
E eu sem segredo
Fingindo perceber não sei ao certo uma alegria
um tom.

O astro do teu riso
Pela lua e pelo desejo
Fingindo em teu sorriso alegria
E segredo bom
Mas tempo é uma coisa inconseqüente
Quase mesmo o tempo inteiro
E teu riso somente me transportava solidão.

E é cantar
Coisa de vento
Pra que ser hoje?
Pode ser já?
Por que não hoje se o vento traz de mim o mundo, o meio?
Porque há mais que ser desejo
Desejo imenso há mais que o ar.

Sentir amores

Falar de sonhos é engraçado com você
Que ruma em versos e concretos raros
Poemas se tornam diários de saber
Sentir o pulsar imaginário
De teu peito enquanto vivemos o azul
E o livre brilhar intenso
Das maneiras que pudemos sentir
Quando vivemos ali
Cada minuto e cada lugar
Sabendo tudo de se encontrar
E viver entre cenas e festas
Conversas soltas e risos tão fortes
Carinhos doces.

Imaginário é nunca saber
Que você existe em cada pedaço
De liberdade que eu possa conceber
Saber você é um sentido raro
De perceber toda a luz do hemisfério sul
De voar sem grilar pelas cheias
Luas a reluzir
Tudo o que sou aqui
Lendo teus versos de alma e meia
A criar, seduzir
Todos que vejam a ti
Que bom é isso
Pois posso ver tua cor
Saber de cor este encantar
E acreditar nesta festa
Que é o riso livre e nobre
De sentir amores.

Sem Sotaque

Simbora bora Hermano
Palavra dada não se nega
Falta de ar, de sonho e de terra
A gente resolve com loucura
Ou ato grande de amar coisas todas de ser
Bicho vivo petulante e out sider.

Batuca tuca Hermano
Na liqüidez da asa tonta
Blues de Birigüi retubando na cuca
E um Folk-Rock Bonomia
Transando gentes que vivem na magia de ser
Tortuosamente Samba de atabaque.

Revoluciona Hermano
Malasarteia a lua e a rua
Se em cada si
Tudo fosse da tua
Vontade de buscar e mudar
Talvez a gente andasse sobre o mar, sei lá!
Cansei de perder tempo com gente sem sotaque.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Vamos à luta

Nem Neruda nem cuba
Talvez um monte de irreais cotidianos jogados ali no chão da várzea
E muita gente, como eu, navega como se letras fossem monturos
E derramando os seis por ái
Deixam-se nos acentos errados e virgulas imaginárias.

Nem Pts ou sóis nacendo
Talvez um chilique intelectual feito Às pressas
Para impressionar meninas que passeiam a ignorar-nos
Certinhos que somos em nosso caminho desigual
A usar máscaras pesadas que nos diminuem.

Nem eu nem breu
Só um dia a mais na desmesura do tempo
Dias esses que nos permitem tudo
Mesmo que a preguiça nos intimide
E o medo de ser nos torne bundinhas perdidos.

Assim de dia somos palhacinhos mimados
De noite assumimos a máscara de canalhas empertigados
Encantamos hoje
Destruímos amanhã
Ou não
Pra que mentir e fingir doer o que não dói
Beijemos e vamos à luta.

Poema de Astros

Pode um mundo maltratar você
Se tudo em si é teu riso raro?
Se versos caminham pelos ares
Por você
E quase o riso me parece
O espasmo
Do céu a perceber-se teu
Deixando seu azul
E abraçando o lilás
De tardes inteiras
Que brincam a incluir
Estrelas e luas alí
Onde Marte se expõe a admirar
As incertezas deste teu olhar
E a lua por vezes te empresta
Um brilho que não tem nome
Só é tuas cores.

Pode o rumo da história esquecer você?
Se pareces mais que uma estrela
Muito mais que um fato.

Pode um verso meu te descrever
Se imensa em teus olhos brilha a vida, o espaço?
Engraçado perceber a estrada se alongar
E eu simplesmente azul
Construído nos mares
Tendo entre as beiras destes rios
Daqui, montanhas a cobrir
O meu sorriso cortado na flor
De descobrir solto a voar
Esperando as horas certas
De ter ver com o meu nome
Entre as ceias e universos afins
Coisas que já não li
Talvez Neruda a nos assombrar
Talvez apenas te reencontrar
E ver se a lua desperta
Ver a força de ser ontem
Fazer meu hoje.

Talvez nem hoje p/ Nana

Bonitos os dias
E eu calado olhando por você
Na mente minha de novos passados
Onde tombos me aproximaram
Do que eu sei
Ser simplesmente o extraordinário.

Pra que fingir que o azul do céu
É o mesmo azul?
Pra que mentir
E inventar mil besteiras
Quando o que sinto aqui
Entre trampo e o rir
É o lumiar cantado de nova cor
Um instrumento, um cão, gatos
Bar
E a multidão perplexa
Porque não fomos ontem
Talvez nem hoje.

Feitiços de dias
Me tornam sorriso seu
Misturo pessoas nos verbos que acato
Todo dias as ruas abrem-se como um mar
Vermelho de apreço
Como um vinho que deita o corpo em nossos lábios.

Pra que fingir que o mundo é o mesmo aqui ao sul?
Pra que mentir e negar que as freiras
Ruborizam a sentir
Esta bomba que é um sim
Que ouso até chamar de amor
Feito de ondas meio sol e mar
E que não está na promessa
Foge de todos os ontens
Talvez dos sons de feira
A tamborilar o ir
Batucada de rir
Como ribombo de um namorar
Caçada nua a desenrolar
A desinvenção da promessa
Um amor que não tem ontem
Talvez nem hoje.

Van Gogh

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Solto de Leão

Nos dias em que o olhar me queima o peito
Eu renasço
Como um sol em meio à sala
Mesmo lendo o jornal.

E saco da alma um dia, um beijo
Apaixonado pelo mundo
Pela áurea
Desta gente legal
E sinto o sabor da própria fé
No alimento que recebo
Nas palavras
Me lembro do teu riso que me encanta
E grito apaixonado, sempre
Sempre
Que soube que existe você
E descobri o amor
Todo em teu sorriso.

Baby, tua linda presença
É simplesmente a liz
do hoje.

Nas noites em que navego pelo leito
Do meu mundo, do meu sexo, da minha alma
Em meu livro, em meu mal
Entendo porque a vida nos pega de jeito
Lembro de você dançando ( E como baila!)
Respiro a vida no sal.

Acordo e percebo do café
Toda a força, todo o ritmo
Toda a alma
Me lembro de tua existência
E sonho
Com teu lábio
Mas percebo o sempre
Quente
Hoje
Porque amar você
É maior que a dor, é maior que o riso
É ser todo
Porque amar você
É amar o amor
Como ele vir vindo.

Baby, tua linda presença
É irmã, mulher, é liz
É hoje.

domingo, janeiro 08, 2006

Viniciana

É engraçada a saudade
Nada disso é nascer
Nem doer de meus olhos
Que abrem-se a ver
Os recantos da noite
Bebendo ao lado de véio e irmão.

E a cada nova beleza
Tudo é simples de ser
Quando notam-se os mundos a nos perceber
Quando novos olhares e velhos olhares
Querem ser você.

O engraçado das noites da vida
Não é a mentira de gente a não ser
É o ritmo dos ares, botecos, lugares
Parecerem teu ser.

E eu vagabundo cão
Gato novo a crescer
Canto viola corrida com Hélio a dizer
Versos meus e bilhares
Talvez mais liberdades
Noites são viver.

sábado, janeiro 07, 2006

Lua

Há verdade em um sorriso
Se teu rosto não me brilha?
És a lua
És a rua
Por onde perambula a trilha
De meu só viver
A remar o entardecer
E ser nua, toda nua
Alma feita de magias.

Como dói sentir saudade
Como foge minha vida
Se a lua
Tu, a lua
Não me trazes o que brilha.

Ana Cristina Freitas

Te sinto alma redonda
Te sinto a passear
Vejo teu rosto nos astros
E deslizo sem pensar.

O meu sentido de paz
É teu sorriso em graça
Amar-te é luz
É anil
Áries dançando febril

Eu lembro da boa areia
Lembro do teu riso cheia
Luaméricar
A caçar lados do rio
Ver musicais e sereias
Fazer-me lugar.

Caso contigo
Nas horas da música de outrora
Deixo-me pisar
Deixo-me sonhar
E sinto o lume do novo
A fazer-me amor.

Viña Gaudiana

Vinho na luz das montanhas
Amigos pra vadiar
Reduzir medos aos cacos
Tomando brisa de mar
Rebuscando a nau
Que desce o rio com asas
O mundo inteiro senil
E nós sorrindo a fio.

E de Gaudi a videira
Traz o rumo da ceia
Papo de cantar
Papo de brigar
Papo Maromba
Na batucada do ritmo
O bailar da sereia do amigo traz lar.

Na aldeia remota que se estranha na porta
Gaudi desenha mar
Catalunha a dar
Sonho pra voar
E eu menino corisco
Lembro de Nana e Súditos a desembanhar
Mazinho aviolado
Ana descendo o bairro
A Mim retornar
Na batucada do íntimo
A redesenhar aldeia
Wagner a sonhar.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Jaboticaba Boy

Jaboticaba Boy
Vendo Sanhaço, Sabiá, Cupim
Nascido em sóis de Guadalupe
Realengo, em Fins
Ao lado dos batalhões
Jogava gude e canções
Sonhava em ser lorde, ver um mundo
Um novo caminhar por mês.

Beque do Wanderley
Moleque brabo e bater em juiz
Sacana com a lei
E o pai polícia a medrar por mim
E sem saber eu ia vivo a me retocar
Destruindo meninos e deixando o mar
Sabendo tudo sem saber de mim.

Mas o mundo é cão
E cão só morde quando sente medo
Eu nunca fui peão
Só fui moleque sabido
E me vi canção
Dancei pelado nas ruas do medo
Perdi por vaidade
Mas ganhei por alma e sorriso.

E hoje tão bagual, caipirosca, caboclo, guri
Avanço o sinal
Danço na noite te vendo assim
A tão ser
Como um mundo que soube juntar
Moleque, Jaboticaba, Sabiár
Beque de Roça
Poeta
Enfim.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Tarot

Eu queria escrever uma canção que me doesse menos
Mas não uso máscaras pra mim.

Eu queria acreditar no futuro que meus ombros não carregassem
Acreditar em asas futuras e anjos piedosos
Mas meus anjos são treinadores
E meu caminho é o do Eremita.

Eu queria ser um carro, armadura, espada
Um guerreiro de sangue e suor
Um transformador de foice em punho
Mas sou Enamorado diante da escolha
Eternamente flechado na dúvida e na decisão.

A justiça e o julgamento que apareçam
No caminho de luas e sóis
Onde o Diabo, pai da dúvida, é mais que encruzilhada
É a explosão de meu ser mais escondido.

Eu queria uma canção do mundo
Onda a fortuna rodasse em olhos brilhando
Mas meu peito se desgarra Louco
Como se um Mago o tivesse encantado.

Eu queria apenas ver com os olhos da Estrela
E ter a Temperança de saber-me vivo
Porém meu destino se lambuza em taças de delírio
E a escolha, madastra
Impõe-se
Por si só
Com a dureza das cartas.

inferno?

Grande até ficava

Se soou
Foi canção de alma armada
Feita a se perder
De canção nova conhecida
Não por mim.

Soou no céu e findou
Aves que dançam
E me lembraram mar
Nas montanhas que rasgam almas
Quando o querer
Foi talvez coisa fugidia
Não por mim.

Sem pôr do sol
Nada por mim
Coisas tão tantas a ver
Vim
Tão pequenino que grande até ficava
A me perceber
E rever uma minha vida
Que nasci
Entre o som que soou
Entre as asas da alma tanta
Só por mim.

Fui entre as mesas
E a mão
Vi nenhuma lua e senti
Tão pequenino
Que grande era então
Pela vida brincando, em fria
Ou no calor do sol
Coração batendo às pampas
Me senti.

Um novo peito

Ante a cor
A flor me deu
O sentido quase fim de acreditar
E ver
O compasso simples de se lambuzar
Me lambuzei
Mas felicidade se faz só
E nem mesmo o amor
Na calma de sua presença
Pode transportar o mel
De uma existência.

Eu queria amor, mulher!
Mas a cor dos rios
Não me foi tão mãe
Até que a noite fez novo apenas dia
Amanheceu
Volto ao ofício de viver
Aprendi e fui dor
Agora sou a pena
Que destina-se ao céu
Em simplesmente essência.

É apenas ir, mulher
Talvez até sorrindo
Tristeza é mãe da fé
E do samba que nos faz nascermos dia
A cores ver
É incrível o ato de viver
E ver nestes dias porém
O nascer da luz fugidia das paixões
Rompem-se os cordões
Almas dançam a vida
A refazerem-se bem
Na construção tão bonita do calor
De um novo peito de amor.

Beduíno

Ri sarraceno alvo
Chora as mortes benditas
Traz da alma dos teus alvos
A livre cor das retinas.

Ganha teu mundo em cortes
Em sussuros, gritos, sinas
E me deslumbre os olhos
Com este sangue que me ensina
A desferir sozinho
O golpe d'alma vadia
Na doce tez da calma paz que estagna
Deixa-se amar qual criança
A ver-se brincando na areia
Transforme o amor sem a calma
Arda na floresta cheia.

Traz o livre querer, cigano alvo
Beduíno dos desertos da cheia
Tu que trouxeste o vento que ateia
Este fogo que lança-me ao espaço
Agradeço teu rosto e teu cansaço
Não me alegro, mas tampouco me deito
Apreendo das dores o apreço
De um sonho hoje transformado e limpo
Em outra fé, outro rumo,outro ofício
Sacro ofício de cantar desmantelos.

Cão da verdade
Da lida dos desertos
Tu, meu sangue, meu corpo, meus tropeços
Fala alto do livre ser acerto
Sendo o oposto absurdo de um verso
Tu que falas qual fogueira
Qual terno copo de sonho e segredos
Tu que ensinas o livre reapreço
Mostra a arma do riso ou do destino
Vendo a cor deste ferro corrosivo
Da espada do livre desejo.

A paz que me rende o olhar e a canção
É o fogo ardendo pelas cenas
Onde a alma passeia, não pequena
Beduíno, minha paz não é calma não!
Ela é valsa e guerra e mundão
Ela é a ferida que dói acesa
Neste canto onde rumos trazem a presa
Onde o riso mistura-se à fé
E a dor ensina o todo e é
Ela própria a alegria da beleza.

E Beduíno o meu sonho é tanto
Que minha cabeça não consegue sonhar
Por isso eu rodopio e finjo
Nada sentir enquanto sofro o parto
Enquanto sofro, rio e persigo meus astros.


Como meu sorriso ao te ver e entender.

Poemeus

Mãe

Em canções sem atol
Em cortes feitos
Em galhos
Entre montanhas escuras e mágicas
Sorrio a fala.

No dia a dia a ver
A solidão da entrada
Neste portal onde caem muralhas
Voltei, minha cara!

Sei que vim por canção
Por dor, amor
Doer sentindo irrazão
Criando coragem
Pra ir pra floresta.

As parafinas que queimam ao lado
Não iluminam a extinção do escravo
A busca de Odara
Neste remundo florestal dos passos
Caçando eu nascido em versos sem grades
Lembrando a palavra.

Minha cara
Sabes que meu lar
Carece do saber apenas esperar
E que tenho a brusca voz sem freio
Mas conheces meu frio, minha dor, meu querer
Sabes o meu sabor, minha voz
Meu saber
E sabes que hoje a arte
Se abre em tua festa.

Minha querida não nasci de espaços
Renasci a ler o mundo sem bagagens
Voltei, minha cara!
Tu, luz do mundo
Mãe de toda a carne
Mulher Irmã do Deus que me traz as porradas
Que ensinam-me a alma
Tua alma, mãe, tua alma.

Baby

Meus versos não são dos loucos sabedores do porvir
São chagas
São espadas desembanhadas do peito
Fugi do meu direito de ser mago de meus sonhos
Mas não fugi dos sonhos para reaprender
A magiar ser.

Senti a fúria do mundo ao entregar-me ao teu
E quis ser de repente um infante cavalheiro
Estranho e imperfeito o meu jeito de ser dono
De algo tão sem dono
Que me fez só ver
E como é bom ver.

Obrigado senhores
Obrigado senhoras
A bruxa me fez canção e doendo sou vida
Vida
A refulgir na lição que vem a cada dia
Dias.

E nas palavras inexatas que trago e trarei
Desguardo o coração
E entrego a minha mão
Seja tu a amada, a irmã ou a amiga
Cada pedaço da lida que trago da própria vida
Torna-se teu
Louca infinda.

Baby

Seja amores
Luas tantas, horas
E guarda em ti a canção
Que te escrevo em vida
Viva
Baby
Seja amores
Luas tantas, horas
E guarda em ti a canção
Que te escrevo em vida
Viva
Seja ti mesma a canção
Que torna novas as vidas.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Dançando nas Horas

Eu fui embora
E vou embora
Tô indo embora
Mundo afora
Voltei agora
Já volto embora
Navegando pelas águas de um torto coração.

Entra ação
E ano vai
Meio invento
Meio canção
Não sou de nada
Sou de briga não
Mas não sou flor
E nem vilão
Eu só quero ser amor
E força de coração.

Eu navego pelo meio
Deste mundo sou inteiro
Vejo ela chegar
Rio dela chegar
E me solto na canção
Que a bela hoje deixa
E minha alma é seu corpo
A me notar
Em meus olhos sua alma
Faz o sonho rebrilhar.

Eu vou embora
Eu fui embora
Já volto nego e vou embora
Volto índio e vou embora
Vejo meu ritmo vindo afora
E danço nas horas.

Manifesto do M.I.M



Porquê me importar com causas nordestinas, sabatinas sobre a morte de doze mil meninas, as senzalas, os negros, os brancos nas esquinas? Porquê gritar pelas vidas Severinas? Porque a causa é o HOMEM! Em seus segundos e minutos. Em seus súbitos destinos. Em seu medo, sua tortura, sua liberdade enclausurada. Em milhões de cláusulas e "concessões". Abaixo as regulamentações!!! Um HOMEM não é lei ou rei, detalhe ou retalho costurado por discursos ou lutas pró-revoluções pop-stars. A liberdade e o poder do ser humano em comunhão com a imensidão dos universos. A estrutura essência da guerra pela perfeição. A destruição dos limites, conhecimento das infinitas realidades, infinitas variáveis de construção de mundos e fundos. A guerra, a paz, a verdade, a liberdade, o bem, o mal, os segundos que se chamam tempo, o beijo de língua estalada na boca do destino, o infinito, o sonho dos deuses, o sonho... Seja lá qual for o seu sentido, seu destino!

Movimento da Incoerência Mineira

Falar de política hoje é até um esforço. Até porque meu pensamento está em poemas e amores.

Porém é mais que necessário entender um quadro onde tudo o que acontece é um mais do mesmo, uma busca do poder pelo poder, como se o poder fosse algo além de um compartilhar o mundo em liberdade.

Nunca fui completamente nada em política, apenas busquei sempre a mudança e a revolução, seja ela feita através dos versos anarquistas de Wilde ou do pragmatismo panfletário de Lênin e Trotski.

Hoje no entanto volto a pensar em política e sinto que cada ato, denúncia ou luta, jamais pode ser engessado por limites estatutários e óticas de eleição. Nem mesmo quando instrumentos importantes como o parlamento ficam perto das mãos. Porque estas mãos estão impregnadas de divisão e falta de liberdade.

Durante anos militei no campo da arte, com atuação clara nas ruas, denúncias e uma busca constante de expressão da realidade onde tudo parecia conspirar a manter absurdamente a divfisão entre pessoas, classes, sonhos. E sonhava com um mundo onde cada um de nós não precisasse ser escravo de outrem, no amor, no trabalho, na vida enfim. Neste período militava no Movimento da Incoerência Mineira, que hoje renasce.

Renasce não como a expressão inútil de gente sentada na poltrona, chorando traições derramadas ou partidos fracassados, mas como a expressão de gente que percebe de novo que nada, realmente, vai mudar enquanto formos todos gado em uma estrutura repetitiva de burocracia e lutas pró-forma, feita para fazer líderes poderosos e bases mortas.

Renasce da vontade de continuar numa luta gloriosa de ser e viver, como pessoas, dignas, que sonham e escrevem arte. Como um Gato Risonho de Alice, sendo um e muitos ao mesmo tempo.

Não há P-SÓIS, PTs, nada que configure diferença, pois seguimos os quadro mundial de institucionalização da revolta e distância de povo. Não há sindicatos, movimentos, há é a eterna concretização da distância, da desigualdade, desigualdade mantida pela arrogância dos que acham que possuem solução pra tudo.

Não sei se isso é anarquismo, sei que isso é M.I.M, porque em M.I.M nasceu um sol real e reacendi este fogo, pra brilhar a lua ao meio dia, transformar tempestade em calmaria, dando um beijo no fio da navalha, gargalhando e sorrindo de agonia.

O Sorriso que encanta o peito do poeta

Tudo poderia ocorrer no murmúrio da sapiência
Porém minha poesia que hoje arde
Não é apenas pálida expressão de máscaras
É o som natural do ser a resgatar-se
Por isso nasço a cada som de voz
Que rompa a pálida expressão de dias vulgares.

Não conheço os protocolos necessários
E nem o cerimonial perfeito do consorte
Nasci sem ordem ou equilíbrio
Apenas nos passos do que sinto
E no balanço das quedas e rumos
Feliz com a opção de não calar-me
Quando arde no peito o segredo de amar.

A busca do amor me fez delírio
E assim, no medo constante e na adrenalina da coragem
Sigo como novo
Sabendo que a cada mudança
Novos versos virão
E nada mais importa além da visão
Do sorriso que encanta o peito do poeta.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Querer



Eu quero novamente
Sacudir de mim as inverdades e máscaras
Que transpassam meu peito nas dúvidas.

Eu quero caminhar por esta via de inverso acesso e loucura
Chamada amor
Que tanto meu deu pelos anos
E que hoje me apavora
Na intensidade de um mundo novo.

Quero o cheiro novo
Da alegria de teu rosto
E do prazer em tocar-me
Enquanto a dança brilhava
Em uma noite jamais esquecida.

Eu quero esquecer o livro que sou
E escrevê-lo novamente
Com a tinta de um gesto teu
Enquanto abraço a ventania
E viro uma pipa que nunca fui.

Eu quero tanto ouvir-te
Tocar-te
Contemplar-te
Que a esperança marca meu caminho
E faz-me
Simplesmente faz-me
Assim como eu, hoje frágil e feliz
Sem esconder que perdido
Passeio pelas ruas a pensar em ti
E a deleitar-me com cheiros e músicas.

Quero ver teus cabelos vermelhos
Teu sorriso
Tua mudança
Teu resmungo
Quero saber-te
E nisto quero sem véus
Porque o que sinto me dá a coragem
De desnudar-me
E ser teu sem concessões
Só a imensa e maravilhosa liberdade de perder-me
Nas costas do teu corpo
E no som de tua voz.

Ah, como teu brilho me cega e encanta.

Como quero Nana rindo ou não a meu lado
A deixar-me contemplá-la
Enquanto ouvia a chuva e sentia o peito querer tanto
A ponto de doer na espera de teus gestos.

Quero-te como quero a vida
Como uma porta independente para a transformação da alma
Como um anjo que não se reconhece nas asas
E faz de nós meninos.

Quero reecrever mais uma vez meus passos
E reconhecer a vida
Que vi tanto antes de esquecer na spedras o brilho do sol.

Quero de novo a força de ver-me nu
E sentir o gelo das águas em minha alma
A transformar-me
E a permitir-me.

Quero a força de ver-te e ser teu
Com a tarefa árdua de saber-te
Tocar-te
Sem ser pedra solta em meio ao caminho.

Reflexões

Sentir é algo que traz mutações, e dói mudar. Em mim mudanças são feitas a ferro e fogo, eu que por vezes desconheço-me demais e perambulo pelos dias tentando ser cada vez mais um eu que não conheço.

Sou mais aventureiro que a média, mas tem gente mais aventureira que eu. Não ligo pra isso, tento aprender. De tudo o que acredito, o amor é o mais importante, porque doendo ounão ele traz o vento novo de uma mudança, muito medo, mas mudança. Porque medo nunca me amarrou, jamais me calei pro medo, tranquei-me por medo ou tive a vontade de esconder-me do vento da vida.

Vida, como diz meu pai, é pra ser vivida, não contemplada. Quem fica olhando a banda passar vê o trem da vida passar por você. "Eu quero um trem, eu preciso de um trem".

O trem meio que chegou, me assustando com o fogo,a fumaça e a velocidade. Eu, pra muitos mais veloz que Mercúrio, quase não vi o rastro, mas consegui pegar a máquina e seguir nela, me segurando, pegandoo ritmo, que aindanão peguei.

A moça que passou como trem por mim, em mim chamasse Nana. Alguém muito presente neste blog ultimamente. E não ligo se por vezes ela me olha como quem me detesta ou me olha com carinho, é dela o olhar e é a ela, que muda como o vento, quem eu quero.

Não quero por vaidade e nem sempre por prazer, mas por um sentimento que ouso chamar de amor e que minha intuição diz ser algo feito para que minha luz aumente. Não me peçam para explicar, luz é como coisa que cega por um tempo, mas depois clareia e a sabedoria que busco me diz pra arriscar.

Ouso chamar de amor, porque não se quer egoísta e nem arrogante, se busca humilde, na querência de aprender a voar como o vento, eu um fogo teimoso que muda devagar.

Ouso chamar de amor porque ao contrário da definição de Coelho, pra mim amor além de devorar é aquele que a tudo supera. E não se perde vida por perder escamas subindo na correnteza.E nem por querer amar e conhecer, indo mais fundo, alguém que não se prende a nada.

As reflexões de mudança não foram feitas com a maturidade que achava ter, nem com qualquer sentido de razão maior. Escrevo isto porque minha alma clama por exprimir um todo sentimento que pulsa e dói como um prazer. Refleti depois de ir e voltar, de um lugar maravilhoso, onde o amor que eu buscava lá estava e não estava ao mesmo tempo. Incompreensível, principalmente para quem a tudo busca compreender, ansioso que só. Mas estava lá e está gravado no peito.

Dádiva ( p/ Nana)

Procurei em calcanhotos
Um sentido pra versos feitos para você
Porque por mais que sonhe outros sonhos
E trema pelos medos que costumo trazer
É em ti que penso.

Procurei em jobins o som que definisse
O que sinto entre peitos
E me lembrei que rotulo potes e gentes
E que a ti não é prazeiroso rótulos
Parei assim e escrevi
Escrevi como se meus dedos dependessem dos versos
E como se cada verso fugisse de mim danado
Porque é em ti que penso
E sinto.

No dia em que te vi, dançamos e cantamos
E valeu
Simplemente valeu cada minuto, mais que os dias restantes
Porque senti a explosão
O verso meu perder os motivos de ser verso
E tocar batuques sambantes.

Não, não sou encantador
Nem tão livre quanto o pássaro que és
Por vezes banal
Por vezes deitado na amarra do medo
Por vezes aventureiro inteiro
Que quer o maço de cigarro ao lado
E teu rosto a deslumbrar-me os dias.

Pensei na ansiedade, nos anos mudando
E em mim a sensação da velhice nova
E da infância perpétua
Pensei em ti a cada minuto
Com dor, com amor
Com o sabor da fruta mordida, mesmo sem tranqüilidade
Porque tenho a tensão dos que não acreditam no futuro
E sonho com planos impossíveis
Que amarrem um pedaço de futuro qualquer que me lembre alegria
Porque hoje a alegria que tenho é teu rosto em meus pensamentos.

Posso te perder, embora vá lutar até o fim
Posso porque gravaste a fogo tua alma em mim
Tu que me traz dor
Me traz o doce saber dos dias soltos
E o amor enviesado que me solta o sonho.

Mas te quero
E dizer isso assume o sagrado risco da insanidade
Porque penso em ti o todo dos dias
E gosto
Porque amar vale a mudança de mim inteiro
E amar é dádiva
Como teu rosto.

Deixando poemas sairem do peito

Demais ( Ao som de Demais de Tom jobim)

Não me acho na beira do cais
Não me encontro voando sem ais
Minha vida é armada
Pilantra, jogada
No meio do ir pelo mar, pelo bar.

Mesmo rindo eu finjo demais
Mesmo indo eu fico demais
Na beira dos cigarros
Dos tocos jogados
Entre alguns planos e ausências demais.

Não me engano
Nesta existência sem quê
Tranço poemas soltos
Que nem eu vou ler
Minha razão é um limite banal
Pro que meu coração insiste
Dedo em riste
Sem ar.

E me calo ou falo demais
Danço samba ou tangos astrais
E me fico deitado, imerso
Nas poças desta paixão tão grande
Que arrumei por você ser
Tão enorme demais.

Bucaneiro

O que é o amor, Meu amor?
Será uma integridade
Ou um subterfúgio da dor
Uma alteridade?
Meu peito vaga inteiro
Sem respostas em pontes que partiu
Maramar
Marinheiro
Navagando pouco sutil
Ansioso nas asas
Da própria agonia
A respirar as palavras
E nem sempre em bons dias.

Por vezes em amarras no porto
Por vezes em mares alheios
Querendo mares sem porto
Vagabundo, Marinheiro
Nesta lei
De ir e partir
E voltar à ilhas, bucaneiro
Rindo, sofrido ou perdido
Pegando ondas na praia
Ou curtindo a maresia
Destas àguas soltas , ondas fartas
Ou no fogo dos bons dias.

Hoje meu mar é teu rosto
Meu butim e meu janeiro
Meu março feito de novo
Vagabundo, Bucaneiro.

Poemas

Vale à pena

Não sei saber
Sei manter-me nos astros
Indo estupefato pela explosão
Deste querer que me ateia os fachos
Com o fogo danado de uma paixão
Paixão de ver-me encanto
Sofrendo ou cantando
O amor que talvez me tem
Me faz ir
E eu vou
Pirado a apreender cor.

Não sei amor
Só a luz
Que emana cheia de passos n'água dos rios
Eu sei menino a brincar
E Homem buscando mais se tornar.

Eu sei amor
E viver
É o ato aprendido se saber-se fome.

Te conto um segredo, cheio
Sou inteiro teu
E não é mais segredo que dou-te meu ser
Desgovernado
Solto no ardor
De ver-te assim
Ventando alto
Eu na dor e não saber-te assim
Só sei amor
E vale
Vale sim.

Descamando

Não sei dar meu recado
De outra forma vadia
Só sei andar nos rios
Pescar sem calma os dias
Desistir não é minha praia
Prefiro doer bons dias
Nadando ou pegando espadas
Para conhecer alma e vidas.

Sinto o mundo em meio aos passos
Dados nos ares e risos
Nas lágrimas que cobrem atos
Ou poemas imprecisos
Nunca sei como dar passos
Ando
Sentindo
No linho do feliz coração
Ou da dor do mal caminho.

Por vezes na agonia
Do amor solto em galopes rápidos
Por vezes sorrindo, menino, no mesmo amor
Indo, mágico
Pois a mesma dor que me insana
É o sorriso rasgado
Pois é vida que descama a pele
E nos ensina os passos.


Sonhar

Sonhar traz arder
Ardor
Amores, dores, canções
Traz o ir
E o vento que nos faz sermos bons.

Sonhar é meu inteiro teor
Eu sempre sem pés no chão
Sem definir
Meus insentidos.

Eu sei lá o que é voar
Além do mundo?!
Ando a pé a notar, cada dia diferente de tudo
Quero mais
Quero ir lá
Saber de tudo
Se não souber vou nadar
Pelos rios que me molham mundos.

Por Mar

Fracassos não são o caminho que busco
Por isso luto contra marés
Não sou solto em rios ou palavras
Tô aprendendo a ser
Busco as cores
E quero tudo comer
A ansiedade em mim é viver um ano
A cada dia ou mês.

Não sei te entender, mas ainda te quero em mim
Nem quero saber das diferenças.

Teu rosto me assusta
Me transmuta o mundo
Tira meus pés da paz
Mas paz pode ser um limite pra tudo
Quero muito mais que paz
Quero as cores das coisas
Quero viver
A cada minuto em mim
Cada minuto um ano
Não sei se vou morrer.

Nem quero saber se ainda há tempo em mim
Só quero saber do vento que entrar
Por Nana
Por mar.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

    Como é por dentro outra pessoa
    Quem é que o saberá sonhar?
    A alma de outrem é outro universo
    Com que não há comunicação possível,
    Com que não há verdadeiro entendimento.

    Nada sabemos da alma
    Senão da nossa;
    As dos outros são olhares,
    São gestos, são palavras,
    Com a suposição de qualquer semelhança
    No fundo.

    Fernando Pessoa, 1934

Maromba

Eu não queria ir embora
Com medo,com frio, mas não queria ir embora
Eu não queria perder o vento no rosto, a chuva fina
E a esperança de um beijo teu que me entregasse este peito
Que me tornasse o menino carente novamente
Ou o forte que dá colo.

Eu não queria ir embora
Não queria tirar de dentro a sensação de ser novo
No sacerdócio ao contrário
De viver entre a cachoreira
E um mundo onde a sanidade morreu.

Eu não queria ir embora
E voltar pro mundo
Eu não queria deixar de ouvir o Poeta
Marcando a vida no peito nosso
Não queria deixar de sentir o perfume da planta
A planta solta dentro de mim e fora
No ar, na marola.

Eu vim embora
Mas trouxe no peito a Maromba
A Maromba e a menina
A moça que tá diferente
A moça que de repente
Pega meu coração sem dar aviso
No improviso da virada
E me deixa e me volta
Me futuca a ferida
E me torna gostando de algo que dói e vive ao mesmo tempo.
___________________________________________________
"Fazer é tão prazer que é como fosse dor.."
Gonzaguinha

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Feliz Ano novo

" Traz o sol
Que eu abro um sorriso
Leva um som
Que eu canto contigo até
Até quando amanhecer
Ou até
quando quiser
Essa noite é só prazer e Luz"

Prazer e Luz, Luciana Mello

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Brincadeira

No ar um cheiro véu
Sobe em notas feitas de outro mim
Sob um segundo
Sob um giz
Nasce outro ser
E renova as manhãs
Que sãs ou não
Tornam-se nada
E reluzem loucas como se espadas
Buscam-se entre roupas
E lareiras
Árvores
Mantiqueiras
Na vã
Ou não
Loucura alada
Que permita-me uma estada
Nesta incerteza ao sol
Que veste-me de bandeiras
Que rasgo de brincadeira.

Nascer

Nascer
Sentindo os pingos da chuva
Desvanecer-se no tempo
Sorrir como se fosse um dia
A pensar em casas
E ver o tempo imenso
Ser mar
E indo ao vento na proa
Ser talvez qualquer pessoa
E descobrir novas ruas.

Ser, viver, renascer
Ser cada segundo
Ser intenso ato gesto
Ser canção ou rastro de um confesso
Novo luar que há no mar
Que parece teus olhos
Eu intenso desejo
Me torno desejo
Simples, sem jeito
De ser assim como um dia.

Na paz
Ou numa guerra confusa
A toa
Ou indo apenas pessoa
Nascer é rumo sem rua
É ver até o mundo vão
É razão que quase é um gesto
É lição do ar no respirar o sonho
Não quero ser Drummond não
Apenas respirar o vento
E perceber o dia como ele vem.

Música

Música
Nos desfaz, espanta em luz
Nos descansa, cansa
Cruz
Nos refaz manhãs
Nos transforma
E reluz por vezes esperanças
Ou o sul de alguma dança
Pois há manhãs
E existe luz.

Bem um som clareira comigo
Outro abre-me portas de destinos
E vêm cidades, ruas e você
Talvez venham sentidos
Uma cor que exista até sem amanhecer
Sem esperança ou fé
Apenas o bailar do ser
No som que envoca a volta da luz.

Suas próprias asas

Em tempo muito mais que em vento
Eu me sussuro sentidos
Desgosto solto o ar que respiro e me inspiro cuidados
Revejo todo o mar que há dentro
E me resolvo sorrisos
Retorno a me sentir aflito
E me aguardo em passos
Mas isso é um segundo de vida
Em meu momento e meu ritmo
Vivendo na entresafra dos sentidos
Deixando algumas coisas de lado
Olhando às vezes dentro do peito
Enquanto choro ou rio
Deixando-me solto, menino
Do jeito que ventar o destino
Ou os passos.

Sendo amor
Sendo dor
Sendo apenas alma
Sem ardor ou com ardor
Só não quero é a calma.

Porque a calma de meus intentos
Talvez esconda meus brilhos
A fúria com que vou à vida
Sem sentidos culpados
Sem medo dos momentos sem rosas
Ou dos desejos rompidos
Só indo vendo por vezes destinos e por vezes obstáculos.

E tudo isso pra mim é vida
Mesmo doendo
Mesmo rindo
Nascer a cada dia é tempo de viver-se avoado
Escrevendo ou resolvendo me aventurar sem destino
Por amor, por dor
Por passos.

Sem amor, com amor
Toda vida é mágica
Sendo a cor do rancor
Ou sendo só suas próprias asas.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Às Musas

Eu queria escrever como nunca, saber o estilo seguro dos invernos e entender as variações de tempo nenhum. Eu queria entender a morte como mais que um fatídico momento de transformação. Eu queria saber cada segundo da vida como mais que o bater de um coração desvairado, como mais que um denavear solto no céu.

Queria sentir o cheiro das ruas mais perto de meu corpo, ouvir a voz de cada pessoa e conhecer mais que sua máscara, queria por-me nú, em escrita, como se meu segundo de vida dependesse disto.

Escrevo no entanto o grito que calo no peito, o grito de amor ou de raiva, a dor de não sentir ou o segundo alheio a mim. Grito constantemente a vontade de viver o novo e a busca do mesmo. Grito as surpresas que os dias me dão, busco-as, busco-as como se a sede dos ventos me penetrasse.

Escrevo por sentir o dedo ser a matéria da criação divina, parte de um Deus brincalhão que me deu a alegria de poder rir, mesmo quando triste, eu um quase palhaço, um clown desvairado de Shakespeare.

E nestes caminhos que me enlaço, como a seguir a linda mulher que hoje é Ana, persigo o constante abraço das musas, e persigo-as com a sanha dos assassinos, pois é delas o meu perfeito sentido de explosão.

E a escrever me deixo inteiro como a parir um ser escondido de todos, como a me entregar constante à definitiva noite onde meus olhos avançarão sobre o que nos é escondido pelo medo.

A escrever adoto meu real nome e sei que Deus e Deusa se abraçam, imitando o que em meu sonho desejo, o amor que tudo queima e a tudo transforma.

Buscando Eros e Ágape, sigo em frente, entre as letras que cedo aprendi e que me apreendem a lançar meu ser nos espaços de bocas alheias.