sexta-feira, janeiro 20, 2006

Onde estás hoje?

Derramam-se versos em meu ser
Inaugurando o quase Sábado
Peixes novos no Rio
Aqui a me ver
Pescador que caça imaginários.

A paixão mistura amarelo e azul
No colar que meu pai
Entregou-me à beira
Do rio onde nasci
Novo nome de mim
Um atabaque em meu peito a dar
Amor de muito tanto impressionar
Crianças de alma liberta
Amar é coisa de Homem menino
Em flores.

Vinte dias do ano que resolveu
Por-me no rumo do inusitado
E Azulando nascimentos
Faço eu
Canções de rimas e causos, fados.

Brilhante luar causa marcas no peito nú
De meu navegar pelas ruas quase cheias
De amigos a rir, corolário de vir
Sentindo de meu peito pleno de amor
Sorriso feito a me encontrar
Subindo ladeiras de florestas
Pensando em um só nome.

Criando letras, tinturas de partir
Caçando formas de renamorar
Sabendo tudo sem saber nadar
E indo na correnteza certa
Destilando autos, fontes
Onde estás hoje?

Havaiananas

Pedras, cantos
Recados a saber
Coisas de muito e estranho fato
Decisões podem ser eros, erros
Podem ser também convites ao inusitado.

Teimosias acordam-me
Destilam desejos azuis
Pedaços de ar
Colorem
Abrem clareiras
Sacodindo o porvir
Como chego aí?
Pego o verso, viro ator,
Estrelo números de se transformar
Ou viro outro de se novear?
Violo condutas incertas,
Finjo o nome de meu nome,
Desisto o doce?

Multidões esclarecem você
Distante ou não
Feita de outros lados.

Em vez de All Star busco Havaianas
Serão azuis?
Refeletirão o mar
Ou as cheias destes rios a vir
Internados em mim?

Logunedesco Ariano ar
Pulando troncos, pedras do lugar
Descendo a nova floresta
Doce feito novo homem
Pra ver bela nova lua a rir
A chorar ou a vir
Açoitando o imensear?
Como chego a te encontrar?
Te quero sorriso
Nas sestas
Gostei do beijo de ontem
Repete hoje?

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Mulher

Céu
Reverso
Véu
Inudado de calor
Calor, Subúrbio, roça lavrada
Coisas detalhes de bom jardim
Retrato moído.

Mel
Cantado mel
Retrucado de sabor
Favor tão novo
De nossa linha cravada
Peito marcado
Amor carmim
Sentidor sentido.

De coisa finda
De coisa feita
Reinventada maneira
Construída nova fé
De parecer-se desatino
Isso é coisa de mulher
É destino feminino
Reinventar
Re-ser
Na fé.

Sugiro lida
Pra quem não porta
Em seu ar uma paixão
Para quem não vê que coisa é
Esta imaginação
De tudo renascer
Aprendendo feminino
Aprendendo o mulher
Que há no olhar
No par
Que dá na imagem de cada vento
Que seduz o ser
A ver e crer
O sentido de rebrilho
Batucado no que se é.

Gitano



Palavra sol, som
Imagem da palavra
Estranho cantador de engenhos e almas
Inventa em sorrisos o intento
De esperança.

Canto que tudo canta
Cantador de outras calmas
Desafiando Deuses em danças
Cigano antigo em reinos e esperanças.

Canta
Cantarás.

E cigano em versos e novos ventos
Palavra que arde em rinha
De cantos e instrumentos
Alma de Gitano
Nas longínquas asas do tempo
Inventando das linhas, lidas
De arte e novos tempos.

Saboreando almas
Mulheres e ânsias
Retrucando querelas que rejeitem
La Dança
E a Violla que trilha
O Engenho delalmas.

E eu
Cigano
Na trilha das ascendências
Beduíno das Cantigas
Gitano de Sonho e intento
Retrucando as linhas dos instrumentos
Com verso que arde vidas
E palavras que invento
Alma e canto
Gitano de outros ventos
Calando magia finda
Com alma amor e vento
Sou, cantando
Estrela, lago e imenso
Retrato de vida em linhas
Que trançam conhecimentos
Soy.

Retrato de nossas mãos ( P/ Arianos e violeiros do meu coração, viuy Mazinho?)

Invenções de sonhos cantados
Marcados
Nas almas e cordilheiras
Destes caminhos tantos trançados
Bordados
Como signo da imagem na ação.

Inventadas as horas
Mundos desafiados.

Versos
Armas
Sóis cantados, virados
Sonhos semeados no chão.

O couro inteiro comendo
Viagens, luzes fortes
Vencer as mandigas de quem
Não conhece a visão
Dos sonhos inteiros replantados
Dos atos
Traçados com a mão.

Viola amanhecendo
Irmãos! Irmãs!
Sigamos a ser
O repique do ver
Este imenso brilhar
Do sonho que novo refaz um planeta.

Alecrim, Louro verde
Incenso de erva no ar.

Cada verso que é cantado nesta trova
Nesta lida
É um retrato da mão
Que tece um novo artista
Irmã veja o luar
E recrie vossa vida
Irmão não se deixe preso
Nas minutas desta lida
Mundo precisa em vida
Da vida nossa curtida
Do sorriso nosso em vida
Recantada, Revivida.

Canto novo que hoje faço
Não é canto outro não
É canto de meu mundo
Não calado, frouxo não
É canto sonhado em mundo
Que despreza o cidadão
É canto rasgado e fundo
Desafiando razão
Por meu canto é meu tudo
É invento, é visão
É amado a cada mundo que toca meu coração
Pois sonho de hoje o mundo
Retrato de nossas mãos.

Novo Hoje

O sol é mágico e ensina bem. Amigos e amigas, novos e antigos, sentir vocês é saber-se novo todo dia, até porque Renato Teixeira disse bem: "Amanhecer é uma lição do universo que nos ensina que é preciso renascer. O Novo, Amanhece".

Simplesmente acordar e perceber
Carinhos todos, de todos os lados
Sentidos novos de aprender
Irmãos e irmãs, caminhos cruzados.

O importante de caminhar é ver o azul
Olhar o pedaço dos caminhos e estrelas
Que eu vi por aí
Notando o seguir
Destes rios e Rios de mar
Destas luas de rever, gostar
Aprender novas florestas
Perceber o bom de ontem
Olhar pro hoje.

Tanta gente neste mundo de nascer
Tantas coisas, pinturas, fados
Irmãs em lugares de não ver
Irmãos e violas em felizes lagos.

Novos irmãos e lugares onde encontrar a luz
Pessoas e vales que fazem a beleza de surgir
Colorir
Perceber-se em si
Aprender mundos de novo olhar
Amar é simplesmente transformar
Dor em canção de ser festa
Invenção de novos nomes
Nas esteiras de deitar e sorrir
Sol imenso aqui
Um jeito gostoso de conversar
Falar de mundos, países
Do ar
E ver o gostoso da eterna
Transformação do ontem
Em novo hoje.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Kahlo



Bem, a explicação para tanta imagem no Blog é que numa piração postei o Van Gogh e uma grande amiga gostou. Daí pensei que curto algumas coisas de imagem, mexo com isso profissionalmente e que seria legal colocar coisas que me tocam, apesar de entender nada de pintura em si. Faltava algo. Depois de monet, Buñuel, Van Gogh, Fotos de lugares e Dalí, faltava alguém que sempre me tocou quando via as imagens. Kahlo. Tá aí.

Reflexões

Ausências, Ausências e a continuidade das ilusões que imponho a mim. Sumiços de infâncias, na hora já. Hora de ir e ir, separar coisas e versos. Passear e libertar do peito estranho, arriscado, meu mesmo assim do jeito dele.

Não sei realmente se sei amar completamente ou se entendo este mecanismo do encanto. Liberdade é palavra perigosa, tempo certo idem. Anti ansiedades são estas palavras que impõe a paciência e o respeito por si só. E vida se aprende e transforma, assim mesmo.

Não sinto realmente de forma simples, minimalista, sinto explosão de carro em descida de ladeira, sinto cor de fogo e luz cambeta. Sinto e sinto.

Não sei se isto é amor o que sinto, uma coisa que vai como se prego no peito e vida vem. Vontade de ter perto, ouvir, ler, comer com os olhos, narizes e bocas. Este amor que me faz sentir saudade, respeito, vontade de colo, vontade de sorvete de maçã.Sol na cuca, caminhar, ver passarinho, rir de gato dormindo. Coisas e coisas.

Não sei se é paixão, pois traz alegrias de ser útil, de ver sorriso, de carinhar, curar, ajudar utros encantos não seus, ser irmão.

Se é amor, não é pequeno, do tipo que esconde o brilho do outro, guarda no embornau e deixa secar. É do tipo que faz carnes e almas serem uma e brilharem, do tipo que ensina, que aprende. Um tipo que devora o peito e não se identifica direito. Um tipo que faz presença longe e distância ao lado, mas que traz antes de mais nada a vontade imensa de ver feliz.

Como é difícil encontrar-se neste amor, amor amplo que abraça os do lado, os dali e de lá. Difícil de encontrar-se por luz, por querer ser de dentro, mesmo no canto ao lado de outro amor não meu. Ego, egoísmo, isso não some, mas diminui. Na ótica dos mecânicos, faz-me uma besta.Na minha ótica redescobre-me, liberta-me.

Não estou feliz não, é mentira. Crescer dói e dor não traz felicidade.Crescer, entender, separar liberade de máscara livre, ir, avançar, deixar malas de inutilidades pelo caminho, mas antes de tudo entender que o outro não é um complemento de suas paixões e desejos, mas algo novo, um explodir de ensinamentos que aparece. Algo mais, um brilho de alma que cria o próprio sol.

Gosto de Gonzaguinha por isto: "Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas". Aprendi que sou doce, um menino mesmo, velho demais pra isso nos olhos dos mecânicos. Novo demais pra isso nos olhos de quem se vê melhor assim.E doce deixo-me menos armado para os outros. Espero que tenham paciência com a mania de mostrar brinquedo novo.

Gosto de chorar por vezes. Chorar salta de mim a dor acumulada pelo chicote de minha mente, mente que cria o tempo inteiro, faz chover ao invés de sol quando a planta precisa secar-se. chorar pro vezes é verso, por vezes é só lágrima a soltar-me de meus medos e ilusões.

Descobri que há felicidade em descobrir-se e que a dor, acima maldita, é apenas a porta abrindo-se, pro entendimento. Ascendentes em gêmeos servem para o entendimento do peito tornar-se lição.

Nunca gostei de esperar, nem de desistir, por isso guardo amores no peito e espero, pacientemente esquecido deles, até que a brase é soprada. Muitas vezes a mesma morreu, em outras ela acendeu e vida veio. Hoje aprendi a andarilhar, ainda engatinhando, amanhã, quem sabe aprenderei a voar? De Gado a Cão, de Cão a Gato, hoje menino, amanhã passarinho.


Beijos a mim, beijos a ti, beijos a todos, sem dramas, só a vontade de entender isso que é dor e entendimento de mundo.

Tempo de Algo mais

Meu, tô apaixonado mesmo, não dá pra esocnder e sinceramente liguei o foda-se. Já pensei em desistir, já pensei em ir embora, não falar, me esconder, mas hoje tô mais é querendo sentir isso, mesmo que doa.Cada poema meu tá repleto dela e isso é bom, pelo menos eu acho.Esse é mais um.

Tempo de Algo mais

Um recado, um sentido
E ouvi você
Voz que nos embarca nas luas e asas
Deste vento
Que traduz meninos a mundo sonhar
Foi-se a paz da vida.

E que ela vá embora
Paz que cega, que nos mente
Falsa paz
Enquanto sonho auroras
Busco sentir o vento quente de outra paz.

Viajei e senti um novo intento
Vez em quando dói um pouco ter-te dentro
Peito aberto
Tanto tempo busquei ser você
Hoje só quero
Te quero
Sendo minha própria voz nova
Aprender tudo em tempo em mundo em algo mais
Rasgar pernas, veios, auroras
Descobrir vento novo em tempo de algo mais.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Sobre Solidão

Amar amor irmã

Sonho antigo
Sonho atroz
Oh vida voz!
Fazes de mim agora a sós
Um deslumbrar de sons.

Crias comigo nova luz
Eu que no ar caminho à solta indo
Descobrindo visões.

Trance meus universos em novo mar
Indique-me estrelas
Para rebrilhar
Amigos e corações sedentos
Irmãos e confusões de ritmo
Viagens sem ilusão no tempo
De renascer-se na canção.

Sonho sorriso
Sonho voz
Amares nós
Amando assim
Sentindo a nós.

Raiz de Amor

A sós com o meu tempo
Descubro palavras que se trançam
Nâo foi assim que busquei andar
Porém a luz deste sol
Faz-me à pena ver
Como andam mundos
Enre cantos e nações de vento
Entevendo infusões de nós
Companheiros do som.

E entre meios, mundos
Acho novos veios de caminho
Solidão é ouvir-se à voz
Desta linda canção
Que faz sonho se
Gente navega
Lançando-se à vela
Em meu peito
Raiz de amor não se desfaz
Cria novo viver.

Entranhada de Deus ( Monet Decor)




Balaços nas milartes
Casas, Comidas
Reluzes soltos de calor
De ver
Inevitáveis risos de meu ver
Palavra solta natural das lidas.

Nos lumes soltos das partes fins
Sóis finalizam
Coisas de rumos e de reviver
Palavra fé rima com o entender
Coisas que são a sé da própria vida.

Muda de mundos
Ares
Outras plagas
É o resquício imenso desta asa
Que flutua acima do que vi
E reflete em mim
Doses de parte
Imensa no mundo
Alma arde
Entranhada de Deus
De ti e de mim.

Ressaber

Potes de artes
Caem das grades
Derretem grades, cores
Pintam luares, sonhos, milhares
Aves e mares, flores.

Tintas de Kahlo
Neruda armado de desejos e odores
Tinturas ares
Novos olhares
Novos lugares
Dores.

Ser de sentindo ser
Morrer cego
Na inconsciência do onipresente mundo do ser não gente
Renascido em Deus
Deus incerto
Sonho ser, talvez doer
Parto interno de saber
Canção
Você.

Poema feito para novos amigos, (Alê Freitas e Nana principalmente, mas Virgílio e Tati tb)

Luas e Festas

Entre aspas mudo
Palavra ouro de mina
Engraçado o escuro
Das noites internas e infindas.

Entre aspas rumo
Esquina solta das tintas
Volto novo mundo
E pinto almas frescas.

Entre os planos desgarrados
Que abandono nas cidades
Ralo peitos entre as letras
E as farpas da gentileza.

E rumo solto tudo
Vasculho noites, mundos
No rasgo do presente
Sorriso do saber bom dia
Sabedoria nova
É deitar-se liso
Nas almas loucas e libertas
Navegar luas e festas.

Tambor peito tocar



Viola doido
Perguntice de outrora
Viola nova faz pinheiro balançar
Renova jeito de espaço e esperança
Não se espera com alarde
Barulho faz sol dançar.

Viola pare novo dia, novo canto
Em todo canto que o choro dominar
Choro perfeito tem viola, flauta e dança
Bicho mesmo, não se engane
Seduz-se com violar.

Menino vivo
Cai, dói, sorriso
Por isso digo que nasci pra combinar
A alegria com meus bons dias
Na arvre viva sentar e revelar
O incerto destas horas, me anima, me devora
Por isso vou agora
Tambor peito tocar.

É lua escura, preto ninja
Vagabunda, argola
Cavaco, silvas
Entre lizes e o mar
Meninas rimas
Pernambuco
Ave estrela
Rua nua paradiso
Cinema, breja
Casar
Viver benditos
Casas novas, campos extras
Luas novas
Algo rima entre rios e olhar
Mistura fina
De histórias, causos, contos
Versos tantos que tristeza
Se esconde pra não gostar.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Amores

Poetizar-me em artes muitas
Nascer em coro de loucos
Navegalizando o termo
E turma indo de ir
amando ou não o sonho não meu
E sentindo-me, antes de mais nada.

Paixão é um exercício meu de buscAmar
Quase um vício
Nisso descubro gentes e almas
Por vezes almas que expandem seus corações para além
Das garras de meu ciúme
E isso dói
Simplesmente por almas serem livres
E nem sempre ter eu aprendido a liberdade de doer-me
Sendo também livre a ver amores amando amores não meus.

Amar não é resultado de fórmula química ou exercício de ego
Nada sabe bem o amor
Sente-se, aprende-se e esquece-se
Pois rosto de amor muda
Sabor não.

Sabor de amor é sabor novo de coisa explosiva
E amor ama
Simples assim
Ama com corpos e almas, beijos e foices.

Amo assim mesmo
Tendo perto, tendo longe
Tendo mulher, tendo irmã
Porque amar é um sentindo solto
E eu assim despido do uniforme de guerreiro
Deito na água e deixo
Meu coração
Levar-me.

Sem ser rei
Reino no meu peito deixando-o trapacear minha calma
Ouço meu amor
Mulher que amo
Cíume sinto
Deixo sentir
Deixo ir
Deixo-me ir nas bandeiras do sorriso
E percebo que o amor que sinto é baile
De um rosto só
Mas este rosto sorrindo
Brilha-me
E não é preciso eu apenas ser o brilho deste rosto
Amores vão, por aí
Deixando amores no peito.

Deixado pra voltar

Remar pelo ar
Resistir a não ver
Retumbar peito e ar, ser lugar
Recolher lenha
Fogo lento
Café a reluzir, inventar
Prestar atenção nas coisas, no véio, na lua
Renascer manhã para mergulhar.

Tampar no voar
Beber mar, ser luar
Recolher sol de qualquer monte
Ruminar
Poemeus de verso e mulher
Tumbar tum de peito e voar
Soltar pipa no noturno lago
Sem ver o galho
Rir de véio a causo contar.

Jogar
Rejogar
Corpo meu
Sol no ar
Vir voltar
Decifrando o jeito do tempo
Cantar e calabocar
Pra deixar o vento iluminar
Cada água que o sonho vê
Respirar o monte do coração lá
Deixado pra voltar.

Campo Redondo



Solo luar
Palavra solta inventada de sol
Redonda lua
E redondo o lugar
Montanha, Rio, moleque
Cor de pó
Pescando coisas de chover
Volver.

Volver a mar
Rio de luxo descambando o sinal
Das cores soltas de cada grão de céu
E grão de céu a repintar o olhar
Palavra doida
Repente violar
A recompor-se
Amar a ser
Sol ser.

Tarolear
Pensando em menina a compor lugar
Nadando soltta nas linhagens do céu
No véu das noivas próprias do lugar
Cachoeirar a irmandade do véu
Vagabundando projetos de soltar
As gargalhadas de cavalo e mel
E brejas soltas na noite
A bailar
Violas novas de nascer
Sol ser.

Autobiografia momentânea - Impublicável


Sujeito grande, sujeito em transe, sujeito em trajetos extemporêneos
Sujeito a truvas e chovoadas, ladeiras e coisas soltas
Apaixonado no momento, pelo momento, pelo desejo, pelo queijo de Minas
Pelos campos, redondos ou não
Pelas luas que vi ontem
Pelas mulheres que amo e amarei
Pela mulher que amo e já não sei
Revoltado contra sistemas, se temas ou se emendas
Cansado do que não for soneto
E aluado na causa distinta de olhar o céu e ver estrelas.

Perguntas e respostas não tenho
Tenho a trilha da frente de mim
A descobrir temeroso o oco do mundo
E o silêncio enevoado dos rios.

Beijos a quem aqui veio em paz
Tchaus a quem veio em bad vibrations.

Meu dia agora começou ontem
E ouvi Alceu nas madrugas.

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Buñuel a abrilhantar poesia média de caboco sonhador.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Menina Tempo

Valha-me breja
Lua acesa
Ritmado céu
Saber mulher é ter beleza, loucura e Deus
Fogo manso
Nas verve do torso, da mão
Inventada em pranto e breu
Jogo e dança que acerte-nos no mel.


Despir-se em veios
E clareiras de mundos ao léo
Sacar do ar as mantiqueiras
Lumes de outro eu
Que cultiva a delícia
E diz ser também outro ser ou rei
Mas que finge apenas leque
Finge lei.

Despir-se dela e ao menos rir
Fingir que vai largar
Sentir os outros
Flor de liz
Rementir o pirar
Ou será que é a penas assim ser também mão
E vulcão?
Ou amar é não saber-se então?

Fazer-se ela
Rir e rir
Nascer acordar
Saber ilusão
Saber ir mesmo que for pra matar
Ego e orgulho
Ser simples, efeito, feliz
Felizmente assim ou não
Dane-se toda regra e excessão.

Nas almas, nas esquinas
Nada é mesmo tão dor
Nem mesmo o sonho e a menina
Nem mesmo o amor
Por isso aqui reincidente no vento
De querer saber sabor
Deste outro novo ar
Menina tempo.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

O simples som do voar

Engraçado dia onde penso em algumas gentes
Que são assim o simples
Vindo a apertar
O peito de uma saudade conseqüente
De um jeito seu tão bonito de contemplar
As coisas lindas que são pequenas tralhas
Sorriso vem
Abraço vem
E algo mais
Como uma dança de flores soltas
E na pia a cervejinha a descer e iluminar.

Engraçado é o que se sente neste peito
Cheio do jeito de quem tem tudo pra olhar
E que não vê
Como olha bem esta minha gente
Que vê e é firme
O simples som do voar..

Urro

Só quero rir na hora do muro
Só quero ir pro momento onde tudo
Se dana pra vida
Que neguinho me impõe sem olhar.

Eu quero sentir e chorar numa boa
Amar, danar-me por esta pessoa
Que me tocar a corda
Que tenho no coração.

Eu tô cansado de verso de eras
De canção suja manchando a tela
Eu quero ligar o foda-se pra quem não tem canção.

Dá-me o vento, a dor, o amor
Me mantenha longe então
Desta gente que não ri
Enquanto se esconde do sol
Não sou ator
Quero mudar mundos, quero gana de viver
Não quero morrer em fins.

Quero morrer no caminho da forca
Premiado pela dor que voa
Pelo bom notar das coisas
Que se fazem mundão
Porque ser é fogo e amor
É explodir canção
Comer mundos e sins
Ser um ato de tornar-se cor
Retumbar o mundo
Bater, rebater
Em quem não quer ser feliz.

A intricada trajetória do incerto

Busquei escrever poemas pra sentir o soco no peito
O soco duro de um sentimento guardado
E escrevi como fábrica, como dedos e máquina
Os perdi
Os encontrei
Nas encruzilhadas de caminhos
Que encontram-se por aí
Sós
Perdidos ou não.

A cada encruzilhada pergunto-me o sonho
E ele retribui dando a súbita integridade do olhar
Tanta coisa brilha que é impossível a paixão não domar-nos
Mesmo as paisagens mentirosas
Nos trazendo certo som que não contribui com a rima.

O amor
Este súbito penetra do poema
Quase combustível de vida e alma
Põe-se a testar o limite da fé
Não o culpo
A poesia em mim ventada
Ensina-me nos genes
Que a arte de amar
É o sacerdócio do explodir
E esticar a linha do mundo em nosso peito
Até seu rompimento.

Por isso quando amo
Deixo-me
Sou outro que não eu
E meus versos acompanham a solidão e o desejo
A carência que nubla os olhos
E arde nos dedos e peitos.

Assim, amada
Cada verso meu
É apenas o significado do egoísta sentimento de querê-la
Numa santificada história
De cerco e dúvida
Onde meus dedos
São artíficies do encanto
E algozes da calmaria
Ao entregarem-me a ti
Sem protocolos invisíveis
Métricas ou rimas rebuscadas
Apenas esta explosão
Que vê em ti o grande amor
Aquele mesmo que sorri entre navalhas
E faz da vida a intricada trajetória do incerto.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Desejo

Não sei se agora a noite é nua
Ou é só o medo
Eu dando de lambuja um sorriso vão
A rua continua toda escura
E eu sem segredo
Fingindo perceber não sei ao certo uma alegria
um tom.

O astro do teu riso
Pela lua e pelo desejo
Fingindo em teu sorriso alegria
E segredo bom
Mas tempo é uma coisa inconseqüente
Quase mesmo o tempo inteiro
E teu riso somente me transportava solidão.

E é cantar
Coisa de vento
Pra que ser hoje?
Pode ser já?
Por que não hoje se o vento traz de mim o mundo, o meio?
Porque há mais que ser desejo
Desejo imenso há mais que o ar.

Sentir amores

Falar de sonhos é engraçado com você
Que ruma em versos e concretos raros
Poemas se tornam diários de saber
Sentir o pulsar imaginário
De teu peito enquanto vivemos o azul
E o livre brilhar intenso
Das maneiras que pudemos sentir
Quando vivemos ali
Cada minuto e cada lugar
Sabendo tudo de se encontrar
E viver entre cenas e festas
Conversas soltas e risos tão fortes
Carinhos doces.

Imaginário é nunca saber
Que você existe em cada pedaço
De liberdade que eu possa conceber
Saber você é um sentido raro
De perceber toda a luz do hemisfério sul
De voar sem grilar pelas cheias
Luas a reluzir
Tudo o que sou aqui
Lendo teus versos de alma e meia
A criar, seduzir
Todos que vejam a ti
Que bom é isso
Pois posso ver tua cor
Saber de cor este encantar
E acreditar nesta festa
Que é o riso livre e nobre
De sentir amores.

Sem Sotaque

Simbora bora Hermano
Palavra dada não se nega
Falta de ar, de sonho e de terra
A gente resolve com loucura
Ou ato grande de amar coisas todas de ser
Bicho vivo petulante e out sider.

Batuca tuca Hermano
Na liqüidez da asa tonta
Blues de Birigüi retubando na cuca
E um Folk-Rock Bonomia
Transando gentes que vivem na magia de ser
Tortuosamente Samba de atabaque.

Revoluciona Hermano
Malasarteia a lua e a rua
Se em cada si
Tudo fosse da tua
Vontade de buscar e mudar
Talvez a gente andasse sobre o mar, sei lá!
Cansei de perder tempo com gente sem sotaque.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Vamos à luta

Nem Neruda nem cuba
Talvez um monte de irreais cotidianos jogados ali no chão da várzea
E muita gente, como eu, navega como se letras fossem monturos
E derramando os seis por ái
Deixam-se nos acentos errados e virgulas imaginárias.

Nem Pts ou sóis nacendo
Talvez um chilique intelectual feito Às pressas
Para impressionar meninas que passeiam a ignorar-nos
Certinhos que somos em nosso caminho desigual
A usar máscaras pesadas que nos diminuem.

Nem eu nem breu
Só um dia a mais na desmesura do tempo
Dias esses que nos permitem tudo
Mesmo que a preguiça nos intimide
E o medo de ser nos torne bundinhas perdidos.

Assim de dia somos palhacinhos mimados
De noite assumimos a máscara de canalhas empertigados
Encantamos hoje
Destruímos amanhã
Ou não
Pra que mentir e fingir doer o que não dói
Beijemos e vamos à luta.

Poema de Astros

Pode um mundo maltratar você
Se tudo em si é teu riso raro?
Se versos caminham pelos ares
Por você
E quase o riso me parece
O espasmo
Do céu a perceber-se teu
Deixando seu azul
E abraçando o lilás
De tardes inteiras
Que brincam a incluir
Estrelas e luas alí
Onde Marte se expõe a admirar
As incertezas deste teu olhar
E a lua por vezes te empresta
Um brilho que não tem nome
Só é tuas cores.

Pode o rumo da história esquecer você?
Se pareces mais que uma estrela
Muito mais que um fato.

Pode um verso meu te descrever
Se imensa em teus olhos brilha a vida, o espaço?
Engraçado perceber a estrada se alongar
E eu simplesmente azul
Construído nos mares
Tendo entre as beiras destes rios
Daqui, montanhas a cobrir
O meu sorriso cortado na flor
De descobrir solto a voar
Esperando as horas certas
De ter ver com o meu nome
Entre as ceias e universos afins
Coisas que já não li
Talvez Neruda a nos assombrar
Talvez apenas te reencontrar
E ver se a lua desperta
Ver a força de ser ontem
Fazer meu hoje.

Talvez nem hoje p/ Nana

Bonitos os dias
E eu calado olhando por você
Na mente minha de novos passados
Onde tombos me aproximaram
Do que eu sei
Ser simplesmente o extraordinário.

Pra que fingir que o azul do céu
É o mesmo azul?
Pra que mentir
E inventar mil besteiras
Quando o que sinto aqui
Entre trampo e o rir
É o lumiar cantado de nova cor
Um instrumento, um cão, gatos
Bar
E a multidão perplexa
Porque não fomos ontem
Talvez nem hoje.

Feitiços de dias
Me tornam sorriso seu
Misturo pessoas nos verbos que acato
Todo dias as ruas abrem-se como um mar
Vermelho de apreço
Como um vinho que deita o corpo em nossos lábios.

Pra que fingir que o mundo é o mesmo aqui ao sul?
Pra que mentir e negar que as freiras
Ruborizam a sentir
Esta bomba que é um sim
Que ouso até chamar de amor
Feito de ondas meio sol e mar
E que não está na promessa
Foge de todos os ontens
Talvez dos sons de feira
A tamborilar o ir
Batucada de rir
Como ribombo de um namorar
Caçada nua a desenrolar
A desinvenção da promessa
Um amor que não tem ontem
Talvez nem hoje.

Van Gogh

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Solto de Leão

Nos dias em que o olhar me queima o peito
Eu renasço
Como um sol em meio à sala
Mesmo lendo o jornal.

E saco da alma um dia, um beijo
Apaixonado pelo mundo
Pela áurea
Desta gente legal
E sinto o sabor da própria fé
No alimento que recebo
Nas palavras
Me lembro do teu riso que me encanta
E grito apaixonado, sempre
Sempre
Que soube que existe você
E descobri o amor
Todo em teu sorriso.

Baby, tua linda presença
É simplesmente a liz
do hoje.

Nas noites em que navego pelo leito
Do meu mundo, do meu sexo, da minha alma
Em meu livro, em meu mal
Entendo porque a vida nos pega de jeito
Lembro de você dançando ( E como baila!)
Respiro a vida no sal.

Acordo e percebo do café
Toda a força, todo o ritmo
Toda a alma
Me lembro de tua existência
E sonho
Com teu lábio
Mas percebo o sempre
Quente
Hoje
Porque amar você
É maior que a dor, é maior que o riso
É ser todo
Porque amar você
É amar o amor
Como ele vir vindo.

Baby, tua linda presença
É irmã, mulher, é liz
É hoje.

domingo, janeiro 08, 2006

Viniciana

É engraçada a saudade
Nada disso é nascer
Nem doer de meus olhos
Que abrem-se a ver
Os recantos da noite
Bebendo ao lado de véio e irmão.

E a cada nova beleza
Tudo é simples de ser
Quando notam-se os mundos a nos perceber
Quando novos olhares e velhos olhares
Querem ser você.

O engraçado das noites da vida
Não é a mentira de gente a não ser
É o ritmo dos ares, botecos, lugares
Parecerem teu ser.

E eu vagabundo cão
Gato novo a crescer
Canto viola corrida com Hélio a dizer
Versos meus e bilhares
Talvez mais liberdades
Noites são viver.

sábado, janeiro 07, 2006

Lua

Há verdade em um sorriso
Se teu rosto não me brilha?
És a lua
És a rua
Por onde perambula a trilha
De meu só viver
A remar o entardecer
E ser nua, toda nua
Alma feita de magias.

Como dói sentir saudade
Como foge minha vida
Se a lua
Tu, a lua
Não me trazes o que brilha.

Ana Cristina Freitas

Te sinto alma redonda
Te sinto a passear
Vejo teu rosto nos astros
E deslizo sem pensar.

O meu sentido de paz
É teu sorriso em graça
Amar-te é luz
É anil
Áries dançando febril

Eu lembro da boa areia
Lembro do teu riso cheia
Luaméricar
A caçar lados do rio
Ver musicais e sereias
Fazer-me lugar.

Caso contigo
Nas horas da música de outrora
Deixo-me pisar
Deixo-me sonhar
E sinto o lume do novo
A fazer-me amor.

Viña Gaudiana

Vinho na luz das montanhas
Amigos pra vadiar
Reduzir medos aos cacos
Tomando brisa de mar
Rebuscando a nau
Que desce o rio com asas
O mundo inteiro senil
E nós sorrindo a fio.

E de Gaudi a videira
Traz o rumo da ceia
Papo de cantar
Papo de brigar
Papo Maromba
Na batucada do ritmo
O bailar da sereia do amigo traz lar.

Na aldeia remota que se estranha na porta
Gaudi desenha mar
Catalunha a dar
Sonho pra voar
E eu menino corisco
Lembro de Nana e Súditos a desembanhar
Mazinho aviolado
Ana descendo o bairro
A Mim retornar
Na batucada do íntimo
A redesenhar aldeia
Wagner a sonhar.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Jaboticaba Boy

Jaboticaba Boy
Vendo Sanhaço, Sabiá, Cupim
Nascido em sóis de Guadalupe
Realengo, em Fins
Ao lado dos batalhões
Jogava gude e canções
Sonhava em ser lorde, ver um mundo
Um novo caminhar por mês.

Beque do Wanderley
Moleque brabo e bater em juiz
Sacana com a lei
E o pai polícia a medrar por mim
E sem saber eu ia vivo a me retocar
Destruindo meninos e deixando o mar
Sabendo tudo sem saber de mim.

Mas o mundo é cão
E cão só morde quando sente medo
Eu nunca fui peão
Só fui moleque sabido
E me vi canção
Dancei pelado nas ruas do medo
Perdi por vaidade
Mas ganhei por alma e sorriso.

E hoje tão bagual, caipirosca, caboclo, guri
Avanço o sinal
Danço na noite te vendo assim
A tão ser
Como um mundo que soube juntar
Moleque, Jaboticaba, Sabiár
Beque de Roça
Poeta
Enfim.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Tarot

Eu queria escrever uma canção que me doesse menos
Mas não uso máscaras pra mim.

Eu queria acreditar no futuro que meus ombros não carregassem
Acreditar em asas futuras e anjos piedosos
Mas meus anjos são treinadores
E meu caminho é o do Eremita.

Eu queria ser um carro, armadura, espada
Um guerreiro de sangue e suor
Um transformador de foice em punho
Mas sou Enamorado diante da escolha
Eternamente flechado na dúvida e na decisão.

A justiça e o julgamento que apareçam
No caminho de luas e sóis
Onde o Diabo, pai da dúvida, é mais que encruzilhada
É a explosão de meu ser mais escondido.

Eu queria uma canção do mundo
Onda a fortuna rodasse em olhos brilhando
Mas meu peito se desgarra Louco
Como se um Mago o tivesse encantado.

Eu queria apenas ver com os olhos da Estrela
E ter a Temperança de saber-me vivo
Porém meu destino se lambuza em taças de delírio
E a escolha, madastra
Impõe-se
Por si só
Com a dureza das cartas.

inferno?

Grande até ficava

Se soou
Foi canção de alma armada
Feita a se perder
De canção nova conhecida
Não por mim.

Soou no céu e findou
Aves que dançam
E me lembraram mar
Nas montanhas que rasgam almas
Quando o querer
Foi talvez coisa fugidia
Não por mim.

Sem pôr do sol
Nada por mim
Coisas tão tantas a ver
Vim
Tão pequenino que grande até ficava
A me perceber
E rever uma minha vida
Que nasci
Entre o som que soou
Entre as asas da alma tanta
Só por mim.

Fui entre as mesas
E a mão
Vi nenhuma lua e senti
Tão pequenino
Que grande era então
Pela vida brincando, em fria
Ou no calor do sol
Coração batendo às pampas
Me senti.

Um novo peito

Ante a cor
A flor me deu
O sentido quase fim de acreditar
E ver
O compasso simples de se lambuzar
Me lambuzei
Mas felicidade se faz só
E nem mesmo o amor
Na calma de sua presença
Pode transportar o mel
De uma existência.

Eu queria amor, mulher!
Mas a cor dos rios
Não me foi tão mãe
Até que a noite fez novo apenas dia
Amanheceu
Volto ao ofício de viver
Aprendi e fui dor
Agora sou a pena
Que destina-se ao céu
Em simplesmente essência.

É apenas ir, mulher
Talvez até sorrindo
Tristeza é mãe da fé
E do samba que nos faz nascermos dia
A cores ver
É incrível o ato de viver
E ver nestes dias porém
O nascer da luz fugidia das paixões
Rompem-se os cordões
Almas dançam a vida
A refazerem-se bem
Na construção tão bonita do calor
De um novo peito de amor.

Beduíno

Ri sarraceno alvo
Chora as mortes benditas
Traz da alma dos teus alvos
A livre cor das retinas.

Ganha teu mundo em cortes
Em sussuros, gritos, sinas
E me deslumbre os olhos
Com este sangue que me ensina
A desferir sozinho
O golpe d'alma vadia
Na doce tez da calma paz que estagna
Deixa-se amar qual criança
A ver-se brincando na areia
Transforme o amor sem a calma
Arda na floresta cheia.

Traz o livre querer, cigano alvo
Beduíno dos desertos da cheia
Tu que trouxeste o vento que ateia
Este fogo que lança-me ao espaço
Agradeço teu rosto e teu cansaço
Não me alegro, mas tampouco me deito
Apreendo das dores o apreço
De um sonho hoje transformado e limpo
Em outra fé, outro rumo,outro ofício
Sacro ofício de cantar desmantelos.

Cão da verdade
Da lida dos desertos
Tu, meu sangue, meu corpo, meus tropeços
Fala alto do livre ser acerto
Sendo o oposto absurdo de um verso
Tu que falas qual fogueira
Qual terno copo de sonho e segredos
Tu que ensinas o livre reapreço
Mostra a arma do riso ou do destino
Vendo a cor deste ferro corrosivo
Da espada do livre desejo.

A paz que me rende o olhar e a canção
É o fogo ardendo pelas cenas
Onde a alma passeia, não pequena
Beduíno, minha paz não é calma não!
Ela é valsa e guerra e mundão
Ela é a ferida que dói acesa
Neste canto onde rumos trazem a presa
Onde o riso mistura-se à fé
E a dor ensina o todo e é
Ela própria a alegria da beleza.

E Beduíno o meu sonho é tanto
Que minha cabeça não consegue sonhar
Por isso eu rodopio e finjo
Nada sentir enquanto sofro o parto
Enquanto sofro, rio e persigo meus astros.


Como meu sorriso ao te ver e entender.

Poemeus

Mãe

Em canções sem atol
Em cortes feitos
Em galhos
Entre montanhas escuras e mágicas
Sorrio a fala.

No dia a dia a ver
A solidão da entrada
Neste portal onde caem muralhas
Voltei, minha cara!

Sei que vim por canção
Por dor, amor
Doer sentindo irrazão
Criando coragem
Pra ir pra floresta.

As parafinas que queimam ao lado
Não iluminam a extinção do escravo
A busca de Odara
Neste remundo florestal dos passos
Caçando eu nascido em versos sem grades
Lembrando a palavra.

Minha cara
Sabes que meu lar
Carece do saber apenas esperar
E que tenho a brusca voz sem freio
Mas conheces meu frio, minha dor, meu querer
Sabes o meu sabor, minha voz
Meu saber
E sabes que hoje a arte
Se abre em tua festa.

Minha querida não nasci de espaços
Renasci a ler o mundo sem bagagens
Voltei, minha cara!
Tu, luz do mundo
Mãe de toda a carne
Mulher Irmã do Deus que me traz as porradas
Que ensinam-me a alma
Tua alma, mãe, tua alma.

Baby

Meus versos não são dos loucos sabedores do porvir
São chagas
São espadas desembanhadas do peito
Fugi do meu direito de ser mago de meus sonhos
Mas não fugi dos sonhos para reaprender
A magiar ser.

Senti a fúria do mundo ao entregar-me ao teu
E quis ser de repente um infante cavalheiro
Estranho e imperfeito o meu jeito de ser dono
De algo tão sem dono
Que me fez só ver
E como é bom ver.

Obrigado senhores
Obrigado senhoras
A bruxa me fez canção e doendo sou vida
Vida
A refulgir na lição que vem a cada dia
Dias.

E nas palavras inexatas que trago e trarei
Desguardo o coração
E entrego a minha mão
Seja tu a amada, a irmã ou a amiga
Cada pedaço da lida que trago da própria vida
Torna-se teu
Louca infinda.

Baby

Seja amores
Luas tantas, horas
E guarda em ti a canção
Que te escrevo em vida
Viva
Baby
Seja amores
Luas tantas, horas
E guarda em ti a canção
Que te escrevo em vida
Viva
Seja ti mesma a canção
Que torna novas as vidas.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Dançando nas Horas

Eu fui embora
E vou embora
Tô indo embora
Mundo afora
Voltei agora
Já volto embora
Navegando pelas águas de um torto coração.

Entra ação
E ano vai
Meio invento
Meio canção
Não sou de nada
Sou de briga não
Mas não sou flor
E nem vilão
Eu só quero ser amor
E força de coração.

Eu navego pelo meio
Deste mundo sou inteiro
Vejo ela chegar
Rio dela chegar
E me solto na canção
Que a bela hoje deixa
E minha alma é seu corpo
A me notar
Em meus olhos sua alma
Faz o sonho rebrilhar.

Eu vou embora
Eu fui embora
Já volto nego e vou embora
Volto índio e vou embora
Vejo meu ritmo vindo afora
E danço nas horas.

Manifesto do M.I.M



Porquê me importar com causas nordestinas, sabatinas sobre a morte de doze mil meninas, as senzalas, os negros, os brancos nas esquinas? Porquê gritar pelas vidas Severinas? Porque a causa é o HOMEM! Em seus segundos e minutos. Em seus súbitos destinos. Em seu medo, sua tortura, sua liberdade enclausurada. Em milhões de cláusulas e "concessões". Abaixo as regulamentações!!! Um HOMEM não é lei ou rei, detalhe ou retalho costurado por discursos ou lutas pró-revoluções pop-stars. A liberdade e o poder do ser humano em comunhão com a imensidão dos universos. A estrutura essência da guerra pela perfeição. A destruição dos limites, conhecimento das infinitas realidades, infinitas variáveis de construção de mundos e fundos. A guerra, a paz, a verdade, a liberdade, o bem, o mal, os segundos que se chamam tempo, o beijo de língua estalada na boca do destino, o infinito, o sonho dos deuses, o sonho... Seja lá qual for o seu sentido, seu destino!

Movimento da Incoerência Mineira

Falar de política hoje é até um esforço. Até porque meu pensamento está em poemas e amores.

Porém é mais que necessário entender um quadro onde tudo o que acontece é um mais do mesmo, uma busca do poder pelo poder, como se o poder fosse algo além de um compartilhar o mundo em liberdade.

Nunca fui completamente nada em política, apenas busquei sempre a mudança e a revolução, seja ela feita através dos versos anarquistas de Wilde ou do pragmatismo panfletário de Lênin e Trotski.

Hoje no entanto volto a pensar em política e sinto que cada ato, denúncia ou luta, jamais pode ser engessado por limites estatutários e óticas de eleição. Nem mesmo quando instrumentos importantes como o parlamento ficam perto das mãos. Porque estas mãos estão impregnadas de divisão e falta de liberdade.

Durante anos militei no campo da arte, com atuação clara nas ruas, denúncias e uma busca constante de expressão da realidade onde tudo parecia conspirar a manter absurdamente a divfisão entre pessoas, classes, sonhos. E sonhava com um mundo onde cada um de nós não precisasse ser escravo de outrem, no amor, no trabalho, na vida enfim. Neste período militava no Movimento da Incoerência Mineira, que hoje renasce.

Renasce não como a expressão inútil de gente sentada na poltrona, chorando traições derramadas ou partidos fracassados, mas como a expressão de gente que percebe de novo que nada, realmente, vai mudar enquanto formos todos gado em uma estrutura repetitiva de burocracia e lutas pró-forma, feita para fazer líderes poderosos e bases mortas.

Renasce da vontade de continuar numa luta gloriosa de ser e viver, como pessoas, dignas, que sonham e escrevem arte. Como um Gato Risonho de Alice, sendo um e muitos ao mesmo tempo.

Não há P-SÓIS, PTs, nada que configure diferença, pois seguimos os quadro mundial de institucionalização da revolta e distância de povo. Não há sindicatos, movimentos, há é a eterna concretização da distância, da desigualdade, desigualdade mantida pela arrogância dos que acham que possuem solução pra tudo.

Não sei se isso é anarquismo, sei que isso é M.I.M, porque em M.I.M nasceu um sol real e reacendi este fogo, pra brilhar a lua ao meio dia, transformar tempestade em calmaria, dando um beijo no fio da navalha, gargalhando e sorrindo de agonia.

O Sorriso que encanta o peito do poeta

Tudo poderia ocorrer no murmúrio da sapiência
Porém minha poesia que hoje arde
Não é apenas pálida expressão de máscaras
É o som natural do ser a resgatar-se
Por isso nasço a cada som de voz
Que rompa a pálida expressão de dias vulgares.

Não conheço os protocolos necessários
E nem o cerimonial perfeito do consorte
Nasci sem ordem ou equilíbrio
Apenas nos passos do que sinto
E no balanço das quedas e rumos
Feliz com a opção de não calar-me
Quando arde no peito o segredo de amar.

A busca do amor me fez delírio
E assim, no medo constante e na adrenalina da coragem
Sigo como novo
Sabendo que a cada mudança
Novos versos virão
E nada mais importa além da visão
Do sorriso que encanta o peito do poeta.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Querer



Eu quero novamente
Sacudir de mim as inverdades e máscaras
Que transpassam meu peito nas dúvidas.

Eu quero caminhar por esta via de inverso acesso e loucura
Chamada amor
Que tanto meu deu pelos anos
E que hoje me apavora
Na intensidade de um mundo novo.

Quero o cheiro novo
Da alegria de teu rosto
E do prazer em tocar-me
Enquanto a dança brilhava
Em uma noite jamais esquecida.

Eu quero esquecer o livro que sou
E escrevê-lo novamente
Com a tinta de um gesto teu
Enquanto abraço a ventania
E viro uma pipa que nunca fui.

Eu quero tanto ouvir-te
Tocar-te
Contemplar-te
Que a esperança marca meu caminho
E faz-me
Simplesmente faz-me
Assim como eu, hoje frágil e feliz
Sem esconder que perdido
Passeio pelas ruas a pensar em ti
E a deleitar-me com cheiros e músicas.

Quero ver teus cabelos vermelhos
Teu sorriso
Tua mudança
Teu resmungo
Quero saber-te
E nisto quero sem véus
Porque o que sinto me dá a coragem
De desnudar-me
E ser teu sem concessões
Só a imensa e maravilhosa liberdade de perder-me
Nas costas do teu corpo
E no som de tua voz.

Ah, como teu brilho me cega e encanta.

Como quero Nana rindo ou não a meu lado
A deixar-me contemplá-la
Enquanto ouvia a chuva e sentia o peito querer tanto
A ponto de doer na espera de teus gestos.

Quero-te como quero a vida
Como uma porta independente para a transformação da alma
Como um anjo que não se reconhece nas asas
E faz de nós meninos.

Quero reecrever mais uma vez meus passos
E reconhecer a vida
Que vi tanto antes de esquecer na spedras o brilho do sol.

Quero de novo a força de ver-me nu
E sentir o gelo das águas em minha alma
A transformar-me
E a permitir-me.

Quero a força de ver-te e ser teu
Com a tarefa árdua de saber-te
Tocar-te
Sem ser pedra solta em meio ao caminho.

Reflexões

Sentir é algo que traz mutações, e dói mudar. Em mim mudanças são feitas a ferro e fogo, eu que por vezes desconheço-me demais e perambulo pelos dias tentando ser cada vez mais um eu que não conheço.

Sou mais aventureiro que a média, mas tem gente mais aventureira que eu. Não ligo pra isso, tento aprender. De tudo o que acredito, o amor é o mais importante, porque doendo ounão ele traz o vento novo de uma mudança, muito medo, mas mudança. Porque medo nunca me amarrou, jamais me calei pro medo, tranquei-me por medo ou tive a vontade de esconder-me do vento da vida.

Vida, como diz meu pai, é pra ser vivida, não contemplada. Quem fica olhando a banda passar vê o trem da vida passar por você. "Eu quero um trem, eu preciso de um trem".

O trem meio que chegou, me assustando com o fogo,a fumaça e a velocidade. Eu, pra muitos mais veloz que Mercúrio, quase não vi o rastro, mas consegui pegar a máquina e seguir nela, me segurando, pegandoo ritmo, que aindanão peguei.

A moça que passou como trem por mim, em mim chamasse Nana. Alguém muito presente neste blog ultimamente. E não ligo se por vezes ela me olha como quem me detesta ou me olha com carinho, é dela o olhar e é a ela, que muda como o vento, quem eu quero.

Não quero por vaidade e nem sempre por prazer, mas por um sentimento que ouso chamar de amor e que minha intuição diz ser algo feito para que minha luz aumente. Não me peçam para explicar, luz é como coisa que cega por um tempo, mas depois clareia e a sabedoria que busco me diz pra arriscar.

Ouso chamar de amor, porque não se quer egoísta e nem arrogante, se busca humilde, na querência de aprender a voar como o vento, eu um fogo teimoso que muda devagar.

Ouso chamar de amor porque ao contrário da definição de Coelho, pra mim amor além de devorar é aquele que a tudo supera. E não se perde vida por perder escamas subindo na correnteza.E nem por querer amar e conhecer, indo mais fundo, alguém que não se prende a nada.

As reflexões de mudança não foram feitas com a maturidade que achava ter, nem com qualquer sentido de razão maior. Escrevo isto porque minha alma clama por exprimir um todo sentimento que pulsa e dói como um prazer. Refleti depois de ir e voltar, de um lugar maravilhoso, onde o amor que eu buscava lá estava e não estava ao mesmo tempo. Incompreensível, principalmente para quem a tudo busca compreender, ansioso que só. Mas estava lá e está gravado no peito.

Dádiva ( p/ Nana)

Procurei em calcanhotos
Um sentido pra versos feitos para você
Porque por mais que sonhe outros sonhos
E trema pelos medos que costumo trazer
É em ti que penso.

Procurei em jobins o som que definisse
O que sinto entre peitos
E me lembrei que rotulo potes e gentes
E que a ti não é prazeiroso rótulos
Parei assim e escrevi
Escrevi como se meus dedos dependessem dos versos
E como se cada verso fugisse de mim danado
Porque é em ti que penso
E sinto.

No dia em que te vi, dançamos e cantamos
E valeu
Simplemente valeu cada minuto, mais que os dias restantes
Porque senti a explosão
O verso meu perder os motivos de ser verso
E tocar batuques sambantes.

Não, não sou encantador
Nem tão livre quanto o pássaro que és
Por vezes banal
Por vezes deitado na amarra do medo
Por vezes aventureiro inteiro
Que quer o maço de cigarro ao lado
E teu rosto a deslumbrar-me os dias.

Pensei na ansiedade, nos anos mudando
E em mim a sensação da velhice nova
E da infância perpétua
Pensei em ti a cada minuto
Com dor, com amor
Com o sabor da fruta mordida, mesmo sem tranqüilidade
Porque tenho a tensão dos que não acreditam no futuro
E sonho com planos impossíveis
Que amarrem um pedaço de futuro qualquer que me lembre alegria
Porque hoje a alegria que tenho é teu rosto em meus pensamentos.

Posso te perder, embora vá lutar até o fim
Posso porque gravaste a fogo tua alma em mim
Tu que me traz dor
Me traz o doce saber dos dias soltos
E o amor enviesado que me solta o sonho.

Mas te quero
E dizer isso assume o sagrado risco da insanidade
Porque penso em ti o todo dos dias
E gosto
Porque amar vale a mudança de mim inteiro
E amar é dádiva
Como teu rosto.

Deixando poemas sairem do peito

Demais ( Ao som de Demais de Tom jobim)

Não me acho na beira do cais
Não me encontro voando sem ais
Minha vida é armada
Pilantra, jogada
No meio do ir pelo mar, pelo bar.

Mesmo rindo eu finjo demais
Mesmo indo eu fico demais
Na beira dos cigarros
Dos tocos jogados
Entre alguns planos e ausências demais.

Não me engano
Nesta existência sem quê
Tranço poemas soltos
Que nem eu vou ler
Minha razão é um limite banal
Pro que meu coração insiste
Dedo em riste
Sem ar.

E me calo ou falo demais
Danço samba ou tangos astrais
E me fico deitado, imerso
Nas poças desta paixão tão grande
Que arrumei por você ser
Tão enorme demais.

Bucaneiro

O que é o amor, Meu amor?
Será uma integridade
Ou um subterfúgio da dor
Uma alteridade?
Meu peito vaga inteiro
Sem respostas em pontes que partiu
Maramar
Marinheiro
Navagando pouco sutil
Ansioso nas asas
Da própria agonia
A respirar as palavras
E nem sempre em bons dias.

Por vezes em amarras no porto
Por vezes em mares alheios
Querendo mares sem porto
Vagabundo, Marinheiro
Nesta lei
De ir e partir
E voltar à ilhas, bucaneiro
Rindo, sofrido ou perdido
Pegando ondas na praia
Ou curtindo a maresia
Destas àguas soltas , ondas fartas
Ou no fogo dos bons dias.

Hoje meu mar é teu rosto
Meu butim e meu janeiro
Meu março feito de novo
Vagabundo, Bucaneiro.