domingo, fevereiro 05, 2006

Cores

Verde alma ver
De perto tanto
Ato ar de inverso
Lume e rumo azul das periferias
Deste ouro alma
Verde inverso ver
De perto o momento
Casualmente insão das melhoras da revolução.

Revolutas, Cinzas
Fogo
Queima a palha
Deste som de inverno
Inventar momento
Sol de queimar rimas
Solo de palavras
Ato, mata, verde
Rebuscar momentos
Casualmente sem dom
Nestas coisas de direção.

Brancamente imprima
Pretas versejadas
Rasgue solamente
Amarelos tentos
De perder-se em milhas
E republicalhas
De gentes e gestos
Natural meu tempo
De buscar sentir em sons
Tropicálias e sons de Tom.

Gemarianas

Hablar
Versos
Sobretons
De pinturas línguas e sons
Sacudir e ir entre as pernas
Os dedais
Ar Tesão
De mares e explosões
Sem dúvidas indo em demão
Pelo estar
Multisentidos.

Misturar e remar ascensos
Rumos
Remuniciar
Os incensos e versos do mundo
Por relar no estar
A ser
A tudo
Tudo mesmo olhar encantando teu ser com meu mundo.

Unimultinventos

Se rola a tumbadora
Mudo de palavra
Respiro quase um não ardor
Neste acordar sem me ir
Por entre hardcores
Fora das quebradas
Me deliciando em cenas
Onde o som
É a munição que pega
Atirando coisas
Batucando em mim
De prima
Ardor causa momentos
Que podem ser ou febre ou cinza.

Rolando o tambor deste não sentido
Requebro numa lenta
Câmera feita de mãos fechadas
Me pegue talvez numa tomada
Onde o meu desamor não vá rolar
Por aí
Pois amor que já não cura
Muda de empreitada
E se retringe em tempo
Multi mil tempos
Reversos
Asas.

Calor que dói na pele
E reproduz alma
Sem reter-se nos tantos
Tempos, Relentos
Emoção rasgada.

Amor me conduza ou não faça nada
Unimultinventos
Conduzam tentos
Ou calem-se em mágoa.

Tiras não poéticas

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Versos Galantes

Vento sem tempo
Invenção
Tento pôr neste ar tudo o que se pensou
Acabo o show que me revela o momento
Dou meu sorriso
E desfio a cor
Do inverso meu que vejo em versos e horas.


Assim aumento
Exagero o intento
Desfilo em paz falsa de bom ator
Saber e ver não é apenas talento
É dom que ainda não possuo em flor
Porque meu eu
Não vê o inverso
De todo eu
E entende o que faz-se aurora.

Por mais que ainda sinta dor
Reverto a ineficaz e distante
Espera de qualquer outra flor
Vôo para bailar
Versos Galantes.

Bons dias

Verdes
Olhares, Rostos
Decifrando alma, fala
Palavras que dão bom dia
Desfilam como casais
E verem-se astro.

Eu mesmo mais velho e moço
Menino em disparada
Resvalo nas melodias
E queimo mi corazón
A medir-me alto
Canto em Baixo.

E os verdes dos sóis cansados
Dos Cavaleiros de Ofício
Deslizam por entre o linho
Trançado de Bolsas, sons
Cantados nos tons de cada sorriso.

Parelhos a cada lado
Do paradoxo das veias
De cada homem de hino
Vestígios de novos ares
Passam ingênuos
E tornam-se sóis alvos.

Há mesmo a paz dos bons dias?

terça-feira, janeiro 31, 2006

Mar

Na voz que ouvi do mar
Redescubro as curvas
Destes mundos tantos
E sei que a cada presença sempre ecoa
A vida.

E sei da beleza pela eterna mudança
Da rua, da cabeça
Da lida.

Que todo o mar
Seja aqui.

E o risco de ver assim tanta gente
Nascendo na gente, e sempre
É ver que a cada pessoa
Ecoa novo ar de linda
E eterna perseverança
Das luas
Estrelas e infindas
Ondas de um ar
Novo enfim.

Que a alma sempre transceda o sol
Revivendo os dias
Como se os dias fossem o sal
que marca e doura a pele sob o sol.

Na paz de qualquer um sorriso
Só há o amor
Se amor for irmão
Na alma que se transforma em sol.

A cena mais bela
É pequena
Diante da imensa força que há então
Neste toda essencia dos tempos
Que ecoa, ecoa
Gentes são manhãs.

Que bom ser mar
Ser aqui.

31/01/2006 - Para Alê e Rê

Minha alma alenta
Esta infância hoje retratada
Quando soube e sorri
Destas maravilhas
Que adornam o sorriso de um pai
Vendo o amor sorrir.

Dono das canções que abrem almas
Sorria das esperanças de teu eu
Fale algo que incinda
Que nos torne nova História,Novo Deus.

Bela voz que hoje rasga esta eterna luz que riu
E fez-se trem
Como além das almas abrem-se os trilhos do que vem
Além
Fazendo de peitos pessoas
Inundando corações
De uma alegria que escorre sobre os risos e paixões.

Sorriso que nutre
Perdoe-me os versos a mais
Desta quebrada do meu peito, de minha fé
Poeta perdoa
Esta hora eu sorrio e explodo, como se é
Intenso e enorme abraço, como um laço
Como espaço que se é
Ouvindo canções marcadas, infindas, até agora neste peito
Amigo, inté.

Fatal

Sabugos olhos
Revezes de couro e de leite
Coronéis desgarrados de algo
Do êxtase covarde
De verem-se acima demais.

Destes todos nós porcos, gados
Reses
Fudidos e mal comidos
No espaço que inverte
O todo decente
Das pessoas astrais.

Pará
Milagre de Deus a tudo minguar
Minas de minas e horas
Gerais de lugar onde indignos são donos.

Faremos, será, todo o mar, todo o ar
Ajoelharem-se sem a mentira caótica
De sermos escravos de gentes
E prantos?

Senhores Cegos
Reizinhos minguados
Sem seres
Em frente ao seu micha cerco de mulheres
Se fazem crentes, sobrenaturais.

Enquanto cresce no ar
Alimentado por medos
A faca, o tiro, o sangue
Milhões, muitas vezes
Impacientes pelo golpe que vai
Achar o cerne
O verme
Das costas, dos Peitos
Na morte da própria fome de justiça
Na sede
De tão somente
Libertar-se em paz.

Pois não?
Somos humanos
Calangos, rivais
Inteiros na estupidez que não some jamais
Nesta paz, nesta paz maceira
Que invade e vai
A calar nosso destino
Nossa mais profunda verdade
Fechada por demais
Nos tons de ordem sem dom
De manter-nos
Jamais.

E nós, calados, escondidos
Profundos, com medo
Sorrimos e rimos, findos
Buscando o rumo
Do Golpe mudo
Íntimo
Fatal.

Tantas Cores

Calor que por calor
Se faz sorriso de outro ser
Palavra tão distinta
Vestida assim a parecer
Um velho Dom Casmurro
Embriagando-se de ver
Estradas e invólucros
Cidades de conhecer.

Qual quadro de Picasso
Colagem própria de querer
Coração rasgado
Ardendo todo de saber
Amar amor amando
Apaixonado por você
E por tantas cores
Que preciso entender.

Amor imerso

Sem ar
Desgustando passados
Parti a não ver outro ser
Para um rumo onde não há dois
E feito quem derruba paredes
Nem doce ou atroz
Só às vezes
Perdido entre lábios femininos
Substituindo paz por ombros distintos.

Saio feito quem tange reses
Nos morros que outrora
Fez vezes
De sonho peculiar
Que fui abandonar.

E tanto me preocupa o fim das horas
Nesta cor que parece com mil janelas
Há tanta saudade
Que haja imenso coração
Terá a busca de amor alguma razão?

Cede o Céu sua parte
E nas estrelas vejo então
Amor imerso
Mas vivo
Em vão.

Que a lua acenda

Eu quero sair do rumo confuso
Coração sonha, mente desquer
Que torna-me incêndio em própria alma
Não que eu não o queira ser.

Mas há calores à volta do meu viver
E me roubaste assim
Um caminho, um sonho
Porque fui te querer?

Nâo dá pra esconder que ainda estás em mim
Será por só ser a diferença?

Pareces em cheio um alvo, um mundo
Desafiante demais
Para meninos que partem a sós
Num rumo tão distante da paz.

Porque este querer
Rasga-me inteiro
Enfim?
Porque não querer
Que a lua acenda
E ensine-me a voar?

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Liberdade: Muito mais que teoria

Discutir liberdade é complicado.

A lógica da liberdade em si, no mundo de hoje principalmente, tende a confundir a liberdade com vôos soltos por aí, como se preços não houvessem.

Outro problema que ocorre normalmente é a penetração no ideário particular, ou mesmo coletiva, da lógica liberal de liberdade, direito automático de fazer qualquer coisa, desde que com dinheiro, além de liberdade ser a plena expressão do que se é. Esta contaminação cultural nem sempre permite que a compreensão da liberdade se expanda de forma nítida. Cria uma falsa noção de liberdade, quando no máximo somos escravos felizes e bem alimentados.

Liberdade, em um conceito que acredito, é o total controle sobre nossas vidas, que vai desde a manifestação cultural individual ou coletiva até a forma de lidar com o amor, com a construção de um mundo, recebendo a dádiva disto, mas também os preços da cada ato. Como uma música do Raul Seixas dizia: ?Direito de ser carregado ou carregar gente nas costas.?.

O problema básico desta noção de liberdade é que ela enfrenta de forma clara toda uma formatação de mundo que confunde Responsabilidade com Prisão e delimita os espaços de expressão de vida à quantidade de dinheiro existente na carteira, ou seja, no mundo hoje liberdade é para quem pode e não para quem quer. Quem não pode dança na escravidão total: Intelectual, emocional, produtiva, etc.

Então se chega à conclusão óbvia da necessidade de enfrentamento das condições limitantes à liberdade real. Um enfrentamento constante e global que permita a todos os indivíduos o usufruto desta liberdade.

Este combate tem em si mesmo o paradoxo normal a tudo o que contém diversidade, e o paradoxo intrínseco à mesma liberdade. A diversidade causa divisão e lógicas diferentes de combate, óticas diversas de como combater. Alguns buscam a institucionalidade mesma que inibe à plena existência da liberdade, outros buscam no individualismo outsider este combate, terceiros buscam organizar-se de forma a lutar por um rompimento rápido e clássico com os grilhões do atual sistema. Há erro nesta divisão? Não. Há erro na manutenção desta divisão no plano do combate aos grilhões.

Anarquistas, Socialistas, Comunistas, todos buscam o enfrentamento do máquina de moer carne capitalista, todos buscam o rompimento deste grilhão produtivo, cultural, intelectual e todos querem a liberdade de forma ampla. Alguns vêem a mesma com mais limitação econômica, outros de forma plena. Porém somos todos os soldados da mesma guerra.

A liberdade é o alvo necessário, é a única forma de real evolução humana, e esta é uma consciência que deve ultrapassar toda e qualquer limitação de ótica teórica. Ou a teoria é mais realista que o Rei? Ou a teoria substitui completamente a simples e óbvia observação do fato real? Será realmente que cada miserável à nossa frente é um ator de filme de quinta? Nossas divergências podem realmente ser mais fortes do que estas cenas?

Estas perguntas não têm nenhuma inocência, não busco aqui colocar a paz na terra aos homens de boa vontade, e nem transformar inimigos ferrenhos em fraternos Santos de Da Vinci, mas tentar uma conscientização óbvia. Somos fracos em nossos guetos e mesmo unidos, precisamos de mais que belos discursos, precisamos de uma união que toque ao máximo a população que deveríamos defender e conscientizar. Porque Liberdade é grande demais para viver em nossas mentes e corações. Ela precisa ser tão solta quanto seu conceito.

Esta é nossa responsabilidade.

Hai Kais Atenienses

Se eu fosse a Pessoa
Do pessoa
Mudava de dente e idade

___________________________

Transitando
Os Quintanas
Marcharam Passo a linho.

__________________________

Poemas de dúvida
Acariciam Plenamente
Eternidades

_________________________

Daqui a pouco
De modo súbito
Sussurrarei bons dias

________________________

Sabe Margarida!
Você tão fútil,
É a cara daquela flor.

_________________________

Zen
Vergonha nenhuma
Publiquei versos tortos.

_________________________

A figura da linguagem
Em eufemismos
Fantasia-se de horas.

_________________________

Amores e dores
Quando acordam cedo
Brincam de aguar olhos.

__________________________
O Cansaço
Diariamente
Rotina a vida.

__________________________

Aquelas pedras portuguesas
Todas botafoguenses
São a Cara do Martinho da Vila.

____________________________

Jacareí
Longe no Tempo e Espaço
Parece a França de manhã.

_____________________________

Andando diariamente
Por aí calado
Vi fórforos dançando tango.

______________________________

Minutos atrás
Devolvendo laços velhos
Agarrei-me na saudade.

Vales

Em tempo
Meu amor
É como a distensão da cor dos ventos
É como inevitável som
Perfeito
Invento-o por demais
Sou criador enfim.

Nas cores das velas
Que o vento faz em pedaços
Me entrego na sina
De sonhador dos vastos
Vales que agora pinto entre risos.


Tristeza nem sempre me vale
Alegria agora é qual arte
Nasce forçada nos gritos
Que invento sem saber
Sem motivo
Por querer
Apenas e só ser ouvido.

Amores e Solidão

No peito alma fera
Destino de agora
Partículas de horas matutando ventos
Heróicos sobrenomes a gastar o tempo
Com tolas sumidades de decoração.

No peito alma fera
Radical de agora
Sorriso frio
Embora saudoso do intento
De ganhar liberdades, bocas, sofrimentos
Partilhando verdades
Sóis de oração.

Feita à mão
A alma desenterra
Tristezas ilusórias
Navega em parco tempo
Sonhando coisas novas
De alcançar vento
Vendo apenas arte no coração.

Como se nas manhãs e nos afins
Não houvesse a verdade dos sorrisos
E cada insano
Delírio em crivos
Fosse mais que se sente nas manhãs.

Nesta manhã não houve sonho inteiro
Só a ausência completa
Feminina
De um surto que torna alma minha
A viragem de viola e perdão
Sonho vão.

Como se a ausência que perdi
Me limasse a paz que não entendo
E o som que me trouxe beleza e medo
Revelasse bem mais que quero então.

E assim quase em mudo sussuro
Nestas Lapas que matam-me a sina
Guadalupes guardados em cantigas
Rio longe de meu sonho tão vão
Eu, um vão.

Rap Sódia II

Como não me lembrar
Das ilustres vantagens do aceite
Dos amigos banhados no deleite
De noites e tardes.

Reviver neste lugar
Inudações de versos e meses
Esperando sorrisos
Que emendem loucas saudades.

Nada a dizer
Só contemplar
Ouvir melhor o som divino
Perceber, derreter queridos amigos
E pelo ar
Solto a voar sentindo nítidas auroras
Há mais que eu mesmo criei aqui
A ouvir tais canções
Que explodem paixões
Em mim.

Rap Sódia

Noites de Albatroz
Chuva pequena
Saborosa
Irei despentear pavões
Ouvir Alê e ignorar ocêis
Que multiplicam irrazões
Fogem de si em meio a vãos
Descartes de mal rock
Não ouvindo a sorte encantar vocês.

Saber-me outra vez
Olhar o Bosco conversar com giz
A libriana Rê a destilar amores não servis
Mesmo não vendo a luz que queria notar
Percebendo novas gentes
Mar
De canções nuas
Poemas raiz.

Cada uma canção é mais que uma
É quase o perfeito
Diagrama do chão
Acertando o infinito.

Toque na minha mão
Mulher que busca defensor perfeito
Porque minha vaidade então abandonou-me
no recinto.

Rap Sódia total
Noites deslizando assim
E deixando bucal gosto de outra noite sem fim
Pois meu ser
Se perde sempre a se apaixonar
Mesmo esperando a louca pintar
Olhando musas a me delirar
Ouvindo músicas de divino festim.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Querubins noutro ser

Já não sei dizer que já subi no pódio
Já não vou sair pelos mundos óbvios
Sinto por demais calor
Hoje acreditei em matar meu tempo
E sair pra ver algum cinema em ventos
Esqueci de rir
E passei em vão pelo torpor
Declinei palavra
Declinei sorriso
Achei por bem ver estrelas, orifícios
Responder nãos específicos com tchaus.

Surrealizei esta coisa sonho
Percebi nambuco em maracatu esperto
Fiquei mei lerdo
Sacudi meus mucos, meus olhares curvos
Esqueleto em meio ao ganhar um beijo
Esqueci do tédio por querer milagres em vão.

Vi Jesus na Lapa
São Francisco lindo
Toquei com Mozarte
Tons de todo ouvido
Delirei nas coisas livro de bem ou mal.

Verso meu vez em quando mudo
Nem sempre escrevo como todo antes
Pelos dias todos eu navego
Navego a ler
Querubins noutro ser.

Testemunho

Eu não quero saber certo
Eu não sei nenhum sentido
Tô perdido e repleto
De uma raça que destrói completamente
E felizmente
Sóis sem cor
Sem sabor.

Eu não moro mais comigo
Meu senhor
Eu nem mesmo moro perto
Me disseram que consigo
Irritar qualquer um falando mundos
E sabores
De valor
Meu valor
Meu sabor.

Não sei reler
Não sei rever
Nada que não queira
Amor é uma bomba
Que derrete
Dor é coisa de cantor
Tantas coisas, tanto tempo
Eu só pressinto o que sou.

Mas ainda assim sorrio, na palavra
Oh! my lord! Que futuro?
Eu quero o tempo inteiro, quero tudo
Quero rasgar a alma
Neste rumo
Quero a flor
Vidro, amor.

Bate este tambor logo
Não tenho paciência não
Eu só quero ver a sério
Estas coisas que se dizem mistérios
Pra contar pra todo mundo
Sem temor
Sem fervor.

Só quem geme
Só quem treme
Sabe qualquer coisa
Vou ir na onda
Destes ventos
Me cansei de sentir calor.

Saia

Saia
Te rodeia
Nas circunstâncias livres de mim
Palavra amarga
Não sorri na tua sombra
Tu és assim.

Como um vislumbre
Da coisa certa que dá (dá?)
Nas partes surdas
Erguidas solamente por teu olhar.

Vem na fé!

Vem maria louca
Transformar meu mundo de cão
Cubano em tuba
Maxixe sem vergonha em filme alemão.

Levanta a saia
Saia de mim feito vulcão
Um parto duro
Com gotas de desejo
Pieguice
Canção.

Vem na fé
Vou a pé
Pra ver-te
A ser só mulher.

Serei-me hoje

Pilatos em filmes da Tv
Parece nuvem, aparecem lábios
Inventários redundantes de saber
Amor perplexo e encadernado.

Vagabundo solto-me por aí
Escolho torres, montanhas, lagos
Como um Deus de feroz sorriso
Algoz do Eu
Pilantra em versos e novos saltos.

Tudo isso é cruz ou milagre
Feito luz?
Tudo isso é felicidade
Ou é bobeira de inverso aprendiz
De tudo o que ri
Em nome de todo amor
Em nome cujo nem sei mais lembrar?
Eu gosto mesmo de me apaixonar
E soltar-me entre as esferas
Mundos feitos sobrenome
Tabaco doce.

Subúrbios rebatem no meu ser
Um samba novo ou velho, usado
Acordes, violas e eu mesmo
Serei um arlequim cansado?

Brilhante é notar que não há sorriso nú
Paixões voam ao ar
E mares de gibeira me revelam a mim
Eu que vim por aqui
Fugindo de um velho calor
Das maresias que fizeram mar
E hoje saudosas de me encantar
Propõem coisas de festas
Carnavais nem tão distantes
De cores
Feitas de aqui e alí
Onde eu mesmo me vim?
Serei um novo bom ator
Um resmungo de qualquer lugar?
Rapsódia nova a encontrar
Talvez revele-me a certa
Intenção que perdi ontem
Serei-me hoje.

Pedaços de ninguém

Rasgato obtusos
Modos de dar flores
A seres sem nome
Reduzo as coisas à pequenos ares
Dores
Coleciono fusos de horários vãos
Entre rios e nuvens
Resvalado numa febre que invade a alma
Opressora
Liberto-me em Hidrantes
Que vejo rimar com moças
Que passam mal.

Resgato outros rumos
E dou -me um presente
Desligo o telefone
Sapeco o mar de nomes
Respingo telas e fontes
Entre as pernas e os braços
Que danço, rimo e trago
Faço a festa da própria festa
Vago nesta lua eterna
Que desenho com vagos
Pincéis de mil cores.

Repintado e confuso
Olho os móveis jogados
A ver as andanças
Sujando pisos e estantes
Assim encimesmado
Vejo o lago
Reduzo-me a cortes
Feitos no rosto, nos corpos
Pedaços de ninguém.

E assim enfileirado
Nestas regras que hoje rasgo
Vejo a velha lua velha
Brilhando sobre os braços
Que trago em meu nome.

Rostos que mostro

Não, sentido oposto
Não há sentido tempo
Sentidor de algos novos
Me posto
Nas indelicadezas cores
De destinos deslavados
E saber-se outro açores
Escravo.

O importante é o rosto
Desta ausência de bom tempo
Deste sol que torra amores
E ócios
Na dislexia de poemas
Na ausência de sentidos
Na cadência de um poema sem livros
Perambulando por invernos
Catando inteligências
Estéticas sem pernas ou vidas.

Assim calado, oposto
Ao que torna-me terno
Assim feito suores e versos
Construo
Pedra pome
Edifícios de Estados
Anarquias de motivos
E alvos
Porque o que importa é meu rosto
Deslavando-se a tempo
De explodir rejeitos, nomes
E postos.

Eu rejeito-me oposto
E me roço nos infernos
Celestizo outros formas
E versos
Porque inverso ao que mudo
E calado em intento
Na produção dos sem sentido
No sentido que eterno
Paradoxal morre morto
De cansaço pelos versos
E inverte alternativas
E ilude almas covardes.

Porque repete-se o torto
Jeito quase sempre tenso
De versar sobre mil coisas
E rostos que mostro.

Inverso ao próprio nome
que me deram em altas tardes
Rasgo a roupa do meu medo
Faço alarde.

Grooves n'alma

Hardcore
Cães
Pernambucanoss Grooves n'alma
A se abandonar
Pelas trilhas nordestinas de ouvir cantar.

Tambor tocar
Guitarra a derreter
Perder-se no imenso viver
Razões, espaços, canção
Sem rejeitar
Balaços de sonho ter
Parábolas de viver
O importante da canção.

E pra que falar de amor?
Amor não é pra falar
É pra tocar miudinho
Retratando quebradas de morro
De linhos
Sacudir
Levantar poeira do coração.

Tambor tocar
Groove de alma a saber
O corpo no balancê
Da trilha desta canção.

Resumo

Sorri ente trilhos e ventos
Chorei
E os tempos
Dos pingos dos olhos pintaram repletos destinos
Sabe, cada gota que embalo
Nos olhos que hoje pintei
Transforma a beleza da arte
Em algo que sei.


Calei-e ante a morte sem planos
Outra pessoa que morre
Transforma em detalhes
Cada plano de vida
E assim perco-me dos detalhes
Revejo o sol e a cor
De cada insana palavra
Que Deus retrucou.

Desfaço-me da forma
Que inibe-me a dar
Aos tempos nomes e tantas
Verdades e planos
Deixo-me ao ar
E sigo a emoção que encanta.

Parti-me em pedaços cantando
Colei-os com vidros
Pintados à mão pelas meninas
Bailadas em festa
E agora me resta ser só pessoa
Rasgado nos ritmos do sol
Das noites que luminam faces
Nos versos
Nos sons.

Arrumei as asas de anjo
Parti bonito
Sem vento voei pelas águas tão cristalinas
Que chorei ao ver o novo
Nascer após Eclipses de Sol
Das mortes que acabam
Que Torcem os raios de sol.

Versejando coisas
Resumo luar
E bailo na intenação tanta
De ver-me encanto
De só bailar
Viver contra a morte que alcança.

Será Paz?

Ando
Por aí sem rumo
Parco, alto, mudo
Sem consciência do entorno ao ar.

Canto
Sem sentido
Sem sumos de frutas e ruas
Falo em versos de lugar.

E não mais há nenhum lugar
Na mente, alma
Nada a voar.

Ando
Sentindo os tantos
Jeitos de ser anjo
Demônio nos cantos
Bem e mal
A se trançar.

Sonho
Cada outro plano
Cada desengano
Enfrento-me a desintegras.

E não há mais eu a lutar
Palavras perdem-se a vagar
Pois não há
Nem palavra a soar
Silêncio mundo
Tudo a calar.

Ando
Por aí em tantos
Jeitos e acalantos
Versos e encantos
Que aprendi a cuidar, regar.

Canto
Pelo próprio Canto
Pelo desencanto
Pelo amor, que é tanto
Rimo Deus a mar.

E só há
Alma sem lugar
Aqui, Agora, parto a bailar
Pois só há
Ser mesmo e não mais
Que alma em si inteira
Será paz?

Qualquer Palavra

Pareciam sonhos acabados
Inventados de porções de Tempo
Parecia inevitável
Por um momento.

Mas a marés reduzem as calmas
A detalhes sem importância
E reverso ao que sinto, alvo
Me reduzo a criança.

Eu já não sei
Se é tristeza o que me acaba
Ou outra lei
Que me distorce toda a alma
Aqui só sei
A trilha que ando nas asas
De minha lei
Que me impede de morrer por outra alma.

Estranho
Mas nas ruas onde ando
Se arrasta
A mediocridade da abundância
E eu cansado de sonhos cortados
Por aí vago sem dança.

Ver luzes outras neste mundo frágil
Na fragilidade de minha irrelevância
Conduz meus passos em assaltos
Aos amores de luas tantas.

Pouco eu sei
Destes caminhos que se trançam
Só vou
A ver tudo um pouco, tudo em alma
E erro a ver
Coisas tão lindas desperdiçadas
Morri, eu sei
E renasci num jeito de qualquer palavra.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Palavra Vida

Na palavra vida dormem-se encantos
Navegam vespeiros
Palavras e hábitos
Que surgem retintos
Nos velhos recantos
Destas lidas que cortam peito e olhos alvos
E sim
Nas palavras não sofro
Me acabo
Nas hastes vivas de um sorriso em prantos.

E tanto que tanto valem
Palavras de ódio e dor
Resultante de mentiras que meninos dão ao avô
Como harpas de descidos anjos que não sabem cor
E fim.

Assim disparatado
Pernambucando a dor
Rebusco almas lindas e reinvento o sabor
Destas multidões curtidas
Destes trilhos de pavor
E fim.

E na palavra vida
Reimenso antro
Me torno refeito
E como meu haipo
Segredando íntimos medos desenganos
Sabedor de palavras, versos, cadafalsos
Sabedor de Chinas, Chilenos sonhos tantos
Em que cabem amigos
E meninas salto
De vulto fecundo
E trilhas de espaço
Que hoje consigo saber serem tantos.

Véia

Me deixei na irrazão de meu próprio ar
Cansei de ser canção
Cansei de cantar
Irresponsável íntimo morreu de medo
A saber
Da morte de outro
Dúvida de calor.

Há mesmo algum Deus que saiba explicar
Estes tristes
Estranhos
Fortes
Desejos de voar
A alcançar outro eu?

Eu sei lá canção?
Me calo inteiro.

Vejo o sol desta manhã tão estranha
E me rasgo na incerteza
Dos planos.

Já não sei se meu nome é meu próprio mar
Ou se basta tornar-me então
Natural herdeiro
Se esta coisa tempo é parte tão de mim
Se há algum amor
Pós negar sorriso.

Disseram que morte é livre
Alma em vento
Não sonho assim
Calado disparo outro invento.

Se você
Sumiu assim
Calculo que deus
Que repara cadarços e musgos
Mente na ambigüidade da voz
E então peço a Deus
Irresponsável e inerte, confuso
Cale-se e ajoelhe ante a nós.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Hai Kais

Saborosamente
Largo-me
No engano
________________
Engraçados os dias
Calados
Da Ilusão
_________________
Ilusão é querer?
Ou cometer o engano
De mentir-se?
__________________
Melancolia
É a falta de tudo
O que eu queria
__________________
Percussão de peito
Percepção do jeito
De bater coração
___________________
Kai em mim
Inevitalmente
A cortina
____________________
Beijo meu
Ilustrado assim
Parece outro
____________________
A boca
Era a errada
Ausência
____________________
Sozinho
O Escuro baixou
Multidão
____________________
Ela
Não era ela
Só Quimera
_____________________
Dito assim
Coisa amor
Parece morte
_____________________
Amor
Como comediante
Ri em lágrimas
_____________________
Paixão assim
Feita como inverso
Esconde medos
_____________________
Reflita
Há saída
Ou há só fita?
______________________
Luz
Tâmaras
Paixão
______________________
A vida
Cinema expontâneo
Carece de direção
________________________
Vi
Como bomba
ELa vir a meu peito
________________________
O Peito
Carecedor de mundos
Estranha sóis
_________________________
Ela
Ria
E me desfazia
___________________________
O Sorriso dela
Incansável sol das manhãs
Derreteu-me

Quem sabe pra onde?

Eu queria sucumbir por aí de vez em quando
Perder de vez o nome das coisas
Ratear conceitos.

Esconder delírios novos
E menores coisas
Que partem corações e velas.

Talvez sonhar em pé
Sabendo ventos além dos mares.

Mas imaginante
Parto em versos entre mundos e rotinas.

Sinto e sinto muito
Coisas e explosões que me invadem
Marco
Armo
Consulto
E vou.
Quem sabe pra onde?

Priscila

Na reta das incerta das palavra
Nesta inesperada nada coisa que é então
Batuque de letras desgarradas
Misturadas nas mãos do mundo
Eu quero tanta coisa tão profundo
Que mundos outros me fazem a ver
Tudo que é coisa de voar
Talvez desparecer
Talvez esparramar
Na rua
Véio
vou voar.

Estranha insensatez descolocada
Retoque de pandeiro
Com a cor de violão
Para acordado estar pelas quebradas
Inventando canção
Resmundos
De resmungante poeta sem rumo
Sacando outro fundo
De uma cor imensidão
Rimando versos de calar
Ou calação de ser
Um nome a tentar
Rimar Priscila
Com luar.

Saudade

A Saudade que mata-me
Nâo constrói-se de realidades
Barganha-se na inconsciência de dias a toa.

É uma saudade contemplada pelo avesso
De rabo de olho
Ilusionada por uma realidade solta
E inconclusa.

Saudade assim
É como parto de poesia
Geradora do sonho de beijos ateus
Que somem pelo mundo
Por razões que nada entende.

Saudade assim é o risco da alma
A destituição da vida
Da gerência de nossos olhos
É a própria finitude jogada em nossos rostos.

Saudade assim
É boa demais.

Poeteu

Foi poesia sim
Sim senhora agora
Feita
Qualquer coisa
Que se anima
Anima das coisas.

Foi poesia sim
No abandono das falácias
Aqui e ali
Escolada
Alada
Às coisas tantas
Versada
Nos ritmos.

Foi surpresa assim
Dissonante
Ante o recuo
Dos passos.

Encontros tantos
E eu tonto
Tanto do lado estranho das volubilidades
Quanto assim calado e pensante
Cante então
A rima e o íntimo
Devastado
Do exagerado poeta
Na inteira e certa
Cavalgada dos antes.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Amantes

Amo porque inicialmente perdi-me pelos mundos
Conheci desígnios seus e amadoramente
Aprendi a diversidade.
De mim conheces talvez parte
Ou um segundo inveitável e último
De ti conheço a variedade e a transformação
É amor?
Sabe lá qual sábio a resposta traz?
Pois amor é arte ardilosa de contrários
É surpresa que busca-me e assusta
Enquanto arrisco sanidades.

Não te espero
Não me queres
Mas nos encontramos em sonhos e toques
Que em minutos fazem de nós
Amantes.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Comuns

E no giz deste ar
Que retrata incertezas,
Vasculho-me bem
Reesperando novas flechas.

Esperar é da vontade
De valioso e sincero
Coração a ver milhas e trovas
Na sorte porém guia
A incerteza do intento.
Haverá melodiaEm cada som novo que invento?

Seremos homens, seremos signos?
Haverá um rosto, haverá um designio?
Amor é coisa ardente que transforma sol em prosa
A cada instante vejos novos vinhos.

Entre reis e as coisas
Que se pintam ante a luz
Construí refiz
Sói com alarde.

Na cruz que rejeito
Não por medo
Nasci vendo novos ritos
Pelo ar que em giz
Forma-se concorde.

Perdi-me nas vertente insana a que vim
Pra que achar-me outra vez?
Palavra nasce torta
Reinventada em ritmo
Sonhos decidem, covardes, mudar de íntimo.

É tão triste
A beleza que se encerra
Nas coisas todas que já vi
Os idiotas não vêem o brilho
Das coisas do perigo
De se ainda estar vivendo
Encontrando os sentidos
Da não paz, de ser só
Um rumo, um corte.

E entre a morte, a dor e o cárcere
Prefiro a voz das palavras que vão
Torturando os que negam-se e cegam
Seremos nós mesmos a tornarmo-nos comuns?

Segundas

Santos
Rápidos na curva
Soltos, vãos, nas dunas
Destes sons de meu ar.

Tantos a rumarem curvos
Rumos outros, tudo
Feitos interno lugar.

Prantos
Buscas, danças, voltas
Palavras que entornam
Peitos a marejar.

Cortes, danos, livres ocres
Pinturas retoques
Jeitos cores e mais
Se fará
Reluzirá
Nas coisas mundo de retomar
O voar, o navegar
Como irá externo lugar
Fazer imenso peito lugar.

Vamos
Ou seremos tantos
A negarem planos
De mundinventar?

Cantos
Retrucados, mudos
Gritos, urros
Fundos
De olhos a amar.

São raias
Raio lugar
Estrela vento, luzes do mar
Mar de ar
De rio e de mais
Coisas que rumam para mundar.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Espírito de Sexta Pictures - by Di Cavalcanti

Coisa Amor

Coisa amor quando dói retrata
A qualidade do ser
Rebuscando o sol a mais
Das pinturas soltas na sala
Da delícia de saborear
Ser
Como quero ver-te a voar
Como gosto te sonhar.

Cinemas, bosques, sons e bares
Passeados a ver
Silêncios escondidos
Locais
De cor em cor
De sol e flor
Recriados a tecer
Brilhos e sorrisos que vêm
Tentando imitar o que fazes
Em peito que vem
Rebuscar-se
Esconder-se em palavras
Pra dizer que ama você
Sorrindo em brilho que vem
Coisa amor retrata o bem.

Onde estás hoje?

Derramam-se versos em meu ser
Inaugurando o quase Sábado
Peixes novos no Rio
Aqui a me ver
Pescador que caça imaginários.

A paixão mistura amarelo e azul
No colar que meu pai
Entregou-me à beira
Do rio onde nasci
Novo nome de mim
Um atabaque em meu peito a dar
Amor de muito tanto impressionar
Crianças de alma liberta
Amar é coisa de Homem menino
Em flores.

Vinte dias do ano que resolveu
Por-me no rumo do inusitado
E Azulando nascimentos
Faço eu
Canções de rimas e causos, fados.

Brilhante luar causa marcas no peito nú
De meu navegar pelas ruas quase cheias
De amigos a rir, corolário de vir
Sentindo de meu peito pleno de amor
Sorriso feito a me encontrar
Subindo ladeiras de florestas
Pensando em um só nome.

Criando letras, tinturas de partir
Caçando formas de renamorar
Sabendo tudo sem saber nadar
E indo na correnteza certa
Destilando autos, fontes
Onde estás hoje?

Havaiananas

Pedras, cantos
Recados a saber
Coisas de muito e estranho fato
Decisões podem ser eros, erros
Podem ser também convites ao inusitado.

Teimosias acordam-me
Destilam desejos azuis
Pedaços de ar
Colorem
Abrem clareiras
Sacodindo o porvir
Como chego aí?
Pego o verso, viro ator,
Estrelo números de se transformar
Ou viro outro de se novear?
Violo condutas incertas,
Finjo o nome de meu nome,
Desisto o doce?

Multidões esclarecem você
Distante ou não
Feita de outros lados.

Em vez de All Star busco Havaianas
Serão azuis?
Refeletirão o mar
Ou as cheias destes rios a vir
Internados em mim?

Logunedesco Ariano ar
Pulando troncos, pedras do lugar
Descendo a nova floresta
Doce feito novo homem
Pra ver bela nova lua a rir
A chorar ou a vir
Açoitando o imensear?
Como chego a te encontrar?
Te quero sorriso
Nas sestas
Gostei do beijo de ontem
Repete hoje?

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Mulher

Céu
Reverso
Véu
Inudado de calor
Calor, Subúrbio, roça lavrada
Coisas detalhes de bom jardim
Retrato moído.

Mel
Cantado mel
Retrucado de sabor
Favor tão novo
De nossa linha cravada
Peito marcado
Amor carmim
Sentidor sentido.

De coisa finda
De coisa feita
Reinventada maneira
Construída nova fé
De parecer-se desatino
Isso é coisa de mulher
É destino feminino
Reinventar
Re-ser
Na fé.

Sugiro lida
Pra quem não porta
Em seu ar uma paixão
Para quem não vê que coisa é
Esta imaginação
De tudo renascer
Aprendendo feminino
Aprendendo o mulher
Que há no olhar
No par
Que dá na imagem de cada vento
Que seduz o ser
A ver e crer
O sentido de rebrilho
Batucado no que se é.

Gitano



Palavra sol, som
Imagem da palavra
Estranho cantador de engenhos e almas
Inventa em sorrisos o intento
De esperança.

Canto que tudo canta
Cantador de outras calmas
Desafiando Deuses em danças
Cigano antigo em reinos e esperanças.

Canta
Cantarás.

E cigano em versos e novos ventos
Palavra que arde em rinha
De cantos e instrumentos
Alma de Gitano
Nas longínquas asas do tempo
Inventando das linhas, lidas
De arte e novos tempos.

Saboreando almas
Mulheres e ânsias
Retrucando querelas que rejeitem
La Dança
E a Violla que trilha
O Engenho delalmas.

E eu
Cigano
Na trilha das ascendências
Beduíno das Cantigas
Gitano de Sonho e intento
Retrucando as linhas dos instrumentos
Com verso que arde vidas
E palavras que invento
Alma e canto
Gitano de outros ventos
Calando magia finda
Com alma amor e vento
Sou, cantando
Estrela, lago e imenso
Retrato de vida em linhas
Que trançam conhecimentos
Soy.

Retrato de nossas mãos ( P/ Arianos e violeiros do meu coração, viuy Mazinho?)

Invenções de sonhos cantados
Marcados
Nas almas e cordilheiras
Destes caminhos tantos trançados
Bordados
Como signo da imagem na ação.

Inventadas as horas
Mundos desafiados.

Versos
Armas
Sóis cantados, virados
Sonhos semeados no chão.

O couro inteiro comendo
Viagens, luzes fortes
Vencer as mandigas de quem
Não conhece a visão
Dos sonhos inteiros replantados
Dos atos
Traçados com a mão.

Viola amanhecendo
Irmãos! Irmãs!
Sigamos a ser
O repique do ver
Este imenso brilhar
Do sonho que novo refaz um planeta.

Alecrim, Louro verde
Incenso de erva no ar.

Cada verso que é cantado nesta trova
Nesta lida
É um retrato da mão
Que tece um novo artista
Irmã veja o luar
E recrie vossa vida
Irmão não se deixe preso
Nas minutas desta lida
Mundo precisa em vida
Da vida nossa curtida
Do sorriso nosso em vida
Recantada, Revivida.

Canto novo que hoje faço
Não é canto outro não
É canto de meu mundo
Não calado, frouxo não
É canto sonhado em mundo
Que despreza o cidadão
É canto rasgado e fundo
Desafiando razão
Por meu canto é meu tudo
É invento, é visão
É amado a cada mundo que toca meu coração
Pois sonho de hoje o mundo
Retrato de nossas mãos.

Novo Hoje

O sol é mágico e ensina bem. Amigos e amigas, novos e antigos, sentir vocês é saber-se novo todo dia, até porque Renato Teixeira disse bem: "Amanhecer é uma lição do universo que nos ensina que é preciso renascer. O Novo, Amanhece".

Simplesmente acordar e perceber
Carinhos todos, de todos os lados
Sentidos novos de aprender
Irmãos e irmãs, caminhos cruzados.

O importante de caminhar é ver o azul
Olhar o pedaço dos caminhos e estrelas
Que eu vi por aí
Notando o seguir
Destes rios e Rios de mar
Destas luas de rever, gostar
Aprender novas florestas
Perceber o bom de ontem
Olhar pro hoje.

Tanta gente neste mundo de nascer
Tantas coisas, pinturas, fados
Irmãs em lugares de não ver
Irmãos e violas em felizes lagos.

Novos irmãos e lugares onde encontrar a luz
Pessoas e vales que fazem a beleza de surgir
Colorir
Perceber-se em si
Aprender mundos de novo olhar
Amar é simplesmente transformar
Dor em canção de ser festa
Invenção de novos nomes
Nas esteiras de deitar e sorrir
Sol imenso aqui
Um jeito gostoso de conversar
Falar de mundos, países
Do ar
E ver o gostoso da eterna
Transformação do ontem
Em novo hoje.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Kahlo



Bem, a explicação para tanta imagem no Blog é que numa piração postei o Van Gogh e uma grande amiga gostou. Daí pensei que curto algumas coisas de imagem, mexo com isso profissionalmente e que seria legal colocar coisas que me tocam, apesar de entender nada de pintura em si. Faltava algo. Depois de monet, Buñuel, Van Gogh, Fotos de lugares e Dalí, faltava alguém que sempre me tocou quando via as imagens. Kahlo. Tá aí.

Reflexões

Ausências, Ausências e a continuidade das ilusões que imponho a mim. Sumiços de infâncias, na hora já. Hora de ir e ir, separar coisas e versos. Passear e libertar do peito estranho, arriscado, meu mesmo assim do jeito dele.

Não sei realmente se sei amar completamente ou se entendo este mecanismo do encanto. Liberdade é palavra perigosa, tempo certo idem. Anti ansiedades são estas palavras que impõe a paciência e o respeito por si só. E vida se aprende e transforma, assim mesmo.

Não sinto realmente de forma simples, minimalista, sinto explosão de carro em descida de ladeira, sinto cor de fogo e luz cambeta. Sinto e sinto.

Não sei se isto é amor o que sinto, uma coisa que vai como se prego no peito e vida vem. Vontade de ter perto, ouvir, ler, comer com os olhos, narizes e bocas. Este amor que me faz sentir saudade, respeito, vontade de colo, vontade de sorvete de maçã.Sol na cuca, caminhar, ver passarinho, rir de gato dormindo. Coisas e coisas.

Não sei se é paixão, pois traz alegrias de ser útil, de ver sorriso, de carinhar, curar, ajudar utros encantos não seus, ser irmão.

Se é amor, não é pequeno, do tipo que esconde o brilho do outro, guarda no embornau e deixa secar. É do tipo que faz carnes e almas serem uma e brilharem, do tipo que ensina, que aprende. Um tipo que devora o peito e não se identifica direito. Um tipo que faz presença longe e distância ao lado, mas que traz antes de mais nada a vontade imensa de ver feliz.

Como é difícil encontrar-se neste amor, amor amplo que abraça os do lado, os dali e de lá. Difícil de encontrar-se por luz, por querer ser de dentro, mesmo no canto ao lado de outro amor não meu. Ego, egoísmo, isso não some, mas diminui. Na ótica dos mecânicos, faz-me uma besta.Na minha ótica redescobre-me, liberta-me.

Não estou feliz não, é mentira. Crescer dói e dor não traz felicidade.Crescer, entender, separar liberade de máscara livre, ir, avançar, deixar malas de inutilidades pelo caminho, mas antes de tudo entender que o outro não é um complemento de suas paixões e desejos, mas algo novo, um explodir de ensinamentos que aparece. Algo mais, um brilho de alma que cria o próprio sol.

Gosto de Gonzaguinha por isto: "Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas". Aprendi que sou doce, um menino mesmo, velho demais pra isso nos olhos dos mecânicos. Novo demais pra isso nos olhos de quem se vê melhor assim.E doce deixo-me menos armado para os outros. Espero que tenham paciência com a mania de mostrar brinquedo novo.

Gosto de chorar por vezes. Chorar salta de mim a dor acumulada pelo chicote de minha mente, mente que cria o tempo inteiro, faz chover ao invés de sol quando a planta precisa secar-se. chorar pro vezes é verso, por vezes é só lágrima a soltar-me de meus medos e ilusões.

Descobri que há felicidade em descobrir-se e que a dor, acima maldita, é apenas a porta abrindo-se, pro entendimento. Ascendentes em gêmeos servem para o entendimento do peito tornar-se lição.

Nunca gostei de esperar, nem de desistir, por isso guardo amores no peito e espero, pacientemente esquecido deles, até que a brase é soprada. Muitas vezes a mesma morreu, em outras ela acendeu e vida veio. Hoje aprendi a andarilhar, ainda engatinhando, amanhã, quem sabe aprenderei a voar? De Gado a Cão, de Cão a Gato, hoje menino, amanhã passarinho.


Beijos a mim, beijos a ti, beijos a todos, sem dramas, só a vontade de entender isso que é dor e entendimento de mundo.

Tempo de Algo mais

Meu, tô apaixonado mesmo, não dá pra esocnder e sinceramente liguei o foda-se. Já pensei em desistir, já pensei em ir embora, não falar, me esconder, mas hoje tô mais é querendo sentir isso, mesmo que doa.Cada poema meu tá repleto dela e isso é bom, pelo menos eu acho.Esse é mais um.

Tempo de Algo mais

Um recado, um sentido
E ouvi você
Voz que nos embarca nas luas e asas
Deste vento
Que traduz meninos a mundo sonhar
Foi-se a paz da vida.

E que ela vá embora
Paz que cega, que nos mente
Falsa paz
Enquanto sonho auroras
Busco sentir o vento quente de outra paz.

Viajei e senti um novo intento
Vez em quando dói um pouco ter-te dentro
Peito aberto
Tanto tempo busquei ser você
Hoje só quero
Te quero
Sendo minha própria voz nova
Aprender tudo em tempo em mundo em algo mais
Rasgar pernas, veios, auroras
Descobrir vento novo em tempo de algo mais.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Sobre Solidão

Amar amor irmã

Sonho antigo
Sonho atroz
Oh vida voz!
Fazes de mim agora a sós
Um deslumbrar de sons.

Crias comigo nova luz
Eu que no ar caminho à solta indo
Descobrindo visões.

Trance meus universos em novo mar
Indique-me estrelas
Para rebrilhar
Amigos e corações sedentos
Irmãos e confusões de ritmo
Viagens sem ilusão no tempo
De renascer-se na canção.

Sonho sorriso
Sonho voz
Amares nós
Amando assim
Sentindo a nós.

Raiz de Amor

A sós com o meu tempo
Descubro palavras que se trançam
Nâo foi assim que busquei andar
Porém a luz deste sol
Faz-me à pena ver
Como andam mundos
Enre cantos e nações de vento
Entevendo infusões de nós
Companheiros do som.

E entre meios, mundos
Acho novos veios de caminho
Solidão é ouvir-se à voz
Desta linda canção
Que faz sonho se
Gente navega
Lançando-se à vela
Em meu peito
Raiz de amor não se desfaz
Cria novo viver.