quarta-feira, março 29, 2006
Aniversário
Tempo passa
Segundos e minutos no relógio, nas descidas e subidas
Das quebradas
De um Rap norteante
De um verso em troço velho
De um terço desta vida
E que vida
Que se faz
Nas Racionais
Milirampas de caminhos
E destroços de nós mesmos.
Nós que vamos
E se vamos
Pelos jeitos entre muros
E castelos
Cartas velhas, maltrapilhas
De um mundo
Qualquer que não me vê
E não me crê
Indio velho preto e branco beduníno
Que não move outra palha
Senão mundos.
terça-feira, março 28, 2006
Denise
Ferventes águas de olhos
E seios postos em sortidas cores
Que causam em vida e alma
O sangue fervente que explode em paixões
E delírios.
Asas que confundem milagres
E respeitos que rompem limites
Corpo em prontidão sucessiva
De desejo em fúria
Explodindo pedaços de mim
Como em febre
E luz incandescente.
Fuja
Embala-me em teu corpo
E permite o meu enlouquecimento
O rompimento da sanidade
A fuga destes mundos que separam minha boca
Do teu corpo
E meu desejo destas mãos
Que fazem do jogo
A própria razão do existir.
Desejos
Passeiam por corpos
Que deslizam
Calmamente
Enquanto os olhos devoram
Pelas retinas do dia a dia
A beleza incandescente
Da mulher de olhos negros
E sorriso de espanto.
Desejos incandescem
Olhos e corpo
Fazendo surgir
Como infame explosão
A necessidade de ver e rever
No jogo diário
De despir
O corpo
A alma
A fome.
sexta-feira, março 24, 2006
Minutos
Das paragens de vida solta?
Quando o rumo torce tintas
As felicidades ganham exageros
E talvez por minutos
Os infinitos reclamem
Sem sucesso.
Anima
A arte, o beijo
A incessante parábola medo
De saber-se imerso em calor.
Arde em subúrbios de meu corpo alvo
Da alma em mim
Alvo raso
De tremores e ânsias
De tudo se dar.
Arde pelo feminino que encanta
Na dor, no prazer
Neste ócio que é a própria vida
A ser bem mais
A ser ungüento benigno
Veneno que mata
Odiosa lida
Ou divino gosto supremo de ser e amar.
Pode ser menina
Ou anjo
Musa ferina
Imensa mulher
Todas tão saborosas, supremas
Infantes que trazem seu brilho ao mar.
E a mim louco insano poeta
Na chama da lama
Do ato de ser
Me entrego à anima que finda
Por fazer-me fé.
sexta-feira, março 17, 2006
Palavra, Qualquer, Palavra
Sonho livre de anuncia
rAlgo feito doido céu
Algo perdido ao luar
Regrado por mal e eu
Calado a se retirar
Entre delírios e barcaças
Alto mar que dá de graça
Talvez nova vã palavra
Que eu pegue e torne concha
Que espalhe em minha vida todo o som de algo mais.
Cala-te palavra
E em meu mundo faça-se calor!
Que resgate da canção
Talvez sonho, talvez cor
Faça-se milhões de Eus
Faça-se minha ilusão
Entre aspas, entre ócios
Entre sonhos
Que me falam mais tamanho
Encrustrado em novo plano
Algo ao menos não humano
E perfeito na visão.
Palavra se afastePor Deus!
Por qualquer coisa que há!
Pare de dizer-me meus
Jeitos de perambular!
Faça as malasDiga Adeus
Vamos por aí costurar
Mil caminhos
Mais mil almas
Sem retratos , sem caladas
Almas, tralhas, falhas, asas
Algo que jamais me valha
Vamos ter em nós a calma
De escrever
De revelar.
quarta-feira, março 08, 2006
8 de Março
Cora Coral linda de Curvas
De Elis e Santos de Ancas
Bethânicamente mente sana in corpore
Santas Bruxas ou bruxas de luas
E Festas de Jonas que Queimam fogueiras e Lees
Ritas e Duncans, Pagus
Íris
Rosas
Meninas, mulheres, dos olhos.
segunda-feira, março 06, 2006
Catarina
Reinventado e renovado
Tom de risos
Pra ser luar
Entre arestas e detalhes que são antes
Todo o antes
De meu sangue.
A ferver seu
Entre pedaços recriados de aurora
E o medo meu
Se ver milhares cambaleantes
Almas dossonantes
Entre o corpo
Como Nova
Estrela, Carne, Hora
E meu eu.
Poetizar tua alma
É talvez saber
Versejar teu beijo seja talvez ser
E ficar contigo
Entre o agora e a lei
Do sol que hoje brilha
Pleno na minha trilha
Que dança em mim como o Rio
Que canta em mim quando rio
No coração
Nesta canção
Este sorriso de Brilho.
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Poemas Curtos
Sapecando vagabundo sonhos fartos
Me desembalo
No repleto sol de flor
Vagabundando piruetas de alforria
Debulho dias
Pelos cantos de outra cor
Que desembanha outras artes
Outros intentos
Que vasculham pelos ventos
Um destino amador
E eu maluco
Buscando o sorridente
Procuro no Samba repente
De um rap salvador.
O batuque do meu ser
Queria saber qual ninguém
A rua certa que atroz
Me mostra o sorriso que vem
Calçar meu peito de outra voz
Que badale o sabor
De um amor bem querer
E saudosa em mim
Remartele enfim
O batuque do meu ser.
Intervalo da Volta
Antes de dar-se em despedida
Vulgariza-se em Sambas
Ao olhar a pretendida sorte
Do Sorriso alheio
Que não pertence-me.
Amar como quem solta-se em velas
Como quem vê no rosto
Daquela que meio anjo assalta-me o peito
A entrega de um amor desmesurado
Pleno do sofrimento da ausência
De sucesso
Platônico resultado da solidão.
E eu, bambo mambembe,
Clown sem Shakespeare,
Anacrônico no veloz mundo sem cheiros
E tintas,
Deixo-me assaltar pela melancolia
Ao ver no sorriso àquela que encanta
E mata
Por deixar a solidão e a carência
Alcançar-me
Sem o belo e romântico beijo da espera
Sem o libertar de Cavaleiro de Branco
Deste donzela petencente a leões fugidios.
Hoje brilho no escuro do encanto
Porém o que sou
Além de desalentado sonhador
Que moído em máquinas monetárias
Tenta iludir-se
Na vã onda dos que morrem diariamente?
Na ruiva fronte
Talvez deite o dom de amar-me
Porém como saber
Se talvez o encanto nada mais seja
Do que a busca daquilo que novo
É apenas o intervalo da Volta
Ao príncipe amado
Que deita ao lado
Excluindo-me.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Criando caminhar
Flor de Fulô
Palavra que tudo reduz
Quando em bumbo cantada
Feita voz que tudo determina
Ao simples relar
Faz-se relar
Neste caminhador
Que é o mundo
Meu lar.
Hoje me largo nas roças
do meu coração
Lembro da vó
Roço meu sentimento
Tenho medo
Tenho só
Cantando samba do tempo
Onde rolava na canção
Dor de sofrer pelos ventos
De fome e ingratidão
Preto no meio da alma e lusitano nas cantigas
Jogo jongo pelas lidas
Destas trilhas.
As trilhas onde meu Vô
Velho Avô
ensinou-me o rumo dos mundos
Que hoje cantadas
Têm a voz, o controle e a rima
Deste meu olhar
Velho olhar
Moleque que foge das correntes de se amarrar.
Hoje me largo no poço onde criei sol
E criei cor
E onde bebi sedento
Àgua de barro
Com o Sabiá nas janelas do meu peito
E coração
Com meu velho sentado
Me explicando confusão
Sabendo ver nas histórias do povo
Nestas razões sem mais razão
Algo como um tempo, um exemplo, uma visão
Sabendo ser liberdade
E brigando pelas trilhas
Que talvez só sejam vida.
Vou nas quintas
e vinhas
Do meu sabor
Este sabor
Sonhado nos sambas em cruz
Que tremulam na alma
E nas manhas
que tão determinam o meu olhar
Meu próprio olhar
Que hoje tenta ser sereno
Criando caminhar.
Inteiro manifesto
Jantando as migalhas que caem do ar
Enquanto saio louco
Rasgando vazios
Percebendo mundos de se estranhar
Nesta desilusão calada das Histórias
Desta gente que busca até ser feliz.
E eu indo à toa
Doendo demais
Nesta minha saudade
Sem inocência crua
Só realidades
E a porrada feia que dou mesmo em mim.
Sem saber destas quebradas de cada inferno
Sem perder a coragem de fazer o que quis
Rolo como se bola perdida nos dias
Rodo milhões de vorazes versos de aliás
Assim fingindo verdades que acato e cedo
Tentando ser o adulto que não sente medo
Adulto este que não vê jamais
Nova vida à toa
Mais do que vem
Mas feito da vaidade
Que imbecilmente corto talvez da carne
De onde nasce o Deus que não creio mais.
Assim sendo talvez vá sozinho
Restaurando a rua onde me criei
Sabendo natural a ilusão das esquinas
Versejando inverso tudo o que se dá
Nestes caminhos tortos que se fazem mundo
Trabalhando, ralando, triste, vão, confuso
Talvez eu sem saber adulto ser
Estou lá.
Indo sem boas
Sem mesmo olhar
Tanta maldadade
Que eu mesmo "bom"
Na perversidade
Da vaidade já fiz e volto a criar.
E não sei se nesta boca posso dizer "poeta"
Palavra esta inteiro manifesto
De algo bem maior que o próprio verso
Pois hoje só me dói o erro de me dar
Levando ilusões a quem não me vê mais.
Exército de narcisos
Parado nas conclusões futuras
Do embolado coração
Que em ruptura fútil
Amarga-me conclusões e torturas
Fecho os olhos às flores que pintei
Nas ilusões que rego
Enquanto em solo
Toco clarinetas imaginárias.
Agora feito algoz de mim mesmo
E cruel na imensidão de meus desígnios
Preparo golpes a corações abertos
Que porventura, tolos, foram cegos a verem-me
Como doce e perpétuo anjo.
Assim feito exército de narcisos
Morro diariamente
Sem ao menos calar-me diante
Do inevitável medo
De sentir-te aqui
Enquanto longe de meu sonho
E de meu corpo
Procurava substituir-te
Por pássaros cujas asas jamais voassem.
E neste poema desmesurado
De conseqüências irresolvíveis
E problemas absurdos
Escrevo distâncias e decisões
Que amparam dúvidas com perguntas
E respondem medos com horrores
Desconhecidos
Para quem, como eu, sobe nas asas do vento
Para perder-se embusca da fatal felicidade.
Felicidade que calada
Mente a mim
Em seu destemor
E morre como se meu sonho
fosse apenas
A vil brincadeira
Dos irresponsáveis.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Masculino de mulher
É qual ponto que termina
No Luar todo que é
Este Deus que alucina
E não significa fé
Este Deus tão feminino
Feminino de mulher.
Palavra dada não é só rica
Nem renasce maravilha
Só renasce Deus que é
Este Deus tão masculino
Esta coisa que se é
um Deus todo maculino
Masculino de mulher.
Palavra rica que é luar
Que parece oração
Para um Deus que não sei se é
Esta coisa tão bonita
Que é ser Luar, e é
Ser somente feminino
Masculino de mulher.
Luar
Vida de incêndio brutal
É o Deus que comunga a festa
Que faz dos olhos
Luar.
E se há luar
Luar mora na palavra de Deus
Deuses ser
Ser intenso no rebrilho luar.
Há o luar
Onde luar é cada parecer
Com o ser
Ser significa luar.
A sina de ser Carnaval
Embriagado busco outra essência
Vaculho mundos plenos de consciência
Sinto em vão o sinal
De um mar
Que mareia minha vida
Eu tão distantes das ondas
Das linhas
Buscando, afinal.
Onde as artes vão se abrigar
Desta tragédia que é o normal
Que abunda em cada olhar
Seco, morto, sem sal?
Onde a vida vai desaguar
Se em nós há um abissal
Medo tolo de nos tornar
Mais que o mal.
Há em cada ser
Esta estrela ribalta de tudo tecer
Maravilha inata de só nascer
Vivendo o novo de dias banais
A florir
Auroras que bastam
A tudo
A si
No sorriso que abre um feixe de explodir
Estes soturnos animais
Que morrem a cada esquina
Na hipocrisia normal
Deste não viver a sina de ser Carnaval.
Paula
Por tudo o que vem aí
Tem estrelas nas esquinas
E sorrisos de rubi
A cada curva
Desta estrada
Que ruma solta
Entre cruzes e palavras.
Entender o sabor
De cada dia que vês
É saber-se calor
É saber-se entender.
Menina não chores de cor
Destas gentes que daqui
Aprenderam uma vida
Onde nada é assim
Como a lua
Como a palavra
Destes mil sonhos
Que descobrem nossas almas.
Entender o amor
De cada mundo que vês
É a razão da flor
Que hoje é você.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Delírios em meu mar
E misturas
Repintando loucuras, sóis e chuvas
Entre asfaltos e ruas
Lâmpadas nuas
Neste barro de horas
E canção.
Quase feitos da obsessão
Pela História que acabo repetindo
Nestes cantos revolucionários que sinto
Rebaterem-se
Qual fome
Sede
Nos braços
De quem busca em si o incendiário
Mas derrete-se em meio à paixão.
E rebrinca invernos, sóis distintos
Desta garoa que lambuza o farol
E me têm qual verão de outro dia
Dia que assina
Poemas no lençol.
Assim sendo História, Glória
Peças
No Amor pelos mundos recriados
No utópico peito incendiado
Pela luta, pelo corpo, pelo amor
Avilto a regra cujo teor
É a amarra que compreende escravo
Quem discursa contra Deuses e Diabos
Contra qualquer um que qual feitor
Nos retém quando livres pelo amor bravo
Somos Gládios
Somos Aves
Vento
Flor.
E desejo
Avanço em desatino
A Saber-me lua entre os seios
Desta voz
Que destina às tantas estrelas frias
A melodia que faz-me novo sol.
E sem mais nestes ares quase preces
Que invento em tardes de Ouro fino
Debulho palavras, versos, trigos
Percebendo delírios em meu mar.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Esqueça e aqueça
A insensatez inata
Da alma imperfeita.
Venteia imensa
Como se fato raro
Acima das ventas
Que cada um pensa
No enlouquecido espaço da própria
Cabeça.
Rastreia
E aqueça
O corpo hoje em fausto
De tédio e sentenças
De purezas e crenças
Rastejante no amargo
Víes do esqueça.
Esqueça e acenda
O fogo que ateia
O peito, o coração
A veia
Esqueça e aqueça.
domingo, fevereiro 05, 2006
Entre os dentes
Veja o enorme e longo
Fio
Que entretêm as imensidões.
Sinta a dor
Dos extremos e fortes
Intatos sentimentos
De força e perdão.
Veja a semente
Que nasce agora em mim
A ser alguém
Como um trem
Jantando luzes e sons.
O que se vai
Vai além da paz
Que ninguém sente
A não ser quando torna-se luz.
Veja Deus o meu amor
Que sabe em torno
A luz que viu
Quando ninguém vê mais.
Veja Deus a flor
Que invento sem sentido
Sem imenso e novo rio
Sem querer além de ser mais
De só ser mais
Entre os dentes
Entre
Toda a forma de se conseguir ser mil.
Veja em Logun meu amor
Minha forma toda
De rimar razão com som
Meu coração treme
Suor em sóis de enfim
Tantas vezes de viver amor
Tudo se torna mais
Sempre
O beijo
Inalado de algum segundo
Que se faz sorriso.
A luz que sentes
Ante o que libero em mim
É só alguém
Andando além do que vÊs
Aqui em sua prisão
Que crio em paz
Ou liberto
Como uma bomba de efeitos mil
Como uma canção
Que rasgo da imensidão.
Cores
De perto tanto
Ato ar de inverso
Lume e rumo azul das periferias
Deste ouro alma
Verde inverso ver
De perto o momento
Casualmente insão das melhoras da revolução.
Revolutas, Cinzas
Fogo
Queima a palha
Deste som de inverno
Inventar momento
Sol de queimar rimas
Solo de palavras
Ato, mata, verde
Rebuscar momentos
Casualmente sem dom
Nestas coisas de direção.
Brancamente imprima
Pretas versejadas
Rasgue solamente
Amarelos tentos
De perder-se em milhas
E republicalhas
De gentes e gestos
Natural meu tempo
De buscar sentir em sons
Tropicálias e sons de Tom.
Gemarianas
Versos
Sobretons
De pinturas línguas e sons
Sacudir e ir entre as pernas
Os dedais
Ar Tesão
De mares e explosões
Sem dúvidas indo em demão
Pelo estar
Multisentidos.
Misturar e remar ascensos
Rumos
Remuniciar
Os incensos e versos do mundo
Por relar no estar
A ser
A tudo
Tudo mesmo olhar encantando teu ser com meu mundo.
Unimultinventos
Mudo de palavra
Respiro quase um não ardor
Neste acordar sem me ir
Por entre hardcores
Fora das quebradas
Me deliciando em cenas
Onde o som
É a munição que pega
Atirando coisas
Batucando em mim
De prima
Ardor causa momentos
Que podem ser ou febre ou cinza.
Rolando o tambor deste não sentido
Requebro numa lenta
Câmera feita de mãos fechadas
Me pegue talvez numa tomada
Onde o meu desamor não vá rolar
Por aí
Pois amor que já não cura
Muda de empreitada
E se retringe em tempo
Multi mil tempos
Reversos
Asas.
Calor que dói na pele
E reproduz alma
Sem reter-se nos tantos
Tempos, Relentos
Emoção rasgada.
Amor me conduza ou não faça nada
Unimultinventos
Conduzam tentos
Ou calem-se em mágoa.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Versos Galantes
Invenção
Tento pôr neste ar tudo o que se pensou
Acabo o show que me revela o momento
Dou meu sorriso
E desfio a cor
Do inverso meu que vejo em versos e horas.
Assim aumento
Exagero o intento
Desfilo em paz falsa de bom ator
Saber e ver não é apenas talento
É dom que ainda não possuo em flor
Porque meu eu
Não vê o inverso
De todo eu
E entende o que faz-se aurora.
Por mais que ainda sinta dor
Reverto a ineficaz e distante
Espera de qualquer outra flor
Vôo para bailar
Versos Galantes.
Bons dias
Olhares, Rostos
Decifrando alma, fala
Palavras que dão bom dia
Desfilam como casais
E verem-se astro.
Eu mesmo mais velho e moço
Menino em disparada
Resvalo nas melodias
E queimo mi corazón
A medir-me alto
Canto em Baixo.
E os verdes dos sóis cansados
Dos Cavaleiros de Ofício
Deslizam por entre o linho
Trançado de Bolsas, sons
Cantados nos tons de cada sorriso.
Parelhos a cada lado
Do paradoxo das veias
De cada homem de hino
Vestígios de novos ares
Passam ingênuos
E tornam-se sóis alvos.
Há mesmo a paz dos bons dias?
terça-feira, janeiro 31, 2006
Mar
Redescubro as curvas
Destes mundos tantos
E sei que a cada presença sempre ecoa
A vida.
E sei da beleza pela eterna mudança
Da rua, da cabeça
Da lida.
Que todo o mar
Seja aqui.
E o risco de ver assim tanta gente
Nascendo na gente, e sempre
É ver que a cada pessoa
Ecoa novo ar de linda
E eterna perseverança
Das luas
Estrelas e infindas
Ondas de um ar
Novo enfim.
Que a alma sempre transceda o sol
Revivendo os dias
Como se os dias fossem o sal
que marca e doura a pele sob o sol.
Na paz de qualquer um sorriso
Só há o amor
Se amor for irmão
Na alma que se transforma em sol.
A cena mais bela
É pequena
Diante da imensa força que há então
Neste toda essencia dos tempos
Que ecoa, ecoa
Gentes são manhãs.
Que bom ser mar
Ser aqui.
31/01/2006 - Para Alê e Rê
Esta infância hoje retratada
Quando soube e sorri
Destas maravilhas
Que adornam o sorriso de um pai
Vendo o amor sorrir.
Dono das canções que abrem almas
Sorria das esperanças de teu eu
Fale algo que incinda
Que nos torne nova História,Novo Deus.
Bela voz que hoje rasga esta eterna luz que riu
E fez-se trem
Como além das almas abrem-se os trilhos do que vem
Além
Fazendo de peitos pessoas
Inundando corações
De uma alegria que escorre sobre os risos e paixões.
Sorriso que nutre
Perdoe-me os versos a mais
Desta quebrada do meu peito, de minha fé
Poeta perdoa
Esta hora eu sorrio e explodo, como se é
Intenso e enorme abraço, como um laço
Como espaço que se é
Ouvindo canções marcadas, infindas, até agora neste peito
Amigo, inté.
Fatal
Revezes de couro e de leite
Coronéis desgarrados de algo
Do êxtase covarde
De verem-se acima demais.
Destes todos nós porcos, gados
Reses
Fudidos e mal comidos
No espaço que inverte
O todo decente
Das pessoas astrais.
Pará
Milagre de Deus a tudo minguar
Minas de minas e horas
Gerais de lugar onde indignos são donos.
Faremos, será, todo o mar, todo o ar
Ajoelharem-se sem a mentira caótica
De sermos escravos de gentes
E prantos?
Senhores Cegos
Reizinhos minguados
Sem seres
Em frente ao seu micha cerco de mulheres
Se fazem crentes, sobrenaturais.
Enquanto cresce no ar
Alimentado por medos
A faca, o tiro, o sangue
Milhões, muitas vezes
Impacientes pelo golpe que vai
Achar o cerne
O verme
Das costas, dos Peitos
Na morte da própria fome de justiça
Na sede
De tão somente
Libertar-se em paz.
Pois não?
Somos humanos
Calangos, rivais
Inteiros na estupidez que não some jamais
Nesta paz, nesta paz maceira
Que invade e vai
A calar nosso destino
Nossa mais profunda verdade
Fechada por demais
Nos tons de ordem sem dom
De manter-nos
Jamais.
E nós, calados, escondidos
Profundos, com medo
Sorrimos e rimos, findos
Buscando o rumo
Do Golpe mudo
Íntimo
Fatal.
Tantas Cores
Se faz sorriso de outro ser
Palavra tão distinta
Vestida assim a parecer
Um velho Dom Casmurro
Embriagando-se de ver
Estradas e invólucros
Cidades de conhecer.
Qual quadro de Picasso
Colagem própria de querer
Coração rasgado
Ardendo todo de saber
Amar amor amando
Apaixonado por você
E por tantas cores
Que preciso entender.
Amor imerso
Desgustando passados
Parti a não ver outro ser
Para um rumo onde não há dois
E feito quem derruba paredes
Nem doce ou atroz
Só às vezes
Perdido entre lábios femininos
Substituindo paz por ombros distintos.
Saio feito quem tange reses
Nos morros que outrora
Fez vezes
De sonho peculiar
Que fui abandonar.
E tanto me preocupa o fim das horas
Nesta cor que parece com mil janelas
Há tanta saudade
Que haja imenso coração
Terá a busca de amor alguma razão?
Cede o Céu sua parte
E nas estrelas vejo então
Amor imerso
Mas vivo
Em vão.
Que a lua acenda
Coração sonha, mente desquer
Que torna-me incêndio em própria alma
Não que eu não o queira ser.
Mas há calores à volta do meu viver
E me roubaste assim
Um caminho, um sonho
Porque fui te querer?
Nâo dá pra esconder que ainda estás em mim
Será por só ser a diferença?
Pareces em cheio um alvo, um mundo
Desafiante demais
Para meninos que partem a sós
Num rumo tão distante da paz.
Porque este querer
Rasga-me inteiro
Enfim?
Porque não querer
Que a lua acenda
E ensine-me a voar?
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Liberdade: Muito mais que teoria
Discutir liberdade é complicado.
A lógica da liberdade em si, no mundo de hoje principalmente, tende a confundir a liberdade com vôos soltos por aí, como se preços não houvessem.
Outro problema que ocorre normalmente é a penetração no ideário particular, ou mesmo coletiva, da lógica liberal de liberdade, direito automático de fazer qualquer coisa, desde que com dinheiro, além de liberdade ser a plena expressão do que se é. Esta contaminação cultural nem sempre permite que a compreensão da liberdade se expanda de forma nítida. Cria uma falsa noção de liberdade, quando no máximo somos escravos felizes e bem alimentados.
Liberdade, em um conceito que acredito, é o total controle sobre nossas vidas, que vai desde a manifestação cultural individual ou coletiva até a forma de lidar com o amor, com a construção de um mundo, recebendo a dádiva disto, mas também os preços da cada ato. Como uma música do Raul Seixas dizia: ?Direito de ser carregado ou carregar gente nas costas.?.
O problema básico desta noção de liberdade é que ela enfrenta de forma clara toda uma formatação de mundo que confunde Responsabilidade com Prisão e delimita os espaços de expressão de vida à quantidade de dinheiro existente na carteira, ou seja, no mundo hoje liberdade é para quem pode e não para quem quer. Quem não pode dança na escravidão total: Intelectual, emocional, produtiva, etc.
Então se chega à conclusão óbvia da necessidade de enfrentamento das condições limitantes à liberdade real. Um enfrentamento constante e global que permita a todos os indivíduos o usufruto desta liberdade.
Este combate tem em si mesmo o paradoxo normal a tudo o que contém diversidade, e o paradoxo intrínseco à mesma liberdade. A diversidade causa divisão e lógicas diferentes de combate, óticas diversas de como combater. Alguns buscam a institucionalidade mesma que inibe à plena existência da liberdade, outros buscam no individualismo outsider este combate, terceiros buscam organizar-se de forma a lutar por um rompimento rápido e clássico com os grilhões do atual sistema. Há erro nesta divisão? Não. Há erro na manutenção desta divisão no plano do combate aos grilhões.
Anarquistas, Socialistas, Comunistas, todos buscam o enfrentamento do máquina de moer carne capitalista, todos buscam o rompimento deste grilhão produtivo, cultural, intelectual e todos querem a liberdade de forma ampla. Alguns vêem a mesma com mais limitação econômica, outros de forma plena. Porém somos todos os soldados da mesma guerra.
A liberdade é o alvo necessário, é a única forma de real evolução humana, e esta é uma consciência que deve ultrapassar toda e qualquer limitação de ótica teórica. Ou a teoria é mais realista que o Rei? Ou a teoria substitui completamente a simples e óbvia observação do fato real? Será realmente que cada miserável à nossa frente é um ator de filme de quinta? Nossas divergências podem realmente ser mais fortes do que estas cenas?
Estas perguntas não têm nenhuma inocência, não busco aqui colocar a paz na terra aos homens de boa vontade, e nem transformar inimigos ferrenhos em fraternos Santos de Da Vinci, mas tentar uma conscientização óbvia. Somos fracos em nossos guetos e mesmo unidos, precisamos de mais que belos discursos, precisamos de uma união que toque ao máximo a população que deveríamos defender e conscientizar. Porque Liberdade é grande demais para viver em nossas mentes e corações. Ela precisa ser tão solta quanto seu conceito.
Esta é nossa responsabilidade.
Hai Kais Atenienses
Do pessoa
Mudava de dente e idade
___________________________
Transitando
Os Quintanas
Marcharam Passo a linho.
__________________________
Poemas de dúvida
Acariciam Plenamente
Eternidades
_________________________
Daqui a pouco
De modo súbito
Sussurrarei bons dias
________________________
Sabe Margarida!
Você tão fútil,
É a cara daquela flor.
_________________________
Zen
Vergonha nenhuma
Publiquei versos tortos.
_________________________
A figura da linguagem
Em eufemismos
Fantasia-se de horas.
_________________________
Amores e dores
Quando acordam cedo
Brincam de aguar olhos.
__________________________
O Cansaço
Diariamente
Rotina a vida.
__________________________
Aquelas pedras portuguesas
Todas botafoguenses
São a Cara do Martinho da Vila.
____________________________
Jacareí
Longe no Tempo e Espaço
Parece a França de manhã.
_____________________________
Andando diariamente
Por aí calado
Vi fórforos dançando tango.
______________________________
Minutos atrás
Devolvendo laços velhos
Agarrei-me na saudade.
Vales
Meu amor
É como a distensão da cor dos ventos
É como inevitável som
Perfeito
Invento-o por demais
Sou criador enfim.
Nas cores das velas
Que o vento faz em pedaços
Me entrego na sina
De sonhador dos vastos
Vales que agora pinto entre risos.
Tristeza nem sempre me vale
Alegria agora é qual arte
Nasce forçada nos gritos
Que invento sem saber
Sem motivo
Por querer
Apenas e só ser ouvido.
Amores e Solidão
Destino de agora
Partículas de horas matutando ventos
Heróicos sobrenomes a gastar o tempo
Com tolas sumidades de decoração.
No peito alma fera
Radical de agora
Sorriso frio
Embora saudoso do intento
De ganhar liberdades, bocas, sofrimentos
Partilhando verdades
Sóis de oração.
Feita à mão
A alma desenterra
Tristezas ilusórias
Navega em parco tempo
Sonhando coisas novas
De alcançar vento
Vendo apenas arte no coração.
Como se nas manhãs e nos afins
Não houvesse a verdade dos sorrisos
E cada insano
Delírio em crivos
Fosse mais que se sente nas manhãs.
Nesta manhã não houve sonho inteiro
Só a ausência completa
Feminina
De um surto que torna alma minha
A viragem de viola e perdão
Sonho vão.
Como se a ausência que perdi
Me limasse a paz que não entendo
E o som que me trouxe beleza e medo
Revelasse bem mais que quero então.
E assim quase em mudo sussuro
Nestas Lapas que matam-me a sina
Guadalupes guardados em cantigas
Rio longe de meu sonho tão vão
Eu, um vão.
Rap Sódia II
Das ilustres vantagens do aceite
Dos amigos banhados no deleite
De noites e tardes.
Reviver neste lugar
Inudações de versos e meses
Esperando sorrisos
Que emendem loucas saudades.
Nada a dizer
Só contemplar
Ouvir melhor o som divino
Perceber, derreter queridos amigos
E pelo ar
Solto a voar sentindo nítidas auroras
Há mais que eu mesmo criei aqui
A ouvir tais canções
Que explodem paixões
Em mim.
Rap Sódia
Chuva pequena
Saborosa
Irei despentear pavões
Ouvir Alê e ignorar ocêis
Que multiplicam irrazões
Fogem de si em meio a vãos
Descartes de mal rock
Não ouvindo a sorte encantar vocês.
Saber-me outra vez
Olhar o Bosco conversar com giz
A libriana Rê a destilar amores não servis
Mesmo não vendo a luz que queria notar
Percebendo novas gentes
Mar
De canções nuas
Poemas raiz.
Cada uma canção é mais que uma
É quase o perfeito
Diagrama do chão
Acertando o infinito.
Toque na minha mão
Mulher que busca defensor perfeito
Porque minha vaidade então abandonou-me
no recinto.
Rap Sódia total
Noites deslizando assim
E deixando bucal gosto de outra noite sem fim
Pois meu ser
Se perde sempre a se apaixonar
Mesmo esperando a louca pintar
Olhando musas a me delirar
Ouvindo músicas de divino festim.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Querubins noutro ser
Já não vou sair pelos mundos óbvios
Sinto por demais calor
Hoje acreditei em matar meu tempo
E sair pra ver algum cinema em ventos
Esqueci de rir
E passei em vão pelo torpor
Declinei palavra
Declinei sorriso
Achei por bem ver estrelas, orifícios
Responder nãos específicos com tchaus.
Surrealizei esta coisa sonho
Percebi nambuco em maracatu esperto
Fiquei mei lerdo
Sacudi meus mucos, meus olhares curvos
Esqueleto em meio ao ganhar um beijo
Esqueci do tédio por querer milagres em vão.
Vi Jesus na Lapa
São Francisco lindo
Toquei com Mozarte
Tons de todo ouvido
Delirei nas coisas livro de bem ou mal.
Verso meu vez em quando mudo
Nem sempre escrevo como todo antes
Pelos dias todos eu navego
Navego a ler
Querubins noutro ser.
Testemunho
Eu não sei nenhum sentido
Tô perdido e repleto
De uma raça que destrói completamente
E felizmente
Sóis sem cor
Sem sabor.
Eu não moro mais comigo
Meu senhor
Eu nem mesmo moro perto
Me disseram que consigo
Irritar qualquer um falando mundos
E sabores
De valor
Meu valor
Meu sabor.
Não sei reler
Não sei rever
Nada que não queira
Amor é uma bomba
Que derrete
Dor é coisa de cantor
Tantas coisas, tanto tempo
Eu só pressinto o que sou.
Mas ainda assim sorrio, na palavra
Oh! my lord! Que futuro?
Eu quero o tempo inteiro, quero tudo
Quero rasgar a alma
Neste rumo
Quero a flor
Vidro, amor.
Bate este tambor logo
Não tenho paciência não
Eu só quero ver a sério
Estas coisas que se dizem mistérios
Pra contar pra todo mundo
Sem temor
Sem fervor.
Só quem geme
Só quem treme
Sabe qualquer coisa
Vou ir na onda
Destes ventos
Me cansei de sentir calor.
Saia
Te rodeia
Nas circunstâncias livres de mim
Palavra amarga
Não sorri na tua sombra
Tu és assim.
Como um vislumbre
Da coisa certa que dá (dá?)
Nas partes surdas
Erguidas solamente por teu olhar.
Vem na fé!
Vem maria louca
Transformar meu mundo de cão
Cubano em tuba
Maxixe sem vergonha em filme alemão.
Levanta a saia
Saia de mim feito vulcão
Um parto duro
Com gotas de desejo
Pieguice
Canção.
Vem na fé
Vou a pé
Pra ver-te
A ser só mulher.
Serei-me hoje
Parece nuvem, aparecem lábios
Inventários redundantes de saber
Amor perplexo e encadernado.
Vagabundo solto-me por aí
Escolho torres, montanhas, lagos
Como um Deus de feroz sorriso
Algoz do Eu
Pilantra em versos e novos saltos.
Tudo isso é cruz ou milagre
Feito luz?
Tudo isso é felicidade
Ou é bobeira de inverso aprendiz
De tudo o que ri
Em nome de todo amor
Em nome cujo nem sei mais lembrar?
Eu gosto mesmo de me apaixonar
E soltar-me entre as esferas
Mundos feitos sobrenome
Tabaco doce.
Subúrbios rebatem no meu ser
Um samba novo ou velho, usado
Acordes, violas e eu mesmo
Serei um arlequim cansado?
Brilhante é notar que não há sorriso nú
Paixões voam ao ar
E mares de gibeira me revelam a mim
Eu que vim por aqui
Fugindo de um velho calor
Das maresias que fizeram mar
E hoje saudosas de me encantar
Propõem coisas de festas
Carnavais nem tão distantes
De cores
Feitas de aqui e alí
Onde eu mesmo me vim?
Serei um novo bom ator
Um resmungo de qualquer lugar?
Rapsódia nova a encontrar
Talvez revele-me a certa
Intenção que perdi ontem
Serei-me hoje.
Pedaços de ninguém
Modos de dar flores
A seres sem nome
Reduzo as coisas à pequenos ares
Dores
Coleciono fusos de horários vãos
Entre rios e nuvens
Resvalado numa febre que invade a alma
Opressora
Liberto-me em Hidrantes
Que vejo rimar com moças
Que passam mal.
Resgato outros rumos
E dou -me um presente
Desligo o telefone
Sapeco o mar de nomes
Respingo telas e fontes
Entre as pernas e os braços
Que danço, rimo e trago
Faço a festa da própria festa
Vago nesta lua eterna
Que desenho com vagos
Pincéis de mil cores.
Repintado e confuso
Olho os móveis jogados
A ver as andanças
Sujando pisos e estantes
Assim encimesmado
Vejo o lago
Reduzo-me a cortes
Feitos no rosto, nos corpos
Pedaços de ninguém.
E assim enfileirado
Nestas regras que hoje rasgo
Vejo a velha lua velha
Brilhando sobre os braços
Que trago em meu nome.
Rostos que mostro
Não há sentido tempo
Sentidor de algos novos
Me posto
Nas indelicadezas cores
De destinos deslavados
E saber-se outro açores
Escravo.
O importante é o rosto
Desta ausência de bom tempo
Deste sol que torra amores
E ócios
Na dislexia de poemas
Na ausência de sentidos
Na cadência de um poema sem livros
Perambulando por invernos
Catando inteligências
Estéticas sem pernas ou vidas.
Assim calado, oposto
Ao que torna-me terno
Assim feito suores e versos
Construo
Pedra pome
Edifícios de Estados
Anarquias de motivos
E alvos
Porque o que importa é meu rosto
Deslavando-se a tempo
De explodir rejeitos, nomes
E postos.
Eu rejeito-me oposto
E me roço nos infernos
Celestizo outros formas
E versos
Porque inverso ao que mudo
E calado em intento
Na produção dos sem sentido
No sentido que eterno
Paradoxal morre morto
De cansaço pelos versos
E inverte alternativas
E ilude almas covardes.
Porque repete-se o torto
Jeito quase sempre tenso
De versar sobre mil coisas
E rostos que mostro.
Inverso ao próprio nome
que me deram em altas tardes
Rasgo a roupa do meu medo
Faço alarde.
Grooves n'alma
Cães
Pernambucanoss Grooves n'alma
A se abandonar
Pelas trilhas nordestinas de ouvir cantar.
Tambor tocar
Guitarra a derreter
Perder-se no imenso viver
Razões, espaços, canção
Sem rejeitar
Balaços de sonho ter
Parábolas de viver
O importante da canção.
E pra que falar de amor?
Amor não é pra falar
É pra tocar miudinho
Retratando quebradas de morro
De linhos
Sacudir
Levantar poeira do coração.
Tambor tocar
Groove de alma a saber
O corpo no balancê
Da trilha desta canção.
Resumo
Chorei
E os tempos
Dos pingos dos olhos pintaram repletos destinos
Sabe, cada gota que embalo
Nos olhos que hoje pintei
Transforma a beleza da arte
Em algo que sei.
Calei-e ante a morte sem planos
Outra pessoa que morre
Transforma em detalhes
Cada plano de vida
E assim perco-me dos detalhes
Revejo o sol e a cor
De cada insana palavra
Que Deus retrucou.
Desfaço-me da forma
Que inibe-me a dar
Aos tempos nomes e tantas
Verdades e planos
Deixo-me ao ar
E sigo a emoção que encanta.
Parti-me em pedaços cantando
Colei-os com vidros
Pintados à mão pelas meninas
Bailadas em festa
E agora me resta ser só pessoa
Rasgado nos ritmos do sol
Das noites que luminam faces
Nos versos
Nos sons.
Arrumei as asas de anjo
Parti bonito
Sem vento voei pelas águas tão cristalinas
Que chorei ao ver o novo
Nascer após Eclipses de Sol
Das mortes que acabam
Que Torcem os raios de sol.
Versejando coisas
Resumo luar
E bailo na intenação tanta
De ver-me encanto
De só bailar
Viver contra a morte que alcança.
Será Paz?
Por aí sem rumo
Parco, alto, mudo
Sem consciência do entorno ao ar.
Canto
Sem sentido
Sem sumos de frutas e ruas
Falo em versos de lugar.
E não mais há nenhum lugar
Na mente, alma
Nada a voar.
Ando
Sentindo os tantos
Jeitos de ser anjo
Demônio nos cantos
Bem e mal
A se trançar.
Sonho
Cada outro plano
Cada desengano
Enfrento-me a desintegras.
E não há mais eu a lutar
Palavras perdem-se a vagar
Pois não há
Nem palavra a soar
Silêncio mundo
Tudo a calar.
Ando
Por aí em tantos
Jeitos e acalantos
Versos e encantos
Que aprendi a cuidar, regar.
Canto
Pelo próprio Canto
Pelo desencanto
Pelo amor, que é tanto
Rimo Deus a mar.
E só há
Alma sem lugar
Aqui, Agora, parto a bailar
Pois só há
Ser mesmo e não mais
Que alma em si inteira
Será paz?
Qualquer Palavra
Inventados de porções de Tempo
Parecia inevitável
Por um momento.
Mas a marés reduzem as calmas
A detalhes sem importância
E reverso ao que sinto, alvo
Me reduzo a criança.
Eu já não sei
Se é tristeza o que me acaba
Ou outra lei
Que me distorce toda a alma
Aqui só sei
A trilha que ando nas asas
De minha lei
Que me impede de morrer por outra alma.
Estranho
Mas nas ruas onde ando
Se arrasta
A mediocridade da abundância
E eu cansado de sonhos cortados
Por aí vago sem dança.
Ver luzes outras neste mundo frágil
Na fragilidade de minha irrelevância
Conduz meus passos em assaltos
Aos amores de luas tantas.
Pouco eu sei
Destes caminhos que se trançam
Só vou
A ver tudo um pouco, tudo em alma
E erro a ver
Coisas tão lindas desperdiçadas
Morri, eu sei
E renasci num jeito de qualquer palavra.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Palavra Vida
Navegam vespeiros
Palavras e hábitos
Que surgem retintos
Nos velhos recantos
Destas lidas que cortam peito e olhos alvos
E sim
Nas palavras não sofro
Me acabo
Nas hastes vivas de um sorriso em prantos.
E tanto que tanto valem
Palavras de ódio e dor
Resultante de mentiras que meninos dão ao avô
Como harpas de descidos anjos que não sabem cor
E fim.
Assim disparatado
Pernambucando a dor
Rebusco almas lindas e reinvento o sabor
Destas multidões curtidas
Destes trilhos de pavor
E fim.
E na palavra vida
Reimenso antro
Me torno refeito
E como meu haipo
Segredando íntimos medos desenganos
Sabedor de palavras, versos, cadafalsos
Sabedor de Chinas, Chilenos sonhos tantos
Em que cabem amigos
E meninas salto
De vulto fecundo
E trilhas de espaço
Que hoje consigo saber serem tantos.
Véia
Cansei de ser canção
Cansei de cantar
Irresponsável íntimo morreu de medo
A saber
Da morte de outro
Dúvida de calor.
Há mesmo algum Deus que saiba explicar
Estes tristes
Estranhos
Fortes
Desejos de voar
A alcançar outro eu?
Eu sei lá canção?
Me calo inteiro.
Vejo o sol desta manhã tão estranha
E me rasgo na incerteza
Dos planos.
Já não sei se meu nome é meu próprio mar
Ou se basta tornar-me então
Natural herdeiro
Se esta coisa tempo é parte tão de mim
Se há algum amor
Pós negar sorriso.
Disseram que morte é livre
Alma em vento
Não sonho assim
Calado disparo outro invento.
Se você
Sumiu assim
Calculo que deus
Que repara cadarços e musgos
Mente na ambigüidade da voz
E então peço a Deus
Irresponsável e inerte, confuso
Cale-se e ajoelhe ante a nós.
