sábado, setembro 30, 2006

Egotrip

Cortes d'arma, revólveres
No esteio da encíclica
Da razão
Que corrói a espada da imersão
Do sentido de busca sem valor
Do Guerreiro Ogum
Oh! Vãos fiéis
Revolvereis a palavra sem amor
Que não cabe no ímpeto do soul
Que amei no dia em que caí.

Lambe-botas, confusos hiperritmos
Da confusão de versículos que sou
Esperado no instante da flor
Que almejo no dia em que meu sim
Espalhar retrancadas formas-gol
De sabres sem letras
Só o fim
De um extremo e imenso vil sabor
Que não explico mais
Eu sou assim.

Basta-me a cor
E já sei
Recriar flor
Sei-me flor.

Rasga roupas
Não me pergunte íntimo
Ressaber de palavras alto ardor
Não sou bom em recifrar louvor
Meu lirismo é mínimo, é M.I.M
E de mim é estrelador de sal
Algoz de tormentador de sins
Nesta liz que de flor não é o mal
E nem mesmo saibo o que é ela enfim.

Confusão de cansados estrelismos
Avant garde de nada
De autor
Que sabe ,saberei, saber sabor
Rimar ricamente algo que assim
Faça auto de paz
Oh! Vão fiéis!!
Ouçam o grito do homem-gol!!
Veja Exu me fazer bem mais que sou
Saiba Logun e escrevas já quem és!!!

Arde no ardor do ver
Sabor de cor
Mil de cor.

Decorados versículos mais ínfimos
De uma busca noção de vão
De pés
Parca imersão d'água no meu íntimo
Eu que Sagitário hoje sou
E nem sei se meu ego é a luz
Ou se é parte maltratada, ar, cor
De uma rua que em Guadalupe sou
Ou do Soul que hoje de tarde ouvi.

E eu de seios, e mágoas, de jasmins
Rasgo e crio de novo a invenção
Já não calo de mim a imensidão
Egotrip de invernos sem fim
Falo alto de mim, sou desigual
Nas represa que vaza hoje assim
Verso meu não tem sentido igual
Nada tem mais de mim
Sou hoje sim.

Suburbana Alegoria

Sob neblinas o jornal
Argumenta sem sinal de horizontes
Lagos, dunas, sonho, sal
Espelhos d'água separam gentes
Do senhor.

Ventos ardem sob intentos
Escombros molham a paz da flor
Em cor
Meninos compõem acentos
Sob rimas despedaçadas
De magro desamor.

Subúrbios colorem algo marginal
Ruas de sombra fazem o tropical novo horizonte
Calcular espelhos sobre o mal
E escrever segundos inexatos.

O ônibus não parou.

Nas agendas outro tempo
Horas se perdem entre o mel sem flor
Magros homens são inventos
E meus olhos já vão cansados
De todo calor.

A alegoria desta rua-mar
É a saída solta de outro instante
Não mais há dúvida sobre partir ou ficar
A cor da lua me faz jornada
De homem, anjo ou cor.

Pedale enquanto é tempo
A luz da lua faz do sol
O Pôr, das almas em movimento
O mar aqui não cabe
A polícia chegou.

E porque todo o movimento?
Porque o sangue é todo momento?
Porque o mar não acorda em números
Na calçada hoje me flor?

Me armo em prol de todo desarmar
Espelho o mal com o suburbano horizonte
Nas alegorias de outro estar
Jaz em meu luar o sonho, a paz
Que não me acordou.

Suburbana Alegoria, intento
Estrelas fora dos lamentos
Ruas de sangue, movimento
Escadas soltas entre meus jardins
Na cor
Das estrelas que nasceram em mim.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Regina?

Pude perceber
Inquieto, confuso
O real por na canção os pés
E talvez colorir de audácias
Um nada perceber.

Como as flores
São parcas para dizer
O que sou eu afim
De ver-te em meus sonhos
Ali onde eu achei.

Saber-te é ver algo além de mim
Saberei saber tuas belezas?
Astros pairam sem nem notar.

Nada sei do veio interno, difuso
De teu próprio olhar
Rebusco meus dedos
Meu corpo
Mudo
Mudo meu próprio mar
Para perceber
Se há algo além de mim
Pra nem te dizer
Olhar apenas
Note as garças ao mar.

Ser espaço

Se a arte for distúrbio da palavra
Ou dança for a perda da clareza
Me dê um anoção de morte nágua
Me atire lá na Barra, na correnteza
Para que eu seja náufrago
Um espantalho morto pelas incertezas
Que cada verso já recolhe nas presas
Dos cadáveres que mordem orelhas.

Eu, mudo, mundo digital
Mudo mundo animal
Fonte de cor
Alarde de tom e sal
Migração do som, do mal
De todo amor.

Se as mágicas de perder-se em sono
Fosse do sono toda correnteza
Milagre-me no desespero tonto
E torne-me um Carcará brabeza
Só me balance nas festas
Onde a matriz me empresta o tom herdado
Do corpo preto das macumbas da vida
Do corpo livre de ser espaço.

Se eu, mundo, mudo normal
Mudo, mundo, todo astral
Fonte de dor
Me espalhem entre um jogral
De meninos, cães e o sal
Que corrompe a flor.

Jogados com homem ao chão

Salgue nosso sol à luz
E reveja milhões de estrelas
Astronaves canibais
Dançam nos versos sem destreza
Sem nem perguntar depois
Se as paisagens são imensas
Nos atos descalços
De nosso corpo ao chão.

Note bem meu bem querer
Pois eu nunca acho que estou certo
E se eu perguntar procê
Posso precisar de um belo ato
Calado
Nos passos
Mas não é de mim perguntar.

Não abandone o seio do seu céu calado
E nem me dê respeito mal emprestado
Não pergunte as horas
Nem veja o saldo
Pois posso morrer de mal inventado
Assim a aprender tudo sobre não mim.

Perceba que o sol dá luz
Sem nem notar as filipetas
Que um menino distribui
A passantes mortos por gravatas
E passos mal dados
Filhos da mesma opressão.

Sei que não sei ser do céu
E nem do inferno que me queira
Vejo ônibus e o obuz
Dos soldados sem certeza
E enfado
Tão fartos
Como a mim pelo mar.

Se o meu medo e meio e meu céu rasgado
Podem perceber um sonho errado
Como desdizer meu passo dado
E este meu querer sem ver contrato
Se todo meu ser é este sim?

Me perdoem se do mar
Eu não recrio mais belezas
Avenidas mil brasis
Calam-me nas noites sem veias ou calços
Nos estrados
Jogados com homem ao chão.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Insano

Ardem espamos
Entre a graça do ser
Bate o passo do espanto
No coração remando
Sobre um mar
Que anuncia das manhãs
Um instante onde a fé faz calmos
Todos os dias de café
E a pausa para um cigarro.

Arde a tarde
Em meu próprio saber
Arde o fácil
E o estranho.

Existem semanas
E existe o ver
Paro nos telhados
Sobrevoando você.

Há verdade ?
Mesmo há o sofrer?
Há saudade ou prantos?

Tardes cantam almas que voam no sal
De um corpo livre
Que se faz imortal
Nas mil vozes
De um meu não dizer
Que se arde
Insano.

Poesias que caem de mil pés

Tudo em sonho venta
Arma a canção tão minha
Notas enormes que fazem heróis
Revelam do poeta o algoz
Que torna-se brilho, assim
A sós.

Tudo em mundo venta
E mesmo o medo brilha
Cria a infância do jeito de ver
Alto luar de azuis
E reflexo novo de saber.

Vagam meus olhos para entender
Este velho viver
Eu que me sonho sem mais mil manhãs
Eternamente sol.

Nasço mais hoje atrás
De meus sonhos fartos
Caminhos sem voz
Banais, em nós
Meus
Feitos das teias do presente
Que me fazem velho
Infante vivo no meu parco ver
Que se permite notar
Poesias que caem de mil pés.

Alta nova novidade

Vim
Daquelas montanhas, vim sim
Pra tentar reentender
Este sargaço de ver.

Vim
Redescobrir meu cansaço
Relumiar os meus passos
E talvez ser canção.

Vim
Como rebolado ser
Quase em frangalhos pra ter
Tudo o que quero querer
Vim
Sabendo sol de lambança
Vendo-me mezzo criança
Recordando paixão.

Vim e acabei vendo você
Será você o você
De tudo o que me é são?

Vim
E acabei na procura
A concertando cabeça
Talvez fazendo ilusão.

E eu costurando luas, lonas
Talvez beijando lonas, malhos
Parecendo reotário
A te ver nas praias do meus instintos.

E o que é esta minha rosa
Que talvez seja felicidade?
Talvez seja só idade
Alta terra
Que desfaz-se em meu delírio
E se faz alteridade
Alta nova novidade
Que se encerra.

Boa à beça

É sim
Posso não saber dar
Nem saber me portar
Pelas quebradas do mar
Enfim
Posso nem mesmo saber
E nem ter o que dizer
Assim
Como quem dá uma de lontra
Solta-se em vera cidade
Barganha luas a mais
Dou
Todo um querer te saber
Dou um saber nem querer
Um aprender a viver
E sim
Posso ser servo de ponta
Posso ser generalidades
E guerreiro marcial.

Porque eu gosto do cílio
Dos olhos, da malandragem
Da sinuosa imagem
Que empresta
À minha poesia silenciosa
Meu louvar banaliades
Meu olhar de molecagens tão perversas
Uma certeza sem ares
Uma vontade de mares
Boa à beça.

Bela e Vera

Entre as aspas que hoje escrevo
E a síndrome de ansiosa teia
Retém brilhos toda insensatez
Das estrelas vazias
Que não te enxergam vermelha
Nas penumbras azuladas
E de mim em ti fazem Nú
Vens
Bela
Que encerra minha dissonante
Confusão de tolo infante
Preso à paz das mil manias.

Verbo que dar-te
Morena
Minha certeza calada
Não existe no fonema
Que hoje crio pra ti
Entre as linhas do distante e doloroso poema
Que traduz saudades vistas.

És bela
És vera.

E onde o ontem
Formou-se como instante?
Se há mais
Onde te avisto?

Nos extremos dos meus atos
Vejo-te canção mais terna
Talvez recrie da terna
Inversão do verso à vista
Talvez seja paixão inteira
Talvez seja carência viva
Que meus olhos contradizem
Na terna
Interna
Chama que garante o aquecimento
O instante
Da minha paz
Para tua vista.

Guardo em mim silêncio oco
E um sonho que te cria
Guardo em mim o onipresente
Deliciar-me ante a vista
De teus cabelos presentes
Pretos como noite em crista
Guardo em mim teu sabor
E tua maravilha.

És bela
És vera.

Haverá antes
Quando hoje alguns instantes
Foste mais
Que todo dia?

Deus que me dê outros braços
Outra esperança, coragem
Pra vagar pelos delírios e construí-los com arte
Salvando com rimas aladas
Os passos que hoje erram
E tranformá-los em carne
Que em festa
Se entrega
E um beijo instante
Vê-se o outro
Se pensa e garante
Novo mar
De navegadoria.

Não tenho espadas, não sou bardo
Dou-te a mim, meu amor
Com apenas duas pernas, um verso e um sonho ator
Busco teus toques de estrela
Teu sorriso de quem tem
E sacaneia o vento.

És bela
És vera
E sou errante
Busco aqui neste instante
Num apaixonar
Que o coração rima.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Dias máquina

Se o dia cansado se faz
Ao longo da máquina que transforma ombros
Em extremos de peso
Permita-me em verso dar-te um sonho
Aquilo que resvala no fazer um riso.

Se o mundo faz-se intenso
No correr do dia inteiro
E maquinar-se de ausências
E o inverno tomar do sol
A diária luminosidade
Permita-me apenas
Do meu jeito
Dar-te o melhor
Que os dedos faço em vão
Para que talvez uma esguelha de leveza
Deixe em teus passos.

Se os dias não solarizam
Olhe os extremos que correm na chuva
E perceba ninfas que
Como a ti mesma
Bailam nas belezas de olhos poetas
E deixe-me apenas
Desejar-te a Deus
Como se seus passos fossem o brilho de um ano inteiro
Em planetas tornados fogo.

Que os dados de teus olhos
Este brilho encantado
Que assume-se guerreira
Sejam a forma do intenso
E tua alegria torne o sol
Teu sorriso.

Ser de Asas

Sem saber e sem palavras
Luais, sinais de sol e meio
Em meio aos reis
Faço resgates de vozes árduas
Pelos destinos.

E vou regato
No mau pedaço
Vou largos rumos
Nos multifundos
E ardo rubro entre meu corte
De peito
E os mundos.

E hoje o que é minha magia?
O que sou eu entre dedos, asas?
Talvez eu seja mais que menino
E mais menino por ser de asas.

domingo, setembro 24, 2006

Com saudades

Casas de ar
São vozes sem sons
Balas que assustam tubarões
Nas janelas do não mais ver
Peças ao mar
A repintar ser
Atores de saber bem ver
Esperanças e aflições.

Busquemos arte de dissolver
Muros que escondem viver
Pelas ruas sem corações.

Rasga-me a fé
Meu amor de voar
Pelos penhascos sem mar
Da inversão das artes
Eu que sou cor sem mais céu
Filho de marte que vê
Sóis, cidades.

Penas de olhar
Asas, rosas, véus
Caem sobre meu não viver
Eu que calo-me ante a cruz
E faço luar do meu vago ver
Rimo estrelas com teu você
Já não sei-me saber sem mel.

E todo o mel
Toda flor do meu mar
É talvez te esperar
Rebuscando saudades
E redescobrir ouro ar
Abrio as asas dos tão meus
Passos d'arte.

Baila-me lá
Cruzes de bom céu
Ruas largam-me, largas ao léo
Pelos cantos das multidões
Eu tão incréu
Não vejo-me ao mar
Drago espadas de esperar
Com o intuito de ser canção.

E trago féu
Por tua flor, teu olhar
Sonho-te com o espantar
Das vegonhas sem marte
Que calo com ardor meu
Misturando ser e crer
Com saudades.

Não é tarde

Baila do mel o sussuro à luz
Eu não sei o porque seduz
Tua linha da boca ao mar.

Nem mais de mim notei o bailar
Do desejo a desequilibrar
A saudade do que não fui.

Saiba do céu
Um sabor de voar
Nascido do resgatar
A verdade das artes
Tu que me és a nadar
Pelos ventos do mais ver
Mil cidades.


Rodas no olhar
Que quis esconder
Já não sei se és bem querer
Ou o inverso que já quis.

Explode ao mar o satisfazer
De um sentido de querer
Ser do céu uma estrela azul.

E o que é o ceú
O amor e o estar
A teu lado a reparar, ruas dúbias e mares
Se hoje ainda há o véu
A fazer-me nem bem viver
De saudades?

Não sei se amor é este querer
Se é mesmo o renascer
De um pulsar de corações
Mas sei do olhar que quero rever
Do sabor de beijar-te a ver
Entre sonhos teu corpo nú.

Tenhas-me no ardor
De notar
O resgate do saborear
Versos feitos das partes
De um delírio de céu
Do carinho feito em mel
Não é tarde.

Crescente Onda

Vislumbre a nós
Entre o som e o que jaz em nossos ventos
Atos, veios
Que revelam anseios
Desertos, versos, restos
Palavras sem recheio.

E o que somos ao certo?

Há festas
Teu corpo alerta-me o mal
Na porta perde-se o tempo
Desejo ter teu calor, em meu sonho de lençol.

Nos esplendores que contas
Pelos passos que admiro
Rasgo o livro que abraço
Esqueço o orgulho e o linho
A te ver
Tomando-me as notas e as palavras.

Dê-me tua voz
Deixe-me só
Há mais que meus acentos
Que por teu beijo
Esqueço por desejo
Em tua alma, teus belos
Quadris, pernas e seios
Teus lábios tão impressos
Na meta
Da alma aberta ante o sal
Das costas tuas, teus tempos
Esqueço às vezes de me por no pôr do sol.


Rasgue o medo que me encontra
No silêncio que te digo
Não me cegue com teus lábios
Sereia que causa-me o fascínio
De querer-te
Numa crescente onda
Que me arrasta.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Janelas

Nota o espelho de espuma
A página em riste
O alto inventário
A regra que ruma
Pro externo fim
Da ausência do frasco de mel
Pra infinita ausência da liz
Pro arrumado campo dos sem céu.

Será que a rua farta é hoje vida?

Olha a instância toda
A decisão, os cristos
Os padres de roupa lavada e feliz
E vê história de quarto e chapéu
De madeira velha
Lama, chafariz
Amor de sombra
Que não lambe papel.


Será que a luz sem alma é hoje vida?


E acentua esta ausência infeliz
Com o brilho do olhar que me causa o som
Nos ventos os nossos olhos
Vão no triz
De toda dubiedade da invenção
No perigoso desafio de se ser feliz
E voar.

Nota
A casa é tola
A vaga que insiste em tornar-se espaço
De mútua loucura
De paisagens vis
É o retumbar dos jasmins
A tornar-se calma e medo sem véu
Tornar-se fúria distante e infeliz
Tornar-se lua, surpresa, chapéu.


Será a janela feia hoje a vida?

Há um você

Inventei cantar
Mode namorar
Inventei querer
Pra mode viver
Assim mei sem querer
Querendo você
Pra mode fazer
Tudo com você.

Na foz
Na voz
No algoz de mim
Há um você
No atroz
Na Noz
Nos Nós de mim
Há um você.

terça-feira, setembro 19, 2006

Simples assim

Simples assim
Eu te vejo ali e aqui
Seduzindo verdades e sons
Sabendo o vão
De todo chão
Sabendo não.

Já nem creio que o sol não é a ti
A tornar-me verso em cada mão
A perder-me na doida paixão
De aquecer porão
Do Alasca fazer Taiti.

Exagero nos cantos por poder fazer
Versos tortos para te louvar
Sabe mesmo que decidi nascer
Pra te ver rir?

E depois desencarnar fazendo trivias
Pra que anjos bons
Possam ter dias
Em tola euforia
Ouvindo a canção
Que escrevi por paixão
Só para te dar bom dia
Na atrevida magia
De ver-te beleza em som.

Gatilhos se acendem

Toque o corpo com seu sonho
Lamba as feridas
Veja como o som parece apenas a invenção
Do medo em si
Do risco em si.

Toque o risco e o medo
E perceba o teu próprio sangue
Que pode nunca ser frio
Mas abre os olhos e acha
A alma que vira turbante
E explode como quem destrói o medo
Do que viu na TV.

E assim parece que as conversas
Se tornam palavra
E voam qual anjos em espadas
Que perdem a calma
E perambulam pelas vielas e pelos becos vivos
Dos homens.


Traga o risco e o medo
Fale risco e o medo
Torne tudo este teu mesmo sangue
E perceba o sorriso
Do aço que te corta o corpo que foi.

Não se esqueça que o espaço
Não é como antes
É de gente que morre nos estalos
Destes dedos que curtem miséria
E dizem não aos que tentam ver nos cornos de todo meio dia
Uma novo nascer.

E por isso teu medo não é irmão
É um fio que desce da alma que versa
E torce de toda palavra
Um espanto
Um descanso
Desencanto
Que hoje perde a calma em vão
Arma em vão
Alma em vão
Que traduz farpas.

Enquanto se ouvem os dedos nos gatilhos
As luzes que acendem gatilhos
Gatilhos se acendem.

Sambatuque de corda

Samba que dói no ouvido
É tiro de sangue quente
Malaco ganhando no rateoi da miséria do dia
É truque de cobra na hora do bote
É destino inseguro fazendo som de bronze.

Sambatuque de corda
Nas veia do desenvolvo
É trança de almanaque em pedaço de rua
É viela, é pau de pedra torta
É praia maneira sugada de lama e óleo
Nas beiradas dos Rios
Dos recifes que me pernambucam.

Por meu gosto

Por meu gosto
Estas tardes quase todas
Seriam como músicas sobre o mar
Que te dôo
Num delírio de paz
Que ascende em mim.

Por meu gosto
Te mostraria astúcias
E a minúcia que hoje mais não se faz
Como um vôo
De gaivota que vai
Te achando em mim.

Por meu gosto
Te seria mil semanas
E dos cantos te entregaria mais
Quase um topo
Onde a pira que jaz
Toda acesa é a ti mesma em vôo
Recriando faunas, floras.

Por meu gosto só haveria a ti.

Tardes e Vinhais

Já desperto rindo
Entre a nova vontade de ser
E a força que arde
De tocar teu corpo
E me lançar
No natural e crescente
Delírio de perceber
A ausência de meu medo
Ao te ver canção.

Sei que é delírio o meu cantar
Sobre teus olhos, corpo, seios
Como se o mundo fosse perfeito
E fossemos só prazer
Mas meu verso é gostar de você.

E por isso crio
Das palavras soltas um te ver
E ao te ver as tardes
Brilham mais
Se tornam um despertar
De todo um mundo presente
Uma alegria de ver
Do universo um traço cheio
Desenhado à mão.

De todo o teu lindo olhar
De teu sorriso sem espelhos
Que cria vinhais e perfeitos
Sentidos de um prazer
Que espero ver em plena cor.

domingo, setembro 17, 2006

Corpo de Lua

Seus
Dançares de corpos
São dois mundos que empurram
Pro corpo a voz
A cor
A lua
Deste teu corpo que em flor
Me espanta qual visão
De mundo sem roupa.

E o espantar, cansado apronta
E talvez não cria a luz
Dos mistérios
No toque incerto
Mas há lua
Sonhar-te sempre nua
Vive
Toque quente
Na pele inclemente.

Sim
Das chances de ficar-te em sóis
De manhãs à toa
Há o toque ardor do corpo
À solta
E como te chamuscar
Pra calmo e manso ir a sós
Para a lua tanta
Do esgotar-se em corpos, ondas?

Há um poder em teu azul
Vão mistério
Teu gosto de inverno
Tua nua
Beleza que de lua vive
Inclemente
Deixa-me o corpo quente.

Dá-me o verso
do teu corpo imerso
Na loucura
Da expansão mais nua que vive
Nos extremos
Dos corpos em movimento.

A chuva que caia

Palha molhava a alma
A rua andava
E o surgimento da linha
Fazia a guia
Pernas trançavam calmos
Passos de espaços
E o sorriso mais brilha
Quase euforia.

Rostos mais luminosos
Corpos expostos
Dançavam música fria
Frio fazia
Estradas corriam pedras
Areias eram
E as meninas sorriam
Brigavam, caiam.

Chamas nos olhos cantam
Dançam espantos
Sons mais estranhos surgiam
Rostos cobriam
Fantasias de outros tempos
De outras ondas
De quase noção vazia
De um bom dia
Perambulavam por entre o corpo
E o que o poeta ria
Talvez de dia.

Ia na alma fera, a cor de terra
A encruzilhada
A estreada, a rua, as meninas todas
As luas soltas
E A chuva que caia.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Sem explosão

Entre as velas
E o mar que atingi
Vi na vida o atroz sorriso ínfimo
Das caladas das ruas
Fiz meninos
E sangrei como o vento sem canção.

Nunca leve andei pelos meus medos
Com a mão descarnada de meninas
Que sussurram e urram sem saída
Como quem faz de mim pleno vulcão
Sem explosão.

Nenhuma escuridão

Nada mais se recolhe aos ventos
Ou ao mar
Vergastam meus olhos as palavras
Ardem imensos corações
Entre árvores
Siluetas loucas
Dançam vaidades.

E eu aqui
Vendo na palma do véu
A extrema intensidade de um não andar
Como assim
Tudo fosse imenso e vão
E a verdade iluminasse
Nenhuma escuridão.

Não se abale
Não vejo ao norte mais cego
A noite agora perambula
Ao léo.

Artes novas perdem dedos
E calam-se, tolas
Nas estradas as mulheres
Fogem loucas.

E eu aqui
Verdejando a plantação
Me calando vão sobre um teu olhar
Feito assim
Um chicote sem paixão
Uma árvores que evoca
O não frutificar.

domingo, setembro 10, 2006

Amor nas escuras nascentes do eterno

Amor é das palavras alvo ou relincho de sonho
Nas escuras nascentes do eterno.

Um amor não causa ventos sagazes
Deslinda-se nas ondas dos pequenos sonhos
Palavreia autenticidades.

Um amor é gente, mão, perna
É calada e voraz correnteza
De alentos e doidos sonhos.

Um amor é dor pequena e explosiva
É maratona de corpos deitados
Sangue e mortes sem segredo
Um amor nasce do toque, do cenho
Do desejo
Nasce do medo, da lágrima, do triste.

Um amor surpreende vaidades
Nega segredos
Some
Torna-se tudo
Faz-se ausente
Faz-se saudade
Outro
Teu.

Um amor é pai sangrando a dor do filho
É o toque de irmãos que são braços novos
É a boca beijada na manhã de novos dias
É o último beijo
É o meod do beijo.

É a mãe que arraiga etenridades no sangue do parir
é o eterno reencotnro de si mesmo
Nos outros
No outro.

É a multidão que avança ao lado e morre em penas
E causa danos nos olhos
Que já tristes esperam salvações.

Um amor
É a esperança que explode intensa
Na manhã do dia dos passos
E constrói das pontes almas
Que surpreendem o muro que mata
E faz-se campo fértil
Das calmas caladas que viram o novo.

Um amor não explica-se
Nem mente-se
Nem cria-se
Um amor é
Como se cada nós da gente
Fosse o único de cada
E único fosse o todo
Comos e amor fosse.
Amor não é Deus deitado
Deus dor
Deus medo
Deus riso
Um amor é Deus de tudo e festa
E palavreio de olhos marejados
E voz calada no sentir.

Um amor sou eu, sou tu
Sou nós
O amor é o toque disso
De eterno que há em ser.

O Amor
É o simples olhar das estrelas
Nos olhos de outros
Nos olhos ciganos que passeiam em meus sonhos
O amor é isso
E sua negação
Pois amor é mundo
E mundo nasce nos rios das esperanças feias.

Menino

Era menino
Quase não era
Entre os dedos azuis
E a voz transformada em mar.

Causava nuvens
Com suas esperas
Recriava do Sul
Um sonho de quase estrelar.

E o que era sonho?
O que era nuvem?
quando aos olhos a cor
De todo seu reviver
Baila nas luas
De outros olhos
Caminhantes ao léo do mar.

E todos eram
Todos meninos
Sendo do dia a cor
Das batalhas, do mal, do mel
De seus sentidos
Mãos, sonhos, pernas
Construindo arranha céus
Pontes, palavras
Todos qual ninho
Todos já sendo um
No menino azul do céu.

Céu já menino
Que quase não era
Refazendo azuis
A estrelas que fingiam mar
Em seu sorriso
Que já dormia
E reluzia o amar.

sábado, setembro 09, 2006

Um

Quantos de nós terão do sonho
O arraigado apetite do voar?
Quantos de nós do real chamaremos à chama
E veremos namoradas em ruas e multidões?
Quantas margens serão preciso atravessar
Para que nossos olhos vejam ninfas em meninas de ruas?


Não há em todo o sonho humano
A pequena escassez das máquinas que nos devoram
Não há na fantasia o heroísmo dos pequenos
Dos pequenos segundos e gentes que atravessam montanhas
Que fazem corpos em movimento e dança
Que das pedras constroem impérios
E muros que separam risos e peles morenas.

Não há mesmo a incapacidade do diário
De lamentar e se entregar
Na imensa voz dos sonhadores e gauches
Que todos os dias acreditam no impossível
E sobrevivem nas entrelinahs de nossas teorias.

E no imenso e fiel sonho
Nestas guerras de ônibus, trens e noites frias
Neste riso solto das esquinas
De subúrbios, charcos, roças
Nestas Folias sem Reis que as violas cantam
E nos trazem imensos sons de mundos novos
Perde-se valentemente o impossível
O improvável
O despertar de todos nós
Membros ávidos do imenso destino
De sermos humanos.

Sem guardas ou vãs guardas avancemos
Como se todos os dias
Rios fossem atravessados
Por nossos olhos infantes de vento e vida
Por nossos corações de imensa e imperdoável liberdade
Por nossa diversidade e comum história e cultura
Nós que , nunca únicos, somos todos
Um
Como a canção
Que vê luzes
Nos outros lados dos rios.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Uma asa que rompe asfaltos

Eu parto de ruas sem dias
E reencontro artes
Talvez seja um pergaminho embutido pelas partes
Das cores dos galhos, dos muros
Onde recrio cidades
E se vago como um louco
Possuo toda insanidade das Terras.

Pelas Terras dos astros
Vago alto
Olhando o fim das celas.

Já amei gnomos brincantes
Minotauros enclausurados
Hoje quero um sol
Um quadrante que me mantenha acordado
Pelos delíiros que artista galante como eu
Cria dos matos
Meu erro é o acerto dos cânticos
Dos Deuses inventados
Pelas eras.

E minha Era
É o farto
Salto alto
Que usa das quimeras
Uma asa que rompe asfaltos.

E é por isso que vejo graça
Neste saber do caminho
Pelo beijo
Que não promete nada.

Artista do meu próprio olhar

Hilário é o antinome do meu lugar
Artista solto nos descaminhos
Preciso e busco o mar
De um sorriso de espinhos
Quero o olhar dos Rios.

Por aqui nasce o sol na minha mão
E eu bailo pelos antros do perdão
Por assim dizer eu sou um baião
Um balão do céu
Rebuscando o caminhar.

Sonho em delírios fartos
Brinco a sós
Farto-me de milagres fugidios
Sou injusto e mudo
Conforme os Rios
E vento na míriade das incursões
De meus destinos.

Pois aqui
Sou imenso e farto céu
Cato conchas pelo mar e rejeito o olhar
Que não ri
Mesmo quando agarro a mão
E sou talvez criado
Pelo artista do meu próprio olhar.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Controle

Armários obtusos
Recompõe a fonte do verso de ontem
Caem das alcovas
Hortas, meninos pálidos
Flores
Que colho entremundos
De cuja paixão o recato me envolve
Trazendo pro ferver da pela
O impacto da palavra
Opressora
Incapaz de ir adiante
E recriar do caos as coisas todas
Que são meus ais.

Paralelepípedos surdos caem sobre a gente
Nas avenidas grandes
E fico a criar
O nome das palavras que já somem.

Revisito pedaços de uma alma em frangalhos
Eu na certa meio incerta do meu medo embolado
Perco o controle.

Espelhos quase mudos
Refletem olhos que não dizem o que
Vêem nas coisas que passam adiante
Entre meus passos e meus largos
Óbvios versos sem modos
Que ponho dipostos aos porcos
Talvez ame alguém.

Cato pedaços de atos
Discursos de esquerda falhos
Vou às festas
Vivo nelas como um profeta mamado
Perco o controle.

Arbustos, almas, mundos
Dos meus amigos o ser
É da dança quase um horizonte
E do amor não há porque
Aperceber
Só há o teu olhar
Cansado.

Recolho meus parcos atos
Viajo pelos espaços
Destas velhas almas ternas que cuido com cuidado
Já acho o controle.

Cálidos pedidos de carinho

Eu conheço detalhes dos versos
Como se dos dedos partissem ordens
Talvez minha única grande habilidade seja o irreal
O esbanjar de euforias e loucuras
Das brechas dos muros de concreto.

Asism como um andarilho das palavras
Faço meus passos
E busco o ínfimo expandir da alma
E sigo como cego em meio a multidões
Solitárias em si mesmas.

Do amor busco o explodir
O Sangue que move mundos me ritmos audazes
Não sou simples, é véro
E talvez nem memsoa lguém cuja confiança
Seja o signo que reflita estrelas.

Porém da coragem do irreal
Trago a fé no improvável
A mudança impiedosa
O vento de monções
Que arrasta pessoas e inventos
Até meus dedos
Cujas ordens impenetráveis
São apenas cálidos pedidos de carinho.

O invento que quis não criar

Não me cale nas entranhas parcas do olhar
Perca-se em mim
Antes que seja tarde.

Vaga em mim o súbito e incisivo som
Dos meus altares
Vaga o sonho árduo de me perder
Nas inverdades
Que aqui
Caem sobre arranha-céus
Escritods por um não eu
Escondido entre o meu voar.

Arde aqui
Um detalhe sem paixão
Uma visão do medo
Uma volta ao velho lugar.

Nâo esqueça nada
Talvez entre hárpias você vá precisar
Do meu medo, meu desejo, meu delírio mudo
Ajo agora como um louco
um obtuso
Pela paixão que inventei
E trago aqui confuso.

Sem sair
Tenha a clara espada ao chão
Tenha o medo, a visão
Do brilho deste meu olhar
Veja ali
Um retrato tolo meu
Leve o meu coração
Caso você possa precisar.

Há aqui
Um retalho imenso meu
Uma espécie de véu que nega-se a me cegar
Eu
Alí
Estampado em uma canção
Enredado na visão
O invento que quis não criar.

Sem mais

Já nem rio na ausência de paz
Me incomodo com tudo
Demais
Me reparo sem ato
Calado, amansado
Esperando prantos que não vão chegar.

Nem reparo que é tarde demais
Já tão cético com sonhos
E mais
Perdendo das palavras
As armas
As asas
As coisas que antes me davam voar.

Já nem sei sobre exatamente o crer
Construia da vida
Do mundo, docê
Já me acostumo com o tarde demais
Talvez eu seja triste
Ou tão só que da paz
Só ganhe grãos que não alimentam mais.

Talvez eu precise de mais
Mais do amor, da palavra, do vento
Deste imenso meu rio de antes
Talvez eu queira crer
Que te amo
Sem mais.

Segunda-Feira

Me espalho pelo mar
Canso-me do amor
Me calo por saber-me ínfimo
Vou a desbundar pelo morrir
Da água deste olho sem signos.

Nascer da tolice do amar
É ver o amor como esta coisa tola
Esta arma de dor que os que morrem-se em vida
Dão às pessoas.

Não ria
Meus atos não vêm salvar mais suas vidas
As ruas
Doem no ser que embriagado
Morre na manhã sem voz
Dos dias sem sorte.

Cada palavra tem mãos
E as solto pelas sinas
As ruas
São hoje o ver
Do meu átrio
A porta que faz-me voz.

Desculpe se a dura nova forma-canção
É uma pedra, um pedaço
Uma astronave, uma ação
Quie porra seus cornos na tarde onde o meu coração
Parece acordar de um vento
Que sobe na contramão
Desta maluca avenida fria
Dos sonhos vãos.

Dane-se o tempo
Eu quero é a duna
Daquele inverno onde a morte dava bom dia
Já não lembro da memória
Minha esperança é o ato bom da paz
Hoje acordo pra saber
Que minha verdade ainda é o meu sustento
E meus dotes de versos e inventos
São a morte do medo e do tempo
Onde alguém me dava paz.

Não há meninos, mortes ou redes
Que neste salto já me salvarão
Só meus braços são presentes
Nestas manhãs sem ninguém
Onde nasço por querer
E não reparo se existem novos ventos
Pois meus passos são somente imensos
Feitos do meu tamanho, meu intento
Que corróio dores mortas e do vento reconstroem paz.

Minha coragem, meu tempo

Queria ouvir da voz de todo o mar
Estrelas infindas
Novo luar
Sabendo assim ser mesmo minha andança
Ser voar.

Sabe, sei do amor a face cinza
Sei da mágoa
E da aventura o mágico pressuposto de arriscar
Das asas as penas
Das mágoas as cenas
Pois abre-se o tempo
Quando for partir de mim o bom amar
Quando meu verso souber se explicar
Quando minhas veias forem estas estrelas do meu mar
Pois do que sei do amor retiro a vida
Vida é arte
É mais
Do que saber-se parco, vil, no humano enredar.

E das asas as penas
Das facas suas lendas
Arrisco ao vento.


Queria ouvir a voz de meu amar
Queria sentir sol, onda e mar
Saber de ti, saber do mundo
Do olhar
O construir da cor da própria vida
Minha casa
Talvez sorrir pelo simples relembrar
Das casas, das cenas, palavras, cinemas
Das almas
Dos ventos.

Sabe, sei do amor a face linda
Não há alma
Que sequer saiba do amor o rebrilhar
Sem calma, sem a intensa palavra que alenta
Da alma o vento
Pois das asas as penas
Das palavra so que sustentam
Arrisco ao vento
Por calma, por intensa alma que sustenta
Minha coragem
Meu tempo.

Há o amar?

Já me sinto obtuso
Enredado em meu delírio
Vendo nuvens onde mundos
Rompem estradas e cios.

Já me sinto diferente
Quase sem meu coração
Quase que um repente
Desvendado da ilusão.

E o que é mesmo ser feliz?
Onde há o ser feliz?
Ser feliz é ver você?
É estar perto ou por um triz?
O que é mesmo ser feliz?
Haverá o ser feliz?
Ele está dentro de você?
Pode ser mesmo um saber ou o mar?

Já não sinto-me presente
Nem ausente desta mão
Que recolhe meus pertences
E os lança pelo chão.

Já não sinto mais o vento
Pelo rosto tão normal
Já não calmo pelos tempos
Onde meu instinto de sal
Rememorava o ser feliz
Descobria o ser feliz
No ato de simplemsente ser
O que guardava então em mim.

E hoje o que é ser feliz?
Onde está este feliz
Ente que já não é o ser
E pode nem mesmo mais querer?
Há o amar?

domingo, setembro 03, 2006

Em teu riso

Te reparo na rua
Nas estrelas
Do teu próprio riso
Teu olhar de esguelha
Te namoro como se a vida
Tornasse mais linda
A própria dureza
Das palavras
Do trampo, do riso
Me sinto mais gente
E isso pode ser amor
E acontece como se no presente
Houvesse um futuro
Algo com outra cor.

Te desejo como aprender nas estrelas
O novo sorriso, uma vida inteira
E te quero não por só um dia
Mas por todo o tempo da vida inteira
Como um esforço sincero e preciso
Calado e vívido
Um tornar-me infindo
Pelo nome das coisas que encerram
O desejo que beija
E constrói-se em teu riso.

Prazer Cantado

Eu reinvento milagres
Você vê sois largados
Eu descubro praças
E você me vê sem lados
Incerta.

Eu calo o desejo farto
Você me espia deitado
Eu amo o carinho incerto
Você me deixa sem espaço
Pra mentir outros ares
E nem sequer mais me calo
No interesse das artes
Talvez eu fustigue alvos
Sem meta.

Pois a incerteza do ato
Me faz calmo
Na espera do que o fogo empresta
No incluir dos meus versos alvos.

Eu espero o dia ser marte
E acordo mais suado
Você me conduz ao mar
Que não me empresta o fardo
De sua festa.

Eu reespero da tarde
O iluminar mais alvo
Desejo teu corpo, tua arte
Teu sorriso me cria o espaço
Que você em obscuros melindres
E Árduos fatos me ensina
que o dramatizar das coisas
Não é exatamente o ato
Que se encerra
Na incerteza do alvo
Que de claro
Só possui a vaga espera
Que hoje aprendo como um fardo.

E hoje no dia seguinte
Dos dramas mal inventados
Conduzo o desejo que incendeia
Pra mares não navegados
Você com a beleza mais tênue do mundo
Me mostra estrelas e astros
E eu te desejo mais intensamente
Na mente, no corpo
No calmo som da fera

E a fera é o meu ato
Este ato que sonha com sua festa
E este delírio encantado
Que é tua mão nos meus braços
E meus braços envolvendo-te
Na condução da estrela
Que é o teu prazer cantado.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Artigo de Luxo que seca Países

Artigo Recente da Jornalista Carla Rodrigues do Site No Mínimo , com o sugestivo título de "Água mineral, o lucro que vem do luxo", comenta: "Para se ter uma idéia de como o negócio da venda de água mineral tornou-se lucrativo, a divisão de águas da Nestlé é responsável por 10% dos lucros de todo o conglomerado. Para cada cinco garrafas de água vendidas no mundo, uma é da Nestlé, produtora presente em 36 países e 75 marcas diferentes, entre as quais a francesa Perrier e a italiana San Pellegrino".

Além disso coloca a curiosidade do fenômeno do aumento da qualidade do tratamento das Águas nos países desenvolvidos e o aumento de consumod e Água mineral, quando este não seria mais preciso. A jornalista vincula este fenômeno ao fato do "o impulso na degustação da água mineral pode estar muito mais ligado ao consumo de artigos de luxo".

Pois bem, isto pode ser suspresa para muitos, porém para quem acompanha há algum tempo a questão da exploração das Águas Minerais não é surpresa nenhuma, é uma constatação por vezes dolorosa.

Investindo pesadamente na exploração de Águas Minerais há pelo menos 15 anos, primeiramente adquirindo empresas com licensa de exploração na Europa e nos EUA, posteriormente ampliando este arco de ação à América Latina, A Nestlé é um exemplo claro de como se dá a maravilhosa conquista da Água engarrafada pelos países desenvolvidos.

Em associação com a Coca-Cola ou agindo sozinha, a Fantástica Fábrica de Chocolates, Benemérita maior do Fome Zero e titulada pelas revistas Semanais como campeã na Responsabilidade Social, A Nestlé, coleciona, pela sanha de aumento de lucros e domínio do mercado internacional de água, diversas histórias interessantes, que vão desde ter a exploração de fontes de água em Michigan embargadas pela justiça por crime ambiental até ao fatod e enfrentar diversos processos no que tange à exploração de águas minerais na Europa e no Brasil, mais precisamente em São Lourenço, Minas Gerais.

Com um estilo que navega entre o de ignorar leis ambientais e de exploração mineral e o de relacionar-se, de modo no mínimo suspeito, com as diversas instâncias do Estado, Governos municipais, estaduais, federal e parlamentares, A Nestlé desde 2000, pelo menos, tem causado a destruição do lençol de Águas minerais de São Lourenço através de um processo de superexploração que chega a um milhão de litros de Água Mineral por dia, através do processo de bombeamento de água, processo ilegal, já que o Código de Águas determina que a extração das águas deve ser feita através da vazão.

Além disso é constante a violação das leis brasileiras quando se observa que houve desmineralização comprovada de água mineral para fabricação da Pure life, quando se observa que houve exploração não autorizada de poços recém descobertos, que estes mesmos poços foram encontrados através de pesquisa não autorizada, artifício da lei que auxilia à monitoração da pesquisa de novas fontes de água sem dano ao lenço, elemento extremamente sensível do meio ambiente.

Isso sem contar a truculência no tratar da população local que resiste à sanha destruidora da empresa e lutou contra as ações que podem levar ao afundamento da cidade de São Lourenço, construída acima do lençol de Águas minerais e sustentada por este, e ao fim do lençol de águas minerais, dado que o esgotamento foi inclusive detectado pelo DNPM (Órgão Responsável pela fiscalização da exploração mineral).

Estes fatos são apenas elementos que assinalam o modus operandi das multinacionais que hoje alimentam o mercado de Água Mineral e podem ser confirmado sem diversos sites, desde o do Circuito das Águas (MACAM) até o da Revista NOVAE. A questão é que, enquanto abastece as prateleiras da Europa e EUA, a mesma Nestlé seca fontes e destrói o meio ambiente de diversos países.

E tudo isto em nome do São Deus Mercado, esta divindade que atua no abastecimento do caixa de empresas que cada vez mais buscam o lucro sem medir seus atos e acaba por secar a fonte de vida dos países periféricos, indo além das águas, sugando a vida das pessoas, matando cidades e rasgando a lei que os locais são obrigados a obedecer.

Sem falar na crise da Água como um todo, elemento que é vital para a sobrevivência da humanidade e quem vem sendo deteriorado paulatinamente e com uma velocidade cada vez maior pelas diversas agressões existentes ao meio amiente, algo que vem sendo cada vez mais comum no Capitalismo.

Por isso é interessante o enfoque no sucesso do mercado de águas minerais, no crescimento do mercado e na sua vinculação aos artigos de luxo, interessante porque o artigo d eluxo tende a ser mais que isso, tende a ser o petróleo do Século XXI, ma sumpetróleo que mata de sede quem o possui em suas terras.

Por isos a Água,pela ação das empresas que a explroam, é um Artigo de Luxo que Seca países.

terça-feira, agosto 29, 2006

Navegar, navegar, navegar

Descrever-te é pros olhos
A arte do morrer
Pois como falar-te em meio
aos brilhos que a vida
Impõe a nossos sonhos humanos
Apaixonados pelo jeito
Que a bela escorre
Por entre ruas, pontes e trilhas?


Descrever-te é pro sonho
Quase que um nascer
Pois o ver pelo olhar dos que amam
Não é mais loucura
É saber-te sorriso que Deus
Inventou sem limites
Fez teus olhos do mel que do mar
Faz o olhar navegar, navegar, navegar.


Descrever-te é pros dedos
Quase que um tecer
Das maçãs do rosto a esperança rósea das luas
Das trilhas
Que formam teus ombros que sustentam mundos
Em segredos
Que a pele revela aos toques que são poesia.

Descrever-te é pros lábios
Quase que um sorver
Da sanha que encanta a palavra
A versão da loucura dos lábios
Que adentram nos meus
Recriando as sílfides
Que levam-te a ser todo o mar
Pro olhar navegar, navegar, navegar.

Na arte vil dos pobres

Nem sei dizer algum retrato
Espelho o amálgama do medo
A ver, fazer, tudo errado
Nos elos que marcam-me os freios
E os lumes
Dos morros, dos matos
Que estrelo em canções sem recheio.

Atores resmungam em um ato
O corte do ceifador feio
E os mundos
Ajoelham-se pálidos
Submissos às ações dos Donos do Engenho.

Há cores demais nestas máscaras
Que encontro já mortas
Deitadas
E entre os odores que ocorrem
Resulto no ato que decorre
Das formas e Horrores
Que morrem
Na arte vil dos pobres.

Olhar

Acordo entre dedos e pessoas novas
Parto sem segredos
Espero ser feliz
Pensando nas coisas frias
Carros, aluguéis, memórias
Esparsos atos findos
Sorrisos de verniz.

Espelho o carinho que arde em poesia
Entre o sonho meu
E o sorriso que calado admirei feliz
Esperando algum rompante
Que construisse um mar
Onde eu navegasse
Criando um sonho teu.

E pelas ruas
Retiro da saudade
A construção da loucura
E a razão mais linda
Que existe nos ares
Onde o teu ritmo
Embala o passo meu.

Difícil escrever alguma coisa nova
Trabalhar desejos
Buscar do que se diz
A construção da Geografia
Do teu corpo na memória
A inspiração do vento
Tão teu que todo em mim
Calhou de marcar da poesia outro sonho meu
Escrevendo sementes nos áridos jardins
Que alcançam outros quadrantes da dimensão do olhar
Este olhar que tem asas
Este olhar tão teu.

Que das luas
Explica das verdades
A inversão da loucura
Ou apenas me inspira
A redigir-te em frases
Que façam-no só meu.

Na mídia, pedra é bomba atômica

Este artigo não tem a pretensão de ser definitivo ou mesmo explicar a guerra Israel X Hezbollah, nem mesmo de coroar uma explicação final sobre o papel da mídia no conflito, mas sim de pincelar observações a respeito do pitoresco comportamento de nossas redações a respeito do conflito.

É complicado para quem observa com cuidado não perceber uma certa má vontade com nossos irmãos Árabes na mídia Brasileira. É quase que praxe colocar Árabe como Terrorista e, como todos sabem, Árabe é qualquer coisa que venha do Oriente médio. Se bobear Camelo é Árabe e recita o Corão nos dias santos. Veio de lá? É batata! Árabe. Damasco é Árabe, Iraniano é Árabe, Areia é Árabe, só o Caviar Iraniano não é Árabe porque inventaram que o Caviar é russo (Tá! Acredito) e caviar é chique.

Os redatores e (muito menos) âncoras pouco se importam se Israel surgiu em um território anteriormente ocupado por outra nação por imposição do Ocidente (Sentindo-se culpada com o coração alheio pelo Holocausto), poucos se importam se os EUA entram em um País para ditar sua política interna baseados em "suspeitas" nunca confirmadas, poucos se importam se para três pedras atiradas, Israel resolve lançar quilhões de mísseis, o importante é defender a tal "civilização". Civilização essa que alguns acrescentam o epíteto de Judaico-Cristã.

Todo mundo que não fica sentado esperando bomba e acenando como os Pingüins de "Madagascar" é terrorista. O pai que perdeu seu filho em bombardeio, os caboclos que perderam casas e família e partiram para uma atitude mais, digamos, drástica, é tudo terrorista. E agora o PCC também é terrorista, ou seja, daqui a pouco a rapaziada do Oriente Médio vai perder o charme de terrorista e cair direto na nomenclatura de Bandido. E você sabe,né? Bandido bom é bandido Morto. E Tome GETAM, ROTA, versão Judaica - Texana, sem culpa e com orgulho. Até porque defender civilização é mais maneiro que defender um sistema, certo? Pelo menos no âmbito da publicidade.

Aí que está o busílis: Todo este bafafá, esta terminologia, esta postura é fruto da defesa intransigente e cada vez com menos argumentos de um sistema que não só precisa do Petróleo existente no Oriente Médio, como necessita da Guerra para impor seus objetivos imediatos já que seus frutos estão no pé e causando danos cada vez mais nítidos para as populações dos países periféricos. O povo do mundo cansou de esperar por paz, tá indo direto pegar na prateleira.

E os donos do mercado não estão a fim de entregar, não acham que os custos foram pagos.
E o que a mídia faz? Uai! põe a voz do dono do mercado no autofalante e o povão que se dane!!
Explicar? Pra que? Nego não vai entender mesmo! Cumprir minha função social de instrumento de comunicação pública? Que isso, Rapaz! Eu sou uma empresa, quero lucro e o lucro está no sistema.E o sistema quer impor suas necessidades ao todo da população, você não vê que isso é modernidade?

Então assim é mole transformar pedra em Bomba Atômica, massacre em Guerra Justa, Resistência em Terrorismo e Crimes de Guerras em perdas colaterais. Porque na defesa do sistema que me mantém vivo minha boca só fala o som que o rei curte.
Tudo e todos aqueles que buscarem uma visão mais ampla, olhando todos os lados que tentem denunciar a hipocrisia da mídia ou mesmo lutar para combater um rolo compressor economico militar são vilões, terroristas, assassinos. E não falo só de populações distantes que usam o legítimo direito de resistir, afirmo também de grupos nacionais que resistem a um sistema muito parecido de opressão e extermínio.
Tudo aquilo que luta contra o sistema, vide MST e MTL, que questiona a propriedade privada que teria de ter função social, mas a função social que possui é a de socializar a concentração de renda e o apartheid rico X pobre, é taxado de criminoso, terrorista. O dever de informar é esquecido amplamente. A mídia assume como seu dever o condenar, o impor posições, o tomar partido.
Não que euacredite em imparcialidade, mas acredito em honestidade. E o que a mídia faz em todos estes casos é tudo, menos honesto. Qualquer desafio ao sistema ganha, no mínimo, o apelido de "arcaico" ou "fora de moda". Se for um desafio mais hard, mais bélico, então é crime na caruda. O crime que gerou o crime fica livre para existir, o ato final, a resistência, é crime inafiançável, hediondo, passível de assassínio.
Pra termos um exemplo: Quantas vezes você viu uma denúncia de mais de 10 segundos sorbe o assassinato de sem terras? E se as viu, quantos segundos você viu sem que aparecesse uma voz ligada ao Fazendeiro informaod da violência dos Sem Terra? Quantas vezes o ataque do Hezbollah foi acompanhado de uma descrição da quantidade de bombas jogadas por Israel no Líbano e da História das contínuas invasões e massacres feitos por este lá? Poucas,né?
Isso tudo porque a mídia pouco se importa com o dever de informar, afinal você é estúpido, você deve acreditar no que ela acredita, até porque um sujeito, mesmo estúpido, não pode ser arcaico e contra a civilização judaico-cristã. Mesmo se você não for nem judaico e nem cristão.

sábado, agosto 26, 2006

O Subúrbio de Chico e a Família Capone

É inevitável pro amante da boa música não se apaixonar pela Música "Subúrbio" de Chico Buarque. Poeticamente bem construída, tanto pelo lirismo quanto pelos versos mais, digamos contundentes, e melodicamente brilhante, o Samba-Choro deliciosamente nos embriaga, nos leva à poesia escondida nos Subúrbios, poesia esta muito bem notada pelo morador da Zona Sul Chico Buarque, excelente observador, como excelente poeta.

Porém, toda a lógica de observação do poeta se atém apenas ao aspecto "pitoresco" do subúrbio, leva a vida de seus moradores a um estado "mítico", como se não pessoas, mas personagens, passassem por um ambiente de vivência multicor e de uma coragem simples e feita por opção.
Isto fica claro não só na vivência diária, onde a poesia é embotada por uma vida dura e de constante desafio, mas também quando ouvimos grupos musicais nascidos no subúrbio e que saem do ambiente clássico de Samba e Pagode, do ambiente do Samba exaltação constante da vida simples. Quando percebemos o cenário do Hip Hop do subúrbio, onde busco o exemplo da Família Capone, percebemos um outro nível de poesia, ritmo e cor, que constrói com muito mais realismo e força a realidade do subúrbio e investem na construção, a partir desta realidade, de uma voz atuante e transformadora da mesma.

Com uma força musical e melódica ímpar, quase um rolo compressor de poesia e ritmo, o RAP clássico, a Família Capone fala do mesmo Subúrbio cantado por Chico, colocando as questões vividas diariamente por um povo que nutre por sua vida uma paixão muito mais que forte, uma paixão necessária para se manter a cabeça erguida e a vida mesmo, porque viver no subúrbio não costuma ser mole não.

A Família Capone fala da opressão policial, da questão da violência, da necessidade de impor-se diante de uma opressão multifacetada, do estado ao tráfico, da busca do Orgulho de ser membro da comunidade sem precisar partir pro "caminho errado", fala dos amores sem o simplismo da poesia lírica e ainda mais, mostra como um urro de classe que poesia é coisa de gente grande e nem por isso precisa viver na fantasia.

Chico constrói uma imagem belíssima, mas não consegue sair da visão do turista que vai à favela e vê aquela gente "sem pintura" e "que não tem capa de revista".

Tá, ele coloca bem que "lá tem Jesus, mas está de costas", porém não consegue mostrar, como a Família Capone,que isso pouco importa em um mundo onde a gente tem de lutar diariamente pra olhar nos olhos e colocar nosso queixo pra cima, sem ajoelhar diante da arrogância de uma cidade que nos quer de costas mesmo, longe do mar e longe do incomodar seus dias de praia.

No punch do Hip Hop o queixo do Subúrbio avisa pra Praia que a Cidade é Maravilhosa porque nossos ombros a carregam e que tá na hora do preço ser pago.

Não esconde a mágoa, mas a mágoa não pára a cuíca e nem cala o sonho, porque o sonho não é feito de cabrochas, mas de minas que sabem o que querem e vão lá buscar.

Por isso mesmo que a música encante, ela não avança no encanto, não nos faz apaixonar, porque nosso subúrbio é cantado em Hip Hop também, e alí tem o sangue quente, a voz tocante e a porrada que nos faz ver o mundo e curtir ele, sabendo que ele é duro.

O Chico cria um sonho de subúrbio que a Zona Sul pensa, a Família Capone constrói um sonho onde o Subúrbio muda pela força do ato e a voz, neste caso, não é um canto lírico, mas uma exigência.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Aula de Português

O verbo sabor tem a cor de um teu batom bonito
E o verbo amor lembra o rebuscado
E simples escrever das tuas prendas
Cantando já nem sei se há instantes em que não estou sonhando
Perdido na geometria das tuas linhas
Entrelinhas que compreendo cantando
O verbo inventar reflete estas palavras
Como se à luz construisse uma história linda
Que roubasse talvez do frio
A luz que faz existir o calor.

Eu repito encantos tantos
Porque da lua anuncio o existir do incerto
E repito o insistir dos espantos
Pela rua que me trouxe o presente belo
De ver-te em sorrisos e cantos
Que aos dias
Trazem todo meu verso.

Há nomes que descobrem razões de sonho inteiro
E pra isso usam mil concordâncias
Há flores que remontam a belezas indescritíveis
Predicados que hoje entendo
Entre artigos que se inventam do sentido
Das novenas, uso adjuntos de versos antigos
Das partes do dicionário que não entendo
Eu rebusco versos que são abrigo
Nas análises sintáticas dos meus tempos
Em que reparo que há sempre o viço
Desta formal palavra que hoje invento
Pra criar-te uma aliteração do riso
E nem por isso me faço ir
Para a antítese do que sou.

Eu repito tantos cantos
Pois é pela lua do teu sonho que reparo o verbo
Que tudo inicia enquanto eu canto
Pra você estas formais agruras dos versos
Que vivo a impingir-te entre tantos
Presentinhos
O que talvez não seja correto.


Até hoje pensei em reiterar
Um eufemismo pro que sinto e grito
E esquecer as inteiras objeções dos tempos
Pelo particípio da lógica que hoje crio
Mas vi a hipérbole do mar nas retinas dos meus olhos findos
E no café repeti as ânsias que só uma Oração pode compor
Com ritmo
E este ritmo simboliza o te ver feliz
Bem linda entre os cantos
Que já desejo que possas sempre ouvir
Existindo entre os tantos
Reviveres dos destinos cuja língua tanto me ensinou.

E hoje nela te entrego o tanto
Que já te gosto aqui nestes meus pálidos versos
Tua geometria, teus esperantos
Tuas letras que teu nome reflete
Decerto
Como se composta por anjos
Feitos flor de um sorriso
Deste meu Deus sem desertos.

As janelas do meu coração

O bom de te olhar
É o olhar
Sem me preocupar se há bonjour
Pois além de já ver-te bela
Há a benção de poder ajudar
A fazer do vento uma brisa, um som
Saborear a madrugada
A tarde e a invenção
De todo horário já sem tempo
Do calor
Que dá na alma, na certeza
De ver amor.

Alma vem pelas telas
Pintadas em corpo são
Tens um quê
De janela para outra dimensão.

Tanto faz se o tempo busca a irrazão
A arte invade a alma e espelha
Toda a Criação
Teu sorriso é parte imensa do fervor
Que hoje busca na beleza
De ter amor.

Calma
Das velas
O barco entende a brisa e a canção
E tu tens
Das janelas
As janelas do meu coração.

Todo poder é simples encanto

É simples ver as cores das palavras
Entre risos, cidades e o Rio
Cansado de ver trânsito, talvez a gente perca detalhes de cinema
É simples ignorar e sofrer por telefone, com a ansiedade dos anos
E talvez perder-se no cálculo da vida
E esquecer que é meio do ano
É simples perder seu sorriso
É simples se matar sem amor
Mas na vida o sonho, o canto
Desruma o mundo entre planos que nunca dão certo
Eu corro pelos dias
Me faço anjo
Busco até me morrer pelos passos incertos
E vulgarmente rindo num canto
Sinto o brilho
Da vitória do verso.


Há dor, há morte
Há cores sem outeiros que nos afligem nesta busca por mudanças
Há guerras e nefastos discursos bandidos
Há massacres de detentos
E entre dores e ofensas, entre cores sem cinema
Há pedaços de um mau estilo
E a morte das maneiras gentis dos imensos grandes homens
Já não nos dão abrigo
Mas dentro do sonho há o risco
E o risco de todo brilho é o amor
E por isso me faço canto
Agradeço mundos pelos sonhos me fazerem reto
Destino todos os dias
Para que anjos
Possam rir como ao mundo destinassem seus berros
E fizessem risos de um pranto
Que foi frio
E hoje é estrela decerto.

Se já não soube comemorar
Hoje respiro cada dia lindo
E vejo certas cores que desenham flores
Como se pra isso precisasse de raciocínio
Aguardo a noite como se minha sorte fosse algo palpável
Um ensino
Mas a fé no amor e nas montanhas
É a minha forma de ideal preciso
E é por isso que eu busco ser feliz entre os meus anos
E meu sentido de ter sorte é ser feliz, mesmo que sem planos
Não se calar o meu sorriso
Não sei não dividir meu valor
Meu sentido intenso é o canto
Que hoje busco repartir qual cetro
Todo poder é simples encanto
É a arte de mudar mundos, sons, invernos
Eu quero todos rindo, sonhando
Sem depois
Pois há o risco
De não haver mundo certo.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Um Bom dia

Danado achar palavra
Nestes dias de folhas
Assim nem bem caídas
Pra explicar o sol e dá-lo a uma pessoa
O sol me arredia.

Depois do café a brisa
E o sonho
Lambem a beleza e tornam todo pranto
Seco para nascer
Um reviver do eterno neste mundo
Que hoje avisto
Pra desejar-te horas
Felizes
Dias e notas
Que possam ser pra ti um bom sorriso.

Não há tempo ou o certo ou o novo
Se há lamento
Por isso a você a lira
Transforma fogo morto
Em talvez intento
Desejo de bons dias.

Além do café
Há a brisa e o sonho
E toda a beleza
Do encanto tanto que hoje canto e sinto
Nocê
Que é talvez hoje em meu mundo
O apelido
Da coisa boa que aflora
E me faz rir agora
Que deseja a ti o universo vivo
Um bom dia
Que deseja a ti o feliz bom sorriso
E um bom dia
Que quer pra ti as flores do improviso
E um Bom dia
Que faz pra ti a letra do meu riso
Um Bom dia.