sexta-feira, agosto 11, 2006

Teu

Segure-se
Alí onde está seu olhar
Me vejo temente
Procurando sair pelo vão viajar
Buscando ao alto mar
Estrelas cadentes
Para então num nítido e insensato tempo
Recuperar a paz que hoje sei
Existe na cor de um sentimento
Que constrói-se em flor
E em lua arder.

Repare sem querer
Haverá também ali
Um vento, uma semente
Pra tudo reunir em torno do calar
Sentindo só o pulsar inclemente
Do peito a consumir
As miragens e as tendas
Deste Oásis pleno de delicadezas
Onde faço minhas palavras
Serem o mundo teu
Prometendo como lei
O esforçar-se
Pra ser só
Teu.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Expansão do intento

Perdoe-me a rir em pleno novo mar
Daqui de cima o vento a disfarçar
Pleno de estrelas baila-me à distancia
Do olhar
De um sonho que me deixa a vida
E a arrasta
Tentando em si mesmo o todo inventar.

Sonho desses só vi nos becos de Shangrilá
Rabisquei rimas mesmo, sempre lá
Entre belezas e sorrisos ocos de vagar
Entre ventos de cores quase lindas
Pelas Áfricas
Rebusquei medos e nasci de novo a notar
A alma
A cena
A palavra intensa
Que cala o vento.

Palavra que encena
Da alma a pena
Que desenha intentos.

Vago entre rios, entre o mar
E o mar recria meu novo inventar
Faz já comigo a dança
Que das ondas traz o olhar
Que do vento ator retira as finas
Mil camadas.

Porque dizer sem som o tom do se calar?
Se à alma, as cenas
A beleza intensa desarma, qual vento?

Sou alma tão plena
Pequena, intensa
Expansão
Do intento.

Convite

É dia
A tarde avança rindo e eu em suspiros
Pela vida
Passeio colorindo meu caminho
Nas lidas do muito aprender.

Nas verdades que o olhar desta mulher
Hoje me conta e guarda
Eu que me perco a convidá-la agora
A passear em meu ser.

Nas brechas dos mares e sorrisos
Que vagam na visão das eras
Busco um meu destino que desenha à vera
Esta canção que te convida aos belos
Novos riscos do ser.

É tarde
Pra mim que homem se escreve em trovas
E te deseja em cada minuto as horas
De ver-te feliz
Mulher.

Menino

Canta a oferenda
Que hoje me deu o dia
Como se os olhos meninos sem voz
Notassem em todo herói
O peito poeta
A luz de nós.

Canta e surpreenda
Saltam nos olhos as tiras
As lendas e os jovens combatentes
Que sós
Venciam monstros e avós
Que queriam nos fazer dormir
Não mais sós.

Tantas justiças cansei de fazer
Brigando com um ET
Quantos maldosos vilões sem manhãs
Lancei a queimar ao sol.


Correndo veloz, pelos ares
Voando em astronaves
Tão forte
Maior que todo o sol.

Quase um herói das tardes
A ser hoje um sonho presente
Recriando em versos
Todo um filme que soube fazer
Com o sabor de te olhar
Me tornando menino outra vez.

Super

Hoje o sol me é
Uma fé, uma mulher
Um risco.

E quem me dera o sol
Alimentasse assim
Minha força e me fizesse ir
Pras estrelas que têm
Este brilho de teu encantar
Pra colhê-las e te ofertar
E veloz simplesmente voltar
Cantando o canto
De um planeta que foi
Um espanto natural que o amor
Construiu da fé
Da mulher
Do risco.

E se super eu hoje for
Levo o instante
O desplante de natural flor
Pra poder ter fé
E te deixar, mulher
Meu riso.

Voando sem capa ou véu

Voar pelas nuvens frias
Olhando de cima as casas
Lutando contra os letreiros
E as maldades dos mercados de vidas.

Seria heroína a vida?

Sem capas ou botas vermelhas
Voando por sonho, amor
Pelo sol
Que teu brilho ateou nas retinas
Do poeta banal
Que hoje salta por mundos e sinas
Tateando alegorias
Feitas de cinema
Um beijo, um carinho
E a rima
Que enfeita razões esquecidas
Nos quadrinhos desta vida
Que faz nascer
O belo jeito de herói
Herói a ver
Todo o teu rosto no céu
Voando sem capa ou véu.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Ela não é Cristina

Errei no ínfimo dom da palavra
Não manerei nesta tola irrazão
Calei-me triste
Muito pela mancada
E vi mesmo que a bela não daria perdão
Mas com a fé que me move e ilude
Mostro a fuça
E dou-me a cara à tapa
Buscando nos olhos toda a piedade
Que a bela que invade meu sol
Possa ter em sua alma.

Errei no cisco do bom diplomata
Eu cara a cara perdendo um golão
Errei na hora de dar peruada
Explicando pra bela todo o meu coração.

Como dizer pra Rainha que o chute
Era feito apenas pra dizer-lhe amada
Como falar que esta barbaridade
Foi confusão que arde nesta mente cansada?

Apenas me busco dizer que errei solamente
Por falar desta vida tão vil
Mostrando-me inteiro
E fui no sufoco tão oco do ímpeto puro
Misturar as saudades com histórias de nomes
Que misturam-se inteiros.

Apenas eu fui do sufoco rebuscar o sorriso
Da bela cansada
Refazendo a rede do gosto
Da rosa encantada
E hoje eu peço à Rainha
O perdão que recupera a beleza
A calma e a grandeza
Que meu coração deseja
Pra encantar-te por aí.

Errei por perder-me em teus olhos de águia.

Entre flores

Parece que o mundo
Rompe contradições feitas sem seu nome
E mostra-se em mil cores
Rebusca o liguajar do torpe
Apenas pra ser mundo
Perfeito e infindo sob teu nome
E teus olhos
Que fazem-me tremer a pele
E das asas ir de malas
E de proas.

Como te falar de hidrantes
Se o meu natural é içar das rosas as pétalas
E dar-te o sal?

Parece que meu todo
Hoje tem a febre se querer-te sem antes
Servir-se em meio à fome
Na bandeja do teu nome.

E como que encantado
Ausente e mal humorado
Vejo a cela que me encerra
Antes do tempo agendado
De ver-te entre flores.

Parece que eu sussurro
Com esses delírios de te ver
Pelas manhãs que disfarço
Vendo o espaço, o regaço
Dos meus sonhos impostos
Pelos desejos que crio em ócio
Sou mesmo mais ninguém.

E como que ausentado pelos receios marcados
Vejo a vela que afeta
O fluxo do vento sagrado
Movento almas sem motores.

Parece que meu mundo
Parece cada vez mais com você
Nesta esperança que rasga-me a fronte.
É amor ou é você
Tudo o que sei?
Ao menos sonho
Em atos.

E a cada ato me deparo
Com a forma dos teus espaços
Dança a bela
E me encerra o medo antes calado
Quero-te entre flores .

terça-feira, agosto 08, 2006

Marujar

Senti renascer o brilho das muitas
Ondas plenas
E criei nascer pelas vãs estradas
Que dão mares
Como é lindo se ver
Como é lindo se ver areia no vento entre os dedos
E no destino surgir
O que eu ri sem ver
E quem puder ver vai ver sol e lua
No mar nascer.

Mar é minha festa
Acordei com saudades de marear
Ser a nau do mundo
Lançar-me fundo somente a bailar
Nas ondas
Que sonham em sesta
Trovejam o que me resta a cantar
Sem mágoas
Medos de sereias
Queria ser a cheia a molhar.

Barco que surge e empresta
As barbatanas que cuidei de arrumar
Peixe, filho de pesca
De pescador filho de rio e mar
Sinto peito qual bumbo
Andar o mundo sentir-me soltar.

Cala a veia na praia
Permita-me ondas
De onda amar
Fala sussurrando mundo
Eu fugi do triste abraço do matar
Sendo, Oh, morena
Marujo que vai ser do barco a ameia
E hoje, com sol profundo
Me fiz mil mundos
Fui pirata sem bandeira.

Mar Moreno

Sorri e vem ver a lua na chuva
E as lendas dos mares brincando em torno do sol
Beijando a areia
Fazendo os ares serem cheios
Batendo peito na dança
De quem riu e viu as lias da chuva
A tudo restabelecer
E quem riu foi ver a lua
Ser mar, nascer.


Venha, me faz promessa
Acorda cedo e vem o sol olhar
Veja os raios cruzando
Se entrelaçando entre os prédios e o ar
Prezo, tua voz que encerra
Melhor metáfora do mar que há
E canto o vento da cheia
Que mar ateia a voz de Iemanjá
E dágua traz um sussurro
Que quase murro nos acorda a dançar.


Nas asas das ondas que a praia
Sutilmente empresta pro meu peito olhar
Fiz verso pra morena
Que encanta o mar
E deslumbra a areia
Tece na luz das velas, as velas do saveiro do sonhar
Navega na lua em festa
Rebusca o olho de se enamorar
Nas águas da praia cheia
que incendei a luz do meu olhar
E na calma do verso mudo
Olho e abuso de me encantar.

Na calma da beira da praia
Que a mente cria pra te pintar
No quadro em que és, morena
A lua cheia a me transformar
Eu traço um verso de alma
Rimando cabelos negros com meu mar.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Peixes e Áries

Peixes é luz dos olhos
Áries é renascer
Na ponta dos cascos de Deus
Buscando sempre lida
Enquanto navegando sonhos
Peixes faz segredo
Estranha e singela a razão do encontro
Das vidas.

Peixes é sol de sonho
Áries árduo nascer
Do sol entre dedos e crentes
Razões de loucura
Enquanto na lua dos mares
Peixes sem limites
Revela a razão que conduz vidas
E magias.

Áries é sobre os olhos
Decidir ou morrer
E Peixes é sobre o nascer quase uma poesia
Delicado seduzir dos mundos
Em toques, desejos
Que em saltos e bruscos atos
Áries aprende e fia.

Áries é agir rápido
Antes que acabe o ser
E Peixes é sobre o humano a sagrada loucura
Transformada em súbito mel
Que transforma o ouvinte
No guerreiro cego que há de amar
E amar
Como Áries se dá.

Ao raiar do sol

Sinto dizer
É aurora
E não vejo já você
Entre a cor dos meus segredos
Feitos deste entregar
De menino som de mina
Filho do Deus do navegar
É do sol o meu sorriso
Que acorda a caminhar.

E abandonando espadas
Desejando só sonhar
Rasgo o ventre da terra
Pro ouro alumiar
Com o antídoto da lida
Sendo o seu lembrar
Com um verso que tanto
Faz de mim outro mar.

Tantas pedras pela vida
Que por vezes traz sofrer
Mas sofrer já não ocorre
Quando o rumo do viver
Tem o brilho deste ouro
Ouro de fé
Ouro de ser
Entregue por sonho e risco
Dado o peito pra teu ser.

Que me aborda nas asas
Vôo sem nem cansar
Pelos lírios, pelas pedras
Que minha mãe deu-me ao mar
Que se encontra com o Rio
Deste meu navegar
Eu pescador de sonhos
Te ofereço o raiar.

domingo, agosto 06, 2006

Irmã Sol

Fala-se Afã
O querer mais demais
Saber da toda estranha e futura
Ação que vai
Construir o incêndio da palavra
Afinal o que resta da loucura
Resiste em própria voz.

E canta o sal
Substituindo o ser
Pelo ardor que demonstra a fúria de ser
E sangrar
Talvez construa almas
Armas nobres de saber o pús
E a vez que vai ser o tempo
A não ser que a paz de outro vento
Nos arroube o destino
Sem fim
Destas horas
Onde vento.

Sabe que o chão
Resiste a não saber
Que a invenção do ser feliz
É o ser
E ser dói
Bem mais que vãs palavras
Mas a esperança é o ser
Assim sol.

Como ir em paz, ant eo tempo?
Como ir maior que este vento
E sentir-me vivo
No liz
Destas tantas cores e inventos.

Não sou mais só
E nem quero calar
Quero felicidades raras pra todos que eu amar
E assim perdido em palavras
Te invento o calmo doce ser
Irmã Sol.

Lançar-se ao mar

Como traduzir a flor
Que me és com apenas canto?

Como demonstrar o ardor?
Com palavras em esperanto ou com o bailar
Que arde qual sol
Em cores que recriam o mar?

Na pintura que Deus criou
Fez-te a ser
Nebulosa de brilho
Galáxia de entender
Como o ser fé a se materializar
Recria universos
Estrelas de caminhar
Comko essas gentes que nasceram céu
E hoje passeiam sem perceber todo o mel.

Que é Deus entre a cor
De tuas vozes e encantos
E do teu sorriso ardor
Que faz chama de meu canto.

E como cantar
Todo esta poalavra amor
Que pode mudar
Destinos, estradas
Flor?


Talvez enamorado de um verso seu
Feito do bailar, do sorrir
De todo o ser
Pense como náufrago
Sedento de amar
Perca meus caminhos por querer todo voar.

Talvez tudo em torno seja ilusão
Talvez seja aposta malfadada ao coração
Mas coragem é o risco todo de lançar-se
Pelo amor do sonho
Diante do além mar.

E talvez este calor
Que eu sinta seja o tanto
De vida que Deus criou
Entre os detalhes do encanto de saber-se ser mar
Pescar ante o mar a flor
De todo navegar
Lançar-se ao mar com amor.

A mão que nos cala

Haverá dia
Onde a aflição de tudo abarcar
Será apenas um cansado aí
Da esperança viva?

Haverá dia
Onde o sorriso de tudo já será
A face mais nobre que do sol
Recria nova vida?


Seremos mais simples
Deitados no ar
Que tudo ilumina
E põe nos ares
Todo meu sentir
Que se aninha em torno do inevitável
Desejo de ser um mundo
Todo meu ouvir
A cada acorde o som das artes
E das inteiras
Vontades de bom futuro.


Seremos o ir
Caminhar como se a noite fosse a face
De nossa eterna e imensa coragem
E assim
Por ser apenas flor que tudo sabe
Veremos nas estrelas
Irmãs nossas que se foram.

E a paz de nosso tempo será o inverso
Pois a mão que nos cala
Se enterra.

Regina

Permita-me a dança
Rainha que empresta à festa
O estupor da ânsia de ser menina
Tão linda
Nesta angelical e enorme cantiga
Que a noite afina
Na viola que ao luar me é
A explosão da rima.

Permita-me um verso inclemente que aja
Que faça
Como um guerreiro tonto de tanto, tanto combater
Abandonar a má luta que apenas cansa
E saborear a flor que é
A intenção divina.

Vem por esta trilha que abarca a alma
E acalma
Que faz tudo então ser bem mais sol
Ser mais viver
Vem nesta linda esfera
Nesta festa
Vê-me apenas fera
Que encantada deita ao solo
E súdito
Se aninha.

Nesta esperança sonho que me é completa marcha
E torna o meu espaço
Um intenso renascer
E eu redescobridor de versos e farpas
Deixo-me levar na dança cega
De canção da própria vida.

E por isso invento um poema prece
Que faça a rainha
Perceber o ninho
Neste peito solto
Que revela a calma
Que despreende-se ao tempo
De saber-se inteira
Verdade e sonho que me faz menino
Como se a arte criasse a flora
E todo o meu trabalho
Fosse fazer-te canção.

Pra te ver rindo

Queria tanto falar
Bem mais que poesia
Saber quando talvez o mar
Vira mil vidas.

Eu queria tanto sonhar
E criar um bonito
Caminho dourado de andar
Por teu sorriso.

Tão piegas quando sonhar
É sentir-se voando em giros
Pelos atiplanos do amar
Como improviso
De um cantador a violar
Acordes de orientes vivos
Que respingam no teu olhar
Belo e infindo.

Esperava até notar
De uma alma talvez um brilho
Mas de repente o sol a voar
Fez infinito
E me fez supernova
Encantado e bonito
Como nunca me fiz ao olhar
Pra teu sorriso.

Me permita talvez ousar
E cantar-te um choro aflito
E talvez aprender a sambar
Pra te ver rindo.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Teu toque

Imagino teu sorrir
Regravo teu olhar
Conto minutos
Horas, o que passar
Pelas certezas que a alma hoje tanta
Quer levar
Pelos sonhos e cores
Que da brisa pintam mágicas
A refletir a dádiva que é ver-te a bailar.

Entre as aspas e as cenas
Que fundam poemas
Há as asas do teu intento.

Como te dizer
Como explicar
Todo este brilho imenso do notar
Estrelas livres entre noites tantas
Entre o mar?

Que recria o fogo desta vida
Pura dádiva
Que eu a sorrir imputo ao mesmo sonho
Que fez-te voar.

Entre as asas, poemas
Instantes que pensam
A demora do tempo
E falo-te nas ventas
Das vontades que aventam
Teu toque, teu beijo.

Teu olhar

Espanta-me tuas linhas e tuas tantas
Vertigens causadas pela canção
Que hoje traz um olhar bem mais cigano
E o natural agir sem maior medo
Destas gentes que vão lá
Nascer lugar.

Pergunto-te sem maior razão
Se este brilho que refaz em mim a sina
Tem nas asas
Tua palavra?

Faço assim nova canção e te pergunto se as coisas
São teu riso
que refaz alma
E inté vida?

Como não ouvir enluarada
Viola de pó e de palavra
Que refletem teus cabelos negros
E induzem outros risos além do belo som da aurora?

Como não ver imensidão em solo
Terra que deságua em água
E em ócio?

Mostra-me esta invenção morena
Que cria dia bonito
E sorri-me
Novas horas.

Entre os chistes da razão nasce o incerto ressorrir
De cada palavra
E por isso
Olho a rua
E vejo a ti
Sinto a ti
Recriando a voz morena
Do verso que quiz cantar
Pra poder dizer
Sem pena
Que tua arte é teu olhar.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Por toda emoção

Não há paz entre findas e inúteis artes
Não há paz no olhar
Se o preço que cobra-se pelos passos passados
É o triste jogar-se prostado ao chão.

Não há paz nenhuma em aceitar em seu peito
A frieza calada
O hipócrita medo
De ver-se jogado à corrente
Súbita, inexata,
De ser multidão.

Só há paz na coragem imensa do sorrir
De ver-se homem, aceitar-se moleque
Pegar-se no vento
Qual pipa voada
Cantando canção.

Só há paz no ter dos olhos
O doce e o risco
De perceber as coisas qual novo mundo
E ser adulto como quem navega
Por toda emoção.

E é natural que toda voz
Tremule, capenga
Se a palavra é a faca que abre peito
E faz luas serem anos
Com o estupor das coisas vindo
Em abertos encantos
Resgatando a palavra vida
De cada novo canto.

Como sorrir é coisa tanta
Se traz esperança
E inaugura um novo sentir, um novo momento
que ilumina além dos olhos
O ardor dos corações
Que hoje dançam abraçados
Pelas ruas em cascatas e paixões
Que fazm o mar
Calado olhar pra cada riso
E ser antes um instante que renova a alma pura
Por amar.

E é natural que toda voz faça-se imensa
Pois é ela o significado imenso de ser
Nascer
Amar.

Natura

A cada sabor e a cada espanto
Do peito a ronronar
Petisco um pouco a lua
Ouço tua voz, tua candura
Faço um som com a cor do teu tom
Me lanço à rua
Não quero cruz
Espero luz.

E parto sem esperar
Sem calar-me a fé
Sem perder de manhã o bus
Acalmo mi corazón
Num bolero em vão
Pelo asfalto que já me conduz
À calma de todas as almas
Que colhem afazeres de luz
Paixão que hoje flui
Paixão de sonhos
Fui
A tentar construir em terra o tom
A voz, os azuis.

Deixa eu só cantar
E te encantar
Ronronar natura.

Bom dia

Nota o dia,
Oh, moça!
Tu que causa vertigens
Pra meu temerário sentido de rua
E jeito de ir
Pelas luas relembrar ao céu
Como se fosse natural sorrir
Enquanto o mundo explode sem mel
Talvez só seja o olhar novo pra vida.

Nota a chuva
Que sonha
Brotar em brancura
Qual rosa em espaços de puro verniz
Que do dia faz surgir a granel
Versos distantes de tudo o que diz
Que é natural engessar-se ante o véu
Deste prazer danado que é ser vida.

Ri e acrescente assim
Teu colorir
À minha vã saudade da paixão
Nascente é a luz que aprendi
Pelos estandartes da falta de razão
Pelas lutas da gente pra ser feliz.

E volta
Apareça linda
Refaça sem média
Com tua cor menina
O dia febril
Que hoje cinza faz do próprio céu
Um saltimbanco a saltar sem triz
Correndo o risco de destilar-se em mel
E ser somente um vento
Ou uma brisa.

Ri solenemente, sem verniz
Perdoe-me o avançar do coração
Viver é arriscar-se a ser feliz
No ar
Que vem da vontade, irmã da paixão
Ri e encanta o moço
Poeta de outro giz.


E nota
O riso da brisa
O tom das esquinas
O sol que se nega
A aparecer sem rimas
E vivas feliz
Porque o encanto é o natural do mel
Que hoje afina sonho e país
Porque o norte da alma sem véu
É ver-te sorriso e mar
Neste bom dia.

segunda-feira, julho 31, 2006

Gran Sorriso

Vão
Todo poeta é um pouco vão
Menino perdendo a razão
E escrever é respirar
Tentar anuviar
A própria paixão que enlouquece a fúria
De todo perceber
O mundo, o sol, você
Qual uma surpresa rubra
Água destilada do sangue da própria lua.

Vâo, assim como que faz canção
Como repintar a imensidão
De renascer por entre o mar
E todo novo olhar
Que faz o chão ser mais que quadrados de rua.

Como poder dizer
Que paixão faz nascer
Fogueira sempre, nua
No peito infante
Do poeta de horas?


Não, não abdico da invasão
Do vento a meu coração
Preciso ser sol pra notar
Vida em cada olhar
Em cada caminhar
Pelos anos da rua
Que me fazem saber
O sal, o sul, você
Ali entre as luas
Novas, decididas
Mães de toda aurora.

Nâo, hoje liberto-me da prisão
De meu calado e vão eu
Repare a cor do coração
E olhe meu olhar
Apenas a arriscar sua cor, seu perdão
Pra poder renascer
A cada bom viver
Com teu sorriso nas mãos
Este gran sorriso
Que hoje é canção.

Deste sorrir

Será novo mar
Ou resíduo que hoje chega
De um riso que faz canção
Toda nascer?

Será falha e sal
Ou um livro que tece cheias
De rios
Que na imensidão
Fazem-me crer
Existirem rumos e sonhos de prosa
Qual o som
Das perfeitas cenas
De um mundo ator?

Fui ator, me perdi
Pelos rumos das mentiras
Que hoje busco pra saber o sabor
Deste sorrir.

sexta-feira, julho 28, 2006

Vítima de nosso próprio movimento

Sob o sol de ultimatos sem palavras
Sem do Céu
A incontinente certeza
De sair de entre as nuvens com a alma
Pronta e festejada de momentos.

Parte Deus
E talvez eu de madrugada
A corrigir medos e essências
Que servis constroem palavras amargas
E versos que danam-se sem inteligência.

Pois ao apocalipse a caminhada
É hoje asfaltos e problemas
É sentir-se em meio à própria enxurrada
Fácil
Vítima de nosso próprio movimento.

Porque Chega!!

Rasga o osso do infeliz detento
De trêmulas fronteiras
A desintegrar
A cada tiro do alto sem nome
Do vento que toma meu olhar
Rasga pele e aço
Rasga meu sonhar
Como se um ato fosse condenar
Gente tanta, meninice.
Estranha a convicção que faz matar.

Por aí, por aí
Dizem sim que tem gente que mata e ri
Mata e ri
Sem ter juiz
Mas já chega!

Explode corpo, cansaço, tormento
Sorriso, beleza, infância e todo o amor
Nome de Deus faz estrago
Inté se Deus falasse outra cor
E no sol germina outra história
Ódio vem do sangue quase milenar
Sangue rubro, nato, já derramado
Regando ódio à beira do Mar.

Por aí
Sem aí
Dizem sim que nação já mata sem fim
Dizem sim
Sem ter juiz
Mas já chega!

Corre pessoa, corre sem braço
Esqueça os velhos, salve-se, não peça paz!!
Já há bem mais que um triste alvoroço
Há até o mau gosto de olhar
Cada voz que cede ao horror da hora
Esta hora da morte
Diária, total
Dói sentir que o dia que já fora moço
Hoje envelhece de tanto sangrar.

Por que isso?
Cadê o riso?
Jaz aqui
Morto ao bom sentir, jaz aqui
Jaz aqui pra ser juiz
Porque Chega!!

Imperativo

Olhe aquela estrela
Vestindo apenas noite
Criando outros seres entre dunas
Que o olhar
Forma de cada cidade.

Olha os Rios todos
Feitos imensos tanques
Qual um grito extenso
Que da pele tira o mar
Derrubando mediocridades.

Hoje te quero a olhar e rir
Extremos sorrisos de mil noites
Colorindo alvos vis
Tecendo novos horizontes
Feitos de um distante renascer
Sem fim.


Sinta a surpresa que venta
Tome a mim na noite
Crie deste teu jeito intenso de perceber
Qualquer nuvem pra eu viver.

Mostre-me outra manhã
Abra a porta e entre
Tome o teu lugar entre meus dedos
Que hoje versam sem saber
Por onde andam as verdades.

Venha nas naus que são de ti
A invenção da verdade que consome
Atos que ilustram o que escrevi
E ensinam-me um outro nome
Que assino nos momentos que minha alma
Pertencer a ti.

quarta-feira, julho 26, 2006

Sonhar você

Talvez já possa eu fingir
Enquanto a dor
Passeia pelo mel da insensatez.

Será que há dor assim?
Ou a coragem que me acende
Inspire poesias demais?

Só sei apenas crer
Nas imensas certezas
Que descobrir me faz ver
Enquanto no caminho
Encontro talvez você
Pessoas com este brilho de ser.

E enquanto verso o mel
Espero tua beleza
Talvez para apenas ser
Aprendiz de desígnios
Ou cuidadoso nascer
Do homem que perdido, não se vê.

Mas olhe o céu além do céu
Te digo assim que acalma-me o olhar
Talvez nem seja digno contar
Que estrelas me ensinaram a sonhar você
E sonhar você
É o que faz-me crer.

Ao juiz do coração

Saiba você sim
Sentir é bom
Como ser
O bom de ser é talvez sentir.

E não ser mais só
Saber você
Saber flor
Ir, avançar pelo som do sol.

Tentei fugir
A um desaguadouro claro
Deste sentir exato
Que faz cansaço
Parecer fim
Porém é cor, é vão
Tentar fugir se é sabor
Algo amor que nasce aqui então
Entrego-me ao juiz do coração.

Como se lua

Se é amor
Este amor que me faça asas
Para percorrer
As manhãs de alguma poesia
Por aí.

A perceber-me imensidão
Construindo alma a ser sim
Quase menino de descolar sabor
Entre os dedos do sol nas águas
Da pedra do ser
Naquele bairro de poesia
que senti.

Como se fora o riso a razão
Da vontade de me ser assim.

E sendo ritmo
Danço ao sol sob tuas asas
Vago a querer-te ver
Como se lua conhecida ao jardim.

Enquanto espero o destino

Sem noites e nem sussurros
Vejo das ruas
Todo o sentido
Que em mim ateia novos caminhos
Enquanto beijo o sol com cada palavra
Sobre te olhar.

Nas vielas de minha alma
Crio incertezas, finjo destinos
Enquanto o espaço busca a lua cheia
Que é hoje em paz tua alma
A me tornar
Novo e velho menino
Caldo mel de esperança
Talvez você seja apenas um intertício.

No entanto luas me bailam
Enquanto versejo sorrindo
O gesto claro
De querer amer-te indo
Com direção, sem desatino.

Sinto do sangue a cor
Das luas cheias
Vejo-me menino
Ressinto o som de tua voz riscada
No meu sonhar.

Vago assim tão preciso
Enquanto o sonho me alcança
Talvez, não sei, tu sejas apenas delírio
Porém o brilho de tua alma
Trapaceia meu sorriso
E assim conserto tudo o que for-te perigo
Enquanto espero o destino.

Ser dois

Tanto o mundo sonha
Estrelas do mar
Tanto o mundo caça
Sobre o nato ser
Astronaves dançam sem nem perceber
Crianças beijando uma coral
Num ríspido mote ou bote animal
Calados desejos de bacanal
Indo tão mal.

Navegam madrugadas pelas asas
De outros mundos
Sob o sol.

Haverá tão perene jeito parco de ter força
De ser mal
Além dos malfadados e inexatos versos de me mentir
Além dos afobados, algo errados, desejos de sentir
Algo em mim
Que depois
Vira a cena certa
Imensa verve
De ser dois?

Mulher

De dia
As cores sem canção iluminam, vadias
Horas de ilusão
De sonho e magia
Desejo de saber.

Às tardes
Mentalizo a mulher
Do coração tão desgarrada
Plantada na paixão
Que envolve minhas horas
E sinto o bom de ser.

São eras
As noites que vagam ao som
Das tantas luzes férreas?
Serão de Deus o advento da matéria
Que incorpora um ser?
Ou o alarde
De minha visão de um sentido novo
Agora
Que sinto-me nascer
Revendo antiglórias?
Pergunto-te
Mulher!

terça-feira, julho 25, 2006

Nas horas

Manhã
O sol me cala as palavras
Deslizo em findos e dóceis amarras
O mar envolta
Ilude-me enfim
Ancoro a alma aberta
Sinto a brisa ser a mim.

Bebendo tuas palavras
Não vendo o veio
Que faz de tua alma o amparo
Pra meu sonho inteiro
Hoje haverá mais sol que havia outrora?

Deitando-me à relva das calmas
Pensando inteiro
No desejo que parte-me o espaço
Distribui aos ventos
O meu ar
Que você refaz, nas horas.

Os versos que te iluminam

Hoje senti você
Como um corte que invade
O terreno parco das coisas
Que constroem felicidades.

Eu deliro entre humanos
Por vezes desminto-me
Incerto
Na vergonha dos momentos
Pelo medo do incerto.

E deslizo entre afãs
Como se o amor dos dias
Fosse a calma que me aflige
A deixar-me ser poesia
Deitar no colo
Beijar fados
Deitar-me na sutileza
De um afago, um riso inteiro
Amar em total grandeza.

E te digo, solto
Toda a beleza
Que hoje me encanta, me renova a vida
Brilha por ser da sorte
A face conehcida
E por trazer dos ares
A mudança
A lida.

Assim me deito hoje, largo
Na saudade mais menina
Queimando em mim, no peito,
Os versos que te iluminam.

Saudades

É estranha esta beleza
Este riso, este dom
Que causa-me incertezas
E toda a falta qu eme faz
Rever o brilho
A luz deste caminhar.

Como um louco a sós
Me implode a paixão dos mares
A paixão mais lenta
Que implora à poesia
Um verso que explique
Este bom gostar.

Não escondo, sinto medo
Vejo-me criança
Cometo heresias
Pela alma de pouca roupa
Recriando magias para acreditar.

Ver-te ali
Assim tão perto
Fez a noite rubra
De uma vergonha lírica
E assim deixei-me findo
Mas hoje sinto a falta
De ver-te bailar.

quarta-feira, julho 19, 2006

Argonauta do vento

Desenho de giz um terno e manso olhar
Afago minúcias entre o caminhar
E a incerteza
Espada não cantante de além mar.

Eu um argonauta de causas infindas
Das palavras
Recrio um passo
Em ofegar distante
Do chegar.

Todo alma
E penas
Espadas e cenas
Feitas palavras e tempo
Vago a sentir
Meu peito retumbar
Espalho olhos, sonhos, pelo ar
Inverto alentos e navegares
Pelas instâncias do explorar
Da palavra amor suas belíssimas
Mil estradas
E lanço-me aos mares
Na esperança de bailar.

Qual alma
Qual cena
Esperança extrema
Argonauta do vento.

segunda-feira, julho 17, 2006

Pelo espaço dos planos

Olho raso
Nada mais a esconder
Alvo errado
Insano
Saber de teus enganos, nada encontrar
Sendo assim numa manhã, uma esperança de fé
Um ato
E depois de um drible, um olé
Ver o chute sair tão errado.

É verdade que perde-se por querer
Ser do espaço
Sem planos.

Toda esperança pode perecer
Em um simples pálido e vão ato
De querer e ser
Sem vaidade
Apenas o saber
Cada passo
Insano.

Não adiantam preces
Nenhum ato a mais
Palavras deliram, somem em vendaval
Pela verdade
De haver mais que querer
Pelo espaço dos planos.

No coments, momento de reflexão

Não é Fácil
Marisa Monte

Não é fácil, não pensar em você
Não é fácil, é estranho
Não te contar meus planos, não te encontrar
Todo o dia de manhã enquanto eu tomo o meu café amargo,
é, ainda boto fé de um dia te ter ao meu lado.

Na verdade, eu preciso aprender
Não é fácil, não é fácil.

Onde você anda, onde está você?
Toda a vez que eu saio me preparo para talvez te ver
Na verdade eu preciso esquecer
Não é fácil, não é fácil.

Todo o dia de manhã enquanto eu tomo o meu café amargo
é, ainda boto fé de um dia te ter ao meu lado
O que eu faço? O que eu posso fazer?
Não é fácil, não é fácil.

Se você quisesse ia ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz que qualquer mortal
Na verdade não consigo esquecer
Não é fácil, é estranho.

Meu demais

Nesta invenção premente de sentir você
Como instrumento raro
Em sinfonia clara
De outros veios
E sons que nascem do balbuciar
A sagração da vida.

Eu me fiz menino em vão momento
Recriei-me em signo, alvo ornamento
De algo incerto
E o sorriso claro que traz-me um mundo sem fim
Vem de você
Vem belo.

Porém nem mesmo as horas
Hoje retiram o medo de não te ver mais
Aliás
Tudo hoje dança sem glórias
Por eu não ver como de teu mundo ser a paz.

Me perdoe se me arrisco a morrer sem ti
Com minhas ações sem ritmo
Meus versos infelizes
Nenhum verso
Só mesmo flores que não sorriem você
Flores de inverno
Inferno.

Porém eu sorri as horas
Pensando em ti virando mundos
Como se Ás
De novos ventos
Que doem na hora
Em que o real me traz um murro
Meu demais.

Insano jeito vil

Vim ao te ver
Como anjo
Vim para calar meu ser
Em tuas alvas mãos sem amarras
Em teu jeito de ser.

Porém não enxergo Às vezes
Nada além da invenção
E do que o peito
Cria nas horas
De derretido em paixão
Qual infante
Qual um cão
Solto de suas amarras
Perdido em vã euforia
Por amor
Faço a mim
De estranho pavio
De curto pavio
Insano jeito vil.

Louvores do viver

Calado em vão calor
Erro caloroso de ser
Vergonha inativa
Encanto ausente de viver
Sofrer de vão em tudo
Pálida amarra do querer
Perdido em revoltos
Mares de não saber.

E calado
Tão pálido
Surpreso assim ao sim te ver
Não estupefato peito e sim negação do ver
E do querer do mundo
Estranha forma de querer
Ou negação de amores
Louvores do viver.

sexta-feira, julho 14, 2006

Jesus

Há mar

É estranho ver a cor
Destas árvores sem planos
E o incrível vão sabor
De um gesto
De um encanto
Que cria o mar
E cria do mar o amor
Desliza a brilhar
Por entre o saber da cor.

Viver neste encanto de se perceber
O natural do sonho
Revolutar a ser
De um sorriso franco
Guardador fiel
Esperançoso canto
Significado no mel.

Talvez seja você dor
Talvez seja você pranto
Ou o encanto da Flor
O amor feito encanto
É estranho notar
Da água do mar a cor
Do mundo a mudar
Em tons deste sal do amor.

Versejar como louco
Este riso em cor
Sabedor desta vida
Sabiás e mesmo a flor
Que nasce entre um brilho de ser próprio olhar
E a luz de um sol que hoje nasce a te criar.

É estranho ver o ardor
De um tempo sem enganos
E o natural sabor
De um risco, de um sonho
A ser hoje o mar
E mar ser mais que a própria flor
Ser o próprio amar
Há mar em todo o amor.

Tudo por amor

Olhos em flores repartem sóis e horas
Dançam assim meus vários nomes pra razão
E enquanto choro
Abro a alma voz
Guardo o perene
Alegro-me após simplesmente amar
O natural da cena linda, triunfal, de sentir-se vivo
Em pele
E a simplesmente rir dos olhos da menina
Que desbaratina em esperança
A festa.

Este desacato ao orgulho
Esta explosão de súbita e imensa paixão
É o desfolhar de sonhos
Pelo sol que diz
Que sonhos existem tantos
Descobrir é o dom.


E assim disponho a canção semente
Desta imensa coisa força
Que é a própria fé
A libertar-se de invólucros, armaduras sem voz
E deixar-se semente a ser todos juntos, nós.

E assim menino, coisa toda, povo
Faço-me apenas vida
Por assim, pessoa
Deslumbrar-me com a manhã que não via há tempos
E por saber sentir, morrer
Fazer tudo por amor.

O sol do ser

Serás tu que faz-me sol que vem
Substituindo assim o sol?

Ou serei eu que a brilhar também
Assumo a vida assim do sol?

Será mesmo este calor
Alma clara de viver
Ao redor de ti
Revertendo enfim
O que todo mundo crê?

Serás tu sol então, meu bem?
Ou Terra de plantar-se sóis?
Serei eu assim também
Um amaneira de ser sol?

Será mesmo o sabor
De extremo viver
E de querer sim
Beijar sóis em mim
Tendo em ti o sol do ser?

Aurora

Calou-me aurora
A simplesmente sol raiar
Nevegou horas
Em notas, silêncios de olhar.

Estranho eu rir assim
De poesia
Inventado, sem fim
Feito magia
Entregue ao estado
Do que brilha quando acha-se
Em extremo
A vida
Sendo a vida
Talvez brilho dourado
Desta hora
Desta poesia
Que sai de ti num estalo
Que mal cobria
Este sentimento raro
Que surpreendia
A mão que acolhe alinha
E em versos tantos
Faz-se dia.


Raiou aurora
Em mim
Em meu lugar
A sós
Agora
Meu verso nasce a me encantar.

Nú, súbito, nú.

Raiou de sol talvez mais um segredo
Em tempo de cantigas verdes que afinam
O invento do riso a saber-se cansaço
De deitar-se em alvos espaços
Nascendo-se eternidade.

Nos muros das almas repito encantos
E espero saber-te no espaço de mim
ao vento
Agora, assim, sempensar
Eu quero mesmo me apaixonar
E perder-me em ti
Sendo assim
Nú, súbito, nú.

Verso que Afaga

Entre as vozes que desmereço em almas
Rasgo cores e sustento alta lavra
De inversos, versos, ventos
Sonhos, Fadas
Como se domínios vivessem na branca árvore.

E afinal vago a requerer
Um novo vinho, um destino, um arremedo
De qualquer paixão sem medo
Pois eu sou um donatário de marolas
Um resultado de paixões e maravilhas
Um decidido viciado em magias.

Rasgue agora este verso que te afaga.

Próverbios do Inferno - William Blake

No tempo da semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.

Conduz teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.

A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria.

A Prudência é uma solteirona rica e feia, cortejada pela Impotência.

Quem deseja, mas não age, gera a pestilência.

O verme partido perdoa ao arado.

Mergulha no rio quem gosta de água.

O tolo não vê a mesma árvore que o sábio.

Aquele, cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela.

A Eternidade anda apaixonada pelas produções do tempo.

A abelha atarefada não tem tempo para tristezas.

As horas de loucura são medidas pelo relógio; mas nenhum relógio mede as de sabedoria.

Os alimentos sadios não são apanhados com armadilhas ou redes.

Torna do número, do peso e da medida em ano de escassez.

Nenhum pássaro se eleva muito, se se eleva com as próprias asas.

Um cadáver não vinga as injúrias.

O ato mais sublime é colocar outro diante de ti.

Se o louco persistisse em sua loucura, acabaria se tornando Sábio.

A loucura é o manto da velhacaria.

O manto do orgulho é a vergonha.

As Prisões se constróem com as pedras da Lei, os Bordéis, com os tijolos da Religião.

O orgulho do pavão é a glória de Deus.

A luxúria do bode é a glória de Deus.

A fúria do leão é a sabedoria de Deus.

A nudez da mulher é a obra de Deus.

O excesso de tristeza ri; o excesso de alegria chora.

A raposa condena a armadilha, não a si própria.

Os júbilos fecundam.

As tristezas geram.

Que o homem use a pele do leão; a mulher a lã da ovelha.

O pássaro, um ninho; a aranha, uma teia; o homem, a amizade.

O sorridente tolo egoísta e o melancólico tolo carrancudo serão ambos julgados sábios para que sejam flagelos.

O que hoje se prova, outrora era apenas imaginado.

A ratazana, o camundongo, a raposa, o coelho olham as raízes; o leão, o tigre, o cavalo, o elefante olham os frutos.

A cisterna contém; a fonte derrama.

Um só pensamento preenche a imensidão.

Dizei sempre o que pensas, e o homem torpe te evitará.

Tudo o que se pode acreditar já é uma imagem da verdade.

A águia nunca perdeu tanto o seu tempo como quando resolveu aprender com a gralha.

A raposa provê para si, mas Deus provê para o leão.

De manhã, pensa; ao meio-dia, age; no entardecer, come; de noite, dorme.

Quem permitiu que dele te aproveitasses, esse te conhece.

Assim como o arado vai atrás de palavras, assim Deus recompensa orações.

Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.

Da água estagnada espera veneno.

Nunca se sabe o que é suficiente até que se saiba o que é mais que suficiente.

Ouve a reprovação do tolo! É um elogio soberano!

Os olhos, de fogo; as narinas, de ar; a boca, de água; a barba, de terra.

O fraco na coragem é forte na esperteza.

A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão, ao cavalo, como apanhar sua presa.

Ao receber, o solo grato produz abundante colheita.

Se os outros não fossem tolos, nós teríamos que ser.

A essência do doce prazer jamais pode ser maculada.

Ao veres uma Águia, vês uma parcela da Genialidade.
Levanta a cabeça!

Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para deitar seus ovos, assim o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.

Criar uma florzinha é o labor de séculos.

A maldição aperta. A benção afrouxa.

O melhor vinho é o mais velho; a melhor água, a mais nova.

Orações não aram! Louvores não colhem! Júbilos não riem! Tristezas não choram!

A cabeça, o Sublime; o coração, o Sentimento; os genitais, a Beleza; as mãos e os pés, a Proporção.

Como o ar para o pássaro ou o mar para o peixe, assim é o desprezo para o desprezível.

A gralha gostaria que tudo fosse preto; a coruja, que tudo fosse branco.

A Exuberância é a Beleza.

Se o leão fosse aconselhado pela raposa, seria ardiloso.

O Progresso constrói estradas retas; mas as estradas tortuosas, sem o Progresso, são estradas da Genialidade.

Melhor matar uma criança no berço do que acalentar desejos insatisfeitos.

Onde o homem não está a natureza é estéril.

A verdade nunca pode ser dita de modo a ser compreendida sem ser acreditada.

É suficiente! ou Basta.