quinta-feira, setembro 11, 2008

Madrugadas


Perambulado pelos simples olhos
Das coisas que moram nas patas cansadas
Recrio espirros de ácido com flor
Pintada multicor no rosto, na amurada
Dos mares cínicos que vi, menino
Sorrindo, franzino
Catando palavra
No recriando mundos entre espantos
Viagens, prantos, banzos
Batucadas.
E pela hora
Calo espasmos de talvez um pranto
Pois minha hora não demora
Ou fica esperando.
A esta hora mundo meu me chama tanto e tanto
Regando modas de desertos, matas e mil sonhos
Enquanto a sede desta vida me faz reviver
Reparo as asas de andorinha
Misturada com morcego de noite vadia
E conto estórias pra poder viver.
Se falo alto, falo sempre certo
Ou finjo-me esperto aguardando porrada
Por ato falho de criança engano
Ou adulto bambo de alta madrugada.
Assim com os meus que me aturam tanto
Rasgo esperantos com doses de aniz
De um colorido humor de recanto
Noturno, mundano, feito de país.
É que agora, só meus olhos me cansam já tanto
E logo agora só preciso de um riso franco
É que é hora de saber partir sem pedir pranto
E veja ocê
Que madrugada me faz reviver
A vida bela que por todo dia
Sem cinzento vil regalo de dolorida trilha
Nem sofro,
Sambo pra saber crescer.

Chega a doer


Saí bom dia pela aí
No Ar
Sem um programa me mandando sofrer
Repirei noite de mandar regular
Beatos dados a tentarem sofrer.
E todo o cansaço
Que sinto em saber
Me diz por aí
Que é por aí o saber.
E retumbando um batuque de bar
Lembrei do rosto que parece você
E todo dia me ensinou a ganhar
Detalhes tantos de poder aprender
E um único fato
Me faz entender
Que tudo eu sou, na hora do vôo
Tão solo que chega a doer.

quinta-feira, julho 31, 2008

Quilombolas, questão fundiária e racismo midiático



Recentemente diversas matérias na mídia empresarial (Mais precisamente em O Globo e Rede Globo) denominaram as lutas dos remanescentes de quilombos ao acesso à terra como ações de desordem, desestabilizadoras do dito Estado de Direito. E esta ênfase tanto se dá na luta dos remanescentes de quilombos rurais quanto na de quilombos urbanos.

A Rede Globo, em pelo menos dois exemplos, pode ser a referência principal desta retomada dos ataques aos Quilombos pela imprensa. Em uma matéria veiculada em maio de 2007, a emissora ataca de forma veemente ao reconhecimento da comunidade quilombola de São Francisco do Paraguaçu, localizada no município de Cachoeira, Bahia, noticiando em manchete "Suspeitas de fraude em área que vai ser reconhecida como quilombola". Em diversos momentos a matéria, em um enorme esforço para criminalizar o movimento, "entrevista" "quilombolas" acusando-os de retirada ilegal de madeira, etc. É um grande esforço. Mas, não se vê esforço semelhante na denúncia à grilagem na mesma área, por exemplo.

Já em seu Programa RJTV (conforme pode ser verificado no Dossiê da Imprensa Anti-quilombola do Observatório Quilombola, www.koinonia.org.br), o ataque é contra o Quilombo do Sacopã, localizado em área Nobre da zona Sul do Rio de Janeiro. Neste caso as acusações vão desde fraude, até dano ambiental e especulação Imobiliária.

O interessante destes ataques é não só a repetição de uma atitude constante na imprensa brasileira desde antes da abolição, mas também a recusa ao reconhecimento das áreas como comprovadamente povoada de remanescentes, ignorando a constatação técnica de antropólogos de universidades públicas (como a UFF) e a competência técnica da Fundação Palmares.

Ou seja, é urgente para a mídia empresarial barrar qualquer tentativa de democratização do acesso à terra e à moradia. Qualquer possibilidade de democratização é vista como um ataque aos pilares da sociedade, em especial à propriedade privada, sagrada sob a ótica da ofensiva midiática.

Durante todo o século XIX eram constantes os ataques aos Quilombolas e seus apoiadores, e mais ainda, aos escravos livres, pós-1888, com relação ao acesso à propriedade e quaisquer defesa do acesso dos negros à terra era vista como uma busca de tornar o país vítima da barbárie. Eram constantes os pedidos de prisão aos apoiadores dos negros fugidos via jornais. Mesmo os quilombos mais pacíficos, de cunho abolicionista, porém sem o caráter de resistência ao sistema e posicionamento beligerante, como o Quilombo do Leblon, conhecido também como Quilombo do Seixas, era alvo de ataques constantes pela mídia. E este quilombo era praticamente um dos quilombos oficiais do Império, apoiado pela própria princesa Isabel e sendo parte de uma rede de quilombos ditos urbanos e baseados em propriedades privadas de apoiadores do Abolicionismo.

Hoje a mídia repete este comportamento, buscando não só criminalizar os movimentos que buscam a reparação da barbárie que foi a escravidão, como todo movimento que conteste a atual estrutura de acesso à terra e a propriedade. Mas em especial os movimentos de remanescentes de quilombos sofrem ataques de enorme perversidade. Dado que se contesta a existência de quilombos que atestem o direito à terra pelos remanescentes, porém não contestam o direito à mesma terra pelos atuais senhores. Não se contesta a exclusão de negros e indígenas pela lei de Terras de 1850 do acesso à terra, sendo esta distribuída aos amigos do imperador e aos brancos que conseguissem ocupá-la com benfeitorias. Não se contesta a riqueza gerada pelo trabalho escravo que praticamente financiou o nascimento do capitalismo, a revolução industrial. A escravidão gerou toda a riqueza que permitiu o nascimento do capitalismo, mas mesmo uma reforma que permita o acesso de alguns dos descendentes destes escravos é condenada de forma veemente pela voz principal da classe dominante, a mídia.

Assim, a mídia toma a frente para a manutenção de um estado de coisas onde o negro, o pobre, o oprimido, não sejam apenas afastados de seus direitos e do acesso aos meios para sua sobrevivência, mas também sofram as conseqüências pelo ato de franca "insubordinação" retornando a serem criminosos por serem só isso: Vítimas da opressão.

Novos Palmares


Resistência e a velha História do Brasil




É clássica a interpretação da historiografia tradicional do povo Brasileiro como um povo pacífico e a citação do Quilombo dos Palmares como único momento de resistência à escravidão, além dos movimentos abolicionistas. Pelo menos no que se ensina no ensino médio, o normal são poucas referências a algo além da Inconfidência Mineira como exemplos de revolta no Brasil.


Alguns livros didáticos até citam a Conjuração Baiana, poucos citam a Revolta dos Malês. A maioria fica na inconfidência mineira, como resistência à opressão e no Quilombo dos Palmares, como resistência à escravidão. Inclusive, a redação destes livros de certa forma hierarquiza estas lutas, colocando o ensaio geral de conspiração de elite que foi a Inconfidência como mais importante que o maior Quilombo de que se tem notícia nas Américas e , com certeza, a mais duradoura experiência de resistência ocorrida no País como menos importante.

Qualquer referência às 2.228 comunidades quilombolas espalhadas por todas as regiões do país conforme levantamento do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica (Ciga) da Universidade de Brasília (UnB) e aos quilombos que lhes deu origem é uma utopia, dado que resistência no Brasil não existe. Só se for à famigerada coroa Portuguesa e por um clube conspirador da elite de Vila Rica.

A Revolta dos Malês, a maior revolta Negra do Brasil e a primeira de caráter classista no Brasil, composta por negros livres e escravos e apoiada pela base da população baiana do Período (1835), é quase sempre solenemente ignorada, a Cabanagem idem.

Todas estas revoltas possuem algo em comum, foram feitas majoritariamente por negros, índios e quilombolas.

Inúmeros quilombos se espalharam pelo Brasil, a maioria deles de resistência, com a busca de construção de um sistema próprio, autônomo, de organização, que era nitidamente de rompimento com o sistema da Colônia. Revoltas escravas ocorriam a todo o momento no Brasil. Só na Bahia foram mais de 50 revoltas escravas de 1798 até 1835, sendo a mais importante a Revolta dos Malês. O Recôncavo Bahiano era um imenso barril de pólvora e por diversas vezes o Governo da Bahia à época tinha de pedir reforços e auxílio à Corte para controlá-las.

Porém, como o aluno de ensino básico e ensino médio tem acesso a isso? Onde?

Simplesmente não têm. E quando têm, as referências são tímidas, como desimportantes, dado o imenso esforço de manter a idéia de uma população servil, pacífica, principalmente os negros e índios.

Este fato demonstra mais do que uma busca de manutenção de um quadro onde a população se veja como impotente ante a constante opressão de que é vítima. Demonstra também que o esforço vai além, no sentido de demonstrar que a população é pacífica, mas em especial os mais oprimidos, os negros e índios, e que estes mais ainda, nunca se rebelaram contra a situação a que foram submetidos.

Para que referir-se ao pânico da elite baiana em 1835 com relação à possibilidade de um novo Haiti no Brasil e ao movimento que aumentou em muito este pânico e exigiu um controle no envio de escravos com origem na Nigéria e Benin ao Brasil? Nunca. Para que dar idéias a um povo acostumado à chibata?

É preciso que a população tenha consciência da Revolta da Chibata, da Revolta dos Malês, dos inúmeros Quilombos que resistiram à opressão e buscaram liberdade e autonomia e para isso é preciso lutar pela construção de um ensino que respeite a História deste povo, principalmente o exemplo dos que resistiram mesmo sendo os mais oprimidos de todos. É preciso que lutemos para que todos os Palmares sejam conhecidos, para, quem sabe, criarmos Novos Palmares.

sábado, abril 26, 2008

Militância

Jamais sonhei sem jantar. Costumo comer ao meio dia um inferno por vez, paulatinamente como quem saboreia.
Ao ver Hécules 56 , não soboreio a derrota. Saboreio o tempo.
Vislumbro a lágrima do vento
E quem sabe um futuro derrotado, ou a dúvida de mim, de todo um mundo?


Quem sabe a luta em si, Quem sabe o tortoirs da derrrota em nós?


Nós, danados. Nós danantes.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Um coração

Dose de cor e dor
Amor chuta o balde do mar
Dose de flor e dor
Arrasta ao tempo pro ar
Cores de morte e flor
Respiram tudo transformar.

Realeza é o pé que esmaga o dedo de Deus
E faz carne no feijão
Boniteza é a sé
Do desejo de mundoi mudar
Na cor
Do sorriso do irmão.

Lua de cheia dor
Chicote assobia no ar
Noite de flor e amor
Risonha preta faz luar
Corpo de dor e amor
A dor faz o corpo voar
Jorra a flor do amor
No sexo do sorriso mar.

Ressurgir é fé
No pé do imenso amor meu
Pela humana razão
E ressabiar é pé
Da fé que imensa faz eu
Faz de mim um coração.

Resistir é fé de flor
Amor que cura e faz mar
Renasce ré cor de dor
É lua de imenso voar.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Sendo Deus

Estrela do mar dança nas trilhas
De um luar que não criei nas linhas
Que escrevi sem olhar direito
Sem ler nem de ninguém
Foi só Deus.

Esperança me baila plena vista
Rouba tristeza ao ver lua bem quista
Rezar contra o mal
Que despe o corpo negro do rei
Que foi Deus.

Nada demais impulsiona a lida
A dor do corpo
Constrói a vida
A raça de quem vê o sol se pondo
Indo além
Sendo Deus.

E haverá
Todo um Deus
No amor de Iemajá
Que é meu mar
Que é ser
Homem cor
De luar.

E haverá
Todos Deus
Homens sonhos de mar.

Baila brilhante centelha tão querida
Gente perambulando em infindas
Forças de romper cercas
Grilhões feitos de notas de cem
Sendo Deus.

Ferva gritante coragem mais que linda
Nos cânticos crioulos de Olinda
Nos Hip Hops que Acary fez
E mantém
Sendo Deus.

Pois haverá
Sempre Deus
No louvor do amar
Que jaz no ar
De quem vê
Sol se pôr em luar.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Beleza Rara

Bom dia por hoje
Não veja meu riso
Sonhe sua mulher
Reze por seus filhos.

Boa noite
Hoje
Sorri sangue em trilhos
Consegui sem fé
Tecer mil motivos.

Boa tarde
Hoje
Cansei mais minha vida
Não rimei remar com curar feridas.

Aprendi dos galhos
Rumos retorcidos
Compreendi das flores
Temas massacrantes
Castrei a inverdade
Das verdades da vida
Ruborizei com histórias
De irmãos feridos.

Não se lembre hoje
Vá viver seus bingos
Parabéns sem atraso
Por sua morte em vida.

Não se esqueça hoje
Do riso dos amigos
Cuide das omissões
Que te fazem vivo.

Não me vês, sou sombra
Não me tens, sem brilho
Sou história tanta de mortos e gritos
De dores de dia a dia distorcido
Tortuosas mãos sangrantes em perigo
Homens e mulheres
Crianças sem viço.

Não, não tenho planos
Não não fdou mais gritos
Sem bandeiras velhas
Utopias tantas
Faço o ódio vivo ser hoje o dia
Em que o urro grasse
Pelas avenidas.

E já sou o pavor das armas
O pavor no rosto
Sem água com gás
Sem nem mais palavra
E te assuto sem calmas
Gentilezas tantas
Não não sou demais,
Nem beleza rara.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Íntimo

Tudo de mim
É inverno
É sério
É tosco
Clown de oco pardal
Sem mim
Rolam multidões afins
Estouram nuvens
E rins.

Tudo sem mim
É cerne
É clero
Colorem urbes de curumim
Resmungo versos senis
Vago alhures sem mim.

E sigo meu caminho na entrelinha do verso muito veloz
Consumo Vodka em vós
E cisco meu caminho na entrelinha
Do meu subúrbio perfeito
Entre A Vila Valqueire do Espelho e a Copa
Que roubo em meus Lins.

Tudo sem fim
É o eterno sem nexo
Rosto do filho não meu de mim
Meu filho é gozo de mim
Meu íntimo é todo sem mim.

sábado, dezembro 15, 2007

Repente

Na teia do riso
Desejo faz prisão
Corrente intrancedente
De fogo de imensidão
Ou rima de mau pobre
Reinventado no chão.

Sem telha e sem piso
O choro é irrazão
Na faca há o nobre
Há o padre, há o irmão
Da peleja do demo
Rasga vento a canção.

E espelha o olho novo
O velho a desgarrar
No inferno não dito
De um dia a raiar.

E o que é o sol raiar
Nestas noites sem paixão
Se podemos namorar
Ou morrer pelo portão?

Porque se eu assim grito
Sem desejo nem fervor
Só a rima parca e nobre
De um dedo sem valor
Eu grito já cindido
Pelo pó da revelação
De um mundo dividido
Onde Deus já virou cão.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Toque seco de fervor

Chuva fina
Sol de hora faz morrer
Sonho, pipa
Lua nunca vai viver
Em rol terno
De palárvore de privação
Corsturada em véu
De imensidão
Desde menino assusto
Com as multidão.


E rói a chuva
Luz de sol e flor
Rói dor de parto
E desamor.

Faz mil anos
Que o Deus dos outros foi
Em poemas
Resgatar talvez nem eu
E quem sabe?
Construir uma nova irrazão
Que torne mais céu
Teu olhar de cão
Tua dor de ver
Terra sem ter mão.

Sem realejo
Sem razão ou pão
Só terra vermelha, sol e chão.

Vi mil anjo
Coisas que nem sei mais crer
Entre os ternos
De mãe preta a desmorrer
E em ciência
Dei comida de libação
E vienhei meus pés
Dei terra à mão
Casei com o luar
E chorei paixão.

Sou só da lua
Tenro caçador
Perco minhálma em amor.

Alvos tantos
De vermelhidão
Sorri
Tanta nova terra e gente a mais sorrir
É sonmhaço
Feito por comunardo irmão
E eu mais véi
Que toda invenção
Quase que chorei
Vi -me Deus na mão.

E faço a lua
Violo amor
Em toque seco de fervor.

quinta-feira, outubro 04, 2007

90 Anos

Nos dedos a bruma vermelha
Ateada do rouco do mundo
Nas ruas os sóis parecem invernos
Costuram palavras, verdades, inteiras
Vantagens da sorte
Feito morte sem razão
Invadindo a página da luz.

O corpo é hoje, é só
É tudo em sol que seduz.

A cruz é quem morre
No seio da farta palavra
Que rompe máquinas e veias
Vermelhas de outro sussuro
O grito em massa
É a asa da luz.

E tudo é bruma vermelha
A barba, o torso do pútrido
Rompendo desenhos de sorte
Feitos por outras mãos
Que não araram a palavra que é luz
E nasce o sol do sonho só
Da alma que rompe a lágrima, corrente,
Expurga o pús.

domingo, agosto 12, 2007

Defunto em parca lage

Rosto sedento de alma, som e livro
Alma sem tempo de comer mau seu pão
Resto de vida estancando sonho isento
Parando rima de rap
É camburão!


Viela sem corte
Tapa no resto
No plexo
Na orelha, na bunda
Ladeira inclemente
Samango invade com toca
É bandidagem!!

Tudo é pútrido,seco
Morto e invertido
Favela
O estado tem um nome e dá porrada com magrela
Todos são escravos na senzala sem canção
Todo morro é um espaço de destruir ilusão
Só o silêncio é quem fala
E a bala faz zaralho
O melhor velho amigo
É o cagaço que dá na alma.

Cai ciniscmo
É viver sem grades
Ou ser lindo defunto em parca lage.

terça-feira, julho 31, 2007

Nas curvas do PAN as vaias marcam mais que o sangue dos morros

E termina o PAN, o maravilhoso e milhardário Panamericano 2007, o Pan do Brasil.

Pipocam aqui e acolá análises sobre o "legado" do PAN e sobre a importância de sua realização para a auto-estima da cidade dita "Maravilhosa". Todas muito boas, muito equilibradas, muito esportivas. Algumas inclusive indicam que os equipamentos esportivos (Estádios, Arenas, o tal "legado") já serão privatizadas pois o município não tem como administrá-los.

Um dos aspectos negativos do PAN foi o local reservado para a prática do Basebol e do Softbol, criticado por muitos, pois não tinha estrutura olímpica. Mas muito mais criticado foi o comportamento da torcida, que de forma "deseducada", vaiou os atletas.O gasto absurdo de dinheiro também é citado, mas por poucos e ainda passa ao largo do que é pesadamente mau avaliado: As vaias.

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem!

Apenas não consigo esquecer que há menos de um mês atrás a operação que invadiu e ocupou o Alemão causou em um dia 19 mortos (a maioria negros, todos pobres) , e gerou denúncias da população que vão desde furtos praticados pelos policias, até execuções sumárias, algumas efetuadas com facas.

Este fato, por si só, já me deixa estupefacto diante do cinismo e da aceitação das pessoas que em silêncio, acreditam ser mais importante um evento que traz "mídia" e uma "boa imagem" para a cidade, do que a investigação do assassinato com execução de 19 pessoas em uma quarta-feira do mês de junho.

Além disso estas pessoas não se questionam como um evento que custou 3 bilhões aos cofres públicos agora tem seus modernos estádios e Arenas vendidos, provavelmente a preço de Banana. Muito pelo contrário, aplaudem. Como aplaudiam o Rambo Tupiniquim, o inspetor Trovão (Trovão e seu charuto), após desfilar arrogantemente por sobre corpos deitados na favela invadida.

Rotularam os moradores e os cadáveres de bandidos. E definiram que defender uma polícia que não seja ou aja como um exército de ocupação, um exército que trata Brasileiros pobres como inimigos é defender bandido. Enquanto isso preocupam-se com as vaias aos atletas estrangeiros, com o Cansei, com o Basta e outros movimentos exclamativos.

E permanecem preocupados coma manutenção da segurança da minoria que conta nos dedos os mortos em sinal de trânsito pro assalto, mas é imbecil demais para contar com mãos e mãos os mortos na batalha diária, na execução diária de pessoas pobres nas favelas.

Para a minoria? Segurança. Para a população pobre? Bala e opressão.

Para o PAN muita bala, ocupação, mortes e o fortalecimento do estado paralelo, agora sob administração policial, através das milícias.

Tudo isso para que só as vaias os preocupassem.

domingo, julho 15, 2007

Contra os que gemem

Chora choro sangue
Batuque de mão
Macumba criada
Corte no Alemão
Foco na cena do fogo quente
Favela
Cachorro
Obscena
Mirando defunto à vera.


É na marca do medo
É na faca do medo
Que a Dona branca se torna sangue
Que o cachorro bonitinho
Come Almas "daninhas"
O preto é corpo
É certeza que foi
Certeza do marco da arma, do mandante
Encastelado no medo que encerra
A vida, a alma no fundo dos olhos
Já assassinos
Vendo TV.

Corpo preto é certeza não irmão
É tão longe de mim
Feito de branca e funesta
Razão de correr na praia
Longe dos manos
Tão sem manos
Lave las manos
Arregaça
A arma, a mão, o cão
Todo cão
Fardado sem falhas.

Tá na mira e o mundo é quem dá o tiro
A tia é quem aperta o gatilho
E todos defendem.


É a macumba do medo
O batuque do medo
Que estilhaça o que resta exângue
Jorrando horas a fio
Aqueles jão estão na mira
E é morto, é preto, é corpo
E já foi
Não têm sol e nem barco, nem praia, nem estante
Não velejam longe das misérias
E não vão entristecer meus brancos olhos
Que vivem da lama da TV.

E é no tiro que não perco meu irmão
Minha justiça é pra mim
Pros outros é outra conversa
Minha justiça está hoje à caça
Dos Hermanos, todos manos, tão sem planos
Sem ver luz em casa
Me aperta o coração
Sem razão, medo vão
E agora minhas mãos é que apertam o gatilho
No quengo, na nuca, faca e tiro
Contra os que gemem.

Sexo é revolução com sacanagem

Rasga-se o tempo entre as pernas, entre os risos
Perde-se tempo no papo que perde a mão
Nem adiantam malas, vozes de congresso
Amor demais é amor revolução.

Afagos de gente
Ardem de medo
Nas manhas da alcova
Além dos olhos verdes existe sexo
Existe sexo entre os suricates.

Vida segue em veios, em veias, favelas
Sem polícia, sem juiz
Comigo, contigo, com ela
Vida se ergue na profunda invasão
De um Pênis, Língua, dedos
Armas de tesão.

Vagalhões de sede
Rompem com o medo, o seco da ausência da tesuda
Razão que ergue o sexo, que faz do sexo
Ser mais que amor que arde.

Corre corpo do jeito da linha que vem dela
E ela é a lis que rompe com toda cela
Amor que arde em homem, mulher, cavalo e cão
É que nem Carcará rude que aboia no sertão.

Todo sexo é a irrazão do corpo unido
E vai além do pão do padre oprimido.

Sexo é livre razão que hoje arde
Livre em corpo, união d'alma sem grades.

Sexo é revolução
Com sacanagem.

sexta-feira, junho 22, 2007

Lamarca

Capitão fez lua boa
Nasceu ruminando mar
Construiu coisa à toa
Brigou até se matar.

Deu com a corte na teia
Na rua, na trela
Que deu para o mar.

Deu para a corte a vela
Acanhada e cega do ir e mudar
Apagada e cega de nunca ir lá.

E em nós
Fez nascer a rua, a veia
O sangue, o ar.

Em nós
Fez nascer a lua
A bandeira, o altar.

Pela pólvora, pela batalha
Homem nobre morre em voar
Nesta pólvora das luas e marcas
Somos livres para brigar.

Vence quem vence o lutar
Vence quem lutar a voar
Em cor de sonho e cheio
De ir e vir, de mudar.

Vence quem muda o luar
Vence quem rói o sonhar
Em cor de mundo inteiro
Somos tão tu
Quase um mar.

O direito de recriar Deus e o mundo

Ao mar desce sobre o som
A lumina da invenção
Faz-se rir
O intenso burbulhar da ação.

No andar
Pernas são canções
E mãos são a invenção
O criar
Do mundo benigno.

E no ar, o voar
Do ser, do mundo
Vermelho sol de ir lá
Refazendo de novo o tudo.

E no estar, no gritar
Há ser, há mundos
Gentes a recobrar
O direito de recriar Deus e o mundo.

As lutas de homens sem cordas

Na palavra dada
Cavalo já chia
Rua seduziu o sol também
Tendo a lua na magia
E deus se fez perigo sob as roupas entravadas dos lordes
Enquanto o movimento de todo ser
Rompe as cordas deste mal.

Tendo do fogo
Os olhos que nascem nas mãos
Entre calos e tormentos que recuperam o ver
E doem como o sonho e o sal
Entre as mágoas e os momentos que não servem
E alimentam o voar.

E entre os sentimentos de todo ser
Nasce o alegrar
O rir, o mar
No cerne obtido pelas rubras
Bandeiras que socorrem
As lutas de homens sem cordas.

Pela vil e democrática luz

Entre o riso de rir e a lua postada
No cangote do fim
Eu me tiro de letra na rua calada
Roubo sóis de jardins.

É que o mundo sozinho não repara em nada
E eu gosto de atuar
Pela esquerda
Entre o Beque e o muro
Driblando o luar.

E se o remo cair entre o Rio e as alas
Das Bahianas de mim
Resoluto em me rumo nadando de braçadas
Pelos botecos de ir
E salgando o lirismo
Ponho a roupa rasgada de herói de quadrinhar
E rebolo um batuque de exu
Só pra relaxar.


E se o mundo sozinho seduzir minha palavra
Eu me escangalho de ir
Rio no andar torto da mulher amada
Secando o sol de luzir
Pela água do rumo da esquerda velada
Que que já quero mudar
Pela vil e democrática luz
Do ser vivo e andar.

Autoretrato

Enquanto assim
Sou o mesmo que o resto
De todo dia que fui em mim
Um alto grau de Saci
Um sacerdote sem sins.

Enquanto um fim
Sou parte dos versos
Que obscrevo escuro em mim
Jogando letras prali
Cercando cercas de mim
Sacando dos delírios linhas feitas de um sorrisso atroz
Buscando deuses em nós
Sacando dos destinos das magias
O amor todo perfeito
Pelo amor do humano arco
Desejo intenso de risos
E sins.

Enquanto mim
Envelheço velho
Sendo minha alma inteira em mim
Nâo pago contas sem fim
Nâo perco almas de mim.

quinta-feira, maio 10, 2007

Real

Lustre de almas penduradas nas ruas
Faca de osso na boca da ilusão
Show de retornos e dores inestimáveis
Suja resmungada irritação
De lama e rua indecorosa em nada, sem cor
Retorcida imagem de vida inumana então
Dejeto de corpo em vida
Já sem razão.


Parca rapinagem entregue à mãe do doido
Palhaça imagem de vil escravidão
Adjetivada ruindade sem decoro
Assalto à banco difere de revisão
Do cálculo imposto pelo meu estado do céu
Que inibe a visão dos sem cor, dos sem mãe no mel.

Casto ato de mãe na zona
De roubo da carga do estado
Faca nos cornos da puta loura
Que mata-se em cigarro
Dá-se asism o dia todo na rua
Na casa do alto funcionário
Na lama do barraco infestado
No ato do real imposto.

Pele de osso sem alma sem inferno ou céi
Cadáver de cor debulhando seu sangue no mel.

Autobiografia

Enquanto assim
Sou o mesmo que o resto
De todo dia que fui em mim
Um alto grau de Saci
Um sacerdote sem sins.

Enquanto um fim
Sou parte dos versos
Que obscrevo escuro em mim
Jogando letras prali
Cercando cercas de mim
Sacando dos delírios linhas feitas de um sorrisso atroz
Buscando deuses em nós
Sacando dos destinos da magias
O amor todo perfeito
Pelo amor do humano arco
Desejo
Intenso de risos
E sins.

Enquanto mim
Envelheço velho
Sendo minha alma inteira em mim
Não pago contas sem fim
Não perco almas de mim.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Arte: Além do Artista, Além da propriedade


Se a arte é além do artista, o liberta de sua existência, o liberta de suas idiossincrasias, ela mesma em si traz o sentido de transformação que faz do artista vítima de sua própria criação. A coerência entre arte e ente, entre criador e obra, é um desejo que pode não corresponder à existência real do artista e pode também não influenciar no poder transformador da arte. Esta coerência seria um modo do artista sobreviver ao impulso e influência revolucionários da arte em si, porém não é uma condição sinequanon para a criação, nem tampouco para a existência do artista.
A criação é em si abstrata. Ela traduz o real de forma ideal, mesmo autodenominando-se realista ou concreta, como objetivo de criativamente levar um novo ponto de vista a respeito do concreto a quem a lê, vê ou ouve. Ao mesmo tempo, a arte é em si transformadora porque busca recriar o real de forma ideal, como exposto acima, e mais além redescobrir no real, pontos invisíveis.
A própria idéia da arte é transformar o real fora do real. Este impulso transformador faz da arte um meio de influência revolucionária constante. O que não torna em si o Artista como um revolucionário. O que leva à arte ser de certa forma o fim do artista no sentido de causar um impulso de transformação que pode engolir o criador que não for coerente com sua obra. Assim a exigência de coerência entre criação e criador não é em si uma exigência que influencia a qualidade da arte em si, mas sim uma exigência da sobrevivência do artista à sua arte ou um meio de utilização da arte como instrumento de transformação, seja ela pessoal ou social. Esta é uma das formas em que a arte indo além do artista pode ser trabalhada ou entendida. Porém não é a única.
A arte é além do artista também, pois ela é em si um produto social por excelência, ela não existe fora do compartilhamento com a sociedade. Sem ser compartilhada a arte é nula, é ausente, é inexistente. A arte precisa da sociedade, como esta precisa da arte para vislumbrar um real além do real. Cada pintura, música ou poema retrata a realidade de forma que a sociedade pode se enxergar com outras cores e formas. Por isso muitas vezes a arte vai além do escapismo clássico e torna-se um importante meio de mobilização, denúncia, conscientização e sensibilização da população para temas importantes, causas, mobilizações, entre outros elementos, digamos, políticos da vida social.
O entendimento da Arte como algo inerentemente coletivo, mesmo sendo criação individual, pode permitir um sem número de utilizações da mesma, de compreensões da mesma, mas antes de mais nada permite que entendamos a obra como um meio de avançar em relação à criação como uma propriedade. Se a arte é além do artista como ela pode ser propriedade dele? Se ela não é propriedade de quem cria como pode ser de alguém? Assim além de ser um meio de transformação social e pessoal, a arte também é um questionamento clássico da propriedade em si. Porque a propriedade é restritiva, ela reduz o objeto à funcionalidade atribuída por seu dono. E como algo que em si mesma traz o germe da transformação, é além do que a criou, avança além da sociedade em que nasce pode ser no fim das contas restrito a um limite imposto?
É por isso que a arte é também um questionamento a qualquer restrição, inclusive a de propriedade. Sendo assim uma revolução em si, um processo de transformação completa da realidade em algo inusitado, a arte supera a origem e avança, indo além inclusive de conceitos que a aprisionam.
Por isso é arte.
Gilson Moura Henrique Junior - Novembro de 2006

FONTE: REVOLUTAS
SITE: http://www.revolutas.org
PUBLICAÇÃO: 26/11/2006

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Tu

Nasço no teu ser
Interno, difuso
Delírio fogo que ter da mulher
O sal que me enche a boca amarga
Que derrete meu ver
No mar de cores tão róseas
De alma arder
Vejo-te toda em mim
Me sonho moldando
Moldando-me no ser.

Nos montes tão teus
Deito minha boca em sins
Sugo a então ver
A luz das lendas
Soltas no teu lindo olhar.

No alto dos montes de tua carne que sugo
Planícies, pele, sais
Deleito-me em urros, sorrisos, mundos
Sou presa, sou em paz.

Deleito-me nas noites
Em que bordas meu corpo em ti
Grito um além de mim
Sou menino tonto, Homem a teu tão ser.

A sóis perceber na noite em que sou fim
A ver-te nascer em explosão intensa
Sol de meu sonho, boca e mar.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Artur

Valeu!
Mas podias avisar
Que o samba que tocas na rua
Ia desandar
Porque nem eu mesmo sei cantar
No susto que a esperança por vezes me dá.

E o que posso dizer sobre você
Se nem mesmo hoje sei não ter você?
Quer saber?
Gargalhar é reviver!

Vou rememorar meu Rio
Metralhar o ar com Deus.

Nem mesmo o frio daqui
É tão longe do meu olhar
Nem mesmo o reabrir do meu peito
Neste chorar
Me faz desperceber que sonho é ser
E ser sonho é meio ser você
Quer saber?
Todo sonho é você.

Vá, mas volte já!
Hein, fio?
No revolucionar o Deus.

Um dia tonto

No obscurecer do mais alvo mundo
Sábia a fonte do mal-me-quer
Rabisca no mar um tom de palha
Reescreve bem viver.

Lábios se escondem na falta
Do ser, do ver
Astros comem a liz
De um dia tonto
Nem mesmo o sol mais sei.

Haverá nascer
Neste dia infeliz?
Haverá rever a existência?
Balas cortam veias no ar.

Nem mesmo lua vejo
No hábito difuso
De não descansar em paz
Reestrelo meus sonhos com o ar confuso
Das canções de beira cais.

Sem nem perceber
Me rasgo inteiro enfim
Pra poder morrer
Tendo existência.

Aves cruzam meu bom mar.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Um dia normal (para Samantha Taquetti Mansur)

As tantas histórias
Que teus seios trançam
Em mim e no mar
Recolhem arbustos azuis
Entre vozes e danças
Que escrevo no meio das tantas festas
Onde mais ninguém percebe as tretas,
Estrelas e bestas.

E eu, vago
No transe enfermo dos poetas
Que dançam em sinas
Me acabo no afã das mães de filho temporão
Enquanto me largo ao fundo dos anos
Por ver nas manhãs
Teu rosto que constrói do céu
A beleza vã.

Meus versos calam-se em forças
Que o olho humano não pode notar
Estrelas me dão mil velas
Pra barcos que navegam nas mentes
Destes, que em versos, amam amar
E ao mar lançam-se na glória de não voltar.

Eu hoje despenteio o brilho dos versos
Por sóis mais claros
Me solto feliz nos atos bons de sorrir
E saio das dores
Vago no inverso
De teu som, teu sal
Acordo e vejo de Deus
Um pássaro, um dia normal.

Em prece

Em breve
Muitas desta luas que encerram-se nas botas
Serão vis ares sem trovas.

Feitas de milhares de pessoas
E de cores sem pluma
Virão vozes de ruas.

E em riste
A natureza toda
Como se azul
Será peste.

E de tudo a pessoa
Nascerá feito a tua
Enormidade
Em prece.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Ugarte

Ugarte morreu
Enquanto Monarco da Portela acordava Madureira
Com um samba no rosto.

Ugarte morreu enquanto dois jovens de 17 anos
Mal davam falta do universo entre um beijo e outro
No amor furioso da cama latina.

Ugarte morreu
Enquanto Severino pegava tickets refeição
E ao entregá-los à Secretária
Comentava sobre a dificuldade de comprar presentes de Natal.

Ugarte morreu enquanto dezenas de estudantes
Reuniam-se para lutar contra o aumento da passagem
Em algum lugar de São Paulo.

Ugarte morreu no mesmo dia
Em que milhares de crianças nasciam e enchiam de esperança
A esquerda, a direita
O mundo.

Ugarte morreu enquanto o poeta via um rosto amado
E saboreava versos ainda não criados.

Ugarte morreu depois de Violeta Parra
E Victor Jara.

Ninguém cata o sonho de Ugarte.

Ugarte morreu em vão
Nós não.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Apenas Encantamento

Canto de doce e de flor
Rasgo inventos de mar
Rua Alice faz de mim um além mar
Na pinta do léo e do rei
Que natureza sugou
Fomento o nivel do ar.

Pra minha crença no teu céu
Nascer como um rompimento da amarga e cinza
Cor de manhã inteira no fim dos ritmos
Que bancavam a magia destas noites que ensinam pompoar
Pelas nuas coisas tantas que vão lembrar
Nas retinas as meninas, as margarinas.

E como a sorte que em teu corpo encerra
Arde a fome da intensa vontade mais férrea e cívica
No intento do tempo
Que derreta a calma e a mão e encena a vantagem do vento
E no chão
Faça a dor do intenso retempo
Ser a lâmina do cerne do sonho todo
De estar em teu corpo são.

Entre as dores de calor, há a de sangue soar
Respire o invento do tempo de remoçar
Veja as praia sem breu
Nomei as ondas da cor
Do inverno invernar.

E me beije com tuas línguas, mãos e sinas
Que desrespeitam a má vã e fria
Invenção de alvo risco que mata em nome de magia
E faça a verdade do corpo ser sol.

Canto de doce e de cor
Rastrei o inverso de amar
E veja o fino verso meu de recobrar
Anuência do gosto de Deus
Pra essas coisas de flor resistir ao verbo amar.

Venha à guerra do meus hinos
Me espera
Pega a rédea do meus crimes
Entre em cheio na funesta arte que impera desígnios
Nos peixes, nas aves, nos desmacarados versos que invento
Que anuncio e venero
Artes de ludibriar freios
Papos de aranha cheios
De um beijo que intenso
Rasga boca e faz o verso
Ser apenas encantamento.

Águas escorrendo

Astros renascem na ilha da santa paz
Pousam nos ombros dos parcos genocidas
Repetem murros e muros sem nada mais
Revezam a louça, a mão e a cantiga
No esconder da rotina de nenhum ré maior
Repaatriando o sentido amargo de prantos
Que matam rumos que negam luar
No ar
Destas mil balas que asfaltam cânticos.

Boa a bola que lançam sem nem pensar
Artista em jeito de parca medida
Vaga na mente um perpétudo alinhavar
Do chute que soa como liberdade viva.

Tudo merece até mesmo um mundo melhor
Porém o mundo nos dá seus blindados tantos
Tudo somente é assim mesmo um ato
A rolar
Como se a água escorresse de encantos.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Espíritos ao sol

Alho cheira em volta das razões que repercutem paz
E eu pareço que sou eu
Brincando ali na imensidão
De um sorriso velho que às costas
Abre as intensas vozes do Rio.

E altas ilusões crescidas tornam-se demais
E a arte jaz nas rampas tantas
Que rompem grilos
E fogem como espíritos ao sol.

Sem mão

Haste alta
Luz comprida
Céu que abriga altas sanhas
Mar que hoje arrasa a calma
É vereda de Espanhas.

E eu que longe de todo barco
Feito légua de irrazão
Mastro rindo me torno calmo
Como parte com o cão.

Barco feito mil açores
Meio mundo em contramão
E eu na vela vejo ela
E eu sem eu
Choro sem mão.

A pé

Vadia beleza
Algo insana arte que hoje embala
Letra perdida ali
Pernambuco arrisca
A insania doce do subúrbio pai
E eu sem nem sair.

Tanta coisa nula
O som embarca
A espanha que tamanha
É só eu
Nesta confusão de arritimia
Que a sanha do meus ócios
Fez-me em Deus.

E acabado nas arcas de Noés que são gentis
Nasci em cem
Fui ninguém
Amei nas palavras
Perdi deuses
Fui além
Como se houvessem nas pessoas alecrins e tubarões
E respingassem massas
Que desnutrem sob os olhos
Se olhadas sem canções.

Vadia certeza
Note que chorei em paz
Nestas palavras
Francas, ausentes
Pela fé
Como se nas luzes
Meu sorriso fosse luta
E improviso
Nas imbelezas de uma sé
E eu que meio estranho falo alto
Torço alto
Como alto
Sonho até
E eu que meio estranho falto em falso
Dou-te nova estrela acesa
Assim
A pé.

Ao sol

No espanto que nasce do olhar
Entre as folhas arde as coisas
Feitas tão gigantes
E nutrem do olho o que muda a arte
Na tez das retinas
Que são todas intensas, estranhas e tantas
Nas luas que em estrelas afinas
Ao me mostrar como rir.

No íntimo da gente o que mente
É o medo assim feito gente
Pelas intenções que se morrem nas pálidas e nuas fintas
Que a coragem intensa reclama e cansa
Tece na cor nua de cada esquina
E há novo ar
A surgir.


As artes do teu sexo me são sol
E ele escreve a lida nas linhas que a sina do dedo fez sal
E o suor de todo teu sexo é meu sol.

A parte do beijo que entendes
É a força maior de uma simples razão
Que espalha-se nas preces do meu sol.

A falha do sim
É o risco
Que torce o teor de toda ilusão
Teus olhos ainda tecem-me ao sol.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Quanto a mim

Nota o mar
É sol e o vento faz canção de sol.

Note o ar
Relembra criançada em sul
Do tempo a rerimar
Outro ar
E tecer rimas sujas
De feijão e arrebol
Pelo olhar
Trazendo ruas nuas e invenções de ser, de amar.

Cante comigo
Um inverso meu, um céu, um seu
Um jeito assim de noite a sós
Cante sem mesmo redizer
Nenhum momento em fim
Não olhe agora
Não
Repare só no beijo meu
Na rua, na escura irrazão
No romper de todo sonho,da ilusão
No construir
No construir.

Note já
Ou não, mas fique firme
Lá vem ar!

Note o olhar
E repare no azul que repinta bem me quer.

Fale mais
Enquanto o Lobo alcança a nota
E o Vermelho chapéu
Rasga o mar
E refaz filmes novos de nascer
Assim com você
Um sonho a tecer.

Não ligue mais
Eu quero um sonho incerto pra me jogar
Eu quero teu sonho certo pra me devorar
Eu sou assim de sonho, de sol, de canção
Como sorrisos e gentilezas do mar.

Sou todo seu!
Sou todo meu!
Quero voar!!

Por Alah!
Acordie costurado a um bem querer
Quis chorar
E rir porque chorar dói só demais em mim enfim
Por amar!
Eu quero e assim rermino rimas de sol
Pra te dar
Mais um reverso, um verso, un iverso de remar
Pelo mar
Rimansdo coisa boa
Com um segredo meu
Eu sou ateu
Quanto a mim.

Colagem

Sabe o medo de ser mulher?
O medo não é nada!

Sábio o medo de ser da fé
A fé toda
enganada?

Cai o riso do São José
De palha
Da Escola.

Morde o dedo do Zé Mané
Como um cão
O homem ruim
Todo cão é um homem ruim.

Sabe o todo ser que não é
Além da ilusão oposta?
Medo assim se faz ser
Coisa que rua e fossa.

Sabe medo assim de sentir
Como todo, acabado?
Parte é medo de nunca rir
Calado, só, prostrado.

Vaga o rumo do cão ruim
Todo homem é um cão ruim
Sem ser
A sós.

Abre o espaldar do ver-te assim
Roce o olhar em mim, atriz
A respaldar o meu jardim
Deixa-me mar
Beije-me
Enfim.


Rime mundo com Zé Mané
E pega a reta opostoa
Rime reta com outra fé
Raspe verso de bosta.

Saiba medo e faça assim
Um ritmo vendado
Pro samba de amor xinfrim
Por canastras cantado
Sábiamente nada é ruim
Sábia a mente foge assim
Sem ser
Sem ar.

Sambe meu mar
Sambe em mim
Não me deixe ir lá
Sem ter-te em mim
Deixe eu rimar luar com sins
E faça olhar comigo enfim.

Por ser amor

Sei viver meio rindo
Se as coisas tiverem você
Nem sei se há saudade
Ou o mar se refaz a cada olhar
Que tu semeias na gente
Sem perguntar nem porque.

Mas tá certo
É o jeito
De tua invenção
Que nasce em meio ao vislumbrar
Da lua feita coxa em formas
De redondices todas,tantas
Reentrâncias de tudo querer.

Como não desejar-te em cor?

Por isso me aviso
Feito à toa
Frágil, forte, ser
Ser é todo em parte
Um notar de corpo
O sol, o mar
Como se fosses minha mente
A recriar um viver
Nada é certo, nem mesmo o medo
E medo dá-me então.

Porque sou sonho, flor, amor
Sou guerra, torto, só, pentelho
Sou forte em tudo, em ti, espelho
Sou frágil por todo querer
É parte da arte de ser amor
Como se fosse diferente
Todo exagero é meu, é cor.

E te quero ritmo
Quero folha, luar meu, nascer
Quero nada
Arte
Quero olhar-te em espelho e mar
Pois eu nasci tão somente
Pra exagerar pra você
Sei ao certo que o vento
Rouba-me a invenção
Pois eu aprendi a te amar
No primeiro segundo perfeito
Do universo sendo inteiro
E todo inteiro meu ser
Se entrega a ti por ser amor.

Brigar pra nascer

Sabe do dia um outro riso, olhar?
Sei lá! meu mundo faz inteiro meu ser
Ser sonho em dia de real demonstrar
Amar voar quando asas são nascer
E nasço corrido
Sem nem perceber
Te vi meio assim
Te amo assim
Sem querer.


E outro tombo tomo pra reolhar
Em volta e mulo reteimar em querer
Ser todo mundo
Inteiro dançar no mar
Ser meio mundo de inteiro rever
Te vejo sorriso
Não sei nem dizer
Pois sonho eu sou
Real também sou
E falo pedaços de ver além
Com sonho, versos e querer
Quase mar
Rimando joelho com ser
Sabão com Saci Pererê.

Quando não sonho me espelho no mar
E rumo mundos sem futuro a ver
O meu futuro dá medo de olhar
Mas medo pode ser também requerer
Um parto de riso
Um brigar pra ser
E te vi assim
Te quis meio assim sem querer.


Tô meio velho pra prometer luar
Vou lá na lua e pego ela procê
Pegar futuro pela rua não dá
Vou ver futuro no meu assinar e ler
Conto com teus passos
Pra me guiar no ver
Por isso eu sou um sonho que vou
Na guerra do viver e ser
Além
Do mundo
E ainda amo você
Pra ajudar
A tudo em futuro eu ver
Sabendo brigar pra nascer.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Frei Tito

Não olhe agora
Mas aquele sussuro foi pronunciado direito.

Não olhe agora
Mas era grito aquilo
era grito de quem cai de pé
Mas perde a cabeça.

Não se toque e nem anuncie perdão
Mostre os dentres alegremente
Acene pro menino
Mas perceba que as águas não somem dos olhos
E nem o medo mostra-se dia novo.

Não olhe agora
Mas não existem mais esquinas
Não olhe, nãos e manifeste
Não saia do dia estranho.

Não olhe mesmo
A diária dos tempos nos fez prostrados
Alheios Às peles que viraram os tamborins da traição.

Nãos e estranhe do invenro
Ele vira verão no sol
Mas é frio nos toques e ausências sentidas.

Aquele caiu nas estranhas curvas de rua
Mas parece que nunca dormiu
Na indignação dos que ainda vêem sombras.

Não note sem medo
Perceba que a veste negra e branca
Ainda persiste em aparecer vívida
Na consciência dos que entendam a coragem.

Aprenda:
Coragem por vezes mata
Mas deixa como honra
A semente da indiginação dos meninos
E o tempo como história
Saudando
Aquele que pendurado
Foi monumento que salvou peles.

Pra Reclamar do Governo.

Eu salgava rascunho de rosas na grama fechada
Só por divertir dia
Via longe um minuto de beligerância
Entre as avenidas e a distância de tudo.

Dava gosto ver rua
Avenida
Casa velha.

Podia ser o tempo
Mas eu acho que era coisa de aventura
Essa coisa de participar dos minutos
Como se houvesse possibilidades.

Até hoje sinto as ruas de fumaça
Como se as possibilidades houvessem
Sou assim
Acreditando.

E nas brincadeiras de longe eu sentia medo
Medo de ser o mesmo
Sempre
Medo de deixar de ver mundos
Nas pedras da praia
Nas árvores caladas
Medo de virar o rosto pros mendigos
E achar bonito coisa de sangue.

Até hoje sinto medo de ser o mesmo
Como se a coisa de avenidas maltratasse a alma
E as gentes que costuravam pedras.

As rosas?
Elas viraram bandeiras
Vermelhas e soltas
Em gramas que comem gente
Deixaram os rascunhos nas almas de chão
E como se fossem pés
Sambaram
E me fizeram ver meninices
Enquanto o pau quebrava
Nas costas do homem do lado
Nestas caminhadas engraçadas
Que gente barbuda faz pra reclamar do governo.

Metida à besta

Claro que só em tudo de mim há ausências
Se fosse na emergência dos medos
Talvez a ilusão rompesse
E nada demais fosse o sangue dos antepassados.

Se fosse na emergência dos medos
Talvez a ausência de mim fosse kriptoniana
E eu, super homem nos delírios, morresse
Verde e incapaz.

Claro que nada do que é dito nas iluminaturas da letra,
Neste reverso de multidões e sacros olhos,
É realmente poesia
Porque poesia suspira na pele nos dias de frio
E iluminaturas, pinturas de dedo,
Ou construções de medo seriado,
Tudo isso depende de realoidades pra existir
E realidade não sua
Parece lagarto
Morre fria na ilusão do concreto.

É nestas coisas de verso
Que a perna cansada propõe sentidos
E a letra rompe roupas novas
E assume o calçado furado
Junto com a pinga costurada a mão
E sagra invernos em dias de sol
Só porque pode
Nunc aporque deve
Porque poesia costuma ser assim, vagabunda,
Mas metida à besta.

Arte: Além do artista, Além da propriedade

Se a arte é além do artista, o liberta de sua existência, o liberta de suas idiosincrasias, ela mesma em si traz o sentido de transformação que faz do artista vítima de sua própria criação. A coerência entre arte e ente, entre criador e obra, é um desejo que pode não corresponder à existência real do artista e pode também não influenciar no poder transformador da arte. Esta coerência seria um modo do artista sobreviver ao impulso e influência revolucionária da arte em si, porém não é uma condição sinequanon para a criação, nem tampouco para a existência do artista.

A criação é em si abstrata. Ela traduz o real de forma ideal, mesmo autodenominando-se realista ou concreta, como objetivo de criativamente levar um novo ponto de vista a respeito do concreto à quem a lê, vê ou ouve.

Ao mesmo tempo, a arte é em si transformadora porque busca recriar o real de forma ideal, como exposto aciuma, e mais além redescobrir no real pontos invisíveis. A própria idéia da arte é transformar o real fora do real.

Este impulso transformador faz da arte um meio de influência revolucionária constante. O que não torna em si o Artista como um revolucionário. O que leva à arte ser de certa forma o fim do artista no sentido de causar um impulso de transformaçao que pode engolir o criador que não for coerente com sua obra.

Assim a exigência de coerência entre criação e criador não é em si uma exigência que influencia a qualidade da arte em si, mas sim uma exigência da sobrevivência do artista à sua arte ou um meio de utilização da arte como instrumento de transformação, seja ela pessoal ou social.

Esta é uma das formas em que a arte indo além do artista pode ser trabalhada ou entendida. Porém não é a única. A arte é além do artista também pois ela é em si um produto social por excelência, ela não existe fora do compartilhamento com a sociedade. Sem ser compartilhada a arte é nula, é ausente, é inexistente. A arte precisa da sociedade, como esta precisa da arte para vislumbrar um real além do real.

Cada pintura, música ou poema retrata a realidade de forma que a sociedade pode se enxergar com outras cores e formas. Por isso muitas vezes a arte vai além do escapismo clássico e torna-se um importante meio de mobilização, denúncia, conscientização e sensibilização da população para temas importantes, causas, mobilizações, entre outros elementos, digamos, políticos da vida social.

O entendimento da Arte como algo inerentemente coletivo, mesmo sendo criação individual, pode permitir um sem número de utilizações da mesma, de compreensões da mesma, mas antes de mais nada permite que entendamos a obra como um meio de avançar em relação à criação como uma propriedade. Se a arte é alémd o artista como ela pode ser propriedade dele? Se se ela não é propriedade de quem cria como pode ser de alguém?

Assim além de ser um meio de transformação social e pessoal, a arte também é um questionamento clássico da propriedade em si. Porque a propriedade é restritiva, ela reduz o objeto à funcionaldiade atribuida por seu dono.

E como algo que em si mesma traz o germe da transformaçao, é além do que a criou, avança além da sociedade em que nasce pode ser no fim das contas restrito a um limite imposto?

É por isso que a arte é também um questionamento à qualquer restrição, inclusive a de propriedade.

Sendo assim uma revolução em si, umprocesso de transformação completa da realidade em algo inusitado, a arte supera a origem e avança, indo além inclusive de conceitos que a aprisionam.

Por isso é arte.

Retalhos de Cidade

Parafernálias zunidas
No agrário sol de nascer
Acorda a corrida invenção
Do tempo parar, do não ver
As ruas passando sem salto
Retalho de Si, de cidade
Couro comendo asfalto
Asfalto comendo saudade.

Dormida a Brasil redescobriu das grades
Um Rap, um rombo no saber
Dos caras de zóio vermelho
Óculos inteligente
Cara normal
No fogo do jogo dos olhos
No jogo de mundo rodar
E fez da lida um troço
Misturando sol com fuzil
E vida feita de fé com a fé
Da briga que nos pariu.

Sem hojes
Ou a irrazão das mamatas
Que ruborizam asfaltos
Que compram ciladas dos PMs do Bar
Os Raios deste meu sol de só penar
Balançam nas marés espertas
Da Brasil deste lugar.

E por aí
O couro a sambar
Faz invento de Deus pra sonhar
Das mães
Um riso sem ar
Que morreu pela bala sem mar
Fazendo rumbar
Um tambor que pode derrubar mundos
E até Deus
Um tamborear
De um mundo que finge não os notar.

Água de meu mar

Esta água é meu mar
Sal que torna-me sul
De um sol
Peito meu luminado.


Água feita dos estar
Intra
Interno no tu
De um verso ou frase
De um estado.

É o tocar do ar
A esteira a estrela
Seio, grelo
Gris toque inventado
Lingua leve
Espocar da pressão deste nu
Meu espelho de sinal trocado.

E assim sou prece
Ajoelho
E sem vestes
Sugo o além
O Sumo, o sal
Que dança e torna-me
Manhã
Mané
Meio
Inteiro
No amor
No Há mar.

terça-feira, novembro 07, 2006

Feito flor

Na pele do som que me deste
Rompendo celestes
Luzes sem um sim
Me calas com beijos
Me esqueces
Enquanto invertes meus sonhos assim
Como quem me dá a certeza
De tudo em beleza
Ser feito de ti.

Me destes a calma que arde
O sol que me invade
Num amor assim
Feito flor.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Taurus

Taurus de arte, salpícão, relógio
Contagem, remorso, pé firme
Alçada
Poder de ir e voltar como se foi
E voltar como boi, como anjo, como alma.

Taurus de ritmo, samba, metonímio sentido exímio
De prazer que exala
E qual encanto pisado em rebanho
Indo e levantando com força a boiada.

Na lua nova, o arraiá tem tapete cigano
Na rua nova segue o cheiro de incenso
E sonho
Que pisa agora a vida afora de tudo o que é plano
E leva a hora a perde-se no que é tão canto
Pois o nascer do devorar todo o bom viver
É na esopada paciente e fina
O desejo inteiro de reto de por toda a vida
Saborear de tudo o bom viver.

Taurus é parte do certo com o reto
Minucioso e certo do passo, da estrada
Bailar de ar com resmungo de encantos
Preguiça, preâmbulo de festa danada.

Taurus é Deus a fazer todo ano
Arco de cores, canto de roda nas praias
E no pratear do fazer-se tanto
Taurus soberano da lenta caminhada.

E nesta roda abre a tarde
Um andar-se tanto
E toda alma é saber-se
É querer-se encanto
E Taurus Roda nas espadas
Que não empunho
Canto
Por nova hora de aprender-se inteiro em recanto
E poor saber que sabe nada quem não vê viver
O touro parte com fúria de lida
E devora vida velha com calma e com limpa
Vontade rara de saber-se ser.

Áries

Áries de águas em linha
Em frente ao mar
Parte preciso independente de lógicas
Rompe de rimas rompe dor de repintar
Parte imprevisto na antítesese das órbitas.

Áries que vê-se inexato a extirpar
Do ar o encalço do medo que não meu
Não eu
Vaga tentado a buscar-me a calar
Matar
O fogo solto dos sonhos e olhos meus.

Áries de força e irrompida explosão de ar
Arde em sujeito de sons e magias
Calar-me é um meio de mundo inteiro estancar
Note-me nova, supernova viva.

Áries do peito imenso, intenso, em sóis
Como se tudo fosse um negar o espanto
E tudo mesmo fosse um devorar do ar
Tempo é o que mata
Do Tempo sou o pranto.

Inversão do céu

Calculo árduas artes
E parto sem te olhar
Rebusco milagres entre insetos
Vago nos delírios urbanos dos arquitetos
Versejo entre Rios Brancos
E o Sul Deserto
Do meu rir
Que avança em ar, tesão
Tece cores de brilhos
E a parir faz luz brilhar
Por alí
Onde o morro se abre em céu
E nas lagoas mares fazem-se
Outro dom a voar.

Nada além de encaixe é ritmo
E segredo
Nos meus ais
Nem nos meus vislumbres busco o estilo reto
Barro o sal das lágrimas que não dejeto
Barroco inverso o escrever de cada verso
E a sorrir
Pinto nuvens com canhões
Vago nas areias do tempo
A despedir-me em sons
De partir
Desta praia rumo ao véu
De Subúrbios acres
E pontes de cor pastel.

Vinda aqui
É pegar-me junto ao chão
Olho delsumbrado o verso ali
Calado, em vão
Por sorrir
E homenagear o mel
Dos toques do teu corpo e alma
Na minha inversão do céu.