segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Quase flor

 Dá-me Deus qual um encanto pra, quem sabe, eu reter este sabor
Tão sugerido, plácido e tímido
Feito de amor.

Dá-me Deus qual um espanto pra, quem sabe, eu reter este calor
Imaginado, estandarte óbvio
Do clamor de corações, asas e coisas
Amantes velhas do voar
Qual um sonho tão real
Sol na mão, pernas pro ar.

Dá-me Deus qual teus mil planos, qual teus mil dizeres
Dá-me este amor
Surrado, tímido, encantado, ávido
Pintado no asfalto de ser quase flor.


O que será que meu coração fará agora?

Um sonho, um pão
Uma doce palavra
Eu rio, desvio o som das mil palavras
Me encontro em horas no fluxo do sim
Encurto as horas abertas
Me sorrio sem sorrir.

Espelho a calma das almas
Estrago o freio dos mil automóveis de barro,
Do destino em cheio,
O que será que meu coração fará  agora?

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Sagrem Pagu!

É Sangue fresco, o mundo nas mãos
Há a dor da certeza, há fogueiras, medos, sambas-canção
Ver Murnau não é Lua Nova
Vacas brabas não ornam óperas.

Há Violas e Sivucas
Há Moreiras, funks, rumbas
E se tem ruas, manicures fortuitas
Tem noivas, Madureiras, bagunças
Eu sou um Sambarock redundante
Um Bloco Sujo delirante.

Quedas, ninjas, pedras, tanques
Corpo nú vestindo o sol
O sol nos tange!
Pular "Levada Louca" é o que tem
Tudo vira um pouco Jorge Ben.

Não é Paris nem Roma
É Cabralina
Ocus Pocus, rastros sem pinta
E o que vem é a resistência fortuita
O que tem é o que se faz com as ruas
Meu desejo é fazer-me sangue,
Tens meu corpo ó santo homem!
Um Vinho já!
Sagrem Pagu!




Patricia

O rumo é o irrequieto da rua
Rua do Acre, Santa Fé, Paulista desprezo
Acido medo
Rua também é mulher.

E mesmo que os cursos do museu do folclore
Irradiem um pornô
Há mais cidade em minha pressa do que no velho metrô
Há pressa!

Há grutas mais fiéis numa puta do que na santa mamãe
A nudez é o pecado que lhe resta ao negar o amor
Eu rio.



segunda-feira, fevereiro 13, 2012

O que são estas flores?

Talvez sejam mundos essas formas de cor, essas formas de nome
Formas que se movem, formas que calam o falso, as cores
E a cada murro ou urro o gesto é a forma canção que os olhos ouvem
E os passos que perdem pele são as aspas, as amarras, as pessoas
Que nos tecem como a um gigante
A criar um mar, uma ostra, um segundo,um grau.

Talvez não sejam mundos
Talvez seja apenas gente
Talvez não tenham nomes
Talvez não tenham fome
Talvez só sejam fome.

E o que esperam dos pastos, o que esperam dos astros,
Essas velas, essas velhas?
Essas coisas na janela, essas cortinas, esses quadros
O que são estas flores?





Entrega

O meu amor corta pedras com a língua
Queima
Foge e fere
Estranha
Rosna
Brinca
Ri
Pateticamente ri.

São olhos, pernas, sonhos, muros, guerras, gritos
Unhas rasgando feridas e febres, e  ondas, e mares
E novo.

O meu amor é mundos, fundos, dramas, choros, ranger de dentes
Pasta de dente trocada na farmácia
Cama quebrada
Gritos de guerra
Arquibancada
Poesia e música
Vertentes de fé que mobilizam mundos.

O meu amor é saudade e perseverança
É um amor de correr gira, rodar a baiana
O meu amor não esquece, nem desiste
Só se entrega.

Talvez o som do mar me faça bem

O meu medo é ser só palavra
E a asa quebrar de nascer
O meu medo é ser uma forma qualquer de morrer
E talvez esquecer de ser paz
Eu só quero me viver mais.

As dores são morrer de arte
Dor me faz renascer
Eu me torno tanto bem
Se a flor e o horror me formam cor
Cor me forma outro ser
Me torno livre
E a cem pinto-me jaguar
Me vento e o vento me tem.

Um som, um vento, um dom, uma arte
Voz de linho
Um segundo, um pingo, uma tarde
Trens correndo em trilhos
Pedras de renascer
Segundos de ser bem
E o segundo alheio à flor
Me torna vivo
E além
Talvez o som do mar me faça bem.

Há verdades e cantos

Gotas, lábios
Histórias de sofrer
Rir de algo, de sonhos
Respirar um canto
Cantar um mar.

Há mil dias, mil manhãs
Novas dores, cafés e alvos
Novas árvores e o pé andando ao léo, ao largo
Há verdades que me fazem viver
Há espasmos
Há astros.

Coisas que me formam, formas de viver
Facas, astronaves
Escadas, calçadas, você
E as artes de continuar a crescer
São o mais fácil
Nada é fácil.

Novos dias, mil manhãs
E as formas são cafés e astros
Novos meses, nova fé estrelada  por um som cantado
E cada passo é o que eu posso fazer
Há os espasmos
Há os espaços.

Cruzes, soviets, santos, cor e sal
Coisas que são dia e o feliz de viver assim qual simples mortal
E há verdades
Novas formas de ser
Há verdades e cantos.

sábado, fevereiro 11, 2012

Há só você

Côrtes, milagres, formas e margens
Vales, pedais e freios
Lençóis e artes, facas e faces
Garfos, a voz, recheios
Morrem temores de ver céus infernos
Calos crescentes, dores, sementes que movem decididamente
Terras e gestas, almas funestas
Para um destino ausente.

E há os que temem de Deus dores, ferros!
Tudo o que se tem é morrer
Tudo o que há é viver
Há só você.

Margens mágicas de corte

Dormi José e fiz-me pasto
Cortei-me em olhos vermelhos
Sujei o pé em meio a parvos
Tornei-me ovelha sem freio
E em surdos segundos esparsos, um folião, um vespeiro
Um cidadão, um vil passado, um puto, um corno, um preto
Um sujo, um bloco espaçado com cores,odores
E em cheio
A cor fez-me baile de máscaras nas ruas, docas, candelárias
A cor é meu dado de morte
A cor é meu céu, minha sorte
As cores são margens mágicas de corte.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Delírio de Janeiro em Fevereiro


O Rio de Janeiro é a maior potência nuclear libidinosa da contemporaneidade, fora a economia e o balacobaco, o resto é várzea.

O Principado do Rio é dividido entre o Centro (Que vai do Estácio à Laranjeiras, do Santo Cristo ao Rio Comprido); o Reino de Santa Tereza (Que é Santereza e o boteco do Bairro de Fátima); A república fodástico-revolucionária semi independente Escola de Samba de Madureira (que vai de Madureira até a praça Seca, do Campinho a Marechal Hermes). Depois fica o resto, um grande limbo de significâncias dominados por Bangu.

Talvez o Vale do Paraíba, um tipo de Atenas com preguiça, seja um concorrente à altura.

Perto da contribuição sócio cultural do Rio de Janeiro, secundado pelo Vale do Paraíba, nem Bizâncio, Atenas e Paris chegam perto.

A maior contribuição do Rio de Janeiro para a humanidade é o Partido Alto. Qualquer Partido Alto contribui mais pro pensamento da humanidade que toda a obra de Caetano Veloso. Diria que o Partido Alto são os clássicos de Marx, Durkheim e Weber com balacobaco, ziriguidum e telecoteco. O Partido Alto foi o que levou a Nietzsche a cunhar a frase "Não posso acreditar em um Deus que não saiba dançar".O Partido Alto levou a Gramsci a entender o conceito de Intelectual orgânico e a Ginzburg a criar a categoria de circularidade


O homem inventou a roda para fazer um pandeiro pra tocar Partido Alto, o resto foi adendo.

A existência do Rio de Janeiro e do Partido Alto fundamental a existência divina e tornam Salvador um adendo luxuoso , assim como Recife, na suntuosidade da antiguidade fuleiragem, da galhofa como modus criandi.

Sem o Rio o universo latiria.

sábado, janeiro 21, 2012

E tenho dito

Morrer? qual o que?
Como morrer?
Idéias são à prova de bala.

Corpos singularizam a fragilidade dos dominantes
Mortos são mais que os que dominam são capazes de derrubar
Corpos são lenha.

Idéias são à prova de falha
Sistemas, terras, gentes, mundos, todos morrem
Sonhos não.

Idéias são a prova da alma
E tenho dito.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

E Basta

Não se escreve ou se teme
Rasga-se
Um urro, um delírio, uma rua, um destino
Uma faixa, uma bandeira
Um murro
E mais um dia.

Uma esquina um delírio, um ódio, um desprezo
Uma passeata
E tudo na mão, no olho, no peito que se ufana de ser fogo
E na raiva da humildade humilhada
Da arrogância travestida de conselho
Da opressão travestida  de segurança
Do ardiloso travestido de apoio.

E todo dia o dia se torna mais um, mais outro, mais cor, mais dor, mais sangue
E todo chão é memória e conquista
E todo não é um sim atravessado no futuro
E todo otimismo é um medo esperançoso
E tudo acorda e rasga e vive e surge
E somos nós, apenas nós
E basta.

sábado, janeiro 07, 2012

Ilusão que oculta horrores

No mundo, rumos, ais, distúrbios
Em férteis sóis, amplexos
Asso ritmado o comum
Como um súbito som de murro
E urro o surdo sinal do ritmo
No vil vislumbre do cínico som do "só?"
No risco imenso , comum
Do crime infecto, qual pús
Ser a ponta da ilusão que oculta horrores.


sábado, dezembro 17, 2011

No vão do olhar

É como um sol, como eu só , um fim
É como um surto, um tom, uma parte
É rara e fina arte
O risco do riso é o súbito símbolo de viver.

Há sinais e faces pelos eternos e simples medos
É passo a passo a fala
Que vem, desamarra o grito, o sutil verso, o sim.

Qual em surpresa o olhar se faz infinito
Se faz voar
E como nunca antes o brilho fino é explosão
É antes
Dê-me a falha, a espada
O rumo volátil de mim é um simples querer.

Dê-me já a fala na qual declamo o mesmo medo
Dê-me um bom segredo
E dou-te o ardor do fim, o desejo de ser
O súbito silencio do mar
Silêncio redito no vão do olhar.



terça-feira, novembro 22, 2011

No peito e imaginação

Meu desejo é de mar, de fome de ir
Espero a avenida do mundo se abrir
E os ventos das emoções rasgarem o medo de Deus
E em filmes e revoluções fazerem vida, poesia e leis
Rasga a terra com o sol de uma mão
Faz-se palavra de riso e lida, de honra e paixão.

E o vento e a paz que vejo sorrir
É deslindar alegria no plano de ir
Andando com o sol na mão
Ventando  no som que vem
Toando um violão, plantando gente, folha e um sol cortês.

Haja terra e sonho de chão
Pra plantar palavra vida no peito e imaginação.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Tornar-me comida

Espero, aguardo, armo alguma vã coragem
De um sentido simples e pobre de consciência
Porque meu medo chama o amor
E amor é súbita inverdade.

Rasgo o som com uma voz roufenha
E sugiro enfim uma canção quieta
Pra deglutir as verbenas
E o sentido de haver quintais.

Se há sentidos entre as coisas boas que vivem
Nas esperanças e azaleias presentes em passados
Nem sei se foram meus ou foram morte
Enquanto me espalho nos dias
Sendo apenas mais vida
Catando o ser e o sentido triste
De tornar-me comida.


Uma forma de arte

Espere com uma pá a dor, os covardes
Espalhe segundos nos gramados
Compre carros com multas atrasadas
Se esparrame nas mesas já guardadas
Dos botecos das cidades pequenas
Se espelhe nos tantos problemas
Que nos constroem com o que se tem.

Esqueça a cruz e siga o ritmo das incertezas
Esqueça o som "emprego"
E deslumbre-se ao som das estrelas.

Há sempre um bom lugar
Há sempre um deserto, um mar, um sol, um campo
As luas atrizes banham o sonho
E o inferno quebra as lampadas.

Canse sorrindo à vontade
Viver é verdades
É comer vespas e artes.

Canse comendo alfaces
Sugiro vaidades
Espere um  Deus e mate-se à vontade.

Espalhe um sorriso de alma fraca
Conduza um cão cego em uma vã viagem
Esqueça o sim, o SUS
Tenha medo do mundo, da praça.

Esqueça a luz das verdades, pois todo o tempo ela se oculta, opaca
Procure em si as desgraças
E faça-te uma forma de arte.


Glória

Me dê Tucídides, nega!
Se sacoleje no mar
Esconda velhos segredos, me deixe apenas flanar!

O rumo é um surdo marcando o jogo
Estrelas cansam seja o que for
Se há um risco ele é doloso
E a calma é o erro do autor
Me deixe quieto na cama
Olhe ao redor faça o favor,
E conte uma História nova.

Suspire aos sóis, desescandalize,
Inspire uma revolta , despiste
Há horas em que manter a calma é prévia de tomar porrada.



Mê dê Rodrigues, nega!
Suspire o enfermo pesar!
Cantarole um degredo,
Me dê um verso de cantar!

Se há futuro, ele é doloso
Esperas cansam, correr dá calor
E todo risco é de bom gosto e acalma  o sentido da dor.

Me espere e evite dramas
Olhe ao redor faça o favor
E veja se chegamos à Glória.



sexta-feira, novembro 04, 2011

Oposição

Um divino, um sentido, giz
Um segundo de dor, um chão
Uma cor, um olhar, a liz de pequena vã emoção
E o mar me faz nascer
A voz do fogo é ver
E a cor me dá razão
A luz só faz sentido se for em oposição.


terça-feira, outubro 18, 2011

Despertar

É o rir- me só, um sonoro sim
É um vislumbre, é um start
Talvez calma calada
A sonora calma do esporro começando a comer
Quase um face a face entre o singelo som da arte
E a estrela farta das coisas amargas do simples sutil se esconder
Mas não se assuste,vá!
É só meu sentido de ir, morar.

Cale-se um instante!
É só ouvir e cantar cantante
É ser alma arrancada da terra que dói até de ler
Veja a calma do eterno segredo
Do simples morrer sem ter medo
O mundo é contrário ao urro de quem não quer morrer.

Abra sua alma
A calma é o velho som de ter medo
Ria e chore se for cedo
Espere acordado o sentido sutil de viver
Vá entender, se informar
Só há um destino
Um despertar.

domingo, setembro 25, 2011

Nomes Torturadores

Num súbito urro vago, em estúpidos e fétidos sequestros
De adjetivos e esdrúxulos nús
Descurvo o mundo, a muda, o surdo-mudo ato do riso
Em livre, solto
Um risco, um sonho, um só desígnio incomum de muitos mundos
De luz
Que qual sombra obtém nomes torturadores.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Afirmando nãos

Desgrace-me, cale-me
Desfeite
Intenso delírio faça-te entender
Esqueça-me mágoa
Dá-me o aceite
Rasgue-se, trate-me o ver.

Feche a porta, desligue o me deixe
Esqueça-me despeito, desejo, o que for
Me queima na água ou no azeite
Faça-me o favor!

Dá-me linha
Deixe-me ir desvoar
Quero-me simples calar
Surdamente mudo
Dá-me a trilha de descolar-me do ser
De desvoar a canção
Deixe-me afirmando nãos.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Em um Nós forte

No mei, no pé, no ar cansado
Nas dores, nas juntas, nos freios
Espreito a fé, me esbarro, amasso
Sou cores, sou burca, sou negro
Sou muitos, sou mundos e fardos
O tempo é o algoz dos medos
Há dores, há mortes, há carros
Há foices, há bombas, há jeito.

Ardores me amarram a cara e o mar
O surdo corrompe minhas mágoas
O chão me demove de ódios
O ócio me devolve o corte
E as dores, as dores
Me fazem me replantar em um Nós forte.

PS: Sobre mais uma onda de racismo e ódio que invade este mundo, agora a justificativa foi uma Negra bela ser eleita miss.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Olhares

Rusgas, novos modos de se ver
Espalho Deus no ar
Resgato um velho invento, vou morrer só pra ressuscitar
Minto sob lágrimas sem ter nem de me explicar
Rimo altos graus de ser e ter só pra me desmontar
Nas ruas nuas, nas vinhas, na aurora
Nas muitas dúvidas que tive outrora
Decerto ando sem sequer saber.

Dias, horas, noites de não ver
Horas de acordar
Guerras, foices, martelos de ter de ir até o mar
Olho meu olhar de ver você e como o bom sonhar
Com as agruras que teci nas horas
Repinto os dias com minha sorte e agora me finjo um plano
Rasgo o véu que vem
Risco o nome de escrever pra você ler sem saber.

Calo meu medo do estranho
Acalmo os dias cantando um som de Elomar
Reajo ao medo voando
Me jogo ao sol desumano do dia de andar
E todas as dúvidas me tiram as amarras
Avanço como um suicida nas bordas e viro anjo
Vôo a ser ninguém
Todo o bom de ser quem quer é poder não ser também.

Aqueles novos ontens e velhos hoje.

Um sol que esbarra no espaço algum do ser
Estrela desconexa de abrir diário
Janela aberta e o vento vem dizer um segredo surdo de vocabulário.

Espalho detrás dos morros um sorriso azul
Espelho o lugar e o mar que as estrelas algo em cheio sorriem
Ao me mostrar assim um sonho de inventar mundo e cor
Vôo ao longe no meu próprio andar
Aberto ao bom de ir e vir, cantar
Em meio ao surgir das conversas sobre os tantos mundos
Os Ontens e novos hoje.

É velho o sorriso de mundos que não são meus
É doce o descobrir em silencio os tons exatos
As luas e ruas transitam no mesmo apreço
Dos lúdicos motins e lutas vermelhos diários.

Imagino um mar tricolor, um sonho, um som ao sul
Espalho o luar, o brincar de Laranjeiras
Arco-íris de rir
Brinco de ir e vir no vento ao sol
Em um vapor de café feito com um doce olhar
à lus das horas tudo é um passar
E vem aquela boa conversa
Aqueles novos ontens e velhos hoje.

domingo, agosto 14, 2011

O mau humor é ver e rir mais grande

Um mais um
Uma forma de ar
Um segundo de ser
Há até minutos antes
E na dor, no olhar, no sol, no cão, no chão
Na rua grande
Enfim o fim faz nascer mais lado nas briga, nas buscas, nas lidas que nascem antes.

E o sim do mar e do carnaval não parece longe
Assim que nós criar pata de patamar brilhante
E enfim o fim se doura na suburbana forma de olhar distante
Balanço Oxum no azul da cor do Oxóssi
Logun não gosta e grita grande.

Desdizer, não dizer
Dizer faz mal
Vou nascer e ver o Zumbi antes
Madureirou o som do tom de amar
A forma de andar no sol
O mau humor é ver e rir mais grande.






quarta-feira, julho 13, 2011

O tema de "O Astro" é uma perfeita descrição de sua época

Aula de João Bosco e Aldir Blanc na criação de uma descrição de personagem e mais, de um personagem em um Rio de Janeiro em fins da década de 1970. A grandiloquência da música, o teor canastrão da letra é perfeito, uma poesia perfeitamente descritiva. Aldir segue a escola Noel de Vila Isabel e faz uma perfeita descrição poética do cotidiano através de um personagem. E ainda demarca a época com perfeição sem ser datada.

A letra:
Em setembro
Se Vênus me ajudar
Virá alguém
Eu sou de virgem
E só de imaginar
Me dá vertigem
Minha pedra é ametista
Minha cor, o amarelo
Mas sou sincero
Necessito ir urgente ao dentista
Tenho alma de artista
E tremores nas mãos
Ao meu bem mostrarei
No coração. Um sopro e uma ilusão
Eu sei
Na idade em que estou
Aparecem os tiques, as manias
Transparentes Transparentes
Feito bijuterias
Pelas vitrines
Da Sloper da alma


sexta-feira, julho 01, 2011

Método de amor e sedução shao lin

É sabido e notório que sedução é algo ensaiado, uma forma de arte pouco dominada pela maioria dos possuidores dos cromossomos XY, nós os ditos machos da espécie. Mesmo este blog sendo uma forma de divulgação da poesia máscula sensível carpada, é, vez ou outra, abrigo de sabedoria de gosto duvidoso e ensinamentos eficácia de impossível comprovação.

A sedução, este ato tenebroso de aproximação ao sexo oposto com o fim de procriação, realização emocional ou somente de saudável recreação, é um dos momentos em que a arte deve ser utilizada com o fim máximo de qualificar o oponente do toco irresistível para o drible na manha feminina do bico na bunda perfeito. Seduzir é sobreviver, às vezes a muito custo, e subir o evereste de sunga, e isso tudo ao mesmo tempo.

Baseado nisso e conhecedor que sou dos métodos de sedução Shao Lin busco neste texto ensinar aos nobres machos perdidos na sarjeta da vida os métodos mais seguros de sedução, ao menos os conhecidos pelo homem.

Os dois métodos centrais da sedução Shao Lin é são a sedução força, baseada no método viking, e a sedução arte, comprovada pelo esbelto Método Hong Kong Fu do Tigre. 

A sedução força do método viking é de fácil explicação: é a utilização de vosso corpanzil amestrado numa abordagem a la Piratas do caribe em busca do beijo na surpresa da moça e com sorte mais que isso, mas a modernidade de mulheres faixa-preta exige para isso que você, meu nerd magrelo querido, ganhe massa muscular e advogado bom, porque não tá sopa pros Vikings não.

A sedução arte do Método Hong Kong Fu do Tigre consiste no equilibro entre velocidade, delicadeza, sutileza, papo e um "vem cá minha nega" bem dado. Inclusive o bote é de serpente e o método tinha de ser de Serpente, mas os publicitários da ordem Shao Lin acharam que vendia mais ser do Tigre, enfim, vamos à aula.

O Método Hong Kong Fu do Tigre exige do seu utilizador pra inicio de conversa a perda da frescura de dizer um oi. Isso é o passo inicial: Diga,oi! se ela rosnar afague-a com o olhar como se ela fosse um poodle irritado.Se o rosnado aumentar mude de alvo.

Abrindo a conversa busque, através do processo dedutivo, entendê-la, observe-a, ouça-a, saiba o que ela é, faz, e quer. O importante é mantê-la interessada em você, fazê-la perder o medo, se aproximar. Com o papo rolando solto e que foi de Foucault à cueca, passou pelo gol do Ciro e pelo amor multidisciplinar é possível a inclusão de elogios na pauta. Elogie, mas sem exageros, o Método Hong Kong Fu do Tigre exige equilíbrio e frieza, cachaça ajuda.

No andar desta carruagem chega o momento do ato principal do Método Hong Kong Fu do Tigre, que é a abordagem. A abordagem final é a representação perfeita da velocidade, o mais perfeito afrodisíaco, somada à delicadeza e ao "Vem cá minha nega". Com o alvo vislumbrando seus olhos, fechado e focado na sua fuça feiosa de macho barbado, busque um movimento que permita um bote labial somado ao enlaçamento pela cintura em uma umbigada perfeita e coordenada, que tira fôlego de de recordista de mergulho sem aqualung. Mas não basta beijar, tem de beijar sem perder a pegada e nem comer a língua da moça, tem de ser sutilmente misturado, sacado, gostado. Às vezes o uso do método é mais gostoso que o resultado, por isso é sempre legal.

O Método Hong Kong Fu do Tigre é um método que exige mais dedicação que força e conta ponto a longo prazo, permitindo inclusive a reciclagem de atingidos anteriormente, dada a enorme popularidade e a lembrança boa. Exige estudo constante tanto físicos quanto intelectuais e por isso nem sempre é popular.

O Método Hong Kong Fu do Tigre é uma das melhores opções no circuito barzinho, banquinho e violão.Não é recomendado em circuitos of road, tipo boites, raves e quejandos cuja audição vai pro saco e conversar é tão inútil quanto levar um arenque pra farejar antílopes na Savana. Para estes ambientes o Método Viking é o mais popular, o que os advogados adoram.

PS: Para saber mais sobre o "Vem cá minha nega" procure informações sobre Umbigada e Maxixe, ritmos de onde se originou este golpe shao lin.

quinta-feira, junho 30, 2011

Ausente a cruz

Nomes Sol
Ardem palavras entre azuis
E qual fogo o vento grassa em letras
Some a cruz.

Os céus tão nus levam-me terra aos pés
E toda a Terra é filha grata das cores, da luz.

Noto-me de Rio e infindo o Rio leva-me ao mar
Mar de correnteza, corpo areia, mar na veia.
Calmo, o som do homem é chão
A flor de sua paixão é esperança, é cheia
Lua clarim, ilusão, espantosa visão das belezas, das teias
Que trançam esta visão apaixonada da cor, do amor e da vida
E a própria luz viva
É um sol, o sol que o olhar mal traduz
E faz-se novo
Em Rio, em mar, em vida, ausente a cruz.

quarta-feira, junho 29, 2011

Poeta besta vê cidade e sorri de emoção

É uma calma, é ter nos olhos uma forma de sonhar
É hora errada, é uma fome, um zelo
E nos espanta essa saudade, a ansiedade, essa forma de voar entre os dedos, os elos
Pelas praças, cronicas deslizam nos afagos de outro ser
E nas pausas entre os dentes sai um verso sem querer
A cor do alumínio sobre o mármore tinge de detalhes legais o desejo de se curtir.

E na manha se conduzindo a vida
Se eu ponho sal, ela pede um doce e a lida faz o som de curtir
Se parecer com paz que perambula a nos enlaçar
E pelos altos sons dos sonhos esperamos termos asas
A luta é dura e precisa de ar.

Versos, somas se misturam aos nomes
E o desejo básico de apenas se olhar
Há ruas, carros, que amparam-nos, vedetes no teatro que luzia um drama peculiar
E nos espaços é mais uma vez cidade
Somos lua e motos, prédios, vozes e cabelos
Há um sussurro tão insano que parece incentivar
Que essa sina não é pesadelo.

Medos, dramas?
Não há nada parecido, há talvez a ilusão de sermos outros desta vez
A cada gota desta vida se aprende uma lição, a cada letra uma palavra, talvez três.

Há tantos outros meios termos, sons, canções, um halls
Um trago, um gole, um instante ouvindo Rock meio avô
E a gente tem o medo, o sonho, a tela pra tentar e se não der não ficar de horror.

Se há razões pra incerteza, só não por sal
Espelhemos o dia a dia, o sol, o chão
E que a paz que a todo tempo queima
Nos faça cinema, jamais televisão.

E que os ventos abençoem a gente num minuto de repente
E nos faça aprender que são dois iluminados por um dia
Uma batalha, uma lida que tem de acontecer
E nesta esperança escrevo todo ano, todo dia, no marco dos retratos, nas formas de olhar
No sol que me assina o tom exato de aprender a ser mais terra, água e ar.

Que o sol nos faça crescer, entender o todo, saber
O rir, o ir e o amar
E que seja assim o bom de ver-te ver a mim um porto bom de se atracar.

A dois, a mil, milhares, muitos
Sós, a sós, em muitos mundos, tantas gentes, tão dois.
Só quero esse sorrir que me desprende dessa terra e acerta o bom de ser depois.

Não há rio, não há casa, não há ano, não mais
Só um dia após outros, sem infernos
Na calma, na manha, na batalha, no grau de cada ato, importante, eterno.

E na simples semana nos tornamos só dia
E na dúvida o que arde é só mesmo o coração
E cantando estrelas e ouvindo o mar
Poeta besta vê cidade e sorri de emoção.

terça-feira, junho 28, 2011

Sem medo de dizer que sim

De dormir o sonho fez-se canto de uma vida
Um riso, um rasgo, um grito de torcida
Um universo feito só de coração.

Um só ir
Caminhos construídos por destinos
Por urros ganhos no grito, no ritmo
De bandeiras de um vermelho surreal.

A fazer
Há mundos,outros mundos tão possíveis
Há atos e memórias invisíveis
Arcos-íris feitos por braços e sins.

Há tanto vento a ser voar
Há tantas vozes a dizer "sem fim"
Há jeitos imensos de querer ser mar
Sem medo de dizer que sim.