segunda-feira, março 12, 2012

Meu amar

As coisas que o sol me conta
São mundos que entrego a ti
Sou meio assim estrada, anjo torto a me levar
As ruas que eu fui e ri
As ruas de todo meu chorar
Cidades de chão, de pão
Novenas a dissecar
São trilhas onde me perdi
São linhas do caminhar
Segredos que li, que vi
Nas almas, nos passos, no ler, no mar.


As asas destes meus dias
São formas novas de sonhar
Espalho o altar do tempo na lei
Fiz de tudo a lei de meu amar.

E se hoje te rio menino
Se digo o vento, sei o mar
É o fruto das mãos de mil vidas
A me fazerem o andar.

Esse meu amar sou eu
Esse meu sangrar sou eu
Que hoje te desejo a vida
E que aceite meu amar.





Presente

Quem me dera ver segundos profundos
Nas ruas, luas, de onde você é
Pra fazer dos sóis presentes, asas
Que me fizessem ver
Teu riso à cores, nas formas todas do ser
Eu ri um riso em mim e me fiz humano
Por ver-te a só me ver.

Me faço você a presentear-me a mim
Com todo meu ser
Por esta crença no todo perfeito imperfeito do mundo
Onde te amo em paz
Em cheiros e gostos imaginados
Em futuros toques, sonhos e sais
Feitos das cores que as formas do teu amar me deu
Eu fiz-me riso em ti
E meu nascer no ano
Foi feito de tua tez.

Meu presente é você
Você é o todo em mim
Aceite o meu ser
Me tenha em crença.



Meus quintais

Luz do sol é teia
Sol berimbau
Ruas de minha vida, sorriso, espada, sal
Mar é maravida
Vida é mulher
Espelho de versos
Destino de encontrar
Pedaços de casas, vozes, o ar
Feito moça em flores
Passos, escadas, ais
Luz do sol em risos
Minha bela, meus quintais.

Vadias

Calada não é forma de mulher
Mulher da vida é talhada na voz
Voz é ser não consentida
Espelha a luz
A luz construída lá no céu da boca.

Na boca o céu é mar e mar é meu negócio
De mar navego em letra e letra é mesmo língua
E língua é falar
Falar é gota, é ilha
É ponte, é cruz
É surtir efeito, palavra é vadia.

O verbo é um amor e amor é cor, é mina
E mina é meu amor e mina é feminina
Feminino salto
De ser mesmo em si mais que um mundo de entranhas.

Entranhada na cor a voz sussurra, linda
A palavra que o amor libertado se ensina
Amar libertado
É lutar, dizer no sorriso que é dela
Que a ama.

domingo, março 11, 2012

Deságua em mim

Ver-te é ardor
A luz espelha a fresta da alma
Diafragma e ritmo a tudo traduzindo
Em versos de olhar
Rosto, sol sorrindo
Sol beira-mar.

É só amor
A ser me inteiro ato íntimo de ver teu nome
Construir desejo e beijo, e o que vejo, em teu
Como o pintar do jeito de flor nascer
E ser retrato de amor
O sol em ti
O amor retratado
Na cor do amor a ti
A cor do amor deságua em mim.

O fardo amado de ser teu

Me fiz a dor de ir
Me fiz o debandar no intento que a mente
A tanto construir se fez num desandar do amor que arfava inconsequente
Por sobre o iludir dos úmidos ventos que trazem vozes de um outro eu
Mas o dolo todo do intento
Faz-se verso em cor, faz-se nascer.

Me fiz um remorrer
Me fiz um desistir
Um medo presente em todo perseguir do ser e do crescer
Deste viver em fogo, ardor crescente
Até o sol nascer e a dor das incertezas vestir-se desta paz que o beijo teu
Dá-me a nascer palavra
Ato de querer
Estrela reluzente a dar-me o fardo amado de ser teu.

Arabescos

É da voz a cor madura
É do verso o redemoinho
Arabescos cobrem pontes, sorrisos
Arcadas, pontes, portais, naves.

É a cor da voz a lua
É uma forma a mais de língua
Os sentidos trançam letras nas ruas
Arabescos cobrem paisagens
Em um mundo todo meu
Onde eu, tudo, é todo teu.

sábado, março 10, 2012

Me sou invento


À rua o ver é o mar
O mar, metáfora de amar,
O mar é o tempo
Gota d'água do sonhar
A onda de ser quem faz-se homem
O sol delira em suores e versos
Ventos trazem-me apenas a ser mar.

Olhos me são mar
O mar é a palavra amar
O mar é o vento
Vento de luar e ver do vento o arco de ar de teu sorriso
O sorriso de nome vento
O ser do tempo, o mar, o cume do destino
Que corteja o vadio de assim nascer em ser apenas mar.

Vai que o vento, o tempo, a pira me incendeia tempo?
Vai que o vento, o mar, a paz, o modo de voar mude de intento?

O mar é lumiar
É carne, é voz, é burilar
Delirar ao pé do morro
A calma de ser um  sentido, um ser sempre
Este mundo inteiro tudo amar.

Mar que em vento faz-me mar
Mar de te ver, de te amar
Intento
Mar de ser-me a ti
Borboletar de mar em mim
Sou mar, sou tempo.

Mar de mim em ti
Me vês tão mar quanto em mim te vejo vento?
Mar de mim pra ti
Sejas-me onda a surgir na areia em cume
Deixo-me a ti namorado
Eu que sou inteiro agora mar.

O mar é ser e vem
A onda vai em mim e enfim
Me sou invento.

Como prece

É isso esse amor, essa prece
Como que o que tudo na vida se merece
E a prece desse mar de amar
É um ato de voar, de esperar
De ser leve.

E acontece a esperança, a paixão
O sorriso
E o sol dedilha um samba de amor tão sentido
Que é a lida dos dias de ir em meu sonho
Neste amor que em versos
Escrevo, inspiro e te entrego
Em louvor
Como prece.

Mais Luciana

Em um segundo estamos aqui em nós. 

Nada contra, ogros tem camadas e sabem curtir seus pântanos.

Em um segundo assim estamos, nós e nós. Com amigos, cães, planos, livros, olhares. Vivos sim, porque não? Escolhemos um rumo, um rumo doido, cheio de pedras, mas um rumo.Pagamos o preço do rumo, colhemos seus frutos.

Em um segundo estamos sós, achamos-nos sós, achamo-nos no caminho onde nunca ninguém nos olha e nos contentamos felizes com nosso sólido ser, nossa casa, planos, vôos e lugares. 

E é neste  momento que surpreende a chegada das borboletas. Elas chegam e invadem os apartamentos, cinemas e lares, olhares, caminhos, corações. Elas tomam-nos, tomam o medo, o segredo, a aridez, tomam-nos por delas.

Em um segundo estamos sós e no outro Voilá! Somos presa. 

Jamais presos, somos capturados pelas asas diáfanas, pelos olhos de Cleópatra, pelas letras, pela voz, pelo futuro, pelo esforço, pela dedicação. Somos delas.

Dai em diante somos inteiros Borboleta, somos inteiros o amor que ensolara as manhãs e nos faz isso, fogo.

E sendo Borboleta sentimos, derretidos, saudade.


sexta-feira, março 09, 2012

Ao sol me vê


É tanto o destino
É breve
É flor, é silvestre
É alma que amansa.

Estradas e sóis, vozes, leves
Canções que aparecem e riem em sins
E dores e amores que erguem
Estrelas e breves vontades sem fim.

Vez em quando a palavra saudade me faz frágil
Invade
Me assusta assim
E só teu amor me cura e ao sol me vê.

PS: Um dos meus presentes de aniversário diários até o dia 12 pra minha borboleta.

quinta-feira, março 08, 2012

Luciana

Já fiz poesia, cronica política, falei de futebol.  Declarei publicamente um amor arrasador de tomar corpo, mente, espírito, olhar.Amor que desconcentra e amplia, que fortalece, reforça, instiga, aplaca, incendeia.

Já disse pessoalmente, já disse a outros. Já me entreguei, joguei a chave fora.

Desisto! Já disse, desisto!

Não há como negar a explosão de uma surpresa, que ataca todos os flancos da súbita segurança quadrada dos medos, não há como negar peito e coração sendo tomados por dupla força de admiração, de conhecimento, de entrega, paixão, fundamentação.

Não há como negar que o chão se torna outro, o vento, o ano, o dia, a vida. Não há como negar algo que aponta pra continuidade de crescimento, aprendizado, riso, musica, poesia, arte, sol, mar, emancipação, liberdade, revolução.

Não há como ocultar o outro, o que torna-me leve, suave.

Sim, me entrego, eu me entrego!

Amar Luciana me ressuscitou o poeta, suavizou o texto histórico, tornou outra a dinâmica do texto de futebol. Amar luciana me devolveu o amor ao dia, ao nascer do dia, ao crescer do sol, ao escrever, ao ler, ao ter fé, ao esperar.

Sim, sou piegas, julguem o pieguismo, julguem, peguem seus archotes, não importa!

Eu amo Luciana.

Não há como esconder, fingir, ocultar, eu amo.

Amo e incendeio-me de amor, e sou entendido, conhecido, amado, respeitado e tornado melhor.

Não há como esconder, e nem seria preciso.

Amar Luciana é o fogo que arde sem se ver, parafraseando Camões, é dar-me, é servir, é ser suporte e ser suportado, é pedir pra proteger e é ser protegido, é  ser ensinado e ensinar, é querer ser dela, é pedir pra que seja minha e saber ter, ser, sem dominar e deixar-se não ter.

É impossível amar e saber dizer, não sei dizer, só sei que amo.

Amo tanto que não cabe em mim.

Morena

Morena de meus sonhos, de mil faces, de meu eu
Me faça vida
Faça agora, peço-te em orações
Faça-me um trecho  de um verso de  poetas
Faça um som pleno destas notas absurdas que a vida dá ao sol
Dá-me o dedilhar das linhas finas das montanhas, das canções.

E vem Morena em passos delirantes
Em suaves sussurrantes vozes de tornar febris
Meus olhos, meu país.


Morena de cores, de ardores, de bons ócios
Faz-me lida, faz-me porta, abre-me em emoções
Feitas de espaços, templos gregos
Muralhas e mil grilhões.

Morena me dê um colibri, uma chave pros alçapões
Que tornam-me cego qual morcego
Que me tornam multidões
E tenha em mim o parco mendicante
O sustentáculo errante do amar assim sem fim
Assim inteiro enfim.

Morena de antes dos tempos mais remotos
Dê-me em tua vida, tuas glórias
Feitas de toque e som
Deixe-me ser teu amor amante
Um teu servo, um tem dom.

Homem e mar

Sorriso leve , livre, minha instancia de mundo
Meu destino, minha canção
À arte dou-me e ao mar, em ti, me lanço
E mesmo contra espadas, desesperos, vou seguir
Entregue ao ar do seu cantar.

Vim te ser meu coração
Em riscos de chamar-te de menina
Pela espada
Pelas asas.

Vim a dar-te o coração como se mundos
E pessoas
E palavras
E cantigas.

Dói o medo, a arte massacrada
Dó o beijo quisto em palavras
Olho os olhos, os cabelos negros
E sou então da esperança a fera.

Rumo pelas luzes do meu ócio
Ao céu dos deuses
Ao sul
Aos fogos que me despem dos segredos
E me formam novo riso e em verso ganho as horas.

E me faço coração em tuas linhas, em teus seios
Em tuas palavras
E teu sorriso é minha busca, meu porvir.

Meu sonho em ti sustenta
O verso de se entregar
É, preta! É em ti, morena, que sou-me inteiro
Homem e mar.

terça-feira, março 06, 2012

Desandei a ser-me a ti

O bom de desroer um dia de mar
É sentir o vento levante
Mesmo no sentido inteiro de não ter razão e ser espelho distante
Qual todo o céu brincando de esperança
O riso deu-me estranha vontade de  flores tântricas.

Risque o risco, baby
Risque
Deslumbre o que se diz
Rompa o jeito de não ir
Fale-me de sol, de sim.

Vezes sinto um vento inteiro de  palavra
E sou todo garganta
Vezes sou do mar, o amar de toda água
E fogo de lavar roupas
Sinto-me antes do medo, dos descaminhos
E rindo me sinto findo
Morro-me entre lanças.

Risque o medo, risque
Releve o que não se diz
Esqueça o por  um triz
Desandei a ser-me a ti.


Seja-me teu

Pequena preta ame, me ame, me lame, me chame
Me fome
Me coma num espanto
Me amarre no provérbio
Me chame de encanto.

Me love no mais eu jeito de inicio
De menino de ser
Me encante, dê-me o amor que mais eu quis
Me dessinta por dentro, me sinta, me apresse o apreço
Me espelhe detento do que penso
Me lame no sentido do encanto.

Me chame de encanto, de rabicho, de seu
Me esculhambe o pranto
Me deixe desandar o plano, o feito, o desejo
Me deixe chama de sentimento, de linho
De ninho de dentro
Reste de mim o espaço encanto.

Pequena  me encante
Dê-me o risco do risco do medo do fim
Esqueça e tome tento
Pois a mim a morte não assusta  mais ninguém.

Preta me faça seu encanto
Pois sou mais eu nesse nicho de ser
Procuro e alcanço o dentro
O incerto do mais além
Pequena preta encanto
Seja-me teu.

segunda-feira, março 05, 2012

Villa

E era assim,era findo
E foi invento e mar
Estrela, resto de vinho
Escombro, roça, luar
Espalhando coisas, linhas
Rumos de ser e de dar
Escadas, luzes, favelas, peças, incertas formas de amar.

E foi, e foi, foi rugindo
E veio em erro e mal
E voltou luz alva, sonho
Rugido de carnaval
E caos se foi, veio lindo
E morto foi, vivo está
E assim quase qual era
Quase uma Hera
Quase um lugar
Estranho gesto simples de voar
Voar
Voar.

PS: pequena homenagem a Villa lobos a partir de exercício inspirado da melodia do Trenzinho Caipíra e na poesia de Ferreira Gullar.

Ato de ser um coração

Ver-te, te ser, ir
Ser invenção, ser-me, ser
Algo pra ver, ter, tocar, fluir
É quase ser sol
Sol de querer
Sol de ardor
Ardor de amar
Mundo melhor.

Ver-te e ir
Rir
Ser então horizonte
Ser montanha, instante
Olhar defronte ao mar, ao ser-me, ao rir.

Ver-te e ir
É deslindar espaços
Rumos, desembaraços
Além do sim
Enfim o amor
É  chão
É redentor
É um simples novo sentido de canção
Ato de ser um coração.

domingo, março 04, 2012

Um delírio chamado felicidade.

Amor imenso de flores e estrelas
Amor de sóis distantes e luas vagas
Estranho distante amor tão perto
Estranho e sorridente amor de muito.

A cada semente o sorriso planta também o novo
E o novo abre-se qual um caminho inseparável do sentido
Abre-se qual o que tudo muda
Abre-se qual esperança de mundos e intentos.

O amor imenso de a tudo distante
É assim tão perto e tão dentro
E entre aspas e desertos
Entre rios e Áfricas
Entre amores, gangsters e pantomimas
Afivelá-se às asas de pégasos e desenham um delírio chamado felicidade.

Meu país, meu sol, meu sul

Lu de luz ao norte
Lua, voz cantante
Cinema mutante
Borboleta chão.

Lu de luz, sol forte
Luz alvissareira
Estrela matreira
Forma de invenção.


Lu de voz e mote
Toada que enfeita meu peito de sol, canções.

Lu, de sul, de norte
Rosa de outras vidas
Dos ventos bendita pela voz do amor.

Lu de tudo
Um pote de mil malabares
De tantos lugares quanto versos, pão.

Lu de muitos nomes
Faz-me astronave
Ás de copas
Teu amor.

Lu de alma nobre
Cordel de  esperança
Mágica, mudança
Planos de azul.

Lu de mim, dos nomes
Das ogras famílias
Das luas benditas
Das ruas de mim
És enfim o forte, canção de minha vida
Meu país, meu sol, meu sul.



sábado, março 03, 2012

Com Borboleta ao redor

Quase que o sol me faz sorriso
Como às ruas segredos fazem cidades
E meu céu se fez um chão, talvez canção
Da Portela à Mocidade
As palavras se criaram laranjeiras
Um país se fez qual ponte, Estação Primeira
E o mar deduziu-me amor e riso
Entrelaçando-me ao vício da verdade
E deixei-me  assim ao sol
Tão menos só
Com Borboleta ao redor.

É o indizível do coração

Canções, estradas
Pedras, quadros, cines
Versos, águas
Montes, praias
Vivencias, livros
Estradas, móveis
Se espalham como invenções mortas
Espaços incrivelmente limitados pra explosão de um só olhar
Inúteis paisagens de medos e mortes
Registros ínfimos e vulneráveis.

É indizível
Não um Deus, pois tal e qual Deus é o não ter um corpo a dar-lhe forma
Mas antes de Deus cria e age com dois, com muitos
Faz em si mesmo o significado e o significante
É e deixa-se ser
É e transforma-se
É o devir e o rir
É antes de tudo dois.

É dizer, é ser humano
É nascer um novo em cada pão
E a ser assim, humano
É o indizível do coração.

sexta-feira, março 02, 2012

Lua que ilumina o meu coração

É assim uma sina, uma só pantomima
Uma velha ilusão
Uma face tão fina das luzes que às ruas propõe amplidão
E ao vento o bailar dessas formas e linhas parece um sorriso de sim
A na confusão dos bailares, das rimas, se fazer tom
De canções pequeninas que assanham a sina
E deliram no tempo a voar pelas linhas da minha mão.

É assim uma mina, uma forma tão fina de velha canção
É uma arte tão linda que espanta quem nasce em nãos
E na confusão das baladas do toque do coração
Nasce borboleta infinda
Lua que ilumina o meu coração.


De pura alegria

Ao mundo a morte
Sob o sol o riso constitui-se foco e trilha
Vozes contidas, espaços e redes
Sol gratina o medo e a melodia
Entre o chão, a rusga, a rinha
O sabor de outono que avizinha
Palavra chave é Leone e Shiva.

Em beira-mar, em cerca de Rio
Rap vem do céu, da serra fria
Gás, poesia, cassetete, filme
Espichado o tempo das malditas
Irrazões há tanto tempo perdidas
Cruzes, Blues, Lapa
Boa pedida é uma cerveja e doses de tequila.

Batuca o bar, sorri mesa vizinha
Amor sem freio ao norte adivinha
Corpo, desejo, palavra, paixão
Ruas, luas, chão
Cidade canção
E eu vão, semi-humano, qual linha
Teço e reteço vontades, magias
Rio em  meus versos de pura alegria.

Do amor que achei por aqui

Ao Sol e ao céu
O espaço de minha alma tem o astro como luminoso ser
Alvo ser
Páginas marcadas de Nerudas, Florisbelas  a me ler
Sambas e Umbandas
Funks, folks de aruanda
Astronaves de sabor
Há sabor nas tantas entregas nestas rezas, nestes rumos, no tambor
No amor.

Astro eterno que faz luar
Fogo e verso, coisas de cantar
Dá-me um verso pra destruir a distância
Faz-nos aqui.

Rumbas sem arestas
Vagabundas lentes, festas que se fazem de sinal
Luz primal de amores próprios a quem tece letras
Versos de quintal
Eras, peças, ânimos
Delírios feitos música
Desejos de beijar
E voar pelos corpos mágicos, sentidos de caça
Fundamentos de cajá.

Astro em versos dá-me um luar
Faz-me vento pra não ter lugar
Nada que iniba o bom fluir
Do amor que achei por aqui.



Sonho mundo sonhar

Lá é longe que parece já bem ali
Tão distante que o distante é quase dentro de mim
E tarde é bem cedo
Num sono, num sonho que parece quase existir
Pelas quebradas dum samba, dum baião
Que baila zabumbando sins.

Das Zabumbas, das palavras vamos ao luar
O Luar que passa a ser aqui o mesmo aquele de lá
Lá que é minha vida
Feita de um jeito, de um mundo tão feito de sol pra parar
Assim sem tino no medo do amor, do fogo, dos sertões, do pendor de amar
Flores e Serenos
Coisas que não ligo porque não sei mais recuar
Jogo e rejogo
A nítida mania de um sonho mundo sonhar.

Espera boa de sentir e de ser

Forma de olhar sem olhos
Ser um múltiplo de rir
Brincar de invenção
Voar pelos pés
Bobagens feitas pra desconfundir
Sentar e rir ao chão.

Flor de ver-se alguém
No chão do seu sorriso
Inundado de canção.

Espero o estrelar dos ventos
Pra fingir não querer ir
Estrada afora
No tom de ver ao sol alguém
Na batida do tempo
Inquirindo com um sorrir
Este entregar.

Espero o som do vento
E às estrelas entrego o chão
Zarpo pra ver-te ser um meu gostar
O rir das madrugadas
Espera boa de sentir e de ser.


quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Formas tão finas da minha paixão

As belezas são findas, as almas, as lidas, os pés pelas mãos
As sensíveis magias dos novos bons dias
Dos dias de cão
Se agarram às vidas qual signos,
Lírios espalhados em mim
Que ao borboletar nas retinas da ilusão
Retransformam as lidas, as linhas da minha  mão.

As razões indistintas se sangram sozinhas querendo um não
E o fogo repleto de mares  se alinha
Se afina queimando o não
E sem mais razão implacável delira a dizer-se são
Para Borboletas retintas, que se espalham nas linhas
Das formas tão finas da minha paixão.


Dom entrelaçado ao amor

Espadas, claves, luas cheias
Esteiras sóis, manhãs inteiras
O mar é o lar dos sonhos para mim
Esperei ver por entre estrelas o lumiar do ganha pão
A cor da vida, a alma cheia
A paz dos homens, o som são.

Vi rebrilhar a faca das vitórias, a dor
Vi-me luar, num solitário mar de ardor.

E dos mil homens, das mil fêmeas
O que me fiz, o que me sou?
Ao sol o céu parece um lindo fim
Entrelaçado às  bandeiras que foram jogadas ao chão
Se já morri a luz que enfeita é outra estrela ou ilusão?

Vi-me sem mar
Calado entre seixos e o horror
De me secar na ausência da arte
Só dor.

E vai que a vida, assim certeira
A rir-me deu-me o bom sabor
De ser-me assim qual fogo a me queimar
E assim sorriso de brejeira arte com asas e paixão
A áspera voz perde a estribeira e dá-se inteira em coração
A um ofertar de leveza, de arte
De ardor
Deixe-me olhar-te dom entrelaçado ao amor.

Borboletas tecendo um mar

Claves de sol solfejam um sim
É o vislumbre do mel
O embarque no trem do som, da arte
A parte difícil é a cor do sorriso, é ler
As agruras raras, parte do rir, parte, inteira parte
Vem com asas e amarras
Palavras são caras e são tão boas de dizer.

Sol, correnteza, luar
Palavras são convites de deslindar.



Rasgue o medo do antes
Há pequeninos neste gigante
Há nas palavras asas, um gume, um espaço que traz um sorriso de ver
Dá-me a alma clara
O resto é o céu repintando, teso
Calma ao mar
Dê-me um segredo
A parte mais fácil do sim é poder renascer.

Sol, correnteza, voar
Palavras são borboletas tecendo um mar.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Apenas desavergonhar


De Deus é uma arte de alma lavada
Uma alegria de tapa na cara
Um sorriso de multidão
E sei que as armas se fazem raras
Que os punhos se cerram, falas endurecem a emoção.

Calei o terrível do medo de não ter  mais dor
O sorriso sem eixo
O segredo, o ardor de um sangue que não é o da minha liberdade.

Achei a palavra do sonho por entre lamentos
Escutei a verdade dos velhos unguentos
Tomei cana pra acordar
Parei e vesti a semente de Jorge nos versos
Fui guerreiro, amei Rio de desejo
E fui apenas desavergonhar.