domingo, maio 31, 2009

Eu quero rimas

Ruas me espantam
Luzes me sustentam
Fomes me repelem pelo ar
Enquanto o amor se faz canção
E olho o mar
Calado, distante, impassível
Vejo aves, sons
Para o sol nascer nas colinas.

Não me pare agora
Sou tantos
Quero ir enquanto há tempo
Pelas luzes de outro bairro
Quero na verdade uma só palavra.

É só
Eu quero rimas.

Querendo ler o viver

Acordei pra ver o sol curtindo o ócio
Deduzi sem ler a história dos nossos lumes de amor
Sai pra correr  pra sempre contra o tempo
Sem querer mais ver sucessos, contratempos
Eu só quero ir voando sem ter direção
Repetindo versos, lendo mil artigos
Aprendendo a ler estrelas nos sorrisos
Rasgos de improvisos retumbando o metal.
Se eu fosse sorrir eu voaria em pombos
Se fosse meu gosto eu ficaria um tempo ouvindo o vento
Ouviria um pouco de velhos sussurros
Quereria tempo pra notar desejos
Pronto pra aprender amores que escorrem nas mãos
E a caçar palavras
Quero desatinos
Pra poder tecer respostas sem ofícios
Recriando artifícios pra fugir do banal.

Se há tempo me deixe confuso
Não há tempo pra viver esperando
Nova vida recriada do zero
Se for pra ver, quero inventar o ver.

Se há tempo me largue nos muros
Pelo invento de ser tanto e tantos
Minha vida é um som perpétuo
E por aí vou assim
Querendo ler o viver.




Voar nas auroras

Minha ilusão dá margem à palavras
Reduz o ser triste a ritmos e cargas
Espere a hora de sermos ruins
E abra a porta que esperta
Cala a boca e me deixa ir.

Agora
Indo pra casa me sinto cheio
Remoço ao andar entre espamos de ruas e medos
Vejo o luar
E permito-me voar nas auroras.


Havendo Deus

Havendo Deus 
Surgem em pássaros palavras
Havendo Deus luzes parecem soar
Não tendo deus
Gostas de dor?
São sininhos
Doem olhos de passarinhos
Surgem medos de voar.

Havendo Deus cores tentam ser presentes
Fomes têm um pão decente
Poetas não são um horror
Não tendo Deus Riobaldo até se engana
E o medos viram dramas
Ilusões viram amor.

Malvadezas sazonais

Dê-me a água cálida dos fins
Morra de improviso
E me permita o ócio perfeito
Pelos mesmos velhos motivos
Pelo extremo risco de ser apenas um nú repúdio
Ao que reduzido à superfície parece crime
Pela justa relação entre o perfeito, o banal e o feio
Calculada em cheio por minhas pálpebras serenas.

Dê-me a calma de olhar o bom designio
Enquanto eu ouço um ritmo metafísico
E evito me isolar nos desertos
Por motivos inúteis, arrogantes
Enquanto rosno entre risos
Por um ódio que é de graça
A quem me ofende no sistema
Enquanto curto malvadezas sazonais.

Pelo aprendizado de ser tempo


Se há canção
Espere o dom da não palavra
Se é a fé
Aguarde ser só existência
E entre sins escreva a letra que calada
Cobre de esperança o silêncio.


Fosse ação
A vida intera já parada
Pulsaria gotas insanas de inferno
Fosse um riso
Talvez o amor fosse amarra
E a corte da felicidade não fosse invento.



E assim como que invertida
Pasmada
Na antevisão deste presente
Move-se em vão a vida inteira remoçada
Pelo aprendizado de ser tempo.

Outro som irracional


Repare no extremo
E assim, me pergunte a razão
Para o mar ser tanto 
Ao passo que seu surgir
Tem um que de Rei
Sugando a força do canal
Não pergunte nada a ninguém
E espere o mau tom de um velho madrigal.

Não me fale do velho problema seu
Enquanto rosna inconsequente um ódio despejado
Sem esteio
Sem a fome de violar mil leis
Mas eu gosto quando me falam de destinos
E da cor do luar
Espelhado em destroços sós
Remoçados em túneis de metrô, escritos em pedras de amolar.

E é isso, é o fim
Só queria cantar
Um destino, uma terra
Um desmontado depois
Para ver o quão cinza é o acordar.

Repare no extremo assim
E mergulhe a canção até o verso se afogar
E reluzir
Refletindo além do espelho a fome, o sonho, o sal
Escrito no mar por outro alguém
Me espere por outro som
Irracional.






Ao menos ir


Se houve fim
Sussurrem pretéritos
Gastem o vento e digam sim.

Noto um rumo no fim
Calculo inútil raiz.

Enquanto há fim
Deduzam corretos
Espelhos retos que causem sins.

Noto um rumo nos sins
Enquanto pego o ritmo pelas linhas que deduzem-nos sós
(Talvez por sermos só nós)
Enquanto reduzindo minha sina
Espero um trem perfeito
Tomo um gole de cerveja e no peito
Calculo estragos do fim.

Enquanto há sim
Espelhe o provérbio
Me dé ao certo um som, um fim
Me deixe ir por aí
Me deixe ao menos ir.

Renasce coração

A luz do sol desliza
Sorrisos dizem sim
A rua é tão aflita conduzindo sons e fins
Calaram-se as mil palavras
Reduziram-se ilusões
Enquanto tecia a fé dentro de espasmos de razão
Caindo assim em mim, em casa
Sussurrando canção
Esperando uma rima que nascesse sem paixão.

Reluz o vidro cinza
É lindo o prédio, o chão
Espero na esquina talvez me assoberbar
Desejando mil semanas
Zepellins, Caixas, revoluções
Enquanto ando e canto um medo de não ter razão.

Enquanto o sonho adia o drama
Repare nas gentes, nos dons
Tecendo museus, luzes, mar
Enquanto tornam-se coração.

Eu sei, é assim a hora
É assim a rua, o chão
É dura a voz que acorda em desarrumação
Por isso guardo o choro agora
Reparo na expansão
De um sorriso findo que renasce coração.

sábado, maio 23, 2009

De mulher


Rasgue-me em vinhos
Em tintos toques de desejo
Pegue a mão 
Dê-me afagos e em beijos
Ponha a si  inteira em sabor. 

Note-me em ruas e cores e atos
Respire seu corpo no espaço
Me dê esta ânsia de iluminar.

Pelo seu jeito, sua cor, sua dança
Me importa saber o sabor desta índia, esta luz, esta vida de imenso mar
Enquanto o sol vem luzindo
Me dê este teu cerne do céu 
Sob as lindas forma de desejo que pintam na pele e no cais.

Desenhe a cor e a luz destas ruas infindas
Note o que é a cor que sussurra existência
Distante, o universo é este balcão de bar
E todos hoje somos a porta que clama  o toque,a fé
De ser teu desejo assim
De mulher.




O mundo é meu ser

Rabicós, Delfins, viscondes
Imperadores, anjos fazendo florir
Ruas novas
Velhos capins
Praças do tamanho certinho
Redondas 
Nos trilhos
Aprendi ali
A escrever sonhos e sacis.

Pelas cortes do meu raro duro imaginário jeito de fugir
Inventava obras de Dalí
Rasgando rios suburbanos
Jedis bons lutando e meus oilhos ali
Costurando espaços de patins.

Coisas de luzir distantes
Flores operantes
Como não nascer
Vendo a cor brotar do ver?
E curtindo a vista incerta, a razão desperta, a paixão de ser
Coisa boa o céu e a mulher.

Esperanto em vão se digna
A escrever batinas em jeito de crer
Será bom o Bom Deus?
Vejo a rua, o madrigal
O curto e banal bonde a desdecer
Santo, o mundo é meu ser.




Perdemos cores


Esquinas escutam o delírio de viver
E o giz me torna útil na espécie de lua que é o quadro
Enquanto procuro curvas negras pra beber
O suco de destino que habita nuas formas de espaço.

Escrevo o mar sob a  forma de um verso cru
E formo um luar pras belezas me tornarem a rir
Vejo um preto perfil
Recuo meu olhar  
Mudo de cor
Espero a fome reformar meu ar
Rabisco luas para encantar
Caço panteras nas florestas
Como somos enquanto homens se não atores?

Não note os subúrbios debaixo destes meus nobres segundos mudos
Enquanto calo algum subterfúgio para ter um beijo
Combino em sussurros desejos e sonhos alvos.

Repare na luz que amplia o medo da zona sul
Espelha o mar pelas beiras do desejo de rir
Me faça colidir
Preteje meu sonho redentor
Calcule a fome de me desnudar
Repinte e borde para nos mostrar
Como é que sendo poeta
Retrucamos sobrenomes
Perdemos cores.






terça-feira, maio 19, 2009

A prisão de minha vontade


Sabendo falar podemos ver o fim
Até verDeus.

Pedindo bonito podemos ser lindos
Até ateus.

Mas olhe, não sei sequer ruminar
Talvez seja até coisa de amarrar
Um crime, um erro, um vil pecado
Um jeito assim tão pensado
Cala mais até mil desculpas pra salvar amor
Mas não cala fel.

Pedindo se busca até ter favor
Mas nunca eu
Eu calo a razão e choro saudade
Me prendo na rede da iniquidade
Olho pra janela nua da maldade
Construo a prisão de minha vontade.

segunda-feira, maio 18, 2009

Amor sem dores


Ruas nuas me espalham sem saber
Agosto tira mundos
Enquanto o espaço cumpre mudos vestígios
E me faz ver
A correria tola de nós
Que como ratos
Procuramos ouro e contas na lua azul
Perdemos os pais e partimos sem besteiras
A contar e a sorrir
Fingindo ter daqui uma vista qualquer do redentor
As luas cruas de Paris, sem mar
Chove lá fora
Já vou trabalhar
E vou me esquecendo da festa
Que foi meu horizonte
Acordei hoje.

Meu Rio tem seus rumos e perdi meu berço
Calando entre risos um resmungo baixo
Fui filho de destinos colados ao jeito
De perceber murmúrios de Deus nos faróis baixos.

Procuro dos mundos uma detalhe que entre azuis
Me possam pintar um luar com estrelas
Um som de reluzir
Um sorriso sem fim
Uma vista qualquer do redentor
Um jeito único de redundar
Eu quero as ruas e um balcão de bar
Um papo cheio de misérias
Sorrisos entre homens
Amor sem dores.

Olhando grades


A dor de deixar
A arte de ter fim
Ri de meu deus
Existo no indício do que pode vir
Morro sem reis.

E enquanto me deixo sonho em voar
Respondo a meus medos
Sonho com um mar
E busco a dor de perder os passos
E cheio de embaraços
Vou atrás do trabalho burro
De colher amor
De sorver fel
Redundo na muda dose de rancor
Xingo a Deus.

Se calo a razão
Calo por partes
Ouço sons de rua
Sinto saudades
Torço qual uma mula em meio às tardes
E perco esperanças olhando grades.

domingo, maio 17, 2009

Não vou morrer

Fomes e artes
Luas e bagres
Peças de mil motores
Muros e grades
Peças de arte
Ruas e mil rotores.

Se eu soubesse dizer o que quero
A grandiloquência de minha semente sugeriria a gente.

E eu amo morrer plebeu
E o inferno
É que eu não quero morrer
Quero apenas perceber senões a ser.

Gotas de classe
Fomes de classe
Formas de paz
Louvores
Umbilicais
Os meses são mais
Os meses são maios atores.

Repita o seu desdizer
Meu inferno
É a semente da impotência a reduzir-me à mente
E a mente é meu derreter, meu deserto
Que construo sem querer
Para destruir meu ser
Não vou morrer.

Quero ser terra

Do mar recebo em versos corpos negros
Pisos de sangue que tomam casas
Asas de papel e de luar.

Do invento percebo espadas e gerânios
Percebo sorrisos e elefantes
Crio céus e infernos de rir.

Cale-te se não me notas mundo
Rasa é a cegueira sem invenção!
Tudo é um versinho de outrora
Reduzido a um simples rancor
Permita-me voar desempregado
Quero ver o fogo renascer.

Dê-me meu ser de amor
Dê-me meu rir de louvor
Dê-me meu Deus de amor
Dê-me a terra!

Quero  o gol de placa dos planetas
Quero o sol queimando mil vespeiros
Quero reluzir-me invenção!

Grita!
Que eu canto aqui uma modinha
Tamborilando versos mudos
Regredindo sem infância atroz.

Não me cale te negando mundos
Se há a luz, é feita desta dor
Dados jogam Deuses pelas forcas
Enquanto comemos nosso pão
Nada de paraísos e hóstias
Quero ver terra de sangue correr!

Sou apenas louvor
Amor de rir
Amor
quero partir, amor!
quero viver, louvor!
Quero ser terra.


Nos ensinando a cantar

Dá de mim o tempo!
Note almas novas pelos campos!
Eu que vivo o inferno da voz
Calo-me pra sonhar.

Peço espaços múltiplos pras palavras alcançarem o vento!
Será mesmo impossível notar
Que letras têm seus tons
Presas no tecer ruas, luas, velas
Barcos que navegam ventos.

Como assim nunca pôdes olhar? 
Barcos são só canções
A nos pertencer vagos e tão fugidios
O silêncio é uma linda voz
Nos ensinando a cantar.

Silêncio confuso

Ria do sabor, do sagrado
Corra o espaço
Vire festa
Resmungue acordada do calor
Há espadas e há canções entre as rugas e entre os nós.


Venha viver
Venha rápido
Enquanto o sol cumpre promessas
E o Rio se espalha no olhar. 

Se você notar vai ver
Um espelho de puro amor
É tão simples de perceber como é ruim rimar sol com flor
E meu riso se diluiu
E notou outra rua,outro túnel
Enquanto eu ia nascer
Soberano no amor que procuro.

Ria!
Vem amor, venha rápido!
Que meu mundo é um frágil
Recuo do espaço pra voar
Enquanto rola a canção meu sorriso desenha o pó
Na esguelha de um sonho brincado
Respingando de mil fontes
De águas pintadas de você.

Como pude não perceber?
Rua cheia me faz chorar!
Muros secos me fazem ter medo meu de nunca brincar!
Acordei pra poder viver
E respiro o luar obtuso
É tão simples saber viver
E viver é um silêncio confuso.







segunda-feira, maio 04, 2009

Em vão vou crer


Gotas de arte, formas de arte
Mortes de arte
Ardores
Pintam luares
Fogem dos mares
Compram jornais e amores.

Respire a calma dos seus que eu espero
Dê-me a ciência do mundo alerta que construímos ausentes
Grite um som que morreu
Dê seu berro
Enquanto os seios oscilam alertas
Nesta nudez que mente.

É fogo depender de deus
Por isso berro
Querendo só perceber
Quanto de mundo é viver
Em vão vou crer.

Me cause amores



Espero perder meus sonhos de nascer
Em torno de aviões e itinerários
Rebuscando uma palavra pra entender
Amores e cidades que jazem sob meus lábios.


Repare no mar que não costura meu sonho zona sul
Repare o lugar onde Madureira me aprende a sorrir
Me faça colibri
Eu quero o rumo de ser sem senhor
Repare o lume de Lumiar
A cor das horas diante do mar
Me deixe correr na floresta
Me separe destes homens
Me mate as dores.

Espero aprender a rimar amor sem medo
Enquanto acuso flores de matarem cactos
Se a cor de meus olhos derretem sem dizer
Costumo preencher horrores sabendo o espaço
que cobre meu mar antes de saber-me lua azul
E onde está o bairro de Madureira
Pra eu saber fugir
E perceber assim
Um resmungo sonolento de amor
Um gesto brusco que me faça voar
Mundos e formas de luzir luar.

Me pinte outra cor na floresta
Cale a boca destes homens
Me cause amores.

Buscando sabores.


Me suponho sussurros na reinvenção das noites
Enquanto o que me consome
São ruas e vozes loucas
Toda a nudez que afaga as cores.

Me escondo em meus mundos
Perdido em paixões musicadas sem nomes
E reparo no sabor da fé que me escapa
Que me arrasa dominadora
Enquanto meus hidrantes respingam o olhar
Pintados nas alcovas de meus delírios banais.

E por isso procuro alvos nestas gentes
Pintadas de celofane
E crio monstros sem nome
Redigito o medo, a fome.

Espero dedos cruzados
Espero hordas de fados
Velhas guerras, velhas terras
Enquanto olho da janela um mundo devastado
Me mato por controle.

Se singro o sol dos mundos
Peço a amigos uma dica de TV
Faço hora esperando ao telefone
Leio livros usados, vejo quadros na tela dos meus ócios
Espero um som sem remorsos
Não espero ninguém.

Leia o medo nos astros
A morte dando de lado pelas eternas promessas
Na janela o mundo encerra o expediente extenuado
Morro sem controle.

Me calo olhando o fundo
De uma cena da TV
Perco a alegria dos descalços
Perco o amor
Perco o querer
Quero ir além
Voar em redes, laços.

Me dê conta dos recados
Me mostre o Rio escaldado
Entre as pernas das donzelas
Reina ela, a lua, a cela
Onde durmo calado
Buscando sabores.

terça-feira, abril 28, 2009

Sem o mar

Se amo o Rio mesmo antes de ser gente?
Eu era crente que sabia o que era amar!
Corria sem mexer as pernas pelos dias
Eu era o dia pelas ruas a voar.


Queria mundos
Prédios altos
Praias, muros
Queria além
Viver o trem
Saber o mar.


Queria mesmo ser além do que era a gente
E fui em frente
Inundando-me de sonhar.


Mas sempre fui as casas e calçadas
Fui ruas pardas, matos, pipa a voar
Olhava tanto a mim que hoje enjoaria
Não via a mim, via mundo feio a destroçar.

E meu olhar hoje ostenta o respeito
Por um velho jeito de um velho mundo amar
E era este o Rio que me faz contente
Um Rio firme
Suburbano
Sem o mar.

Outras Rua, outro bairro


Uma ruinha sem sins só meus nãos
Era curta de rir
Era pasma de chão.

Era um bairro sem meus corações
Não sabia ruir
Nem sambava trovão.

Não sabia avoado
Nas tolices que eu tinha
Que choraria a ruinha
Com dó de minha inação.

E que bairro cretino é você
Que tolamente cresceu e cresceu pra morrer.

É que o rumo do riso sem ver
Se perdeu sem semente
Rodou em mil cidades
Perdeu a razão.

E eu aqui
Perto aqui
Longe aqui
Vejo prédios e muros
E murros sem ti
E sem mim, outro assim sem meus sins
Que brincava sozinho
E gostava do chão
É um tolo agora
Que surge sem ruinhas
E morre em horas de vil solidão.




domingo, abril 26, 2009

Com morte e tudo

A beleza cega
A delicadeza cega
É tudo
É um dia a dia
É uma ausência
A ausência cega de tudo.

Toda beleza do mundo reside na ausência
Toda beleza do mundo é cega
À toda rudeza do mundo.

O Brilho, o lume, o fusco
O lúcido morre
E ao ver além das pedras se perde
Ao ver aquém das pedras se mete
A ter o sorriso perene do belo
O eterno belo que não aguenta o cheiro da cinelandia.

Toda certeza do mundo é a cegueira da beleza do simples
É o sorriso do simples, do fortuito dia a dia
Com cheiro e tudo
Com medo e tudo
Com soco e tudo
Com morte e tudo.


Deus Instinto


Deus Instinto,derrame parábolas indignas
Entre destinos corroa das almas, das sinas
Algum limite para asas, pára-rimas
Creia-me um cisco desta tua paixão divina
Desenhe-me apenas gota d'agua cristalina
Enquanto surfo mei negão nas Filipinas.


Instinto guie-me pela razão exposta acima!

sábado, abril 25, 2009

Salve o Deus dos Malasartes!


Se manca e manja o pranto
Da meninada sem a certa
A calma do mar
Engana e desperta
Não venha me falar de arapuca
O medo é o pranto escondido na dúvida de ser
Talvez seja só falta de arte.


Rima sol com Bar e parte!


Não esculhamba o canto
Batuque é razão de sobra
Pra desmilinguir vagabundo que sobra
Querendo bolso a sós futucar
Parecer pouco mas é de fazer chorar
Azar!
Deixa ferver dendê com chocolate!

Rime a sós
Balance a arte!

Te toca a bola e o espanto
Arrume n'alma uma bazuca
Deixe-me aqui rebuscando a cuca
Reverse o verso de batucar
Arrume a rumba pra em cubango tocar
Vai lá!
E arruma um céu pra minhas bobagens.

Rola a bola
Se mexa e parte!

Malasarteia o escambo
Grile o bairro das madama
Faça-se o favor de não pisar na grama
Requebro agora pra deslanchar
Me arrume um samba sem mais atrapalhar
Vá lá!
Ou desatine a sós na vadiagem.

Salve o Deus dos Malasartes!


Se fosse Deus


Se fosse Deus não pediria a palavra
Se fosse Deus só me iria lamentar
Como se fosse o surgir de um sorriso
Um explicar de destinos
Um destino de explicar.


Se fosse Deus talvez faria quermesse
Talvez gritasse: Esquece!
Demolisse o Redentor.


Se fosse Deus
Não faria mais semanas
Eu esperaria Ana
E me desmancharia amor.

Reescrevendo o Redentor


No bailar de luas tantas
Reduzem-se a serem do mar
Tritões e Ondinas mulatos
Trançam rudeza ao voar
Sobre o brilho da paz
De Iemanja que os abraça
Repintam cores no anil
Deságuam refazendo o Rio.


E quem de nós verá a cheia?
Será a maré que mareia
Ou é nosso olhar, cego nosso olhar a nunca notar?
A prancha, o sonho surfado
O Soco, o murro nadado
Pele de preta eterna cor
Tomando do medo e do asco
O corpo na areia cansado
Reescrevendo o Redentor.


Boca de dendê


Resta em mim a lua solta
A vergonha súbita do beijo à boca
O reflexo cego de um bibelô.


E no beiço preto que mora tão longe
Respeito o desejo do Fradinho que tange
Uma música de trazer carnaval.


E me faço olhar
Desejo de nua rima
Criando beber
E sentindo o bar
Tremer pelas luas
Ir lá é nosso dever.

Reste em minha saudade boa
Resmungo de maraca, coisa à toa
Venha pastel de feira e me soletre amor
Troque de si mesma seja nua à solta
Seja Lúcia Negra, Marcela mais loura
Mas não me transforme em velho Pierrô.

Porque eu quero é mar
Regata de dunas
Vidas de suor ferver
Eu sou de Sambar com os olhos e musas
Requebrar com boca de dendê.

domingo, abril 19, 2009

Crueldade com animais


Cartun Genial de Adão Iturrusgarai

Deus e Diabo Sem Terra no Sol

Só peço que não repare quando cito um Diabo
que nunca lhe mandou flores
Ou um Deus sem não vê ais
Ao remendar um passado e um futuro encolhido
Se os cito é por pudores em questões celestiais.

Mas por Deus cito palavras que por vezes já te ardem
Os ouvidos que acostumados a fugirem de pecados
Não percebem no Diabo alguns detalhes bem matreiros
E se perdem em louvores não de todo arrazoados.

E pelo Diabo grito canções que já estão fora de moda
Por perceber em Deus elementos de muita cor
Noto ali um bem macabro iluminante sentido
E uma confusão danada pra um mundo bicolor.
Agora toda canção dá adeus fora de hora
Pois a ocupação açoda necessidades reais
E Deus e o Diabo choram vontades inexprimíveis
Na viola mandam fundo uma moda de amor.

Roubo cordas

Me cale vento na inútil paisage
Nada há aqui de arte
Além do invento e da inação.

Me faça interno à pensata
E à milhagem
Da nova vagabundagem que lota o Canecão
Enquanto invento um método que faça parte
Do que meu silêncio arde
Em falsa moderação.

Mas use o tempo antes que exista um domingo
Em que as flores de condomínio vêm
Fazer da dor da gente algo novo
Inundado de esperança
Feito um Deus do além.

Repare lépido o desejo que espalho
E me deixe aqui de lado
Faça show em outro bar
Enquanto leio um Príncipe de outra lenda
Deixo morrer as fazendas
Vou pro Rio mergulhar.

Deixo-me em tudo
Leio lendas
Fico nú
À solta
Roubo cordas.




Ocupe o verso com cor

Ocupado em terras estrangeiras calo à foice a ilusão vazia
E na vã invasão à lua cheia
Me embriago da real euforia
Calo todo o sangue na banheira
Pinto nu bandeira que é bom dia.

Me entregue a Deus, amor!
Ocupe Deus à foice e flor.
Ou culpe a Deus meu bem!
Dê-me a força do Boi.

Há na linha que me nunca comove
Um respeito aos novos sussurros
Onde um detalhe me é tão grito
E um espaço onde me é tão murro
Sagre toda a revolta que ao horror move
Traga-o amarrado em meus burros!

Lhe entregue a Deus, amor!
Ocupe Deus à força e foice.
Ou culpe a Deus meu bem!
Dê-lhe a força do Boi.


E na desesperança o que cala o muro é vão
A cor é TV entre pernas e dardos
A vida se cala, mata e pune
O Sonho se torna urro
O grito se torna líder
E generais se perdem entre sangues e passos
À cada ocupação se faz um monstro
E à cada medo um exemplo de liberdade.


Não existe Deus, amor!
Existe eu, nós e cor.
Se faça com dendê,
Dê-me a lança do amor!

Mas repare na metáfora cheia
Que aclimata a gargalhada que une
Quem não leu verdades na lua cheia
Quem acredita em quem nunca se exuma
E se ponha no salto da velha!
Já sejamos matriarcas inúteis!

Esqueça Deus, amor!
Dance e relance in dance floor!
Requebre um yê yê yê!
Seja só amor e flor!

E se o resto do sol me bandeia pra universal velha melancolia
Observe matriz lua cheia
De meu uivo que é euforia
Demolindo ódios de concreto
Com a vermelha alegria dos urros.

Me pinte de outra cor
Vermelho é meu novo amor
Requebre-me de ser
Ocupe o verso com cor.

Sobre as pedras em silêncio

Solto um não enquanto aguardo à amurada
A meus pés se deliciarem com o silêncio
Como um fim redesenhado pela amarga foice
Que crio com tranças e pensamentos.



E o sorrir
Foi pelo engano da água
Ao me ver
Pintando-me de existências
Já que vi o sol calando-me a palavra
Enquanto redesenhava universos.



E no fim
Que seja ritmos e asas
De versos inversos a tudo e inclementes
Feitos vis
De uma tola e a atravessada noite do meu amor
Sobre as pedras em silêncio.

segunda-feira, abril 13, 2009

Portraits from Rio - Vazio

Maraca Vazio

Apoteose Vazia




Sobre em Papéis

Além de descriões de emoções pessoais que não vêm ao caso, os posts abaixo, os poemas Em Papéis, são homenagens, no estilo e nas citações, a estilos de leituras, a tipos de leituras que leio, e aos livros em geral.

Procurei de alguma forma ir além do que me é comum, a brincadeira com sons e referencia sa amore se lutas. Espero que gostem.

PS: Não se perceberem, mas recentemente eu escolhi imagnes que tenham algum significado às obras.

Em papel III



Escrevi as rotas do amor enquanto perdi a paz
Nas correntes dos versos meus que constroem pelo chão
Avisos de riscos, abrigos, portas
Navalhas que viram fuzis.

E nas cores tão retintas chamo por meu pai
Que morre em casas sem varandas
Assumo riscos e amo meus destinos que odeiam o sol.

E me perco da vistas destas vãs mulheres
Busco meu resumo, minha alma ferida
Calo-me criança enquanto volto às casas
Dos amigos vivos
Das Avós confeiteiras.

Eu me perco de vista enquanto nas preces
Perco esperanças e acho a fé
Perco o chão na pele de almas perdidas
E vago sem mundos, procurando abrigo.

E meus versos me fazem nascer talvez sem rumo ou apostas
Enquanto eu busco rumos sem luar
E vejo terrenos entre um sol e um trem.

Me calo soturno ao examinar
O risco dos dias, das respostas
Durmo a repensar
Acordo sem fé
Durmo sorrindo enquanto lavo o pé.

Escrevi as notas do amor e preces
Pelo jeito enquanto eu lia amoras
E acordo em cortes de margaridas
Busco meus refúgios em poesias vivas.

Em papel II

Da espada que fiz vida
Das esferas, das crianças
Fiz nascer uma palavra
Fiz morrer a esperança.

E leio o encanto desesperado
De quem viu nascer nações
E me espanto com a graça
Do morrer nos mil sertões.

Eu calo o canto desarrumado
Dos perversos corações
Pois as janelas destas eras
Sâo papéis, versos e dons.

Em papel

Eu nasci das cercas
E reluzi mundos de palavra dada
Fiz invenção de luzir.

E corri dos muros
Me escondo qual criança na não paz
De tudo descobrir.

Mas meu descobrir tem uma trapaça
Ele lança esperanças pelo breu
Lê palavras nas visitas e descola conhecer do mundo seu.

E como se fosse traça come versos, colibris, papéis e trens
Luas além
E entre palavras conta com pedreiros, comensais, Pajens
Princesas, Guerreiros, mil esposas
Sonhos inclementes, sons
Vidas que se fazem de magia
E são livros, são paixões.

Morro de ter mundos
E sou tão sozinho em paz
E quero a graça do amor solene de tua fé
Morro de pessoas
E sou lindo no teu rosto, na tua vida
Na beleza de tu és.

Me desculpe o desencanto vasto
Este medo que desbasto com marés
Me perdoe este medo que engraxo
Eu que vôo sempre baixo
Em papéis.

Te amo

Resta em mim o mar
O resmungar de nunca ver
O brilho que o sol vai dar
Enqaunto espero o bom luar
Brilhar no riso de quem em mim é todo o amor
Enquanto sou aquele que da dor fez crer
Um livre novo esperar.

Resta em mim o sol, o ar
A arte de viver
Enquanto eu puder voar
Sem do chão os pés precisar tirar
E vejo a fé do descobrir trazer tudo a mim
Eu que hoje beijo o sol
Me embriagando de palavras
Enquanto mato a dor das não manhãs.

No tempo do vento me pinto de amor e sou corpo
E Deus
E enquanto o invento do som desarmando
Me repõe a amargurada voz que espanta
Eu mudo minha cor pra azul sagrado
E me transformo em além mar:
Te amo coração!

Me quero polichinelo


Queria polichinelo
Reduzir o mundo a um bar onde sovinices
Fossem já crimes
E esperantos fossem letras e domínios
Que cortassem o corpo dos semeadores de um mau
E eu pudesse sorrindo resmungar um Flamengo
E sorrisse ilegal.

Queria polichinelo
Sem segredos segredar
Uma rixa antiga que dói na vista
Enquanto espanto
Um medo meu de destinos
E um jeito garoto de lembrar de sabiás
Enquanto guardo sorrisos e me torturo e morro
Pensando no além mar.

E sonho na dor dos infernos que é o esperar
Sendo o retinto sono de vícios e desencantos
Quero um risco devido, um suburbano encanto de mundo desarmar
Prar marcar em um um grito, um desespero errante
De tanto esperar.

Me quero polichinelo.

Se só fores mais um fim



Não me zone ao sul da voz
Eu não reparo no sotaque inglês!
Permita-me atroz tolher maldades de humor burguês?

Eu só nasci entre vagões de trens nunca antes bretões
Colhi ruas de rock na saudade fox de um trote chinês
E li heróis sem lei
Cortejei céus com cheiros de jasmins
Eu era antes dos reis
Um sonhador de mulheres sem sim.

Não me beije se meu mundo não puder tornar
Um mundo seu bem mais familiar
Me deixe aqui ouvindo o som dos sins.

Me perdoe o som de minha voz enquanto eu ouço os medos
Sou feito de razão
Na paixão corro perigo.

Deixe-me na mão se a verdade for causar segredos
Eu morro de saudades
Mas a morte mesmo vem do sorriso.

Um dia eu vi o mal
E pús mil contas de Oxalá em mim
Nasci em um quintal
Onde mil cães deixavam-me feliz
Mas morreram os cães, os sonhos e um ludibriar
Morreram gentes que me pús a amar
Me deixes se só fores mais um fim.

Deixe-me ser luar


Hard me o ser
Punk me corazón
Parte-me em dez
Dá-me amarras, corte as falsas séries.

Dei-me um bar
Para eu corar as preces findas da razão
Me deixe urrar ao ver perder um gol
Perder um jogo onde o amor é um mero ator
Sem sal
A coadjuvar
Meu mundo infeliz
Deixe-me ser luar.

Um novo aniz


Deduzi papéis de mar
E fiz correntes
Esperando o sol clemente pra plantar mil querubins.

Fiz corar um rosto a saciar
Amor ardente
E sorvi da aguardente o sal das matas de Paris.

Fiz panelas para porco assar
Fiz remar, fiz luar
Reduzi o sol para lhe dar
Outro som, outro mar.

E hoje danço à vera o já
Colho sementes
Rasgo os somentes
Espero bravo um novo aniz.

Suburbano leitor de gibis

Se por acaso viesses
Eu teria preces para cada servil miséria que não pouca
Nas ruas pipoca
Entre pernas, chãos e fins.

E valeria à pena ver luas morenas
Praias sem jasmins
E requebrar estátuas com risos e graças
Não dormir pra ter-te em mim.

Mas por enquanto as verdades doem sem maldades
E não vejo mais luz
Por que me liberto louco ao supor
Que meu amor já não me possui
Enquanto sorve requintes
Que eu duralite não cubro assim
Eu morador da praça, de um Rio sem praia
Suburbano leitor de gibis.

domingo, abril 12, 2009

No porão de minhas saudades

Você mata o mau com tiros de festim
Salta no breu
Com a segurança de redes, linhas e afins
Nada sofreu.

E todo meu viver é como um debulhar
De cores e veias cortadas ao mar
É como um destino mau inventado
No peito arrancar um braço.

Mas, na paz!
Não tema a lua e conquiste outro amor
Lembre do céu!
Eu vou pela rua deduzir o torpor
Do que não morreu.

E vago na ilusão de sentir-me parte
De um mundo sem meus medos que ardem
Eu vejo estrelas e sem viagens
Me tranco no porão de minhas saudades.

segunda-feira, abril 06, 2009

Nuvens de sorrisos

Que o manto fique em rasgos
Que toda areia deste destino
Caia no espaço das ampulhetas
E risque a límpida calma do estagnar.

Que o retrato obscuro destas sereias
Destes presídios que nos retratam em carros, veias
Queime nas praças sob o olho popular.

E se eu perco os sentidos
Se meu nome não alcança
O vago e pleno pensamento do destino
Procure entender as armas
As hostes de meu perigo
Pois o que creio é o rompimento, o grito
Prevejo nuvens de sorrisos.

Minha liberdade, meu vinho. (Inspirado em Samantha e nas lutas, meus amores)


Claro qual riso a palavra
Doce transforma-me em viço
Arde assim uma luz
Arde de ti um sorriso.

Claro qual viço a alma
Rende a si mesmo um sentido
Nota-te alvo da luz
Nota-te forma e sorriso.


Mas ruas nuas me clamam
Eu que me oculto, sentido
Em cena, a lenda, a eterna
Crua realidade do nú
De uma cidade
De um destino.

Vago sorrindo outro rosto
Sou rua, mar e sentido
Estranho o brilho do nú
E iluminado destino.

Vermelho o brilho do sol
Vermelho o que penso e sinto
Calo-me contraluz
Ouço o bailar dos sorrisos.

Na fé do vermelho em azuis
Céus sem anjos bonitos
Sou a cálida lágrima, a flácida calma
Mas percebo no vento o sorriso.

Abraço nomes e causas
Abraço o amor tão sentido
E nas cenas, nas lendas, são lendas
Estes vermelhos de tons azuis
Que quase só enxergo e vivo
Pois meu amor é minha cruz
Minha liberdade, meu vinho.

sábado, abril 04, 2009

Faca de sol


Dá-me n'água cor da cinza
Que renega a distância
Essa sede é de palavras
Essa dor é de esperança.

E sonho o sono dos cansados
Resmungando uma invenção
Sou Quixote sem espadas
Sou Orfeu sem ter canção.

Quero dengos e amores
Mas não mudo a direção
Quero ela, lá tão bela
Como é esta imensidão.

Por isso as voltas do meu mundo tecem além da paz
Este desejo de ser Deus
Perdido assim por este chão
Que quer carinho, que quer derrotas
Que busca a espada que sumiu
Das histórias tão quentinhas que me contava o pai.

Hoje meus ais são de varanda
E meu sorriso
É faca que traz brilho por ser de sol.