terça-feira, dezembro 30, 2008

Feliz ano novo é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno

Enquanto os dias percorrem por aí em meio às imensas maldades israelitas cotidianas, morrem menininhos ameaçadores e suas moedas de um real, baleado em frente à casa onde morava uma mãe chorosa tola, por morar mau, perto demais dos guardas treinadores de tiros.

Enquanto o relógio marca o tempo percorre paixões futebolísticas travestidas de razão, e o mundo percorre ameaças de morte, ameaças de vida, contagens, paixões mau resolvidas e arrogância pueril.

E a festa continua ciclo a ciclo, como se o percorrer do tempo necessitasse de marcos para ser real. como se o percorrer da história pedisse permissão em determinadas datas à passagem da Esperança.

Mas não pede

Por isso:

Feliz 2009

Quão morrer

Passa na palavra
A agrura de ser verbo, sol e sonho em flor
Redescobrindo o ler
De explodir som em cor.

Mundos se deparam
Com Reis que cornetam do barraco o amor
Do Pelé com quem sorriu
E gritou chamando gol
Aqueles que fazem versos costurando de Deus
Novo mundo como um sonho seu.

Canções de vozes calmas
Radicalizam muros, escadas e ardor
Fazem tudo até saber
Que tudo é tão exterior
Quão morrer.

A mulher de nossas vidas

Em plena hora de se jogar bola
Faz-se um estranho movimento
Parece que rua se agita a tempo
De impedir contratempos
A bola ao entrar muda as horas
E os cães, as moças saem corridas
Procurando barrar o lance, a bola
Que ia parar na forquilha.

Mas bola é de sorrir
Dar de ombros assim mesmo
Transformando monstros em magras vítimas do próprio azar
Detonando os percalços
Costurando as armadilhas
Faz brilhar sóis em noites
Faz até virar magia
Passes feitos por quem mau
Se acostumou à lida
De afagar a Bola que é
A mulher de nossas vidas.

Entre os nós dos dedos

Misturo mágoas
Alvas asas, armas, fadas, sons espessos
E faço voz
Transmito nós, entre os nós dos dedos.

Tamborilando magia
Escrevo em pedras com giz
Algo a mais, recriado no suor
No sonhar
Ser feliz.

Tamborilando as trilhas
Das pernas que me fazem rir
Calo em paz
Pelas ruas do lugar que me ensina a dormir.

Não bastam só coleiras para transformar em cão
Um sentido de música, uma visão
Feita homem no toque dos dedos
No couro estendido
Entre as pernas, nos tambores muitos dos corações e risos
Renovando cada hora como se o céu
Fosse impávido menino
A escrever letras feitas do giz do teu sorriso.

Esqueço as mágoas
Calo as asas
Olho a estrela do meus medos
E faço voz
Me torno nós
Entre os nós dos dedos.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

EXTERMÍNIO ONTEM, HOJE...E AMANHÃ? 60 ANOS DA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

EXTERMÍNIO ONTEM, HOJE...E AMANHÃ? 60 ANOS DA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: ELES NÃO CUMPRIRAM!

Os sucessivos governos já deixaram claro o seu compromisso com a manutenção de uma política de extermínio que nos remete aos velhos tempos da ditadura. Outrora o extermínio de todos que se contrapusessem ao regime, hoje a criminalização da pobreza e daqueles que lutam.

O atual governo do estado do Rio de Janeiro é responsável por um aumento vertiginoso do número de “autos de resistência” – civis mortos pela policia. Em 2007 foram computados 1330 registros. Nos primeiros três meses de 2008, foram registrados 358, o que representa um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2007. Dados do encerramento do primeiro semestre desse ano apontam 849 mortes.

O custo humano dessa política de governo não se justifica! Hoje temos a polícia que mais mata e mais morre no mundo, num quadro trágico que já alcançou índices recordes, jamais vistos anteriormente.

Por isso nos lutamos no dia 10/12: para lembrar que 60 anos da declaração de direitos humanos já se passaram e os mesmos que a assinaram promovem uma política de extermínio que tem como conseqüência as chacinas do Alemão, de Acari, Borel, Caju, Coréia, Lins, Baixada, Candelária, Vigário Geral, o extermínio de 3 jovens na Providência. Além das que atingiram nosso estado, também recordaremos 12 anos do massacre em eldorado dos Carajás, a morte de Keno – militante do MST – pela Syngenta, os 111 presos exterminados no Carandiru e tantos tristes episódios que, além dos diários, memoram as trágicas conseqüências dessa política.

Acusamos os governos de genocídio, racismo, tortura e fascismo e exigimos: parem de matar os nossos jovens! Queremos justiça e uma profunda mudança na atual política de segurança pública! Chega de Milícia! Abertura dos arquivos da ditadura já: nossa memória é nossa história!

CABRAL, CHEGA DE EXTERMÍNIO!

ATO NO DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS 10/12 - 9h NO PALÁCIO DA JUSTIÇA (Rua Dom Manuel, 29, Centro) SEGUINDO PARA A ALERJ (Rua 1 de Março S/N) E PARA PRAÇA MAHATAMA GANDHI, AONDE OCORRERÁ UMA VIGÍLIA


Leia mais em : http://pmsrj.blogspot.com/

Debate - CRISE DO CAPITALISMO - Desafios aos movimentos sociais

11/12 - 5ª feira

PLENÁRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS / RJ

Convida para o debate 
CRISE DO CAPITALISMO
Desafios aos movimentos sociais

Com

VIRGÍNIA FONTES
Professora de História.

JOÃO ALFREDO
Professor. Ativista ecossocialista. 
Vereador PSOL/CE

11/12 - 5ª feira
17h30min, no Sindipetro/RJ
(Av. Passos, 34) 

Palavra salva

No chão lambuzado a palavra que define a coisa
É lama ou sangue
E toda segura presença é o que denota a fita
Que mostra a verdade pro verbo
E dele monta a escrita
É morte ou mar de chover.

E tudo o que define gente pode meter rente na gente
A faca ou abala que moça nunca foi ou jamais é perdida
A frase que define e dança ou sorri a moça da esquina
Pode matar ou sorrir.

Palavra desespera homem só
Ou reescreve a vida no trecho da vida que sua seu sal
Palavra salva alma, homem, pó.

No nome se diz se é filho, se é corpo e dor ou se vira canção
Sem aspas a palavra é dor ou sol
Se rasga o sorriso do tempo o verbo é cor
Talvez seja canção
Palavra salva arma, nome, sol.




Como um modo de querer

Se fosse você eu me queria logo
Fosse pra perder eu perderia o ócio
Atuaria ardor
Só pra perceber os ancestrais do vento
Levando você, sua cabeça e tempo
Deixando um sorriso entre os corpos, o prazer e a dor
Com calor as vezes
Vez por outra frio
Sentindo na boca o gosto do brio
Refrescando o delírio de torcer na geral.


Fosse pra fugir eu fugiria sonho
Comendo o gosto de perder meu tempo
Talvez só lendo
Algo sobre o muro, um lugar futuro
Feito de um medo, um saber, um beijo
Dado às presas entre a Lapa e um Samba canção
E eu quero quero mágoa, amor, desvario
Entretendo o medo de morrer no frio
Vou esfregando o sorriso com água e sal.

Passa o tempo e eu tendo futuro
E o que quero é presente, se tanto
Pela lida do que somo o zero é todo o ser que aprendi a ler.

Vasa o vento e eu te amo, juro!
Refrigero minha boca e espero
Pelo invento que desejo e quero
Por ver assim tudo enfim
Como um modo de querer.





Madureira


Se fosse do mar
Minha pele era espelho do sol
Um sorriso que vem lá do sul
Uma maneira de reinventar.

Se fosse só mar
Não teria o suor já sem luz
Esta cor de Trem pra Santa Cruz
Essa vontade de bebemorar.

Não é só mar
É um trecho comprido que flui
Na Avenida que Brasil conduz
Caminhões, chuva a engarrafar.

Já amo o mar
Mesmo vendo manhã em azuis
Sóis que o trampo cega nas zonas suis
Esperando o escurecer pra sonhar
Ao me notar em terreiro, em samba jesus
Salvação alheia à velha cruz
Podendo em um canto cantar
Madureira.

terça-feira, novembro 25, 2008

Latuff


MANIFESTANTES OCUPAM HOTEL SEDE DE SEMINÁRIO PARA EMPRESÁRIOS SOBRE PRÉ-SAL



24.11.2008


Por Agência Petroleira de Notícias (*). Fotos: Angelo Cuissi/Fazendo Media

Depois da última terça (18/11), os empresários estrangeiros e nacionais que estão de olho no pré-sal brasileiro ganharam uma grande preocupação. Por volta das 13 horas deste dia, os integrantes do comitê Rio do Fórum contra a Privatização do Petróleo e Gás ocuparam por alguns minutos o saguão do Guanabara Palace. No luxuoso hotel da Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio, acontecia o Seminário “Pré-Sal – desafios e oportunidades” , em que a inscrição custava a bagatela de R$ 1.970,00, valor que define o público alvo do evento.



Nem o reforço da Polícia Militar foi capaz de segurar o ânimo dos manifestantes que avançaram para dentro do hotel com gritos pela re-estatização da Petrobrás e cobrando a não realização da 10ª rodada de leilões das áreas promissoras de petróleo e gás, marcada para 18 de dezembro. Depois de cerca de dez minutos lá dentro e algumas palavras de ordem, a coordenação orientou a saída pacífica e continuação da manifestação do lado de fora do Guanabara Palace.

“Os mesmos que já roubaram nosso ouro no passado, agora querem levar nosso petróleo. Não vamos deixar isso acontecer. Esses empresários que hoje se reúnem para negociar o nosso pré-sal podem ter certeza que estão tratando de uma moeda podre, pois ninguém vai levar o nosso petróleo e gás” – conclamou Emanuel Cancella, coordenador geral do Sindipetro-RJ e integrante do Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás.

Um grupo de teatro popular apresentou um esquete sobre o processo de privatização desde o governo Fernando Henrique. Foto: Angelo Cuissi/Fazendo MediaUm grupo de teatro popular apresentou um esquete sobre o processo de privatização desde o governo Fernando Henrique. Foto: Angelo Cuissi/Fazendo Media

Além do Sindipetro-RJ, estavam presentes o Sindipetro-RS, a Frente Nacional dos Petroleiros, a CUT, a Conlutas, a Intersindical, o MST, o MTD, a FIST, dentre outras importantes organizações sociais. A concentração começou por volta das 11 horas, na Candelária, com um grande balão de gás, carro de som e faixas com a chamada da campanha “O Petróleo tem que ser nosso”! O diretor do Sindipetro Hélio Cunha coordenou esse momento inicial, chamando a população a participar dessa luta e do abaixo-assinado que pede o fim dos leilões e que a Petrobrás seja 100% estatal. Cunha ainda chamou a atenção das pessoas que passavam, alertando para o fato de que a privatização do petróleo pode aumentar o preço da gasolina, do gás de cozinha e até das passagens de ônibus.

Diversos grupos participaram da manifestação próxima ao Hotel Guanabara. Foto: Angelo Cuissi/Fazendo MediaDiversos grupos participaram da manifestação próxima ao Hotel Guanabara. Foto: Angelo Cuissi/Fazendo Media

“É errado vender o nosso petróleo. A luta que vocês estão fazendo aqui é justa, mas o povo ainda não acredita que pode vencer. Mas não podemos desistir. Temos que lutar como essa turma está fazendo aqui” – comentou Jorge Luis, 40 anos, morador de Duque de Caxias, que vende água e refrigerante pelo centro da cidade.

Os coordenadores do Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás prometem que até 18 de dezembro vai ter muito movimento no Brasil inteiro para impedir a realização de mais essa rodada de leilões. Essa terça já sinaliza o que vem por aí.

(*) Fonte: www.apn.org.br

E falo sério!

Pau na palavra
Pé bem no chão
Rabisco rua
Faço ilusão, faço loucura
Faço invenção.

Pinto a preta na luz azul da rua nua
Finjo ilusão
Nego frescura
Rimo com Rio
Rimo com lua
Rimo com chão
Toda incerteza do medo safado do espelho
Do se notar inversão da palavra no ato desejo
De se gostar
Quebrando atabaques no ritmo cheio
Feito de luas, qual ser delícia
Que agarra o sol e a invenção
De ser criança.

Pau no verso da ilusão
Cria-se nua a rua então
Palavra pura
Rima com chão
E desliza mão, pele, ocê
Canta-se nua qualquer canção
Bate-se rua
Tambor, Okê!
Tudo insinua mesmo invenção!

E como se fora antes misturam-se instantes
Ruas e mar
tornam-se muitos milhares de tão inconstantes
Gentes que há nas palavras e costas de pretos instigantes
Mundos e fundos
Sonhos e óbvios tons da palavra Revolução
E falo sério!

Sorrindo Caymmis

Estrelas sempre rasgam dentes no mar
Saboreando velhos sons no astral do sorrir
Nas boas de brilhar colorindo o ar
Quebrando regras com planetas em torno do seu
Enorme “Eu” inverso aos meus trilhões
De novos jornais
Noticiando peles feitas de mim
Recosturadas do impossível jeito normal.

Estrelas pegam preta pele de mim
Por causa boa de tentar viajar
Sem ter de pegar nas espadas
Sem ouvir espadas
Sorrindo Caymmis enfim.

sábado, novembro 22, 2008

Pele preta

Nem li sob os ombros do preto outro ver
Notei cordas e botões
Retirados à base de foice e festa
Dançada na linha de caboclo bão.

Rasta pé de sonho são
Nas eras
De reinventar um som à vera
Faz-me água em preta pele deslizando beleza
Faz-me água em preta pele desejando sumos e ceias.

Sorri
Fiz-me ombro do preto
Fiz-me ler
No sumo feito de chão
Razão e cantiga de pele preta
Suada e sorrida
Desejosa então.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Crueldade com Animais Triple Pack





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Sou de um Rio fácil de ler

Beduínos, Índios, Condes
Negros, Turcos, onzes driblando o juiz
São todos Franciscos de Assis pintados em bancos de pinho
Em mesas com linho onde não bebi a furtacor dose de aniz
Nunca doce onde paro
Onde mau reparo o som do sorrir
Calo a certeza do ouvir
Pelos sentidos urbanos de saber dos anos pelo som do sim
Solto a voz no cais de mim.

E entre dentes assovio a lua
Notando teu rosto ao mar
Que imagino entre gestos, nuvens e paz.

Portos de assis ao longe
São mares de monges e peças de marfim
Rasgos n'alma dão em mim
Ao ver a lua incerta trançando sinceras Cinelandias em fins
De uma tarde onde colori
A Deus mãe das vidas criadas nas tintas do que não mais vi
Eu pintor do invisível fim
A escrever ventos, naus, Inhaúma fatal
Gamboa a Gandhi ver
Sou de um Rio fácil de ler.

Mundo plural

Eu louvo a cidade recriando artes soltas
Os Rios transformam ostras em soltas verdades
Criando vaidades tolas.

Um lírio de sonhos ressalta um tolo sim
Tecido nos risos amargos de um fim
Que trança o tamanho folgado da voz
Nas urnas e cajes que somos nós
Que somos sós.

Me transe vaidades
Nas ruas, nas asas soltas
Vermelhas miragens todas nas cansadas margens
Me transe cidade em gotas.

Se asas de homens seduzem mundo em sins
Dedicados em nuvens de cores e jasmins
Os muros caídos nos deixam sem voz
E murros apressados nos formam nós
Nunca mais sós.

Revirando artes
Nos versos de paralelepípedo
Somos rito, somos mundo plural.

terça-feira, novembro 18, 2008

Tambor acertado pelo cão do intento

Luas vermelhas, ruas acesas e nítidos dons de fel
Rompem a fé na fortaleza dos íntimos de Deus
E negros comem a pele da palma das mãos
Enquanto deliram breus de archotes tendo ao chão
Sangue e mel.

Florestas pretas por natureza
Lambem as costas, os pés
De gente rebentada, presa, amarga como eu
Que costuro das políticas o vil sentimento de poder ser três
Sem esperança além do velho cão inglês
Batendo na espoleta X de Malcom sem Hair
Espalhando a pólvora que fiz do sonho da Mulher
Rindo do tolo ódio de pura emoção
Algum pálido amor
Enquanto nos damos a arder de sol e pavor.

E às velas em algum mar de linhas feitas de luar
Contorcemos um mundo infeliz
Embaralhando cada lugar com a mente tendendo a ser a liz
De toda nova invenção
Revolucionando o ser
Sendo ação.

Das luas vermelhas tão pequeninas
Trago arte e imaginação
Das trilhas das negras retintas almas trago o som
E o bater dos inúmeros mil lamentos
Sampleados com bongô
Ouça o tom do Tambor acertado pelo cão do intento!

quinta-feira, novembro 06, 2008

Desesperos concretos

Mudei as notas das beldades entre dores e risos
Rasguei meu sexo tântrico bem na mesa do Engenho de Dentro
Rebolei sintaxes no exato sentido do nome próprio dos meus planos
E soletrei o medo ainda que busca reparo para o que eu sonho
Por causa da mágoa que assola os meus bons dias enquanto eu perco mais um ano
E parei embaixo dos arcos da Lapa com ecos de Elis Regina
Por muito mais que um sorriso
Por muito mais que amor.

Escrevi versos de anjos
Fiz pela música do sonho de amor eterno
Desenhei magias por fazer planos com você pelos mundos destruídos
dos céticos
Te peço em casamento nos sonhos coloridos
Que me iludem decerto.


Meu nome não tem memória pros sites Brasileiros
e eu nem ligo, pois não tenho importância
A hora das derrotas viáveis e indiscutíveis me pegam no meio tempo
entre a loira e a morena, a cicuta e a cerveja e outras dúvidas sem sentido
Nas páginas dos jornais inebriantes resmungo milagres e fatos nocivos
Por música, por maldade, por domínio, por delírio
Passo horas recriando vícios
Viajo na idéia do reconhecimento no mesmo momento que caio no riso
E por isso eu não morri
Por isso me destruo de amor.



Derreti ouros e planos
Rasguei a blusa rompendo com mil decretos
Exagero a bagunça dos meus anos
Regular minha loucura eu decerto não quero
Fico de saco cheio de planos infalíveis
Enquanto rascunho meus métodos.

Se meço meu sorriso notando o que virá
Resmungo rotas de sobreaviso
E vago na história de renunciar à toda lógica de raciocínio
Por causa do sentido do meu amor a olhar a performance do desabrigo
E me permito ver as novas fontes daqui vivendo e cantando
Tentando ao longe qual louco te perseguir
Enquanto me mando pelos caminhos, pelos trilhos
Do que sinto ser amor.

E reduzindo desenganos
Costuro a lógica no peito totalmente aberto
Crio poesias e faço planos por você
Pelo mundo e pelos anjos despertos
Não minto ao dizer que te amo
Entre risos
E desesperos concretos.

Porque te amo ainda

Sete léguas marinhas fazem de mim
O que percorri e as luzes velhas do que senti
Construções já perdidas, ruínas de Paris
São o que previ nas runas das velhas quando sorri.

Criei palavras boas de se falar
Rastros, alvos, dores, mortos, planisférios
E nenhum lugar
Fiz um exército bom para se lutar
Enfrentei gregos, Macedônios, Hebreus,Ibéricos
E tentei voar
Pra ver as léguas mil marinhas
Me deixarem te amar
Porque te amo ainda.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Sambas banais

Rebuscada costa
Mares de Espanha
Jardins de Oxalá
Danúbios constroem luz
Voam sons de cinzas.

Entre rubras vozes de vis Américas
Bolivianos trens
Traduzem belezas
Renegam certezas
E como se anjos de muros
E tranças
Viramos neblina
E criamos sons de ação
Como viração
De festas de fins de anos
Tão sonhos
Que tecem manhãs
Como quem faz ouro de mel em beijos e tons.

A poeira me envolve as horas
E sonho o tanto de ver o mar
O mar me é só janela
Que é mera vocação nua de ser um Rio
Tâo rio que é mar
E inunda-me de uma memória que é qual voar.

E viajo nos seios, nos ritmos discretos
Terras e fados
A pedra dos arcos marca o sol a luzir
Pessoas e flores, água corrente
Lapas astrais
Regando Venezas tolas com sambas banais.

Bons dias tão banais

Ruas soltas
Feitas sem sol
De mar
Que a chuva leve
Traz lindo pra lavar
Males de cortinas
Fechadas sem sonhar
Pra não dar na vista
Esquecendo a fé
Que um riso alegre
De prazer pode ensinar
Poesias parcas
Pretas de sal
Que se tecem em flores
E desenhma sinais
Feitos de arruaça
Alegria, vitrais
Desenhos de cores
Bons dias
Tão banais.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Crueldade com animais




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No inexato do sonho

Inexato
Este seu pleno ser
Como um passo insano
Um treco, um desengano
Como inalar
Ares, vidas que as manhãs
Nos apresentam no café
Ao largo
Deste nome de mulher
Que inspira versos mau rimados.

Se há verdade
Nem precisa dizer
Tudo é de fato
Insano.


Estrelas emanam tanto de você
Com o tempo parte da minha alma
Nem quer mais ver.

Se há saudade
Não consigo entender
Salga as tardes
O sonho.

Sai do sol a prece
Que o Canto Geral
Escreve como se sobrenatural
Cada arte
Cada modo de ver
No inexato do sonho.

Feito de luz solar

Suo nos olhos
Sorrio e enfim
Faço milagres e estandartes
Arco com o dom da Arte
Se a fome é a parte humana de Deus
Sou enfim algo bem mutante
Vôo nas cinzas dos sons do antes
Como quem devora a aura
Das cores, das páginas
Escritas na sombra da lei.

E então sou o ar
Pra simples sorrir
E desandar.

Calmo como antes
Morto
Sem vida
Bebendo hidrantes
Sem calma nas amarras
Das horas da tarde onde sou subúrbio de mim.

Fale-me de elefantes
Curta o ninho dos não falantes
Cante algo daquela Clara
Que soa qual musa, qual anjo solene sem Deus
E se eu não voar
Não note
Sou feito de luz solar.

sexta-feira, outubro 31, 2008

É somente refrão

Zombeteiros nas dunas vermelhas
Folhas de ação
Gotas d'água esquecidas nos ontens
É somente refrão.

Lambe esguelhos de cores e veias
Fases de som
Rasgos d'alma que come horizontes
É somente refrão.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Histórias

Dez irmãos e uma cafeteira elétrica
João de Monte Vento sabia tudo sobre conversê.

O Alcorão
E uma vasilha com Ananás
Perdidamente Walter queria conhecer.

Três cães atacam gente lá no Paraíso
E fogem indo atrás do metrô
Que jaz além do parecer.

Tudo retalho e História
No compromisso desta vida
Trazida, cerzida
Partida pra onde olhar.

Velhos e anões distantes
Reduzem a lógica a quadrantes
Feitos de nuvem
Feitos de zonas
Onde a ordem come vidro
Em auto-falantes.

Dez irmãos e uma arma na cabeça
Preto como o inferno e só café pra beber
Dez irmãos e muito sonho que foi atrás
Perdendo tempo, adiando o vento de morrer
Dez irmãos
E eu querendo viver com um livro
Tecendo coisas, lendo famílias
Buscando um Deus que se fizesse saber
E João larga a mola
E explosões pintam as cinzas
As lidas, as linhas, as vinhas.

Rimas silenciam o antes
Calam-se em respeito
Por um instante
Enquanto livros vêm à tona
Criando ondas novas
Criando errantes.

Até felicidade

Em rimas de fada
Berimbaus exatos
Não compreendem o porque?
Não se perguntam porque?

E exalam batida, ferida
Rastapé aberto, pontapé exato.

E guardam macumba retinta
Sentida caída para qualquer lado
Escorando arte, artelho
Martelo perfeito
Morcego espalhado
Dado por raiva, amor ou medo
Pra saber-se inteiro
Quase um macaco.

Na linha da alma
Porrada no prato
Batuque não tem porque
Berimbau grita porque?

Na faca do dedo, no dedo
Brilha o amor perfeito
Só pra dar sabor
Nas ruas de Barcelonuevo
Rios de Janeiro tecem inté ardor
Criando meninos pentelhos, tecendo pentelhos
Fingindo ser arte
Pintando pintura de dedo
Só metendo o dedo pra cansar a tarde.

E enquanto cai a tarde
Berimbais invadem
Enquanto cai a maré
Rola só ir a pé pro medo
Não se pintar de vaidade
E deixar-se só no medo
De ter até felicidade.

A graça dos sem sorte

Sol feito fé
CaDê os galhos
Que resolvo enquanto o desprezo
Me come o pé, o orgulho e os passos
Que dou pra voar nos vespeiros?

Dou murros
E Raps folgados
Pra quem não quiser ter meu peso
Em cores de retinto brado
Eu finjo até torcer pros Cruzeiros
Se sou burro
Sou burro ensinado
E dou coice pra ter meu sossego.

Há noites de bandeiras largas
Meu sangue é a tinta asfáltica
Sou rua, sou calçada e morte
Esperança é artigo nobre.

Sou torres e torres
Vislumbro a graça dos sem sorte.

Som do trabalho

Dê-me o sal do sonho
E a nova flor
Que crio com meu ato de trabalho
E o sorriso que inventa o sol
Que rebrilha no alto som dos lábios
Enquanto a vida flui pelas verdades de meus calos
Como um mundo
Que sacra o homem que pela enxada
Faz novos risos em frutas e serras.

Todo o norte de nossas emoções
É feita desta luz, inté de dor
Que constrói o inventar na mente do direito à terra
E faz do fogo de cada olhar o alimento das certezas, das razões
Como a paixão nos torna mais vivos ao semear a terra.

E somos atos
Somos o retrato de toda a energia
Da linda festa em torno do rosto do inverno se tornando dia
E asism nos ombros de cada homem existe o livre viver
Nos espaços
Que flui já santo
Pelo riso nascer do som do trabalho.

terça-feira, outubro 28, 2008

Fazendo sonho virar real

Tantos
Tanta força bruta
Nem dói,Nem machuca
Sonhos aprendizes
Comem asfalto e mar.


Cantos
Feitos de chibatas
Braços, corpos, mata
Enterro e navalha
Tapas nos rostos
Nenhum olhar.

E o que há além do mudar?
Enxame de homens
Medicinal
O burbulhar
De sangue no ar
Em ruas, mantos
Palácios e mais.

E na risca da avenida
Ilham ilhas de milagres
Ruas tantas, perdem tantas
Novas louças
Novos lares.

Pranto morre seco
É riso
Talvez um motivo
Tenha existido
Pra superar.

Gosto
De aço e navalha
Hoje é escada
Brincadeira
Água
Irrigando o rosto
Para lavar.

E o lavar
Hoje é superar
Em bala, sangue medicinal
A remover ruas de lugar
Fazendo sonho virar real.

Enquanto sou hoje

Pedras pequeninas rolam enquanto sonho você
E noto matizes feitos de nuvens e velhos raios
Rebuscando o que escrevinham
Velhas cozinhando procê
Notar maravilhas no céu
Compõe mil fados.

Pra gente cantar comendo cuscuz da Zona Sul
Respirar o ar que sai das pedreiras
Onde nunca cresci
Eu que nunca nasci
Voando em paz no ventilador
Trançando cores para seu olhar
Revendo as horas
Para não chorar
Brincando de orientes nas trevas
Que embarcam no horizonte
Da nova noite.

Componho milagres para tentar jamais ser seu
E amo o ponto de cruz do pano de mesa errado
Posto à luz da lua como se todo meu apreço
Fosse uma imagem crua no cinema do Paço.

Se eu fosse luar construiria duendes, flores, cruz
Se eu fosse do mar
Voava em Jardineiras
Punha Deus pra sorrir
Talvez fosse aí
Levando na bolsa o Redentor
Talvez um joelho com guaraná
Sinto saudade de só te olhar
E perceber as novelas
Que são ter horizontes
Enquanto sou hoje.

Estradas tão lindas

Coisas feitas de linhas
Lajes, rubis
Estrelas sem fim
Cores de almas belas
Fomes de luzir.

Sâo palavras de mundo
Feitas de ir
Caminhar, corrir
Cozinhar gamelas
Beber e rir.

Pelas asas de qualquer lugar
Feitas de estradas, avestruzes, cores novas
E silêncios
Vôos de Sabiá
A gente acha nuvens feitas
Em estrelas do mar
Parcas cargas, vozes, lendas
E um enxergar
De tantas coisas, tantas linhas
Vidas a habitar
Vidas a nos levar
À estradas tão lindas.

De Sin City eu já tô cansando

Jaspions, Jiraias
Que venham me salvar
Como um antigo filme de robótica!

X-mans, Desenhos do Pica Pau
Tragam-me o vício de criança
De bola na búlica.

Gritos de Hulk não me façam pular
Por todo o mundo
Num sempre escapar
Romântico!

Quero uma hora pra poder jogar
Olhar
Todos os pontos do placar eletrônico.

Sombra que ri
Venha à força apresentar
O mau do peito dos homens
Sem místicas
Lobos, Arlequins
Façam fila para mostrar
Todo o poder pop de cada sílaba!

Murdock mostre o poder de ser sempre maior
Sem medo ao som
Da queda de um Rei sem Cânticos
Dai-me o direito de só meninar
Pois de Sin City eu já tô cansando.

Com o sol já poente

Sentido or not sentido?
Lábio vago inexato
Ruma rompendo com o tom
Sense ou non sense?
Prego, prato, astro
Impávida palavra, corpo tom.

Sentado em meu ambíguo, grito, mimo
Alvo dado como espanto
Que prega o luar na testa, no mar
E rima a irritar
Somente dou o tesouro dos quadrantes
Cada palavra tem o oposto instante.

Como Azul
Pintado como arte
Ante o vermelho carente
Solto em estandartes
Sangue mesmo da gente
Repetindo som quase
Que ditatorialmente.

Na arte em meu poder
Fazemos o óbvio, o toque nosso
E só construir parábolas ao mar
Como não rimar?
Se o som já nos obriga um instante
Um verbo, um verso
Um rimar
Já controverso
Que azul
Se transforma na parte
Ou no útero ausente
Substitui-se
É tarde
Com o sol já poente.

Poesia

Parole
Parolar
In Verbus
Verbo há
Retoando o tom que vem
Mudando o som
Falando: trem!!
Sendo nuvens, luas, velas
Arrumados bois
Familias
Rumos, brumas, roupa nova.

Na lírica sozinha
Resiste o ir, o vir
Retoa a cor da bola
À Bola? Populi
No trem do desconvexo
Flor relaxa
Solta a rima
E trai no movimento
O drible do lábio no ar.

E parole no mar
Palavra faz gritar silêncios imortais
E em vídeo, em prece
Acordes, quermesses
Vagam nomes, abismos, ais
Ruas tocam sons legais
E na trilha da letra viva
A alma só costura emoção.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Tudo se fuder

Dói na gente
Ou nossas coisas são crimes perfeitos?
Somos sorriso, dor amor, defeitos?
Ou teatro de mágicas
Pintados a parecer?

É da gente?
Saber das coisas, do sonho saber
Olhar pro mar
Ver luar
Ver luzir
Renascer
Reformar
Tentar não Morrer?

E E só!
É sempre o mesmo futuro
Sonhado em pleno pulmão
Contente rimando a inversão da razão
Ao nos transformar
Em copiadores de ser.

E o que eu quero é um lugar
Onde exista o sono
Um belo sonho.

Eu só quero existir sem querer
Ir e rir pro aí
Sem querer nem saber
Eu só quero mandar tudo se fuder.

Poetas

Obeliscos
Rumos
Cidades desconstruídas
Caos nos olhos mudos
Palavras nunca tão ditas
Já podemos tudo
Rasgamos mil novos dias
E o que somos, mundo?
Talvez poeira de estrelas.

Ramos de anos, de estados
Sangue rubro que já arde
Já se perdem nas sarjetas esquecidas de nossa beleza.

Livros e resmungos
Amores tão surdos
Ruinas inteligentes
Das ajudas de livrarias
Enquanto o sonho bóia
Alheio a qualquer livro
Buscando amores que repletos
Nos transformem em poetas.

Nâo posso ver!

Que é milagre?
Cortem os ares
Façam azares
Sonhem!!

Saiam de marte
Fujam de marte
Corram para mares novos.

Cegos de tanto querer voôs cegos
Somos a ausência tão eloquente
Do construir-nos gente
Perdidos buscando de Deus
Um inferno
Algo para onde morrer
Nos esquecemos de nascer
Nâo posso ver!

Segunda-Feira

Respirar é quase um equívoco
Nada rema contra o sono
Perguntar alheio ao sol a fonte
Do amor
Do sabor do sonho
É criar avenidas no Haiti
É transformar luas novas em Paris
é temer do amor a cor, o verso
É saber que das cores, somos dois.

E por isso se muda o norte
É por isso que nos fazemos fortes
É por isso que rumam os maus
Para as cavernas de onde não há manhã.

Se eu morrer farei ondas e contraversos
Controversos de conchas, paus e anis
Flores de liz me assombram no universo
Enquanto me apaixono de manhã.

Se eu tomasse uma coca..
Dói, o olhar com o sol atroz
Faz chover a menina a graus do cão que me toca
O coração.

Nestes dias me emociona não ser cego
Me emociona viver bem por aí
Não saber de futuro algum
Ser terno
Com quem não te percebe bem
Nos sons.

E enquanto o mundo se mostra
Eu queria hoje ser foca
Debulhar-me em preguiça tosca
Recriar universos em postas
Te ver contente.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Porto universal

Sol nesta manhã
E som de rua,e mais
É sol de vento
Então qual fantasia
Surge em explosão de muitos desejos
Cálido no tom de neo-maravilha.

Em meio à confusão deste velho Rio
Jazem Sampas de manhã
Rumos pelo aterro
Tatos de canção
Tatis e Nás de poesia
Costuram razões além Melodia.

E meu coração de cor de terreiro vai
Restaurando sons de ouvido inteiro
Pulo na invenção
Corro na alegria
Calo-me na voz
Rio quase inteiro.

Pois sou amanhã
Pois sou irreal
Sou um mundo inteiro, até permito
Ser transnacional
Vagando entre dons
Vagando no sal
Sendo-me sorriso, invento, cheiros
Sendo universal.

E como não ser dom
Nem ser poesia?
Se o sol então arde qual celeiro
que serve a visão de grande maravilha
Ter um coração vivo em meu peito

E toda manhã
Acordo entre o sal
Raiva que faz livres sons ausentes
Que sonham novo sal
E sendo amanhã
Sendo irreal
Vago em las cajes deste alegre
Porto universal.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Um carinho nosso pelo criador

No tento das palavras grandes
Resmungo perversidades construidas por doutor
Reparo séro nas veredas
Nas verdades que velhos feitos de artes
Escreveram por louvor
E passo o pé na presteza da cidade
Pra evitar as grades
Para evitar rancor.

E jogo assim meio arrastado
Tumultua o relvado
Faz corar o trombador
Porque perfeito tudo nem é bom estado
Mas nem tão esculhabado pro craque poder se impor.

Valha-me chuva de me prender engarrafado
Rumores de tranca-rua dizem sol de levantar!
Valha-me ruas de prender-me encafifado
Música que cala rua não se pode amarrar.

Olha Maria
Se Deus fosse duas vinhas
Não haveria drogaria vendendo Anador
Só tinha a gente mantendo em nossa prece
Um sorriso bonitinho feito de um carinho nosso pelo criador.

Às tardes

Colho dos céus
Novenas azuis
Larguem fogo sobre o obus
Mil cidades me fazem ver
Raias de mar
Reflexos do sol
Em meus olhos em rouxinóis
De meu lírico novo ver.

Faço-me fé
colho a dor do luar
Planto ao nascer do mar
Novo sol de verdades.

Sinto a saudade do mel
E surpreso um novo céu
Faz-me tarde.

Pelas manhãs brindo sóis com a luz
De um riso que só seduz
Quando simples se faz nascer.

E eu guri ao som
De Oswaldo Cruz
Sambo rezas, Candeias azuis
De Cartolas de meu viver.

E assim minha fé, vê um novo luar
Saudade vira sonhar
Mundo colore tardes.
E quem sou eu sob o céu
Desta estrela em novo mel
Da cidade?

Cidade sal, luz do meu saber
Só você pra me fazer ver
Estrela flor em velha manhã!
Quem sabe a fé
Faz-me novo luar?
e eu que não sei esperar
Vôo às tardes.

Inventado azul

Eu rio ao largo dos espaço
Faço brados
Simulacros
Costumo ter sonho e flor.

Vago no som primeiro ato
Castro Vargas inexatos
Leio pobre ficção.

Assim me rumo ao sumo
Sou segundo
Totalmente
Repleto de mar
Ausência de ar
Costume de ir lá
Ao menos pra colher luzes colantes.

Ali parece agora tão distante
Será que sorrir é só demonstrar estrela de mar?

Queria ser somente um instante
Pelo sul
Rompendo mil milagres
Ouvindo apaarentes novas harpas
E naves
Como o azul
Das prestezas correntes
Assim como o sabre
Corta a alma da gente
Inventado azul.

Gabeira e Paes, pra não me deixar em paz!

O grande fenômeno das eleições municipais do Rio de Janeiro em seu segundo turno é a “esquerdização” do PSDB sob o manto do super verde boy marino – Teddy Gabeira.

No outro canto do Ringue Eduardo Bem Vestido Paes, o Terror do Trator anti-favela.

E a população entre milhões de justificativas de como o PSDB virou de esquerda contra a Máfia do PSDB. Não que exista uma diferença tão enorme no modo elitista de governar de ambos, apesar de métodos diferentes de atingir a mesma opressão velha de guerra em relação à grande massa.

A Candidatura Gabeira tem o agravante de tornar simpático o discurso do PSDB, e pior, sua modernização é o sotaque carioca dado ao Governo Serra/Andrea Matarazzo em São Paulo. O Paes, ruinzinho que só, mas adorado pelas donas de casa à procura de bom partido pras moças casadoiras, é só um coadjuvante perigosíssimo dessa comédia de erros que é a ausência da esquerda no Rio de Janeiro.

Gabeira consegue se mostrar algo que não é, apropriando-se de uma mistura de discurso de esquerda com fundamentos econômicos by George Soros e isso porque o discurso ético da Esquerda petista hoje repetido também pela esquerda do PSOL banaliza a política a um debate entre quem rouba e quem não rouba. Daí não se questiona a ética na aliança de um sujeito honesto com o Zito, por exemplo, e Marcelo Alencar. Fica-se preso na lógica do embate entre o Paes, dito defensor das milícias e do caveirão, mas como o Gabeira parece de esquerda e até o momento é honesto, não se discute sua aliança com Marcelo Alencar “Bônus Bang-Bang pra polícia” e Zito “Matador de Caxias”. E ainda acham que somos ingênuos e que devemos derrubar a direita nos aliando ao Periquito das Gerais.


Se confunde postura externa com postura política, não se vê os imensos recuos, ditos necessários para ser eleito, do Nobre homem verde de Ipanema na questão da liberação das drogas e contra a homofobia, e não se discute o que é “choque de capitalismo”, tudo pela falsa dicotomia do Miliciano versus o homem bom. Nem se percebe que o discurso é o discurso Cesar Maia com estilo, cor, cheiro e elegância.E novo dono, com a possibilidade de sustentação ao PSDB nacionalmente.

Nesta balada ficamos auqi observando o novo round do personalismo grassando, só que pela direita, enquanto o rio ta quase Tietê, mas lá ao menos teve o grupo Rumo.

Crueldade com animais





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Rês

Rês
Sê somente encalço
Peque na festa divina
Vai!

Vê na alma o sal dos passos
Vê a sebe
A flor retinta.

Vê somente sem olhos
Silenciado em temor
Vida
Vida é sina de mil olhos
Sons de almas
Cruz
Esquinas.

Rês
Sê somente o sino
Das maligrejas das linhas
Reescritas nas palmas de Lourdes e suas filhas!!

Vê todo o mal nas enganas
Das Bestas de tua torpeza
Não ligue à palavra a calma
Não ligue pra palavrezas.

O medo é o todo do ser
É alma e espaço
No delírio sem pernas das novenas
Na lentidão que inferna as mil lendas
Dos bons homens que caem em pranto, em falso.

Nada seu cria ondas
Cria fatos
Todo seu é o maior pesadelo
Todo sonho é um pouco desespero
Esperança é um irônico sorriso
Dói da fé o impacto sem frio
Do delírio atirado em pleno peito.

E a astronave das linhas, o incerto
Sâo cordéis não culpados, mas com peso
Remoídos irrimados de desejo
Pelos sins e pelos nãos de cada deserto
Costurados das penas de mil cérberos
Como se fosse nova a mão do medo
Refletida tolamente pelo espelho
Irrigado de sinais não divinos
Feitos só pelo olho nunca vítreo
Destas rimas mais vãs
Cheias de sebo.

E o que é que me faz virar canção?
Já que sou todo ator em velhas lendas
Serei nós pelas veredas pequenas?
Ou serei um soturno amor bretão?

Vago nalmas de luz em escuridão tão trançada que causa milproblemas
Como se toda hora fosse a pena
De um juiz que parece Macalé
Um Arrigo de sons batendo pé
Pra surfar no swing da natureza.

Rês me dê o seu nome e suas certezas
que lhe devolverei com chifres e mar!

Se sou sorriso não te rio bonito
Mas compartilho do desespero inato
Se sou sorriso
Talvez seja mato, ou vire mato, ou mate mato.

Rês
Fuja!
Seu sorriso pode me anoitecer!

Todos os versos são banais

Algas de novo mar
Sofrem jasmins
No decorrer do lírio
Flores aparentam cores e algum cheiro.

Reescrevem-se penas, alces, risos
Como se por risco
Voassem flutuando em parafuso.


E no entreguismo dos nossos filhos
Somos felizes
No oportunismo bom se nós eleitos
Corrigirmos os erros
Que esta gente iletrada e inútil faz e encena.

No sem nexo
Non sense tão previsto
Que verso em sais correntes e delírios
Só vislumbro a razão dos desertos.

E a cor do mar
É tão distante
Como se os ossos fossem livres
Para espetar sua palavra na parede das igrejas.

Mas não ligue
Todos os versos são banais.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Lógica banal

Ressalve as alegorias
Faça-se Angú
Dê caldo das mulheres do Leblon
Ou vá morrer
Porque rios são marcas de suor
Luas nuas se perdem pela paz
Fazem cruzes em Copa no Natal.

Repare nas Marés do Norte azul
Às margens dos universitários sais
E vá crescer
Como se risos fossem doce e só
Como se todo ônibus em geral
Corresse riscos de voar pra Dubai.

Me largue a paciência
Faça luz
Dispare armas químicas no mar
Me salva a calma do urutau
E vou aí
Perder rio de cor sem matagal
Sem nascer nova linha paris
Por entre carros e lógica banal.

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quinta-feira, outubro 09, 2008

A cem

Yo quiero Anas
Rasgam duas mil filipetas
Nesta semana
Bebo almas com o capeta
Requiro danças pelas sementes
Vago nas calmas sem dor
Reviro a mente
Procuro um véu sem labor
E costurando a cor
Do aniz com um cowboy.


Soy
Apenas a ver astronautas desertos
Só quero mesmo nascer.

Reviro nos jardins um morumbi de incertezas repletas
De uma saudade tão transversa
Refiro-me às tardes sem celeuma ou sentido
Sem hombridade
Costuro-me ator nas mil ruinas de uma história
De Terezas Santas
Do Rio amor.

E és mais teu ser todo meu eu
O que é amor, ou Deus, ou teus
Dois mil tesões?
Costuro bem
A flor do amor
E ando
A cem.

Futuro amor

Já gritei em esperanto
Que era pra nascer meio cão meio ator
De Hitcock baseado em ritmos
De chula flor.

Já rimei com hipocampos
Runs de alvorecer, frutas, aves, condor
Brinquei com signos afetados
Íntimos
Tolos em cor.

E escrevi coisa rota
Porque querer mesmo só rimar
Por querer do radical ter o tom
Pra me firmar
Com um beque meio manco
Querendo aparecer pro Técnico Tricolor
Me calo baixo
Vago inexato
Só pra rimar pato
Com futuro amor.

Só la mente

Para frasear romântico lírico
Tom Zé, balanço, canoa
Rês, lua, canapé, alvo, gentio
Palavra nua tecida em corpo de Dora.

Perfilando letras, sinônimos, símbolos
Leves destinos, catres, Loas
Ruas tecendo litorais
Repentes negros, fazendo flor.

Palavra ruma em caso de outro inverso
Universo parece Buriti
É cidade e árvore
Sem nexo
Não responde e nem encurta razão melhor.


Se és calango
Ou truta
Nasce veio
Na versola da sílaba de sal
Rima compras com muitas vezes mês
Rimam-se dor e verde afã
Pelas mil quebradas de rubra paixão em liz
Passeatas, mulheres, negros, véus
Transportemos vilões de multiversos
Construamos do verde o sangue, o bom.

Não se apegue à canção, ao som ao verso
Sugue o tom da palavra por aí
No sentido da catédra do inverso
Há a guerra da plebe e da maçã
Pelas inversões do som
Pelas cidades, bocas, e tons
Pelas almas livres e presas no chão
Pelas cadeias e fábricas e muitas invasões.

Se refletes o sol e as bóias
Se reduzes o som às flautas
Se requeres milhões de calmas
Sou apenas o que lhe falta
Sou só la mente.

Realiza o nada

Raia luar
Vaga lume de parca praia
Sol de arraia
Rasga gume de alma clara.

Vaga voar
Lua,onda, palavra rara
Soa sobre Sabres, almas
Rima ritmo
Cor de calma
Calma morre
Estravaza.


Veja-me mar
Vaga lume
Vaga palavra
Nada acalma
Luta ruindo de alma em alma.

Veja-ma ar
Pedra
Punho
Bandeira
Faixas
Explodem asas
Voam povos,
Utopias e espadas.

Vejam já
Novo homem, novas palavras
rima morta, som soa
Rasga
Realiza o nada.

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Em cada idade, em cada letra

Ponha fogo em tudo
Me crie apenas das cinzas
Parado sou mudo
Acorrentado sou sina.

Ponha algo nulo
Anule o avanço das linhas
Eu busco a carta do mundo
Pintada nas esquinas.

Mova o ás, o rumo
Jogue o lábio pra cima
Sopre o verso no prumo de nossas incertezas.

Pois o que canto é moldado
Das loucuras das idades
Das belezes de cada letra
Nas cidades
Na lua acesa.

E é o hoje o rumo
Hoje é o sumo
No cais tão consistente
Dos mares deoutros lusíadas
Minh'alma voa afora
Redunda do sorriso
Do amor que é verso em festa
Em cada idade, em cada letra.

É ver

Luzem miragens
Somos miragens
Arte é miragem podre.

Luzem milagres
Somos iguais
Solenes
Iguais rancores.

Faz-se ciência em Deus
Faz-se inferno
Cansa a clemência o ato das feras
De discutir semente.

Faz-se pior morrer
E o que quero
É olhar
Me enternecer
É chorar
Me entristecer
Ser vão
Só ser.

O que há me faz crescer
Toda morte é meu nascer
É chão
É ver.

Rio asfaltos

Rio asfaltos
Nos Estácios do ser
Rio braços de anjos
Resquícios tão humanos
Do meu olhar.

Pra ver firme a manhã
Recompondo seu axé
Seu ato
De mostrar-me o viver
Como um dia novo a meu lado.

Mas há verdades inscritas no querer
Rio falso
Te amo.

Como criar contas pro colar crescer?
Há em mim o mar que importa mais que viver?
Há verdades
Sonhos anotados sem ler
Rio asfaltos e planos.

Como ser moleque nas nuvens, no sal
Se há explosões novas de manhã em qualquer jornal?
Há saudades
E o que invneto a nascer
Rio Falso
Te amo.

terça-feira, setembro 30, 2008

E flor

Noite de qualquer besteira
Sol se seduz com a invenção
Da lua ao mar perdendo um meu sorrir.

Tempo que passa pelas festas
Da ilusão da criação
Responda o extremo da certeza
Ou ignore-me a intenção.

Posso me ausentar
Pelas inúmeras glórias da dor?
Poismeu olhar
Só pede a ausente
Falta-me flor.

Não olhe ao léo na aparência
De lá achar-me como alguém
Voando ao mar
Herói do amor sem fim
Pois sou repleto das ausências do existir em coração
Volúvel na inteira presença
Do sempre buscar uma paixão.

Nota-me ar
Esqueça-me história
Sou dor
Nota-me mar
Enquanto parto docas
E flor.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Risco

Rasgos no vento parecem ilhas de loucura
E ritmo
O sopro flui como fel
No imaginar dos desertos meus
E dor é quase assim como desejos
Só surgem precisos.

Nada ou ninguém controla a maldade da dúvida
E os gritos
São apenas você se tornando pedaços
Seus
E o que é de ti
Sem teu controle?

Não é simples? Preciso?

Morrem quem dependem de fé
Toda fé é loucura
E risco.

Crueldade com animais em momento Double pack


Automartírio e sacanagemcom zebras nostálgicas

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Eu grito isso


Melhor quadro que já vi

Só um artista

Já não sei se tenho medo do meio
Ou se pergunto a turistas
Como se faz pra vespeiro
Nascer psicanalista.

Se rimo ave com centeio
Viro gastronomicista
Arrumo cargo de recheio
Viro prefeito alquimista
Procuro bens em cinzeiros
Amores em naturistas
Pelados tem o respeito
Dos que a nudez bela avista.

Cato verdades em mateiros
E violeiros altruístas
Em cínicos não macumbeiros
Praticantes falo linguistas
Eu gosto mesmo é de cheiro
De rua à noite na pista
De cerveja com canteiros
De ruas sem sinalistas.

Talvez eu rime por medo
De morrer em dia à vista
De não saber mais do certo
Ou de ser um canalha sem listras
Ema zebra, um matreiro
Enrolador de premissas
Talvez eu seja mais meio
Talvez seja só um artista.

Suburbano


Chamam-me apenas Barrabás

Filho de Fabiano

Preto no dente e no nome

Vivendo sem interlocutor.

E rasgo com as tetas de cabras sem baio

Rádios livres e urubus sem dono

A linha fina

Do que me é tedioso.

Vi palavras de meninos

Transformarem-se em pessoas

Danos vários em pergaminhos

Construírem novas noites

E velhos comovidos sem fé

Perguntando o improviso vão

Do que muda

A cada estação.

Filhos brancos d’alma vaga

Comem ossos pela pele

Rompem lágrimas de Sarahs

De Josefas e de Kellys

Brancos têm dentes navalha

Coloridos da solidariedade que convém

Para se mudar ninguém.

E pelas praias dos Rios

Que de segunda à sexta são lírios

Tudo é tão bom

Enquanto ao vivo somente o medo vê

Nosso sorriso sem dó.

Calam-me apenas Ladravaz

Irmão de três ciganos

Cínico em pêlo nos lombos

Falados pelos homens-dor.

Por amor mata-se mais que pelo azul

Das águas de nosso rancor.

Dançam penumbras no ar

Morre Deus sem que ele possa atirar

No Salloon magro das tardes

Feitas dos que eu desisto

A morrer sem dobrar a língua por vocês.

Rasgo muitos elogios

E anoto novas dores

Gritarias falam comigo mais que vozes de doutores

E me canso de ter fé

Pois prefiro o improviso vão

Das mudas

Das pedras no chão.

Já não me clamam, nunca mais

Reviro-me suburbano com medo do tempo de antes

E rindo do interlocutor.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Transforma a si

Transforma a si

Seu nome

Talvez Amor

De Guiomar pai distante

Vivo quase antepassado

Como se de Solange alvo

De atenção requisitante.

Relapso

Alvo tétrico

De si mesmo quase horror

Fingidor de alvos brados

Inundado de hiatos

Nada sutil Mestre de Obras.

Paellas servem ao Amor

Cheio de si mesmo em palavra

Este amor que é de Nádia

Requisitado me pedaços

Pelas dores de alva.

Facas morrem sob o teto

Nasce até sol deste Amor

E o que é seu sonho em rostos?

Se a dor do morto é o sol

Do tolo acreditante?

Se morre

Não é Amor

Como já disse Olava

Ele em tudo é sublime

Mesmo radical e filmado

Por um Buñuel de metraca.

Mas grita

Solto de dor

Solto sem freios, feito o avanço de si, em dor

Ele feito quase cobra

Transforma a si

E vira a morte das obras.

terça-feira, setembro 16, 2008

A Verdadeira História do Brasil


http://www2.uol.com.br/angeli/chargeangeli/i/chargeangeli334.gif

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Acabou-se Fausto!

Acabou-se Fausto!
Durante diários
Percebíamos o quinto porre
Enquanto danava a culpa por não sermos heróis.

Acabou-se o Fausto!!
Na prévia do sempre
Ali adiante
Avant garde do tempo
Na Frente do velho
Da quinta garrafa dos infernos dos outros.

Acabou-se!
Fausto
E nós?

Um brinde a isso

Em Botafogo Janeiros
Parecem.

Em Laranjeiras
Perfeitos
Parecem.

Na antiga 17
Bolches e eu nunca andamos juntos
E nos amávamos.

Enquanto isso o gás explode
29 Renasce
E o patinete é o melhor transporte.

Um brinde a isso!

Bebendo gás na televisão

Sai do canto onde iludes
Sai do centro do não
Sem sorriso
Chia baba
Voz de má danação
Rima sonho
E presente
Come feto do chão
Ri teu riso já tão lenda
Corta ramo de não
Rima corte
Com veneno
Quem sou eu tão sem pão?
É teu riso que eu coro com meu sangue em tuas mãos?
O que quero?

Tome
Escreve o que li
No meu olho tão sem nós
Eu já me nasci
Cochabamba aqui no bom loop rock n' roll
Povo meu é de ser mil anos madrugador
Com foice no ar
E fogo no mar
Queimando Ipanemas
Bebendo gás na televisão.

quinta-feira, setembro 11, 2008

É golpe

CLÓVIS ROSSI

É golpe

SÃO PAULO - O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas às que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales.

Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são a cópia de locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende.

Outra semelhança: Allende elegeu-se presidente, em 1970, com pouco mais de um terço dos votos (36%). Mas, três anos depois, sua Unidade Popular saltou para 44%, em pleito legislativo, o que destruiu qualquer expectativa da direita de vencê-lo política ou eleitoralmente.

Foi na marra mesmo, o que deu origem a um dos mais brutais regimes políticos de uma América Latina habituada à brutalidade.

Evo Morales também se elegeu com menos votos do que obteve agora no chamado referendo revogatório, o que demonstra um grau de aprovação popular até surpreendente para as dificuldades que o governo enfrentou desde o primeiro dia, em parte por seus erros e em parte pelo cerco dos adversários.
A luta dos Departamentos pela autonomia, eixo da crise, é também legítima e precede Evo Morales.

Mas passou a ser apenas um biombo para encobrir as verdadeiras intenções, cristalinamente reveladas a Flávia Marreiro, desta Folha, por Jorge Chávez, líder "cívico" de Tarija, um dos Departamentos rebelados contra o governo central: "Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz".

Cena mais explícita de hidrofobia e racismo, impossível. Nem o governo nem a oposição no Brasil têm direito ao silêncio, escondendo-se um na não-ingerência em assuntos internos e outra em preconceitos similares.

São Paulo, quarta-feira, 10 de setembro de 2008
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1009200803.htm

Cureldade com Animais








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Intervenção Urbana


E quem quer ler ou ouvir isso?


Se choro finjo em luas
Quase sem linho
Ninho de estrelas
Sem mais mormaço
Sem ruas feias.
Se calo
Finjo estrada
Mas sou olhar.
Se nasço escorro sangue
Grito besteiras
Viro inimigo
Já não abraço amor nas telhas
Se sofro finjo matas
Mas sou voar.
Sendo este quase menino
Rompendo muros de lama
Espero em frente ao novo cinema antigo.
Perdendo tempo e abrigo
Esperando mitos e sambas
Respeito o mundo murmurando morticínios
Se sofro finjo-me sorrindo.
Se brado mundos,planos
Escrevo a teia dos meus delírios
Sou mais que um passo
Menos que estrela
Escrevo como a falta me faz o mar.
Já não respeito ou finjo
Só olho o breu da semana
Rejeito o véu da solidão em um sorriso
Queor palavras e tiros
Mundos mudando de amas
E tenho aqui um sentimento tão ambíguo
E quem quer ler ou ouvir isso?

Eles morrem


O importante é que eles morrem
Rindo, lindos
E interessante é o que nos seca
A velha chaga.
Em plenas eras, novidades e murais
Escrever a vida pelas falsas linhas
É Deus
E talvez seja povo
E talvez seja novo
Mas nunca viu ninguém.
Aspas enterram discussões sempre banais
O mundo precipita
Isto é fato
Fato meu
Eu quem constrói o novo
Eu que devoro o fogo
Que nunca haverá.
O necessário é o que nos corta
Lebres, vacas
E como corta o que não vemos
O Tempo, o vento.
Pelas mil regras
Estudadas por mortais
Deuses maquinistas fazem fogo em pleno breu.
E se eu não quiser fogo?
E se eu cagar pro novo?
Farei falta pra alguém?
Rolam conversas pelos bares virtuais
Morrem maquinistas velhos Deuses deste Breu.
E o que é mesmo sorte?
Deuses cortando mortes?
Cornos matando alguém?

Trilha do redançar


Luz de delfins pelas ruas
Acorda noite, morre de mim dor
Faz-me nascer
Faz-me rei Sol
Boa nova de boi voador.
Estrela que canta sorrindo
Quem sabe sou meio feito de mar?
Rio daqui pronto pra ver
Brilho velho de estradar.
Riscos de cor mais madura
Em cansaço brotam
Gosto de amor
Quero ali ver
Quem sabe sou
Flor de cio, de rua, de sonho e pó.
Gosto de ver-me de noite
Saudade mata
Morro a renascer
E quem já sou?
Filho do sol
Pela trilha do redançar.

Nos trabaio de inventar interior

Rasgando forró de sangue
Pela rua do pedaço registrado com louvor
Pelo mais sério homem de identidade
Roupas novas, quase um frade com olhar criminador
Criou um verso de pensador de verdades
Fez mudança nas cidades onde nasceu mais dotô.

E não tem bunda onde o terno é engravatado
Vira nádega no ato
Portaria do sinhô
E vai sem bunda com a nádega de lado
Nos busão mais lotado onde não entra sinhô.

E como tudo é perfeito e trabalhado
Dormir lá no condado era coisa dinterior
E produtivo era o verbo inventado
Pra tirar do catre o gajo que acaso não acostumou.

Lá não tem bunda
Virou nádega no ato
Quando dotô abre os braços reclamando com louvor
Destas coisas de que pobre faz errado
Gnorante nos trabaio de inventar interior.

Diálogo

Luz divina
Mostra agora entardecer
Dá verdade
Canta até o meu morrer
Mostra cega qual segredo da definição
Do que me faz véio de bomcoração
Qual a dor que dei pra fazer canção.

Não sonhe a lua
Cate do amor
Faca no sonho
Mão no chão e só.

Cante mundo
Mundo e luz é tudo ocê
Arraste o sonho
Pega a lanhada do ser
No teu peito
Há bem mais que um coração
Olhe o mundo véi
Olhe o mundo bão
Dói mundo correr
Dói também correr não.

Luz não é rua
Luz é luz e só
Doi luz não ser
Dói luz ser só.

Vai me ajuda!
Luz de deus que cai aqui
Rói as unha da onça que me faz vir
Já morrendo
Pelas pancadas da mundação
Porque dói viver?
Porque dói o chão?
Porque dói doer
Também porque não?

Cala-te nua
Chegue de ser cor
Nem sei saber
Existir em cor.

Aí meus cano!!!
Nem luz sou nem sou viver!!!
Sou teu sonho
Determinado em correr
Inventado
Pra fugir da dureza do chão
Chão é tudo ocê
Vida é tua mão
Livro não vai ser
uma nova ilusão.

Me larga à rua
Seje teu amor
Sai pro teu mundo, tua cor.

Apaixonadamente em cor



Dá no ego um espanto
Que não se apresenta a quem já é dotô
Pois é mais ríspido que linguado tímido
Feito de cor.
Dá no cérebro um encanto
Que não se apoquenta quem já é dotô
É quase esquálido, tímido afago
Quase horror.
Nossa cabeça mei oca
rima verso e faz luar
Como se o mundo fosse igual
Jeito bom de se pescar.
Dá na vida um encanto
Que não se apresenta a quem já é dotô
Um desesperado rasgo magro e ávido
Doído e inválido
Feito sem amor
Um rasgo mágico um chorado passo
Colocado e apaixonadamente em cor.

Alguma Lenda


Se eu soubesse ler futuro a futuro

Morria mundos sem tanta fé

Comia do mar das mil barcaças

Algas de desmorrer.

Até reaver sorriso intenso em mim

Entre dedos ter mais incertezas

E vê-la voar pelo mar.

Rompi dois mil medos por entre subúrbios

Conquistei outros mais

Raspei meus dois sonhos, meus olhos difusos

Já desisti da paz.

Dê-me as coisas

As cores

E o não crer!!

Saia do vento enfim

Me esqueça em prantos

Me deixe renascer

Ou faça você o favor de vir a mim

Deixe ser você alguma lenda.

Sou cidade


Rever-me em mel
Alcançar-te em luz
Sem Paris na praça que compús
Bonsucessos que tive em ver
Velha má voz de acordeon
Sem mais versos, só uma canção
Inventada só pra te ver.
Nem és mulher ou amor
És só mar
Irresistível jeito de calar
A mais pura vontade
De já romper-me ante o céu
Onde, vago cometa ao léo,
Me transformo em cidade.
E a velha nau do meu lar
É uma canção
Feita pobre na invenção
Da mentira que é ser você
Por nada ser assim pouco e bom
Como tua pele e teu tom
Tão bonito de tão viver.
Calo-me em fé
Vejo a luz do luar
Me refaço imaginar
Versos feitos de grades
Rompidas ante o soar
De um céu raspingando mar
Transformado em saudade.

Não diga mais toda a solidão
Só sou forte por ser canção
Só sou vivo por já mar ser
E aqui na terra sem gelo ou som
Me oriento pelo antigo tom
Das mil vidas que posso ver.
Pela mulher que me foi tão luar
Grito a História do ar
Eu marejo verdades
Sonho com o som de outro véu
Vago na cidade ao léo
Sou cidade.