sábado, abril 14, 2012

Entre as aspas dos dedos da mão

Arte: Ardor dos Deuses
Causas, planos, plâncton
Palavras em série
Ar e mar cinzentos
Filmes de manteiga
Filmes de muralha
Arte: Paz dos tempos
Fome dos infernos
Arte é a dor da invenção
É paixão de ser invenção.



Paginas são tinta
Tintas são palavras
Palavras são versos
Versos são inventos
Cores são penugem
Cores são muralhas
Cores são infernos
Cores são tormentos
Arte:  Ardor da invenção
Cadafalso da própria paixão.




Cobre furta ouro
Ouro monta em prata
Prata é cor de negros
Índio é cor dos tempos
Ventos são delírio
Sangue, esmeralda
Américas e ventos
Navegar nos tempos
Cores que deliram canção
Entre as aspas dos dedos da mão.


sexta-feira, abril 13, 2012

Tranças de tempo

Sou de dias e de esperanças
Fecho as tranças da canção dos dias pelas artes
Pelas modas
Que me desmontam sendo inteira parte
Destas formas de lua
Destas tantas mil novas tranças que nascem das noites.

quinta-feira, abril 12, 2012

Nada mais hoje me atina

Os  meus sonhos são refeitos
Conduzidos de coisas, teias
Estrelado em espelhos que vêem
Conduzidos por artistas
Pintados entre  mãos pretas
E ruas que são a vista das insanidades cheias.

E à terra, às feras
A alma infante ganha a grande ordem, o levante
Do altar de mais um dia.

E meu sonho, meus espaços
Dão-se ao céu
Dão-se á terra
Fazem a si mesmos terra
Espalham-se grãos sobre as linhas
Destas ruas, destas feiras
E na brasa das agruras aprendem a ser só mais nuvem.

E à terra as levas de imigrantes
Trazem tanto, trazem antes
Novo ar
Luas, bastilhas.

Ritmo, fome, sistemas
Tretas, estrelas, espadas
Luz azul ao sul dos cinemas
Que escapam  ao ouvir
O rugir de historietas  como se feitas por mil poetas
Desenhados por pena fria.

E às feras as festas parecem antes de conduzirem o adiante
Uma paz, uma premissa.

E  de mim o sonho-fogo consome o dia, a magia
Feito em mim eternamente uma labareda, uma sina
Sina de ser gente em frente à escolha sombria
De fingir-em falsa estrela.

E em terras velhas
Meu passo adiante hoje pode ser gigante
Faço-me paz
Com a dor sofrida.

Súbito, de tempo me faço
Súbita história das falas
Tornando-se degrau, ancinho
Foice, enxada, rapinagem
Luzes, energia, mulatas
Carros, pás, filmes
E velas sobre lagoas encantadas.

E á terra as velas dão-se radiantes
Dão as cruzes, os infantes
Guerras, paz
Flor de bom dia.

Rara a alma dá-se estrada
E parte em si por calor
Por amor à donzela que morreu em pleno ardor
E se hoje a Baia de uma Guanabara me vem
É porque nela sou perfeito.

Minha terra erra
E calo o infante de minha forma delirante
Nada mais hoje me atina.


Música

Eu sou canção
Me ouvi, ouço o fundo da musica
O espelho da musica é a música
Ouço a alma da  musica
Batuco
Canto e canto
Recanto
Explodo a musica
Sou garra, ouço a  garra da garra da música.

Espero a musica me perder, quando não me ouço na musica é porque sou outro
Uns cinema
Outros canção
Filmo trilhas sonoras nos ouvidos
Me entendo assim
Me encanto em canto.



Malasarteando Jobim

Sou do porto
Ouço negros africanos cantando cuba
Nordestinos Bob Dylaneando pelas  Paraibas e Cearás
Traduzo idish em Baiões inventados na Água Santa
Reduzo o planisfério à Madureira.

Sou da Cepa dos ouvidos mercadores
Dos mascates lusos
Dos batuqueiros árabes
Das montanhas do Líbano
Sou da trilha da Madeira
Sou negro
Nasci nas Gerais, morri nas Gerais
Meu Grande Sertão vê rendas
Meu Sertão é a Brasil
Meu mundo é a Avenida.

Minha dor  é o 384
É a curva fechada
O café frio
O medo da morte
O medo da vida
A raiva do corte.

Nasci mermão, meu cumpádi!
Nas quebradas do medo sou da lenha que se queima andando
Enquanto filma o firmamento
E malasarteia Jobim.

A alegria de estar vivo

Já não sei ser muitos
Privo a mim mesmo de mil signos
Não sei ser do vento o tempo
Sou apenas meu desígnio
Surjo, invento, apenas tempo.

É de mim que já preciso
Eu apenas, assim deliro
Morro e sangro vendo vícios
E observando destinos
Tamborilo meus inventos
E construo beletrismos.


Hoje rezo por meu inicio
Pelo sorriso, pelo abraço que atento me torna mais intimo
Já que tudo é tão vivo
E tudo é tão isso
Que o vento e meu intento costuram o chão onde piso.

Morro um pouco e caminho
Vivo enquanto dor que trago e rio
Pois o intento do meu tempo é conduzir-me principio
E qual príncipe do meu reino
Deste mundo que invento
Nestas letras onde trilho o caminho de meu tempo
 Me calo, ínfimo, salvo na alma do meu irmão vento
E agradeço em sorriso
A alegria de estar vivo.

Além do eu

Mais um segundo e sou pessoa nova
Rasgo meu passado e ignoro o fim
No outro dia pago as vidas
Trago quem foi embora
Me dano  em bilhetes
Talvez seja feliz.

Meu peito é Ícaro, é poesia
Meu olho é Galileu
Minha alma é um circo
O mundo é meu jardim.

Vou pra rua e cheiro a eternidade virada em povo de rua
Assistindo a vida
Homens e divindades
Indo além do eu.

Instruções das manhãs

Quebrem os espelhos
Não se reconheçam mais
Olhem no mundo o riso da sua própria fé
Façam-se a sé de todo segundo vivo que prosperar
Que ao sol properar
Na lida do sol
Na vida do sol
Na vida ao sol
Na lida ao sol
E assaz assim dêem-se à lei do vento
Tornem-se o mar.

Vivam o olhar faminto e furioso
De todo sim
De todo povo
Como se urro
como se medo
Como se o mar fosse um lugar ao sol, colorido.

Vamos voar ao mar
Sejamos livres
Sejamos manhãs
Como as asas, como livros
Como o sal
como o mal
Como o som, como o sol
O luar.

Os sóis, as cenas, as leis
As penas, as velas, os reis
São instruções das manhãs.

A ilusão suspensa das palavras

O ar corta o delírio
O vento disfarça o querer chorar
A lágrima dói com gotas de passado
Resseca o mar de meu lábio, meu pão
E arde a semente de medo no peito
Arde o notar-se só, imperfeito
Restrito nas penas, nas palmas, nas gentes que tornam-se ar
Abre-se o porão das palavras
As marcas do que vi
Saem de mim as loucuras, os risos moleques
Desespero tontos, tolices urgentes
Calos e pequenas grandes perdições
E a raça, a alegria se calam
E no grito noto-me sem esperanças
E o futuro parece apenas a falha
Delírios
Sentidos
Pequenas ilusões.

O dom de perde-me na voz
A ilusão suspensa das palavras são as palavras
E eis aqui minha loucura desabando.

segunda-feira, abril 09, 2012

Luciana

Uma paixão é um mar
E mar é invenção de um Deus que torna-se palavra e ardor
E em sônicas e luminares rubras rosas tensiona o ser
Constrói muralhas, obras
E ardores
Arvores
Cala-se e despreende-se
É flores.



Não sei dançar e torno o olhar no rosto
Um dedilhar de canções que sorrio
A ver-te voar sabendo-se
Pintada
Esculturada na liberdade e vida
E amo, e sonho
Espero e em versos te sonho.

De tudo em ti vejo só o incerto
Colho matrizes de inventos
E inverso ao que há de mim
Aprendo-me dotado
Da nova luz que em novo me acumula
De cores, e ardores
Aprendo a ti
Com flores.

Quase morri em mim de medo claro
Das ruas tantas que pintavas tão frias
Até não ver além deste mistério
Que em mim construo em homem mais liberto
E nas cores dos amores
Escrevo a ti Luciana.



domingo, abril 08, 2012

Vendo o outro ser imenso.

Amizade me dói um pouco peito pela necessidade. A percepção da necessidade do amigo se dá menos pelo próximo e mais pelo diverso, pelo contraponto, pela construção. De mim basto eu, de tu nada basta.

Não sei se desengano o egoismo ao amar, acho que não, autoritarizo como sempre, mas me acabo ao ver o outro indo, longe de mim e me percebo mutante para que caiba sempre mais de todos em mim, para que seja eu uma espécie de tudo. 

Como um menino que se fecha e morde ao pegar seus brinquedos e recua ao ver que sem amigos a vida descolore. Como diria meu pai: "As marionetes se rebelaram?".

Em todo meu amor é isso, é assim, sou este que renega o avanço, o encontro e a descoberta e se ressabia de ser, até ver que sem rir, ir e voar nada se alcança.

E ai corujo, me esbaldo no saber o outro, mesmo um saber pequeno, mal feito, mal perguntado, mal sabido, intuído e chorado, doído.

Talvez não seja único, nem sequer o maior amador, mas amo e corujo o outro, me sinto assim como entregue na obrigação de ver naquele outro o maior, e não porque não o seja, mas porque é tão grande aquele sol que emociona por saber nele uma forma de vida inteira, que sem o elogio, o beijo, o abraço e a admiração os demais cegos que povoam a terra estariam perdidos.

Corujo o outro pois o preciso rindo, o preciso feliz e o preciso imenso. É um egoismo, é meu, é assim, não sei como não o ser.

Amo assim, ela, as irmãs, as amigas, os pequenos, o irmão, os amigos, os cães.

Amo como quem se perde no prazer de ver o outro ser imenso.

Teu rosto

É pouco
Se o amor for uma lei
É pouco se a forma que quis não tomasse o coração
De um sorrir, de um crer
De uma forma de viver
De sentir-te ar
E querer
O rosto
A voz, a forma, o ser
A pouco que te apreeendi.

Louvo como quem faz oração
Inspiro-me em forma de ser
Ando o caminho do querer
E acho que é amar
Amar é ver
Teu rosto.

sábado, abril 07, 2012

Adoração

Não sei falar de amor, só faço arte
Talvez perambulando nas manhãs onde cato poesias
Faço apenas alarde
Das nuvens que vadias lambem os cães.

As luzes que atropelam as semanas
Conduzem um sentido, uma canção
E desenho nas trilhas de meus dramas, que ufanam
Uma velha mania de cantar
O solo, a voz macia desta preta
Que me acostumei a aveludar
Nas fantasias que crio na pirambeira
Do meu costumeiro sonho-canção.

Não sei fazer amor, só falo arte
Entregue a este ritmado crer
Que torna-me segredo de cidades
E parte das ruas que deduzem o amanhecer.

Avanço qual um tolo pras coragens
De tudo mudar por uma canção feita mulher
Que n'outra velha cidade
De mim fez ser esta adoração.


Começo

Há dor, ardor, amor
Incêndio não marca mais data
Há dores e paixões, rasgos, canções e pegadas
E ardo em teu nome
Meu nome te arde palavras.

Resgato o sobrenome dos fins das almas lavadas
Me dano nos presépios
Malho judas
E no jogo perco a alma.

Há flor, há cor, horror
Feito de sins e de presentes
De nãos e de desnomes
De ausências que se pressentem.

E enfim me vejo em peso neste sabor sem endereço
Entregue ao desafio de saber-me ser começo.



É seguir, É voar

Exagero e corro demais
Ando em círculos e sinto-me em paz
Rasgo o dedo na lata
Costuro pegadas
E me acabo de rir e chorar e sonhar.

Um afago e me sinto em paz
E me mato correndo demais
Pelas ruas e estradas
A pé nas quebradas
Sentido em mim um mudar, um danar.

E cê sabe que isso parece sofrer
E parece exagero, me lembra você
E talvez seja apenas um dia a mais
Hoje vivo ou triste ou feliz demais
E é melhor do que morto demais
Do que cego e cinza demais
E por isso me dano no amor e derreto
Me queimo no fogo do amor
Em instantes
Onde te amar é dizer
É seguir, É voar.



sexta-feira, abril 06, 2012

Taques de invento

Percorro-te convicto
Não te sei, só intuo e digo
Como és em si o vento
És também caça e sorriso,
Dá-me um sol, talvez um intento?

Olho, ardor, caminho, íntimo
Público e improviso
Calçada, canção, momento
É de mim, de todos, ritmo
Vento, invento, sol, unguento.

O que queres? O que dizes-me?
O que tendes de mim? Prossiga-me
Dá-me invento, um sol, um alento
Já que és assim tão lindo
Dê-me um sim, um não, um sítio.

Vivo em vivos benefícios
Malefícios, outros ritmos
Tambor no peito
Um tempo
Um segundo eterno, um cisco
Mundaréu de hora
Vento.

Gotas de adianto
Istmo
Mar em torno dos desígnios
Olho-te em meus momentos
Onde vejo-me meu filho
Dou-te em mim irmão e alento.

Caço como quem tem signos
Como pescador de estilos
Como inventador de tempos
Só versejo por ser íntimo
Abraça-me eterno, em tempo.

Tanta dor costurei simples nas costas dos improvisos
Tanto amor complexo e limpo
Deitei-me sob teus lindos
Jeitos de fazer-me invento.

E se afago-te e límpido peço-te o que não digo
Digo-te talvez em tempo
Horas não me são precisas
Faz-me apenas o que tento.

Reouvindo-te em tiques
Taques de invento, espírito
Dou-me assim a teu invento
Sejas-me a ti tão ínfimo
Dê-me apenas este vento.

Um Logun, Um sonho

Me gusta a lua e a distância que terra dá a barca
Sou um sonho, um sopro de cânfora
Em sinos, em farpas, em flechas dedico-me alma
Pelas coisas, pelas danças.

O som das surpresas é atroz
A dança da calma é lua, é negra
A voz da oferta é talvez nem dizer
Em mim a festa da besta é ressaber
E sou enfim um abandonado ardor
Um solitário e fértil reconstrurir
Um sabor
Um rio, um Rio que fez-me ator
Um som, um são sentido, um não.

Meu corpo me fez o norte da minha própria sorte
Minha alma dança e bamboleia
Me sangro nos dias, nas nuvens, nas músicas, nas aleias e perguntas farpadas
Sou forte
Em vão destino o tempo pra meus espaços
Despisto com sobras em letras e hóstias
Costumo até me matar
Se morro renasço na Terça pra descansar
E vou assim entre rumos, espadas e amor
E vou-me em mim descobrindo destino cantor
E canto em mim um segredo
Um Logun, Um sonho.

Um chão de fé

O não sei dizer traduz-me em fé
O não sei
É ver e deitar nas  manhãs
É não sei
É ser.

O não sei é ver
Traduz-se mel
O não sei é querer costurar chão e sol
O não sei é ter
Um chão de fé.


Sou vento e fim?

Minhas horas, meu palco, meu mundo
Meu parco e profundo medo de mim
Minhas horas, meus passos
Minha hóstia, meus brados
O meu bom e meu ruim.

Escama de peixe, de rumo
Espada que cuido
Voz de cetim
Minha nódoa, meus claros sorrisos e gratos
Sonhos bons
Medos ruins.

Agora é o véu que me oculta a tempestade
Eu que sou do dia, dos mundos, das tardes
Me torno céu
E traduzo novas artes
Me rasgo na divina chuva que me arde.

Agora é fel pra quem é de fel e arde
Como quem traz dos pântanos mortos de mim
E me faço brado
Me torno rescaldo
Ajoelho e calo
Sou canção e sou meu fim
Espalho os passos, entrego-me aos raios
E abraço o som do sol, o fogo, o sim.



Me torno céu, largo o fel e dou-me tarde
Abraço a canção de quem torna-me búfalo d'artes
Me torno céu e me embarco nas saudades
Voo como o vento e me sou das tardes.

Minha vida, meus passos, minhas asas meus calos
Nova mãe? Sou vento e fim?




Sem sentido

Rua rara, redesenho, luz de invenção
É improviso de deserto
Grau de inverso que me desespera o verso
E acorda o medo, o incerto
E na paz redança um som de hidrantes.

Rua rara, luz de lua, reinvenção
É delírio do diverso, um ermo externo, uma espada, vã, calada
E na luz das coisas nuas das revistas
Ganha armas, ganha asas
E assim sinistra
Se desbasta do meu ver
Da poesia.

E da arte vai, o sol, a paz, o jeito que ficou
Após o dizer ser dor e voz
E cor
E assim amor
Tudo é risco.

Rua rara, aprendiz da nova canção
Sendo a isca da esperança e de um éden que se desenha à risca
Como um pires sob a xícara do domínio
Sustentando o desabafo, o kitsch destino que se fez o lamentar da rês
Ao se imolar.

Rua mundo feita fundo de um meu som solar
Canta o sal desse andar pelos mil mundos
Faz de mim um ecoar dos mais profundos
Mil lugares, ruas, luas, moças nuas
Faz de mim um samba astral, uma só pele, uma bravura, uma amargura
E enfim me dê lugar a ver-me aqui
A ser só mar.

Nua a cara, a trilha, a vida, a fina aula de sofrer
Dá-me à lua uma costura, um fim
E eu lá a cantar, ver TV
Sem sentido.

É isso

Hoje me dano
Me dano pois em mim há os desertos dos infernos que criei
Eu só queria brincar de bola, lamber goiabas e correr sem limites
E chorei nunca ter sido aquilo que abraçaria o coração primeiro
Chorei e choro por me inventar todo dia novo e velho ainda ser infante
E ver que  me queriam herói quando era escriba.

Hoje me dano porque preferi o vôo das garças, o andar ao sol e o rir abraçando cães
E querer lidar com pequenos que ouçam a voz do sorriso e brinquem com minha história
Hoje me dano por me sentir pequeno, tolo, tosco, surdo
em meio a uma música que não escolhi dançar
Pleno de saberes e vontades, de fomes e versos
Pleno do querer ver mar, andar amor na Ouvidor
Flanar alegre e sendo um riso que nunca fui
Eu, Casmurro, em um campo de Capitus
Elas ali com olhos de uma ressaca criada por mim e livres em um mundo que não vi por míope.

Hoje apanho de novo do menino mais forte porque lhe disse Heróis gregos e sua força não os conhecia
Hoje de novo abro caminho entre os fortes com os punhos que não quis usar e me perco no sabor do sangue
No gosto do Sangue que queria danar em mim
Hoje me sangro no sangue alheio
E me escondo.

Hoje olho e espero um pai que não vai chegar
Hoje olho o amor que tenho e não sei se virá
Hoje o futuro me lembra um passado
A urna do cotidiano guarda pandoras impossíveis
Hoje preciso ser fraco, calar, gritar, dançar um tango
Ouvir rumbas, rir de besta
Cantar dores antigas
Ironizar minha finitude
Morrer um pouco
Olhar meu Rio de outrora numa rua da Lapa
Hoje preciso de um sentido infinito que morra em segundos
Preciso de muito e de ti
Hoje preciso de irmãos e de ninguém
Hoje sou eu e só
E é isso.

quarta-feira, abril 04, 2012

E desfaço

Eu não sei saber dos passos
Ando e enxergo o porvir
Vejo descuidos, vejo espaços
Ando e desvio dos espasmos das gentes
E me entrego ao movimento, ao passo.

Me descubro inventado
E não sei saber de mim
Gosto dos versos, infernos, astros
Recolho gotas de orvalho
E escalo o desenho de tua pele
Torno-me macaco.

Só se não sei sorrir é que me escondo
Só se não sei fluir me furto
Calo-me sem jeito
Espero o recado
Me sangro em céus, escureço
E desfaço.

De amor até

Meus olhos são afluentes de algum mar
Quando vejo cores, dores, voz e fé
Quando entendo com o peito uma forma de voar
Quando esqueço destes solos que me traduzem os pés longe do chão.

E em riste segue assim o coração
Como quem descobre a sorte, a luz ou o fim
E andando qual desacordado na invenção
Cria-se ave danada, paixão, querubim.

A cruz, a luz, o som e o acordeon que jazem em mim
Reproduzem mouriscas formas de um Deus
E espalhado em cacos, inteiro então por fim
Claudico nas dunas e nas ruas que me fazem teu.

E nascendo como quem vai pro altar
Desdito pelas canções dos próprios pés
Crio um verso que de joelhos sobe a Penha sem as mãos
E deixa como pista um vislumbre dos rios da fé.

E meus olhos, afluentes de algum mar
Com seus deltas, suas armas e seus pés
Deita a glória do seus prantos feitos de dor e amar
De uma alegria que tem asas
E de amor até.

Canção reinventada espelho

Se rio, corto por dentro e chuto o sol nas auroras
Redigito a voz
E teu sentido que imito se parece com um riso, um que gargalha sóis
Deduzo seu sonho em passos
Tu me desdiz com Espanhas
Calo-me em confusão que vira quase Guarânia.

Eu te invento demais nas cores que me deliram os dedos da mão
Você me diz coisas que trazem em si um labirinto
Uma espécie de razão
Eu te invento estrela
Você me dedilha inteiro
E me dou conta do mundo feito um jogo de espelhos.

Se em versos curto pasquim
Você me mostra meu lado que veste Falcão
Minhas ruas são feitas de esquinas
E as tuas patinam em praias, calçadões
As ondas são nossas fronhas
Nossos laços e enredos
Os mares são nossa forma de enxergar devaneios.

As coisas são tão assim que me desarvoram espadas e um jeito de ator
Não sei entender-te em mim longe desta entranhada vontade-amor
Sinto saudade das partes
Você me ensina a distância
Os  laços em mim tanto ardem que me aprendo constância.

Não sei se somos do outro assim o todo diferente de ser e amar
Não sei saber mais do outro do que o intransigente jeito de inventar
Mas sei dos caminhos de ver e do que determina o peito
No coração que é condutor do meu destino, meu veio
E em ti vê uma canção reinventada espelho.

Dedicado a te querer

Eu não sei você
Eu não sei saber
Eu não sei dizer
Já não sei te ver
E só sei querer aprender você.

Sonho sem saber
Corro sem querer
Pra amar você
Misturo "porquês"
Explico os "não sei"
Perco-me a desdizer.

Tantos mundos, artes
Sóis e luas, claques
Versos feitos sem querer
Ruas e bons dias
E o que me guia
Hoje me faz me perder
E se me perco em senhas
Sigo em minha teima
Dedicado a te querer.


domingo, abril 01, 2012

Controles

Não são só meus os mundos
Lhes doo como canção e como sonhos fortes
Deduzo pessoas, crio destinos, claves, cores
Espalho o som dos urros e segredo aos vulcões a febre que me consome
E deixo o sabor das pelas serem-me asa, casas, alvas mil pessoas
Aspas colorem o antes
E dão-me o sabor de mar, o ser das coisas
Me fazem sal.

Não são só seus os mundos
Esses mundos gentes de vultos, telefones
De fomes e renomes, de meninos, de mil homens
Escritos em pernas e palcos
Entre espadas e astros
Como feras soltas às feras
Não só eras as janelas
Existem anos calados
Que escutam só vozes.

Não só nós os mundos
Existem mundos? pra que?
Tantas soltas formas de outros nomes
Destinam seus soldados, seus arautos
E somos tão opostos
E nisso aposto, me posto
Tentando ser
A cem.

Entre suas gestas, seus atos
Entre suas cores, seus passos
Tuas belas flores, velhas, borboletas na janela
Escrevo versos pintados de um sol de sabores.

Não são apenas mundos
Existem trilhos
E o ver das mil magias, alegrias, encalços
E o amor nos vem dizer
Pergunta "quem?"
Nos tem, nos sabe
Nos vê como um pedaço.

E entre esperas e asfaltos
Durezas, cantos contralto
Tantas velas, barcos, trelas
Borboletas nas janelas colorem meus tão áridos
E Falsos
Controles

Até mesmo sem saber

Acordei você e soube um sonho, um ócio
Acordei-me a ver um Rio, um astro, um solto surdo, um bom tambor
Aprendi você, doeu, não foi sereno
Espelhei o ver, o tom, o alvo, o verso
Dedo em vão, em riste
Medo e desejo vivendo na mão.

Acordei a tempo
Acordei sentido
Acordei vendo os risos sendo bons.

Acordei o linho das camas, dos tombos
Dedilhado gosto do sabor sereno
Do velho tempo
Eu não sei seguro de milhares de mundos
Eu não sei desejos sem o sonho-tempo
Acordei saber e segredo e samba-canção
Vou pra Guanabara, caçar teu sorriso
Te saber assim estranha, novo risco
Quer saber do meu sorriso num verso sem sal?

Haja tempo sem a paz
Confuso o que quero vem desde o quando
Toda a vida nasce fora dos zeros
Gosto de ver teu ouvir e escrever.

Haja vento pro calor dos urros
O que quero aprendi chorando
Toda a vida procurei o incerto
E vendo assim te quero sim
Até mesmo sem saber.